Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Grass diz que não vai parar tão cedo - Escritor alemão celebra hoje 80 anos


* Luís F. Silva com agências

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O escritor alemão Günter Grass, prémio Nobel da Literatura em 1999, celebra hoje 80 anos mas, apesar da idade, não esmorece. Em declarações recentes, Grass confessou que é sua intenção continuar ‘descascando’ a realidade germânica. Por cá, o aniversário do escritor é assinalado no Goethe Institut de Lisboa, com a apresentação da sua obra mais polémica, ‘Descascando a Cebola’.

“Claro que continuo a escrever, 80 anos não são nada. Não se vão ver livres de mim tão cedo”, declarou Grass a propósito de mais um aniversário.

Sem revelar em que projecto se encontra empenhado, o escritor que tanta polémica causou com a autobiografia, ‘Descascando a Cebola’ – em que confessa o seu alistamento voluntário nas SS nazis –, adiantou apenas que se trata de uma obra em prosa. O livro sucede a ‘Dummer August’, obra de poesia em que como que ajusta contas com aqueles que o criticaram após a edição de ‘Descascando a Cebola’. No entanto, empenhada em não deixar passar em claro os 80 anos de Grass, a sua editora acaba de publicar uma edição das suas ‘obras completas’.

Autor de vasta obra, de que se destacam ‘O Tambor’, ‘A Ratazana’, ‘Com Aguarelas’ e ‘Uma Longa História’, Grass abalou o mundo das Letras o ano passado, quando publicou ‘Descascando a Cebola’. No livro, que hoje é apresentado no Goethe Institut (18h30), em Lisboa, o escritor alemão confessa que fez parte das SS nazis. Foi o quanto bastou para desencadear uma série de reacções condenatórias ao escritor, que chegou mesmo a descrever-se como um ‘Spätaufklärer’ (‘devoto da iluminação numa era cansada de razão). Na Polónia, por exemplo, Lech Walesa (Nobel da Paz) exigiu-lhe a devolução da distinção de cidadão honorário de Gdansk (antiga Dantzig), cidade de onde Grass é natural. Na vizinha República Checa, o Pen Clube local retirou-lhe o Prémio que lhe tinha sido atribuído e, ao mesmo tempo, escritores, políticos e historiadores subscreveram uma petição para que a Fundação Nobel exigisse a devolução do prémio máximo de Literatura atribuído em 1999. A instituição, porém, rejeitou a proposta, justificando que “as decisões da Fundação Nobel são irreversíveis”.

Mais de um ano após a edição de ‘Descascando a Cebola’, Grass não consegue, contudo, afastar o fantasma nazi. Tanto mais que ao longo da sua obra sempre contestara os ideais nazis que o atraíram na juventude.

Além de escritor, Günter Grass é também conhecido pela sua obra escultórica e gráfica. Alguns dos seus trabalhos neste último capítulo estão em Portugal à ‘guarda’ do Centro Cultural São Lourenço, em Almancil, onde o escritor tem uma casa.

PERFIL

Günter Grass nasceu a 16 de Outubro de 1927 em Gdansk (Polónia). Aos 17 anos alistou-se Waffen-SS de Hitler e, depois do fim da II Guerra Mundial, foi mineiro, pedreiro e estudante de artes. Em 1956 mudou-se para Paris e iniciou carreira de escritor, com ‘O Tambor’.

CITAÇÕES

- "Eu era jovem e não procurei questionar. Em vez disso, acreditei cegamente que a Alemanha, até à sua capitulação incondicional, tinha razões para fazer a guerra e foi por isso que segui o caminho de centenas de milhar de alemães da minha idade”

- “Não sabia nada dos crimes de guerra que mais tarde vieram à luz, mas a afirmação da minha ignorância não pode ocultar a consciência de haver estado integrado num sistema que planificou, organizou e executou o extermínio de milhões de pessoas

Günter Grass
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in Correio da Manhã 2007.10.16
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foto Barbara Ostrowska /Epa- Günter Grass


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