Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc
Mostrar mensagens com a etiqueta Gastronomia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gastronomia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Travel Guide - Hungarian Food


.
.
 WatchMojo 16 de Maio de 2008http://www.WatchMojo.com presents... A look at the cuisine that you'll find when traveling through the East European country of Hungary.
.
.
Assunto: Bom dia!
Data: 6/Jun 5:37


.
Beijos mil da Judite
.
.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Os rituais gastronômicos do Natal celebram o Menino Jesus? - Fatima Oliveira *

Colunas

Vermelho - 23 de Dezembro de 2009 - 1h54

Os rituais gastronômicos do Natal celebram o Menino Jesus?

Fatima Oliveira *

Onde nasci não se falava muito em dia de Natal, era Dia do Nascimento, conforme escrevi em "O espírito dos natais passados: Natal ou Dia do Nascimento?" (23.12.2008). O centro da comemoração era o Menino Jesus, daí a imperiosa presença dos presépios e da "tiração de reis" - apresentação de reisados, iniciados na véspera do Dia do Nascimento, indo até ao Dia de Reis, 6 de janeiro. Os reisados são autos natalinos de uma beleza indescritível.

.

O adorável dos dias santos católicos, como Semana Santa e Natal, é o cardápio, já que o ponto alto de tais festas é a comilança, pois os rituais culinários são de dar água na boca. Um complicador contemporâneo é que as comidas tradicionais do Natal brasileiro foram relegadas ao esquecimento, tendo sido substituídas por costumes alimentares de países de clima frio.
.
Em minha família de origem, o almoço do Dia do Nascimento era sagrado, com peru e leitoa. Não havia a cultura de Papai Noel e nem de presentes. Isso era lá no sertaozão bravo, porque na capital, São Luís do Maranhão, o Natal já era infestado de Papai Noel, ceia de Natal e quetais, embora até hoje os presépios sejam venerados.
.
O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, em "Jingobel, Jingobel (Uma história de Natal)", diz que na ilha de Itaparica, "Referentemente ao Natal, podemos dizer que temos aqui muitos tipos, dependendo. Já tivemos mais, porém o Natal é uma festa que nem todos reúnem condições, aliás, verdade seja dita quase que nenhuns aqui... Então o Natal aqui é isso mesmo, é a televisão".
.
Depois que tive a minha própria casa, a cultura gastronômica natalina europeia passou a existir, pois Natal para o meu marido era cultura europeia. Honestamente, continuo gostando muito mais do almoço de Natal do que da ceia natalina. Resolvemos o possível problema criando a nossa prole nas duas tradições gastronômicas.
.
O escritor colombiano Gabriel García Marquez, em "Estas sinistras festas de Natal" (1980), inicia dizendo que "Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro, para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos, que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2.000 anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns 1.000 anos antes, o rei Davi".
.
E finaliza de modo contundente: "Tudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormindo na sala. Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos(...) Não é raro, como acontece frequentemente, que a festa acabe a tiros".
.
Corroborando Gabriel García Marquez com minha experiência de muitos e muitos plantões em pronto-socorros, tanto em 24 quanto em 31 de dezembro, posso dizer que o Natal é uma festa violenta - parentes quebrando garrafas de cerveja na cabeça de quem não gostam e muitos acidentes com crianças, principalmente em bicicletas e velocípedes novos. Bem mais violenta que as comemorações do Ano Novo, embora a primeira seja uma festa em família e a segunda "uma festa de rua".

.
* Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005.
.

* Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.

.

  • SANTO NATAL

    23/12/2009 15h57
    Cara amiga,não sei qual o seu credo e isto não está em foco aqui. Mas concordo com vc em genero numero e grau,sou tambem interiorano,sou de Minas um estado em que areligiosidade tem uma profunda raiz na nossa alma. Vejo com saudade e tristeza o tempo que não volta mais,aquele tempo em que se reunia em torno de uma mesa às vezes não tão farta de comidas mas farta de amor familiar,com os olhos voltado pára o presépio onde o verdadeiro aniversariante recebia carinhos da criançada e veneração dos mais velhos,era um tempo em que a atmosfera éra de alegria sincera porque alí estava a razão de nos mantermos unidos e salvos do pecado,esta era a atmosfera que viviamos.Diferentemente dquela época hoje vivemos o natal do papai noél,sem na maior parte das vezes nos lembrarmos do verdadeiro simbolo da festa. hoje o mote é dar presentes,comer muito se enbebedar e claro até mesmo correr para os moteis para "COMERMORAR".É uma pena ver isto,traz muito sofrimento. SDS
    Carlos
    Itabira - MG
    .
    .

As saudades do paladar são memórias culturais eternizadas - Fatima Oliveira *


Colunas

Vermelho - 23 de Setembro de 2009 - 0h01

As saudades do paladar são memórias culturais eternizadas

Fatima Oliveira *

A comida é uma das expressões culturais mais expressivas de um povo, só comparável à língua, pois eterniza costumes, afetos e história. Dos lugares que conheço, a comida local é a imagem mais forte. Não faço cara de nojo diante de alimentos feitos de modo diferente ao que estou acostumada. E mais, quando sinto saudade, sinto fome de comer algumas coisas à moda da minha mãe ou da minha avó, cozinheiras eméritas...

.

Metida a gourmet, considero o preconceito contra o paladar odiento. Por anos travei uma guerrilha surda para manter viva em minha casa a cozinha maranhense, a sertaneja e a do litoral. Por circunstâncias da vida, aprendi muito da arte culinária e nichos de ecogastronomia de outros Estados do país. Cada lugar tem seu estilo culinário - o modo de fazer alimentos comuns, como o arroz, o feijão, as carnes e os peixes. Resisto ao ar xenófobo do desdém do "estilo de comer" de outros lugares - refiro-me mais às comidas do cotidiano do que ao rotulado de comidas típicas.
.
Uma amiga baiana, arquiteta negra, filha de médico e de professora, logo, classe média com certeza, diante da ignorância de quem achava que as comidas típicas da Bahia são as do cotidiano, estrilou: "Não há quem aguente comer temperado com dendê todo santo dia! Aqui é como em todo canto. Miserável come os restos que lhe dão. Pobre come como pobre; classe média, como classe média; e rico, como rico. Há arroz e feijão em todas as mesas. A classe média come arroz, feijão, bife, batata frita e uma saladinha qualquer de Norte a Sul do país desde os anos 60. E churrasco é comida de festa nas favelas e nas mansões em todo canto desde quando a gauchada tomou conta da ditadura. E por que acham que na Bahia é dendezaiada todo santo dia?"
.
Já vivi inundada de cheiros e sabores de comida goiana e massas genuinamente italianas; e de um misto de comida mineira com carioca a um ponto que eu não saberia dizer hoje se a minha cozinha é genuinamente maranhense ou de base maranhense com pitadas "goiana-italiana-carioca-mineira". Embaralhei as cartas? É um pouco assim: fazemos arroz (torrado, soltinho...) e feijão (cremoso), como em Goiás; e massas ao estilo italiano, heranças de um marido goiano, cozinheiro de muitos dons. Com outro, não versado em cozinhar e não sendo um bairrista culinário, o veio maranhense de minha cozinha reapareceu mais amiúde e agora é perene. Ponto final!
.
Todavia não sei mais fazer feijão à moda do sertão do Maranhão: caldo meio engrossado e com feijões mais inteiros, com cebolinha e coentro. Há a variante de feijão sempre verde com quiabo. E o feijão manteiguinha, pura delícia? Adotei o estilo goiano de fazer feijão, como o de fazer arroz, que no sertão é cozido só com água e sal, às vezes temperado com óleo, azeite de babaçu ou pedaços de toucinho (arroz de toucinho). Temos a famosa maria-isabel (arroz misturado com carne gorda de boi); o baião-de-dois (arroz misturado com feijão, preferencialmente verde); e a carne de sol.
.
A passeio em Beagá, vovó Maria, a personificação da ironia, não se conteve quando fiz fava com leite de coco e galinha caipira cheia: "Mulher, essa comida da tua casa é muito da sem rumo. Até que é boa, mas é uma mistureira danada. Comi por comer. Onde já se viu deixar a fava só um creme, sem caldo e sem caroço? A galinha tá mais ou menos, mas cozinhou demais, perdeu o gosto. Naquele dia do chambaril, o que era aquilo?"
.
Matou a pau, classificou a minha comida de sem identidade. Vai ver que é mesmo.


* Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005.
.
* Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.
.
  • Olá Fátima Oliveira, saudações!

    23/09/2009 10h09 Olá Fátima Oliveira, saudações! É um enorme prazer reencontrá-la, já estava mesmo era com saudade do paladar das tuas sempre bem fundada, inteligente e escorreita literatura. Um regojizo - As saudades do paladar são memórias culturais eternizadas - meus sinceros cumprimentos. Parabéns! Um fraternal abraço de Manoel Serrão.
    Manoel Serrão da Silveira Lacerda
    São Luís - MA
  • Olá Fátima Oliveira, saudações!

    23/09/2009 10h08 Olá Fátima Oliveira, saudações! É um enorme prazer reencontrá-la, já estava mesmo era com saudade do paladar das tuas sempre bem fundada, inteligente e escorreita literatura. Um regojizo - As saudades do paladar são memórias culturais eternizadas - meus sinceros cumprimentos. Parabéns! Um fraternal abraço de Manoel Serrão.
    Manoel Serrão da Silveira Lacerda
    São Luís - MA
  • Olá Fátima Oliveira, saudações!

    23/09/2009 10h08
    Olá Fátima Oliveira, saudações! É um enorme prazer reencontrá-la, já estava mesmo era com saudade do paladar das tuas sempre bem fundada, inteligente e escorreita literatura. Um regojizo - As saudades do paladar são memórias culturais eternizadas - meus sinceros cumprimentos. Parabéns! Um fraternal abraço de Manoel Serrão.
    Manoel Serrão da Silveira Lacerda
    São Luís - MA
    .
    .