Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Evocação dos 60 anos do julgamento de Álvaro Cunhal

Blog do Chaparral


Junho 22, 2010
O Partido Comunista Português (PCP) assinala hoje os 60 anos do julgamento político de Álvaro Cunhal no Tribunal da Boa Hora. A evocação servirá para divulgar um conjunto de documentos inéditos do próprio ex-líder comunista. Estarão assim disponíveis alguns dos manuscritos produzidos por Cunhal após a sua terceira detenção em 1949, que o fez passar 11 anos no Forte de Peniche, de onde só fugiu em Janeiro de 1960. No CD-Rom apresentado estão centenas de páginas em fac-símile dos cadernos 1, 28 e 49. Os cadernos eram usados por Cunhal para registar “de forma sistemática” a sua vida naqueles tempos. Segundo José Casanova, dirigente comunista e director do jornal partidário Avante!, as entradas nesses documentos referiam-se a peças do processo, requerimentos, protestos, reclamações e cartas ao ministro da Justiça. Passados 60 anos do julgamento que se iniciou em Maio de 1950, os historiadores da época não divergem sobre a importância que este teve. A conduta de Cunhal fixou que, a partir desse momento, os comunistas deveriam passar ao ataque, evitar a defesa e, assim, usar a tribuna para denunciar o regime. Tal como José Casanova recorda no CD-Rom, Cunhal terminaria a sua intervenção no julgamento de dedo apontado ao ditador Oliveira Salazar, dizendo que quem deveria estar sentado no banco dos réus não eram os comunistas, “mas os actuais governantes da nação e o seu chefe, Salazar”. Além do CD-Rom, a evocação do PCP vai incluir a leitura de excertos da defesa de Cunhal, leitura de poesia de Pablo Neruda e Manuel Gusmão e um momento musical. A iniciativa faz parte do ciclo Álvaro Cunhal: uma vida dedicada aos trabalhadores e ao povo, ideal e projecto comunista, tendo a participação do actual secretário-geral, Jerónimo de Sousa.
in Público

quarta-feira, 16 de março de 2011

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Obra plástica de Álvaro Cunhal (19-11-1913/13-6-2005)













Desenho de Álvaro Cunhal.

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http://www.vidaslusofonas.pt/alvaro_cunhal.htm
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http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/desenho/alvaro_cunhal/biografia.html
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mulher, alvaro.jpg
gravura de Álvaro Cunhal in Desenhos da Prisão
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Pintura de óleo sobre madeira dos projectos «Eu gostaria de saber pintar» de Álvaro Cunhal - Projecto 1


Pintura de óleo sobre a madeira dos projectos "Eu Gostaria de saber pintar" - Projecto 2 - de Álvaro Cunhal

Pintura sobre a Tela dos Projectos "Eu Gostaria de saber pintar" de Àlvaro Cunhal - Projecto 3



Pintura a Óleo sobre a madeira, dos projectos "Eu Gostaria de Saber pintar" de Álvaro Cunhal - Pintura 4


Pintura de Óleo sobre a madeira dos Projectos "Eu Gostaria de Saber Pintar" de Alvaro Cunhal - Projecto 6


Pintura de Álvaro Cunhal, dos projectos "Eu gostaria de saber pintar", projecto 8.

 

Desenhos

Os desenhos conhecidos de Álvaro Cunhal são os "Desenhos da Prisão", publicados em álbum, em Dezembro de 1975, pela Editorial Avante!. Esta publicação foi uma iniciativa do PCP e teve como objectivo a recolha de fundos.

Os desenhos são feitos a lápis sobre papel e foram executados entre 1951 e 1959, numa cela da Penitenciária de Lisboa, onde passou oito anos em total isolamento, e no Forte de Peniche, de onde se evadiu em Janeiro de 1960.

Durante cerca de dois anos (1949-1951) não teve acesso a qualquer material de escrita ou de desenho, mas em 1951 passou a ser autorizado a receber papel e lápis. Para efeitos de controle, o papel era numerado folha a folha e assinado pelo chefe dos guardas da Penitenciária de Lisboa - Lino -, pelo que há alguns desenhos em que se pode ver uma assinatura, que não é do autor dos desenhos, mas do tal Lino.

Alguns destes desenhos conseguiram sair da prisão. Há muitos de que não se conhece o paradeiro, pois foram vendidos para obter fundos para o PCP, mas os que tinham sido enviados para a família ou os que foram recuperados depois do 25 de Abril, por entrega dos soldados que ocuparam as fortalezas onde estavam apreendidos, foram reunidos e publicados.


Os desenhos de Álvaro Cunhal não têem título porque não têm que ter, transmitem uma mensagem que não precisa de título para ser percebida por quem a recebe.

O povo é a temática de todos eles, o trabalho, a luta, o sofrimento, a miséria, mas também a alegria, a festa, a dança, são os ambientes representados.

Curiosamente foi o povo camponês o escolhido como personagem central, não havendo qualquer referência ao operariado urbano.

Os cenários, não tendo qualquer elemento concreto, real, remetem na sua generalidade para o campo ou para a aldeia.

Em Álvaro Cunhal o central é a personagem Povo, seja ela representada individual ou colectivamente. A paisagem é totalmente secundária, surgindo apenas como elemento simbólico ou de composição, ou não existindo de todo. A única referência concreta em termos de paisagem é um forte, que lembra o forte de Peniche, nos desenhos alusivos à festa de Carnaval. Estes desenhos datam de Fevereiro de 1959, o que indicia terem sido inspirados em imagens reais que o autor terá presenciado através das grades do forte, onde estava preso nesta data.

Se a grande maioria dos desenhos é dedicada ao Povo como elemento colectivo, tanto na luta - vários desenhos são dedicados à luta contra a opressão, o povo que enfrenta corajosamente as cargas da GNR - como no trabalho, ou, mesmo, na festa, na alegria da dança ou do Carnaval, outros representam episódios da vida do povo, em que as personagens são individuais e, então, surgem com uma muito maior definição e uma expressão dramática ou lírica muito mais forte.



Nesta categoria de desenhos a mulher é quase sempre a protagonista, sendo representada duma forma mais lírica e expressiva que o resto das personagens. O olhar e os traços da camponesa sentada, das duas camponesas de pé, abraçadas, ou da mulher que segura a vela no velório de alguém, são de uma expressão tão forte que, na minha opinião, constituem toda a dinâmica desses desenhos.

A representação da mulher em Cunhal é muito importante, ela ocupa um lugar especial, apresentando-se forte, corajosa, trabalhadora, mas sobretudo feminina. Esta importância é patente mesmo nos desenhos em que a personagem é colectiva, pois a mulher está sempre presente, lutando ou trabalhando ao lado do homem, mas também dançando. Aliás, nas cenas de festa e de dança, a leveza e graciosidade da mulher são um dos elementos fulcrais de toda a dinâmica característica destes desenhos.

Os desenhos de Álvaro Cunhal, executados a grafite ou carvão sobre papel, apresentam um dramático jogo de luz/sombra, através do qual o autor ultrapassa as limitações da representação monocromática.

Cada desenho é uma narrativa e essa narrativa tem como fio condutor aquele jogo. Através dele o autor diz-nos quem são os protagonistas, qual é a acção central, onde é que está o bem e onde é que está o mal, e principalmente, consegue imprimir aos desenhos uma dinâmica e uma sensação de movimento fortíssimas, que constituem, na minha opinião, a sua característica mais marcante.

O traço de Cunhal pode ser mais carregado ou mais fluído, conforme o plano é mais aproximado, existindo uma maior preocupação com o pormenor, ou é um plano geral, em que a personagem é colectiva, e a fluídez dos contornos serve precisamente para apagar as fronteiras de cada individuo e acentuar a sua fusão numa entidade única e solidária - o Povo.

A desenvoltura e segurança do traço, que caracterizam o trabalho de Cunhal são resultado de uma evolução que é visível se observarmos os primeiros desenhos de 1951 e os compararmos com os dos últimos anos.

O ponto de vista do pintor é, ora frontal, ligeiramente elevado, podendo este não ser um mero espectador, mas estar no meio da acção, ora muito elevado, e aí o pintor é um espectador da heroicidade do povo.

As influências neo-realistas, em termos formais, são mais evidentes nos primeiros desenhos. O exagero no volume dos braços, pernas, mãos e pés, instrumentos de trabalho do povo, vai-se atenuando e os últimos desenhos revelam uma clara evolução formal em relação aos estereótipos desta corrente estética.

De qualquer forma, os desenhos de Álvaro Cunhal integram a corrente estética neo-realista e, segundo João Pinharanda "se não fossem um capítulo sem continuidade" "constituíriam um dos mais interessantes casos do neo-realismo português" (João Pinharanda, 1991).



[ CITI ]

A revolução de Outubro e a questão do Estado - Um texto de Álvaro Cunhal Escrito por Revista «O Militante» 01-Nov-2006 A forma da Ditadura do Proletariado instaurada pela Revolução de Outubro foi o poder dos sovietes de deputados operários, soldados e camponeses. No próprio dia 7 de Novembro de 1917, discursando pela primeira vez depois do triunfo da revolução, Lénine proclamou: «O velho aparelho de Estado será radicalmente destruído e será criado um novo aparelho de direcção na pessoa das organizações dos Sovietes.» («Relatório sobre as tarefas que incumbem ao poder dos Sovietes», Obras, edição francesa, vol. 26, p. 245) Os sovietes não foram uma criação artificial, decidida por teóricos num trabalho de gabinete. Os sovietes foram uma criação da classe operária e das massas trabalhadoras no decurso da luta revolucionária. Nascidos nas grandes batalhas políticas da Revolução de 1905-1907, reapareceram com o triunfo da revolução democrático-burguesa de Fevereiro de 1917 e ganharam tal amplitude que constituíram durante meses, até Julho de 1917, um órgão de poder paralelo do governo provisório da burguesia. O mérito de Lénine e do Partido Bolchevique não foi terem «inventado» os sovietes, mas terem sabido descobrir nesses organismos revolucionários criados pelas massas o órgão do poder no Estado proletário. Com a Revolução de Outubro, o poder do Estado passou para os sovietes. O primeiro Estado proletário foi e ainda é um Estado soviético. Eleitos, não numa base territorial, mas directamente nas fábricas, nas oficinas, nas herdades, nas aldeias, nas unidades militares, os sovietes tornaram-se, não apenas organismos representativos das classes trabalhadoras, mas a forma de intervenção directa das massas na direcção do Estado. Tomando apenas os primeiros 10 anos do poder soviético, cerca de 12 milhões e 500 mil pessoas foram deputados, membros de comités executivos e delegados a congressos dos sovietes. Os sovietes constituíram a forma de exercício do poder pelas vastas massas populares, a afirmação do carácter verdadeiramente democrático da primeira ditadura do proletariado. Todo o aparelho do primeiro Estado socialista deixou de ser orientado pelo centralismo burocrático característico dos Estados burgueses, para ser orientado pelos princípios do centralismo democrático. Como qualquer outro Estado, o novo Estado não era neutro nem se situava acima das classes. O novo Estado foi criado para servir a aliança do proletariado com o campesinato e com amplas camadas não proletárias de trabalhadores, para servir a maioria esmagadora da população contra a resistência das camadas desalojadas do poder. Mas, por isso mesmo, quebrado, destruído, esmagado o velho aparelho do Estado, o aparelho do novo Estado adquiriu um carácter profundamente popular. O Exército Vermelho nasceu do povo e da revolução. Provenientes da classe operária e do campesinato, os seus quadros forjaram-se no fogo da luta. Desde o primeiro dia, as unidades do Exército Vermelho estiveram indissoluvelmente ligadas à classe operária e aos camponeses, nas fábricas, nas aldeias, nos sindicatos. A justiça foi também profundamente democratizada. Através de juízes eleitos e de assessores populares, as massas trabalhadoras passaram a participar amplamente na sua administração. A milícia tornou-se um instrumento de defesa diária da segurança da população. Os funcionários passaram a ser eleitos e revocáveis. Como auxiliares do poder, os sindicatos participaram activamente na criação de organismos económicos, na elaboração dos planos de produção, no contrôle operário sobre os dirigentes das actividades económicas. Escolas de gestão económica e administrativa, viveiros de quadros, os sindicatos, assim como as cooperativas de camponeses e artesãos, desempenharam importante papel na democratização da vida política e económica. Os sovietes, os sindicatos, as comissões de fábrica enviaram milhares de trabalhadores para os ministérios (comissariados do povo), para os comandos do exército e da milícia, para os órgãos de planificação e de gestão industrial. Foram os operários da Siemens-Shukart que deram os quadros para o primeiro núcleo de funcionários o Comissariado dos Negócios Estrangeiros; os da fábrica Putilov para o Comissariado do Interior; os do bairro Víborg de Petrogrado para o Comissariado da Instrução. Em vez da velha burocracia ao serviço do capital, é todo o sangue novo do proletariado revolucionário que corre nas veias do novo aparelho do Estado. Pela primeira vez na história, as liberdades, a democracia, os direitos, deixaram de ser privilégio de uma minoria de exploradores para serem a forma de viver e de intervir na vida política e social das vastas massas populares. O Estado soviético suprimiu as desigualdades de direitos por motivo de origem social, do sexo, da instrução ou de crenças religiosas. Pôs à disposição dos trabalhadores os meios materiais para exercerem os seus direitos democráticos (edifícios, tipografias, rádio, ruas). Socializando os instrumentos e meios de trabalho, criou as condições para que o povo passasse a gerir a produção e as instituições económicas. O novo Estado socialista, a primeira ditadura do proletariado, constituiu, nas palavras de Lénine, «um novo tipo de democracia: o democratismo proletário» (Obras, edição francesa, vol. 33, p. 47). Numa passagem de brilhante clareza, Lénine pôs em confronto o novo Estado socialista com o Estado burguês anterior. «Ditadura de uma minoria – escreveu Lénine –, o antigo poder não podia manter-se senão por expedientes de polícia, pelo afastamento, pelo impedimento das massas populares de participarem no poder, de controlarem o poder. [...] Ditadura da imensa maioria, o novo poder não podia manter-se e não se mantinha senão graças à confiança da massa imensa, senão porque chamava toda a massa a participar no poder das maneira mais livre, mais larga e mais poderosa.» («Contribuição para a história da questão da ditadura», Obras, edição francesa, vol. 31, p. 364). A Revolução de Outubro mostrou na vida a justeza da teoria leninista do Estado e da Revolução. Nenhum governo teria sido capaz de pôr fim à exploração capitalista, de nacionalizar a indústria, os transportes, os bancos e a terra, de confiscar os latifúndios e entregá-los aos camponeses, de assegurar a igualdade das nações submetidas ao antigo império russo, de assegurar à mulher direitos iguais aos do homem, de encetar e levar a bom termo a obra grandiosa da edificação da sociedade socialista, se não dispusesse de um aparelho do Estado ao serviço dos operários e camponeses. Sem a destruição do antigo Estado (do aparelho da ditadura da burguesia), sem a criação do novo Estado (do aparelho da ditadura do proletariado) em bases amplamente democráticas, sem a participação real das massas na direcção política e económica, não teria sido possível realizar a revolução socialista. As formas de ditadura do proletariado podem variar e variam segundo as condições, os métodos e as circunstâncias de acesso da classe operária ao poder, segundo o grau de violência do acto revolucionário, segundo o grau de desenvolvimento do capitalismo, segundo a situação anterior e a arrumação das forças de classe, segundo o grau de resistência da burguesia reaccionária à construção do socialismo, segundo a conjuntura internacional e os auxílios externos à reacção interior. Lénine previa essa diversidade: «Todas as nações virão ao socialismo, isso é inevitável, mas não virão todas de uma maneira absolutamente idêntica; cada uma trará a sua originalidade em tal ou tal forma de democracia, em tal ou tal variedade de ditadura do proletariado, em tal ou tal variedade de ditadura do proletariado, em tal ou tal ritmo das transformações socialistas dos diferentes aspectos da vida social.» («Uma caricatura do marxismo», Obras, edição francesa, vol. 23, pp. 75-76) O Estado, por sua natureza, significa a «organização da violência», mas o exercício do poder pelo proletariado pode ser mais tolerante ou mais severo segundo as exigências da situação e em particular segundo a posição da própria burguesia. Na Revolução de Outubro, a violência revolucionária a que foi obrigado o poder soviético resultou da «resistência feroz, insensata, impudente e desesperada» da burguesia. Sem essa resistência, no dizer de Lénine, a «revolução teria revestido formas mais pacíficas» («Relatório sobre o trabalho no campo ao VIII Congresso do PC(b)R», Obras, edição francesa, vol. 29, p. 212). A destruição do velho aparelho do Estado e a criação de um novo aparelho podem não excluir o aproveitamento de formas tradicionais de organização, cujo carácter de classe seja transformado. A tarefa dos partidos comunistas não é transplantar mecanicamente para os países respectivos as formas que tomou a ditadura do proletariado noutros países, não é querer imitar outras revoluções, antes saber encontrar as formas do poder político dos trabalhadores segundo as particularidades nacionais e o curso do processo revolucionário. Quaisquer porém que sejam as formas, os traços essenciais da Revolução de Outubro conservam completa actualidade no sentido da sua «repetição histórica inevitável» e constituem, no que respeita à questão do poder, à questão do Estado, o mais rico arsenal de experiências e ensinamentos para o proletariado revolucionário de todos os países. Álvaro Cunhal, A questão do Estado, questão central de cada revolução




Álvaro Cunhal, A revolução de Outubro e a questão do Estado


29-Abr-2007
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A revolução de Outubro e a questão do Estado - Um texto de Álvaro Cunhal       
Escrito por Revista «O Militante» 

01-Nov-2006


A forma da Ditadura do Proletariado instaurada pela Revolução de Outubro foi o poder dos sovietes de deputados operários, soldados e camponeses. No próprio dia 7 de Novembro de 1917, discursando pela primeira vez depois do triunfo da revolução, Lénine proclamou: «O velho aparelho de Estado será radicalmente destruído e será criado um novo aparelho de direcção na pessoa das organizações dos Sovietes.» («Relatório sobre as tarefas que incumbem ao poder dos Sovietes», Obras, edição francesa, vol. 26, p. 245)

Os sovietes não foram uma criação artificial, decidida por teóricos num trabalho de gabinete. Os sovietes foram uma criação da classe operária e das massas trabalhadoras no decurso da luta revolucionária. Nascidos nas grandes batalhas políticas da Revolução de 1905-1907, reapareceram com o triunfo da revolução democrático-burguesa de Fevereiro de 1917 e ganharam tal amplitude que constituíram durante meses, até Julho de 1917, um órgão de poder paralelo do governo provisório da burguesia. O mérito de Lénine e do Partido Bolchevique não foi terem «inventado» os sovietes, mas terem sabido descobrir nesses organismos revolucionários criados pelas massas o órgão do poder no Estado proletário. Com a Revolução de Outubro, o poder do Estado passou para os sovietes. O primeiro Estado proletário foi e ainda é um Estado soviético.

Eleitos, não numa base territorial, mas directamente nas fábricas, nas oficinas, nas herdades, nas aldeias, nas unidades militares, os sovietes tornaram-se, não apenas organismos representativos das classes trabalhadoras, mas a forma de intervenção directa das massas na direcção do Estado. Tomando apenas os primeiros 10 anos do poder soviético, cerca de 12 milhões e 500 mil pessoas foram deputados, membros de comités executivos e delegados a congressos dos sovietes. Os sovietes constituíram a forma de exercício do poder pelas vastas massas populares, a afirmação do carácter verdadeiramente democrático da primeira ditadura do proletariado.
Todo o aparelho do primeiro Estado socialista deixou de ser orientado pelo centralismo burocrático característico dos Estados burgueses, para ser orientado pelos princípios do centralismo democrático. Como qualquer outro Estado, o novo Estado não era neutro nem se situava acima das classes. O novo Estado foi criado para servir a aliança do proletariado com o campesinato e com amplas camadas não proletárias de trabalhadores, para servir a maioria esmagadora da população contra a resistência das camadas desalojadas do poder. Mas, por isso mesmo, quebrado, destruído, esmagado o velho aparelho do Estado, o aparelho do novo Estado adquiriu um carácter profundamente popular.

O Exército Vermelho nasceu do povo e da revolução. Provenientes da classe operária e do campesinato, os seus quadros forjaram-se no fogo da luta. Desde o primeiro dia, as unidades do Exército Vermelho estiveram indissoluvelmente ligadas à classe operária e aos camponeses, nas fábricas, nas aldeias, nos sindicatos. A justiça foi também profundamente democratizada. Através de juízes eleitos e de assessores populares, as massas trabalhadoras passaram a participar amplamente na sua administração. A milícia tornou-se um instrumento de defesa diária da segurança da população. Os funcionários passaram a ser eleitos e revocáveis. Como auxiliares do poder, os sindicatos participaram activamente na criação de organismos económicos, na elaboração dos planos de produção, no contrôle operário sobre os dirigentes das actividades económicas. Escolas de gestão económica e administrativa, viveiros de quadros, os sindicatos, assim como as cooperativas de camponeses e artesãos, desempenharam importante papel na democratização da vida política e económica. Os sovietes, os sindicatos, as comissões de fábrica enviaram milhares de trabalhadores para os ministérios (comissariados do povo), para os comandos do exército e da milícia, para os órgãos de planificação e de gestão industrial. Foram os operários da Siemens-Shukart que deram os quadros para o primeiro núcleo de funcionários o Comissariado dos Negócios Estrangeiros; os da fábrica Putilov para o Comissariado do Interior; os do bairro Víborg de Petrogrado para o Comissariado da Instrução. Em vez da velha burocracia ao serviço do capital, é todo o sangue novo do proletariado revolucionário que corre nas veias do novo aparelho do Estado.
Pela primeira vez na história, as liberdades, a democracia, os direitos, deixaram de ser privilégio de uma minoria de exploradores para serem a forma de viver e de intervir na vida política e social das vastas massas populares. O Estado soviético suprimiu as desigualdades de direitos por motivo de origem social, do sexo, da instrução ou de crenças religiosas. Pôs à disposição dos trabalhadores os meios materiais para exercerem os seus direitos democráticos (edifícios, tipografias, rádio, ruas). Socializando os instrumentos e meios de trabalho, criou as condições para que o povo passasse a gerir a produção e as instituições económicas. O novo Estado socialista, a primeira ditadura do proletariado, constituiu, nas palavras de Lénine, «um novo tipo de democracia: o democratismo proletário» (Obras, edição francesa, vol. 33, p. 47).

Numa passagem de brilhante clareza, Lénine pôs em confronto o novo Estado socialista com o Estado burguês anterior. «Ditadura de uma minoria – escreveu Lénine –, o antigo poder não podia manter-se senão por expedientes de polícia, pelo afastamento, pelo impedimento das massas populares de participarem no poder, de controlarem o poder. [...] Ditadura da imensa maioria, o novo poder não podia manter-se e não se mantinha senão graças à confiança da massa imensa, senão porque chamava toda a massa a participar no poder das maneira mais livre, mais larga e mais poderosa.» («Contribuição para a história da questão da ditadura», Obras, edição francesa, vol. 31, p. 364).

A Revolução de Outubro mostrou na vida a justeza da teoria leninista do Estado e da Revolução. Nenhum governo teria sido capaz de pôr fim à exploração capitalista, de nacionalizar a indústria, os transportes, os bancos e a terra, de confiscar os latifúndios e entregá-los aos camponeses, de assegurar a igualdade das nações submetidas ao antigo império russo, de assegurar à mulher direitos iguais aos do homem, de encetar e levar a bom termo a obra grandiosa da edificação da sociedade socialista, se não dispusesse de um aparelho do Estado ao serviço dos operários e camponeses. Sem a destruição do antigo Estado (do aparelho da ditadura da burguesia), sem a criação do novo Estado (do aparelho da ditadura do proletariado) em bases amplamente democráticas, sem a participação real das massas na direcção política e económica, não teria sido possível realizar a revolução socialista.

As formas de ditadura do proletariado podem variar e variam segundo as condições, os métodos e as circunstâncias de acesso da classe operária ao poder, segundo o grau de violência do acto revolucionário, segundo o grau de desenvolvimento do capitalismo, segundo a situação anterior e a arrumação das forças de classe, segundo o grau de resistência da burguesia reaccionária à construção do socialismo, segundo a conjuntura internacional e os auxílios externos à reacção interior.

Lénine previa essa diversidade: «Todas as nações virão ao socialismo, isso é inevitável, mas não virão todas de uma maneira absolutamente idêntica; cada uma trará a sua originalidade em tal ou tal forma de democracia, em tal ou tal variedade de ditadura do proletariado, em tal ou tal variedade de ditadura do proletariado, em tal ou tal ritmo das transformações socialistas dos diferentes aspectos da vida social.» («Uma caricatura do marxismo», Obras, edição francesa, vol. 23, pp. 75-76)

O Estado, por sua natureza, significa a «organização da violência», mas o exercício do poder pelo proletariado pode ser mais tolerante ou mais severo segundo as exigências da situação e em particular segundo a posição da própria burguesia. Na Revolução de Outubro, a violência revolucionária a que foi obrigado o poder soviético resultou da «resistência feroz, insensata, impudente e desesperada» da burguesia. Sem essa resistência, no dizer de Lénine, a «revolução teria revestido formas mais pacíficas» («Relatório sobre o trabalho no campo ao VIII Congresso do PC(b)R», Obras, edição francesa, vol. 29, p. 212). A destruição do velho aparelho do Estado e a criação de um novo aparelho podem não excluir o aproveitamento de formas tradicionais de organização, cujo carácter de classe seja transformado. A tarefa dos partidos comunistas não é transplantar mecanicamente para os países respectivos as formas que tomou a ditadura do proletariado noutros países, não é querer imitar outras revoluções, antes saber encontrar as formas do poder político dos trabalhadores segundo as particularidades nacionais e o curso do processo revolucionário.

Quaisquer porém que sejam as formas, os traços essenciais da Revolução de Outubro conservam completa actualidade no sentido da sua «repetição histórica inevitável» e constituem, no que respeita à questão do poder, à questão do Estado, o mais rico arsenal de experiências e ensinamentos para o proletariado revolucionário de todos os países.

Álvaro Cunhal, A questão do Estado, questão central de cada revolução, pp. 17-22.
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http://www.dorl.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1226&Itemid=49

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sábado, 16 de outubro de 2010

Pequena Galeria de Retratos após o Sarau com Música e Poesia para (quase) todos os gostos

O naufrágio do Medusa segundo Gericault - Vik Muniz

Gericault
O naufrágio do Medusa - Gericault

A questão social continua um caso de Polícia - Di Cavalcanti
Delacroix - A Liberdade Guiando o Povo
O Quarto Estado - Volpedo
Peter Brueghel - Festa de Noivado
Álvaro Cunhal - Desenhos da Prisão

Paula Rego - A Dança
Paula Rego - O Crianças Voando
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PCP - Fugas do Forte de Caxias e do Forte de Peniche


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SIPDORLPCP | 27 de março de 2008
Relato sobre a Fuga de Caxias de 1961 realizada no carro blindado de Salazar.
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SIPDORLPCP | 3 de maio de 2007
A Fuga de Peniche de Dias Lourenço, contada por Domingos Abrantes numa visita ao Forte de Peniche
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SIPDORLPCP | 28 de abril de 2007
O depoimento de Joaquim Gomes sobre a Fuga de Peniche de 1961, que devolveu à liberdade 11 dirigentes do PCP, entre os quais Àlvaro Cunhal
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MrFinezas | 7 de janeiro de 2010
Já lá vão 50 anos. Corria o dia 3 de Janeiro de 1960, 10 reclusos comunistas, Álvaro Cunhal e outros nove presos políticos, proporcionavam à PIDE um dos piores dias da Ditadura.
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abel1956 | 19 de novembro de 2007
visita ao forte de Peniche cm Dias Lourenço, prisioneiro político de Salazar
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domingo, 18 de julho de 2010

Homenagem a Álvaro Cunhal


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membrodopovo | 25 de Maio de 2009
Algum do legado artístico de Álvaro Cunhal.
Mais imagens disponíveis em http://atesemprcsamarada.blogspot.com/
Musica de José Afonso - Maria Faia
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Picardias ou as voltas que o mundo dá


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ruihg | 6 de Junho de 2008
Durão Barroso em declarações à RTP - Os estudantes, o MRPP, a luta operária e o ensino burguês
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CenasObscenas | 11 de Outubro de 2006
Portugal 1975 Pinheiro de Azevedo - O Povo é sereno, é só fumaça !
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realso | 7 de Junho de 2006 - Entrevista ao Almirante Pinheiro de Azevedo.  O Governo suspende o Governo, em protesto !
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historianacional | 23 de Março de 2008
Cunhal Soares - Olhe que não, olhe que não !
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elprilogy | 23 de Setembro de 2008
O frente-a-frente durou 3 horas e quarenta minutos, e permanece na memória dos portugueses. A 6 de Novembro de 1975, Cunhal e Soares eram líderes de dois dos grandes partidos portugueses, numa altura em que a sociedade se radicalizava entre esquerda e direita.Era bom que a RTP colocasse este histórico debate à venda em DVD.
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TataComuna | 6 de Novembro de 2006
Gato Fedorento - Diz Que e uma Espécie de Magazine - Alberto João Jardim
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andreribeira | 23 de Setembro de 2009
TOP 10 - Melhores momentos de Alberto João Jardim
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andreribeira | 9 de Maio de 2008
Vídeo carinhosamente dedicado ao "Padrinho", com um abraço deste seu "afilhado"...
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sábado, 17 de julho de 2010

Álvaro Cunhal e Mário Soares


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elprilogy | 23 de Setembro de 2008
O frente-a-frente durou 3 horas e quarenta minutos, e permanece na memória dos portugueses.
A 6 de Novembro de 1975, Cunhal e Soares eram líderes de dois dos grandes partidos portugueses, numa altura em que a sociedade se radicalizava entre esquerda e direita.
Era bom que a RTP colocasse este histórico debate à venda em DVD.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Kant_O_XimPi fez 4 anos em 14 de Junho

 

 

DOIS MOMENTOS, DOIS RETRATOS

DOIS MOMENTOS, DOIS RETRATOS

1 . - Uma "manife" em Évora, num verão quente, nos idos de 1974

Ontem, no comício do PC, ali no Rossio de S.Brás, o Álvaro Cunhal falou na independência dos povos das colónias. (...) Ainda antes do Álvaro Cunhal falar o palco foi abaixo por duas vezes. Uma multidão imensa concentrava se em redor do palco, junto ao Monte Alentejano, agitando se inúmeras bandeiras vermelhas do PC. Em uníssono, a multidão repetia as palavras de ordem, de punho erguido.
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Detecto, junto a mim, um grupo que vai comentando ao sabor das intervenções. Quando se falam nas torturas sofridas pelo Cunhal e outro comunista, uma mulher ao meu lado diz me: "Coitadinho! Bandidos!" E a multidão grita: "Morte à PIDE!". Dois delegados dos Sindicatos Agrícolas (Évora e Beja) enumeram as quebras dos contratos colectivos de trabalho e o nome dos latifundiários. A multidão grita: "Morte aos cães!" "A terra a quem a trabalha!".
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Ao meu lado, algumas mulheres dizem: "É assim mesmo!" e "Essa sou eu!", quando se fala em ranchos despedidos. O Álvaro Cunhal cita as lutas revolucionárias dos trabalhadores alentejanos e a "palha" que os latifundiários teriam mandado dar aos trabalhadores que imploravam comida. E a revolta; que enquanto houvesse ovelhas, galinhas e porcos não comiam palha os trabalhadores!
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O Partido faz a sua campanha e no palco estão pessoas que já conheço de há muito. Por detrás delas, enormes, em fundo vermelho, as efígies de Marx, Engels e Lenine. A brancura de Évora é agora quebrada por cartazes do PC. Marx, Engels e Lenine enchem as ruas, conjuntamente com cartazes com a foice e o martelo. (1974.07.28)
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2. - Passa Camarada
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Na Voz do Operário ao chegar à porta para o pátio olhei por cima do ombro e vi o Álvaro e o seu guarda-costas e disse-lhe naturalmente: «Passa, camarada» ao que ele retorquiu " Passa tu, camarada, que chegaste primeiro» E assim ficámos lado a lado no pátio, numa lenta fila para o almoço, enquanto as pessoas vinham cumprimentá-lo ou apresentá-lo aos filhos de colo ou não.
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Foi uma hora divertida e tenho pena de não ter fixado por escrito as conversas, as impressões já desvanecidas e, sobretudo, os diálogos bem humorados com Dias Lourenço sobre as peripécias em torno das fugas de Peniche.
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Porquê Kant_O_XimPi