Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 15 de agosto de 2010

O vietnamita e o português



Pedro de Oliveira *

Vermelho - 11 de Agosto de 2010 - 0h04

No tempo da colonização francesa, uma lenda afirmava que havia sido um missionário francês -- Alexandre de Rhodes -- quem introduzira o alfabeto latino no Vietnã, o suposto responsável por transformar totalmente a língua vietnamita com os caracteres de tipo chinês para o alfabeto latino. Mas segundo os dados do filólogo francês Jacques Roland, quem foi o protagonista nesta questão foi o missionário português Francisco de Pina.

O especialista em filologia Jacques Roland dedicou décadas de estudo para desvendar este problema, e no fim do ano de 1995 publicou seus estudos em um livro sobre a obra dos pioneiros portugueses na filologia vietnamita até o ano 1650. Em 2002, este livro de Roland foi reeditado e atualizado em francês e inglês. Depois de muitos anos de busca de documentos deixados na Biblioteca do Palácio da Ajuda, de Lisboa, ele descobriu uma carta de sete páginas do Francisco de Pina datada em 1623 para o português jesuíta em Macau, Jeromino Rodriguez, relatando a situação da romanização da língua vietnamita naquela altura.

Francisco de Pina chegou ao sul do Vietnã no início do ano de 1617, primeiro chegando a Da Nang ( atualmente uma cidade muito desenvolvida na região central do Vietnã) e depois viajou para Hoi An (uma cidade cosmopolita perto de Da Nang). Alexandre de Rhodes foi aluno de vietnamita de Francisco de Pina, no início do ano 1625. Entretanto, no dia 15 de dezembro de 1625, Pina morreu num acidente de barco no Mar de Hoi An, onde foi receber encomendas vindas de Macau. Na carta citada acima, Pina escreveu : “Da minha parte, já redigi um pequeno livro sobre o vocabulário e os acentos da língua vietnamita, e comecei a escrever uma obra sobre a gramática. Ao mesmo tempo, estava a pesquisar histórias, lendas populares. Encontrei alguém para me ajudar a transcrevê-los em Português”.

Portanto, o que foi escrito por Pina antes da chegada de Rhodes ao Vietnã revela que Francisco de Pina já havia promovido a romanização da língua vietnamita 1 ano antes. Já no ano 1622 ele havia editado muitos livros em língua vietnamita antes que outros o fizessem. Sobre esta questão Jacques Roland diz: " a compreensão básica do português pode ajudar a simplificar as regras da fonologia que são muito complicadas no vietnamita”.

Por isso , o nascimento da Quoc Ngu (a lingua nacional do Vietnã) cristalizou o encontro histórico entre a lingua Vietnamita de então e o Português. Hoje em dia , todos os estudiosos no Vietnã compreendem que sem a ajuda de intelectuais vietnamitas, dos portugueses missionários como Francisco de Pina e de Alexandre de Rhodes não seria possivel transformar a lingua vietnamita dos caracteres chineses para o alfabeto latino.


* Jornalista e membro do Conselho Editorial da revista Princípios e do Portal Vermelho
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mais de 40 anos depois de My Lai...

Colunas

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Vermelho - 25 de Agosto de 2009 - 0h02

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Pedro de Oliveira *
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... o ex-oficial do Exército dos Estados Unidos “ tenente Willian Calley “ exprimiu seu remorso por ter capitaneado o crime que ficou conhecido mundialmente como o “Massacre de My Lai”. Calley já havia sido reconhecido culpado por uma Corte marcial pelo massacre perpetrado em 1968, durante a guerra do Vietnã.

This was a village a few miles from My Lai
MAGNUM/Philip Jones Griffiths
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"Estou profundamente desolado”, disse o soldado semana passada, “pelos vietnamitas que foram mortos, por suas famílias, pelos soldados americanos implicados no episódio e por suas famílias”. Neste acontecimento de 16 de março de 1968, que somente foi divulgado em novembro de 1969 “ e que mereceu o repúdio e a indignação do mundo inteiro “ foram mortos de 374 a 504 idosos, mulheres e crianças desarmadas por um batalhão americano dirigido pelo tenente Willian Calley, após receber ordens para arrasar o vilarejo que supostamente estaria repleto de vietcongs. O balanço dos mortos no massacre, feito pelo comando do Exército dos EUA, é controverso. Mas o tenente Calley foi julgado culpado e condenado à prisão perpétua, assim como seu comandante imediatamente superior, o capitão Ernest Medina.
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Calley foi anistiado e libertado três anos depois por intervenção direta do ex-presidente Richard Nixon, que por sua vez acabou renunciando à presidência dos Estados Unidos, acusado de violação da lei no caso Watergate. O comandante Medina foi solto em 1971.
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De fato, cerca de três milhões e 140 mil soldados americanos serviram o Exército dos Estados Unidos no Vietnã (dos quais 7200 mulheres) durante a guerra. Oficialmente, 58 mil e 183 americanos (dos quais oito mulheres) foram mortos em ação ou estão listados como desaparecidos. Estas baixas foram o dobro dos que morreram na guerra da Coréia, quando os EUA invadiram o paralelo 38 e tentaram arrasar a Coréia do Norte. O Pentágono calcula que durante a guerra foram perdidos 3689 aviões e 4857 helicópteros, além de terem sido utilizados 15 milhões de toneladas de munições diversas, inclusive o gás Napalm. O custo oficial da guerra foi de US$ 165 bilhões, apesar de que o custo econômico real foi pelo menos o dobro deste valor. Apenas para efeito de comparação, a guerra da Coréia custou para os EUA 18 bilhões de dólares. Hoje, a guerra do Iraque é calculada por especialistas norte-americanos respeitados como Joseph Stiglitz em mais de três trilhões de dólares.
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Até o final de 1973, 223 mil e 748 soldados sul-vietnamitas haviam sido mortos em ação; as baixas do Exército do Vietnã do Norte e dos chamados vietcongs chegaram a um milhão de soldados. Aproximadamente quatro milhões de civis vietnamitas foram mortos na guerra de agressão, o que representou na época 10% da população do país, muitos deles morreram fruto dos bombardeios indiscriminados a várias cidades importantes do norte do Vietnã. Mais de dois mil e 200 norte-americanos estão nas listas de desaparecidos, assim como cerca de 300 mil vietnamitas. É neste contexto que o sentimento de remorso do soldado Calley, e o reconhecimento dos erros cometidos pelos EUA publicado pelo ex-secretário de Estado norte-americano recentemente falecido nos EUA, Robert McNamara, devem ser encarados como ações organizadas pelo imperialismo para tentar submeter os povos e nações à sua lógica de conquista e assalto às riquezas de outros países para dar sobrevida ao capitalismo em decadência como formação social.

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* Jornalista e membro do Conselho Editorial da revista Princípios e do Portal Vermelho

* Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.
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Vietnã: lendário general Giap comemora seu 99° aniversário

Mundo

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Vermelho - 26 de Agosto de 2009 - 18h56

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O general vietnamita Vo Nguyen Giap, heroi da campanha da Indochina contra o colonialismo francês e estrategista da guerra diante dos EUA, comemorou seu 99° aniversário com merecido reconhecimento.

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Por: Susana Ugarte Soler, para a Agência de Notícias Nova Colômbia

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Dirigentes do Partido Comunista (PCV), o governo, o Estado e o Exército Popular do Vietnã visitaram o heróico lutador pela libertação nacional desde a segunda década do século passado.
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O Secretário Geral do PCV, Nong Duc Manh, desejou a Giap longa vida e a lucidez de sempre, ao mesmo tempo destacou sua continua contribuição com valiosas opiniões sobre a construção e renovação nacional.
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Oriundo da província central de Quang Binh, e inseparável companheiro do presidente Ho Chi Minh, desde a adolescência Giap se incorporou às lutas estudantis e em 1929 fundou a Federação Comunista da Indochina, foi preso e sofreu a perda dos seus próximos nas mãos dos colonialistas franceses.
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No inicio da década dos 40, seu encontro com o líder histórico do Vietnã, o tio Ho, marcou a longa luta que seguiu até a libertação definitiva em 1975, e no ano seguinte a reunificação desta nação do sudeste asiático.
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Basta mencionar dois marcantes momentos da história nacional ligados ao general Giap: Diem Bien Phu, em 1954, em que se dá a derrota da França colonial na região, e a ofensiva do Tet, em 1968, que detonou o revês do poderoso exército norteamericano pouco tempo depois.
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