Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Charlot: um cómico ou um trágico?

 

 

Eu concordo

José Saramago escreve no seu caderno sobre Charlot (os destaques são meus).
Numa destas últimas noites vi na televisão alguns filmes antigos de Chaplin, a saber, dois ou três episódios nas trincheiras da primeira guerra mundial e um filme mais extenso, “The Pilgrim”, que, retoma, com menos felicidade que noutros casos, o tema recorrente de um Chaplin sem culpas procurado pela polícia. Não sorri nem uma única vez. Surpreendido comigo mesmo, como se tivesse faltado a uma jura solene, dei-me ao trabalho de tentar recordar, tanto quanto me seria possível oitenta anos depois, que risos, que gargalhadas me terá feito soltar Charlot nos dois cinemas populares de Lisboa que frequentava quando tinha seis ou sete anos. Não recordei grande coisa. Os meus ídolos nessa época eram dois cómicos suecos, Pat e Patachon, que esses, sim, eram, para mim, autênticos campeões da gargalhada. Continuando a reflectir com os meus botões, sempre bons conselheiros porque em princípio não mudam de casa nem de opinião, cheguei à inesperada conclusão de que Chaplin, afinal, não é um cómico, mas um trágico. Repare-se como tudo é triste, como tudo é melancólico nos seus filmes. A própria máscara chaplinesca, toda ela em branco e negro, pele de gesso, sobrancelhas, bigode, olhos como pingos de alcatrão, é uma máscara que em nada destoaria ao lado das representações plásticas clássicas do actor trágico. E há mais. O sorriso de Chaplin não é um sorriso feliz, pelo contrário, aventuro-me a dizer, sabendo ao que me arrisco, que é tão inquietante que ficaria bem na boca de qualquer drácula. Se eu fosse mulher, fugiria de um homem que me sorrisse assim. Aqueles incisivos, demasiado grandes, demasiado regulares, demasiado brancos, assustam. São um esgar no enquadramento rígido dos lábios. Sei de antemão que pouquíssimos vão estar de acordo comigo. O caso é que, uma vez que foi decidido que Chaplin é um actor cómico, ninguém lhe olha para a cara. Creiam no que lhes digo. Olhem-no de frente sem ideias feitas, observem aquelas feições uma por uma, esqueçam por um momento a dança dos pezinhos, e digam-me depois o que viram. Chaplin levaria todos os seus filmes a chorar se pudesse.
Em tom de resposta à última frase destacada, só me cumpre dizer, eu concordo. Desenganem-se os mais críticos. Não concordo levianamente nem por tal ser dito por uma pessoa que admiro. Concordo porque este texto me fez lembrar das emoções que recordo sentir em petiz quando assistia aos filmes de Charlie Chaplin na TV. A sensação era estranha, recordo. Talvez de angústia, não sei bem descrevê-la. Sentia um conflito entre aquilo que parecia ser o objectivo do filme e o que ele realmente me transmitia. Agora, talvez vinte anos depois, José Saramago ajudou-me a compreender esse conflito que sentia.

7 Respostas para “Eu concordo”

  1. A Rodrigues Diz:
    Nunca fui fã do Chaplin, mas o que me fazia sorrir nos seus filmes eram exactamente as cenas trágicas.
    Da mesma forma que ria das situações infelizes em que se envolviam Tom & Jerry.
    Ou ainda das dramáticas cenas da minha comédia favorita Hot Shots (Ases Pelos Ares em português).
  2. Sónia Duarte Diz:
    Para mim o mais estranho foi que algo tão evidente nunca tivesse vindo à superfície nas conversas que tive até hoje sobre cinema. Estranho, pensando bem, é que nunca comentei com ninguém que também eu sinto isto. Calhou…mas é estranho não o ter feito. Devemos ser muitos… Eu gostava e gosto muuuuuito de Chaplin. Sorria e sorrio ainda (talvez mais agora) com os filmes dele, mas também é verdade que a sensação predominante era e é (talvez mais agora) tristeza- uma tristeza que quase rebentava em lágrimas (agora, de certeza, mais do que antes). A ” Quimera do Ouro” “O miúdo” e “Luzes da Ribalta” são dos filmes mais tristes que conheço!
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    Charlie Chaplin - The Gold Rush 3/10 (1925)
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    e uma “amostra menos ortodoxa”…
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    "Limelight" - Death of Calvero (low-fi version)
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    Obrigada por lembrar(mos)!
  3. Sónia Duarte Diz:
  1. Errata: em lugar do segundo vídeo, devia estar:
  2. . The Kid, Charlie Chaplin, 1921 .
  3. .


  4. A Rodrigues Diz:
    Parece que o que é tão óbvio passa despercebido.
    Mas igualmente despercebido é o facto de o drama e tristeza não ser uma característica pontual de Chaplin ou de qualquer dos exemplos que eu dei.
    Hollywood é uma autêntica universidade de psicologia.
    Pensem assim:
    Quais são os momentos fortes das vossas emoções? Uma boa gargalhada e o choro.
    O que é que despoleta essas emoções? Situações caricatas imprevisíveis e situações dramáticas.
    Agora juntem as duas e terão as condições ideais de elevar as vossas emoções ao máximo. E uma garantia de sucesso no objectivo dos cinematógrafos.
    Isto não se aplica apenas aos filmes cómicos. Pensem na quantidade de filmes a que assistiram em que duas pessoas se encontram a chorar após uma cena dramática, de repente uma delas diz uma pequena piada e as duas desatam a rir.
    A propósito deste tema, Emma Rice, directora artística, disse o seguinte sobre a peça de teatro “Brief Encounter” numa entrevista ao Telegraph.
    “People go to the cinema to be told stories, to be frightened, to cry – [b]very animal emotions[/b], which we’ve lost in our experience of the theatre. We often go to the theatre to be educated, to feel worthy. But I don’t feel people often get excited going to the theatre, and that’s a real shame. So that’s our job: to give people a night out, and as a director [b]I want people to laugh and cry[/b].”
  5. A Rodrigues Diz:
    Desculpem acerca dos [b]
    Eu queria destacar:
    - very animal emotions
    - I want people to laugh and cry
  6. João Sá Diz:
    Sim, a surpresa e o desconcerto são estratégias sempre eficazes para provocar emoções fortes.
    Sobre o encontro de emoções e de exteriorizações aparentemente contrárias, porque choramos de felicidade?
    Muitas vezes não é fácil distinguir as razões que levam ao choro. Já repararam que quando vimos alguém a chorar intensamente, se for descontextualizado, ficamos confusos e temos dificuldade em perceber a situação? Procuramos pequenos sinais (sorrisos, olhares, …) que nos ajudem a orientar. Nem sempre é fácil.
  7. Sónia Duarte Diz:
    Para mim é entre o riso e o choro que está o sentido da vida, como entre o bem e o mal está o sentido das coisas e entre o amor e ódio estão as relações que estabelecemos. Mais que uma mulher de equilíbrio, sou uma mulher de excessos…;) Estas não são apenas as duas emoções de maior eficácia de bilheteiras: são duas das emoções mais básicas junto talvez com a pulsão sexual e o instinto maternal/paternal. Na verdade, acho que é quando o cinema se afasta do que é mais genuinamente humano (as suas emoções) que se torna mais comercial e superficial. Para um banho de “sentido da vida” recomendo o documentário de Scorcese sobre cinema italiano ” a minha viagem a Itália”.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Best of Charlie Chaplin


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LVartizz

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Charlie Chaplin and Buster Keaton (Limelight)


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Alfredognudomain


Charlie Chaplin and Buster Keaton in the same scene of the film "Limelight" http://www.gnudomain.org 
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Charles Chaplin - O Barbeiro


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rsafa

The Barber - section of the movie   
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Marcel Marceau Homenaje - El ruido y el silencio


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radioLT8

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Un homenaje al silencio ante la devaluación de la palabra - Marcel Marceau - Programa el ruido de las nueces - Producción Vídeo Augusto Bessone - Conducción Francisco Bessone - RAdio LT8 AM 830 MHZ - Rosario - Argentina
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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Shakespeare, Bach & Marcel Marceau - Soneto CXLVIII


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ileana56

Enjoy Shakespeare's Sonnet CXLVIII "performed" by Marcel Marceau.



Enviado por Cecília (hi5) - 17/Fev 15:09
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Para ti: Marcel Marceau
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The Sonnets
Sonnet CXLVIII




O me, what eyes hath Love put in my head,

Which have no correspondence with true sight!

Or, if they have, where is my judgment fled,

That censures falsely what they see aright?

If that be fair whereon my false eyes dote,

What means the world to say it is not so?

If it be not, then love doth well denote

Love's eye is not so true as all men's 'No.'

How can it? O, how can Love's eye be true,

That is so vex'd with watching and with tears?

No marvel then, though I mistake my view;

The sun itself sees not till heaven clears.

  O cunning Love! with tears thou keep'st me blind,

  Lest eyes well-seeing thy foul faults should find.
 .

The Works of William Shakespeare ~ presented by ELF


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The Angelic Conversation (film)

From Wikipedia, the free encyclopedia

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The Angelic Conversation

DVD cover
Directed by Derek Jarman
Produced by James Mackay
Written by William Shakespeare (Sonnets)
Narrated by Judi Dench
Starring Paul Reynolds
Phillip Williamson
Music by Coil
Cinematography Derek Jarman and James Mackay
Editing by Peter Cartwright
Derek Jarman
Cerith Wyn Evans
Release date(s) Japan February 28, 1987
Running time 78 min.
Country United Kingdom
Language English

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The Angelic Conversation is a 1985 arthouse drama film directed by Derek Jarman. Its tone is set by the juxtaposition of slow moving photographic images and Shakespeare's sonnets read by Judi Dench. The film consists primarily of images of homosexuality and opaque landscapes through which two men take a journey into their own desires.
Jarman himself described the film as:
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"a dream world, a world of magic and ritual, yet there are images there of the burning cars and radar systems, which remind you there is a price to be paid in order to gain this dream in the face of a world of violence."
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The soundtrack to the film was composed and performed by Coil, and it was released as an album of the same title. In 2008 Peter Christopherson of Coil (with David Tibet and Ernesto Tomasini) performed a new live soundtrack to the movie during a special screening at the Turin Lesbian and Gay Film Festival.

Contents

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Shakespeare's sonnets

14 sonnets the film features are:








Being your slave, what should I do but tend
Upon the hours and times of your desire?
Then hate me when thou wilt, if ever, now,
Now, while the world is bent my deeds to cross,
When most I wink, then do mine eyes best see,
For all the day they view things unrespected;
What is your substance, whereof are you made,
That millions of strange shadows on you tend?
O me, what eyes hath love put in my head,
Which have no correspondence with true sight!
O thou, my lovely boy, who in thy power
Dost hold Time's fickle glass, his sickle hour,
When, in disgrace with fortune and men's eyes,
I all alone beweep my outcast state,




They that have power to hurt and will do none,
That do not do the thing they most do show
When to the sessions of sweet silent thought
I summon up remembrance of things past,
Not marble nor the gilded monuments
Of princes shall outlive this powerful rhyme,
Weary with toil, I haste me to my bed,
The dear repose for limbs with travel tired
Is it thy will, thy image should keep open
My heavy eyelids to the weary night?
Sweet love, renew thy force; be it not said
Thy edge should blunter be than appetite,
To me, fair friend, you never can be old,
For as you were when first your eye I ey'd

Cast

References

  1. ^ Jarman, Derek (1997). Kicking the pricks. ISBN 978-0-87-951844-8

External links


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Marcel Marceau Compagnie - The wandering monk


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alexneander

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Compagnie Marcel Marceau presets "Les contes fantastiques" created 2004 in Paris. With Gyöngyi Biro, Elena Serra, Sara Mangano, Angelique Petit, Maxime Nourissat, Pierre-Yves Massip, Julien Grange, Alexander Neander. Directed by Marcel Marceau, assisted by Vallerie Boschenek
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Homenagem a Marcel Marceau


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mundoteatro


MICRO PROYECTADO EN EL II ENCUENTRO NACIONAL DE MIMOS EN HOMENAJE AL MAESTRO DEL SILENCIO MARCEL MARCEAU 
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Marcel Marceau


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thwyter



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September 22, 2007 PARIS — Marcel Marceau, who put the art of mime on the world stage and brought poetry to silence, has died, his former assistant said Sunday. He was 84. ~ FoxNews.com
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This is my small tribute to that famous mime. I don't have much on him except for the video he did with Red Skelton.
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Enviado por Cecília (hi5).
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Assunto: RE: Boa Mini Semana ...
Data: 17/Fev 10:42
Para ti tb , amigo Victor. Deixo-te com o poeta do silêncio ou genialidade da expressão dramática. Bijinhos
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