Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Fortaleza da Torre Velha, em Almada, passa a Monumento Nacional







sábado, 12 de março de 2011

Sistemas de defesa costeira na Arrábida - Gustavo Potocarrero



Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008


Sistemas de defesa costeira na Arrábida


Sistemas de defesa costeira na Arrábida durante a Idade Moderna: uma visão social
PORTOCARRERO, Gustavo

Lisboa, Edições Colibri, 2003
ISBN 972-772-363-2

A obra:
A obra foi elaborada com base numa tese de mestrado em Landscape Archeology (Arqueologia da Paisagem) apresentada pelo autor, em 2000, na University of Wales (Lampeter).

O autor:
Gustavo Eduardo Gonçalves Pizarro de Portocarrero (Porto, 1974), arqueólogo, é licenciado em História, variante de Arqueologia, pela Universidade do Porto e mestre em Landscape Archeology (Arqueologia da Paisagem) pela University of Wales (Lampeter)
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Entre os trabalhos que realizou como arqueólogo, contam-se as intervenções no âmbito da remodelação no interior do edifício da Óptica Pita em Setúbal (Rua do Bocage n.º 29), e da remodelação do café Muralha, igualmente em Setúbal.

Da conclusão:
«(...) procurei transmitir uma abordagem mais integrada e interpretativa como alternativa às análises funcionais, estilísticas e intradisciplinares que são comuns neste género de estudos. Esta abordagem alternativa foi feita dentro de uma perspectiva de paisagem, onde diferentes elementos dos sistemas de defesa costeira foram vistos em contexto e não isoladamente como geralmente se faz. Dentro da perspectiva utilizada, acabei por privilegiar a abordagem que Preucel e Hodder designam de «paisagem como poder», na qual as paisagens são vistas como ideologicamente manipuladas em relações de domínio e resistência (1996: 33). (...)
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O modelo desenvolvido neste estudo pode então ser sumariado como se segue:
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No início da Idade Moderna, por volta de finais do século XV/inícios do século XVI, o sistema de defesa costeira português baseava-se no sistema tradicional de torres e fachos (sinais de fumo ou fogo) espalhados ao longo da costa. Este sistema resultava sobretudo da iniciativa das populações locais. Contudo, por esta altura, a defesa da costa começou a ficar instrumentalizada à medida que a Coroa começou a interferir mais activamente nela. As principais razões para essa interferência foram as tentativas de centralização por parte da Coroa e a formação de uma economia-mundo (da qual a Coroa retirava grandes rendimentos), actuando os portos como principais interfaces dessa actividade comercial. Sendo assim não é surpreendente encontrar nestes últimos os primeiros sinais dessa instrumentalização da defesa costeira. Estes sinais foram materializados pelas chamadas Torres Marítimas (formadas por uma torre de menagem e uma plataforma baixa) construídas à entrada dos portos e onde o uso de artilharia era já evidente. A novidade e a impressão causada por estas estruturas permitiram à Coroa um melhor controlo dos portos onde elas foram construídas. Contudo, esta estratégia limitou-se sobretudo ao porto de Lisboa. Fora dele, somente mais um par de exemplares é conhecido, dos quais um em Setúbal, denotando assim o interesse que a Coroa tinha já então por essa vila.
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Em meados do século XVI, novas mudanças tornaram-se evidentes. A elite dirigente portuguesa, confrontada com crescentes pressões internas e externas que ameaçavam o seu poder, optou por soluções autoritárias e repressivas. Uma delas foi utilizar o sistema de defesa costeira para reforçar o seu poder sobre alguns dos mais importantes portos portugueses, cujo controlo era visto como vital para os interesses estratégicos da Coroa. Como tal, uma política coerente de fortificação de alguns portos portugueses tornou-se evidente por esta altura. Elementos de agressividade e desconfiança, reflectindo a ideologia que prevalecia entre a elite dirigente (a «mentalidade de cerco») são típicas deste novo sistema, O baluarte seria o elemento arquitectónico mais característico deste sistema com todo o seu simbolismo de afirmação de valores militaristas e rejeição de valores humanistas. Não obstante, este sistema viria a defrontar-se com alguma resistência local.
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O carácter político do novo sistema depressa se tornou óbvio durante a invasão espanhola de 1580, quando caiu facilmente ante os ataques espanhóis. Todavia, e numa clara demonstração desse carácter político, os espanhóis decidiram manter o sistema intacto e até mesmo reforça-lo. De facto, durante o período espanhol, o sistema iria atingir um extremo de agressividade e desconfiança, assumindo uma posição particularmente hostil face às populações locais.
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Por volta da década de 1630, a conjuntura política começaria a mudar. Motins populares eram constantes. Vários sectores das elites não estavam igualmente satisfeitos com a situação política, vendo na continuidade da união com a Espanha uma ameaça ao seu poder.
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Temiam igualmente uma revolta popular bem sucedida que pudesse resultar na instituição de uma república. Assim, em 1640 organizaram um golpe, expulsando as autoridades espanholas e assumindo o poder. Nas décadas que se seguiram, a situação política, tanto interna como externa, foi bastante delicada para a elite dirigente pelo que esta resolveu reorganizar o sistema de defesa costeira de uma forma que reforçasse efectivamente o seu poder. Como tal, as características agressivas do sistema anterior foram em grande medida abandonadas, optando-se em alternativa pela incorporação de características mais «civis», por forma a facilitar a aceitação pelas populações locais da presença destas fortificações. Outro aspecto destas fortificações é o de que a artilharia e, onde eles se mantiveram, os baluartes, estão agora virados para o mar, enquanto antes estavam igualmente virados para terra para zonas habitadas. Agora, oficialmente, o perigo vinha somente do mar. Este aspecto juntamente com as características mais «civis» das fortificações ajudariam a criar uma ideia comum entre as populações locais de que as fortificações estavam lá para as proteger. O que está então a acontecer aqui é uma insidiosa estratégia de «corações e mentes» com vista a mascarar outras intenções da Coroa, ou seja, um maior controlo a nível local. Outra vantagem de se usar esta estratégia era a de que podia ser utilizada não só para reforçar o poder da Coroa nos portos, mas também para além deles em outras áreas costeiras onde outros grupos sociais podiam resistir às tentativas de centralização da Coroa.(...)»

O índice:
Agradecimentos
Prefácio
1. Introdução
2. A paisagem da Arrábida durante a Idade Moderna
3. O sistema de defesa costeira tradicional
4. Primeiras mudanças
5. A Torre do Outão
6. Pirataria
7. Mudanças arquitectónicas
8. Mudanças ideológicas
9. A reorganização de meados do século XVI
10. A fortaleza do Outão
11. Sesimbra e o novo sistema de defesa costeira
12. A invasão espanhola de 1580
13. O período espanhol
14. Uma nova conjuntura política
15. A reorganização de meados do século XVII: visões tradicionais
16. Santiago, Conceição e a reorganização de meados do século XVII
17. Os portos de Setúbal e Sesimbra e a reorganização de meados do século XVII
18. Os fortes do Portinho da Arrábida e do Cabo Espichel
19. Conclusão
Bibliografia
Imagens
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terça-feira, 8 de março de 2011

Muralhas de Setúbal


A génese medieval de Setúbal remonta ao fim da reconquista cristã.

A tomada de Palmela aos almóadas e a doação deste castelo aos cavaleiros da Ordem de Sant'Iago, proporcionaram as condições para o repovoamento de Setúbal (a Caetobriga da época romana, provavelmente abandonada no século VI por não oferecer condições de segurança). Em 1249, Setúbal recebeu foral. Nesta data a vila era uma póvoa de pescadores. Em 1343 o rei D. Afonso IV ordena que seja demarcado o termo de Setúbal, sendo ainda no século XIV (entre 1325 e 1375) construída a primeira cinta de muralhas que limitará a vila até finais do século XV quando se iniciam, nos arrebaldes ocidentais, as obras do Convento de Jesus que marcam a expansão da vila para fora da muralhas. Pensa-se que esta muralha teria como principal função a protecção da comunidade pescadora dos ataques de piratas norte-africanos.
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No século XVI, a vila de Setúbal já excedia, a nascente e poente, a muralha construída no século XIV.
Planta das Muralhas de SetúbalPlanta das muralhas de Setúbal:
1) Burgo e muralha medieval (séc. XIV)
2) Muralha do séc. XVI
3) Reforço da muralha do séc. XVII (nunca foi concluído)
4) Forte da Estrela (actualmente desaparecido)
5) Forte Velho (vestígios)
A) Igreja da Anunciada
B) Igreja de S. Julião
C) Igreja de Stª Maria
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Durante a crise dinástica de 1580 (na qual Filipe II de Espanha se torna rei de Portugal), Setúbal toma partido por D. António Prior do Crato, mas é facilmente conquistada a 22 de Julho pelo exército do Duque de Alba, reflectindo a vulnerabilidade das defesas da vila nesta época.
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Em 1582, Filipe II visita Setúbal e ordena a construção da fortaleza de S. Filipe com o objectivo de defender a vila e o seu porto de mar.
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Até 1640, a vila continuou a expandir-se extra-muralhas, assentando a sua defesa na Fortaleza de S. Filipe e na Fortaleza do Outão.
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A 1 de Dezembro de 1640 é aclamado D. João IV como novo rei de Portugal. Enquadrado na nova estratégia de defesa, são projectadas novas muralhas para a vila de Setúbal.
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No projecto, trabalharam grandes nomes da arquitectura militar portuguesa desta época. As obras prolongaram-se durante um longo período (até 1696) e por diversas vezes o rei D. João IV e o príncipe D. Teodósio se deslocaram a Setúbal para acompanhar o desenrolar das mesmas. Para a sua concretização, contribuiram financeiramente os negociantes de sal e a população de Setúbal, que teve de suportar novos impostos.
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Completa, esta nova cintura de muralhas possuia onze baluartes inteiros e dois meios baluartes.

Dos baluartes que ainda subsistem, destaca-se o de Nossa Senhora da Conceição onde está instalado um aquartelamento militar. Este edifício é constituído por duas partes: o baluarte propriamente dito e construções mais recentes. No seu pórtico está uma inscrição a partir da qual se fica a saber que foi concluído em 1696 por ordem do Duque do Cadaval.
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http://www.tintazul.com.pt/castelos/stb/stb/setubal.html
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Os baluartes, fortalezas de Setúbal



Setúbal - Forte Velho - Localização
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Barracas no primeiro piso do Forte Militar (Forte Velho)
(Arquivo da Associação de Moradores) 1975 (?)

In: Fartas de Viver na Lama,
de Jaime Pinho/ Fernanda Gonçalves/ Leonor Taurino,
Edições Colibri
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Setúbal - ruínas do Forte Velho
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Setúbal - Forte de S. Filipe
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Setúbal - Forte do Outão
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• 20-12-2010 •
Património
por Rogério Vieira de Almeida
(Arquitecto e Investigador Universitário)


Os baluartes, fortalezas de Setúbal


I. Setúbal foi uma cidade envolvida de muralhas. Como muitas cidades europeias em que a industrialização trouxe novas infraestruturas de transportes e circulação, o "progresso" ditou a sua lei e as muralhas foram absorvidas pelo crescimento da cidade, derrubadas quando a abertura de novas vias a isso obrigava ou quando simplesmente deixaram de ter utilidade como mecanismo de controle e defesa da cidade.

II. Setúbal possui duas cinturas de muralhas. A primeira que se sabe existir desde o século XIV envolve o núcleo medieval; ou seja a área rectangular limitada pelas avenidas 5 de Outubro e Luisa Todi e pelas Fontaínhas e pelo convento de Jesus. A segunda, construída a na segunda metade do século XVI e depois da restuaração de 1640, envolve a Avenida Luísa Todi - então praia de beira-rio -, o bairro do Tróino, passava acima da actual Avenida 5 de Outubro e envolvia pelo exterior o bairro das Fontaínhas. O curso normal das cidades europeias levou a que as muralhas fossem, ao longo da sua história, passando por um processo normal de decadência. Ou porque se tinham tornado obsoletas como meio de defesa, ou porque a cidade crescia e eram absorvidas pelas casas que as rodeavam; noutros casos porque ruíam ou as pedras eram aproveitadas para outras construção.

III. A permanência destas muralhas está, em muitos casos, ligada a questões particulares de cada caso. Cidades cujo crescimento parou no tempo e as muralhas se mantiveram como o seu limite e nunca foram invadidas por infraestruturas de circulação ou, então, cidades que cresceram com casas que foram envolvendo as muralhas como se fossem uma camada protectora. É, em parte, o caso da muralha medieval de Setúbal cujos limites persistem em vários troços, mesmo que não visível devido às casas que junto a elas se fizeram. Ou no caso dos baluartes virados ao rio foi o facto de estarem sobre a areia do rio, área não destinada a construção que fez com que chegassem até aos dias de hoje.

IV. Da mesma forma que muitas cidades europeias viram, como Setúbal, desaparecer grande parte das suas muralhas devido à expansão e infraestruturação da cidade nos séculos XIX e XX, também muitas nestas últimas décadas passaram a valorizar a existência das muralhas como factor de consolidação urbana. O que há cem anos foi visto como muros de pedra inútil e que, muitas vezes, só não terá sido destruído por falta de meios para isso, é agora preservado, convertido sob diversas formas. Museus, casas de cultura, hotéis, ...

V. Em Setúbal permanecem ainda visíveis vários dos baluartes construídos nos séculos XVI e XVII. O baluarte do Quartel de Infantaria 11 é o mais reconhecível e o que se conserva melhor estado. É acompanhado a poente pelo que resta do do Livramento e, a poente do Tróino, pelo baluarte da Boavista. Dos restantes apenas restam pequenos troços. Estas fortificações, o seu aparecimento, o seu traçado, são reflexo de momentos importantes da evolução da cidade. A sua integração na cidade actual seria uma mais-valia em termos ambientais, culturais e urbanos.

Rogério Vieira de Almeida - 20-12-2010 09:08

segunda-feira, 7 de março de 2011

Setúbal - Quartel do 11



Boas!
Como setubalense, aproveito o meu primeiro thread para dar a conhecer um edifício que ,muitos que conheçam a cidade de Setúbal, conhecem, mesmo que só por fora.
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Falo pois, do Quartel do 11, deixado ao abandono à largos anos, com as suas portas trancadas, sob domínio do Ministério do exército.
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Tive oportunidade de poder elaborar um trabalho, não tão aprofundado como desejado, mas minimamente elaborado. Contudo o material para elaboração do mesmo, a nível gráfico, apenas o consegui no arquivo militar em Lisboa (fica a dica para alguma eventual pesquisa menos fácil de procurar).
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Não é propriamente um marco arquitectónico, mas possui uma forte carga histórica, que contém o "pulo" de Setúbal enquanto expólio de desenvolvimento, e surge como forma de defesa da costa, incorporado na muralha seiscentista que delimitava a cidade

Implantação das Muralhas do séc. XIV e séc. XVI que protegeram a cidade em tempos, sobre base da cidade actual
Laranja: Muralha séc. XIV
Vermelho: Muralha séc. XVI
(azul: linhas de água)

»O “Baluarte da Conceição” foi inicialmente denominado por Forte da Nossa Senhora da Conceição, mais tarde, dada à sua situação geográfica, passou a denominar-se “Baluarte do Cais” e finalmente Baluarte da Conceição.
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Existe uma inscrição entre o Escudo de armas e a coroa, por cima da Porta de Armas (1), em que refere que no ano de 1696, no Reinado de D. Pedro II, foi mandado fazer por ordem de Sua Majestade, ao Duque de Cadaval mordomo da Rainha Dona Maria Sofia, o pórtico, contendo as armas das Praças de Setúbal; Cascais e Peniche.
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A primeira planta que se conhece, data do ano de 1855 (2), mas é em 1883, que aparecem plantas rigorosas, à escala 1:500(3), cotadas e legendadas, onde se verifica que o “Baluarte da Conceição” em Setúbal, está mesmo encostado ao Rio Sado. Aliás, a praia confina mesmo com o Baluarte, quer do lado Sul, quer do lado Poente. Do lado Nascente, é contornado por um muro que se prolonga até ao cais situado mesmo junto à ponta Sul. Da separação do referido muro, com a muralha da fortaleza, resultava exactamente a chamada Rua do Cais. A parte Norte, onde se situava a entrada da fortaleza, ficava exactamente a “Alameda da Praia”.
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Estas plantas são já resultado de profundas alterações e reconstruções, motivadas essencialmente pelo terramoto de 1755, que afectou grandemente a cidade de Setúbal.
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A fortaleza do Baluarte, está implantada em dois níveis. No primeiro nível, situava-se a Parada do Quartel. No segundo nível a Bateria de Defesa de Costa.
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No ano de 1738, as condições do Baluarte, estavam bastante danificadas, e em 11 de Março desse ano, foi proposto à consideração da governação e do povo, que se fizessem várias “arrematações” de produtos, nomeadamente carne, para custear a recuperação das instalações, mas tal não veio a acontecer. As obras começaram em 1750.
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Em 1755, por ocasião do terramoto, o quartel ficou bastante danificado, bem como parte das muralhas, de tal forma que o regimento teve de abandonar o local.
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O Quartel do Regimento de Setúbal, passou a denominar-se 7 de Infantaria até 1823, data em que saiu de Setúbal. O aquartelamento foi então ocupado pela “Infantaria 19” e outras se lhe seguiram.
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O batalhão de voluntários, criado em 1828, teve o seu primeiro quartel, no Convento da Trindade, no Largo da Fonte Nova, mudando-se depois para o Baluarte.
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O Quartel de Nossa Senhora da Conceição, foi na década de 30 do século XIX ocupado pelas milícias de Setúbal e Alcácer.
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Em 1847, tropas do Porto ocuparam o Baluarte, para fazer frente ao Governo de Lisboa.
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A partir de 1848 o Baluarte, passou a ser ocupado pelos Caçadores nº1.
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Em 1933, foi feito um levantamento do Quartel, então já ocupado pela Infantaria nº11, à escala 1:200, em que é visível a muralha Sul/Nascente, que faz parte do bico Sul, já não dispor dos maciços característicos de apoio aos canhões.
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Em 1987, é elaborado um projecto de alterações bastante significativo de algumas instalações, mas que nunca chegou a ser concretizado.«

1. Porta de Armas

2. Planta do Quartel de 1855 - Esc. 1/500


3. Planta do Quartel (pormenorizada) de 1883 - Esc. 1/200

4. Porta de Armas (interior)

5. Regimento de Infantaria 11

6. Placa com o nome dos que "ficaram" na 1ª grande guerra


7. Interior do Quartel


8.Interior do Quartel (caserna)

9. Plano Geral
nepTunuspt no está en línea   Reply With Quote
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=507706
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domingo, 6 de março de 2011

A frente ribeirinha da cidade entre comerciantes, militares e as pessoas. O lado azul de Setúbal.

Setúbal - Cais da Conceição
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• 19-11-2010 •
Património
por Rogério Vieira de Almeida
(Arquitecto e Investigador Universitário)


I. A frente de Setúbal ao longo do Sado resulta, hoje, de uma série de operações que se estendem ao longo de décadas e séculos.

II. No início era a cidade medieval rodeada pelas muralhas. Dentro as casas e as ruas, lá fora a areia, a terra e a água. No século XVI e, depois XVII, novas muralhas, modernas ao tempo, vêm criar uma nova barreira mais avançada junto à água. De então restam o baluarte do, até há poucos anos, Quartel de Infantaria nº11 e futura escola de turismo e, ainda, um outro baluarte junto ao mercado do Livramento. É nesse novo espaço conquistado ao rio que, mais tarde se iria estender a Avenida Luísa Todi. No século XX a água que vinha até aos baluartes começa a ser repelida para mais longe. Com o início de uma série de aterros deu-se forma à frente que hoje conhecemos. Onde, antes, era água e areia, hoje é chão firme e junto à água foram surgindo as docas, os passeios, novos edifícios administrativos e industriais e arruamentos. Mais a nascente, já fora da frente da cidade, novos aterros bem mais pesados iriam surgir numa segunda vaga destinada a receber barcos de grande calado.

III. Lentamente, o aterro inicial tem vindo a perder algumas das suas funções. A alfândega está parcialmente inactiva, alguns pequenos edifícios sem uso, como a antiga bilheteira junto ao rio. Pelo meio muitos edifícios semi-abandonados, oficinas, pequena indústria remanescente, estacionamento automóvel e ruas. Mais ruas e vias de circulação.

IV. Fala-se frequentemente de revitalizar estas antigas zonas portuárias ou de frentes ribeirinhas. É assunto frequente desde os anos 80 na Europa. Em Setúbal o mesmo se tem vindo a passar, mais recentemente. Arranjos exteriores, jardins, alguns novos edifícios e uma intervenção do programa Polis. Uma tentativa de estabelecer uma frente de rio mais vivida e mais acessível aos setubalenses. No entanto a Setúbal das pessoas e da vida urbana está demasiado longe. Operações de "simples" animação urbana - bares, restaurantes, comércio ocasional - mostraram já em várias cidades serem ineficazes.  E nos terrenos que eram antes do rio serão sempre escassas as hipóteses de construir novas habitações.

V. Um provérbio diz "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha". As intervenções humanas de alteração de elementos naturais são frequentes ao longo da história. Os aterros ribeirinhos das cidades são disso exemplo; neles a água e a terra são deslocadas e vêm as suas posições originais mudadas. Passado o tempo "natural" dessas mudanças, ou seja quando a dinâmica económica e social faz com que estes territórios percam a sua utilidade e função, fica a questão se devem ou não alguns destes aterros dar de novo lugar à água. Será que "Se a cidade não vem, já, ao rio... poderá ir o rio, de novo, à cidade?"

Rogério Vieira de Almeida - 19-11-2010 11:55
http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=13345
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Será a muralha de D. Dinis, ali no futuro Museu da Moeda?

Sondagens arqueológicas revelam segredos que podem ser da Idade Média
Público - 26.04.2010 - 10:37 Por Ana Henriques
O subsolo da Igreja de São Julião, local da Baixa lisboeta onde decorrem neste momento obras para instalar o Museu da Moeda, tem "fortes probabilidades" de esconder um valioso achado arqueológico: a muralha que D. Dinis mandou fazer para proteger Lisboa, no final do século XIII. Quem o diz são os arqueólogos contratados pelo Banco de Portugal para fazer as sondagens que precederam as obras de transformação da velha igreja no museu, com conclusão prevista para o final de 2011.
Além da muralha, foram encontrados esqueletos mais recentes (séc. 
XIX)  
Além da muralha, foram encontrados esqueletos mais recentes (séc. XIX) (João Gaspar)


A confirmar-se, "será uma descoberta importantíssima", salienta o historiador e investigador António Borges Coelho, defendendo nesse caso a sua preservação e exposição ao público, como acontece com vários troços da muralha fernandina - que é posterior à de D. Dinis -, encontrados entre a Baixa e o Chiado. No relatório de escavação, de Setembro de 2009, os arqueólogos não colocam, porém, de lado a hipótese de a grande estrutura de pedra e argamassa encontrada ser, afinal de contas, um pedaço da cerca de D. Fernando.

"As primeiras muralhas de Lisboa terão sido, respectivamente, a cerca romana/visigótica e a cerca moura. Estes dois momentos de edificação dizem respeito a uma ocupação ainda restrita do território; ainda um "fenómeno de acrópole" adstrito à actual colina do castelo", contextualizam Artur Rocha e Jessica Represas, da Zephyros Arqueologia, empresa que fez as sondagens. "É no século XIII que temos notícia da construção da muralha da Ribeira ou de D. Dinis, que ficaria na praia ou junto à rebentação do rio. Este alargamento substancial do espaço amuralhado da cidade indicia que ela havia já descido da colina, desenrolando-se de forma orgânica e desordenada em direcção ao rio (...) Marca também pela primeira vez a transferência do centro económico da cidade para a zona ribeirinha".

O que diz um mapa antigo

O arqueólogo José Luís de Matos pensa que é bem provável que se trate efectivamente da muralha de D. Dinis. Ou não tivesse o olisipógrafo Vieira da Silva, há um século, traçado, com base em documentação antiga, um mapa em que faz passar precisamente neste local a antiga estrutura de pedra. "No seu natural movimento de expansão para ocidente, Lisboa depressa passou por cima da cinta de muralhas com que a haviam envolvido os povos godos ou os muçulmanos. E entulhando o estuário do Tejo preparou um excelente campo para a construção de habitações. Depois da conquista cristã, rapidamente a nobre vila adquiriu uma importância considerável, não só pelo (...) comércio dos seus ha- bitantes, como pela sua excepcional situação como um dos melhores portos da Europa. Também por isso se via frequentemente atacada pelos piratas, que, entrando pelo Tejo sem impedimento, nem no mar nem em terra, encontravam nos ricos moradores e comerciantes do vale da Baixa uma cómoda e fácil presa", descreveu, então, aquele especialista.

José Luís de Matos explica que, além dos mouros do Norte de África, a cerca tinha como objectivo repelir também as incursões marítimas dos castelhanos. "Era importante preservar esta memória", observa. A confirmar-se a sua origem de forma inequívoca, trata-se do primeiro troço da muralha de D. Dinis detectado até hoje.

"Seria uma descoberta fantástica", comenta a especialista em arqueologia urbana de Lisboa e ex-técnica do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) Jacinta Bugalhão. Chama a atenção para o facto de, do ponto de vista legal, todas as cercas antigas de Lisboa estarem classificadas como um monumento nacional - uma protecção que abrange também os troços por descobrir. "A lei diz que os monumentos classificados não podem ser demolidos", acrescenta, "mas factores como o mau estado de conservação podem levar a tutela a autorizá-la."

Como a obra para instalar o museu vai ter acompanhamento arqueológico, serão estas segundas escavações que permitirão tirar uma conclusão. Ou não: "Na zona onde existe probabilidade de passar a muralha as obras para o museu não decorrerão a uma cota tão profunda como noutras zonas", informa o subdirector do Igespar, João Pedro Ribeiro. Como é de lei, "só haverá escavação arqueológica nos locais afectados pelas obras". As sondagens iniciais não desceram a profundidade suficiente que permitisse identificar vestígios mais antigos. Permitiram, isso sim, encontrar vários esqueletos do século XIX sob o templo. "Qualquer cidade civilizada tem orgulho no seu passado", nota Borges Coelho. "Se a muralha foi encontrada, é uma notícia magnífica. E há todo o interesse em pô-la à vista."
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