Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Revelada composição de pílula com 2000 anos



Cientistas italianos reconstituíram, por assim dizer, a bula de um medicamento datado do século II antes da nossa era.
Em cima, a latinha e o seu conteúdo (à direita); em baixo, um comprimido visto de frente e de lado DR

Circa 140 a.C. Um médico viaja a bordo de um barco vindo da Grécia e com destino ao porto etrusco de Populónia, Toscana. Mas o navio afunda-se a 18 quilómetros da costa - e só será descoberto em 1974, perto da praia de Pozzino.
Entre os objectos recuperados no Relitto del Pozzino (nome dado aos destroços), várias caixinhas cilíndricas em latão, 136 frasquinhos de madeira, um pequeno pilão de pedra, um vaso de bronze "com uma forma peculiar, típica de uma ferramenta médica usada para fazer sangrias",escrevem Erika Ribechini, da Universidade de Pisa, Itália, e colegas, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Isto "sugere que um médico estaria a viajar no mar com o seu equipamento profissional", salientam.
Uma das latinhas revelou conter seis comprimidos redondos e cinzentos de quatro centímetros de diâmetro e um de espessura e levou os cientistas a realizarem análises químicas, mineralógicas e botânicas para determinar a composição do que parecia ser um medicamento com mais de 2000 anos. "Em arqueologia", escrevem, "é muito raro descobrir-se medicamentos antigos e conhecer-se a sua composição química." Mas, desta vez, foi possível reconstituir a bula deste medicamento "fóssil".
Composição: compostos de zinco, amido, cera de abelha, resina de pinheiro, gorduras de origem vegetal e animal, carvão, fibras de linho, pólen de oliveira e de trigo, entre outros. Substâncias activas (prováveis): os compostos de zinco e talvez o carvão.
Excipientes: azeite, resina de pinheiro (antioxidante e antibacteriano), cera de abelha, fibras de linho (reforçam os comprimidos).
Indicações: colírio contra problemas oculares. "A composição e a forma dos comprimidos de Pozzino parecem indicar que eram usados em oftalmologia", escrevem os cientistas, acrescentando que o nome latino collyrium (gotas para os olhos) vem de uma palavra grega que significa "pãezinhos redondos".

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cientistas portugueses mostram interior de uma antiga casa romana à luz de há 2000 anos

Cientistas portugueses mostram interior de uma antiga casa romana à luz de há 2000 anos

Utilizando uma tecnologia informática que capta a luz ambiente de uma forma semelhante ao sistema visual humano, foi possível ver, pela primeira vez, um interior romano com os olhos de outrora



Século I da nossa era. Os donos de uma sumptuosa vila romana da antiga cidade de Conímbriga recebem convidados e fazem as honras da casa. Com evidente orgulho, mostram os magníficos frescos e mosaicos que cobrem respectivamente as paredes e o chão de várias divisões. A fraca luz emitida pelas lâmpadas de azeite faz ressaltar os tons avermelhados das pinturas e dos motivos geométricos do chão. A visão é arrebatadora, mas ao mesmo tempo reconfortante, cálida... Lá fora, no jardim interior da moradia, o barulho da água a jorrar dos repuxos contribui para acentuar o prazer dos olhos e essa sensação de bem-estar.
A descrição poderá parecer ficcional, mas não é. Graças ao trabalho liderado por Alexandrino Gonçalves, do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Politécnico de Leiria, e colegas – cujos resultados deverão ser publicados para o ano no Journal of Archaeological Science – foi possível, pela primeira vez, fazer uma simulação virtual em 3D de um interior doméstico romano que, do ponto de vista visual, corresponde com uma fidelidade sem precedentes ao que viam as pessoas que lá entrassem há 2000 anos.
Para reconstituir os edifícios da antiguidade com a ajuda de computadores não basta simular a sua decoração tal como ela era quando estavam em uso. De facto, existe hoje um crescente interesse dos arqueólogos pelas condições em que esses ambientes eram percebidos pelos seus habitantes – em particular devido aos métodos de iluminação –, porque isso pode ter um papel importante na interpretação dos achados arqueológicos.
“A forma como visualizamos os frescos e os mosaicos pode dar azo a diferentes interpretações”, disse ao PÚBLICO Alexandrino Gonçalves. E citou um outro exemplo – um projecto de Alan Chalmers, da Universidade de Warwick, Reino Unido, também co-autor do estudo agora publicado –, no qual foi comparado o aspecto visual de hieróglifos egípcios iluminados com lâmpadas onde ardia óleo de sésamo com uma iluminação com luz natural. Os resultados sugerem que os antigos egípcios viam tons de verde onde nós vemos hoje tons de azul. “Isso poderá ter implicações religiosas e permitir várias interpretações”, faz notar Alexandrino Gonçalves.   
Voltando a Conímbriga, os cientistas focaram-se na Sala das Caçadas (assim designada devido ao tema dos mosaicos do chão) da Casa dos Repuxos, uma mansão cuja construção data do início do século I da era cristã.
Como explicam no seu artigo, que já se encontra publicado online, a única forma de recriar esse ambiente foi através de cenários virtuais, uma vez que a residência romana em questão está hoje em ruínas, o que torna impossível mergulhá-la na sua iluminação original. Isto, explica Alexandrino Gonçalves, porque as casas romanas não tinham janelas – “tinham pavor que alguém lhes entrasse pela casa” – e portanto o seu interior era sempre apreendido com luz artificial.
Mas antes de passarem à fase da reprodução por computador da “luz antiga” da Sala das Caçadas, os cientistas tiveram de simular, com objectos reais, a iluminação da época luso-romana, de forma a medir as suas características físicas e poder transferir esses dados para o software de simulação.
Lâmpadas de azeite
Há dois milénios, as grandes casas romanas eram iluminadas com lâmpadas de azeite (“as tochas causavam muitos incêndios”, frisa Alexandrino Gonçalves). Estas lucernas eram pousadas no chão ou no topo de altos candelabros – e colocadas em “posições estratégicas” para realçar a decoração vertical e horizontal das salas.
Muitas dessas lâmpadas foram encontradas nas escavações de Conímbriga e a primeira etapa do estudo consistiu portanto em reconstituí-las fielmente partindo de várias réplicas, de barro como as originais, cedidas à equipa pelo Museu Monográfico de Conímbriga.
Depois veio a questão dos outros componentes: o azeite, os pavios. Ora, o azeite não era igual ao que consumimos hoje – não tinha aditivos – e os pavios eram de linho ou algodão. A tarefa não foi fácil, conta Alexandrino Gonçalves: felizmente, foi possível obter amostras de azeite produzido com métodos tradicionais, “à antiga, de uma maneira que hoje não seria autorizada pela ASAE por razões de higiene”. E mais: como os romanos adicionavam sal ao azeite, os cientistas também tiveram o cuidado de escolher uma fonte de sal puro, que veio neste caso das minas de sal da Figueira da Foz. (Este trabalho minucioso é descrito pelos cientistas no seuartigo, com todos os pormenores.)
As lâmpadas foram a seguir colocadas numa sala de dimensões idênticas à da Sala das Caçadas, às escuras e perfeitamente fechada para evitar que correntes de ar pudessem perturbar as chamas das lucernas. E, com a ajuda de um espectro-radiómetro, os cientistas mediram a reflexão da luz das lâmpadas nas superfícies da sala – não só com “luz antiga” (azeite “antigo” e sal), mas também com azeite “antigo” sem sal e com azeite “moderno”. Conclusão: embora o azeite mais próximo do utilizado pelos romanos produzisse uma luminosidade 50% menos intensa do que o azeite mais semelhante ao do comércio actual, a adição de sal mais do que compensava esta perda.
Assim, antes de mais, o estudo veio explicar o porquê de algo que até aqui os arqueólogos apenas sabiam através da literatura. Virgílio Correia, Director do Museu Monográfico de Conímbriga, que acompanhou de perto o estudo, explica-nos que, efectivamente, o célebre naturalista romano Plínio refere nos seus escritos “que a adição de sal ao azeite aumenta as suas propriedades químicas”. A análise espectro-radiométrica realizada por estes cientistas veio agora comprová-lo. “Comprovámos experimentalmente que, desta forma, o azeite durava mais tempo e emitia 60% mais luz”, diz por seu lado Alexandrino Gonçalves.
Imagens só vistas
A partir dos dados de luminosidade, os cientistas reconstituíram virtualmente o cenário da Sala das Caçadas gerando imagens ditas de alto alcance dinâmico (HDR ou high dynamic range). A sensibilidade desta tecnologia é de tal ordem que permite igualar a extrema sensibilidade do nosso sistema visual em condições de fraca iluminação. “É a primeira vez que se faz uma reconstituição virtual deste tipo com HDR”, diz-nos Alexandrino Gonçalves.
A última etapa do estudo levaria o investigador à Universidade de Warwick, ao laboratório de Alan Chalmers, um dos poucos locais no mundo que dispõe de ecrãs HDR, capazes de apresentar as imagens HDR em todo o seu esplendor. Ali, ao longo de várias semanas, os cientistas mostraram as imagens da Sala das Caçadas a umas dezenas de voluntários – em “luz antiga”, mas também em luz eléctrica – e pediram-lhes para responder a diversas perguntas acerca da sua percepção do cenário virtual que estavam a ver. Os tons de cor dos mosaicos, nomeadamente, revelaram ser percebidos de forma diferente em cada um destes dois modos de iluminação: vermelhos cálidos no primeiro; acastanhados no segundo. A luz antiga criava, segundo referiram quase unanimemente os voluntários, uma sensação reconfortante, cálida, relaxante que contrastava fortemente com a atmosfera fria e as cores sem relevo vistas à luz de lâmpadas eléctricas.
A equipa também realizou experiências em que, graças a um sistema detracking, seguiram o rasto do olhar dos participantes à medida que estes observavam as imagens. E aqui constataram que, ao passo que “com luz romana, o olhar se fixava mais nos frescos e nos mosaicos, com luz eléctrica a dispersão do olhar era maior”, frisa Alexandrino Gonçalves. “Isto vai no sentido do que se pensava”, acrescenta: “Os romanos gostavam de impressionar as visitas com os seus mosaicos e frescos e colocavam as lucernas nos sítios estratégicos para os tornarem mais espectaculares.”
Para além do interesse arqueológico de uma visualização historicamente fidedigna dos ambientes do passado, existe também “uma vertente de comunicação com o público”, diz-nos Virgílio Correia, “porque muitas vezes as reconstituições dos arqueólogos são dificilmente entendíveis pelo público em geral”.
Mas terá sido mesmo assim que os comensais de outrora viam o seu ambiente doméstico? “Nunca conheceremos exactamente o aspecto do passado”, concluem os cientistas no seu artigo. “No entanto, para conseguirmos uma interpretação mais fiel dos cenários que outrora foram habitados pelos nossos antepassados, temos de os ‘iluminar’, no meio das sombras, como eles o foram no seu tempo.”



Anónimo
Ler o "Elogio da Sombra", de Jun'ichiro Tanizaki. É disto que fala, mas aplicado à arquitectura japonesa.


Anónimo
Que me desculpem os artistas gráficos, mas nem lucernas nem candelabros emitem luz daquela cor ou intensidade, nem a sala tem aquela difusão. A difusão é uma propriedade dos materiais que levam com luz, e os materiais naquelas salas de Conímbriga, pelo que tenho visto, são pouco difusos. Ou seja, na realidade haveria mais penumbra do que se mostra. Mas foi uma boa ideia, é só regular alguns parâmetros.


Obrigado pelo seu comentário, mas o que refere não é correto. É um facto quem se deslocar hoje às ruínas tem a noção que as superfícies que ainda restam são difusas (pouco refletoras), no entanto muitos séculos passaram e as propriedades refletivas dos materiais se desvaneceram com o tempo, pois segundo os especialistas em arqueologia Romana, aquelas paredes e frescos tinham um elevado nível de especularidade (reflexão). Inclusive foi-me referido que os frescos eram revestidos de uma “cera” precisamente para realçar ainda mais a especularidade dos mesmos. Relativamente à questão da iluminação, sugiro-lhe que leia o artigo referido na notícia do «Público» onde é explicado todo o processo de simulação da luz Romana efetuado no modelo virtual. Mas, num breve resumo poderemos referir que......os valores das propriedades da luz (figura 2 no artigo) foram obtidos por um espectro-radiómetro, onde foram posteriormente inseridos um sistema de simulação físico de iluminação, nomeadamente o «Radiance», unanimemente considerado como um dos melhores motores de “render” existentes: “One study found Radiance to be the most generally useful software package for architectural lighting simulation.” (http://en.wikipedia.org/wiki/Radiance_(software)). Ou seja, dado o rigor científico que se pretendia, este longo trabalho não foi, de todo, “só regular alguns parâmetros.”. Nós não somos artistas gráficos, nem tão pouco arqueólogos, somos “apenas” técnicos que desenvolveram um trabalho de simulação virtual do nosso rico legado cultural. Cumprimentos Alexandrino Gonçalves


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

'O Egito sob o Olhar de Napoleão'



Agência de Notícias Brasil Árabe 


09/11/2010 - 17:08

Sob os olhos do imperador

A exposição 'O Egito sob o Olhar de Napoleão' mostra ao público brasileiro um retrato do país árabe a partir da visão dos 167 estudiosos que acompanharam o general francês em incursão militar de 1798.
Aurea Santosaurea.santos@anba.com.br
São Paulo – O Egito na visão de Napoleão Bonaparte e de 167 estudiosos franceses da mesma época pode ser visto em São Paulo até o dia 19 de dezembro, na sede do Itaú Cultural. A exposição “O Egito sob o Olhar de Napoleão” exibe 14 gravuras que fazem parte dos 22 volumes do livro “Descrição do Egito”, resultado de uma incursão militar no país árabe em 1798.

Divulgação Divulgação
Esfinge é um dos destaques da mostra
Além das gravuras originais do livro, que pertencem ao acervo do próprio Banco Itaú, estão expostas as matrizes em bronze destas figuras, cedidas pelo Museu do Louvre, e oito peças egípcias, três do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e cinco de coleção particular.

“Uma coisa que chama a atenção é a multiplicidade de possibilidades que a ‘Descrição do Egito’ oferece. Ele mostra o Egito Antigo, mas também o Egito moderno”, diz o arqueólogo Vagner Porto, curador da exposição, sobre a variedade de assuntos tratados nos volumes da obra.

Entre as gravuras expostas, Porto destaca duas em especial: a esfinge, “que representa o símbolo do Egito Antigo”; e o livro dos mortos. Esta traz a representação do julgamento pelo qual os egípcios acreditavam que os espíritos eram submetidos após a morte.

“No Egito Antigo, os mortos tinham que passar pelo tribunal do deus Osíris”, explica o curador. Ele conta que, durante o julgamento, o coração do morto era colocado em um dos lados de uma balança, enquanto no outro era colocada uma pluma. Para ser salvo, o coração precisava ser livre de maldades e pecados, não podendo pesar mais do que a pluma.

Aurea Santos/ANBA Aurea Santos/ANBA
Cobra egípcia é parte da seção de história natural
A mostra é dividida em cinco seções: Cartografia, Religião, Egito Moderno, História Natural e Arquitetura. Esta última, segundo Porto, é o destaque da exposição. “É muito importante a questão da arquitetura em todos os volumes da ‘Descrição’”, destaca o curador.

Para que os visitantes possam conhecer mais da obra, além das páginas expostas dos livros, estão à disposição 13 telas interativas nas quais o público pode ver outras gravuras presentes em “Descrição do Egito”, como se estivesse folheando um livro verdadeiro.

A viagem e a publicação do livro

Com o objetivo de deter a dominação britânica no Egito, o então general Napoleão Bonaparte viajou ao país árabe com uma força de 34 mil homens, acompanhados de 167 estudiosos, entre artistas, gravadores, escultores, impressores, arquitetos, astrônomos, geógrafos, químicos e outros especialistas, encabeçados pelo artista e barão Dominique Vivant Denon.

Aurea Santos/ANBA Aurea Santos/ANBA
Visitantes interagem com telas da exposição
Denon seguiu para o Alto Egito e fez uma série de esboços rápidos de suas ruínas. O general reconheceu a importância do registro e pediu aos cientistas que medissem e desenhassem os monumentos. Napoleão formou, assim, a bases de “Descrição do Egito”, que acabaria dirigindo a atenção do mundo para o Egito Antigo, embasando os estudos modernos de sua história.

A coleção totaliza 22 volumes, dos quais 21 estão exibidos na mostra, e mais de 900 gravuras em metal e está dividida em três partes: Antiguidade, Estado Moderno e História Natural.

Foi a publicação, no entanto, do livro “Viagem pelo Baixo e Alto Egito”, de Denon, que levou Napoleão a publicar “Descrição do Egito”, em 1809. Uma das gravuras do barão francês pode ser vista na exibição. “Denon publicou seu livro por conta própria e, graças ao sucesso, motivou a publicação do ‘Descrição do Egito’”, relata Porto.

Serviço

O Egito sob o Olhar de Napoleão
Local: Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, São Paulo
Data e horários: até 19 de dezembro, de terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h.
Entrada gratuita

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tesouro da fragata Las Mercedes regressa a Espanha 200 anos depois


1
7 toneladas de moedas de ouro e prata

24.02.2012 - 
22:11 Por Isabel Gorjão Santos


As 600 mil moedas perdidas no naufrágio da Las Mercedes aterram neste sábado em Espanha
As 600 mil moedas perdidas no naufrágio da Las Mercedes aterram neste sábado em Espanha (Reuters)
 Esteve 200 anos perdido, mas agora o tesouro de cerca de 600 mil moedas de ouro e prata regressou a casa. Tinha-se afundado numa batalha em que a fragata espanhola Nuestra Señora de Las Mercedes foi abalroada, ao largo do Algarve.
É um tesouro de valor incalculável, 17 toneladas de moedas de ouro e prata que nesta sexta-feira partiram da Florida, nos EUA, a bordo de dois Hércules C-130 com destino a uma base militar próxima de Madrid.

Durante quase dois séculos esteve no fundo do mar, até que uma empresa norte-americana o descobriu. Depois de uma batalha judicial que já se prolongava há cinco anos regressa agora a Espanha. “Missão cumprida”, disse aliviado Jorge Dezcallar, embaixador espanhol nos EUA.

É preciso recuar até 1805 para contar a história deste tesouro. Nesse ano, a 5 de Outubro, a fragata espanhola Nuestra Señora de Las Mercedes afundou numa batalha contra uma frota britânica. E com ela afundaram as 249 pessoas que seguiam a bordo e o precioso tesouro de moedas. Uma parte pertencia à fortuna pessoal de comerciantes, recorda o El País, outra parte era da coroa espanhola.

O tempo passou, a esperança de encontrar o tesouro ter-se-á perdido. Até que, em 2007, a empresa norte-americana Odyssey anunciou ter encontrado cerca de 600 mil moedas de ouro e prata nos destroços de uma embarcação, junto ao estreito de Gibraltar, 17 toneladas de um tesouro de valor incalculável.

Em Espanha suspeitou-se que aquele era o tesouro da fragata afundada e o Ministério da Cultura pôs-se em campo para o recuperar. A Odyssey reclamava as moedas, Espanha também, e então começou uma batalha judicial nos tribunais norte-americanos pela posse das moedas, que já tinham sido levadas para os Estados Unidos. 

Só no mês passado é que os juízes de um tribunal de Atlanta rejeitaram um recurso da Odyssey relativo a uma sentença que já tinha decretado a devolução do tesouro a Espanha. E, numa última tentativa para impedir a transferência, também o Governo do Peru apresentou nesta quinta-feira uma moção junto do Supremo Tribunal de Justiça norte-americano a alegar que o tesouro lhe pertence porque as moedas foram cunhadas neste país e feitas com ouro proveniente das suas minas, adiantou a BBC. Este pedido não teve resposta, e é pouco provável que venha a ser atendido.

Especialistas espanhóis foram entretanto enviados aos Estados Unidos para avaliar o estado de conservação das moedas e as trazer de volta. Os Hércules C-130 deverão aterrar neste sábado junto a Madrid com o tesouro perdido há dois séculos.

“Este é um dia especialmente emotivo”, confessou Jorge Dezcallar. “Isto não é só um tesouro, é uma parte da nossa história. Se em 1804 eles não puderam regressar, pelo menos agora uma parte do seu trabalho regressará.”

O valor estimado deste tesouro ronda os 400 milhões de euros, segundo o diário espanhol ABC. A carga especial foi recolhida por um camião que foi escoltado até à base aérea de MacDill de Tampa, onde ficou na noite de quinta-feira rodeada de fortes medidas de segurança. Depois começou a viagem que terminará neste sábado e que terá uma paragem técnica na base das Lajes, nos Açores.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A gravura pré-histórica mais antiga da América está em Belo Horizonte


A gravura e uma representação da gravura
A gravura e uma representação da gravura (Neves WA, Araujo AGM, Bernardo DV, Kipnis R, Feathers JK)









Brasil

22.02.2012 - 22:06 Por Nicolau Ferreira


Arqueólogos brasileiros descobriram a gravura mais antiga do novo mundo: um corpo antropomórfico esguio, com uma idade compreendida entre os 9500 e 10.400 anos. A figura terá sido feita por grupos de caçadores recolectores que viviam na região e poderá ser uma manifestação simbólica ligada à fertilidade. O estudo foi publicado nesta quarta-feira na revista Public Library of Science.

“Há pinturas tão antigas como esta gravura, mas esta deve ser das representações artísticas mais antigas do continente”, disse Walter Neves, da Universidade de São Paulo, no Brasil. Ao contrário das pinturas, que têm pigmentos orgânicos facilmente datáveis, as gravuras esculpidas na pedra são muito mais difíceis de datar. Mas a equipa do arqueólogo teve sorte com o achado. 

“Descobrimos no fundo de um sítio arqueológico que escavámos há nove anos na Lapa do Santo”, disse o arqueólogo ao PÚBLICO. O local fica a 60 quilómetros a Norte da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no Brasil e é um importante ponto arqueológico na América do Sul. A figura está a quatro metros de profundidade e foi descoberta em 2009, no final de uma escavação arqueológica que se iniciou em 2002. 

“No caso da pintura rupestre você pode datar os pigmentos da pintura, no caso do petroglífo, que foi esculpido na pedra, não tem matéria orgânica para datar”, disse o cientista. Mas acima da gravura, existiam os restos arqueológicos de uma fogueira que datam de há 9500 anos. Como o local está ocupado desde há 10.400 anos, “a gravura tem entre 9500 e 10.400 anos”.

O desenho foi feito por caçadores recolectores (grupos nómadas). Seriam grupos pequenos de 25 a 30 pessoas que tinham uma capacidade grande para se movimentarem pela região para conseguir caçar e recolher alimentos. 

“Na América do Norte especializaram-se em caçar a megafauna já extinta, como mamutes, bisontes ou o cavalo pré-histórico. Na América do Sul estes grupos caçavam a fauna que existe hoje e tem um porte médio”, disse o especialista, acrescentando desconhecer-se a razão desta opção, já que também existiam ali os grandes mamíferos que serviam de alimento para os grupos da América do Norte.

Quanto à pintura, Walter Neves defende que é “uma manifestação simbólica ligada à questão da fertilidade”. O desenho representa “um antropomorfo, filiforme, com uma cabeça em forma de C, os braços e as pernas terminam em três dígitos, e tem um falo grande e erecto”.

Não é a primeira vez que se descobre este tipo de iconografia. Noutras regiões da América, conhecem-se figuras semelhantes que representam mulheres grávidas e cenas de parto. Provavelmente “esta é uma figura que deve fazer parte de um painel maior”. Entretanto, em 2011, a equipa voltou ao sítio arqueológico para tentar descobrir outras figuras.

Segundo Walter Neves, esta descoberta também põe em perspectiva a colonização da América feita pelo Homo sapiens vindo da Sibéria. A nível arqueológico, a chegada ao continente está intimamente ligada aos achados da cultura Clovis: sítios arqueológicos em diversos locais da América do Norte onde se encontraram vestígios de pontas para a caça.

“Nós estamos mostrando que no final do pleistoceno já havia uma grande diversidade de pensamento simbólico na América do Sul. Essa grande diversidade seria impossível de surgir em pouco tempo, e isso sugere que o homem deve ter entrado na América há mais de 11.200 anos, que é a datação para a cultura Clovis”, explicou o cientista. “Eu diria que a questão mais importante [da arqueologia americana] é conseguir sítios arqueológicos com datações pré-Clovis.”

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um vulcão chamado VESÚVIO.- Herculano e Pompeia

 

Tempestade de Ideias

 

20 de abril de 2010


Sei que o assunto da semana é um outro vulcão! Foi um dos temas mais comentados esses últimos dias! O caos aéreo na Europa, provocado pelas cinzas de um vulcão na Islândia  (cujo nome é Eyjafjallajoekull) foi realmente impressionante!!!
 Vesúvio
Porém, há muitos e muitos anos atrás, um outro vulcão também chamou atenção em uma determinada época: O Vesúvio. Em uma de suas terríveis erupções, vitimou uma cidade inteira, e alguns povoados próximos, tendo sido responsável pela morte instantânea de 10 a 25 mil pessoas que lá moravam. A cidade era Pompéia,  na Itália, e a época em questão, o dia 24 de agosto de 79 d.C.
A cidade e o povoado vizinho de Herculano foram cobertos por uma mistura de lava, pedras e cinzas. Pompéia foi como que "congelada" no tempo. A quantidade de cinzas e rocha vulcânicas expelidas pelo Vesúvio foi tamanha que os residentes e os animais da cidade foram mortos instantaneamente.
A cidade virou um grande e precioso sítio arqueológico. Os corpos das vítimas passaram a ser encontrados praticamentes intactos, em alguns casos, como se fossem estátuas. 
Elas se espalharam pelos museus do mundo, e agora serão reunidas numa exposição, em um antiquário próximo a esse sítio arqueológico. Todas juntas. Algo inédito!


Alguns corpos revelam detalhes impressionantes. Em uma cabeça, é possível ver a dobra do lenço usado para proteger o rosto das cinzas!
Os arqueólogos encontraram 1.150 corpos em Pompéia, mas muitos deles estavam danificados demais para serem preservados. 
Pelo menos um terço da cidade ainda não foi escavada. O processo de escavação e preservação dos corpos em gesso vem ocorrendo desde o século 19.
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Desde o ano de 1944 o Vesúvio não entra em erupção, apesar de ter ficado ativo no ano de 1968 sem expelir lava. Os documentos históricos da tragédia de 79 revelam que tudo aconteceu num tempo relativamente curto. A erupção começou às 13 horas do dia 24 de agosto, quando o vulcão expeliu uma enorme quantidade de fumaça muito quente, e doze horas depois ele já teria matado centenas de pessoas.
 Por Beth Amorim
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http://bethiamorim.blogspot.com/2010/04/um-vulcao-chamado-vesuvio.html
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teddsantana | 5 de Junho de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Durante as férias na Europa em 2008 passamos por Nápoles para conhecer o Vesúvio, Pompéia e Herculano. Em Pompéia vimos como as cinzas da erupção do Vesúvio no ano 79 preservaram sua estrutura. Foi muito interessante caminhar pelas ruas, entrar nas casas e ver de tão perto como era uma cidade romana na época do império. Visite http://www.teddsantana.com
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valoridinapoli | 18 de Fevereiro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 3 utilizadores que não gostaram deste vídeo
E questa fu Pompei, città sacra a Venere e a lei più cara della stessa Sparta.[...] Tutto giace sommerso dalle fiamme e dalla livida cenere.
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coriandolo60 | 29 de Julho de 2009 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
La mattina del 24 agosto del 79 d.C.Plino il Giovane la descrive così:
"Una nube nera e terribile, squarciata da guizzi serpeggianti di fuoco, si apriva in vasti bagliori di incendio: erano essi simili a folgori, ma ancora più estesi ...
Dopo non molto quella nube si abbassò verso terra e coprì il mare...
Scese la notte, non come quando non v'è luna o il cielo è nuvoloso, ma come quando ci si trova in un locale chiuso a lumi spenti...
Udivi i gemiti delle donne, i gridi dei fanciulli, il clamore degli uomini...
Riapparve un debole chiarore, che non ci sembrava il giorno, ma l'inizio dell'approssimarsi del fuoco."
Informazioni di licenza:
Music by Courtesy of Roger Subirana Mata:
"Tempus Fugit" Lic. http://www.safecreative.org/work/0912...
"Silent Tears" Lic. http://www.safecreative.org/work/0912...
Listen&download:
Direct link: http://www.jamendo.com/it/artist/Roge... http://www.rogersubirana.com
Immagini aeree by Google Earth.
Video registrato presso: www.safecreative.org con Lic. n.1010017477404 BY-NC-ND (Alcuni diritti riservati)


On the morning of 24 August 79, Pliny the Younger describes it thus:
"A black and dreadful cloud, unveiled by leaps winding fire, opened in broad flashes of fire: they were similar to lightning, but even more extensive.
After not much time a cloud is lowered to the ground and covered the sea.
The night fell, not when there is no moon or the sky is cloudy, but as when in a closed room off to light.
Heard the moans of women, the screams of children, the clamor of men.
Reappeared a weak light, that there seemed to be the day, but early on the approach of the fire. "
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Braga discute o que fazer com a herança romana


Bracara Augusta

21.11.2010 - 15:15 Por Samuel Silva
A herança romana está por todo o lado. Achados de Bracara Augusta vão ser integrados num novo centro comercial, uma opção cada vez mais comum na cidade. Arqueólogos querem maior articulação entre as instituições para valorizar a história.
 
 (Foto: Luís Efigénio/nFactos)

Cinco século de presença romana valem a Braga o epíteto de Roma portuguesa. A herança do Império está um pouco por toda a cidade, que tem tentado aprender o que fazer com ela. No final deste mês é inaugurado um novo centro comercial que vai integrar dois núcleos de achados arqueológicos, uma solução que tem vindo a ser adoptada por cada vez mais investidores. Mas os romanos ainda não são uma arma turística, e podiam ser, alertam os especialistas, que defendem uma maior articulação entre as instituições.

Para captar visitantes, há sete anos, a autarquia criou a Braga Romana, uma feira de época que se realiza na Primavera e, no ano passado, lançou os guias móveis, um dispositivo informático que orienta os turistas pelas ruas da cidade, onde incluiu um roteiro romano por espaços emblemáticos como as Termas da Cividade ou a Fonte do Ídolo. O Barroco continua, porém, a ser o seu principal cartão-de-visita.

"Objectivamente, Braga não tem sabido aproveitar a presença romana", critica Luís Fontes, um dos responsáveis da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM), uma espécie de guardiã da herança do Império na cidade. "Não é admissível que as visitas em alguns locais aconteçam apenas por marcação prévia. Um turista quer chegar, entrar e ver", sustenta. "Falta uma maior articulação entre as instituições", reitera o investigador.

Em Julho do ano passado, Luís Fontes foi um dos promotores da proposta de criação de um Parque Arqueológico no concelho que integrasse os principais sítios bracarenses associados à era romana, criando para isso uma estrutura de gestão partilhada que envolvesse a autarquia, a Universidade do Minho, a Igreja Católica e os dois principais museus da cidade, o Pio XII e o D. Diogo de Sousa.

À espera de verbas

A ideia mereceu o apoio do presidente da câmara, Mesquita Machado, que a incluiu no seu programa eleitoral, mas, quase um ano e meio volvidos, ainda não avançou. "Não vamos deixar cair o projecto", assegura fonte do gabinete do autarca. No entanto, o cenário de crise, que implicou um corte de 30 por cento dos investimentos municipais para o próximo ano, obrigou a um congelamento dos investimentos na arqueologia, incluindo a verba destinada à preservação da ínsula das Carvalheiras.

Mesmo em época de vacas magras, a câmara investe no património, garante o vice-presidente, Vítor Sousa. "Temos valorizado o passado de Bracara Augusta nos vários suportes de promoção turística, especialmente na Galiza, que é o nosso principal mercado", assegura o vereador. A cidade aderiu no ano passado à rede das cidades romanas do Arco Atlântico - que integra, entre outras, Saragoça, Sevilha e Lisboa - e deverá acolher, em 2011, o primeiro congresso dessa associação. Sinal "do relevo e importância" dada à herança romana, comenta Vítor Sousa.

O papel da Câmara de Braga na preservação da presença do Império de Roma na cidade estende-se também à reabilitação urbana. O gabinete municipal de arqueologia avalia todos os pedidos de licenciamento de obras no centro da cidade antes da equipa técnica do Urbanismo. Essa primeira apreciação permite antecipar problemas suscitados por eventuais achados. Mas esta não é uma ciência exacta e as sondagens prévias - que nesta zona são obrigatórias para todas as intervenções - às vezes trazem surpresas, como no caso da recuperação da antiga escola primária da Sé, transformada em sede de junta de freguesia há um ano. As obras permitiram identificar um edifício privado do século I, que manteve ocupação até ao século V, bem como restos dos alicerces da muralha medieval da cidade. Os vestígios foram preservados e podem agora ser visitados, criando um novo local de interesse em Braga.

João Carvalho também teve uma surpresa. O director do grupo Regojo, que no final do mês inaugura o centro comercial Liberdade Street Fashion, na principal avenida da cidade, pensava que as escavações no quarteirão do antigo edifício dos CTT, agora transformado em espaço comercial, "iam ser apenas um trabalho de levantamento". "Afinal tivemos que atrasar o projecto durante um ano", conta.A responsabilidade foi dos arqueólogos da UAUM, que descobriram vestígios de um antiga necrópole (ver caixa) de tal forma raros que não havia outra solução que não a sua preservação in situ. "São dois sítios absolutamente únicos e fomos incapazes de desmontar aquele tipo de ruínas", explica o arqueólogo Luís Fontes.

Os dois núcleos detectados estão agora preservados, à espera de serem musealizados. O público vai, a partir de então, poder visitar um conjunto de sepulturas, onde se incluiu um caixão de chumbo, único em Portugal, com entrada pela fachada da Rua Gonçalo Sampaio, junto ao Theatro Circo. Na fachada oposta, na Rua do Raio, bem em frente ao santuário romano da Fonte do Ídolo, um outra entrada dá acesso ao outro núcleo, onde será mantido um edifício romano construído na época da fundação de Bracara Augusta.

Prejuízos inesperados

Apesar de perder dinheiro, a empresa responsável decidiu aceder à sugestão de musealização feita pela UAUM. "É um contributo que damos à cidade", afirma João Carvalho. "Depois daquilo que os arqueólogos nos explicaram que estava em causa, decidimos jogar o jogo", sublinha. No total, o "jogo" representou um prejuízo de três milhões de euros para o empreendimento, entre alterações ao projecto, trabalhos a mais e rendas perdidas, garante.

José Alberto Pereira não precisou de gastar tanto dinheiro para integrar parte de um muro romano e de um criptopórtico no espaço que será o bar do hotel de design Passeio do Burgo, na Rua D. Afonso Henriques. "Investimos cerca de 100 mil euros, mas pode ser um bom investimento", garante o gerente da Atrito, a empresa de engenharia que promove a construção daquela unidade hoteleira, com abertura prevista para o segundo semestre do próximo ano. "Estamos a desenvolver um hotel temático, que mistura o design e a cultura e presta homenagem às grandes figuras da história de Braga. Preservar os achados fazia todo o sentido", sublinha.

O investimento na integração de elementos históricos em espaços comerciais pode revelar-se uma mais-valia. Foi assim com as Frigideiras do Cantinho, o café que vende os famosos pastéis de carne e massa folhada "made in Braga", fundado no século XVIII. Quase tão famoso como o pastel é o seu piso transparente, em vidro reforçado, através do qual se pode observar parte de uma casa romana e do balneário privado que lhe pertencia. É assim desde 1997 e há clientes "que vêm de propósito para ver o sítio", garante o gerente Fernando Areia. "Não era esse o primeiro objectivo, mas foi bom para o negócio", sublinha.
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Ricardo Freitas . 22.11.2010 18:24
Via Facebook

no fim de contas...

A Soluçao da Câmara de Braga vai ser a do costume: constroi-se uma urbanizaçao por cima! e quem resmungar perde o subsídio da câmara. De resto, gostava de perceber porque a CMB e os sucessivos governos desde 1910 têm apostado tanto em fazer desaparecer todos os símbolos que exisitiam ou aínda restam da cultura celta, a verdadeira identidade cultural de Braga! Será por obediência à Igreja que prefere a "Braga romana"??? Quantos edificios, monumentos, obras, vestígios, foram apagados do mapa nos ultimos 100 anos?? A quem incomoda tanto o facto de Braga ser celta e nao ter muito que ver com a lusitania?
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Paula Ramos , Braga, Portugal. 23.11.2010

RE: no fim de contas...

Ricardo Freitas: Os celtiberos estiveram por todo o território nacional. Para além do mais, muitas outras tribos, muitos outros povos habitaram no território português. O artigo trata dos vestígios romanos que, seguramente serão em maior número e melhor qualidade. Talvez isso ajude a compreender e a comprovar uma vez mais porque a Língua Portuguesa tem como língua mãe o Latim. Ao Sr. Ricardo interessará porventura privilegiar uma tribo ou um povo, mas note que isso não é correto. Afinal o povo português está consolidado pelos séculos, fruto de uma miscigenação, de migrações constantes dentro do seu território nas mais diversas direcções.
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Francisco Sande Lemos , Lisboa. 23.11.2010 11:01

A riqueza arqueológica do subsolo de Braga

Em Braga, como aliás em Lisboa, conservam-se testemunhos das sucessivas épocas, embora a presença fenícia esteja comprovada na segunda cidade e até à data nada tenha sido encontrado desse período na urbe minhota. Dos tempos proto-históricos (Bracari) conservam-se os banhos da estação e o santuário da Fonte do Ídolo de origem autóctone, embora mais tarde tenha sido "romanizado". São numerosos os testemunhos da época romana, devido à circunstância de ter sido escolhida pelo Imperador Augusto como sede da Galécia meridional. Mais tarde no século IV foi capital de uma vasta província, a Callaecia que incluía não só o Noroeste Peninsular mas que se estendia à Cantábria. Como referi em anterior comentário os vestígios materiais dos períodos suevo e visigótico são de uma importância excepcional à escala europeia. Quanto à expressão Roma portuguesa diga-se que a Igreja bracarense, uma das mais relevantes da Hispania sempre procurou sublinhar a sua ligação com a ilustre época romana em textos ou no reaproveitamento das epígrafes. Numa das paredes da Sé de Braga está uma inscrição a Augusto.
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valmar , França. 23.11.2010

RE: A riqueza arqueológica do subsolo de Braga

Gostaria que o Sr Sande Lemos me explicasse como é que caiu na Sé uma divindade egipcia, Isis e porque è que exitem na Europa varios sitios cujo radical é Braga, como Poncione di Braga na Suiça, Bracciano perto de Roma, Bragassargues na França ou Brake na Suécia. Também seria importante de saber as razões que levaram os celtas, oriundos não se sabe de onde, a erguer no Algarve as "pedras fitas" ou ménirs mais antigos do mundo.Como referi no comentario precedente o termo "bragati" ou bracaro não define um povo, mas os povos que vestiam "bragas" ou calças, por oposição aos "togati" que usavam togas. Conclusão, somos os calçudos.
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Nuno Lívio , Almada, Portugal. 23.11.2010 02:11

Dão-lhes olhos mas não vêem nada!

Nós não somos celtas, nem árabes, nem, nem visigodos: soms tudo isso um pouco genéticamente. mas somos também romanos numa maior proporção. em termos culturais foram os romanos que deixaram a maior marca, na lingua, religião, sociedade. A lingua em que vos escrevo é o latim, claro, já algo descontinuado. portanto é de grande importância a protecção destes achados na Bracara Augusta, tal como a preservação de todos os vestígios dos povos que por cá passaram. Agora, dizer que é tudo conspiração para apagar os vestígios celtas, ou lá o que for, é pura parvoíce, mais uma teoria da conspiração sobre algo inconsequente. E já agora: o maior grupo genético a que pertencemos é aos Iberos, povo indígena que precede até os celtas. Os Celtas deixaram poucos vestígio físicos da sua presença, e foram totalmente aculturados pelos romanos, ao ponto de a determinada altura não haver diferença entre as vilae romanas da Hispânia e de Roma.
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Pedro , Santarém. 22.11.2010 20:22

povos

É preciso não esquecer que os Mouros toleravam a existência de outras formas culturais e religiosas e apesar de dominarem a penisula no seu todo, excepto as Asturias, não impuseram a religião aos povos que já habitavam estas terras. Por isso a sua presença foi menos sentida no Norte e mais no Sul onde as caracteristas climáticas tinham mais similaridades com aquilo a que estavam habituados isto para além do Sul ser muito menos populoso do que o Norte. Mas... e dos fenicíos e dos hebreus ninguém fala ? - é que eses estavam aqui muito antes dos romanos chegarem e uma boa parte da população portuguesa tem origem nesses dois povos.
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Fernando Costa , Porto, Portugal. 23.11.2010

RE: povos

Nós não somos descendentes dos Fenicíos . Como muitos outros povos que contactaram com o território que é agora Portugal, os Fenícios tiveram uma presença inequívoca e contribuiram certamente com elementos culturais importantes. Mas eram comerciantes, povo de passagem, com apenas muito pequenas comunidades a localizar-se nos territórios com que comercializavam. Pelo menos fora do Mediterrâneo foi certamente assim. No Mediterrâneo a história é outra, claro. Alguns havemos de ser descendentes dos Fenícios. Mas também dos Vikings e de muitos outros.
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Comentários 11 a 16 de 16

  1. Valentim , França. 22.11.2010 20:10

    Braga Romana?

    A regra absoluta é que o conquistador introduza a propria religião. Encotraram algum local de culto romano? As minorias que se implantaram longe dos paises de origem, mantêm viva a lingua materna, commo os Boers, de origem holandesa ou os portugueses de Malaca. Hà algum vestigio suevo ou germanico em Braga?A cidade teria sido criada em 17 antes A.C. O que encontramos mais são vestigios e idolos muito anteriores a esta data.O proprio nome de "bracaro" era utilisado para distinguir os mediterranicos que usavam togas "togati", dos calçudos ou "bragati". Os gauleses também eram "bragati". Aquilo que temos de mais seguro é o culto da divindade negra de Guadalupe, que é comum a toda a Europa. Foi para esquecê-la que foi criada a Sra a Branca.Os arabes que invadiram a Peninsula em 711 eram 200, o resto do exercito, 15 000 h era berbere. Nem nos adoptamos o berbere, nem os berberes de Ceuta ou Tanger o arabe ou o português.Braga também é a cidade das P... patranhas.
  2. Francisco Sande Lemos , Lisboa. 22.11.2010 15:29

    Informações complemenrares

    Gostava de esclarecer que os testemunhos da herança sueva e visigótica em Braga são muito relevantes. No Monte de Santa Marta das Cortiças (Falperra) conservam-se os vestígios de um conjunto palatino (palácio) e alicerces de uma basílica anexa, provavelmente defendidos por uma espessa muralha, de que ainda sobreviveram diversos sectores. Trata-se de um conjunto único em Portugal que merecia um outro cuidado por parte da Câmara Municipal de Braga e do Ministério da Cultura. Deviam ter sido valorizado no âmbito do POC. Porque motivo foram esquecidos? Não sei. Somente foi estudada e valorizada a basílica de Dume, o que já é importante. Quanto ao período visigótico será necessário estudar em profundidade o templo de S. Frutuoso e a zona envolvente, protegendo-a de modo corajoso. De resto não faltam em Portugal outros preciosos elementos da época, como as ruínas de S. Gião da Nazaré, sobre a qual foi inquirido o Secretário de Estado da Cultura na mais recente ida ao Parlamento. O Dr. Sumavielle nada acrescentou de concreto. No que diz respeito à presença islâmica em Braga os dados são muito escassos. Talvez a sua dominação a Norte do Douro tenha sido transitória.
  3. Miguel Ângelo de Almeida , Braga, Portugal. 22.11.2010 11:28

    Bem pensado mas pouco visto!

    Reparo que alguns comentários que aqui são postos revelam, o que acho bem, um bom conhecimento da Historia de Braga mas esquecem um ponto fulcral que explica a razão de ser do esquecimento da era Visigótica e Sueva. Braga foi a capital do Reino dos Ostrogodos aderindo pouco depois à fé cristã daí que logo no final do século III depois de Cristo ser nomeado o 1º Arcebispo de Braga S. Pedro de Rates (supostamente nomeado pelo próprio São Tiago). Passados anos os dois reinos que compunham a Península (Ostrogodos e Visigodos) uniram-se na mesma coroa só que aconteceu um facto que explica os poucos indícios encontrados da desta era em Braga que foi a invasão Muçulmana que destruiu a Braga desse tempo, segundo dizem cheia de edifícios de corte romano do qual é bem visível no único exemplar que resto que pode ser visto no edifício da Biblioteca Publica de Braga junto ao Jardim de Sta. Barbara. Daí a pouca visibilidade da época visigótica de Braga a qual tem como expoente máximo na Igreja de S. Frutuoso (na época haviam dois templos importantes (Sé e Igreja de S. Frutuoso). Mas há toda a razão da questão toponímica que devia valorizar mais estas épocas através da atribuição às ruas de ...
  4. José Gonçalves Cravinho , Holanda. 22.11.2010 08:53

    opinando a propósito

    Então os mouros e árabes que correram com os visigodos e que ocuparam o território durante quatro séculos,não são mencionados?Certamente que êles àlem de mais de uma centena de palavras que ficaram no idioma luso,apesar de ser latino,também deixaram semente genealógica
  5. C. Valença , Braga. 21.11.2010 22:59

    Bracara Augusta e Braga Sueva

    Ao contrário de Mérida Braga não aprendeu a orgulhar-se de ter sido uma capital Romana Enquanto Mérida expoe muto a sua captalidade da Lustania Braga não lembra aos nossos irmãos Galegos que foi esta a capital da GaléciaA despropósito n Renascença inventou-se para Portugal O nome de Lusitanea. quando o território de origem era o sul da Galécia e o seu centro e sede religiosa era Braga.Na toponíamia bracarense nenhuma prça ou avenida honra o seu refundador Augusto. Não existe nenhuma estátua do imperador . A maior parte dos habitantes da região sabem certamente o nome do treinador e dos jogadores do club de futebol da cidade e ficam-se por aí.Também a época Sueva devia ser lembrada e novamente a capitalidade de Braga e ao menos o Rei Recaredo.Até os Alemães tratarim os primos com mais consideração Secção Toponímica arrebitem as orelhas.
  6. Amadis , Setúbal. 21.11.2010 15:25

    só os Romanos ?

    e os Suevos e Visigodos ? Ficaram esquecidos?
    • Anónimo , lo, lu. 21.11.2010

      RE: só os Romanos ?

      Não têm relevância em Braga. (...)
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