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.De: oleiros70 | Criado: 29 de Out de 2008
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Aprender, Aprender Sempre ! (Lenine) ..... Olá, Diga Bom Dia com Alegria, Boa Tarde, sem Alarde, Boa Noite, sem Açoite ! E Viva a Vida, com Alegria e Fantasia (Victor Nogueira) ..... Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
Joaquim Nabuco com o fardão de Embaixador da República
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No continente latino-americano começou uma mudança política que tenta romper com um passado de submissão às regras impostas por Washington e pelo FMI. Os novos governos têm dado um giro progressista, com moderação, conforme falamos de um grupo mais radical que inclui a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ou inclusive Honduras.
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A oposição reage de maneira diferente segundo os casos, não duvidando às vezes em escolher formas violentas como as tentativas separatistas na Bolívia ou o golpe de estado em Honduras. A direita tem na imprensa um aliado que suaviza frequentemente as debilidades de um setor que perdeu sua credibilidade. A direita e grandes grupos de comunicação denunciam censura e ataques à liberdade de expressão quando Rafael Correa no Equador, ou Hugo Chávez na Venezuela nacionalizam uma cadeia de televisão ou quando, na Argentina, Cristina Fernández propõe uma lei audiovisual que substituiria a herdada da ditadura de 1976. O que ocorre realmente?
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A América Latina é a única zona do mundo onde a economia está concentrada nas mãos de um punhado de grupos de operam no agronegócio, na indústria e na informação. No que se refere a esta última, se constata que algumas famílias, Azcárraga e Slim no México, Noble na Argentina, controlam a imprensa escrita, audiovisual, internet, as editoras; em Honduras quatro grupos repartem o espaço informativo; o mesmo ocorre na Colômbia, onde opera a família Santos, da qual dois membros estão no governo de Álvaro Uribe (um é vice-presidente, o outro deixou a pasta da Defesa para por em marcha sua campanha presidencial para 2010).
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Este fenômeno deu nascimento à expressão “latifúndios da informação”. Na ausência de legislação clara, a imprensa utiliza meios pouco compatíveis com a ética, ameaçando deste modo inclusive o direito dos cidadãos à informação. No que se refere a Honduras, os telespectadores da América Latina só receberam nos primeiros dias do golpe as imagens da CNN que mostravam manifestações e opiniões favoráveis aos golpistas, antes de ver as reportagens da Telesur, criada pelo governo venezuelano como alternativa ao monopólio privado; no entanto, esta última não chega a todos os países.
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Na Venezuela, durante o último referendo que modificava a Constituição, um estudo mostra que 76% das informações se inclinavam para o “não” à reforma proposta pelo governo, contra 22% favorável ao “sim”. "Não" que finalmente ganhou. E recordamos o apoio da mesma imprensa ao golpe contra o presidente Chávez em 2002.
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Na Bolívia, a imprensa escrita em sua quase totalidade apóia a oposição representada pelos grandes proprietários de terras do leste, que tentam impor a divisão do país. No Peru, durante as eleições presidenciais, a maioria da imprensa apoiou no primeiro turno os candidatos da direita, antes de apoiar o social democrata Alan García no segundo turno contra o candidato indigenista que lembrava Evo Morales ou Rafael Correa.
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Na Argentina, a imprensa escrita e audiovisual, que pertence 85% aos grupos privados, foi a ponta de lança da oligarquia agrária desejosa de baixar os impostos de exportação, durante o conflito que opunha este setor ao governo. E se recordará o papel representado no passado pelo [jornal] Mercurio no Chile, em 1973, incitando e apoiando o golpe de estado do general Pinochet.
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Em resposta [à situação atual no Equador] Rafael Correa propõe a criação de um organismo de controle que permita proteger o direito à informação do cidadão. Convém precisar quais seriam suas atribuições e seu campo de ação. No Paraguai, o presidente Lugo criou a primeira agencia nacional de imprensa como contraponto aos meios privados.
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Estes fatos traduzem a inquietude dos governantes eleitos democraticamente, que recorrem seguidamente ao referendo popular, cuja política é, no entanto, posta em julgamento por um poder não eleito, que extrai sua legitimidade de seu domínio nas esferas da informação. Estes grandes grupos de imprensa denunciam ataques à liberdade de expressão, recebendo frequentemente o apoio de seus colegas europeus, quando se burla o direito a uma liberdade de expressão minimamente equilibrada que estes meios violam na ausência de qualquer organismo de regulamentação.
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Todo-poderosos até hoje, os latifúndios da informação se encontram em oposição à vontade de governos desejosos de romper com sua hegemonia. Este aspecto de enfrentamento faz parte de uma luta muito mais ampla pelo pluralismo da informação e por uma verdadeira democratização da sociedade.
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Original em l'Humanité. Traduzido por J.A. Pina/R.Maciel, com pequenos ajustes do Viomundo.
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por Philippe Rivière
O muito jovem Partido Pirata sueco fez uma entrada assinalável no Parlamento Europeu, tendo obtido 7,1% dos votos na eleição de 7 de Junho de 2009. Para Estrasburgo vai enviar dois deputados. O primeiro, Lars Christian Engstrom, um empreendedor na área da informática com 49 anos, ocupará um lugar de pleno direito. A segunda, Amelia Andersdotter, de 21 anos, estudante de economia na Universidade de Lund, terá apenas, nos termos das regras bizantinas destas eleições, um lugar de observadora [1].
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É preciso levar a sério a emergência desta nova oferta política. Depois de apenas três anos de existência, o Piratpartiet reúne cerca de 50 000 aderentes e é a terceira força militante da política sueca, logo atrás dos Moderados [2]. (Os adversários do Partido Pirata sublinham que a adesão ali é gratuita.) Em 2009, houve uma adesão maciça dos jovens entre os 18 e os 30 anos – na grande maioria, homens – a um programa fundado na legalização da partilha de ficheiros. O principal detonador deste movimento foi o processo «The Pirate Bay», do nome de um sítio sueco na Internet que propunha um motor de busca especializado nos ficheiros torrents, que permitem descarregar e partilhar, entre utilizadores, filmes, música, programas informáticos, etc. [http://thepiratebay.org">3]].
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Os animadores do sítio Internet, condenados a um ano de prisão e a uma multa de 30 milhões de coroas (2,8 milhões de euros), tinham no entanto argumentado que o seu motor não dava acesso aos filmes propriamente ditos – uma busca no Google proporcionava exactamente as mesmas informações. Na verdade, a diferença está na postura adoptada: num caso (Google), finge-se que se quer respeitar os direitos de autor, apesar de o extraordinário crescimento do sítio de vídeos YouTube, filial do Google, assentar, em grande medida, num catálogo «pirateado»; no outro caso (The Pirate Bay), ridicularizam-se as mensagens enviadas pelos escritórios de advogados dos produtores de Hollywood e abre-se o jogo, de estandarte negro ao vento.
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A condenação do sítio The Pirate Bay e as tentativas de repressão da partilha de ficheiros atingem directamente o quotidiano de quase todos os jovens – 80% dos lares suecos estão ligados à Internet, tendo, com a Finlândia, a taxa mais elevada da Europa. Legal ou não, a partilha de ficheiros pear to pear [4] é praticada de forma tão maciça quanto noutras épocas o foram a cópia de cassetes áudio ou de disquetes. A «indústria cultural» tem muita dificuldade em fazer com que seja respeitado o seu ponto de vista, segundo o qual a cultura é um bem que se consome. E, até ao momento, os grandes partidos não apresentaram uma solução satisfatória para a questão dos direitos de autor face à partilha de ficheiros.
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A crescente politização, em todo o mundo, das questões da propriedade intelectual e do digital traduzem uma falta de perspectivas perante a mutação do mundo industrial para o universo de redes. São raros os responsáveis governamentais que têm um mínimo de competências técnicas; na maioria dos casos, as elites têm um modem de atraso em relação à população [5]]. Em França, isso é bem testemunhado pelas sucessivas gaffes da ministra da Cultura, Christine Albanel.
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No entanto, não se cria um partido cada vez que se quer defender um ponto de vista. É extremamente raro que um assunto específico dê, por si só, origem a uma oferta política. A ecologia política, que levanta questões que podem ser consideradas mais fundamentais do que as do Partido Pirata, e que pretende apresentar uma perspectiva política global, demorou várias dezenas de anos até sair das margens e conseguir ser eleita. As listas «pela Palestina» ou pela legalização da marijuana nunca ultrapassaram o patamar do testemunho, enquanto os movimentos de caçadores, por seu lado, se apresentam mais como um receptáculo para um voto de protesto do que com uma proposta política construída.
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Os partidos existentes têm todo o interesse em actualizar o seu «software político» e em rever os seus discursos sobre a revolução informacional. As hesitações e divisões dos partidos de esquerda sobre a propriedade intelectual vieram sublinhar a ignorância existente em relação a este assunto e que é verificável na grande maioria dos representantes políticos. Os relatórios que se vão sucedendo sobre a «sociedade digital» são de uma indigência intelectual impressionante e, na maioria dos casos, reduzem esta transformação profunda das relações sociais a simples «oportunidades de negócios» [6].
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A discussão política foi contida pela questão do «apoio aos artistas», ainda que muitos artistas lamentem, em contracorrente, que ela tenha assumido a forma de uma guerra dos detentores de direitos contra o público. Em contrapartida, esta discussão desenvolveu-se na Internet, onde existem muitas propostas para revitalizar a cultura com o envolvimento de um público menos consumidor, mais «participante» [7].
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Em França, os debates em torno da lei «Criação e Internet», ou lei HADOPI (ler «Cortar a Internet», http://pt.mondediplo.com/spip.php?article487, 6 de Maio de 2009), terão entretanto permitido que alguns deputados – nomeadamente Verdes e socialistas – restaurassem a imagem da política junto dos internautas. Se isso não tivesse acontecido, é muito possível que um Partido Pirata francês tivesse podido alimentar-se da oposição a essa lei, que instaurava o corte da ligação aos internautas que não tivessem tornado a sua ligação segura. Apesar de tudo, o dispositivo HADOPI foi chumbado, a 10 de Junho, pelo Conselho Constitucional francês, entre outros considerandos porque constituía um atentado à presunção de inocência e porque o acesso à rede é «uma componente da liberdade de expressão e de consumo». O Conselho Constitucional confirmou, assim, a análise do Parlamento Europeu, segundo a qual a Internet permite ao cidadão exercer as suas liberdades fundamentais [8].
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A questão não mobiliza apenas a esquerda, seja ela trabalhista ou ecologista. Uma parte da direita combate, a partir de bases teóricas «liberais», a «big-brotherização» de um Estado que pretende instalar «espiões» nos computadores pessoais, bem como os constrangimentos jurídicos e comerciais de propriedade intelectual que conduzem a monopólios como aqueles de que gozam a Microsoft ou as empresas farmacêuticas.
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O folclore libertariano, apesar de estar pouco representado na Europa, está também presente no discurso dos «piratas». Com efeito, o líder do Piratpartiet, Richard Falkinge, apresenta-se como um «ultra-kapitalist».
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«Os conservadores não defendem o capitalismo puro», explica Falkinge numa entrevista à revista sueca Fokus. «Eles são uma espécie de cagarolas sociais-liberais. (…) Eu defino-me como ultracapitalista, e foi a partir desse posicionamento que me envolvi politicamente. (…) A batalha joga-se agora na questão dos direitos dos cidadãos, que é a questão fundamental. Mais importante do que o sistema de saúde, a educação, o nuclear, a defesa e essa merda toda que andamos a debater há quarenta anos.» O Partido Pirata, sublinha Richard Falkvinge, «defende até uma forma de comunismo digital, em que cada um contribui segundo as suas capacidades e o produto é distribuído segundo as necessidades» [9].
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Por seu lado, a jovem deputada Amelia Andersdotter pretende entregar uma parte do seu salário europeu a organizações como a Amnistia Internacional, a ATTAC-Suécia, a Ordfront (uma editora alternativa muito importante na Suécia, e considerada «de esquerda») ou o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (UNIFEM) [10].
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É difícil perceber de que forma poderá este partido definir-se fora do campo das liberdades digitais. É certo que faz uma incursão no campo da saúde, ao publicar no seu sítio Internet uma posição sobre as patentes farmacêuticas na qual reivindica outros modelos de financiamento para a investigação de novos medicamentos úteis [11]. Mas, fora isso, o que há?
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«O Partido Pirata não tem opinião definida sobre nada que não sejam as liberdades na Internet; quanto ao resto, votará com os outros partidos» [12]. Os responsáveis do Piratpartiet repetem que não terão qualquer dificuldade em aplicar esta regra, porque a clivagem direita-esquerda perdeu toda a pertinência. Como anuncia o seu sítio Internet [13], o que está em causa é tornar-se a pedra angular da maioria do Riksdag, o Parlamento sueco. Com 7% dos votos, esta estratégia oportunista pode permitir-lhe ter algum peso… se não o fizer explodir.
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domingo 14 de Junho de 2009
[1] O Tratado de Lisboa atribui à Suécia 20 lugares, mas enquanto aguarda a sua eventual ratificação, Estocolmo dispõe apenas de 18 lugares. Os dois deputados «em falta» foram apesar disso designados na votação de 7 de Junho, tendo desde já um estatuto de observador.
[2] A história do partido, bem como do sítio The Pirate Bay, é descrita por Anders Rydell e Sam Subdberg em Piraterna, Ordfront, 2009, por enquanto apenas disponível em sueco.
[3] [4] «Peer to peer»: os ficheiros são trocados entre utilizadores, sem passar por um servidor central.
[5] Assinale-se a este propósito que Jeff Moss, fundador da DefCon, uma conferência de hackers, acaba de ser nomeado pela administração de Barack Obama para o Conselho Consultivo de Segurança Interna norte-americana. «L’administration Obama fait appel à un hacker réputé pour protéger les Etats-Unis», 20minutes.fr, 8 de Junho de 2009, [http://www.20minutes.fr/article/331....->http://www.20minutes.fr/article/331....
[6] Ler a este propósito o contributo de Bernard Stiegler em Pour en finir avec la mécroissance. Quelques réflexions d’Ars industrialis, Flammarion, 2009, [http://arsindustrialis.org/publications->http://arsindustrialis.org/publications" class="spip_out">http://thepiratebay.org.
[7] Ler Philippe Aigrain, Internet & Création, InLibroVeritas, 2008. Pode ser descarregado livre e gratuitamente no endereço http://paigrain.debatpublic.net/?pa....
[8] Texto aprovado por 88% dos deputados europeus no quadro do «Pacote Telecom». Cf. Guillaume Champeau, «Bruxelles se félicite de la sacralisation de l’amendement Bono», Numerama, http://www.numerama.com/magazine/13....
[9] Claes Lonegard, «Hjärnan bakom piraterna» (O cérebro dos Piratas), Fokus, Estocolmo, 5 de Junho de 2009, http://www.fokus.se/2009/06/hjarnan....
[10] «Amelia 2.0», Lundagard (jornal estudantil), Lund, Junho de 2009, http://www.lundagard.se/2009/06/01/....
[11] Ver «An Alternative to Pharmaceutical Patents», http://www.piratpartiet.se/an_alter....
[12] Vegard Andreas Larsen, «Svenske Piratpartiet ble i gar stemt inn i EU-parlamentet» (O Partido Pirata entrou ontem no Parlamento Europeu), Hardware.no, 8 de Junho de 2009, http://www.hardware.no/artikler/pir....
[13] http://www.piratpartiet.se/internat....
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Le Monde Diplomatique
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Ou seja, nenhum indivíduo se pode escusar das suas responsabilidades com base na desculpa de que não conhece a lei. Este princípio, que é percebido e assumido pelo povo e tem raízes muito antigas, desde o direito românico, começa a fazer pouco sentido e a estar em causa. Mesmo antes da lei escrita ele já pairava sobre a cabeça do indivíduo. Todavia, com a organização do Estado moderno a lei escrita passou a ser um pilar essencial para a transparência e para a publicidade da política legislativa de qualquer governo, daí a ‘obrigação’ da não ignorância da lei.
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Esta relação contratual, de compromisso por acção ou por omissão, impõe ao cidadão o dever de se manter actualizado acerca das leis que fazem parte do ordenamento jurídico e ao Estado o dever ético de fazer leis simples, de qualidade e tecnicamente bem feitas, de forma a que seja fácil e acessível o seu conhecimento.
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E é nesta partilha de responsabilidades que o princípio segundo o qual ‘a ignorância da lei não serve a ninguém’ começa a evidenciar sérios problemas que podem afectar a eficácia do edifício legislativo.O Estado não tem cumprido com a sua parte, exige o que não dá.
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As leis saem em cascata, são muitas e exageradas, são confusas, pouco pensadas e estudadas, e têm uma técnica deficiente. Legisla-se a propósito de tudo e de nada, a um ritmo alucinante, agravado agora pelas muitas directivas comunitárias. As novas tecnologias de acessibilidade informativa (acabou em papel o Diário da República), não oferecem garantias e segurança, tornando mais difícil a publicidade das leis e o seu acesso.
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Acresce que o acesso via internet é pago. O cidadão ou paga ou não tem acesso, apesar de estar obrigado a conhecer as montanhas de leis que são feitas e que mudam de repente o sentido das coisas, sendo apanhado de surpresa. Vivemos debaixo de um manto excessivamente garantístico.
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Ninguém pode acompanhar e manter--se actualizado com esta ‘diarreia’ legislativa, que num dia diz uma coisa e no outro já diz coisa diferente.
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Qualquer dia a ignorância da lei tem de aproveitar o cidadão para legitimar as justificadas insuficiências de conhecimento.
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Porque qualquer dia, somos todos ignorantes.
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