Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

José Afonso - Viva o Poder Popular


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.De:  | Criado: 29 de Out de 2008
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Não há velório nem morto
Nem círios para queimar
Quando isto der prò torto
Não te ponhas a cavar

Quando isto der prò torto
Lembra-te cá do colega
Não tenhas medo da morte
Que daqui ninguém arreda

Se a CAP é filha do facho
Se o facho é filho da mãe
O MAP é filho do Portas
Do Barreto e mais alguém

Às aranhas anda o rico
Transformado em democrata
Às aranhas anda o pobre
Sem saber quem o maltrata

Às aranhas te vi hoje
Soldado, na casamata
Militares colonialistas
Entram já na tua casa

Vinho velho vinho novo
Tudo a terra pode dar
Dêm as pipas ao povo
Só ele as sabe guardar

Anda cá abaixo, ó Aleixo
Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho

Os barões da vida boa
Vão de manobra em manobra
Visitar as capelinhas
Vender pomada da cobra

A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De Colarinhos a Texas
Sempre muito aperaltada

Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória

O Willy Brandt é macaco
O Giscard é macacão
O capital parte o coco
Só não ri a emigração

De caciques e de bufos
Mandei fazer um sacrário
Para pôr no travesseiro
Dum cura reaccionário

Não sei quem seja de acordo
Como vamos terminar
Vinho velho vinho novo
Viva o Poder Popular

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terça-feira, 22 de março de 2011

Altamiro Borges: a força e os limites da blogosfera

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Vermelho - 22 de Março de 2011 - 14h38
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Em sua visita ao Brasil, o presidente do EUA, Barack Obama, havia programado um megaevento na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, palco de históricos protestos em defesa da democracia e a soberania nacional. Na última hora, o show de pirotecnia foi cancelado. Segundo a própria mídia hegemônica, a razão foi que o serviço de inteligência do império, a famigerada CIA, alertou a diplomacia ianque sobre os "protestos convocados pelas redes sociais". Obama ficou com medo!

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Por Altamiro Borges

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Este episódio, uma vitória dos internautas progressistas do Brasil, comprova a força da internet. Num meio ainda não totalmente controlado pelas corporações capitalistas é possível desencadear ações contra-hegemônicas e quebrar o “pensamento único” emburrecedor da velha mídia. Desde Seattle, quando manifestações contra a rapina imperial foram convocadas basicamente pela internet, este fenômeno chama a atenção dos atores sociais. De lá para cá, o acesso à rede só se ampliou – no mundo e no Brasil.
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Uma arma poderosa
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Nas recentes convulsões populares no mundo árabe, que derrubaram os ditadores da Tunísia e do Egito – sempre tratados como “amigos do Ocidente” pela mídia tradicional – a internet foi uma arma poderosa. Ela não produziu as “revoluções”, mas ajudou a detoná-las. Agora mesmo, na Líbia, há uma guerra de informações da globosfera, acompanhada da real e sangrenta guerra dos mísseis. A internet faz parte hoje da guerra, virtual e real, que se trava nas sociedades. Não dá para desconhecer esta nova realidade.
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Os meios tradicionais de comunicação, hegemonizados por poucas corporações – no máximo 40, segundo recentes estudos sobre a crescente monopolização da mídia mundial –, não detêm mais o monopólio da informação. Os avanços tecnológicos abriram brechas, mesmo que temporárias, nesta frente estratégia da luta de idéias. Jornais e revistas da oligarquia estão falindo devido ao maior acesso à internet. Mesmo as redes televisão sofrem com a migração para este novo meio, principalmente da juventude.
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A força da blogosfera
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No Brasil, esta realidade é bem palpável. Nas eleições presidenciais de outubro passado, a chamada blogosfera progressista jogou papel de relevo na encarniçada disputa. As manipulações dos impérios midiáticos, que se transformaram em cabos eleitorais do candidato da direita, foram desmascaradas online pela internet. No auge da campanha fascistóide, de baixarias e de falsos moralismos, os blogs independentes atingiram mais de 40 milhões em audiência, segundo pesquisa recente.
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O impacto foi devastador. José Serra, o candidato do Opus Dei e o preferido do império, conforme telegrama vazado pelo WikiLeaks, usou vários palanques para atacar o que ele chamou, pejorativamente, de “blogs sujos”. Já o presidente Lula, sofrendo violento cerco da ditadura midiática, produziu vídeo para estimular a produção independente dos blogueiros. Na guerra de informações, a internet foi decisiva para desmascarar a direita e para mostrar o real significado da candidatura lulista de Dilma Rousseff.
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Passos na organização dos blogueiros
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Neste intenso processo da luta de classes, com a centralidade a batalha eleitoral, a blogosfera progressista deu os primeiros passos para a sua organização no Brasil – de forma autônoma. Em agosto passado, mais de 330 blogueiros e twitteiros realizaram o seu primeiro encontro nacional, em São Paulo. Neste evento histórico, eles decidiram lutar pela democratização da comunicação, contra qualquer tipo de censura à internet, e por políticas públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade informativas.
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Fruto deste encontro histórico, os blogueiros progressistas quebraram a monopólio da mídia tradicional e realizaram a primeira entrevista coletiva com um presidente da República, Lula, em novembro passado. A velha mídia até tentou desqualificar o evento inédito, numa crise de “ciúme” ridícula. Na prática, ela sentiu o baque de uma mudança de paradigma que está em curso. Parafraseando o revolucionário italiano Antonio Gramsci, a coletiva com Lula evidenciou que “o velho está morrendo e o novo ainda não acabou de nascer”.
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Os desafios do futuro
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O segundo encontro nacional de blogueiros progressistas está agendado para junho próximo, em Brasília. Nele não haverá mais o fator galvanizador que estimulou o primeiro – a luta contra a mídia golpista, que se transformou no “partido do capital” durante o pleito presidencial. O desafio será encontrar novos pontos de unidade na enorme diversidade existente na rede. Sem verticalismo e estruturas hierarquizadas, este movimento amplo e plural tem muito a contribuir na luta pelo avanço da democracia no Brasil.
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Os blogueiros progressistas, que hoje já constituem uma vasta e influente rede no país, podem amplificar a luta pela democratização dos meios de comunicação. Está na ordem do dia o debate sobre o novo marco regulatório da mídia, que garanta a verdadeira liberdade de expressão para os brasileiros – e que não se confunde com a “liberdade de empresa” dos monopólios midiáticos. Também está em curso a discussão sobre a liberdade na internet, com investidas da direita contra este direito libertário.
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Além de interferir nestas batalhas estratégicas, os blogueiros precisam ampliar sua capacidade de interferir na luta de idéias contra-hegemônicas na sociedade. É preciso que “floresçam mil flores”, que surjam mais e melhores blogs independentes, garantindo maior diversidade e pluralidade informativas. É urgente também qualificar os nossos instrumentos, produzindo conteúdos jornalísticos de qualidade. Para isso, é preciso encontrar caminhos de sustentação financeira da blogosfera, que potencializem essa nova militância virtual.
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Riscos de retrocesso
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A internet abriu brechas para novas vozes se expressarem na sociedade. Mas ela não deve ser idealizada. Quem detém maior audiência são os portais de notícia e entretenimento dos mesmos grupos midiáticos. A publicidade, que cresce na rede (nos EUA, ela superou pela primeira vez na história os anúncios nos jornais impressos), é totalmente sugada pelos barões da mídia. Ou seja: a internet é um campo de disputa. Sem ampliar e qualificar sua produção, a blogosfera progressista será derrotada, falará para seus nichos.
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Além disso, a tecnologia não é neutra. Os monopólios da comunicação, que tornam reféns vários governos, já estudam mecanismos para cercear a liberdade na rede. Barack Obama, que a cada dia se revela um falso democrata, já enviou ao Congresso dos EUA um projeto para “vigiar” a internet. No Brasil, um parlamentar do bloco neoliberal-conservador, Eduardo Azeredo (PSDB), também se apressou em copiar o império e já apresentou projeto para abortar a neutralidade na rede. Os embates neste campo tendem a crescer.
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Viva o Poder Popular! Zeca Afonso


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oleiros70 | 29 de Outubro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo 
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Não há velório nem morto
Nem círios para queimar
Quando isto der prò torto
Não te ponhas a cavar

Quando isto der prò torto
Lembra-te cá do colega
Não tenhas medo da morte
Que daqui ninguém arreda

Se a CAP é filha do facho
Se o facho é filho da mãe
O MAP é filho do Portas
Do Barreto e mais alguém

Às aranhas anda o rico
Transformado em democrata
Às aranhas anda o pobre
Sem saber quem o maltrata

Às aranhas te vi hoje
Soldado, na casamata
Militares colonialistas
Entram já na tua casa

Vinho velho vinho novo
Tudo a terra pode dar
Dêm as pipas ao povo
Só ele as sabe guardar

Anda cá abaixo, ó Aleixo
Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho

Os barões da vida boa
Vão de manobra em manobra
Visitar as capelinhas
Vender pomada da cobra

A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De Colarinhos a Texas
Sempre muito aperaltada

Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória

O Willy Brandt é macaco
O Giscard é macacão
O capital parte o coco
Só não ri a emigração

De caciques e de bufos
Mandei fazer um sacrário
Para pôr no travesseiro
Dum cura reaccionário

Não sei quem seja de acordo
Como vamos terminar
Vinho velho vinho novo
Viva o Poder Popular
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domingo, 17 de janeiro de 2010

Paulo Freire


 

Brasil

Vermelho - 26 de Novembro de 2009 - 16h08

Comissão do MJ considera Paulo Freire anistiado político

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça considerou hoje (26), por unanimidade, o educador pernambucano Paulo Freire como anistiado político. Com isso, a viúva do educador receberá uma indenização de 480 salários mínimos, desde que respeitado o teto de R$ 100 mil.

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A audiência pública foi realizada como parte da Caravana da Anistia, durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, promovido pelo Ministério da Educação.
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“Estamos caracterizando o pedido de desculpas oficiais pelos erros cometidos pelo Estado contra Paulo Freire”, declarou o presidente da comissão Paulo Abrão Pires Júnior ao final da sessão. Ele considera que há ainda muito a fazer, uma vez que há suspeitas de que arquivos, principalmente dos serviços de inteligência das Forças Armadas, ainda não tenham sido entregues ou tenham sido destruídos.
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Segundo ele, os documentos de inteligência encontrados queimados na Base Aérea de Salvador são uma prova de que há ainda muitos arquivos não abertos “apesar de que, tecnicamente, todos devessem estar [abertos] desde o Projeto Memórias Reveladas, criado pela Casa Civil”, disse Abrão. “Nesse aspecto, Chile, Paraguai, Argentina e Uruguai estão muito melhores do que o Brasil”, acrescentou.
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“Ainda que esses documentos apresentem uma visão deturpadora da realidade, eles são necessários para fazermos justiça com as tantas vítimas da ditadura brasileira”, disse o presidente da comissão, durante coletiva de imprensa após a sessão pública que anistiou o educador.
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Para a viúva, Ana Maria Araújo, a ditadura atingiu "violentamente e com malvadeza" o exilado, destruindo sua natureza, seu corpo e sua cidadania. "Paulo Freire, sua cidadania foi retomada como você queria, e proclamada como você merecia”, disse em tom emocionado a viúva.
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Em meio ao discurso de Ana Maria, um grito vindo da plateia composta majoritariamente por professores e pedagogos puxou aplausos: “Paulo Freire não morreu nem nunca morrerá”.
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“A partir do resultado [a que chegou a comissão, de considerar Paulo Freire anistiado político], encaminharemos nossa decisão ao ministro da Justiça, que expedirá, caso concorde com ela, uma portaria no Diário Oficial, declarando ele como anistiado. No documento constará, também, seus direitos”, afirmou Abrão.
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“E, com a portaria, o Ministério do Planejamento fica obrigado a colocar a previsão do pagamento aos familiares. Acredito que a portaria será publicada ainda neste ano”, completou.
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Segundo a viúva de Freire, há cerca de 340 escolas no Brasil, na maioria municipais, com o nome do marido. “Pretendo continuar fazendo o que ele me pediu em testamento: publicar aquilo que é inédito e cuidar dos livros já publicados.”
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Fonte: Agência Brasil
 

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Brasil

Vermelho - 27 de Novembro de 2009 - 12h28

Caravana anistia Paulo Freire e pede perdão aos que não sabem ler

Em julgamento nesta quinta-feira (26/11), durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, foi declarada a anistia do educador Paulo Freire. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que analisou o requerimento feito pela viúva Ana Maria Freire, em 2007, sob a ótica da perseguição política sofrida pelo educador à época da ditadura, também pediu desculpas pelos atos criminosos cometidos pelo Estado.

A viúva Ana Maria Freire, durante audiência que julgou a anistia de Paulo Freire
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“Esse pedido de perdão se estende a cada brasileiro que, ainda hoje, não sabe ler sua própria língua”, disse o relator do processo, Edson Pistori. Para ele, a perseguição a Paulo Freire pela ditadura se traduz no impedimento à alfabetização de milhares de cidadãos e, principalmente, à conscientização de cada um deles sobre a própria condição social.
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Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife, em 1921, e morreu em São Paulo, em 1997. Ficou conhecido pelo empenho em ensinar os mais pobres e se tornou uma inspiração para gerações de professores. Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização, a partir de suas primeiras experiências, em 1963, quando ensinou 300 cortadores de cana a ler e a escrever em 45 dias. O educador sofreu perseguição do regime militar (1964-1985), ficou preso por 70 dias e foi exilado por 16 anos, considerado traidor.
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Pedagogia da resistência
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Em 1967, durante o exílio, no Chile, escreveu o primeiro livro, Educação como Prática da Liberdade. Em 1968, publicou uma de suas obras mais conhecidas, Pedagogia do Oprimido. Freire retornou ao Brasil em 1980, com a anistia que permitiu o retorno dos exilados, e foi nomeado secretário de educação da cidade de São Paulo, cargo que exerceu até 1991.
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“Resolvi fazer o requerimento para resgatar a cidadania de meu marido e atestar que ele é um verdadeiro brasileiro. Assim como muitos, ele lutou por um Brasil mais bonito e mais justo”, disse Ana Maria Freire. A reparação econômica concedida pela comissão de anistia à viúva de Paulo Freire será de 480 salários mínimos, não excedendo o teto estipulado de R$ 100 mil, pagos em parcela única.
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Comissão — A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça existe desde 2002. Até agora, 64 mil requerimentos com pedido de anistia foram protocolados. Destes, 47 mil foram julgados — 30 mil deferidos, 12 mil dos quais com reparação econômica, além do pedido oficial de desculpas do Estado.
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Caravana da Anistia
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Para revelar à população de todo o país os fatos arbitrários praticados durante o regime militar e pedir desculpas, publicamente, às pessoas que resistiram à ditadura e sofreram os atos de violação dos direitos humanos feitos pelo Estado, a comissão criou a Caravana da Anistia. Desde 2008, o projeto visitou 16 estados e está na 31ª edição. Mais de 500 processos já foram julgados.
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O projeto é realizado por meio de parceria entre a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o Instituto Paulo Freire, o Ministério da Educação, as comissões de educação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a Associação dos Juízes para a Democracia, o Instituto Catarinense de Aprendizagem e Educação Infantil (Icae), o Movimento dos Sem-Terra (MST), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Associação Brasileira de Ensino do Direito (Abedi).
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No Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, que será encerrado nesta sexta-feira, 27, há também uma exposição fotográfica sobre Paulo Freire.

Fonte: MEC


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domingo, 4 de outubro de 2009

Viva o Poder Popular! - Zeca Afonso


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Não há velório nem morto
Nem círios para queimar
Quando isto der prò torto
Não te ponhas a cavar
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Quando isto der prò torto
Lembra-te cá do colega
Não tenhas medo da morte
Que daqui ninguém arreda
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Se a CAP é filha do facho
Se o facho é filho da mãe
O MAP é filho do Portas
Do Barreto e mais alguém
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Às aranhas anda o rico
Transformado em democrata
Às aranhas anda o pobre
Sem saber quem o maltrata
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Às aranhas te vi hoje
Soldado, na casamata
Militares colonialistas
Entram já na tua casa
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Vinho velho vinho novo
Tudo a terra pode dar
Dêm as pipas ao povo
Só ele as sabe guardar
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Anda cá abaixo, ó Aleixo
Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho
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Os barões da vida boa
Vão de manobra em manobra
Visitar as capelinhas
Vender pomada da cobra
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A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De Colarinhos a Texas
Sempre muito aperaltada
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Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória
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O Willy Brandt é macaco
O Giscard é macacão
O capital parte o coco
Só não ri a emigração
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De caciques e de bufos
Mandei fazer um sacrário
Para pôr no travesseiro
Dum cura reaccionário
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Não sei quem seja de acordo
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Vinho velho vinho novo
Viva o Poder Popular
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Exposição homenageia Joaquim Nabuco, um homem múltiplo

Cultura

Vermelho - 18 de Agosto de 2009 - 12h39
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Diplomata, político, escritor, orador, poeta e memorialista, o pernambucano Joaquim Nabuco completaria 160 anos no dia 19 de agosto de 2009. Para celebrar a data, uma exposição estará em cartaz no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, de 20 de agosto a 4 de outubro.

Joaquim Nabuco

Joaquim Nabuco com o fardão de Embaixador da República

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A mostra "Joaquim Nabuco: Brasileiro, Cidadão do Mundo" faz uma retrospectiva da vida de um dos maiores abolicionistas brasileiros, cuja obra exerceu influência em intelectuais do porte de Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Hollanda, e traz à reflexão temas relevantes para a história do Brasil, como o liberalismo político, a história do Segundo Reinado e acontecimentos marcantes da vida diplomática do país.
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A exposição - com curadoria de Helena Severo e patrocínio da Icatu Holding e da CNI/Confederação Nacional da Indústria - está dividida em três módulos que, em ordem cronológica, narram a trajetória de Joaquim Nabuco: "A Infância e A Formação"; "O Abolicionista e o Pensador" e "O Diplomata e Cidadão do Mundo".
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Especialistas nas diversas fases da vida do homenageado assinam os textos, como o sociólogo Francisco Weffort, o jurista e diplomata Rubens Ricúpero e representantes da Fundação Joaquim Nabuco.
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Com cenografia de Chicô Gouveia e animação do multimídia Marcello Dantas, a exposição apresenta objetos de uso pessoal de Nabuco, livros com dedicatórias, correspondências trocadas com figuras ilustres, como Machado de Assis, mobiliário e a réplica do Teatro Santa Isabel, no Recife, onde Nabuco costumava fazer seus pronunciamentos.
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Documento importante como o original da "Lei Áurea", assinada pela Princesa Isabel, assim como o estojo "Lembranças da Abolição", com a caneta que provavelmente foi utilizada pela Princesa no ato da assinatura da lei, integram a exposição.
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Após o Rio de Janeiro, a exposição será apresentada em 2010, ano do centenário da morte de Nabuco, em Brasília e Recife.
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Mais homenagens
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A exposição é o ponto de partida de uma série de eventos e lançamentos motivados por outra data: o centenário de morte de Nabuco, em 17 de janeiro de 2010. Em comum entre as iniciativas, a busca de dar conta dos vários adjetivos que Nabuco recebeu ao longo da vida.
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"Nabuco são muitos", resume a cientista política Helena Severo. Um dos tantos é o político que, quatro vezes eleito deputado, tinha uma visão "universalista", como ressalta o historiador José Murilo de Carvalho. A liberdade dos escravos, sua maior bandeira, não poderia ser contestada em nome da suposta soberania do país.
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"Ele não aceitava os protestos dos escravistas brasileiros contra a interferência britânica pela abolição. Não podemos ser nacionais, autenticamente brasileiros, se não incorporarmos valores da civilização", afirma Carvalho.
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Para Nabuco, não bastava o fim da escravidão. "Era só o início do processo. Havia toda a tarefa de incorporar os escravos libertos na comunidade", diz o historiador. Seria uma tarefa de cem anos, especulava Nabuco, mas o tempo já se passou e ela não foi concluída.
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A sua frase mais famosa ajuda a explicar tamanha demora: "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil". Se um recém-liberto comprava um escravo para si, é porque já estava enraizada na cultura nacional uma certa "fraqueza do sentimento do direito civil", como diz Carvalho. Ou seja, a liberdade individual está acima do bem público, princípio perverso que a classe política brasileira comprova dia a dia.
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"Prefiram uma carreira obscura de trabalho honesto a acumular riqueza fazendo ouro dos sofrimentos inexprimíveis de outros homens", escreveu ele, crítico da "classe única" que dirigia o país "só se preocupando dos seus interesses de classe, de manter o jugo férreo dos seus monopólios desumanos e atentatórios da civilização universal". E recomendava: "A missão do governo é fazer por política o que a revolução faria pela força".
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"Quando é vista como perversa, desviante e desnecessária, há um grande risco para a democracia", diz Helena Severo, ressaltando a importância de Nabuco nos dias de hoje.
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A Academia Brasileira de Letras, da qual Nabuco foi fundador e o primeiro secretário-geral, prevê para 2010 um ciclo de conferências, uma página específica na internet e publicações, como conta o acadêmico Marcos Vilaça, pernambucano como o homenageado. Ele também conversa com o MEC e o Congresso sobre reedições populares dos três principais livros de Nabuco: "O Abolicionismo", "Um Estadista do Império", e "Minha Formação".
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A socióloga Angela Alonso, autora do livro sobre Nabuco da coleção "Perfis Brasileiros", da Companhia das Letras, está organizando com Kenneth David Jackson, da Universidade Yale, o dossiê "Nabuco e a República", com textos de especialistas de vários países.
"Joaquim Nabuco: Conferências", que a editora Bem-Te-Vi lança até o início do próximo ano, também reúne autores de diversas origens, em conferências feitas em Yale (em 2008) e Wisconsin (2009).
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O lado sedutor de Nabuco, que lhe valeu na juventude o apelido de "Quincas, o Belo", está mais claro em "Os Mundos de Eufrásia", biografia romanceada de Eufrásia Teixeira Leite, grande amor com quem Nabuco teve idas e vindas mas não se casou, escrita por Claudia Lage e já lançada pela Record.
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Fonte: Folha de S.Paulo e Museu Histórico Nacional
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

l'Humanité: Os latifúndios da informação

Mídia

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in Vermelho - 17 de Agosto de 2009 - 18h04

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Na América Latina, alguns grupos e famílias poderosas controlam a mídia, fechando e bloqueando o espaço político e democrático. Uma hegemonia que os governos progressistas eleitos democraticamente querem atacar em profundidade.

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No continente latino-americano começou uma mudança política que tenta romper com um passado de submissão às regras impostas por Washington e pelo FMI. Os novos governos têm dado um giro progressista, com moderação, conforme falamos de um grupo mais radical que inclui a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ou inclusive Honduras.
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A oposição reage de maneira diferente segundo os casos, não duvidando às vezes em escolher formas violentas como as tentativas separatistas na Bolívia ou o golpe de estado em Honduras. A direita tem na imprensa um aliado que suaviza frequentemente as debilidades de um setor que perdeu sua credibilidade. A direita e grandes grupos de comunicação denunciam censura e ataques à liberdade de expressão quando Rafael Correa no Equador, ou Hugo Chávez na Venezuela nacionalizam uma cadeia de televisão ou quando, na Argentina, Cristina Fernández propõe uma lei audiovisual que substituiria a herdada da ditadura de 1976. O que ocorre realmente?
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A América Latina é a única zona do mundo onde a economia está concentrada nas mãos de um punhado de grupos de operam no agronegócio, na indústria e na informação. No que se refere a esta última, se constata que algumas famílias, Azcárraga e Slim no México, Noble na Argentina, controlam a imprensa escrita, audiovisual, internet, as editoras; em Honduras quatro grupos repartem o espaço informativo; o mesmo ocorre na Colômbia, onde opera a família Santos, da qual dois membros estão no governo de Álvaro Uribe (um é vice-presidente, o outro deixou a pasta da Defesa para por em marcha sua campanha presidencial para 2010).
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Este fenômeno deu nascimento à expressão “latifúndios da informação”. Na ausência de legislação clara, a imprensa utiliza meios pouco compatíveis com a ética, ameaçando deste modo inclusive o direito dos cidadãos à informação. No que se refere a Honduras, os telespectadores da América Latina só receberam nos primeiros dias do golpe as imagens da CNN que mostravam manifestações e opiniões favoráveis aos golpistas, antes de ver as reportagens da Telesur, criada pelo governo venezuelano como alternativa ao monopólio privado; no entanto, esta última não chega a todos os países.
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Na Venezuela, durante o último referendo que modificava a Constituição, um estudo mostra que 76% das informações se inclinavam para o “não” à reforma proposta pelo governo, contra 22% favorável ao “sim”. "Não" que finalmente ganhou. E recordamos o apoio da mesma imprensa ao golpe contra o presidente Chávez em 2002.
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Na Bolívia, a imprensa escrita em sua quase totalidade apóia a oposição representada pelos grandes proprietários de terras do leste, que tentam impor a divisão do país. No Peru, durante as eleições presidenciais, a maioria da imprensa apoiou no primeiro turno os candidatos da direita, antes de apoiar o social democrata Alan García no segundo turno contra o candidato indigenista que lembrava Evo Morales ou Rafael Correa.
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Na Argentina, a imprensa escrita e audiovisual, que pertence 85% aos grupos privados, foi a ponta de lança da oligarquia agrária desejosa de baixar os impostos de exportação, durante o conflito que opunha este setor ao governo. E se recordará o papel representado no passado pelo [jornal] Mercurio no Chile, em 1973, incitando e apoiando o golpe de estado do general Pinochet.
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Em resposta [à situação atual no Equador] Rafael Correa propõe a criação de um organismo de controle que permita proteger o direito à informação do cidadão. Convém precisar quais seriam suas atribuições e seu campo de ação. No Paraguai, o presidente Lugo criou a primeira agencia nacional de imprensa como contraponto aos meios privados.
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Estes fatos traduzem a inquietude dos governantes eleitos democraticamente, que recorrem seguidamente ao referendo popular, cuja política é, no entanto, posta em julgamento por um poder não eleito, que extrai sua legitimidade de seu domínio nas esferas da informação. Estes grandes grupos de imprensa denunciam ataques à liberdade de expressão, recebendo frequentemente o apoio de seus colegas europeus, quando se burla o direito a uma liberdade de expressão minimamente equilibrada que estes meios violam na ausência de qualquer organismo de regulamentação.
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Todo-poderosos até hoje, os latifúndios da informação se encontram em oposição à vontade de governos desejosos de romper com sua hegemonia. Este aspecto de enfrentamento faz parte de uma luta muito mais ampla pelo pluralismo da informação e por uma verdadeira democratização da sociedade.
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Original em l'Humanité. Traduzido por J.A. Pina/R.Maciel, com pequenos ajustes do Viomundo.

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

DEPOIS DAS ELEIÇÕES EUROPEIAS


Emergência do poder pirata

por Philippe Rivière


O muito jovem Partido Pirata sueco fez uma entrada assinalável no Parlamento Europeu, tendo obtido 7,1% dos votos na eleição de 7 de Junho de 2009. Para Estrasburgo vai enviar dois deputados. O primeiro, Lars Christian Engstrom, um empreendedor na área da informática com 49 anos, ocupará um lugar de pleno direito. A segunda, Amelia Andersdotter, de 21 anos, estudante de economia na Universidade de Lund, terá apenas, nos termos das regras bizantinas destas eleições, um lugar de observadora [1].

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É preciso levar a sério a emergência desta nova oferta política. Depois de apenas três anos de existência, o Piratpartiet reúne cerca de 50 000 aderentes e é a terceira força militante da política sueca, logo atrás dos Moderados [2]. (Os adversários do Partido Pirata sublinham que a adesão ali é gratuita.) Em 2009, houve uma adesão maciça dos jovens entre os 18 e os 30 anos – na grande maioria, homens – a um programa fundado na legalização da partilha de ficheiros. O principal detonador deste movimento foi o processo «The Pirate Bay», do nome de um sítio sueco na Internet que propunha um motor de busca especializado nos ficheiros torrents, que permitem descarregar e partilhar, entre utilizadores, filmes, música, programas informáticos, etc. [http://thepiratebay.org">3]].

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Os animadores do sítio Internet, condenados a um ano de prisão e a uma multa de 30 milhões de coroas (2,8 milhões de euros), tinham no entanto argumentado que o seu motor não dava acesso aos filmes propriamente ditos – uma busca no Google proporcionava exactamente as mesmas informações. Na verdade, a diferença está na postura adoptada: num caso (Google), finge-se que se quer respeitar os direitos de autor, apesar de o extraordinário crescimento do sítio de vídeos YouTube, filial do Google, assentar, em grande medida, num catálogo «pirateado»; no outro caso (The Pirate Bay), ridicularizam-se as mensagens enviadas pelos escritórios de advogados dos produtores de Hollywood e abre-se o jogo, de estandarte negro ao vento.

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A condenação do sítio The Pirate Bay e as tentativas de repressão da partilha de ficheiros atingem directamente o quotidiano de quase todos os jovens – 80% dos lares suecos estão ligados à Internet, tendo, com a Finlândia, a taxa mais elevada da Europa. Legal ou não, a partilha de ficheiros pear to pear [4] é praticada de forma tão maciça quanto noutras épocas o foram a cópia de cassetes áudio ou de disquetes. A «indústria cultural» tem muita dificuldade em fazer com que seja respeitado o seu ponto de vista, segundo o qual a cultura é um bem que se consome. E, até ao momento, os grandes partidos não apresentaram uma solução satisfatória para a questão dos direitos de autor face à partilha de ficheiros.

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A crescente politização, em todo o mundo, das questões da propriedade intelectual e do digital traduzem uma falta de perspectivas perante a mutação do mundo industrial para o universo de redes. São raros os responsáveis governamentais que têm um mínimo de competências técnicas; na maioria dos casos, as elites têm um modem de atraso em relação à população [5]]. Em França, isso é bem testemunhado pelas sucessivas gaffes da ministra da Cultura, Christine Albanel.

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No entanto, não se cria um partido cada vez que se quer defender um ponto de vista. É extremamente raro que um assunto específico dê, por si só, origem a uma oferta política. A ecologia política, que levanta questões que podem ser consideradas mais fundamentais do que as do Partido Pirata, e que pretende apresentar uma perspectiva política global, demorou várias dezenas de anos até sair das margens e conseguir ser eleita. As listas «pela Palestina» ou pela legalização da marijuana nunca ultrapassaram o patamar do testemunho, enquanto os movimentos de caçadores, por seu lado, se apresentam mais como um receptáculo para um voto de protesto do que com uma proposta política construída.

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Artistas e espiões

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Os partidos existentes têm todo o interesse em actualizar o seu «software político» e em rever os seus discursos sobre a revolução informacional. As hesitações e divisões dos partidos de esquerda sobre a propriedade intelectual vieram sublinhar a ignorância existente em relação a este assunto e que é verificável na grande maioria dos representantes políticos. Os relatórios que se vão sucedendo sobre a «sociedade digital» são de uma indigência intelectual impressionante e, na maioria dos casos, reduzem esta transformação profunda das relações sociais a simples «oportunidades de negócios» [6].

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A discussão política foi contida pela questão do «apoio aos artistas», ainda que muitos artistas lamentem, em contracorrente, que ela tenha assumido a forma de uma guerra dos detentores de direitos contra o público. Em contrapartida, esta discussão desenvolveu-se na Internet, onde existem muitas propostas para revitalizar a cultura com o envolvimento de um público menos consumidor, mais «participante» [7].

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Em França, os debates em torno da lei «Criação e Internet», ou lei HADOPI (ler «Cortar a Internet», http://pt.mondediplo.com/spip.php?article487, 6 de Maio de 2009), terão entretanto permitido que alguns deputados – nomeadamente Verdes e socialistas – restaurassem a imagem da política junto dos internautas. Se isso não tivesse acontecido, é muito possível que um Partido Pirata francês tivesse podido alimentar-se da oposição a essa lei, que instaurava o corte da ligação aos internautas que não tivessem tornado a sua ligação segura. Apesar de tudo, o dispositivo HADOPI foi chumbado, a 10 de Junho, pelo Conselho Constitucional francês, entre outros considerandos porque constituía um atentado à presunção de inocência e porque o acesso à rede é «uma componente da liberdade de expressão e de consumo». O Conselho Constitucional confirmou, assim, a análise do Parlamento Europeu, segundo a qual a Internet permite ao cidadão exercer as suas liberdades fundamentais [8].

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Ultracapitalistas e cibercomunistas

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A questão não mobiliza apenas a esquerda, seja ela trabalhista ou ecologista. Uma parte da direita combate, a partir de bases teóricas «liberais», a «big-brotherização» de um Estado que pretende instalar «espiões» nos computadores pessoais, bem como os constrangimentos jurídicos e comerciais de propriedade intelectual que conduzem a monopólios como aqueles de que gozam a Microsoft ou as empresas farmacêuticas.

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O folclore libertariano, apesar de estar pouco representado na Europa, está também presente no discurso dos «piratas». Com efeito, o líder do Piratpartiet, Richard Falkinge, apresenta-se como um «ultra-kapitalist».

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«Os conservadores não defendem o capitalismo puro», explica Falkinge numa entrevista à revista sueca Fokus. «Eles são uma espécie de cagarolas sociais-liberais. (…) Eu defino-me como ultracapitalista, e foi a partir desse posicionamento que me envolvi politicamente. (…) A batalha joga-se agora na questão dos direitos dos cidadãos, que é a questão fundamental. Mais importante do que o sistema de saúde, a educação, o nuclear, a defesa e essa merda toda que andamos a debater há quarenta anos.» O Partido Pirata, sublinha Richard Falkvinge, «defende até uma forma de comunismo digital, em que cada um contribui segundo as suas capacidades e o produto é distribuído segundo as necessidades» [9].

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Por seu lado, a jovem deputada Amelia Andersdotter pretende entregar uma parte do seu salário europeu a organizações como a Amnistia Internacional, a ATTAC-Suécia, a Ordfront (uma editora alternativa muito importante na Suécia, e considerada «de esquerda») ou o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (UNIFEM) [10].

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É difícil perceber de que forma poderá este partido definir-se fora do campo das liberdades digitais. É certo que faz uma incursão no campo da saúde, ao publicar no seu sítio Internet uma posição sobre as patentes farmacêuticas na qual reivindica outros modelos de financiamento para a investigação de novos medicamentos úteis [11]. Mas, fora isso, o que há?

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«O Partido Pirata não tem opinião definida sobre nada que não sejam as liberdades na Internet; quanto ao resto, votará com os outros partidos» [12]. Os responsáveis do Piratpartiet repetem que não terão qualquer dificuldade em aplicar esta regra, porque a clivagem direita-esquerda perdeu toda a pertinência. Como anuncia o seu sítio Internet [13], o que está em causa é tornar-se a pedra angular da maioria do Riksdag, o Parlamento sueco. Com 7% dos votos, esta estratégia oportunista pode permitir-lhe ter algum peso… se não o fizer explodir.

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domingo 14 de Junho de 2009

Notas

[1] O Tratado de Lisboa atribui à Suécia 20 lugares, mas enquanto aguarda a sua eventual ratificação, Estocolmo dispõe apenas de 18 lugares. Os dois deputados «em falta» foram apesar disso designados na votação de 7 de Junho, tendo desde já um estatuto de observador.

[2] A história do partido, bem como do sítio The Pirate Bay, é descrita por Anders Rydell e Sam Subdberg em Piraterna, Ordfront, 2009, por enquanto apenas disponível em sueco.

[3] [4] «Peer to peer»: os ficheiros são trocados entre utilizadores, sem passar por um servidor central.

[5] Assinale-se a este propósito que Jeff Moss, fundador da DefCon, uma conferência de hackers, acaba de ser nomeado pela administração de Barack Obama para o Conselho Consultivo de Segurança Interna norte-americana. «L’administration Obama fait appel à un hacker réputé pour protéger les Etats-Unis», 20minutes.fr, 8 de Junho de 2009, [http://www.20minutes.fr/article/331....->http://www.20minutes.fr/article/331....

[6] Ler a este propósito o contributo de Bernard Stiegler em Pour en finir avec la mécroissance. Quelques réflexions d’Ars industrialis, Flammarion, 2009, [http://arsindustrialis.org/publications->http://arsindustrialis.org/publications" class="spip_out">http://thepiratebay.org.

[7] Ler Philippe Aigrain, Internet & Création, InLibroVeritas, 2008. Pode ser descarregado livre e gratuitamente no endereço http://paigrain.debatpublic.net/?pa....

[8] Texto aprovado por 88% dos deputados europeus no quadro do «Pacote Telecom». Cf. Guillaume Champeau, «Bruxelles se félicite de la sacralisation de l’amendement Bono», Numerama, http://www.numerama.com/magazine/13....

[9] Claes Lonegard, «Hjärnan bakom piraterna» (O cérebro dos Piratas), Fokus, Estocolmo, 5 de Junho de 2009, http://www.fokus.se/2009/06/hjarnan....

[10] «Amelia 2.0», Lundagard (jornal estudantil), Lund, Junho de 2009, http://www.lundagard.se/2009/06/01/....

[11] Ver «An Alternative to Pharmaceutical Patents», http://www.piratpartiet.se/an_alter....

[12] Vegard Andreas Larsen, «Svenske Piratpartiet ble i gar stemt inn i EU-parlamentet» (O Partido Pirata entrou ontem no Parlamento Europeu), Hardware.no, 8 de Junho de 2009, http://www.hardware.no/artikler/pir....

[13] http://www.piratpartiet.se/internat....

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Le Monde Diplomatique

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domingo, 14 de junho de 2009

A ignorância da lei

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Estado das Coisas

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* Rui Rangel, Juiz Desembargador

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Hoje venho falar-vos de um princípio geral de Direito que está previsto na lei civil, que tem como matriz jurídico-cultural o fundamento de que a ignorância da lei não serve ou não aproveita a ninguém. Ninguém pode fazer-se valer do argumento da ignorância da lei para daí tirar proveito próprio.
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Ou seja, nenhum indivíduo se pode escusar das suas responsabilidades com base na desculpa de que não conhece a lei. Este princípio, que é percebido e assumido pelo povo e tem raízes muito antigas, desde o direito românico, começa a fazer pouco sentido e a estar em causa. Mesmo antes da lei escrita ele já pairava sobre a cabeça do indivíduo. Todavia, com a organização do Estado moderno a lei escrita passou a ser um pilar essencial para a transparência e para a publicidade da política legislativa de qualquer governo, daí a ‘obrigação’ da não ignorância da lei.

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Esta relação contratual, de compromisso por acção ou por omissão, impõe ao cidadão o dever de se manter actualizado acerca das leis que fazem parte do ordenamento jurídico e ao Estado o dever ético de fazer leis simples, de qualidade e tecnicamente bem feitas, de forma a que seja fácil e acessível o seu conhecimento.

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E é nesta partilha de responsabilidades que o princípio segundo o qual ‘a ignorância da lei não serve a ninguém’ começa a evidenciar sérios problemas que podem afectar a eficácia do edifício legislativo.O Estado não tem cumprido com a sua parte, exige o que não dá.

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As leis saem em cascata, são muitas e exageradas, são confusas, pouco pensadas e estudadas, e têm uma técnica deficiente. Legisla-se a propósito de tudo e de nada, a um ritmo alucinante, agravado agora pelas muitas directivas comunitárias. As novas tecnologias de acessibilidade informativa (acabou em papel o Diário da República), não oferecem garantias e segurança, tornando mais difícil a publicidade das leis e o seu acesso.

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Acresce que o acesso via internet é pago. O cidadão ou paga ou não tem acesso, apesar de estar obrigado a conhecer as montanhas de leis que são feitas e que mudam de repente o sentido das coisas, sendo apanhado de surpresa. Vivemos debaixo de um manto excessivamente garantístico.

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Ninguém pode acompanhar e manter--se actualizado com esta ‘diarreia’ legislativa, que num dia diz uma coisa e no outro já diz coisa diferente.

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Qualquer dia a ignorância da lei tem de aproveitar o cidadão para legitimar as justificadas insuficiências de conhecimento.

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Porque qualquer dia, somos todos ignorantes.

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in Correio da Manhã -
02 Maio 2009 - 00h30
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A internet é um direito fundamental

* Francisco Teixeira da Mota
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clicar na imagem para ler
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in Público 2009.06.13
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quarta-feira, 30 de abril de 2008

25 de Abril - 1ª página e critérios jornalísticos

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!974 Março - último Avante clandestino
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A Censura no tempo do Fascismo
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1974 Abril 25 - República
Este jornal não foi visado por qualquer Comissão de Censura
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1974 Abril 27- Diário de Lisboa
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1974 Maio 17 - Avante - 1º número não clandestino
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2008 Abril 24 - Avante
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Avante - 2008.Maio.01
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Cartoon de Zé Oliveira
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2008 Abril - Esquerda (Bloco de Esquerda)
nenhuma referência ao 25 de Abril
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2008 Abril - Acção Socialista (PS) - nenhuma referência ao 25 de Abril
1ª página não disponível para reprodução

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2008 Abril 23 - Povo Livre (PSD)
nenhuma referência ao 25 de Abril
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2008 Abril 26 - Público
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2008 Abril 25 - Diário de Notícias
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2008 Abril 26 - Diário de Notícias
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2008 Abril 25 - Jornal de Notícias
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2008 Abril 25 - Jornal de Notícias
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2008 Abril 26 - Correio da Manhã
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2006 Abril 25 - 24 horas
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2008 Abril 26 - 24 Horas

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