Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nacional Socialismo - 1933: Grande queima de livros pelos nazistas

Calendário Histórico

1933: Grande queima de livros pelos nazistas

 

No dia 10 de maio de 1933, foram queimadas em praça pública, em várias cidades da Alemanha, as obras de escritores alemães inconvenientes ao regime.

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O dia 10 de maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros ou suas cinzas se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.
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Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de estudantes.
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Albert Einstein, Stefan Zweig, Heinrich e Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das proeminências literárias alemãs perseguidas na época.
O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".
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Assim como desde a pré-história se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais da por ele tão odiada República de Weimar.
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Oportunismo e distanciamento
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A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também o exterior acompanhou a destruição distanciado, chegando a minimizar a queima como resultado do "fanatismo estudantil".
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Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe cassou o título de doutor honoris causa, ele escreveu ao reitor: "Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!"
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Também Ricarda Huch retirou-se da Academia Prussiana de Artes. Na carta ao seu presidente, em 9 de abril de 1933, a escritora criticou os ditames culturais do regime nazista: "A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar", justificou. Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras proibidas pelos nazistas. Como disse o poeta Heinrich Heine:
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"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas."
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Otto Busch
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Mais artigos sobre o tema



domingo, 17 de janeiro de 2010

Aderbal Freire-Filho: Cultura e política não vivem separadas

Cultura

Vermelho - 27 de Novembro de 2009 - 17h11

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Em e-mail enviado ao iG, o diretor teatral Aderbal Freire-Filho afirma que não percebeu as manifestações contrárias ao seu discurso de agradecimento, em nome dos 47 homenageados do prêmio Ordem do mérito Cultural 2009, realizado na noite de quarta-feira (25), no teatro Oi Casagrande, na zona Sul do Rio.

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“Vejo aqui a nossa futura presidenta, Dilma, e não tenho dúvidas de que o Brasil está bem representado”, disse o diretor na ocasião, enquanto era vaiado por parte da plateia. Na mensagem ao iG, Aderbal diz que fez uma “metáfora teatral”, mas confirma também que a frase foi uma “espontânea declaração de voto”. Leia abaixo a integra do email:
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“Cultura e política não vivem separadas. A poesia, o teatro, a música, toda a arte brasileira liderou em muitos momentos nossas mais importantes lutas políticas. Meu discurso de agradecimento foi todo sobre cultura e política, em alguns momentos um convite a reflexão sobre a arte da política, que acompanha a vida, e que, portanto, é movimento constante, pois rigidez é morte.

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Citei Cioran, falando que sem contradição o homem não pode pensar, nem viver. Em outro momento, falei da cultura, da arte - da poesia como preferi resumir todas as artes - como um poderoso instrumento de transformação. E falei da poesia como a única possibilidade de equilibrar um mundo apoiado na oferta e na procura.

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Como falava em nome de todos, exemplifiquei com a poesia de alguns, do Chico Anísio, da Natália Thimberg, do Walmor Chagas, citei palavras de outro dos que eu representava, Mia Couto.
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Quando fiz uma métafora teatral, citando o ator Lula, no papel de Presidente da República, o ator Juca Ferreira no papel de Ministro da Cultura, para dizer que não estava na Dinamarca, de Hamlet, mas no Brasil, bem representado, fiz uma espontânea declaração de voto. Falar em nome de todos é impossível (terminei assim meu discurso), o discurso não pretendia ser partidário, apesar de ser inevitavelmente político.

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Tentei, com a razão, ser equilibrado. Com o coração, fui incendiado, incendiário. Meu discurso foi muito aplaudido, várias vezes, nem ouvi as vaias de que você fala, devem ter sido tímidas. Pelo menos dois dos premiados (tenho a impressão de que muitos mais), se sentiram bem representados quando meu coração me ganhou, Noca da Portela e Gerson King Combo. Me honra muito essa companhia. Mas eu entenderia se o discurso todo fosse vaiado. Não sou dono de nenhuma verdade, tenho opiniões. Alguns concordam com elas, outros discordam delas.
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Abraço.

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Aderbal”
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Uma década de (nova) cultura

Já no século XVI, Luís de Camões sabia que "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Os seus versos mantêm a actualidade do aforismo no virar do milénio. Assim aconteceu nas letras, no cinema e nas artes. Clique para visitar o canal Life  Style.

Alexandra Carita
20:56 Sábado, 9 de Jan de 2010



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FOTO 1- Portugal na rota das artes
A periferia da Europa já não rima com Portugal. Pelo menos no que diz respeito ao circuito artístico. A aproximação ao centro europeu e, por conseguinte, mundial, foi feito através da música em primeiro lugar. As grandes bandas internacionais passaram a incluir o país na rota das suas digressões e atrás delas veio todo o tipo de agrupamentos musicais, do jazz à música experimental, da world music às grandes produções clássicas. Os festivais de Verão e a Festa da Música (CCB) deram uma ajuda significativa para olear a máquina, que se estendeu depois às artes plásticas e performativas. Instituições como Serralves, CCB, Culturgest e Gulbenkian receberam e co-produziram algumas das mostras e espectáculos que mais deram que falar no universo artístico do mundo ocidental. Frida Kahlo e Robert Rauchenberg rivalizaram com Madonna e Amy Winehouse. (na foto)
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Cultura é Economia O século XXI atribuiu à Cultura um outro significado. O termo, para além de continuar a agregar em si todo o conjunto de capacidades artísticas nos seus diversos domínios, o pensamento intelectual, o desenvolvimento do conhecimento em geral e o somatório dos costumes, tradições e da herança social de cada comunidade, passou a integrar-se no contexto da Economia. A Cultura é hoje mais do que um conceito, é um factor económico para o qual cada país olha com toda a atenção na perspectiva da obtenção de proveitos financeiros. É assim que surge o turismo cultural. É desta forma que a publicidade agarra os mais altos valores culturais e os alia às mais diversas entidades e marcas. E é assim que a Cultura passa a ser, ela própria, uma marca, um filão económico e um produto que se propõe exportar valores e importar divisas. Este novo conceito tem vindo a ser desenvolvido no seio de entidades como a UNESCO, e, dentro do contexto europeu, da própria UE, testado e posto em prática por cada Governo dos 27. A aposta de Portugal consolida-se numa estratégia de divulgação do património e em iniciativas do Ministério da Economia, com a tutela do Turismo de Portugal, como a criação do Allgarve e projectos semelhantes.
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FOTO 2 - Cinema digital/3D Os dias da película já passaram. O século XXI inaugurou a era do digital e anunciou o advento do 3D. Isso mesmo. Ir ao cinema é coabitar com os actores e os cenários em que se movem na mesmíssima sala. Lado a lado, tu cá, tu lá. "U2 3D", de Catherine Owens e Mark Pellington, estreado em 2008, é a mais avançada prova das potencialidades que um filme de acção ao vivo, filmado, produzido, e exibido exclusivamente com tecnologia 3D, pode alcançar. O ecrã deixa praticamente de existir e o público/plateia passa a situar-se no meio da acção, vendo-a como real e como se dela participasse. Do lado oposto, sobram, salvo seja, os grandes filmes de culto, de velhos (embora, Coppola tenha afirmado recentemente que também vai aderir ao 3D) e novos realizadores. Cada vez mais fora do baralho estão os chamados "blockbusters".
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FOTO 3 - Espectáculos para bebés Os espectáculos infantis sempre existiram, mas os agentes culturais portugueses olhavam-nos de forma tímida. As suas apresentações eram pouco expressivas e a qualidade deixava bastante a desejar. Com a criação do Centro de Pedagogia e Animação do CCB, em Lisboa, nos já idos anos 90, eles passaram a ser encarados como instrumento essencial para a formação das crianças. O empurrão foi tão eficaz que até os bebés se tornaram num público alvo respeitado ao mais alto nível. Concertos, espectáculos de teatro, ateliês sensoriais, oficinas de artes plásticas, workshops de movimento são hoje oferta corrente e comum em todos os serviços educativos dos principais espaços culturais de Norte a Sul do país. Ganharam as crianças e os pais e os artistas.
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FOTO 4 - Lixo editorial Nunca se publicou tanto como nesta década. Quinze mil livros por ano, 40 por dia, são os números portugueses. Mas nunca se leu tanta "literatura de cordel", chamemos-lhe assim. O fenómeno não é português, esclareça-se. Portugal segue à risca a produção editorial internacional em termos quantitativos e qualitativos. Esta evolução do mercado centra-se na mutação da figura do escritor, a quem se deixou de exigir qualquer tipo de créditos literários para se lhe impor antes créditos de popularidade, por um lado - quanto mais conhecido do público for o autor, mais o livro que escrever vai vender (destaque para as estrelas televisivas no caso português). Por outro, prende-se a mudança com a rotatividade acelerada das publicações no mercado livreiro, que por sua vez se associam ao verdadeiro negócio em que o livro se tornou, com lucros a dividir por editoras, distribuidoras, livrarias de grandes superfícies e livreiros. De fora ficam os "antigos" escritores. Deste negócio, só os "novos" escritores, autores de best-sellers nacionais e internacionais, tiram dividendos.
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Rede cine-teatros O país deixou definitivamente de ser Lisboa e arredores em matéria de oferta cultural. A rede de Teatros e Cine-teatros, construída no âmbito do POC (Plano Operacional da Cultura), numa parceria entre os poderes central e autárquico, permitiu que os espectáculos de todas as disciplinas performativas (teatro, dança, música) viajassem pelo interior, que o cinema voltasse a muitas capitais de distrito, e que muitas exposições se tornassem itinerantes. O resultado vê-se no aumento da produção artística nacional à mesma proporção do aumento da procura cultural. E está espelhado em cada festival, por mais pequeno que seja, que cada concelho passou a programar.
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O boom da fotografia Com as obras dos grandes nomes das artes plásticas já esgotadas nas mais importantes colecções privadas, e as poucas que sobram a preços proibitivos, a fotografia tornou-se, nesta década, um fruto cada vez mais cobiçado. O boom da arte fotográfica, no entanto, prende-se também com a proximidade do público em geral com a tecnologia digital. Fotografar passou a ser acessível a toda a gente desde o aparecimento da tecnologia digital. Há máquinas para todos os gostos e bolsas, de todas as formas e feitios. Fotografa-se de câmara em punho, de telemóvel no ar e já nem é preciso esperar para ver o resultado. Se não ficou bem, apaga-se e fotografa-se outra vez. A mediatização de prémios e concursos de fotografia, como o internacional World Press Photo ou o português BESPhoto, contribuíram ainda mais para atrair o público pela fotografia.
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FOTO 5 - Downloads Para ouvir um álbum ou um tema que seja de qualquer intérprete ou agrupamento musical já não é preciso comprar um disco. Basta ir à Internet e fazer o download. Descarregar CD inteiros, músicas avulso para as ouvir, gravar e voltar a ouvir está à distância de um clique, a preço zero e acessível a todos. A indústria discográfica entrou em queda livre e explodiu a guerra dos direitos de autor. A ilegalidade ou legalidade dos downloads, que têm como consequência a perda de milhares de royalties para os artistas, é tema central em todos os parlamentos. As leis não são cumpridas e muitos músicos passaram a optar por disponibilizar nos seus sites oficiais registos gratuitos. Os concertos e espectáculos passaram a ser maior fonte de rendimento e os preços subiram vertiginosamente, ao mesmo tempo que as edições que se vendem no mercado são cada vez mais luxuosas. O objectivo é atrair o público especializado, os fãs incondicionais e os coleccionadores. Caricato é que, a salvar as editoras estão os toques de telemóvel com os temas mais populares dos grandes nomes da música. Esses sim, ainda pagos.
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FOTO 6 - Reinventar o museu O museu do século XXI deixou de ser uma casa fechada onde as paredes exibem obras de arte. A revolução chegou com as novas tecnologias multimédia, mas sobretudo com a noção de que a arte é um bem vivo. A nova norma vigente assenta na criação de museus que interajam com o público, que não sejam estanques e que atraiam a atenção do visitante várias vezes ao ano. Isto traduz-se por diferentes percursos expositivos da mesma colecção, pela existência de espaços de exposições temporárias e pela apresentação de actividades de várias índoles (lúdicas, musicais, formativas...) dentro do museu. Em simultâneo, a mais-valia que o espaço museológico passou a representar permitiu a sua multiplicação. Projectos arquitectónicos assinados pelos grandes mestres ajudaram a colocar cidades como Bilbao no mapa (Guggenheim, de Frank Gehry) foi o primeiro passo. Os outros percorreram o mundo. Portugal fez o Museu de Serralves no virar do milénio, Souto Moura renovou o Grão Vasco, em Viseu, em 2004, Paulo David "inventou" a Casa das Mudas, na Madeira, na mesma altura, o CCB albergou o Museu Berardo, em 2007, a ampliação do Museu do Chiado já está aprovada, O Museu do Design e da Moda inaugurou este ano na Rua Augusta, e espera-se a criação do Museu da Língua.
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FADO Amália, nos idos anos 60, tinha conseguido que o mundo conhecesse uma "estranha forma de música". O fado correu os cinco continentes e ganhou fama. Esmoreceu depois, ficou quase esquecido. Só no século XXI, o fado voltou à ribalta. O seu público cresceu exponencialmente. Portugal voltou a ouvi-lo, mais do que nunca (os discos de fado são os que mais vendem dentro da categoria de música portuguesa), Lisboa ofereceu-lhe um museu e o mundo presta-lhe homenagem, não só com plateias esgotadas e rendidas, mas também através de nomeações para os mais prestigiados prémios musicais (Grammy Awards). O cinema dedica-lhe filmes inteiros ("Fado", de Carlos Saura), chama-o para as suas bandas sonoras. As novas vozes que o levaram em braços foram muitas. Mariza, Camané, Ana Moura, Mísia, Joana Amendoeira, Mafalda Arnauth, Cristina Branco... O trabalho mais duro, feito nos quarenta anos que marcam este interregno, tem a assinatura de Carlos do Carmo. E tem também a persistência de um conhecimento raro passado a todas as gerações por Rui Vieira Nery.
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(Texto publicado na Revista Única do Expresso de 31 de Dezembro de 2009)
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6 comentários
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Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 21:54 | Sábado, 9
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Um dos grandes problemas que a Cultura tem hoje é a dificuldade cada vez maior em distinguir objectos verdadeiramente culturais, de objectos que apenas o parecem ser ou, sobretudo, de objectos que se dizem culturais mas, de facto, não passam de lixo. O livro é o exemplo que tenho em mente. É que a transformação do livro, e da cultura, num negócio, hoje publica-se de tudo... desde que se almeje algum lucro no fim. Mas, de facto, 70-90% do que se publica (minha estimativa) não o merece ser e não é mais do que um atentado ecológico e isso num duplo sentido: pelos recursos que se esbanjam e, sobretudo, pelas mentes que se deturpam, confundem ou até, quem sabe, mesmo destrói. E ainda mais um aspecto acerca do Livro, sobretudo em Portugal: dado que o que as pessoas mais compram é lixo, as editoras produzem cada vez mais lixo; os distribuidores distribuem cada vez mais esse lixo e, consequentemente, cada vez menos ou nada do que realmente valeria a pena ler, do que realmente poderia trazer alguma coisa ao mundo cultural das pessoas. Para além de que hoje, em Portugal, entregar um livro sério a um Distribuidor é o mesmo que cometer haraquiri: é que distribuidores que, mesmo vendendo, não pagam, em Portugal, parecem ser a regra e não a excepção. O dicionário tem um nome técnico para casos assim, mas eu não tenho dicionário à mão e, por isso, deixo o nome para depois. Mas uma coisa é certa: quando a cultura se faz apenas negócio, o negócio de cultura passa a ter cada vez menos.
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Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 16:22 | Segunda-feira, 11
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Não se questiona o facto do mercado de produção cultural se estar a massificar, depois de algumas décadas em que se assistiu à massificação ao nível do consumo. Não se questiona a inundação de produtos culturais pouco rigorosos, pouco coerentes e muito pouco exigentes.
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Mas, quer se queira quer não, faz parte da lógica da produção e da reprodução culturais a necessidade de um mercado activo que distinga o trigo do joio, que separe o belo, o excelso e o sublime do feio, do grotesco e do repugnante.
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Assim, por exemplo, quando se editam discos com o Papa João Paulo II a tentar cantar o angelus ou com o Papa Bento XVI a cantarolar umas coisas em latim, está-se a produzir cultura ou lixo?

Prrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
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Penalty!!!! Golo!!!!
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Ui, ui! Que tenho de regrassar ao meu campo e vou ter de passar por jogadores que não gostam de sofrer golo! Será que chego lá sem levar umas valentes caneladas?
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Marta Marques (seguir utilizador), 1 ponto , 19:38 | Domingo, 10
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Falta melhor gestão e uma cuidada atenção à cultura de qualidade (apesar de isto ser bastante relativo).
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No entanto, a diferença mais evidente em relação a países onde a cultura prolifera (como USA ou Inglaterra) é o mecenas. Portugal depende em tudo do Estado e tem poucas empresas ou particulares que se empenhem na cultura nacional, o que a longo prazo iria dar muitos frutos a todos os níveis. Afinal a cultura é a base de uma boa formação e de um bom profissional seja qual for a sua área.
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Devo dizer que sinto particular falta de uma indústria cinematográfica que apoie filmes que interessem aos portugueses. E não depender sempre do Estado para fazer um filme para o umbigo do realizador ou um filme que quer ser igual ao de um "Tarantino", mas sem meios humanos e técnicos para o fazer. O cinema é uma máquina importante da cultura de um país e basta-nos olhar para a recente indústria do cinema espanhol, inglês, francês, alemão ou italiano.
Devo dizer que senti falta de uma menção à Casa da Música que trouxe (para além de Serralves e do TNSJoão) uma nova cultura de qualidade ao Porto e todo o norte de Portugal, com bons preços, que pensa na juventude, na modernidade sem esquecer o passado e dá a Portugal uma fantástica ONP, uma maravilhosa Orquestra Barroca, uma visão de futuro com o Remix Ensemble e o primeiro coro profissional do norte. Assim como une o erudito, ao jazz, ao fado, ao rock e à música electrónica! É uma visão contemporânea do que deve ser a música do séc. XXI!
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DW CULT Edição de novembro de 2009


Esta é mais uma edição da DW CULT, a newsletter da Deutsche Welle que reúne, a cada mês, uma seleção de artigos recentes sobre artes, cinema, literatura, música, arquitetura e teatro.



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MORRE CLAUDE LÉVI-STRAUSS

Um dos intelectuais mais importantes do século 20, o pensador se tornou famoso com o livro "Tristes Trópicos", no qual apresenta um minucioso estudo do comportamento social dos indígenas brasileiros.



"Brasil é a experiência mais importante da minha vida", dizia Lévi-Strauss. O contato com os índios do Amazonas e Centro-Oeste foi o ponto de partida para o francês descobrir sua vocação para a etnologia e a antropologia. Na década de 30, ele foi praticamente um dos fundadores da Universidade de São Paulo.




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MÚSICA

Autoridades alemãs proíbem a venda para menores do novo disco do Rammstein, assim como a execução de uma faixa e a propaganda comercial do álbum por incentivar o sexo desprotegido. Banda critica "visão pequeno-burguesa da arte".


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MÍDIA E INTERNET

O disputado mercado jornalístico ficou mais interessante com o lançamento do "Niiu", um jornal feito sob encomenda em Berlim. O novo formato espera resistir ao crescente domínio do jornalismo online.


Secreto, altamente confidencial. Essa classificação de documentos costuma ser usada para esconder corrupção. Na plataforma da web Wikileaks, tais documentos são revelados ao público.


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LITERATURA


Friedrich Schiller: nos 250 anos de seu nascimento, o autor de "Don Carlos" e da "Ode à Alegria" não é mais o herói nacional de antes. Mas a integridade de seu espírito libertário o preservou até contra a propaganda nacional-socialista.


"Parece até uma história de Kafka", diz uma das herdeiras dos manuscritos do escritor tcheco. As autoridades israelenses reivindicam o espólio que herdeiras pensam em destinar ao Arquivo Alemão de Literatura em Marbach.


Há 80 anos morria Aby M. Warburg. Sua Biblioteca de Ciências da Cultura é considerada até hoje uma das mais importantes da Europa. Nela pesquisaram cientistas como Albert Einstein, Erwin Panofsky e Ernst Cassirer.


Pensador perspicaz e observador íntegro de seu tempo, o poeta, ensaísta e escritor Hans Magnus Enzensberger, um dos poucos intelectuais alemães contemporâneos de renome internacional, chega aos 80 anos.


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MODA

Wolfgang Joop é, ao lado de Jil Sander e Karl Lagerfeld, um dos mais famosos estilistas alemães da atualidade. O "menino prodígio" completa 65 anos em paz com a idade e lançando uma autobiografia de 5 quilos.


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CINEMA

O documentário em 3D "Pina", no qual o cineasta Wim Wenders aborda o legado da coreógrafa alemã Pina Bausch, será lançado na Alemanha em 2011. Produção vai custar três milhões de euros.


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ARTE E ARQUITETURA

As antigas embaixadas em Bonn são uma atração turística à parte. Cerca de 6 mil diplomatas trabalharam e moraram no bairro nobre de Bad Godesberg. Mas nem todos se mudaram imediatamente para a nova capital Berlim em 1999. A última embaixada acaba de fechar e agora vêm os turistas.


Em entrevista exclusiva à Deutsche Welle, renomado diretor norte-americano David Lynch, que iniciou sua carreira como artista plástico, fala sobre a primeira mostra de suas obras no Museu Max Ernst em Brühl.


Esposa do artista plástico Christo, a artista Jeanne-Claude faleceu aos 74 anos em Nova York. Casal é conhecido mundialmente por megainstalações ao ar livre, como o projeto no Central Park de Nova York ou o "empacotamento" do Reichstag em Berlim.


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TEATRO

Nunca o trágico esteve tão próximo ao cômico como nas peças de Gardi Hutter, atriz suíça considerada a palhaça número 1 do mundo. Em entrevista à Deutsche Welle, Hutter falou sobre o novo espetáculo que leva ao Brasil.


Mestre do Teatro do Absurdo, Eugène Ionesco faria 100 anos em 26 de novembro. Quinze anos após sua morte, ele ainda é de longe o dramaturgo francês mais apreciado e suas peças estão entre os clássicos do gênero.


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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Roubo ou arte? A obra alheia continua a inspirar artistas

Rádio Renascença
Inserido em 23-11-2009 17:27
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A bandeira dos EUA, transformada pela Adbusters. Foto: Adbusters
À margem das grandes editoras, vários músicos fazem da apropriação de sons criados por outros artistas parte fundamental da sua estética - por pura diversão, como Girl Talk, ou como forma de protesto político. Outros artistas de diferentes áreas pegam nos símbolos da sociedade para a questionar.

Um músico arrisca-se a um processo judicial se utilizar um pedaço de uma canção de autoria alheia numa obra sua sem autorização dos detentores dos direitos de autor da obra. E se esse pedaço alheio fosse registado num espaço público (uma feira popular ou numa rua agitada) no meio do barulho ambiente? As leis dos direitos de autor ainda se aplicariam? Foi com base em perguntas como esta que o músico alemão Jan Jelinek fez “Circulations”, o primeiro objecto da sua Gesellschaft  zur Emanzipation des Samples (Sociedade para a Emancipação do Sampling), conhecida pela abreviatura GES.
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Jelinek pôs a tocar gravações de artistas como Rolling Stones, Beatles, Springsteen, Ian Dury e The Pretenders em contextos públicos. A própria gravação é já um acto artístico, dado que a canção original degrada-se e ganha novos significados quando posta em confronto com o meio envolvente. Mais tarde, Jelinek processou as gravações. Roubo, dirão os mais zelosos; arte, dirão muitos outros, sobretudo os mais atentos à história do sampling (uso de sons de autoria alheia em contexto artístico).
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“Não tenho nada contra a ideia de direitos de autor”, avisa o músico à Renascença. “Pelo contrário: penso que os direitos de autor são importantes, desde que não funcionem de uma forma repressiva”.
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Segundo Jelinek, cerca de 90% das disputas judiciais relacionadas com direitos de autor acabam com um acordo entre as partes. Ou seja: o que assusta os artistas são os custos de manter um processo em tribunal. A GES é uma associação informal criada para apoiar financeiramente os músicos que forem intimados pela justiça.
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Jelinek não está sozinho na luta por um entendimento menos restritivo da lei dos direitos de autor. A ideia de apropriação como técnica artística tem já uma longa tradição na arte (basta lembrar o que Marcel Duchamp fez, em 1917, com um urinol, chamando-lhe “Fonte”), mas ainda não é pacífica na indústria fonográfica.
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Em 2004, Danger Mouse misturou “The Black Album” do rapper Jay-Z com o “álbum branco” dos Beatles e fez “The Grey Album”. A EMI, detentora dos direitos de autor dos Beatles, conseguir impedir a sua distribuição comercial (Danger Mouse desistiu de o fazer voluntariamente), mas surgiu um movimento na Internet para distribuir o disco na rede de forma gratuita.
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Para Steev Hise, que já fez álbuns baseados em material de outros autores, este tipo de acções populares são a forma mais eficaz de luta contra as ameaças judiciais. Hise acredita que a Internet vai tornar os direitos de autor “irrelevantes”, a não ser que as grandes empresas ganhem um maior controlo sobre a rede. E basta “passear” pelo YouTube para encontrar um número infindável de remisturas, telediscos e cruzamentos hilariantes (como Kanye West a interromper um discurso de Obama ou vídeos de virtuosos da guitarra eléctrica a que foi retirado o som original e substituído por interpretações embaraçosas).
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Esta cultura de remistura que a Internet banalizou é gerada por um “exército” de amadores, interessado apenas na diversão. Philo T. Farnsworth, responsável pela editora Illegal Art (especializada em música baseada em samples), acredita que os velhos modelos devem desaparecer “quando a ‘geração download’ liderar [a indústria fonográfica]”. “A Internet está a mudar tudo. O resto da sociedade acabará por acompanhá-la”, diz.
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Manipular os símbolos
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O uso de material protegido por direitos de autor é, há muito tempo, um acto político. Já nos anos 1960, situacionistas como Guy Débord louvavam o “detournement”, a utilização de uma imagem, mensagem ou artefacto já existente para criar um novo sentido.
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É esse o princípio do culture jamming, termo cunhado em 1984 pelos Negativland, músicos que fazem crítica social através da colagem e da citação de material alheio. Um exemplo: em parceria com a banda pop anarquista Chumbawamba, os Negativland puseram os Teletubbies a dar aulas básicas de anarquismo (no disco “ABCs of Anarchism”, lançado em 1999)
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A revista Adbusters, fundada em 1989, é um dos veículos deste tipo de expressão. “Culture jamming" é, basicamente, pegar num anúncio, um cartaz, qualquer coisa, e alterar completamente a sua mensagem. Dessa forma, pode-se fazer as pessoas pensar sobre todos os anúncios que lhes são impostos e a mensagem que trazem”, explica Lauren Bercovitch, da Adbusters.

Entre as acções da Adbusters estão "sapatos éticos" que imitam modelos famosos detidos por grandes marcas e a afixação de um cartaz “publicitário” em Nova Iorque com a bandeira dos Estados Unidos, em que as estrelas são substituídas pelos logótipos de marcas como a Nike.
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Nos trabalhos sonoros de Steev Hise está muito presente esta crítica da sociedade pela subversão dos seus símbolos. ”Sempre vi o sampling como aikido ou jujitsu [artes marciais] artístico, pondo a força do inimigo contra ele”, diz.
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O site que Hise mantém chama-se Detritus, uma referência ao “lixo” cultural produzido pelo capitalismo pós-industrial. Nele encontramos artistas como o norte-americano Mark Napier, que transformou a Barbie digitalmente para fúria da Mattel. O fabricante de brinquedos também não achou muita graça às fotografias de Tom Forsythe, que põem a Barbie em contextos muito diferentes daqueles que costumam ser associados à boneca.
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“A arte é uma ferramenta para ser usada (como o trabalho, a acção directa, o debate, etc.). Estes símbolos estão no domínio público e, com algum cuidado, podem ser manipulados. O maior problema são as leis de direitos de autor, o que torna divertido jogar com elas”, diz Boff Whalley, membro dos Chumbawamba
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A música nas mãos dos advogados
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Há nove anos, os Chumbawamba lançaram uma versão de uma canção sua, “Pass It Along”, com samples de artistas como os Metallica, os Beatles e Elvis Presley - uma forma de criticar o discurso anti-pirataria de parte da indústria musical.
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Não tiveram problemas legais, já que puseram a canção a circular livremente na Internet. “A partir do momento em que se faz algo disponível comercialmente, ou fixado num objecto físico, há problemas. O que é ridículo e mostra o quão antiquada esta indústria é”, diz Boff.
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Para a indústria discográfica, o licenciamento de samples tornou-se uma fonte de receitas. O hip-hop, por exemplo, recorre muito a esta técnica. A diferença entre um artista como Kanye West, que utiliza a parte instrumental de “Move On Up” de Curtis Mayfield em “Touch The Sky”, e artistas como Steev Hise ou Girl Talk é que os últimos não têm condições financeiras (nem interesse) para pedir autorizações. No caso de Girl Talk, cujos discos recorrem a centenas de samples, seria até virtualmente impossível.

“A música está na mão dos advogados. O que poderia ser pior?”, atira Boff. “O sampling foi transformado em algo fora da lei. É cada vez mais difícil ‘samplar’ algo. Houve um tempo em que baseávamos o nosso som em samples e batidas roubadas. Isso já não pode acontecer porque as editoras e os advogados entraram no processo”.
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Pedro Rios

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domingo, 2 de agosto de 2009

"Canção dos Nibelungos" é declarada patrimônio da humanidade


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A epopéia medieval anônima inspirou artistas durante séculos – entre os quais o compositor Richard Wagner e o cineasta Fritz Lang – e agora passa a pertencer ao catálogo do patrimônio documental da humanidade.

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A Canção dos Nibelungos passa a fazer parte do patrimônio documental da humanidade. Isso foi o que decidiu esta semana o comitê internacional do programa Memory of the World (Memória do Mundo), segundo informações da representação da Unesco em Bonn.
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Este é o oitavo registro histórico e cultural da Alemanha a constar da lista do órgão das Nações Unidas. A meta do programa criado pela Unesco em 1992 é registrar em mídia digital testemunhos-chave da memória da humanidade e torná-los acessíveis através da internet.
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Amor e guerra, com fundo histórico
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Encenação do 'Anel do Nibelungo: Siegfried', de Wagner, no Festival de Bayreuth de 2007
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A Canção dos Nibelungos é um notável exemplar da épica européia, comparável às epopeias de Homero na Grécia antiga, comentou o comitê. Esse poema heróico medieval narra o amor do subjugador de dragões Siegfried à princesa burgúndia Kriemhild, a morte de Siegfried por Hagen e a vingança de Kriemhild com auxílio do rei dos hunos, Etzel, causa do declínio do Reino da Burgúndia.

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A Canção do Nibelungos foi escrita em torno de 1200 por um poeta hoje desconhecido, por encomenda do então bispo de Passau, Wolfger von Erla. A saga consiste de 2.400 estrofes. O fundo histórico da epopeia é a vitória dos hunos sobre os burgúndios no ano de 436.
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Os três mais importantes e mais completos manuscritos do poema estão guardados na Biblioteca Estatal da Baviera, em Munique, na Biblioteca Estadual de Baden, em Karlsruhe, e na biblioteca do Mosteiro de Sankt Gallen, na Suíça. O chamado Manuscrito C, conservado em Karlsruhe e considerado o mais antigo registro da Canção dos Nibelungos, data do século 13.
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Séculos de inspiração épica
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Esse poema heróico escrito em alto alemão médio caiu em esquecimento no século 16 e só voltou a ser objeto de apreciação cultural a partir de 1755, com a redescoberta de um de seus manuscritos na região austríaca de Vorarlberg.
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Cartão postal com a cena de Siegfried contra o dragão, de 'Os Nibelungos', dirigido por Fritz Lang em 1922/24
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No século 19, o poema adquiriu grande importância como epopéia nacional. Richard Wagner transformou a saga em ópera, compondo a tetralogia O Anel do Nibelungo. O texto também inspirou inúmeras adaptações para o cinema, inclusive o filme mudo Os Nibelungos, rodado pelo diretor Fritz Lang entre 1922 e 1924.
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Do códice asteca ao Solidarnosc
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Entre os testemunhos culturais eleitos para fazer parte do catálogo Memory of the World estão valiosos livros, manuscritos, partituras, imagens, filmes e documentos sonoros de todo o mundo.
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A lista inclui, por exemplo, as 21 teses do movimento sindical polonês Solidarnosc, os arquivos coloniais de Benin, do Senegal e da Tanzânia, o códice asteca no México e os arquivos do Gueto de Varsóvia, entre outros.

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As contribuições alemãs para o catálogo da Unesco são a Bíblia de Gutenberg conservada em Göttingen; o arquivo fonográfico da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, com importantes registros sonoros de interesse etnológico; o espólio literário de Johann Wolfgang von Goethe; a 9ª Sinfonia de Beethoven; o filme mudo Metrópolis (1927), de Fritz Lang; o chamado Codex Egberti, um evangelho manufaturado na Ilha de Reichenau, no Lago de Constança, entre 980-993, e dedicado ao arcebispo Egbert de Trier.
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SL/kna/ap
Revisão: Augusto Valente
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terça-feira, 30 de junho de 2009

Fundação Saramago - 2º aniversário

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A Fundação fez ontem dois anos. Como é costume dizer-se, parece que o tempo não passou (...)

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continua em



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domingo, 24 de maio de 2009

Museu Ilha Hombroich. - Artistas entre ilhas desertas e bunkers

Cidades & Roteiros | 23.05.2009


A utopia da integração entre natureza e arte, realizada na Baixa Renânia por um especulador imobiliário na década de 1980, foi ampliada com um museu do arquiteto japonês Tadao Ando. Um trajeto pelo Museu Ilha Hombroich.

O inusitado já começa pelo nome: Museu Ilha Hombroich. Mas de ilha este singular complexo de arte e natureza em meio à Renânia não tem nada – pelo menos geograficamente. Em 1983, o especulador imobiliário, colecionador e mecenas Karl-Heinrich Müller comprou uma área de 72 hectares nas imediações de Neuss, a oeste de Düsseldorf, e ali criou não apenas espaços de exposição para suas coleções de arte –

Exposição permanente: tríptico de Gotthard Graubner, artista residente em Hombroich, e diversas esculturas do Império Khmer

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Exposição permanente: tríptico de Gotthard Graubner, artista residente em Hombroich, e diversas esculturas do Império Khmerg


Gravuras e desenhos de Dürer a Klimt, arte oriental e africana, além de uma seleção bastante individual das vanguardas modernistas até a arte contemporânea –, mas também espaço de atuação para artistas convidados a residir na "ilha".


Espaço de dentro e de fora


Visitar Hombroich – 70 mil pessoas o fazem todo ano – significa descobrir possíveis formas de integração entre arte e natureza, mesmo que seja uma natureza já "domada" pela civilização e pelos artistas. Os edifícios cravados na paisagem, em grande maioria projetados pelo escultor e desenhista Erwin Heerich (1922–2004), são esculturas percorríveis, permeáveis ao espaço exterior e em diálogo com o que abrigam. Na "Torre", por exemplo, uma construção quadrada, vazia, com portas para os quatro pontos cardeais, o objeto de exposição é a luz e o próprio transeunte.

Em seu percurso, o visitante atravessa pontes em meio à região pantanosa, cruza jardins entremeados por esculturas – sejam obras dos "insulanos" de Hombroich ou estátuas do século 12 ou 13 originárias do Império Khmer –, abrindo os olhos para o quanto a natureza tem de artificial e a arte, de natural.


O projeto insular de Hombroich é mais que um museu ao ar livre e menos que uma residência de artistas, embora haja pontos de contato. Nas tradicionais colônias de artistas, que começaram a ser criadas na Europa em reação à crescente industrialização, a idéia era se manter próximo da natureza, sem perder o contato com o ambiente de criação artística.


Nem tanto uma "colônia de artistas"


Mathildenhöhe, Darmstadt: vista sobre a colônia de artistas, com capela russa (dir.) e a chamada Torre do Casamento (esq.)

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Mathildenhöhe, Darmstadt: vista sobre a colônia de artistas, com capela russa (dir.) e a chamada Torre do Casamento (esq.)


Um exemplo clássico disso é a colônia art nouveau na Mathildenhöhe de Darmstadt, construída em 1899 e habitada até o início da Primeira Guerra. Foi lá, no alto de uma colina sobre a cidade, que artistas e arquitetos como Joseph M. Olbrich e Peter Behrens criaram sua torre de marfim coletiva, um verdadeiro manifesto art nouveau e art déco sobre a cidade. O traçado da colônia geralmente corresponde a uma utopia de convivência e socialização criada pelos artistas e materializada através de suas obras de arte. Nenhuma separação entre vida e arte.


Com o desenvolvimento do turismo, as colônias também se tornaram um negócio lucrativo, rompendo a reclusão dos artistas e transformando-os em peças de exposição para visitantes interessados e curiosos. Este é o caso de Worpswede, por exemplo, uma vila no norte da Alemanha conhecida por seu ambiente idílico e artesanato típico.


Hombroich está longe disso. Os artistas lá instalados não formam nenhuma "confraria", simplesmente dividem o mesmo ambiente de trabalho. Eventos e encontros com convidados de fora possibilitam uma troca maior. "Arte paralela à natureza": este era o lema do fundador. E artistas paralelos.


Entre ermidas e bunkers



Vidro entre trincheiras: museu projetado por Tadao Ando

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Vidro entre trincheiras: museu projetado por Tadao Ando


Por mais que a paisagem natural seja essencial na concepção de Müller, ele não hesitou em ampliar sua ilha, em 1994, através da compra de uma antiga estação de mísseis da Otan. Esta paisagem pós-industrial, separada da ilha por uma estrada e um campo de plantio, também é habitada por artistas, alguns dos quais preferiram a solidão de um bunker à dispersão da cidade grande.


Justamente nas imediações da estação de mísseis, cujos edifícios originais foram em parte mantidos, se situa o museu projetado pelo arquiteto japonês Tadao Ando.


Os iniciadores do projeto foram o casal Viktor e Marianne Langen, cuja coleção de 500 peças de arte japonesa desde a Idade Média e 300 obras de arte moderna e contemporânea pode ser apreciada em exposições temporárias entre as paredes de concreto e vidro de Ando. A primeira mostra, intitulada Imagens do Silêncio, expôs rolos caligráficos japoneses, da Idade Média ao século 18, e uma série de highlights de Cézanne a Rothko, de Schiele a Tàpies.


Oásis japonês na planície


Visto de fora, o museu de Tadao Ando, uma de suas poucas construções na Europa, leva em consideração, em sua discreta elevação em relação ao solo, a paisagem das planícies renanas. Aproveitando o entorno da estação de mísseis, Ando situou o edifício de vidro entre trincheiras, impedindo que a construção ficasse perdida no descampado.

Museu Fundação Langen, Hombroich

Bildunterschrift: Museu Fundação Langen, Hombroich

O museu do arquiteto japonês dialoga com a arquitetura dos arredores, com seus bunkers e estufas, desdobrando-se – sob o discreto e reduzido abrigo de vidro – em amplas salas de concreto subterrâneas, arejadas e iluminadas pelas frestas e escadas íngremes que as ligam à superfície.


A idéia da ilha se faz presente no caminho de entrada, a ser percorrido sob um portal semicircular através de uma passarela sobre um espelho de água. Uma arquitetura que, mais que todo o projeto Hombroich, vive da intensa interação de arte e natureza.

Simone de Mello

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