Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 11 de março de 2012

Mergulho no arquivo do homem que gravou música para explicar o mundo


Jukebox Global 









Alan Lomax
Alan Lomax (Foto: Corbis)





10.03.2012 - 19:58 Por Mário Lopes

 Na década de 30, Alan Lomax começou uma Jukebox Global. Dez anos depois da sua morte, ela é uma realidade: 17 mil ficheiros áudio disponíveis gratuitamenteonline. Uma viagem a um mundo desaparecido.

É uma viagem a outro mundo. Os blues de Howlin' Wolf ou Son House. A luxúria rítmica das Caraíbas. Os melismas marroquinos e o sol que emana dos cantores italianos. A História está perante nós: programas de rádio, entrevistas de rua, fotos de cantores, bailarinos e suas comunidades. Alan Lomax é uma figura fundamental para o estudo da música do mundo e, dez anos depois da sua morte, em 2002, aos 87 anos, os seus arquivos estão agora online.


O sonho a que chamava Jukebox Global tem 17 mil ficheiros áudio gratuitos no site da Cultural Equity, gerida pela filha, Anna. Já todos ouvimos parte deles, mesmo que não na forma original: foi em samples ali recolhidos que Moby baseou o seu álbum mais conhecido,PlayAgora, está tudo na net, em  culturalequity.org/ .



Em 1933, quando partiu para o Sul americano com o pai, John Lomax, musicólogo e folclorista, para registar as músicas tradicionais do seu país, Alan era um jovem idealista que interrompera os estudos para documentar para a Biblioteca do Congresso uma cultura desconsiderada. Por força do seu trabalho - e do de nomes como Harry Smith ou Moses Asch -, transformou essa música em força inescapável do tecido cultural americano. A eles se deve, por exemplo, o boom do folk e blues nos anos 1950 e 1960, de onde emergiriam Bob Dylan ou os Rolling Stones.



Como aponta Ruben de Carvalho, comissário do ciclo Hootenanny, que leva anualmente à Culturgest as músicas tradicionais americanas, "a cultura americana highbrow era a europeia, quando a cultura popular americana era fruto das misturas dos escoceses, judeus ou afro-americanos" que formavam o país. "A fixação desse património antes que se perdesse era fundamental". E "criou condições invulgares para que se desenvolvesse". Exemplo: o jazz é hoje uma cadeira nas universidades americanas; impossível sem esse património.



Guiado pelo pai, Alan gravou, ajudou a divulgar e legitimou nomes como Woody Guthrie, Leadbelly ou Muddy Waters. Só isso faria dele uma figura fulcral na história da música popular do século XX. Mas houve as edições discográficas, concertos e conferências, as publicações, os programas de rádio e, mais tarde, televisão. E não só nos Estados Unidos.



De esquerda, investigado pelo FBI, deixaria o sufoco maccartista no início da década de 50, rumo a Inglaterra. Depois, quis mais. Espanha, Itália, Rússia, Marrocos... Através da música, quis perceber o mundo. "Teve uma compreensão muito vasta das ligações entre música e dança e a sociedade", refere Salwa Castelo-Branco, directora do Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. Nascem desse desejo os projectos Cantometrics (canto),Choreometrics (dança) e Parlametrics (linguagem).



Foi via Cantometrics que Salwa conheceu Lomax. Na Universidade de Columbia, foi entrevistada para trabalhar no projecto. Desse contacto e das conferências a que assistiu ficou a imagem de "uma pessoa de grande energia, inteligentíssima, idealista, extremamente decidida". E não isenta de controvérsia. Salwa recorda que os Cantometrics foram criticados por se basearem em gravações, não em trabalho de campo, "o que acabou por resultar em conclusões não representativas". Ainda assim, mesmo os críticos não deixavam de lhe admirar a coragem e ambição".



Aquilo que guiou Lomax toda a vida foi a preservação de um mundo ameaçado: "Nós, do avião a jacto, do wireless e da explosão atómica, estamos à beira de varrer do globo o folclore não corrompido", disse. Salwa recorda um artigo da década de 70 em que Lomax refere o perigo do "acinzentamento cultural": "Não se falava ainda de globalização, mas ele estava preocupado com as influências das músicas mediatizadas, que acabavam por uniformizar práticas locais."



Ruben de Carvalho aponta nesse lamento uma contradição. "As circunstâncias que deram origem ao aparecimento de uma música popular urbana massificada e aculturada [a rádio, gravar som] são as mesmas que permitiram fixar e preservar essas tradições culturais." Lomax quis contornar a contradição ao tornar o registo do passado numa possibilidade de futuro. "Comparava a diversidade musical à biodiversidade", escreveu Jon Pareles no New York Times (NYT). "Para Lomax, cada estilo local representava uma forma de sobrevivência que poderia ser útil algum dia." A importância destes registos não se limita à preservação do passado, diz Ruben de Carvalho. "Fixa-se para que possamos lá voltar. Há um fenómeno curioso no jazz. Sempre que se chega a um impasse, como na passagem do swing para o bebop e daí para o cool, o avanço faz-se num regresso às raízes, ao blues." Trata-se de memória viva, para construir o que hoje somos. É por isso que Salwa Castelo-Branco se vem batendo pela criação em Portugal do Arquivo Fonográfico Nacional. Algo como aquilo que Lomax sonhou e que agora se tornou realidade. Vemo-lo, lemo-lo, ouvimo-lo. Um arquivo iniciado em 1933 nas prisões, com um gravador de cilindros que a viúva de Edison emprestara ao pai. Tem, segundo o NYT, cinco mil horas de gravações áudio, mais de 100 quilómetros de filme, três mil cassetes vídeo e cinco mil fotografias. O passado a ressoar no presente.



Ainda Pareles: "Lomax não estava interessado em vender álbuns. Estava a tentar assegurar que a Humanidade podia ouvir e respeitar as suas próprias vozes."




http://culturalequity.org/pubs/ce_player_LomaxBio.php

terça-feira, 22 de março de 2011

Altamiro Borges: a força e os limites da blogosfera

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Vermelho - 22 de Março de 2011 - 14h38
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Em sua visita ao Brasil, o presidente do EUA, Barack Obama, havia programado um megaevento na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, palco de históricos protestos em defesa da democracia e a soberania nacional. Na última hora, o show de pirotecnia foi cancelado. Segundo a própria mídia hegemônica, a razão foi que o serviço de inteligência do império, a famigerada CIA, alertou a diplomacia ianque sobre os "protestos convocados pelas redes sociais". Obama ficou com medo!

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Por Altamiro Borges

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Este episódio, uma vitória dos internautas progressistas do Brasil, comprova a força da internet. Num meio ainda não totalmente controlado pelas corporações capitalistas é possível desencadear ações contra-hegemônicas e quebrar o “pensamento único” emburrecedor da velha mídia. Desde Seattle, quando manifestações contra a rapina imperial foram convocadas basicamente pela internet, este fenômeno chama a atenção dos atores sociais. De lá para cá, o acesso à rede só se ampliou – no mundo e no Brasil.
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Uma arma poderosa
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Nas recentes convulsões populares no mundo árabe, que derrubaram os ditadores da Tunísia e do Egito – sempre tratados como “amigos do Ocidente” pela mídia tradicional – a internet foi uma arma poderosa. Ela não produziu as “revoluções”, mas ajudou a detoná-las. Agora mesmo, na Líbia, há uma guerra de informações da globosfera, acompanhada da real e sangrenta guerra dos mísseis. A internet faz parte hoje da guerra, virtual e real, que se trava nas sociedades. Não dá para desconhecer esta nova realidade.
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Os meios tradicionais de comunicação, hegemonizados por poucas corporações – no máximo 40, segundo recentes estudos sobre a crescente monopolização da mídia mundial –, não detêm mais o monopólio da informação. Os avanços tecnológicos abriram brechas, mesmo que temporárias, nesta frente estratégia da luta de idéias. Jornais e revistas da oligarquia estão falindo devido ao maior acesso à internet. Mesmo as redes televisão sofrem com a migração para este novo meio, principalmente da juventude.
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A força da blogosfera
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No Brasil, esta realidade é bem palpável. Nas eleições presidenciais de outubro passado, a chamada blogosfera progressista jogou papel de relevo na encarniçada disputa. As manipulações dos impérios midiáticos, que se transformaram em cabos eleitorais do candidato da direita, foram desmascaradas online pela internet. No auge da campanha fascistóide, de baixarias e de falsos moralismos, os blogs independentes atingiram mais de 40 milhões em audiência, segundo pesquisa recente.
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O impacto foi devastador. José Serra, o candidato do Opus Dei e o preferido do império, conforme telegrama vazado pelo WikiLeaks, usou vários palanques para atacar o que ele chamou, pejorativamente, de “blogs sujos”. Já o presidente Lula, sofrendo violento cerco da ditadura midiática, produziu vídeo para estimular a produção independente dos blogueiros. Na guerra de informações, a internet foi decisiva para desmascarar a direita e para mostrar o real significado da candidatura lulista de Dilma Rousseff.
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Passos na organização dos blogueiros
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Neste intenso processo da luta de classes, com a centralidade a batalha eleitoral, a blogosfera progressista deu os primeiros passos para a sua organização no Brasil – de forma autônoma. Em agosto passado, mais de 330 blogueiros e twitteiros realizaram o seu primeiro encontro nacional, em São Paulo. Neste evento histórico, eles decidiram lutar pela democratização da comunicação, contra qualquer tipo de censura à internet, e por políticas públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade informativas.
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Fruto deste encontro histórico, os blogueiros progressistas quebraram a monopólio da mídia tradicional e realizaram a primeira entrevista coletiva com um presidente da República, Lula, em novembro passado. A velha mídia até tentou desqualificar o evento inédito, numa crise de “ciúme” ridícula. Na prática, ela sentiu o baque de uma mudança de paradigma que está em curso. Parafraseando o revolucionário italiano Antonio Gramsci, a coletiva com Lula evidenciou que “o velho está morrendo e o novo ainda não acabou de nascer”.
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Os desafios do futuro
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O segundo encontro nacional de blogueiros progressistas está agendado para junho próximo, em Brasília. Nele não haverá mais o fator galvanizador que estimulou o primeiro – a luta contra a mídia golpista, que se transformou no “partido do capital” durante o pleito presidencial. O desafio será encontrar novos pontos de unidade na enorme diversidade existente na rede. Sem verticalismo e estruturas hierarquizadas, este movimento amplo e plural tem muito a contribuir na luta pelo avanço da democracia no Brasil.
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Os blogueiros progressistas, que hoje já constituem uma vasta e influente rede no país, podem amplificar a luta pela democratização dos meios de comunicação. Está na ordem do dia o debate sobre o novo marco regulatório da mídia, que garanta a verdadeira liberdade de expressão para os brasileiros – e que não se confunde com a “liberdade de empresa” dos monopólios midiáticos. Também está em curso a discussão sobre a liberdade na internet, com investidas da direita contra este direito libertário.
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Além de interferir nestas batalhas estratégicas, os blogueiros precisam ampliar sua capacidade de interferir na luta de idéias contra-hegemônicas na sociedade. É preciso que “floresçam mil flores”, que surjam mais e melhores blogs independentes, garantindo maior diversidade e pluralidade informativas. É urgente também qualificar os nossos instrumentos, produzindo conteúdos jornalísticos de qualidade. Para isso, é preciso encontrar caminhos de sustentação financeira da blogosfera, que potencializem essa nova militância virtual.
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Riscos de retrocesso
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A internet abriu brechas para novas vozes se expressarem na sociedade. Mas ela não deve ser idealizada. Quem detém maior audiência são os portais de notícia e entretenimento dos mesmos grupos midiáticos. A publicidade, que cresce na rede (nos EUA, ela superou pela primeira vez na história os anúncios nos jornais impressos), é totalmente sugada pelos barões da mídia. Ou seja: a internet é um campo de disputa. Sem ampliar e qualificar sua produção, a blogosfera progressista será derrotada, falará para seus nichos.
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Além disso, a tecnologia não é neutra. Os monopólios da comunicação, que tornam reféns vários governos, já estudam mecanismos para cercear a liberdade na rede. Barack Obama, que a cada dia se revela um falso democrata, já enviou ao Congresso dos EUA um projeto para “vigiar” a internet. No Brasil, um parlamentar do bloco neoliberal-conservador, Eduardo Azeredo (PSDB), também se apressou em copiar o império e já apresentou projeto para abortar a neutralidade na rede. Os embates neste campo tendem a crescer.
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Spirit Dreams-Peacefull Valley (Native American)


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kinichpacal23 | 24 de Novembro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Native American flute song Peacefull Valley from Thomas Walker and pictures of the native american idians
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Canções Ameríndias (América do Norte)


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cetanluzahan1972 | 6 de Janeiro de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
these songs here, arent hardly sung anymore, thought i put them out there fot the old people who remember these ones,
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stupiscimisempre | 9 de Dezembro de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 3 utilizadores que não gostaram deste vídeo 

Wahancanka - Healing Song 

I canti dei nativi americani sono molto particolari. Spesso sembrano delle cantilene, apparentemente senza senso. E' proprio questa melodia, ipnotica, con le sue vibrazioni, capace di far entrare chi lo desidera in sintonia con delle emozioni, direi primordiali, che albergano in ognuno di noi. Bisogna superare l'iniziale diffidenza, ascoltare il brano più volte, ed ecco, che all'improvviso scaturisce quella strana forma di energia che è ... il canto dell'anima, la vita.
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JulieADarcy | 8 de Fevereiro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Returning to the path toward the stream the smell of death almost made him gag. I need to get to the stream and wash my face. This has to be a dream.
From behind him came a voice: "It is not a dream, N'gsisak."
Talking Coyote turned and Red Hair shape-shifted from a spruce tree to a man. He spoke again, "This is very real. They are all dying. You must help them."

Red Hair was dressed in only a breechclout, and his white skin, although tanned, was still a white man.
"I am not afraid of you, white man who speaks Le-nape. You are not a danger to me." If only Talking Coyote could convince his mind of that bravado. On the verge of cracking and running for his life, he decided to speak for some reason. "Why do you bother my dreams?"

"You are incorrect on three things. I speak Lenape because I am Lenape, not a white man. I am no danger to you, and I do not bother your dreams." Red Hair smiled and sat in front of Talking Coyote. "Smoke with me, my son," he said, as he removed a pipe from a plain leather bag. The pipe was anything but ordinary. It shined like the silver of a full moon on a still lake. It was not metal but actually made from water.
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kinichpacal23 | 24 de Novembro de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Native American flute song Peacefull Valley from Thomas Walker and pictures of the native american idians
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pinokiofromtokio | 28 de Julho de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 37 utilizadores que não gostaram deste vídeo 
War Song 
DEDICATED TO WARRIOR CRAZY HORSE..
First image is the picture of Crazy Horse..becouse he dont liked to be photographed-no proved photograph of him exist..only this picture....than the photograph of his friend- chef He Dog appear...Shaman and Warior Sitting Bull and other chefs... General Croog... war...masacre at Wouden Knee..but at the end Sitting Bull appear as a spirit...yes he said "I know that Great Spirit established Me as a chef of this country!" and that is The true Mr... U.S.A!


Michal Ičo.
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Interview with He Dog, Oglala, S.D. July 7, 1930
Thomas White Cow Killer, Interpreter
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. I will be glad to tell you about Crazy Horse or any others of our old
time chiefs about whom you may wish to know because I am an old man now
and shall not live many years longer and it is time for me to tell these
things. Whatever I tell you will be the exact truth, because I was in a
position to know what I talk about. There are a lot of old Indians
hanging about the reservation who like to talk to the white people and
would just as soon tell you anything, whether it is true or not. They are
men whom we would not have had as servants, those of us who were Chiefs
in the old days.
I and Crazy Horse were both born in the same year and at the same
season of the year. We grew up together in the same band, played
together, courted the girls together and fought together. I am now
ninety-two years old, so you can figure out in what year he was born by
your calendar. When we were 17 or 18 years old we separated. Crazy
Horse went to the Rosebud Band (that is to the Brules, of whom Spotted
Tail was Chief a little later) of Indians and stayed with them for about
a year. Then he came home. After he had been back for a while, I made
inquiries about why he had left the Rosebud band. I was told he had to
come back because he had killed a Winnebago woman. (According to ancient
Lakota custom, coup could be counted on an enemy woman if she was killed
in the sight of the fighting men of her tribe. The theory was that the
enemy would fight even harder to protect or avenge one of their women
than one of their men. But the Brules were already agency Indians and
the authorities took a different attitude about it. Apparently Crazy
Horse himself changed his mind about the ethics of this custom if the
speech of his reported by Captain Hans in "The Great Sioux Nation" is
correct).
Less than a year after Crazy Horse left camp, I joined in a trip
against the Crow Indians. WHen I got home, the crier was announcing that
Crazy Horse was back in camp. Only his name was not Crazy Horse at that
time. He has three names at different times of his life. His name until
he was about ten years old was Curly Hair. Later, from the time he was
ten until the time he was about eighteen years of age, he was called
His-Horse-On-Sight, but this name did not stick to him. When he was
about eighteen years old there was a fight with the Arapahos who were up
on a high hill covered with big rocks and near a river. Although he was
just a boy, he charged them several times alone and came back wounded but
with two Arapaho scalps. His father, whose name was Crazy Horse, made a
feast and gave his son his own name. After that, the father was no
longer called by the name he had given away, but was called by a
nickname, Worm.
Crazy Horse, the son, was one of three children. The oldest was a
Sister, the next was Crazy Horse, and the third was a Brother. All are
dead now.
When we were young men, the Oglala band divided into two parts, one
led by Red Cloud and one by Man-Afraid-of-His-Horse, the elder. I and
Crazy Horse stayed with the part led by Man-Afraid-Of-His-Horse. Later
this half subdivided again into two parts. I stayed with the more Northern
half of which I and Big Road, and later Holy Bald Eagle and Red Cloud,
were appointed joint Chiefs ("shirt wearers", so called from a particular
kind of ceremonial shirt worn by this class of chieftain as insignia of
office).
Crazy Horse remained with the Southern quarter of the tribe. The
council of this division awarded the chieftainship to Crazy Horse,
American Horse, Young-Man-Afraid-Of-His-Horse, and Sword. It was many
years after our first battles before we were made Chiefs. A man had to
distinguish himself in many fights and in peace as well before he could
be chosen as a Chief.
(After consultation together, He Dog and the interpreter dated these
appointments as having been made about 1865 by the white man's calendar)
The name of Crazy Horse's band was the Hunkpatila (End of Circle) band
because when the tribe was encamped together it occupied one end of the
tribal crescent.
At about the time these appointments were made Crazy Horse moved
towards the White Mountains (Indian name of the Big Horn Mountains).
Crazy Horse and I went together on a war trip to the other side of the
mountains. When we came back, the people came out of the camp to meet us
and escorted us back and at a big ceremony presented us with two spears,
the gift of the whole tribe, which was met together. These spears were
each three or four hundreds years old and were given by the older
generation to those in the younger generation who had best lived the life
of a warrior.
Crazy Horse was still single when he was made a "shirt wearer". A few
years after this he began to pay attention to the wife of a man named No
Water. No Water did not want to let the woman go.
In the Battle "When They Chased The Crows Back To Camp", (1870) He Dog
and Crazy Horse were the lance bearers of the Kangi Yuhn (Crow Owner's
Society). About ten days after that battle Crazy Horse started off on a
smaller war expedition and No Water's wife went along with him.
No Water followed them and came to the tipi of Bad Heart Bull and
asked to borrow a certain good revolver (Bad Heart Bull was a brother of
He Dog and is now dead) which Bad Heart Bull owned. He said he wanted to
go hunting. Crazy Horse and the woman were sitting by the fire in a tipi
belonging to some of their friends. No Water entered the tipi, walked up
to Crazy Horse as near as I am to that stove (about four feet) and shot
him through the face. The bullet entered just below the left nostril.
That is how Crazy Horse got his scar. No Water took his wife back.
Because of all this, Crazy Horse could not be a "shirt wearer" any
longer. When we were made Chiefs, we were bound by very strict rules as
to what we should do and what not do, which were very hard for us to
follow. I have never spoken to nay but a very few persons of what they
made us promise them. I have always kept the oaths I made then, but
Crazy Horse did not.
Later on the older, more responsible men of the tribe conferred
another kind of Chieftainship on Crazy Horse. He was made War Chief of
the whole Oglala tribe. A similar office was conferred on Sitting Bull
by the Hunkpapa tribe. This was still early, a long, long time before
the Custer fight. At this time the government did not know who we were.
Crazy Horse always led his men himself, when they went into battle,
and he kept well in front of them. He headed many charges and was many
times wounded in battle, but never seriously. He never wore a war
bonnet. A medicine man named Chips had given him power if he would wear in
battle an eagle bone whistle and one feather and a certain round stone
with a hole in it. He wore the stone under his left arm, suspended by a
leather thong that went over his shoulder. The one central feather that
is in the middle of the war eagle's tail, that was the feather he wore in
his hair.
(He Dog denied with a chuckle, various stories told about how Crazy
Horse on certain occasions threw away his rifle and charged in with a war
club or a riding quirt, a characteristic Indian mode of seeking death in
battle) Crazy Horse always stuck close to his rifle. He always tried to
kill as many as possible of the enemy without losing his own men.
He never spoke in council and attended very few. There was no special
reason for this, it was just his nature. He was a very quiet man except
when there was fighting.
Crazy Horse was married three times. The first time was to No Water's
wife, but she only stayed with him a few days. Shortly after that he
married Red Feather's sister. By her he had one child, a little girl who
died when about two years old. A long while after, when he had
surrendered at Ft. Robinson, he married a young half-breed girl. He did
not have any children by her.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio




Clique sobre a imagem para ampliar!
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Enterrem meu coração na curva do rio,
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É o eloquente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte. Lançando mão de várias fontes, como registros oficiais, autobiografias, depoimentos e descrições de primeira-mão, Dee Brown faz grandes chefes e guerreiros das tribos Dakota, Ute, Sioux, Cheyenne e outras contarem com suas próprias palavras sobre as batalhas contra os brancos, que, na segunda metade do século XIX, terminou por desmoralizá-los, derrotá-los e praticamente  extinguí-los.
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Publicado originalmente em 1970, este livro foi traduzido para dezessete línguas e vendeu quatro milhões de exemplares. Com ele, Dee Brown, um dos maiores especialistas em história norte-americana, mudou para sempre o modo do mundo ver a conquista do Velho Oeste e a história do extermínio dos peles-vermelhas.
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Índice:
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1 - Suas maneiras são decentes e elogiáveis
2 - A Longa marcha dos Navajos
3 - A guerra chega aos Cheyennes
4 - Invasão do rio Powder
5 - A guerra de Nuvem Vermelha
6 - O único índio bom é um índio morto
7 - Ascensão e queda de Donehogawa
8 - Cochise e as guerrilhas apaches
9 - A guerra para salvar o búfalo
10 - A guerra pelas Black Hills
11 - O êxodo dos Cheyennes
12 - O último chefe apache
13 - Dança dos fantasmas
14 - Wounded Knee
Bibliografia


"Onde estão hoje os Pequots? Onde estão os narragansetts, os moicanos, os pokanokets e muitas outras tribos outrora poderosas de nosso povo? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta, renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!"
TECUMSEH, dos shawnees

"De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra? A voz do povo vermelho que só tinha arcos e flechas...O que foi feito em minha terra, eu não quis, nem pedi;os brancos percorrendo minha terra...Quando o homem branco vem ao meu território, deixa uma trilha de sangue atrás dele...Tenho duas montanhas neste território - as Black Hills e a montanha Big Horn. Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas. Disse estas coisas três vezes; agora venho dizê-las pela quarta vez."
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MAHPIUALUTA (Nuvem Vermelha), dos sioux oglalas
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Em tempo: Imagem e textos do livro "Enterrem meu coração no curva do rio", Editora L&PM, primeira edição na coleção L&PM Pocket, outubro/2003. Escrito por Dee Brown, traduzido por Geraldo Galvão Ferraz, 396 páginas, formato 10 x 17cm, R$ 20,00.
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http://www.texbr.com/artigos/artigos2004/0223_dee_brown.htm
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EUA - O Outro lado da História

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A outra história americana

Existe um livro entitulado "Enterrem meu coração na curva do rio" (Bury my Heart at Wounded Knee) um best-seller do escritor Dee Brown, especialista em história norte-americana. É um clássico tido como o mais pungente relato da selvageria civilizatória dos Estados Unidos da América em sua marcha rumo ao lendário Oeste. Na verdade, o livro aborda um período de 30 anos, que se estende de 1860 à década de 1890. Ou seja, é este o período de pleno declínio das diversas nações e culturas índias.
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Publicado em 1970, o livro que foi baseado num extenso trabalho de pesquisa, ganhou a atenção do mundo e principalmente dos Estados Unidos para um assunto que até então era um tabu para os americanos. Virou um sucesso de vendas (4 milhões de cópias no mundo todo) e gerou muitos debates, reavivando um lado sinistro da história americana, até então oculto pela aura pura e gloriosa dos "pacíficos" colonos que se viam constantemente fustigados pelos "selvagens" peles-vermelhas. O que se conta aqui, não tem nada haver com isso, e sim com a cobiça, com assassinatos, massacres e espoliações patrocinados pelo governo de Washington. É história de nações prósperas e altivas que se viram empobrecidas e destruídas frente a avassaladora cobiça e força destrutiva do homem branco.

No entanto, o livro não pretende contar uma história das nações peles-vermelhas, e sim seu último suspiro, o seu grito por liberdade. é o relato de uma epopéia trágica que tem por fim a total submissão e extinção dessas nações. E quando digo submissão, não falo de algo consentido, muito pelo contrário, para que isso ocorresse, os americanos moveram guerras contra os diversos povos e acabaram também por sofrer derrotas homéricas e espetaculares. É sim, do começo ao fim, uma história triste, sem final feliz.

Personagens famosos do Oeste americano são retratados nessa obra, como os generais Custer e Crook, o coronel "Três Dedos" Mackenzie e mesmo Búfalo Bill. E grandes guerreiros e chefes índios como: Cavalo Doido, Touro Sentado, Cochise, Gerônimo, Nuvem Vermelha...
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Esta é sem dúvida uma história trágica, mas acima de tudo é um relato de resistência, coragem e amor por uma terra e um modo de vida ancestral. Me emocionei particularmente com a história de Cavalo Doido (Crazy Horse) um dos últimos grandes chefes guerreiros dos Sioux Oglalas... é um exemplo de honestidade e obstinada luta em favor de seus princípios e ideais. Afinal, o título deste livro é em sua homenagem (quem ler vai entender). Porém, é importante lembrar que nem todos os brancos eram contra os peles-vermelhas, o livro fala também sobre aqueles que procuraram defender os direitos dos índios e preservar suas culturas.

Guerreiros Cheyennes
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Ao ler esse livro, me perguntei até que ponto pode chegar a estupidez humana, em sua infinita ambição (destrutiva) por riquezas e poder. Por que homens matam outros com tanta disposição (e em nome de Deus) apenas porque estes os são estranhos, diferentes? O que faz um homem destruir toda uma cultura com o fim de impor a sua própria? O que faz um ser-humano se sentir melhor que outro?
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Com o passar do tempo, essa questão não mudou muito. E infelizmente o assunto continua recente, vivemos numa era de revolução tecnológica onde as distâncias são encurtadas, mas o racismo e o preconceito contra as minorias persiste em um mundo cada vez mais globalizado. a ignorância e o medo em relação ao que é diferente, continua alimentando e fomentando o ódio. Aonde tudo isso vai parar? É algo que não posso responder, mas as possibilidades me assustam.
Cabanas Sioux

Veja também:

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domingo, 19 de dezembro de 2010

A revolução das comunicações no século 21

Mídia

Vermelho - 18 de Dezembro de 2010 - 11h19

Todas as sociedades, todas as épocas, todas as décadas se orgulham de ter dado abrigo a alguma crise, termo que pode ser a outra face de uma revolução. Qual é, portanto, a grande crise revolucionária do século 21?

Por Miguel Ángel Bastenier


Será a chegada de um político negro à Casa Branca? O desencadeamento do terrorismo internacional, cujo estandarte diz ser a Al Qaeda? O começo do declínio do império americano, derrotado ou a caminho disso em duas guerras na Ásia Central? A emergência da China como potência global? A invenção de um socialismo chamado exatamente "do século 21" na Venezuela? A progressiva instalação do fator indígena na política da América Latina? O paulatino naufrágio do Titanic europeu, na debacle do capitalismo financeiro?

Embora todas as comoções anteriores apresentem sérios méritos para merecer tão alta consideração, não competem com uma de maior categoria porque é transversal e afeta a cada uma delas. É a revolução das comunicações, com seu epifenômeno de crise nos meios informativos já clássicos ou convencionais. Dir-se-á que essa revolução começou nos anos 90, mas seus efeitos mais deletérios só chegaram à Europa com toda a sua crueza nesta primeira década do século 21, e o Wikileaks é apenas um subproduto da mesma.

Pela primeira vez na história, e de forma especialmente maciça neste século, o cidadão pode se comunicar instantaneamente por áudio, imagem e texto ao mesmo tempo, com qualquer outro cidadão, de um extremo a outro do globo. Embora haja zonas do planeta menos beneficiadas, o mundo, para efeitos de comunicação, já é um só. E isso significa que os que haviam sido até data recente gestores exclusivos da informação - não só nos jornais impressos, mas hoje também nas fórmulas digitais - têm de enfrentar uma nova concorrência: a informação - a qual certamente seria melhor chamar apenas comunicação - que é livre de circular porta a porta, de consumidor a consumidor, ou fazendo que se confundam em uma só figura o produtor e o consumidor.

E se é verdade que a utilização do meio digital aumenta a ponto de nunca se ter consumido tanta informação como hoje, tudo indica que essa versão pessoa a pessoa cresce tão rapidamente ou mais que a oferecida pelas organizações, também digitais, que se dedicam profissionalmente à distribuição de conteúdos. É esta uma revolução da qual apenas vislumbramos as consequências e que obriga a se perguntar: qual será a natureza da informação, a quê chamaremos de jornalismo e jornalistas em um futuro provavelmente não muito distante?

A campanha do presidente americano Barack Obama não teria sido a mesma sem o concurso de um exército de jovens medianamente revoltados que reuniram partidários, transmitiram slogans, organizaram equipes para que ganhasse o autor do "Yes, we can"; e a contraofensiva ultra do movimento do Tea Party se organizou e difundiu inicialmente também no meio eletromagnético; se nos anos 60 o transistor se transformou no meio natural de comunicação de movimentos revolucionários do Terceiro Mundo, como a FLN na Argélia, nos 2000 a última Intifada palestina utilizava a rede para coordenar a resistência ao ocupante, e é também nesse meio que debatem os defensores de um islamismo moderado e os corifeus de Osama bin Laden, que, caso exista, consegue a ubiquidade perfeita graças à rede; e até a própria China define em parte sua revelação como potência mundial em uma homenagem involuntária à Internet, tentando controlar o funcionamento das mensagens globalizadas em seu espaço elétrico.

Se o jornalismo de papel ou digital só pode ser já de investigação, ou capaz de desenvolver uma "agenda própria", a grande exclusiva é obtida, no entanto, por alguns hackers por suas habilidades tecnológicas. Com esse material, cinco grandes jornais - entre eles este - hão de realizar, é claro, um esmerado e prolixo trabalho de desobstrução e refinamento, mas o decisivo foi a capacidade de arrancar os segredos da rede.

O grande jornalista investigativo americano I. F. Stone - morto em 1989 - escreveu há quase meio século o comentário mais apto ao caos de reações interessadas nos vazamentos do Wikileaks: "Suprimir a verdade em nome da segurança nacional é a forma mais segura de solapar o que pretendemos que seja nosso objetivo". O ataque à falta de transparência do poder é o arremate de uma revolução.

Fonte: El Pais
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  • Revoluções das novíssimas tecnologias digitais e a inclusão social de milhões de pessoas

    18/12/2010 17h41
    Tão revolucionário quanto as novíssimas tecnologias digitais de comunicação – principalmente internet e telefonia celular, na qual a convergência de mídias como o videofone é um bom exemplo, tão revolucionário quanto isso, que gera crises e oportunidades, é o rápido processo de inclusão social de milhões de pessoas ora em curso em países como Brasil e China. Dos outros países que formam o BRIC, Rússia e Índia, tenho poucas notícias sobre esse processo de incorporar ao mercado populações antes marginalizadas pelas muitas injustiças do capital ... Na Índia a mobilidade social, devido ao sistema de castas, é muito mais difícil do que em sociedade de classes ... Assim, lá, a inclusão social de multidões passa por inovador programa de empreendedorismo e micro-crédito para população de baixa renda. Inovações em várias partes do mundo ocorrem também na polêmica área de alimentos produzidos com ajuda da biotecnologia; na agricultura familiar; e na crescente produção de alimentos orgânicos.
    Jóis Alberto
    Natal - RN
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Noam Chomsky: A guerra no Afeganistão; ecos do Vietnã

Mundo

Vermelho - 18 de Agosto de 2010 - 17h41

"Os fuzileiros estão enfrentando um problema que sempre espreitou os conquistadores, e que é muito familiar para os Estados Unidos, desde o Vietnã. Em 1969, Douglas Pike, o mais importante acadêmico governamental nos assuntos do Vietnã lamentou que o inimigo era o único partido político verdadeiramente baseado nas massas no Vietnã do Sul”. Qualquer esforço para competir politicamente com ele seria como um conflito entre uma sardinha e uma baleia, reconheceu Pike". O artigo é de Noam Chomsky.
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O War Logs (bússolas da guerra), um arquivo de documentos militares confidenciais que abarcam seis anos da guerra do Afeganistão, publicados na internet pela organização Wikileaks relatam uma luta inflamada e cada dia mais encarniçada, na perspectiva dos Estados Unidos. E, para todos os afegãos, um horror crescente.

Os War Logs, por mais valiosos que sejam, podem contribuir para a doutrina prevalente de que as guerras são algo mau só se não são exitosas – algo assim como o que os nazis sentiram depois de Stalingrado.

No mês passado ocorreu o fiasco do general Stanley A. McChrystal, obrigado a se retirar do comando das forças dos Estados Unidos no Afeganistão e substituído por seu superior, o general David H. Petraeus. Uma provável consequência é um relaxamento das normas de combate, de forma que se torne mais fácil matar civis, e uma prolongamento da guerra à medida que Petraeus use sua influência para conseguir este resultado no Congresso.

O Afeganistão é a principal guerra em curso do presidente Obama. A meta oficial é nos proteger da AlQaeda, uma organização virtual, sem base específica – uma rede de redes e uma resistência sem líderes, como foi chamada na literatura profissional. Agora, ainda mais do que antes, a AlQaeda consiste em facções relativamente independentes, associadas frouxamente ao redor do mundo.

A CIA calcula que entre 50 e 100 ativistas da AlQaeda talvez estejam no Afeganistão, e nada indica que os talibãs desejem repetir o erro de dar refúgio a AlQaeda. Por outro lado, o talibã parece estar bem estabelecido em seu vasto e árduo território, uma grande parte dos territórios pashtun.

Em fevereiro, no primeiro exercício da nova estratégia de Obama, os fuzileiros estadunidenses conquistaram Marja, um distrito menor na província de Helmand, principal centro da insurgência.

Uma vez ali, informa Richard A. Oppel Jr., do The New York Times, “os fuzileiros se chocaram com uma identidade talibã tão dominante que o movimento se assemelha mais a uma organização política numa região de um só partido, com uma influência que abarca a todos...”.

“Temos que reavaliar nossa definição da palavra 'inimigo', disse o general de brigada Larry Nicholson, comandante da brigada expedicionária de fuzileiros na província Helmand. A maioria das pessoas aqui identifica a si mesmas como talibã... Temos que reajustar nossa forma de pensar, de forma que não pareça que estamos expulsando os talibãs de Marja, mas que estejamos tratando de expulsar o inimigo.

Os fuzileiros estão enfrentando um problema que sempre espreitou os conquistadores, e que é muito familiar para os Estados Unidos, desde o Vietnã. Em 1969, Douglas Pike, o mais importante acadêmico governamental nos assuntos do Vietnã lamentou que o inimigo – a Frente de Libertação Nacional (FLN) – era o único partido político verdadeiramente baseado nas massas no Vietnã do Sul”.

Qualquer esforço para competir politicamente com esse inimigo seria como um conflito entre uma sardinha e uma baleia, reconheceu Pike. Em consequência, devíamos superar a força política do FLN recorrendo a nossa vantagem comparativa, a violência – com resultados horrendos.

Outros enfrentaram problemas similares: os russos, por exemplo, no Afeganistão, durante os anos 80, quando ganharam todas as batalhas mas perderam a guerra.

Escrevendo a respeito de outra invasão estadunidense – a das Filipinas em 1989 -, Bruce Cumings, historiador especialista em Ásia na Universidade de Chicago fez uma observação hoje aplicável ao Afeganistão: “quando um fuzileiro vê que sua rota é desastrosa, muda de curso, mas os exércitos imperiais afundam suas botas em areias movediças e seguem marchando, ainda que seja em círculos, enquanto os políticos enfeitam o livro de frases dos ideais estadunidenses”.

Depois do triunfo de Marja, esperava-se que as forças lideradas pelos Estados Unidos atacariam a importante cidade de Kandahar, onde, segundo uma pesquisa do exército estadunidense, a operação militar é rechaçada por 95% da população e onde 5 em cada 6 consideram os talibãs como nossos irmãos afegãos – mais uma vez, ecos de conquistas prévias. Os planos sobre Kandahar foram postergados, e isso foi parte dos antecedentes para a saída de McChrystal.

Dadas essas circunstâncias não é de se estranhar que as autoridades dos Estados Unidos estejam preocupadas com que o apoio popular à guerra no Afeganistão seja ainda mais erodido. Em maio passado a Wikileaks publicou um memorando da CIA acerca de como manter o apoio da Europa à guerra: o subtítulo do memorando era: porque contar com a apatia talvez não seja suficiente.

O perfil discreto da missão no Afeganistão permitiu aos líderes franceses e alemães desprezarem a oposição popular e aumentarem gradualmente suas contribuições às tropas da Força de Assistência à Segurança Nacional (ISAF), assinala o memorando. Berlim e Paris mantêm o terceiro e quarto níveis mais altos de tropas na ISAF, em que pese a oposição de 80% dos pesquisados alemães e franceses a maiores envios de forças. É necessário, em consequência, dissimular as mensagens para impedir ou ao menos conter uma reação negativa.

O memorando da CIA deve nos fazer recordar que os Estados têm um inimigo interno: sua própria população, que deve ser controlada quando a política do Estado tem oposição no povo. As sociedades democráticas dependem não da força, mas da propaganda, manipulando o consenso mediante uma ilusão necessária e uma super-simplificação emocionalmente poderosa, para citar o filósofo favorito de Obama, Reinhold Niebuhr.

A batalha para controlar o inimigo interno, então, segue sendo altamente pertinente – de fato, o futuro da guerra no Afeganistão pode depender dela.

Fonte: Carta Maior, a partir de texto publicado no jornal mexicano La Jornada
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Guerra da Coreia: A primeira derrota militar estadunidense


Mundo

Vermelho - 4 de Agosto de 2010 - 15h55

Há 60 anos eclodiu a guerra da Coreia. Este episódio, definitivamente, marcou o século 20. Foi primeiro conflito armado entre os dois campos nos quais se dividia o mundo: o socialista e o imperialista. Os Estados Unidos e seus aliados se utilizaram dos métodos mais bárbaros, como bombardeios massivos de alvos civis e utilização de armas bacteriológicas.

Por Augusto Buonicore *

Sul-coreanos escarnecem de vítima nortista Sul-coreanos escarnecem de vítima nortista
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Também foi ali que a principal potência capitalista sofreu sua primeira derrota numa guerra. Foi vencida pelo aguerrido exército popular norte-coreano, comandado por Kim Il-sung e pelos voluntários chineses.

Em outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China. O povo chinês, dirigido por Mao Tse-Tung, havia imposto uma grande derrota aos planos hegemonistas do imperialismo na Ásia. Alguns meses depois, o presidente Mao era recebido, com todas as honras, por Stalin na União Soviética. Os governos daqueles dois grandes países – agora dirigidos por forças socialistas – assinaram importantes acordos de cooperações econômico e militar. Formou-se, assim, um vasto campo democrático-popular que abarcava o leste da Europa e parte significativa do território asiático.

O avanço socialista e a guerra fria

Um pouco antes, outro acontecimento havia tirado o sono do governo dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais. A URSS explodiu seu primeiro artefato nuclear e quebrou, assim, o monopólio atômico estadunidense.

Desde então, a histeria anticomunista propagou-se nos principais países capitalistas. O ex primeiro ministro inglês Winston Churchill, num discurso feito nos Estados Unidos, declarou que uma “cortina de ferro” havia descido sobre a Europa oriental. Este era o sinal para o inicio do que se chamaria guerra fria.

Até a vitória da revolução chinesa, as próprias autoridades militares estadunidenses afirmavam que a península coreana estava fora do seu perímetro de segurança. Ou seja, sua localização geográfica não ameaçava diretamente os interesses daquela potência imperialista.

No entanto, nos círculos mais conservadores dos Estados Unidos, fortalecia a opinião de que todo planeta deveria ser considerado seu perímetro de segurança. Não era se deveria ceder um milímetro ao avanço das forças simpáticas ao socialismo. Haveria agora dois mundos antagônicos: o mundo comunista e o “mundo livre”. Deste último, comandado pelos EUA, fazia parte os regimes fascistas da Espanha e Portugal – e, também, as ditaduras latino-americanas.

A guerra quente na Coreia

A península da Coreia havia sido ocupada por mais de 40 anos pelo imperialismo japonês, que tentou transformá-la numa colônia, destruindo sua cultura e identidade nacional. Uma dura luta de resistência foi travada pelos comunistas, liderados pelo jovem Kim Il-sung. Durante a Segunda Guerra Mundial, eles conseguiram um aliado imprevisto: os Estados Unidos. Este último, atacado pelo Japão, entrou na guerra e concentrou suas ações militares na Ásia.

Nos primeiros anos da guerra, os soviéticos travavam lutas titânicas contra os poderosos exércitos de Hitler na frente européia. Depois de derrotá-los, passou a dar um maior apoio à libertação da China e da Coreia, contribuindo decididamente na expulsão dos invasores japoneses. Mas, o território coreano – como aconteceu com a Alemanha – acabou sendo dividido em duas zonas de ocupação militar, demarcadas pelo paralelo 38. O sul ficou sob supervisão dos Estados Unidos e o norte da URSS. O objetivo a médio prazo era unificar as duas partes numa única nação.

Porém, em agosto de 1948, desrespeitando o ritmo das negociações, os Estados Unidos promoveram a eleição de um governo títere no sul, fundando a República da Coreia. O novo presidente era Synghmam Rhee, um ardoroso anticomunista, que pensava unificar a península sob sua batuta, integrando-a ao campo imperialista. Como resposta, em setembro, foi constituída a República Popular da Coreia, presidida por Kim Il-sung.

Após a proclamação das duas repúblicas coreanas, os exércitos dos Estados Unidos e da URSS saíram da região. Acabava, assim, a tutela internacional. Contudo, as tensões entre os dois países – que não se reconheciam – aumentaram cada dia mais. As lideranças norte-coreanas denunciavam a ocorrência de constantes atos de provocação armada na sua fronteira. Esta foi a justificativa para que elas empreendessem uma grande ofensiva militar contra o governo de Synghmam Rhee, visando a unificação do país.

O Exército Popular da Coreia do Norte, em poucos dias, conquistou a capital sulista, Seul. A guerra parecia estar chegando ao fim, com uma vitória magistral das forças populares e socialistas. Este, com toda certeza, teria sido o resultado da guerra se a contenda tivesse ficado apenas nas mãos do povo coreano.

Invasão estrangeira e genocídio na Coreia

Os Estados Unidos, aproveitando-se da ausência da URSS, aprovou no Conselho de Segurança da ONU uma condenação à Coreia do Norte. Eles conseguiram também que a entidade formasse uma força especial de combate para “defender” a Coreia do Sul, ameaçada pelos comunistas. Os motivos para ausência dos soviéticos, que tinham direito a veto no Conselho de Segurança, são ainda desconhecidos.

Depois da fatídica decisão, que desmoralizou a ONU como instrumento da paz, soldados de 15 países foram mobilizados para combater na Coreia, embora o grosso das forças que lutaria naquele conflito viesse mesmo dos EUA. Por isso, o comando das operações militares coube ao general Douglas MacArthur, o mesmo que comandara os aliados na luta contra os japoneses no Pacífico.

Depois das várias derrotas desmoralizantes, que quase jogou seu exército de volta para o mar, encurralado numa estreita faixa de terra no sul da península, os EUA foram obrigados a mobilizar um aparato bélico ainda mais poderoso – o maior desde o final da Segunda Guerra Mundial. Seus aviões iniciaram os bombardeios criminosos por trás das linhas inimigas.

Começava nesse momento uma das páginas mais tenebrosas da história do século 20. Milhares de aviões despejavam diariamente toneladas de bombas sobre cidades e aldeias indefesas da Coreia do Norte. Todos os centros urbanos foram arrasados. Na capital não ficou nenhum edifício de pé. Pela primeira vez, foram usadas armas químicas e bacteriológicas em grande escala contra população civil. Os exércitos dos Estados Unidos e da ONU podiam, sem dificuldades, serem comparados aos de Hitler. Este era um claro sinal que tempos sombrios estavam chegando.

A entrada em cena dos aviões de caça soviéticos ajudou melhorar a situação, mas não pode quebrar a grande superioridade aérea dos Estados Unidos. A URSS era muito cautelosa para não ser acusada de estar envolvida no conflito ao lado dos norte-coreanos, contra uma decisão da ONU. Contudo, não há dúvida que sua ajuda foi decisiva, quer preparando os quadros militares norte-coreanos quer fornecendo os armamentos necessários. Vários pilotos e assessores soviéticos chegaram mesmo a participar dos combates.

O lado estadunidense não respeitou os acordos de Genebra. Os oficiais da Coreia do Sul mandavam degolar os soldados inimigos aprisionados. As fotos dessas cabeças decepadas, que correram o mundo, causaram embaraços para as forças da ONU. Também chocaram o mundo as imagens de mulheres e crianças carbonizadas sob os destroços das aldeias.

Cabe destacar o papel da URSS e do Movimento Comunista Internacional no desencadeamento de uma grande campanha – uma das maiores já vista na história – contra a agressão imperialista à Coreia, pela interdição das armas bacteriológicas e atômicas.

As tropas dos Estados Unidos e da ONU, desrespeitando o que fora lhes delegado, avançaram para além do paralelo 38, conquistando Pyongyang, capital nortista. Ficava claro que o plano era esmagar o Exército Popular, unificar a Coreia sob a batuta de Synghmam Rhee e transformá-la num protetorado americano na Ásia. O imperialismo teria assim uma importante “ponta de lança” contra a China.

A cartada chinesa

Os exércitos inimigos chegaram, perigosamente, muito próximos da fronteira chinesa, pondo em risco sua soberania e suas conquistas revolucionárias. Diante de tal ameaça, Mao Tse-Tung resolveu reagir, incentivando a formação de um Exército de Voluntários para combater ao lado do Exército Popular da Coreia do Norte, liderado por Kim Il-sung.

A partir de novembro de 1950 mais de um milhão de combatentes chineses atravessaram o rio Yalu e foram reforçar a luta de libertação do povo coreano. A ação, que pegou de surpresa os Estados Unidos, inverteu a sorte da guerra.

As tropas norte-coreanas e os voluntários chineses ultrapassaram o paralelo 38 e ocuparam novamente a capital da Coreia do Sul. O duro inverno – mais de 20 graus abaixo de zero – molestava as tropas invasoras. O quadro era bastante desolador para os Estados Unidos.

As derrotas sucessivas fizeram com que o general MacArthur apresentasse a proposta de bombardear o território chinês, expandindo a área de conflito, ameaçando transformá-lo numa guerra mundial. Diante da perspectiva real de vitória dos comunistas, o general chegou propor a utilização de armas atômicas contra a Coreia do Norte e a China.

Vários países aliados, como o Reino Unido, se alarmaram com tal possibilidade. Grandes manifestações foram realizadas em todas as partes do mundo pela paz na Coreia e contra utilização das armas atômicas. Por fim, o próprio presidente Truman não endossou as propostas temerárias do aventureiro MacArthur e o destituiu do comando das operações.

Profundamente desgastado pelos resultados da guerra, Truman desistiu de concorrer para um novo mandato presidencial e, em novembro de 1952, o candidato democrata foi derrotado pelo general republicano Dwight Eisenhower. Quase ao mesmo tempo em que os Estados Unidos “trocavam sua guarda”, em março de 1953, morria o líder soviético Joseph Stalin. Os novos dirigentes de Moscou se empenharam em dar um fim definitivo ao conflito.

A paz: uma derrota do imperialismo estadunidense

Apesar de todos os esforços realizados – que incluíram a re-conquista de Seul –, os exércitos estadunidenses não conseguiram ir muito além do paralelo 38. A guerra entrou numa espécie de “ponto morto”. Nenhum dos dois lados parecia ter condições de vencê-la. Iniciou-se, então, um longo e tortuoso processo de negociação de paz, que levaria vários anos. Durante todo período que durou as negociações, os EUA continuaram com sua política genocida contra a população norte-coreana. O armistício de Panmujon foi assinado em 27 de julho de 1953. Era o fim da Guerra da Coreia.

Segundo cálculos feitos pela própria ONU mais de 3 milhões de coreanos perderam suas vidas neste conflito. Toda infra-estrutura da Coreia do Norte foi destruída pelos sucessivos bombardeios. Agora a grande tarefa que se apresentava ao povo norte-coreano era a de reconstruir o país, a partir de suas próprias forças, e preparar-se ainda mais contra futuras agressões externas. Este era o preço que teriam que pagar pela manutenção de sua independência.

Os Estados Unidos perderam, entre mortos e feridos, 150 mil soldados. Eles só haviam tido tamanho número de baixas nas duas guerras mundiais e na Guerra Civil nos tempos de Lincoln. Outra consequência negativa para o país foi o fortalecimento do complexo industrial-militar que passaria ser o maior incentivador – e beneficiário – da política intervencionista estadunidense.

Sem dúvida, podemos dizer que a Guerra da Coreia representou a primeira grande derrota militar dos Estados Unidos, que até então eram considerados imbatíveis numa guerra. Foram derrotados pelo exército de um pequeno país asiático e pelos voluntários chineses. Encerrava-se, assim, o segundo grande capítulo da luta pela emancipação da Ásia, o primeiro foi a Revolução Chinesa. Outras páginas heróicas ainda seriam escritas no Vietnã, no Camboja e no Laos.

Augusto Buonicore é historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabóis. 
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México-Estados Unidos: A linha da morte

Adital - Quarta-Feira, 04 de agosto de 2010
20.11.08 - AMÉRICA LATINA

 
 

Justicia y Paz / Sicsal *
Adital -
Como Basura del Mundo 9 A cifra dos mortos na tentativa de cruzar a malha que separa o México dos Estados Unidos, de 1994 até 2008 superou 5 mil pessoas. A última década do século XX reforçou o fechamento da fronteira e mudou a rota migratória das cidades fronteiriças para o deserto do Arizona. Cada vez é mais férrea a vigilância que a polícia migratória estadunidense impõe para impedir a entrada de latinos em seu país. No entanto, a vigilância extrema, a cada dia, pressionados pelo desemprego, pela fome, pela violência faz com que se lancem na aventura de buscar uma vida melhor. Os dados oficiais informam que a presença de cerca de 40 milhões de imigrantes nos EUA, a grande maioria sem documentos.
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As histórias são terríveis. Dezenas de mulheres mães solteiras que deixaram seus filhos e tentam buscar trabalho nos Estados Unidos, são abusadas sexualmente na viagem e acabam destruídas emocionalmente. Até 3 mil homens, mulheres, crianças de diversos países da América Central, penduram-se no trem para chegar até a fronteira, com o risco de cair e morrer, como já aconteceu em várias ocasiões, devido ao cansaço. Há pais de família do México ou de qualquer país que, empurrados pela necessidade, partem sozinhos para correr os riscos do cruzamento da fronteira. Quando conseguem, vão trabalhar na construção civil, nas colheitas ou em empresas de carnes que não encontram mão de obra nacional que queira fazer esse serviço. Arrecadam dinheiro mensalmente para enviar a sua família, depois podem aventurar-se a recolher suas companheiras em uma viagem de volta por terra que pode durar até 45 dias caminhando, deixando seus filhos com os avós e após um ou dois anos, quando conseguiram alguma estabilidade voltam para pegar seus filhos.
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.Um exemplo, um desses pais, voltou de Austin Minnesota, longe da fronteira, até Chiapas para recolher a seus filhos de 5 e 9 anos; chegou a Reinosa, México, esperou 3 dias até que se juntasse um grupo de 25 pessoas para cruzar a fronteira. Pagou 1.200 dólares aos ‘coiotes’ por cada criança; caminharam até McAllen, nos EUA e dali empreenderam uma viagem de 45 dias até Houston, Texas. Entregou seus filhos a ‘coiotes’ desconhecidos, que seguiram viagem com outras crianças. Dos 25 adultos que viajavam por terra, 20 foram presos pela migração, e somente 5 conseguiram chegar ao encontro de seus filhos pequenos, em Houston.
Trabalhar é possível para o migrante, desde que consiga documentos legais; não importa que não sejam os seus. O tráfico de documentos é um grande negócio conhecido pelas grandes empresas que os empregam e por autoridades das cidades receptoras dos Estados Unidos. Compram no mercado clandestino os três documentos indispensáveis para ser admitidos: um número no sistema de seguridade social; a certidão de nascimento e o carnê de cidadania; todos podem custar ao redor de 2.000 dólares a cada migrante que pretende trabalhar. Depois vão às transnacionais, como as processadoras de carne de porco QPP y HORMEL, em Austin, Minnesota, que lhes paga um pouco mais de 12 dólares por hora, salário muito maior do que o recebido no México ou em qualquer cidade latino-americana, por desempenhar esse ou outro ofício similar.
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O problema é sustentar-se nos Estados Unidos. As fiscalizações nas casas são freqüentes. Caso possuam um carro, o utilizam para ir somente de casa para o trabalho; por não terem a carteira de habilitação não podem ir a outros lugares. Vários têm sido presos ao trocar um pneu à margem das estradas.
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Em todo caso, abrigam a longínqua esperança de que o novo presidente Barack Obama, mude alguma coisa a seu favor; apesar do silêncio sobre o tema dos migrantes, na campanha, foi eloqüente, em um país em crise econômica, que abre as portas ao dinheiro e aos trabalhadores que vendem barato sua mão de obra ao setor produtivo estadunidense nessa esquizofrenia do mercado.
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As que não cruzam
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Ciudad Juárez, México, que se tornou famosa devido à industria montadora, chegou a ter 400, como pelos crimes de que têm sido vítimas meninas, adolescentes e mulheres jovens. Muitas famílias são devolvidas a esta cidade após uma tentativa frustrada de entrar aos Estados Unidos, por um tempo permanecem para sobreviver e arriscar sua vida. Uma delas partilhou, no encontro do Sicsal México-Estados Unidos, que teve que se prostituir porque não havia trabalho nas montadoras, que estavam se transferindo para a China e "quando entramos no quarto, não sabemos se saímos vivas ou mortas, porque a brutalidade é grande", em uma cidade onde, em 2008, os meios de comunicação informam ao redor de mil assassinatos.
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Os crimes contra as mulheres, conhecidos como feminicídios, são brutais e ferem a consci~encia da humanidade, sua história é longa nessa cidade fronteiriça, como testemunha uma valente mulher da Fundação de Vítimas de Feminicídios de Ciudad Juarez: Tudo começou com o sequestro de "Lilia Alejandra, de 17 anos, no dia 14 de fevereiro de 2001. Começamos a difundir seu desaparecimento nos meios e foi encontrada 8 dias depois com marcas de violência, seu corpo foi jogado diante da montadora onde trabalhava. Depois dela, centenas foram seqüestradas e aparecem com marcas de violações múltiplas, torturas. Temos sérios indícios da cumplicidade da polícia que joga as crianças nos pastos; também dos grandes empresários implicados no narcotráfico. São os que mandam; Ciudad Juarez está atingida pelo narcotráfico e quem não se submete pode perder a vida; os assassinatos de mulheres já são famosos na cidade, temos 20 prêmios internacionais por opor-nos, por denunciar e buscar justiça. Se não conseguimos que seja feita justiça, que pelo menos os habitantes de Ciudad Juarez conheçam a verdade".
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As hipóteses sobre a causa desses crimes são diversas, como declara "Casa Tabor": "tráfico de pessoas ou de órgãos, sacrifícios satânicos de gangues ou de grupos de narcos, negócios de filmes sádicos ou cometidos por um dos sexual preditors conhecidos; porém, apenas "controlados", em El Paso.
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Graças à coragem e à tenacidade das mães e acompanhantes, em novembro de 2007, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos admitiu os casos dos anos de 2002 e se espera uma futura resolução contra o Estado mexicano por sua responsabilidade diante desses crimes que não param. Em 2008 foram seqüestradas, ultrajadas e assassinadas 84 mulheres.
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Vingança estrutural
Bush aprovou a construção de um muro para a fronteira, cada milha (1.6 quilômetros) desse muro custará 7 milhões de dólares e aprovou a contratação de uma empresa particular para administrar as prisões para onde são enviados os migrantes, produzindo mudanças significativas no tratamento dos sem documentos capturados, como analisou a Ir. Katerin, do Texas, religiosa da Misericórdia que trabalha acompanhando as prisioneiras nos centros de detenção para migrantes. Há 5 anos, nessas prisões havia 6 mil camas; hoje, há 30 mil, com uma projeção para 60 mil camas nos próximos três anos.
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A mudança radica no fato de que as autoridades migratórias processavam os migrantes e os deportavam. Agora, os mantêm mais tempo presos porque as corporações contratistas que estão construindo os centros e os administram recebem 90 ou 95 dólares diários por cada migrante recluído. Esses mercenários da migração recebem pessoas detidas, somente porque cruzaram a fronteira sem documentos; agora estão criminalizando a passagem da fronteira, estão dando tratamento de terroristas aos sem documentos. Após o dia 11 de setembro, o governo dos Estados Unidos construiu a entidade "Home Land Segurity" (segurança nacional), da qual depende a estrutura migratória e carcerária. "As mulheres me dizem: não sei porque estão me tratando como criminosa; me sinto como uma barata, que podem fazer qualquer coisa comigo", testemunho de Katerin. Anualmente, chega a 450 pessoas, os migrantes mortos ao cruzar a fronteira através do Estado do Texaas.
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Resistentes acompanhadas
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Boa parte da verdade que as vítimas gritam as vítimas dos crimes de mulheres e da injustiça social estrutural que se expressa nas migrações, está apoiada pelo acompanhamento de um punhado significativo de mulheres e homens do México e dos Estados Unidos, que resistem á política migratória de seu país que gera exclusão e morte.
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Em Ciudad Juarez, México, Emilia, Peter e Betty, há 13 anos formaram a comunidade Casa Tabor. Em sua casa, em um bairro popular da cidade fronteiriça acolhem e recolhem. É um lugar de passagem de peregrinas/os, a maioria estadunidenses que querem conhecer a realidade de morte das/os migrantes assassinados, desaparecidos ou mortos por inanição. As paredes de seu oratório estão cheias com os nomes dos/as que morreram na tentativa de franquear o abismo fronteiriço. Depois, somente a alguns centímetros se conectam com a onda das mulheres e homens que entregaram suas vidas em resistência ou nos acompanhamentos: Monsenhor Romero, Gerardi, Gerardo Valencia, Jesuítas de El Salvador, Rutilio Grande, 141 assassinados de Curvaradó e Jiguamiandó, 85 de Cacarica, 200 de Dabeida, na Colômbia, tantos e tantas que em toda América Latina têm sido testemunhas de esperança e de dores, vítimas da injustiça em sua busca pela Justiça. A Memória e as articulações, podemos situar atrevidamente, marcam a missão desses velhos herdeiros da t eologia da libertação, do mais autêntico dos sonhos libertários que fizeram missão na Guatemala, El Salvador e Nicarágua. Ali ficam, em outro destino, o das migrações.
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Em Austin, Minnesota, duas irmãs Franciscanas de Lourdes, Ruth, entre elas, resistem à injusta legalidade das cidadanias para alargar o tempo de estadia dos "molhados" que sobreviveram ao cruzamento do Rio Bravo ou Grande e de centenas que se aventuraram pelo deserto até chagar ao que consideram sua redenção. Dão aulas de inglês, servem de tradutoras nos hospitais, avisam quando a migração vai fazer suas rondas de fiscalização, ajudam a tramitar permissões para os trabalhadores das fábricas para evitar que seja demitidos caso faltem um dia, buscam vagas nas escolas de crianças, são centro de circulação de abrigo para redistribui-lo entre os migrantes. Com elas, o apoio das Franciscanas de Lourdes, de sua presidenta, Tierney Truman, aberta, visionária, solidária que facilita as condições e abre espaços para que possam continuar com seu trabalho, enquanto ela mesma apóia defensoras de direitos humanos que fogem da morte e a prisioneiros de todo tipo, em uma das prisões de Rochester, Minnesota.
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Em Antony, Novo México, Katerin acompanha desde os centros de detenção do regime, os latinos que cometeram o delito de desafiar a exclusão, pretendendo incluir-se forçosamente em um país que os repele como às baratas. Ela mostra com sua solidariedade que a dignidade e a humanidade não é dada para quem fala inglês, tem olhos claros ou nasceu nos Estados Unidos e tem a pele branca.
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Desde Washington, Scott Wrigth, de Épica e o Sicsal estendem pontes à solidariedade que não perdeu a força apesar dos bombardeios que presenciou em plena guerra em El Salvador. O punhado de mulheres e homens do povo dos Estados Unidos que, impulsionados por sua fé, puseram sua vida a serviço da solidariedade na tentativa de libertação desse povo, o mesmo que, 15 anos depois, arrisca sua vida na denúncia da injustiça presente no êxodo dos migrantes e no anúncio de processos de transformação das estruturas sociais que conduzam a minimizar os processos de exclusão.

Elas e eles, junto a outros, tornaram possível encontros como a Missa do dia 1o de novembro, que partilhou altar no território mexicano (Ciudad Juárez) e território dos Estados Unidos (El Paso, Texas) para pedir que o muro que Deus não fez nessa parte do planeta, fosse derrubada e que impossibilitou que o abraço da paz, ao qual os bispos celebrantes convidaram, pudesse ser dado entre os dois povos presentes. Nesse dia, em meio a cantos, orações, bênçãos e homilias bilíngües, 25 mexicanos saltaram a estrutura metálica para os Estados Unidos, 5 deles foram presos nesse momento pela "migra", e se desconhece a sorte dos demais.
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Novembro de 2008

* Justicia y Paz - Colombia - Secretaría Ejecutiva del Servicio Internacional Cristiano