Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Twitter - Informação /Comunicação?

Francisco
Silva

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Na ordem do dia estão as chamadas redes sociais de comunicação electrónica, um fenómeno que já vai bem para além da conhecida Web de primeira geração: os «sítios» mais ou menos institucionais/colectivos, permitindo alguma interacção – reduzida –, por parte dos utilizadores, os conversacionais emails, os serviços de troca de mensagens «em tempo real», os messengers. E estão mesmo a passar – com os recentes desenvolvimentos das «redes sociais» de comunicação electrónica, nomeadamente o twitter –, as «novíssimas» aplicações, para além das fronteiras interinas traçadas pelas ferramentas da chamada segunda geração, da Web 2.0 – onde são incluíveis os blogs e toda a artilharia que vai dos motores de busca, passando pelo youtube, até ao facebook, a rede social com mais utilizadores/subscritores.
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Com efeito, a demonstrar que já está para além da Web 2.0, o twitter já não é apenas um sítio Web («twitter.com»), globalmente acessível. Para além de tudo mais, o twitter é uma ferramenta de comunicação conversacional – como é o caso do email e dos messengers –, disponibilizando a todos a possibilidade de comunicar entre si e com os todos, e a partir de diversos entradas/localizações. Isto é, para enviar uma mensagem, para tuitar – como os tuiteiros de língua portuguesa vão dizendo –, não é necessário fazê-lo exclusivamente a partir de uma sessão de visita ao sítio do twitter: os tuites podem também ser enviados através do serviço de mensagem de texto de um telemóvel, ou de um blog, ou de aplicações desenvolvidas para o efeito, como seja o TweetDeck. Do mesmo modo, os tuites podem ser lidos como mensagens de texto ou na página do facebook de um «amigo» (1). Etc.
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Esta adaptabilidade do twitter contribuiu para a sua notoriedade mediática nos primeiros meses de 2009. Com efeito, foi referida a utilização do twitter nas manifestações pós eleitorais da Moldávia, em protestos de massa no Egipto e na Islândia e, agora, no protesto pós-eleitoral no Irão. Referências manifestamente exageradas, chegando-se ao ponto de julgarem-se alguns dos utilizadores com Poder na ponta dos dedos para gerar revoluções. A verdade é que os sistemas de comunicação, desde a boca à orelha, aos comícios, aos jornais, passando pela TV e pela Rádio, pelas convocatórias via SMS, até ao twitter, têm o seu papel instrumental na dinâmica dos movimentos populares, mas um papel que nunca poderá ser determinante por si só. Por trás destes movimentos, das revoluções, está um trabalho paciente de organização, estão condições objectivas e a eficácia da utilização do conjunto dos meios de comunicação existentes.
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Agora o que é certo é o twitter ter sido empregue com grande intensidade durante a crise iraniana que resultou do recente processo eleitoral. No twitter disputou-se a respectiva parte de uma intensa batalha de informação e contra-informação – episódios de guerra electrónica, de mobilização tuiteira pró e contra o regime iraniano, quase sempre contra o regime – identificando com frequência o apoio contra o regime através do verde dos ícones dos utilizadores. Foram publicadas muitas fotografias e muitos vídeos e, em geral, informação, quantas vezes errónea ou falsa, mas também informações verdadeiras e em primeira-mão. A Casa Branca chegou a intervir para que fosse adiada – e foi – uma actividade de manutenção do twitter
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Talvez a conclusão mais importante a tirar da aparição do twitter no ambiente comunicacional seja a de, através da sua utilização, com o seu emprego, ter-se passado a dispor de mais uma ferramenta, um meio de comunicação, que parece ser potente em termos de criticismo mediático. Com efeito, a rapidez viral com que o twitter permite a propagação de mensagens curtas de protesto de diversas proveniências, incluindo o seu agrupamento com a ajuda catalizadora de hashtags, como foi o caso do #CNNfail, criado por altura da manifestação popular da crise pós-eleitoral do Irão, com efeito, dizíamos, parece que estas características do twitter fazem dele um instrumento de luta contra as manipulações e distorções que os OCSs estão habituados a praticar em quase total impunidade.
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A ver vamos. O twitter parece estar aí para lavar e para durar e não deve nem pode ser ignorado por quem de direito. Não nos esqueçamos do referido «recado» enviado pela administração Obama ao twitter para adiar a sua manutenção com o objectivo de não «prejudicar a oposição iraniana»…
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(1) COHEN, Noam (Junho 20, 2009) Twitter on the Barricades: Six Lessons Learned
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in Avante 2009.07.02
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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

SPUTNIK 1 - 50º aniversário


* Francisco Silva
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Agora que passaram 50 anos - comemorou-se o lançamento do Sputnik 1 no espaço em 4 de Outubro de 1957 -, ainda dá para pensar aquela do Professor Varela Cid, professor, creio que de Aerodinâmica do Instituto Superior Técnico - e não, como há quem o diga, Professor de Astronáutica, que a náutica entre astros ainda estava para começar - que veio, ele, Varela Cid, para os órgãos de comunicação social, dizer que era impossível colocar um satélite no espaço, que se tratava de propaganda «russa»…


Por essa altura, andava eu pelo terceiro ano «dos liceus», hoje sétimo ano do «básico», como aluno interno no Colégio Militar e não teria sido fácil ouvir tal atoarda em directo. No entanto, transcrevo a seguir um testemunho de Álvaro Belo Marques que, com toda a facilidade, encontrei na Web(1):


«(…) Uma vez, estava eu a estudar, com o Rádio Clube Português em fundo, eram quase onze da noite, quando oiço o professor de Aerodinâmica no IST, doutor Varela Cid, dizer que o Sputnik era uma invenção propagandística dos russos e que era impossível lançar no espaço um satélite artificial. Logo em seguida, falou Henrique Galvão, pela Aeronáutica Civil, dizendo que, para pôr um satélite em órbita, bastava ter tecnologia e cérebros. Dá as onze e o RCP anuncia que o Observatório Nacional acabava de assinalar a passagem do Sputnik e que o seu bip-bip se poderia ouvir na frequência tal e tal, a dos crédulos. O professor, se tivesse esperado cinco minutos, não teria caído no ridículo (…)».


O bip-bip… o mesmo que ouvi no 4 de Outubro deste 2007 na RDP2 quando me dirigia para o trabalho. Uma efeméride chamada, de seu direito, à primeira página do Público - há que assinalá-lo -, com uma bela fotografia, uma efeméride que marca o início da empresa espacial por parte da espécie homo sapiens sapiens. E, por um momento, desviemo-nos do Varela Cid daquele Portugal, de que vamos sofrendo, ainda com forte intensidade, as heranças das suas ramificações, e veja-se o que, por exemplo, poderia saber o Presidente Eisenhower.


A Casa Branca, ao mesmo tempo que não se quis pronunciar sobre os aspectos militares do lançamento do Sputnik 1 - Ai, a quente Guerra Fria! -, declarou que o acontecimento não constituía uma surpresa. Com efeito, por exemplo, «o Presidente dos EUA Dwight Eisenhower dispunha de fotografias das instalações soviéticas tiradas desde 1956 a partir de voos conduzidos por [aviões] U-2 da Lockheed»(2).


E acerca do impacto provocado na sociedade dos EUA (e seguramente na generalidade das sociedades ocidentais), de acordo com John Logsdon: «Os nossos filmes e programas de televisão nos anos 50 estavam cheios com a ideia de ir para o espaço. O que surpreendeu foi o facto de ter sido a União Soviética a lançar o primeiro satélite. Não é fácil evocar o ambiente daquele tempo»(3).


Portanto, tanto para o presidente dos EUA como para a respectiva sociedade o facto de ter sido colocado um satélite no espaço exterior não constituiu nenhuma surpresa - no entanto, o ter sido considerado impossível pelo Professor português, da área talvez mais condizente, terá constituído uma surpresa. E tanto que, como surpresa «significa» informação, pavlovianamente lá saltou, de uma já então salivante área mediática, quem lhe difundisse a opinião «científica» - lá teve Varela Cid a oportunidade; infelizmente - estando lúcido - para ele.


Voltando agora à citada fotografia do Público na edição de 4 de Outubro, deve ser referido, para os que não a viram, que ela representava o planeta vermelho - Marte que recentemente reapareceu nos media a propósito da preparação, na Rússia, de uma expedição a esse planeta. Lá mostraram na televisão a instalação onde os astronautas se preparam para este empreendimento. Lá referiram, e mostraram uma fotografia sua, na televisão, Tsiolkovski, do entusiástico «pai» - como se usa actualmente dizer - da Astronáutica soviética, e por que não dizê-lo, da Astronáutica. Tsiolkovski que, na obra teórica «A exploração do espaço cósmico por motores de reacção», publicada em 1903, discute quais os combustíveis necessários para que um foguetão possa dispor da potência suficiente para se libertar da atracção terrestre e atingir outros planetas.(4) Já então!


Enfim, o Sputnik 1 era um elo fundamental de uma epopeia com pernas para andar, atravessando tempestades e marés. Marte está programado para próxima escala.
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(1) - Apesar das Guerras - crónica de Álvaro Belo Marques
(2) - Sputnik 1 - Wikipedia The Free Encyclopedia
(3) - Ibidem
(4) - Constantin Tsiolkovski - Wikipedia FR

in Avante Nº 1767 - 11.Outubro.2007


Gravura - Selo Sputnik 1. "O primeiro satelite artificial da Terra"