Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Barcelos: Foi ontem a enterrar o homem mais velho de Portugal

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Gisela Caridade António Castro, o “senhor regedor”, com 111 anos, foi ontem a enterrar no cemitério paroquial de Durrães

António Castro, o “senhor regedor”, com 111 anos, foi ontem a enterrar no cemitério paroquial de Durrães
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Secundino Cunha
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“Confessava-se uma vez por mês” (COM VÍDEO)

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O povo de Durrães, Barcelos, disse ontem adeus ao "senhor regedor", aquele que era o homem mais velho de Portugal. António Fernandes Castro nasceu no século XIX, a 6 de Janeiro de 1898, viveu todo o século XX e morreu anteontem, com 111 anos, cinco meses e 16 dias. Maria Luiza Nunes da Silva é agora a pessoa mais velha, com 110 anos, de acordo com a lista do Grupo de Investigação Gerontológica.

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Na missa de corpo presente, realizada ontem, ao final da tarde, na igreja paroquial de Durrães, o pároco José Lima falou de um homem "que seguiu a Cristo, que se confessava uma vez por mês e a quem Deus concedeu uma vida excepcionalmente longa".

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"É uma perda ímpar para toda a comunidade, mas o nosso irmão sabia como poucos que só o corpo morre e que a alma continua viva em louvor a Deus Pai", disse o sacerdote perante uma assistência que enchia por completo o templo.

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António Castro foi, ao longo de 33 anos, o homem-forte de Durrães. Como regedor, era ele que assegurava a segurança da terra. No tempo da racionalização dos alimentos, era ele que policiava a distribuição de pão.

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António Castro foi também juiz de paz, com poderes para resolver pequenos conflitos, como conciliações em partilhas ou sortes de águas. O seu nome fica ligado à construção da primeira escola da terra.

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in Correio da Manhã 24 Junho 2009 - 00h30

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domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa - Compasso é tradição nas aldeias e cidades

Abril 2007 - 00h00

* Secundino Cunha, , Braga

Mais de dez mil cruzes vão de porta em porta

O rapaz da campainha assinala a chegada do compasso. As pessoas em casa, com a melhor roupa vestida, perfilam-se ao redor da sala para receber a visita do Senhor Ressuscitado.

As ruas e as entradas das casas apresentam-se enfeitadas com verdura e cobertas com tapetes de flores e plantas aromáticas (alecrim, rosmaninho e hortelã silvestre).
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Sobre a mesa da sala é colocado um crucifixo, ladeado por castiçais e jarras com flores, juntamente com as ofertas e os bolos, frutos, queijos e pão-de-ló. Há também ovos tingidos ou decorados, tudo preparado para um pequeno brinde para todos os que integram o compasso, para a família da casa e convidados.

“Aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou, aleluia”, diz o sacerdote, enquanto asperge água benta e o mordomo dá a cruz a beijar, dos mais velhos para os mais novos.
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Os que pedem para S. Pedro, S. Paulo e lugares santos recolhem as esmolas e o envelope com o folar para o padre. O rapaz que leva o pé da Cruz coloca-o em cima da mesa para que o mordomo descanse e possa comer um doce e beber um copo.
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É assim em muitas casas nas aldeias, mas menos nas cidades. Nos apartamentos, os que abrem a porta, beija-se a cruz e deseja-se boa Páscoa, sem os comes e bebes típicos das aldeias. Em terras do Minho e Trás-os-Montes até é costume oferecer um cálice de aguardente.
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Depois há os foguetes, que dão uma ideia do andamento do compasso e o toque dos sinos, na saída e no recolher da Cruz.
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Estima-se que hoje, em algumas terras amanhã e noutras no domingo de Pascoela, cerca de dez mil cruzes visitem mais de um milhão e meio de lares. Cada cruz, nas aldeias, visita entre cem e duzentas casas. Nas cidades chegam a entrar em 300 apartamentos.
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TRADIÇÕES POPULARES DO COMPASSO
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VALENÇA
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Os párocos de Cristelo Côvo, Valença, e de Sobrado, Tui, Galiza, dão amanhã, por volta das 18h00, exemplo do bom relacionamento transfronteiriço, atravessando o rio Minho de barco, para dar a Cruz a beijar na outra margem.
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NOVA PONTE

Os carros ainda não passam, mas já se atravessa a pé. Hoje, às 15h00, os mordomos das freguesias de Valbom (Vila Verde) e Souto (Terras de Bouro) dão a Cruz a beijar no meio da nova ponte, como acção de graças pela união das freguesias.
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TRÊS ABADES

Os compassos pascais das freguesias de Vila de Punhe, Barroselas e Mujães, no concelho de Viana do Castelo, encontram-se amanhã na Mesa dos Abades, situada no Largo das Neves, cumprindo-se uma tradição de tempos antigos.
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in Correio da Manhã, 2008.04.08
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» COMENTÁRIOS~dos leitores do CM on line

09 Abril 2007 - 13h41 | João Massapina
Portugal continua a ser um País exemplar em termos de tradições, veja-se que no ano de 2007 DC ainda existem mais de 10.000 padres, que muito felizes, conseguem reunir atras de si um sequito para irem enchendo o "bandulho" de casa em casa no Domingo de Pascoa. Pobre de Cristo que, se algum dia existiu, nunca imaginou ser razão para tamanho descaramento. (Brasil)
08 Abril 2007 - 16h30 | Oliveira
Sr. Paiva se calhar o seu cão até tem mais juízo do que você.
08 Abril 2007 - 15h47 | catolico de bom senso
Sabe qual é o opio? É não haver respeito entre as diversas crenças e religiões. Ninguém é obrigado a entrar em nenhuma religião e como não é um dever tambem não cabe a essas pessoas o direito de tecer qualquer tipo de critica ou injurias para quem decide tomar um caminho diferente. Não há ninguem à face da terra que saiba qual o caminho certo a seguir. Cada um escolhe o seu e respeita o dos outros.
08 Abril 2007 - 14h29 | L Ferreira
Resta saber quem são os ignorantes. Se são aqueles que nada sabem ou os que pensam que tudo sabem...
08 Abril 2007 - 14h13 | manuel vale
Deus do céu, perdoai-lhes pois eles não sabem o que dizem...
08 Abril 2007 - 12h25 | Paiva
Ignorantes!! Se me baterem à porta largarei o meu cão (doberman) para cima deles !!
08 Abril 2007 - 10h06 | VALA
Assim vai o mundo. KARL MARX dizia que a religião era o Ópio do povo, quando se entra dificilmente se sai.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Arqueólogo: “Fui demitido por cumprir o dever”

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Sérgio Freitas A descoberta de ossadas humanas, há oito dias, fez parar as obras, o que não agradou aos construtores

A descoberta de ossadas humanas, há oito dias, fez parar as obras, o que não agradou aos construtores
20 Fevereiro 2009 - 00h30

Braga: Arqueólogo fiscalizava obra do novo hospital

* Secundino Cunha


O arqueólogo Luciano Villas Boas, que tinha sido contratado pela empresa Procesl e acreditado junto do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) para acompanhar as escavações do local onde vai ser construído o novo Hospital Central de Braga, foi despedido ao fim de um mês de trabalho.



A carta de despedimento faz referência a "dificuldades em se enquadrar na equipa", mas, ao que o CM apurou, o afastamento teve a ver com o facto de o arqueólogo estar a "obrigar a demasiadas paragens dos trabalhos". E a gota de água terá sido a comunicação que fez ao Igespar de "importantes achados arqueológicos das Idades do Ferro e do Bronze".


"Limitei-me a cumprir o meu dever. Só isso", disse Luciano Villas Boas ao CM, referindo que ficou "muito surpreendido com a decisão" e "convencido de que nada disso teria ocorrido se a descoberta não tivesse sido comunicada ao Igespar".


Já há cerca de oito dias, na sequência da descoberta por Villas Boas de ossadas humanas, que a Polícia Judiciária recolheu no local, as obras tiveram de parar. No entanto, os achados arqueológicos obrigariam a uma interrupção mais demorada.


A área onde vai ser construído o novo Hospital de Braga, junto ao complexo histórico das Sete Fontes, é muito sensível do ponto de vista arqueológico e ambiental, obrigando a fiscalização arqueológica. Função que, ao que apurámos, vai ser desempenhada por uma arqueóloga espanhola.


O CM tentou contactar o Igespar a Direcção Regional de Cultura do Norte, mas sem sucesso.

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in Correio da Manhã, 2009.02.20
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domingo, 6 de janeiro de 2008

Ponte de Lima: Novos Concertos de Inverno - As filarmónicas


* Secundino Cunha
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O Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, inicia o novo ano com um conjunto de Concertos Musicais, os ‘Concertos de Inverno’, dedicados às Bandas Filarmónicas.
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Divulgar e enaltecer o trabalho desenvolvido pelas Bandas Filarmónicas, é o objectivo desta iniciativa do Município de Ponte de Lima. O primeiro concerto está agendado para o dia 6, a partir das 15h30, com a actuação da Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima.

Esta banda é muito antiga, remontando as suas origens ao ano de 1824. Apesar das dificuldades económicas, em que o dinheiro não chegava para pagar a renda da sala de ensaios, estes passaram a decorrer na mercearia da aldeia.

Festa após Festa, a fama da Banda continuava a elevar-se. Durante as décadas de quarenta, cinquenta e sessenta a Banda tocou em muitos lados, percorreu muitas terras, divulgando a sua música.

A Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima, abre os ‘Concertos de Inverno’, no próximo domingo.
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in Correio da Manhã 2008.01.02
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FOTO - Os ‘Concertos de Inverno’ são dedicados às bandas filarmónicas

sábado, 10 de novembro de 2007

Gaita de foles mirandesa - Congresso quer certificar instrumento único no Mundo

* Secundino Cunha
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Só mesmo o som melódico de uma gaita-de-foles ou um repicar mais estridente de uma flauta de tamborileiro para alterar a profunda paz bucólica da aldeia de Constantim, na corda raiana de Miranda do Douro. E quando acontece é, por norma, sinal de que Célio Pires está a experimentar a sonoridade de uma nova criação
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A população desta terra colada à província espanhola de Castela e Leão e vizinha da Galiza, com pouco mais de 140 pessoas, já se habituou às sonoras experiências do gaiteiro e, por vezes, quando a melodia se estende por alguns minutos, dá descanso à sachola e “alegra os ouvidos”.

Por estes dias, entre amanhã e domingo, decorre em Miranda do Douro e Vimioso o primeiro Congresso Internacional da Gaita-de-Foles Mirandesa. Trata-se, dizem os organizadores, do primeiro passo para a recuperação da autenticidade da gaita-de-foles desta região e, quem sabe, da sua certificação, no sentido de preservar a autenticidade e as características únicas deste tão peculiar e arcaico instrumento.

Digamos que, neste congresso, pode acontecer à gaita o que aconteceu à língua, ou seja, tal como a língua mirandesa passou de geração em geração, apenas pela tradição oral dos seus falantes, também o som da gaita-de-foles perdurou no ouvido dos velhos gaiteiros ou nos seguidores dos construtores deste instrumento. A língua ganhou regras, depois do reconhecimento há quase dez anos, e a gaita-de-foles pode ver, em consequência deste congresso, a sua singularidade estética e sonora devidamente reconhecida.

Célio Pires é um dos mais conhecidos construtores de gaitas-de-foles e outros instrumentos tradicionais do Planalto Mirandês e não tem dúvidas de qualquer espécie: “A nossa gaita-de-foles é muito diferente da gaita galega, na escala e na sonoridade”.

Diz este construtor – que há quase duas décadas fura pequenos troncos de anguelgue (madeira existente nas arribas do Douro), buxo ou urze e dá forma a sopretes, roncos e ponteiras – que a gaita-de-foles mirandesa “tem o som mais grave e uma escala destemperada, exótica, se quisermos”.

“O que nós queremos é manter o timbre mirandês e, ao mesmo tempo, colocar a nossa gaita em pé de igualdade com as galegas, ou seja, adaptar a escala de forma a que possam acompanhar qualquer outro instrumento”, explica Célio Pires.

No último ano, um grupo de trabalho procurou, no âmbito de um projecto de investigação apoiado pela Delegação da Cultura do Norte, as particularidades deste instrumento com vista ao seu reconhecimento e padronização.

Paulo Meirinhos, do grupo Galandum Galandaina, que liderou o projecto, adiantou ao Correio da Manhã que “foram estudadas 25 gaitas, algumas com mais de 200 anos, e concluímos o que já suspeitávamos: estamos perante um instrumento típico de uma região que merece ser preservado”.

Referindo que foi graças aos pauliteiros que a gaita conseguiu sobreviver através dos tempos, Paulo Meirinhos esclareceu que “um dos aspectos mais relevantes se prende com o facto de a gaita mirandesa ter conservado até hoje escalas e afinações ancestrais, talvez pré-barrocas”.

No Planalto Mirandês existem pelo menos cinco dezenas de gaiteiros e construtores de gaitas, embora nem todos façam a gaita-de-foles típica da região.

FALTAM FOLES POR CAUSA DA DIMINUIÇÃO DOS REBANHOS

É um dos maiores problemas com que se debate Célio Pires no fabrico das gaitas-de-foles: a dificuldade em arranjar peles de cabrito para fazer os foles, devido à diminuição a que, nos últimos tempos, se tem assistido dos rebanhos de caprinos.

“Isso é sempre uma dor de cabeça. O ideal para fazer um fole é a pele de um cabrito com cinco a sete quilos de peso. Como os rebanhos são cada vez menos, é muito complicado para nós encontrar-mos peles como deve ser”, disse o fabricante, lembrando ainda que “uma pele demora mais de 20 dias a curtir e também são cada vez menos as pessoas que o fazem”.

De resto, também é possível fazer uma gaita-de-foles com peles sintéticas, que até são mais resistentes e mais fáceis de trabalhar, mas a verdade é que quem compra uma gaita-de-foles, sobretudo uma gaita mirandesa, quer pele verdadeira e não a solução sintética. “Mesmo que seja para pendurar numa parede, as pessoas querem a pele verdadeira, não gostam de imitações”, avançou Célio Pires, realçando que “o tipo de pele do fole nada tem a ver com a qualidade sonora do instrumento”.

“O tipo de som depende da madeira, da palheta e, sobretudo, da forma como a gaita é construída: da escala, ou seja, da localização dos buracos na ponteira e da dimensão do cone interior”, explicou o construtor, referindo que “há inúmeros tipos de gaitas e de sonoridades”.

Voltando às peles para os foles, Célio Pires garantiu que agora tem de as procurar em Mogadouro, já que este é o concelho de Trás-os-Montes onde existe o maior número de rebanhos de caprinos. “Por aqui, os rabanhos são muito raros e quando existem têm poucos cabritos”.

A GRANDE DIFERENÇA ESTÁ NOS BURACOS DO TUBO MELÓDICO

Todas as gaitas-de-foles têm um fole, um soprete, um ronco (pode ter dois ou três) e uma ponteira, peça também conhecida por tubo melódico. Refira-se que o ronco é composto por três partes: ombreira, intermeia e bordão. Mas a grande diferença, o que realmente confere especificidade às diversas gaitas – galega, escocesa ou mirandesa – é a forma como é esquematizado o tubo melódico. Comparando com a gaita galega, que tem escala comum, a mirandesa tem os ouvidos muito descidos, o que faz com que a subtónica, também chamada sensível, apareça bastante grave. Depois, a tónica (Si bemol) aparece afinada; a nota Dó está a mais dez, ou seja, desafinada um pouco acima; a nota Re (a terceira) aparece muito grave, a menos 40; o quarto grau é muito agudo, meia nota acima; e o quinto grau (Fa) está ligeiramente acima. Bem vistas as coisas, é precisa uma enorme dose de imaginação e um traquejo notável para, com esta escala, conseguir acompanhar instrumentos de escala afinada. É por isso que, neste congresso, tocadores, construtores e estudiosos vão tentar encontrar uma solução que mantenha, por um lado, toda a sonoridade da gaita mirandesa e a torne, por outro, compatível com os instrumentos de palco, como as concertinas, por exemplo. Célio Pires declara que “é preciso algum cuidado”, mas assegura que “é possível”.

CURIOSIDADES

QUINZE DIAS A FAZER

Se o trabalho fosse sempre seguido e a uma média de oito horas por dia, uma gaita-de-foles com um ronco leva 15 dias a fazer. Trata-se de uma arte muito meticulosa, de grande paciência e que exige muita certeza no trabalho com brocas. Os tornos mecânicos, de grande precisão, vieram ajudar muito os construtores.

750 EUROS CADA UMA

Não é propriamente um instrumento barato, mas atendendo ao facto de levar 15 dias a fazer (dez por ano), não se estranha o preço de 750 euros. De resto, para além do trabalho que dá, deve ter-se em conta a raridade dos materiais utilizados, nomeadamente das madeiras (anguelgue, buxo, urze e freixo) e das peles para o fole.

BROCAS FEITAS À MÃO

Este é um daqueles instrumentos tão raros que até as peças para os construir têm de ser feitas à mão. É o caso das brocas, muitas delas cónicas, que não existem à venda em casas de ferragens do Mundo. É trabalho artístico de ferreiro.

OFICINA MUSEU

Até meados do próximo ano, Célio Pires vai ter uma oficina nova. Com mais espaço e mais luz. E sobretudo com uma área destinada a exposição museológica, onde haverá gaitas antigas, brocas com mais de 200 anos, tornos centenários e outros instrumentos que os antigos usavam no fabrico das gaitas-de-foles.

MAIS INSTRUMENTOS

Célio Pires não faz apenas gaitas-de-foles. Também fabrica flautas de tamborileiro (têm apenas três buracos), tambores, zabumbas e sanfonas. Estas são de fabrico extremamente complexo, demoram uma eternidade a construir e o preço pode ultrapassar os três mil euros. Mas o som vale a pena.
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in Correio da Manhã 2007.10.31
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» Comentários no CM on line
Sabado, 3 Novembro
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- A.Fernandes Que grande alegria eu tinha quando lá para os lados de Mogadouro, nas festas em que se falava que havia gaiteiros, o bombo, e a caixa, e quando eles chegavam lá corria eu com uma grande alegria,um grande obrigado au Sr. Célio Pires e antepassados, pela continuação do fabrico das gaitas-de-foles.

Sexta-feira, 2 Novembro
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- paula E vivam os Mirandeses. Tenho muito orgulho da terra onde nasci.
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Quarta-feira, 31 Outubro
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- Pedro Lopes Parabens Celio Pires.E um grande musico e grande divugador do Planalto Mirandes
- Raúl Silva Parabéns aos mirandeses que continuam numa luta incansável para preservar e para divulgar as nossas tradições.
- victor batista Eu proprio que juntamente com a posta a mirandesa,e um valor a preservar,nunca mais esquecerei,o sabor,o paladar,o prazer de comer uma boa posta,ao som da gaia de foles,mas para isto,nao ha subsidios.
- filipe paiva PARABÉNS A ESTE HOMEM!!Este senhor devia ter um subsidio vitalicio do Ministério da Cultura bem como ser ajudado a erguer uma escola.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Tibães: Após 20 anos em obras - Mosteiro deixa de ser estaleiro

* Secundino Cunha
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Como sempre acontece em Portugal, foram às dezenas os avanços e recuos. No entanto, acaba por ser digno de registo o facto de o convento do Mosteiro de Tibães, em Braga, casa-mãe dos Beneditinos no nosso país, ter sido recuperado em duas décadas.
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O Mosteiro de São Martinho de Tibães foi adquirido pelo Estado português em 1986 e afecto ao então Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) que, no ano seguinte, iniciou as obras de recuperação.
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O investimento total ascendeu aos 13,5 milhões de euros, com financiamentos oriundos do Ministério da Cultura e dos fundos comunitários, através de vários programas e ao abrigo de três quadros comunitários de apoio.
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A conclusão da segunda fase das obras, que passou pela recuperação e reabilitação do Noviciado, Ala Sul e Claustro do Refeitório, num investimento de 3,5 milhões de euros, foi motivo de grande festa para os responsáveis deste monumento nacional.
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Aida Mata, a directora do Museu, manifestou-se “extremamente satisfeita”, mas preferiu não prestar declarações ontem, remetendo para a apresentação dos resultados dos trabalhos, no próximo sábado, dia 20.
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O Mosteiro de Tibães, que conta ainda com uma magnífica cerca, está agora também preparado para receber um grupo de monjas que, há cinco anos, revelou interesse em instalar-se na região de Braga. Uma iniciativa que conta com o apoio da Igreja.
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in Correio da Manhã 2007.10.16
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Foto Sérgio Freitas - A casa-mãe dos Beneditinos em Portugal é agora um dos mais belos museus do País.
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Para saber mais ver:
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domingo, 14 de outubro de 2007

Barragem vai afogar linha do Tua - Desperdício: 500 mil euros em obras

* Secundino Cunha
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O Governo ainda não sabe do que são capazes os transmontanos zangados, mas vai sabê-lo em breve”. A afirmação, de um popular de Mirandela, de 60 anos, retrata o sentimento da esmagadora maioria da população dos cinco concelhos – Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Murça e Alijó – onde vão chegar as águas da futura barragem de Foz Tua, uma albufeira que deixará submersos cerca de 30 quilómetros de uma das mais belas linhas ferroviárias de montanha de toda a Europa.

.A primeira questão prende-se com o facto de estarem já a decorrer obras de reparação da linha no local onde ocorreu o acidente de Fevereiro. As obras estão orçadas em 500 mil euros e, a ser respeitado o calendário do Plano Nacional de Barragens apresentado há dias, devem ser inutilizadas dentro de sete ou oito anos.

“Se a linha é para acabar, então para que diabo estão a gastar esses milhões em obras? Que tenham coragem e inutilizem já o troço entre o Tua e o Cachão e implementem sistemas de transportes alternativos”, disse o sexagenário, assegurando que, “quando os sinos tocarem a rebate, os protestos vão ser violentos”.

Para já, aponta o dedo aos políticos, que “dão o dito por não dito”, por causa “dos milhões que lhes foram prometidos se a barragem avançar sem problemas”.

Acusações que não atingem o presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano. O autarca diz que não consegue compreender a decisão do Governo e promete “luta feroz” contra o projecto.

“O Estado deve estar rico”, disse o autarca ao CM, lembrando que a decisão de submergir a linha surge depois de o Governo gastar “cerca de 2,5 milhões de euros na segurança da linha e 500 mil nas obras consequentes do acidente”.

Realça ainda que “a anulação da linha representa o fim da única ligação ferroviária de Trás- -os-Montes ao Litoral e uma machadada violenta no turismo da região”. Daí que também os agentes turísticos se mostrem contra a barragem.

“O que esta gente não vê é que barragens há em todo o lado e linhas de via estreita com esta beleza são raríssimas. As poucas que existem na Europa estão a ser preservadas e potenciadas”, disse o dono de uma agência de viagens de Mirandela.

TROÇO REABRE ESTE MÊS

O troço entre o Tua e o Cachão, encerrado na sequência do acidente, deve reabrir à circulação no próximo dia 15. Para já não se sabe se algum governante estará presente na cerimónia que possibilitará, novamente, a viagem de comboio da estação do Tua, na Linha do Douro, até à cidade de Mirandela. Se a barragem for efectivamente construída, deixará submersos cerca de 30 quilómetros de linha e as estações e apeadeiros de Tralhariz, Santa Luzia, S. Lourenço, Brunheda, Codeçais, Abreiro, Ribeirinha e Vilarinho.

“Estamos convictos de que se o senhor primeiro-ministro fizer esta viagem, ordenará, de imediato, que a barragem de Foz Tua seja riscada do tal plano nacional”, disse ao CM o autarca de Mirandela, José Silvano.

REGIÃO VAI PERDER 20 MIL TURISTAS

A Linha do Tua, segundo os dados das autarquias e das regiões de turismo, serve cerca de 20 mil turistas por ano, um importante investimento para a região de Trás-os-Montes, sobre Mirandela, cidade onde a linha termina desde 1987 – antes seguia até Miranda do Douro. Se no Inverno o pequeno comboio, tipo metro de superfície, chega a fazer viagens com quatro ou cinco pessoas, a verdade é que no Verão os dois vagões sobem e descem à pinha de gente.

Trata-se, dizem os especialistas, de um segmento com enormes potencialidades que o nosso país não tem explorado como devia. A Linha do Tua foi uma das mais notáveis obras de engenharia do início do século XX e percorre um vale de rara beleza, por entre vinhas e encostas inóspitas.

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in Correio da Manhã 2007.10.08
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Para saber mais visitar Linha do Tua - Fotos

» Artigos Relacionados

08-10-2007 - 00:00:00 Linha do Tua

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» Comentários no CM on line
Sexta-feira, 12 Outubro

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- Antonio Luis Gomes Sousa Nasci e cresci na região da Linha do Tua e fui usuário dela durante muitos anos uma vez que era nos anos 70 o meio de transporte mais utilizado nessa região.Tenho ótimas recordações e saudades dessa época. Na minha opinião, além de ser uma região de rara beleza, tem potencial para aumentar o turismo histórico da nossa região. Preservar a História de um povo é parte do engrandecimento de uma Nação.
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Terça-feira, 9 Outubro

- José Tanto dinheiro foi gasto na escolha das maravilhas de Portugal e do mundo, cujo o espectáculo decorreu inclusivamente em Lisboa e agora as ditas cujas cabeças querem destruir uma das maravilhas naturais do país. Pois eu digo: o problema do país não é falta de energia não, é mas é a idiotice de um punhado de pacóvios com horizontes limitados.
- Xico Silva Bom pretexto que os politicos arranjaram para se desfazerem da Linha do Tua sem levantar muita polémica, invocam o interesse publico, façam um estudo de impacto ambiental de jeito com geografos e vejam se o parecer deles é favoravel à construção da barragem. Obvio que não, a barragem vai destruir o ecosistema riquissimo que existe naquela região da Terra Quente Transmontana!

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Segunda-feira, 8 Outubro

- Cátia Fiz viagem na linha do Tua há uns anos atrás quando fui para um festival de Verão. Fiquei deslumbrada com a beleza da paisagem, o comboio a passar mesmo à beira do rio, o ambiente rústico e acolhedor... Espero francamente que a barragem não avance, pois irá ser destruido um potencial natural e turistico que não tem preço.
- Jose Sousa Sou transmontano e daquela zona (Alijó). Por isso quero barragem e porque não linha de CF. Com vontade tudo se resolve. Tinha mais pena se fossem as caldas de Carlão.
- vitor silva Lá está o Governo a querer arranjar postos de trabalho e a pôr as pessoas a trabalhar.
- Mariana - Brasil O governo português está totalmente equivocado. Esta região que querem destruir é muito bonita! Já tive o prazer de fazer o percurso de trem e achei ótimo! Com pouco gasto pode-se revitalizar este lugar, que trará sem dúvida grandes reservas econômicas! Não destruam a natureza! Portugal tem um território tão pequeno! Preservem e cuidem do que é dos portugueses! Este lugar merece ser preservado!
- paulo raul O rio Tua é um rio que nasce em Trás-os-Montes e é dos Transmontanos, gente que o amansou, amou e cuidou.A barragem é uma jogada económica do ramo da energia, que poderá resultar na percentagem de 1%, se tanto, para a resolução do problema energético nacional. E para isso inunda-se toda uma estrutura da já abandonada "Terra Quente Transmontana" para dar uma "aspirina" aos reis do betão.
- Fernando Gouveia A linha do Tua nunca chegou a Miranda do Douro, mas sim a Bragança. A que chagava a Miranda do Douro era a antiga linha do Sabor, também já desactivada, que saía do Pocinho e ia até Miranda do Douro.
- aurora barbosa sou descendente de gente transmontana, vou lá sempre que posso pois adoro a aldeia de meus avós. Sr Engenheiro José Socrates peço-lhe que tenha consideração pela gente transmontana. Não deixe que esta linda paisagem se estrague com mais uma barragem. Tente compreender a beleza agreste desta pequena maravilha que faz parte de Portugal!! Muito obrigada!
- José Antes seguia para Bragança. Para Miranda do Douro nunca houve nenhuma ligação ferroviária, só chegava às Duas Igrejas.
- migalhas Isto faz-me lembrar um celebre inspector da cp que mandou derrubar o deposito da agua construido em 1933 para dar assistencia á fabrica da renault que veio a encerrar. e o patrimonio ja nao existe. é o que querem fazer com a linha do tua.
- Ana Alves A assembleia da republica é que devia ficar submersa, mas com politicos lá dentro. Depois queixam-se que são insultados... coitadinhos...
- carlos gomes Aí está os Políticos a gastarem os nossos impostos bem... investiram numa linha que vai ser submersa...vão arruinar um dos poucos rendimentos da região que é o Turismo...e por fim vão destruir paisagens de rara beleza e insubstituiveis... ENFIM ISTO É O NOSSO PAIS...
- catarina sá Esta linha é talvez, senão mesmo a única possibilidade de muitos transmontamos daqueles concelhos de se conseguirem ligar a mirandela. Falo isto por experiência própria, por ser de uma aldeia do concelho de carrazeda de ansiães, onde a camioneta passa uma vez por dia e não vai até mirandela, só vai até vila flor. Destruir a linha do tua é desertificar cada vez mais o interior,lembrem-se disso!
- Gonçalo Seabra Este regime ditatorial que governa o país anuncia cada vez mais obras:1º construção de aeroporto,TGV,barragens,novas pontes,se alguns investimentos,feitos de uma forma moderada poderão ser justificaveis,outros não.De onde vem tanto dinheiro?Tudo disto vai absorver metade dos futuros fundos comunitarios.E quem vai pagar as megalomanias?
- joao sou da zona do cachão, O rio tua desde há muitos anos è o esgoto de todas as aldeias e vilas da região, no lugar da barragem? fação uma estação de tratamênto
- Gomes (Genève) Eu penso que a barragem é benéfico para o país, mas tambémtêm que encontrar alternativas para salvaguardar a linha do Tua e arranjar alternativa para que a linha continue a mostrar esta linda região .
- Carlos Uma linha fantástica, que vale a pena visitar e conhecer os bons pratos de Mirandela. No Verão todos os anos os Estrangeiros visitam o Tua e o encanto da sua Linha mundialmente conhecida.
- bruno Mas em nome do "progresso" se destrói o que de de mais belo existe em Portugal? Justifica-se mesmo? E se este dinheiro que querem lá gastar fosse canalizado para o turismo?! A região não ficaria a ganhar MUITO MAIS? Todos agradecíamos.
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Segunda-feira, 8 Outubro

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- carlos Esta linha de comboio se fosse no Algarve já estava tudo resolvido, para encher os bolsos ao governo, mas como é aqui no norte de Portugal nada é feito, sabem o que eu digo é tudo uma camada de cobardes, este governo não sabe trabalhar, só anda a roubar o povo.
- Correia Pobres transmontanos. N sabeis o q creis. Se n se fizer nada acabais por morrer de tedeo. Conheço a zona pois sou de la e tenho por convicçao q a melhor soluçao é efectivamente a BARRAGEM.
- fernando silva Isto um dia vai rebentar e os senhores politicos que se cuidem... (Lx)