Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 22 de março de 2011

Altamiro Borges: a força e os limites da blogosfera

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Vermelho - 22 de Março de 2011 - 14h38
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Em sua visita ao Brasil, o presidente do EUA, Barack Obama, havia programado um megaevento na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, palco de históricos protestos em defesa da democracia e a soberania nacional. Na última hora, o show de pirotecnia foi cancelado. Segundo a própria mídia hegemônica, a razão foi que o serviço de inteligência do império, a famigerada CIA, alertou a diplomacia ianque sobre os "protestos convocados pelas redes sociais". Obama ficou com medo!

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Por Altamiro Borges

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Este episódio, uma vitória dos internautas progressistas do Brasil, comprova a força da internet. Num meio ainda não totalmente controlado pelas corporações capitalistas é possível desencadear ações contra-hegemônicas e quebrar o “pensamento único” emburrecedor da velha mídia. Desde Seattle, quando manifestações contra a rapina imperial foram convocadas basicamente pela internet, este fenômeno chama a atenção dos atores sociais. De lá para cá, o acesso à rede só se ampliou – no mundo e no Brasil.
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Uma arma poderosa
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Nas recentes convulsões populares no mundo árabe, que derrubaram os ditadores da Tunísia e do Egito – sempre tratados como “amigos do Ocidente” pela mídia tradicional – a internet foi uma arma poderosa. Ela não produziu as “revoluções”, mas ajudou a detoná-las. Agora mesmo, na Líbia, há uma guerra de informações da globosfera, acompanhada da real e sangrenta guerra dos mísseis. A internet faz parte hoje da guerra, virtual e real, que se trava nas sociedades. Não dá para desconhecer esta nova realidade.
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Os meios tradicionais de comunicação, hegemonizados por poucas corporações – no máximo 40, segundo recentes estudos sobre a crescente monopolização da mídia mundial –, não detêm mais o monopólio da informação. Os avanços tecnológicos abriram brechas, mesmo que temporárias, nesta frente estratégia da luta de idéias. Jornais e revistas da oligarquia estão falindo devido ao maior acesso à internet. Mesmo as redes televisão sofrem com a migração para este novo meio, principalmente da juventude.
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A força da blogosfera
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No Brasil, esta realidade é bem palpável. Nas eleições presidenciais de outubro passado, a chamada blogosfera progressista jogou papel de relevo na encarniçada disputa. As manipulações dos impérios midiáticos, que se transformaram em cabos eleitorais do candidato da direita, foram desmascaradas online pela internet. No auge da campanha fascistóide, de baixarias e de falsos moralismos, os blogs independentes atingiram mais de 40 milhões em audiência, segundo pesquisa recente.
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O impacto foi devastador. José Serra, o candidato do Opus Dei e o preferido do império, conforme telegrama vazado pelo WikiLeaks, usou vários palanques para atacar o que ele chamou, pejorativamente, de “blogs sujos”. Já o presidente Lula, sofrendo violento cerco da ditadura midiática, produziu vídeo para estimular a produção independente dos blogueiros. Na guerra de informações, a internet foi decisiva para desmascarar a direita e para mostrar o real significado da candidatura lulista de Dilma Rousseff.
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Passos na organização dos blogueiros
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Neste intenso processo da luta de classes, com a centralidade a batalha eleitoral, a blogosfera progressista deu os primeiros passos para a sua organização no Brasil – de forma autônoma. Em agosto passado, mais de 330 blogueiros e twitteiros realizaram o seu primeiro encontro nacional, em São Paulo. Neste evento histórico, eles decidiram lutar pela democratização da comunicação, contra qualquer tipo de censura à internet, e por políticas públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade informativas.
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Fruto deste encontro histórico, os blogueiros progressistas quebraram a monopólio da mídia tradicional e realizaram a primeira entrevista coletiva com um presidente da República, Lula, em novembro passado. A velha mídia até tentou desqualificar o evento inédito, numa crise de “ciúme” ridícula. Na prática, ela sentiu o baque de uma mudança de paradigma que está em curso. Parafraseando o revolucionário italiano Antonio Gramsci, a coletiva com Lula evidenciou que “o velho está morrendo e o novo ainda não acabou de nascer”.
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Os desafios do futuro
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O segundo encontro nacional de blogueiros progressistas está agendado para junho próximo, em Brasília. Nele não haverá mais o fator galvanizador que estimulou o primeiro – a luta contra a mídia golpista, que se transformou no “partido do capital” durante o pleito presidencial. O desafio será encontrar novos pontos de unidade na enorme diversidade existente na rede. Sem verticalismo e estruturas hierarquizadas, este movimento amplo e plural tem muito a contribuir na luta pelo avanço da democracia no Brasil.
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Os blogueiros progressistas, que hoje já constituem uma vasta e influente rede no país, podem amplificar a luta pela democratização dos meios de comunicação. Está na ordem do dia o debate sobre o novo marco regulatório da mídia, que garanta a verdadeira liberdade de expressão para os brasileiros – e que não se confunde com a “liberdade de empresa” dos monopólios midiáticos. Também está em curso a discussão sobre a liberdade na internet, com investidas da direita contra este direito libertário.
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Além de interferir nestas batalhas estratégicas, os blogueiros precisam ampliar sua capacidade de interferir na luta de idéias contra-hegemônicas na sociedade. É preciso que “floresçam mil flores”, que surjam mais e melhores blogs independentes, garantindo maior diversidade e pluralidade informativas. É urgente também qualificar os nossos instrumentos, produzindo conteúdos jornalísticos de qualidade. Para isso, é preciso encontrar caminhos de sustentação financeira da blogosfera, que potencializem essa nova militância virtual.
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Riscos de retrocesso
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A internet abriu brechas para novas vozes se expressarem na sociedade. Mas ela não deve ser idealizada. Quem detém maior audiência são os portais de notícia e entretenimento dos mesmos grupos midiáticos. A publicidade, que cresce na rede (nos EUA, ela superou pela primeira vez na história os anúncios nos jornais impressos), é totalmente sugada pelos barões da mídia. Ou seja: a internet é um campo de disputa. Sem ampliar e qualificar sua produção, a blogosfera progressista será derrotada, falará para seus nichos.
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Além disso, a tecnologia não é neutra. Os monopólios da comunicação, que tornam reféns vários governos, já estudam mecanismos para cercear a liberdade na rede. Barack Obama, que a cada dia se revela um falso democrata, já enviou ao Congresso dos EUA um projeto para “vigiar” a internet. No Brasil, um parlamentar do bloco neoliberal-conservador, Eduardo Azeredo (PSDB), também se apressou em copiar o império e já apresentou projeto para abortar a neutralidade na rede. Os embates neste campo tendem a crescer.
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segunda-feira, 14 de março de 2011

O poder da internet: fatos x versões - Venício Lima





DEBATE ABERTO

Embora seja mais fácil e simpático estabelecer, sem mais, uma relação de causalidade direta entre as novas TICs e a derrubada, por exemplo, do velho ditador egípcio, talvez seja prudente não precipitar conclusões.

Os últimos acontecimentos políticos no norte da África constituem ocasião singular para observação do papel da mídia no mundo contemporâneo. Da nova e da velha mídia.
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Embora seja mais fácil e simpático estabelecer, sem mais, uma relação de causalidade direta entre as novas TICs e a derrubada, por exemplo, do velho ditador egípcio, talvez seja prudente não precipitar conclusões.
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A palavra do especialista
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Quando esteve no Brasil, a convite do Centro Ruth Cardoso, aquele que muitos consideram a maior autoridade mundial da chamada “sociedade-rede”, Manuel Castells, em entrevista à Folha de São Paulo conduzida dentro do controvertido enquadramento de “decepção com o papel da internet no processo eleitoral brasileiro”, declarou às vésperas do primeiro turno das eleições de 2010:
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“O Brasil segue uma dinâmica assistencialista em que da política se esperam subsídios e favores, mais do que políticas. A situação econômica do país melhorou consideravelmente. (...) A renovação do sistema político exige que as pessoas queiram uma mudança, e isso normalmente ocorre quando existem crises. A internet serve para amplificar e articular os movimentos autônomos da sociedade. Ora, se essa sociedade não quer mudar, a internet servirá para que não mude” [grifo meu; cf. http://www1.folha.uol.com.br/poder/801906-se-um-pais-nao-quer-mudar-nao-e-a-internet-que-ira-muda-lo-diz-sociologo-espanhol.shtml].
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Recentemente, diante das manifestações populares na Tunísia e no Egypto, perguntado se estava surpreso pela mobilização social, Castells respondeu:
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“Na verdade não. No meu livro ‘Comunicação e Poder’, dediquei muitas paginas para explicar, a partir de uma base empírica, como a transformação das tecnologias de comunicação cria novas possibilidades para a auto-organização e a auto-mobilização da sociedade, superando as barreiras da censura e repressão impostas pelo Estado. Claro que não depende apenas da tecnologia. A internet é uma condição necessária, mas não suficiente. As raízes da rebelião estão na exploração, opressão e humilhação. Entretanto, a possibilidade de rebelar-se sem ser esmagado de imediato dependeu da densidade e rapidez da mobilização e isto relaciona se com a capacidade criada pelas tecnologias do que chamei de “auto-comunicação de massas” [grifo meu; cf. http://www.outraspalavras.net/2011/03/01/castells-sobre-internet-e-insurreicao-e-so-o-comeco/ ].
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Embora se referindo a situações radicalmente distintas, Castells indica que as TICs – redes sociais, celulares e outros – não causam os movimentos sociais mas funcionam como “condição necessária” para a ampliação e articulação deles. E, por óbvio, é necessário que as TICs estejam suficientemente (?) difundidas na sociedade em questão, seja ela o Brasil ou a Tunísia.
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A velha mídia
Por outro lado, comentando depoimento da Secretaria de Estado Hillary Clinton no Comitê de Política Externa do Senado dos Estados Unidos, no dia 2 de março, no qual ela afirmou que os EUA estavam perdendo a “guerra da informação” (sic) para a rede Al Jazeera, o jornalista político escocês-estadunidense Alexander Cockburn, um dos editores do jornal CounterPunch, lembrou:
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“(...) há uma florescente pequena indústria da internet que afirma que a derrubada de Mubarak ocorreu por cortesia do comando Twitter-Facebook dos EUA. O New York Times publicou numerosos artigos sobre o papel do Twitter e do Facebook enquanto ignora ou vilipendia ao mesmo tempo Julian Assange e Wikileaks. Por certo, em qualquer discussão sobre o papel da internet na convocação dos levantes no Oriente Médio, deveria se dar o maior crédito ao Wikileaks. Mas Wikileaks, junto com Twitter e Facebook, tornam-se quase insignificantes em comparação com o papel exercido pela Al Jazeera. Milhões de árabes não podem tuitar e não estão familiarizados com o Facebook. Mas a maioria vê televisão, o que significa que todos assistem à Al Jazeera, a qual detonou o “artefato explosivo improvisado” que estourou sob a Autoridade Palestina, a saber, o conjunto de documentos conhecidos como Palestine Papers” [cf. http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17511 ].
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Para Hillary e para Cockburn a “guerra da informação” continua sendo travada e disputada, de fato, no território da velha televisão.
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Ainda Gramsci
Todas essas considerações são apenas para repetir a cautela que tenho reiterado em relação às interpretações que atribuem, sem mais, poderes mágicos e revolucionários às novas TICs.
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Nos “Cadernos de Cárcere” quando Antonio Gramsci (1891-1937) comenta sobre a "crise de autoridade" (Selections of the Prison Notebooks; International Publishers, New York, 1971; págs. 275-276), embora, por óbvio, as circunstâncias fossem outras e seja necessária uma pequena adaptação no texto, penso que se aplica ao nosso momento histórico a idéia de que "o velho está morrendo e o novo apenas acaba de nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece" (a frase original correta é: "A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece").
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Um pouco de cautela talvez não nos leve a conclusões precipitadas sobre o real poder das novas TICs. E, mais importante, evite erros graves na avaliação e na formulação de políticas públicas para as comunicações.
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Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.
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http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4988
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domingo, 19 de dezembro de 2010

A revolução das comunicações no século 21

Mídia

Vermelho - 18 de Dezembro de 2010 - 11h19

Todas as sociedades, todas as épocas, todas as décadas se orgulham de ter dado abrigo a alguma crise, termo que pode ser a outra face de uma revolução. Qual é, portanto, a grande crise revolucionária do século 21?

Por Miguel Ángel Bastenier


Será a chegada de um político negro à Casa Branca? O desencadeamento do terrorismo internacional, cujo estandarte diz ser a Al Qaeda? O começo do declínio do império americano, derrotado ou a caminho disso em duas guerras na Ásia Central? A emergência da China como potência global? A invenção de um socialismo chamado exatamente "do século 21" na Venezuela? A progressiva instalação do fator indígena na política da América Latina? O paulatino naufrágio do Titanic europeu, na debacle do capitalismo financeiro?

Embora todas as comoções anteriores apresentem sérios méritos para merecer tão alta consideração, não competem com uma de maior categoria porque é transversal e afeta a cada uma delas. É a revolução das comunicações, com seu epifenômeno de crise nos meios informativos já clássicos ou convencionais. Dir-se-á que essa revolução começou nos anos 90, mas seus efeitos mais deletérios só chegaram à Europa com toda a sua crueza nesta primeira década do século 21, e o Wikileaks é apenas um subproduto da mesma.

Pela primeira vez na história, e de forma especialmente maciça neste século, o cidadão pode se comunicar instantaneamente por áudio, imagem e texto ao mesmo tempo, com qualquer outro cidadão, de um extremo a outro do globo. Embora haja zonas do planeta menos beneficiadas, o mundo, para efeitos de comunicação, já é um só. E isso significa que os que haviam sido até data recente gestores exclusivos da informação - não só nos jornais impressos, mas hoje também nas fórmulas digitais - têm de enfrentar uma nova concorrência: a informação - a qual certamente seria melhor chamar apenas comunicação - que é livre de circular porta a porta, de consumidor a consumidor, ou fazendo que se confundam em uma só figura o produtor e o consumidor.

E se é verdade que a utilização do meio digital aumenta a ponto de nunca se ter consumido tanta informação como hoje, tudo indica que essa versão pessoa a pessoa cresce tão rapidamente ou mais que a oferecida pelas organizações, também digitais, que se dedicam profissionalmente à distribuição de conteúdos. É esta uma revolução da qual apenas vislumbramos as consequências e que obriga a se perguntar: qual será a natureza da informação, a quê chamaremos de jornalismo e jornalistas em um futuro provavelmente não muito distante?

A campanha do presidente americano Barack Obama não teria sido a mesma sem o concurso de um exército de jovens medianamente revoltados que reuniram partidários, transmitiram slogans, organizaram equipes para que ganhasse o autor do "Yes, we can"; e a contraofensiva ultra do movimento do Tea Party se organizou e difundiu inicialmente também no meio eletromagnético; se nos anos 60 o transistor se transformou no meio natural de comunicação de movimentos revolucionários do Terceiro Mundo, como a FLN na Argélia, nos 2000 a última Intifada palestina utilizava a rede para coordenar a resistência ao ocupante, e é também nesse meio que debatem os defensores de um islamismo moderado e os corifeus de Osama bin Laden, que, caso exista, consegue a ubiquidade perfeita graças à rede; e até a própria China define em parte sua revelação como potência mundial em uma homenagem involuntária à Internet, tentando controlar o funcionamento das mensagens globalizadas em seu espaço elétrico.

Se o jornalismo de papel ou digital só pode ser já de investigação, ou capaz de desenvolver uma "agenda própria", a grande exclusiva é obtida, no entanto, por alguns hackers por suas habilidades tecnológicas. Com esse material, cinco grandes jornais - entre eles este - hão de realizar, é claro, um esmerado e prolixo trabalho de desobstrução e refinamento, mas o decisivo foi a capacidade de arrancar os segredos da rede.

O grande jornalista investigativo americano I. F. Stone - morto em 1989 - escreveu há quase meio século o comentário mais apto ao caos de reações interessadas nos vazamentos do Wikileaks: "Suprimir a verdade em nome da segurança nacional é a forma mais segura de solapar o que pretendemos que seja nosso objetivo". O ataque à falta de transparência do poder é o arremate de uma revolução.

Fonte: El Pais
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  • Revoluções das novíssimas tecnologias digitais e a inclusão social de milhões de pessoas

    18/12/2010 17h41
    Tão revolucionário quanto as novíssimas tecnologias digitais de comunicação – principalmente internet e telefonia celular, na qual a convergência de mídias como o videofone é um bom exemplo, tão revolucionário quanto isso, que gera crises e oportunidades, é o rápido processo de inclusão social de milhões de pessoas ora em curso em países como Brasil e China. Dos outros países que formam o BRIC, Rússia e Índia, tenho poucas notícias sobre esse processo de incorporar ao mercado populações antes marginalizadas pelas muitas injustiças do capital ... Na Índia a mobilidade social, devido ao sistema de castas, é muito mais difícil do que em sociedade de classes ... Assim, lá, a inclusão social de multidões passa por inovador programa de empreendedorismo e micro-crédito para população de baixa renda. Inovações em várias partes do mundo ocorrem também na polêmica área de alimentos produzidos com ajuda da biotecnologia; na agricultura familiar; e na crescente produção de alimentos orgânicos.
    Jóis Alberto
    Natal - RN
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Liberdade de expressão: o "efeito silenciador" da grande mídia



Colunas

Vermelho - 6 de Agosto de 2010 - 0h15


Venicio A. de Lima *

A interdição do debate verdadeiramente público de questões relativas à democratização das comunicações pelos grupos dominantes de mídia funciona como uma censura disfarçada. Este é o “efeito silenciador” que o discurso da grande mídia provoca exatamente em relação à liberdade de expressão que ela simula defender.

Desde a convocação da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), em abril de 2009, os grandes grupos de mídia e seus aliados decidiram intensificar a estratégia de oposição ao governo e aos partidos que lhe dão sustentação. Nessa estratégia – assumida pela presidente da ANJ e superintendente do grupo Folha – um dos pontos consiste em alardear publicamente que o país vive sob ameaça constante de volta à censura e de que a liberdade de expressão [e, sem mais, a liberdade da imprensa] corre sério risco.

Além da satanização da própria CONFECOM, são exemplos recentes dessa estratégia, a violenta resistência ao PNDH3 e o carnaval feito em torno da primeira proposta de programa de governo entregue ao TSE pela candidata Dilma Roussef (vide, por exemplo, a capa, o editorial e a matéria interna da revista Veja, edição n. 2173).

A liberdade – o eterno tema de combate do liberalismo clássico – está na centro da “batalha das idéias” que se trava no dia-a-dia, através da grande mídia, e se transformou em poderoso instrumento de campanha eleitoral. Às vezes, parece até mesmo que voltamos, no Brasil, aos superados tempos da “guerra fria”.

O efeito silenciador
Neste contexto, é oportuna e apropriada a releitura de “A Ironia da Liberdade de Expressão” (Editora Renovar, 2005), pequeno e magistral livro escrito pelo professor de Yale, Owen Fiss, um dos mais importantes e reconhecidos especialistas em “Primeira Emenda” dos Estados Unidos.

Fiss introduz o conceito de “efeito silenciador” quando discute que, ao contrário do que apregoam os liberais clássicos, o Estado não é um inimigo natural da liberdade. O Estado pode ser uma fonte de liberdade, por exemplo, quando promove “a robustez do debate público em circunstâncias nas quais poderes fora do Estado estão inibindo o discurso. Ele pode ter que alocar recursos públicos – distribuir megafones – para aqueles cujas vozes não seriam escutadas na praça pública de outra maneira. Ele pode até mesmo ter que silenciar as vozes de alguns para ouvir as vozes dos outros. Algumas vezes não há outra forma” (p. 30).

Fiss usa como exemplo os discursos de incitação ao ódio, a pornografia e os gastos ilimitados nas campanhas eleitorais. As vítimas do ódio têm sua auto-estima destroçada; as mulheres se transformam em objetos sexuais e os “menos prósperos” ficam em desvantagem na arena política.

Em todos esses casos, “o efeito silenciador vem do próprio discurso”, isto é, “a agência que ameaça o discurso não é Estado”. Cabe, portanto, ao Estado promover e garantir o debate aberto e integral e assegurar “que o público ouça a todos que deveria”, ou ainda, garanta a democracia exigindo “que o discurso dos poderosos não soterre ou comprometa o discurso dos menos poderosos”.

Especificamente no caso da liberdade de expressão, existem situações em que o “remédio” liberal clássico de mais discurso, ao invés da regulação do Estado, simplesmente não funciona. Aqueles que supostamente poderiam responder ao discurso dominante não têm acesso às formas de fazê-lo (pp. 47-48).

Creio que o exemplo emblemático dessa última situação é o acesso ao debate público nas sociedades onde ele (ainda) é controlado pelos grandes grupos de mídia.

Censura disfarçada
A liberdade de expressão individual tem como fim assegurar um debate público democrático onde, como diz Fiss, todas as vozes sejam ouvidas.

Ao usar como estratégia de oposição política o bordão da ameaça constante de volta à censura e de que a liberdade de expressão corre risco, os grandes grupos de mídia transformam a liberdade de expressão num fim em si mesmo. Ademais, escamoteiam a realidade de que, no Brasil, o debate público não só [ainda] é pautado pela grande mídia como uma imensa maioria da população a ele não tem acesso e é dele historicamente excluída.

Nossa imprensa tardia se desenvolveu nos marcos do de um “liberalismo antidemocrático” no qual as normas e procedimentos relativos a outorgas e renovações de concessões de radiodifusão são responsáveis pela concentração da propriedade nas mãos de tradicionais oligarquias políticas regionais e locais (nunca tivemos qualquer restrição efetiva à propriedade cruzada), e impedem a efetiva pluralidade e diversidade nos meios de comunicação.

A interdição do debate verdadeiramente público de questões relativas à democratização das comunicações pelos grupos dominantes de mídia, na prática, funciona como uma censura disfarçada.

Este é o “efeito silenciador” que o discurso da grande mídia provoca exatamente em relação à liberdade de expressão que ela simula defender.


* é professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010
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* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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  • CENSURA DOS DOIS LADOS, tudo igual?

    06/08/2010 22h38
    Efeito silenciador. Lamentavelmente, os "blogs" ditos "democraticos" e, deste "lado" daqui, estão se aproximando E MUITO dos "blogs" de DIREITA. Somente uma opinião "vivida". A censura esta a solta tanto de lá, como de cá. É um absurdo. No entanto, os donos desses blogs são os donos desses blogs e, por assim, suas ações estão fundamantadas em suas propriedades. É um desalento.
    H.Pires
    SBC - SP
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sérgio Nobre: por que o trabalhador não pode ter uma TV?


Mídia

Vermelho -2 de Agosto de 2010 - 14h06

A exemplo de 1° de janeiro de 2003, quando de forma pioneira um operário assumiu a Presidência da República, 6 de agosto de 2010 entrará para a história da classe trabalhadora com a estreia da primeira emissora de televisão dos trabalhadores, a TVT.

Por Sérgio Nobre, no portal da CUT

A conquista foi suada e repleta de percalços. Foram necessárias mais de duas décadas de luta contra interesses políticos, burocracia e muito preconceito até que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC obtivesse essa vitória sem precedentes, que abre um novo espaço para que outras categorias e movimentos sociais possam se expressar.

O ponto de partida e de chegada dessa conquista tem o mesmo nome: Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1987, como deputados constituintes, Lula e Vicentinho (presidente do Sindicato à época), fizeram o primeiro pedido oficial de concessão de uma emissora de TV ao então ministro Antonio Carlos Magalhães. Em 2005, já presidente da República, Lula assinava o decreto de outorga do canal 46 UHF para a Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, da qual o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC é legalmente instituidor e mantenedor.

Vencidas essas etapas, a TVT passa a existir e a ser, além de uma nova alternativa de canal educativo, importante marco no urgente processo de democratização dos meios de comunicação no Brasil. Torna-se vanguarda em um País cuja mídia está sob o domínio histórico de meia dúzia de grupos familiares vinculados a elites políticas, que se recusam a reconhecer a importância dos movimentos sindicais e sociais na construção da democracia.

O momento é de comemoração, porém temos consciência de que apenas iniciamos uma longa jornada rumo à consolidação do nosso projeto de comunicação e do desafio de disputar a preferência da audiência no “País das Novelas”.

A TVT começa com uma programação enxuta, mas consistente e arrojada, que garantirá vez e voz à classe trabalhadora e aos movimentos sociais. Emissora educativa, não exibirá novelas, seriados ou reality show. Com criatividade, buscará o dialogo e a interlocução dos trabalhadores, por meio de linguagem e signos que eles entendem, querem e precisam ver e ouvir.

Sabemos que muitos olhos estarão voltados à TVT. Parte deles não torcerá pelo sucesso da emissora, como prova a avalanche de críticas, opiniões e repercussões negativas que sucederam o anúncio do decreto da concessão, em 2009. Torcida contrária que abusou da ignorância e do preconceito e que suscita a seguinte questão: por que os trabalhadores, representados por um sindicato legítimo e combativo, não podem ter uma emissora de televisão?

Não seriam o sindicato e os trabalhadores tão dignos de um canal quanto o são as poderosas e lucrativas redes Globo, Bandeirantes, Record, SBT, Rede TV? Juntas, elas somam 927 emissoras de televisão, número que extrapola o limite legal fixado pelo Decreto Lei nº 236/67, segundo publicações especializadas. Escoradas em brechas e ambigüidades legais, essas redes monopolizam os meios de comunicação no País, apesar de a Constituição Brasileira, em seu Parágrafo 5º do Artigo 220, determinar o contrário.

Os trabalhadores não têm direito a uma emissora de TV, quando é fato público que, no Brasil, mais de duas centenas de políticos são, ilegalmente, sócios ou diretores de 300 veículos de comunicação?

Buscamos a nossa TV de forma incansável durante 23 anos, busca potencializada e priorizada a partir de 2008, pela atual direção do Sindicato. Participamos de quatro concorrências de concessão de radiodifusão e fomos preteridos em todas, apesar de o Sindicato e a Fundação terem cumprido, sem exceção, os requisitos exigidos por lei.

O sindicato representa 100 mil trabalhadores de uma das regiões mais produtivas e importantes do Brasil e da América Latina. Temos, portanto, o direito legítimo e legal a uma emissora de televisão, reivindicação histórica de uma categoria que foi referendada em sucessivos congressos. Por isso, as especulações e críticas políticas que se formaram por conta de o canal ter sido concedido durante o governo de um presidente operário só escancaram o preconceito contra a classe trabalhadora no Brasil.

Informação é cultura, é história, é educação. Informação deve combater e derrubar preconceitos. E televisão é, também, informação. A Rede TVT será um canal de informação, cultura, educação e história do trabalhador e para o trabalhador, de forma realmente democrática.

* Sérgio Nobre é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
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domingo, 25 de julho de 2010

Novas mídias: O fim dos jornais impressos?


Mídia

Vermelho - 24 de Julho de 2010 - 19h16

O anúncio feito nesta semana sobre a migração do Jornal do Brasil para plataforma totalmente digital reacendeu as discussões sobre a substituição dos meios impressos de comunicação por conteúdos digitais. A partir de setembro, o periódico surgido em 1891, no Rio de Janeiro, e considerada uma das mais tradicionais publicações da imprensa nacional, estará disponível apenas através da internet, mediante pagamento de uma assinatura mensal.

Por Francisco Beltrame Trento, no Observatório da Imprensa

Uma das motivações da reformulação consiste na adequação do famoso JB ao iPad e similares.

Diante do fato, opiniões contrastantes surgiram: alguns afirmam que se trata de um caso isolado, decorrente de problemas organizacionais da empresa carioca.

Outros, mais apocalípticos, acreditam ser este mais um sinal de que os jornais impressos, assim como livros e conteúdos culturais físicos, não continuarão existindo por muito tempo.

No início do ano, o semiologista e escritor Umberto Eco lançou um livro – em parceria com os franceses Jean Claude Carrière e Jean-Philippe de Tonac, roteirista de cinema e jornalista, respectivamente. Intitulada Não contem com o fim do livro, a obra tem distribuição no Brasil pela Editora Record e é traduzida por André Talles.

Nela, os três autores dialogam e sugerem alguns argumentos para mostrar que o papel dificilmente será substituído de forma total por tecnologias digitais.

Rotina e intimidade

Ainda assim, deve-se destacar o surgimento de novos e-readers, que tentam deixar a leitura de formatos digitais mais intimistas e sem os tradicionais inconvenientes, possibilitando que jornais e livros consigam ser acompanhados com conforto no aparelho.

O Kindle, da gigante de vendas online Amazon, por exemplo, chama a atenção por sua tela, que não cansa a vista – utiliza uma espécie de tinta que "corre" sobre o visor.

É fato que tentar traçar qualquer tipo de prognóstico sobre um tema cujas influências mudam a cada dia é praticamente impossível.

O próprio Umberto Eco, apesar de não acreditar que essa extinção do uso do papel acontecerá tão brevemente, deixa claro sua incerteza: "Tudo pode acontecer. Amanhã, os livros podem vir a interessar apenas a um punhado de irredutíveis que irão saciar sua curiosidade nostálgica em museus e bibliotecas."

De qualquer forma, é interessante observar como no curso de toda a história humana documentada as novas mídias, na maioria dos casos, não substituíram as anteriores.

Pode-se dizer que cada tipo de meio de comunicação envolve uma diferente experiência, tanto sensorial quanto social, e que se trata de um agregamento de novas formas de se obter informação e conhecimento.

O cinema, por exemplo, não foi substituído pelo surgimento da televisão, dos videocassetes, DVDs e nem mesmo pelos downloads na internet.

O ato de ir ao cinema não acontece puramente por questões de entretenimento, mas envolve toda a mística e o fetiche que envolvem uma sessão –o cheiro de pipoca e outras guloseimas, a companhia, a organização do espaço da sala e até o próprio fato de, por muitas vezes, ser um pretexto para sair de casa e esquecer, por algumas horas, os problemas da vida pós-moderna.

O mesmo acontece com o jornal impresso e com os livros, que frequentemente extrapolam suas funções comunicativas para serem partes de uma certa rotina e intimidade, de efetivo contato físico. (Quem nunca tomou um café da manhã com um jornal aberto?)

Uma revista em formato de jornal

Essa perda de intimidade pode ser descrita a seguir:"O que ganharemos com esses novos livrinhos brancos e, principalmente, o que perderemos? Hábitos ancestrais, talvez.

Certa sacralidade com que o livro foi aureolado no contexto de uma civilização que o instalara no altar. Uma intimidade especial entre o autor e seu leitor que a noção de hipertextualidade irá necessariamente constranger. A ideia de `cercado´ que o livro simbolizava e, justamente por isso, evidentemente, algumas partes de leitura", afirma Tonac, no prefácio de Não contem com o fim do livro.

É inegável que a internet, principalmente por seu caráter colaborativo, é talvez a forma mais rápida de se obter informações sobre fatos relevantes que estão acontecendo no momento da leitura.

Também é impossível deixar de afirmar que essa talvez seja a maior revolução e democratização do conhecimento livre da história, se tornando uma ferramenta fantástica. Ainda que grande parte dos leitores dos periódicos tradicionais deixem de acompanhá-los, é possível manter uma base sólida de assinantes, dando ao jornalismo impresso um caráter mais reflexivo, opinativo, denso – com grandes reportagens (tendência que já vem acontecendo desde o surgimento da televisão e do rádio, mas que deve se fortalecer nos próximos anos).

Um bom exemplo é o semanário alemão Die Zeit (O tempo). Em um formato de papel grande para o que estamos acostumados no Brasil, mas comumente utilizado nos países nórdicos, a publicação resiste e mantém a média de 500 mil exemplares vendidos por edição.

Talvez a sua vendagem não tenha sofrido quedas devido ao fato de a publicação contar com abordagens densas dos temas considerados mais relevantes na semana, por muitas vezes quase filosóficas, quando há o envolvimento de questões políticas, culturais e comportamentais; atingindo quase o status de uma revista, em formato de jornal. Se esse será o destino de boa parte da mídia impressa, nos resta aguardar.
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sábado, 12 de junho de 2010

Efeito Lolita: como a mídia forja sexualidade juvenil de mercado

 

Cultura

Vermelho - 2 de Junho de 2010 - 9h51

A professora de jornalismo e comunicação de massa na Universidade de Iowa (EUA), Meenakshi Gigi Durham, identifica os mitos criados pela mídia no tratamento da sexualidade, com efeitos nocivos para o desenvolvimento das meninas e a a liberdade das mulheres É o que chama de Efeito Lolita: cada vez mais a mídia atinge garotas mais jovens.

Por Marcos Aurélio Ruy*

No livro O Efeito Lolita: a sexualização das adolescentes pela mídia, e o que podemos fazer diante disso, Meenakshi Gigi Durham diz que é necessária a criação de grupos de discussão com participação efetiva dos jovens como forma de combater esse trabalho cruel feito pela mídia convencional.

É imposto às crianças e jovens um único padrão de beleza possível. E, como as imagens de garotas estampadas nas revistas são irreais, as meninas têm que comprar produtos que vão de cosméticos à cirurgias plásticas para atingir a perfeição de serem sexies e outros aspectos de suas vidas são relegados a segundo plano. A socialite Paris Hilton é a principal modelo a ser seguido assim como o grupo Pussycat Dolls.

Grifes como Victoria’s Secret e cantoras com Christina Aguilera, Britney Spears e Lady Gaga e suas similares pelo mundo afora apresentam como objetos sexuais. O nome Lolita deriva do livro homônimo do escritor russo Vladimir Nabokov: uma menina de 12 anos que é um tipo de garota especial, seduz sem ter consciência disso, passa a ter relacionamento amoroso com um adulto.

No livro Educar para a submissão, o descondicionamento da mulher, a pesquisadora italiana Elena Gianni Belotti, já havia mostrado como é um traço cultural a submissão da mulher. “A tradicional diferença de caracteres entre macho e fêmea não é devida a fatores congênitos, e sim, aos condicionamentos culturais a que o indivíduo é forçado no curso do seu desenvolvimento”.

No caso do Efeito Lolita, Durham também faz uma abordagem demonstrando como a natureza não dita as regras no comportamento humano, sendo que a mídia destinada aos jovens é em boa parte dirigida por mulheres mas sujeitam-se à vontade maior do deus mercado. “O verdadeiro problema com o Efeito Lolita é que as garotas não têm controle sobre essa situação.” Ele consiste “numa fantasia masculina adulta.” E a mídia usa essa fase de descobertas das adolescentes inculcando-lhes ainda mais insegurança, simplesmente para vender mais produtos.

Durham deseja fornecer as ferramentas necessárias para se reconhecer e reagir de modo proativo. “Examinar com rigor o ‘Efeito Lolita’ permitirá desvendar os mitos que compõem o espetáculo da sexualidade das garotas na cultura pop convencional.” É muito comum em revistas na atualidade “a ninfeta com rosto de criança e curvas voluptuosas que posa de modo provocativo em capas de revistas. A sexualização das meninas nos ambientes aparentemente seguros, não realistas e fantasiosos da mídia e da publicidade age com o fim de legitimar, e até de tornar glamuroso, o uso da sexualidade das garotas para fins comerciais”, afirma.

As imagens difundidas pela mídia não são reais nem realizáveis; “corrigidas” por softwares de computador, essas imagens criam perfeições inexistentes. Páginas sempre acompanhadas de anúncios de produtos de beleza, entre outros. A mídia é tão persistente que a confusão fica ainda maior na cabeça das adolescentes e o apelo já é feito para crianças de até 8 anos de idade. Segundo Durham há brinquedos nos Estados Unidos da “Dança do Poste (uma dança erótica usada em cabarés) para meninas de 1 a 2 anos.

As meninas como objeto sexual

Há programas na tevê brasileira que apresentam mulheres de biquínis fio-dental, mostrando seus atributos físicos. Existe até um quadro num programa considerado de comédia que é chamado “a miss beleza interior”, ou seja pessoas que fogem do padrão caucasiano de beleza. Outros, supostamente menos incautos, mostram crianças muito pequenas, na imensa maioria meninas, imitando seus ídolos com roupas provocativas e com dança sensual.

O apelo sexual é tão presente que um certo programa “para mulheres” de manhã, da Rede Globo, levou duas jovens a andarem nas ruas de São Paulo, uma loira outra morena. A loira estilo Barbie e a morena apresentada como um tipo mais brasileiro. Elas andavam pelas ruas e a repórter ia perguntando aos homens qual era mais atraente. Tudo para justificar uma “matéria jornalística” sobre como manter a cintura fina.

Recentemente, a Associação Americana de Psicologia (APA, sigla em inglês) apresentou um relatório no qual afirma que a exposição em revistas, televisão, videogames, videoclipes, filmes, letras de música e internet, são nocivos para o desenvolvimento de garotas adolescentes.

Segundo a APA isso pode levar “à perda de auto-estima, depressão e anorexia”, entre outros aspectos. A pesquisadora Meenakshi Gigi Durham mostra que na mídia convencional já “não se diferencia mais anúncios de matérias jornalísticas”.

Cinco mitos para perpetuar a dominação

Em seu livro, Durham detecta cinco mitos nos quais a mídia se baseia para vender “produtos de beleza” e para apresentar as garotas como seres sexualizados que existem apenas para favorecer o sexo oposto, sem vontade própria e, pior ainda, sem valorizar nenhum outro aspecto das garotas a não ser o de serem sexies, sempre com o objetivo de agradar ao “olhar masculino”. E o pior: rebaixam cada vez mais a idade das garotas.

O primeiro mito é Se você tem, exiba. Este mito valoriza apenas a aparência sexy das meninas. “Chelsea, de 4 anos, elogia a aparência hot da amiga”, diz a autora, e acrescenta Lexi, 9 anos, veste uma camiseta do Pussycat Dolls com os dizeres “você não gostaria que sua namorada fosse ‘hot’ como eu?”. O mito então vê como “hot” (sexy) como a feminilidade ideal. Até em programas da Disney essa temática aparece como em Hannah Montana, destinados à jovens pré-adolescentes.

Para Durham “as mensagens sobre sexo que as garotas têm recebido por intermédio desses veículos de mídia, exploram a consciência sexual e a ansiedade que caracterizam os anos de adolescência e pré-adolescência.”

Uma pesquisa publicada no ano passado no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissívei” apontou como emissoras mais assistidas a Rede Globo e a MTV, entre os jovens no período das 18 às 22 horas. Na pesquisa as duas emissoras de TV apresentam alto teor erótico nos seus programas e propagandas.

A volência sexual contra meninas

O segundo mito é Anatomia de uma deusa do sexo. O modelo visto como ideal para as garotas tem de ser magra, loira, cabelos longos, ao estilo da boneca Barbie. Para isso os publicitários chegam ao desplante de vender cremes para branqueamento de pele na África e na Ásia.

Também pretendem vender silicone para aumento do tamanho dos seios, entre diversos outros produtos. Segundo Durham até produtos proibidos nos países do Primeiro Mundo por ameaças à saúde, são vendidos no Terceiro Mundo. “As indústrias da moda, das dietas, dos exercícios físicos, dos cosméticos e da cirurgia plástica geram lucros anuais de bilhões de dólares”, afirma Durham, e confirma “a publicidade é a espinha dorsal da mídia”.

No terceiro mito As garotas bonitas, “em 2007, uma garota de 12 anos chamada Maddison Gabriel causou frisson no desfile de moda Gold Coast, da Austrália”. Um noticiário da emissora norte-americana ABC afirmou que Gold teve inspiração em Lolita. Um blogueiro observou, com cinismo indisfarçável: “crianças também conseguem ser ‘hot’”.

A cantora “Britney Spears, aos 16 anos, exibiu-se movimentando-se de modo ostensivo, vestida com um uniforme de escola católica e rabo de cavalo de menininha, em seu primeiro vídeo musical”. Para Durham a roupa clássica de Lolita é o ”leitmotiv predileto da pornografia infantil”.

Em maio a apresentadora Xuxa foi saudada pela mídia por aparecer ladeada por duas jovens gêmeas negras, de 14 anos, desfilando com pouca roupa e, segundo a mídia, tornou-se espécie de madrinha das meninas para tornarem-se modelos. Essa carreira tem sido apresentada em novelas e programas de tevê como ideal para as “meninas bonitas”. Só não falam dos problemas dessa profissão, nem de como as meninas que supostamente não são assim tão “bonitas” devem fazer? Resta a frustração apenas.

Ser violento é sexy é o quarto mito definido pela escritora. Em diversos filmes, a violência sexual contra garotas é apresentada como natural e punitiva. Nesses filmes tanto as garotas “boas” quanto as “más” são assassinadas com o mesmo prazer.

Uma série de filmes de terror, muito apreciada por jovens, Sexta-feira 1, apresenta as garotas que fazem sexo como libertinas que, portanto, devem ser severamente punidas, da mesma forma que os garotos viciados em drogas. O mais pesado, porém, se dá contra as meninas. É a mão de Deus punindo os pecadores.

“Praticamente a cada vez que há uma cena de relação sexual, em que são mostradas longas cenas com garotas adolescentes seminuas, o matador mascarado ataca.” O filme American Pie, apresentado como de libertação sexual, mostra as meninas como instrumentos do sexo e meros objetos a serem usados pelos meninos. No videogame da série Grand Theft Auto os jogadores têm oportunidade de estuprar, espancar e assassinar prostitutas.

Também peças publicitárias apresentam a violência contra mulher como sexy. “As imagens de violência contra as mulheres estão em toda a parte: nos outdoors, nas revistas, na televisão. Um anúncio da Dolce & Gabbana exibe um homem fazendo sexo com uma mulher, enquanto outros homens estão parados em pé, assistindo. A cena sugere um estupro sendo praticado por uma gangue. No anúncio, a modelo é bonita, tem olhar ardente e aparenta estar excitada. O estupro pela gangue é implicitamente justificado”, afirma Durham.

Outro anúncio da Cesare Paciotti “mostra um homem pisando sobre o rosto de uma bela mulher que usa batom vermelho.”

O quinto mito criado pela mída é do que os rapazes gostam. As revistas feitas para meninas invariavelmente dizem que os “rapazes sabem muito a respeito das garotas” e também sabem muito bem o que querem, ao contrário das garotas que não sabem nada, portanto, precisam aprender a satisfazer os desejos dos garotos... com a mídia.

As revistas “ensinam” as meninas a serem atraentes. Manchetes do tipo estampados pela revista norte-americana Seventeen mostram isso claramente: “Experimente esse visual, testado por garotas e aprovados por rapazes”, formam a essência desse mito.

Controlar a volúpia da mídia

“Temos de aprender a ter controle sobre a mídia e a usá-la de modo que melhore nossa vida, em vez de lhe dar total liberdade de ação tanto no espaço público quanto no privado”, afirma Durham. Ela diz ainda que o marketing das empresas está transformando as crianças pequenas em “iscas de sexo”.

Por isso, para ela “a sexualidade deve ser protegida, as pessoas devem ter controle sobre ela, livres de qualquer violência ou coerção. As garotas devem ser amparadas social e culturalmente, de modo que contribua como seu desenvolvimento sexual e o seu bem-estar.”

“O Efeito Lolita está presente nas revistas para adolescentes, nos programas de tevê, nos shopping centers, na pornografia e nas ruas. Às vezes é difícil distinguir uma imagem da outra”, afirma Durham. Ele age dentro de um contexto corporativo e comercial. Em razão disso, não há ética em jogo: “ele é movido pela busca do lucro”.

Principalmente porque a parte mais promíscua e violenta sobra para as meninas pobres que, sem dinheiro para comprar os tais produtos milagrosos e se tornarem “sexies”, tornam-se presas fáceis para a face mais cruel desse contexto: o tráfico sexual de crianças. O Departamento de Drogas e Crimes da ONU descreve o tráfico sexual de crianças como a atividade criminosa de maior expansão no mundo.

“Em certo sentido, o Efeito Lolita superestima e subestima o sexo, ao mesmo tempo: ele dá uma ênfase excessiva à necessidade das garotas de ser sexies, mas não leva o sexo suficientemente a sério a ponto de lhes fornecer informações adequadas sobre como lidar com ele na vida real”, diz Durham. Por isso, ela defende a inclusão do “uso crítico da mídia” na grade curricular “desde o período da pré-escola até o final do ensino secundário”.

* Marcos Aurélio Ruy é jornalista
 

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Passado, presente e futuro da informação, por Thomas Baekdal





Digestivo nº 429 Passado, presente e futuro da informação, por Thomas Baekdal

Para profissionais de comunicação perdidos – como quase todos hoje –, Thomas Baekdal, editor da revista que leva o seu nome, criou uma interessante linha do tempo. Reconstituindo o papel da informação em nossas vidas desde o século XIX, e de maneira gráfica, Baekdal consegue organizar uma história que, por escrito, pode parecer mais complicada. Em seu post entitulado “Where is Everyone?” (Onde está todo mundo?), ele se propõe a ajudar comunicadores que ainda desejam contatar seu público, arriscando, inclusive, alguma futurologia. Voltando no tempo, Baekdal explica que, antes do século XIX (antes dos impressos), predominava a comunicação “face a face”. Com a chegada dos jornais, do século XIX em diante, se você quisesse informação, tinha de ler a respeito. A partir das primeiras décadas do século XX, o rádio foi roubando espaço dos jornais, que eram predominantes – mas o impacto maior, sobre os impressos, viria a partir de meados do século passado, com a televisão. A TV reinou até o fim do século XX, quando surgiu a internet. A Web da década de 1990 obrigava todo mundo a ter um site, e tirava o consumidor de informação de sua passividade, obrigando-o a escolher por onde navegar. Mas a internet continuaria sua evolução, com a Web 2.0, em meados dos anos 2000 – dos blogs às redes sociais. Você não escolheria mais qual informação receber, mas, sim, qual informação não receber (dado o enorme fluxo de informações). Mais para o fim dos anos 2000, surgiria o Twitter – e, no lugar da “blogosfera”, a “statusfera”. A TV deixaria de ser a primeira fonte de informação... Até hoje. No futuro (não tão distante), Baekdal prevê que cada um de nós será uma “central” – de geração, distribuição e consumo de informações. Sem intermediários: sem jornalistas e sem meios de comunicação. E ao vivo, com streamings de áudio e vídeo – via celular. Thomas Baekdal, no Brasil, seria chamado de “xiita”. O pior é que ele não inventou nada, apenas organizou o que, nos seus gráficos, qualquer um agora pode enxergar. Até profissionais de comunicação... 

Internet-Manifest.de





Digestivo nº 434 >>> Internet-Manifest.de
No rastro do reiterado Cluetrain Manifesto, e talvez respondendo ao anúncio de Rupert Murdoch  Internet-Manifest.de – de acabar com a “festa da internet” (e retomar a cobrança pelo acesso a seus jornais na Web) –, 15 autores alemães lançaram, recentemente, um Internet Manifesto (na versão para o inglês de Jenna L. Brinnning). São 17 declarações que visam reforçar a importância do jornalismo que se desenvolveu na internet e que, na visão dos manifestantes, não deve “regredir” agora. Começam, por exemplo, declarando que “na internet é diferente”: “A velha mídia precisa adaptar seus procedimentos à tecnologia mais recente, em vez de ignorá-la ou mesmo tentar superá-la”. “Se as velhas empresas de mídia pretendem continuar existindo, elas precisam entender as novas demandas de seus consumidores e suas novas formas de comunicação”, alerta a 3ª declaração. “Na internet a informação venceu”, proclama a 5ª, enquanto assegura: “Indivíduos, hoje, podem se informar melhor do que nunca”. Segundo a 7ª, “a internet exige [até pelo nome] trabalho em grupo”: “Aqueles que não lincam devidamente, estão se excluindo da conversa e do discurso”. Num hábil jogo de palavras, a 10ª constata que “a liberdade de imprensa de hoje se traduz em liberdade de expressão”, pois “a internet borra as fronteiras entre profissionais e amadores”. Também alerta a 12ª: “Tradição não é [mais] modelo de negócio”. E a 14ª sugere que, na Web, funciona ainda outro tipo de economia: “A internet tem muitas moedas” [e, consequentemente, formas de remuneração]. A 16ª, uma das últimas, conclui que: “Só aqueles que forem excepcionais, e conquistarem a confiança da audiência, vão sobreviver no longo prazo”. Lembrando, por fim, que: “a Web rearranjará todas as estruturas de mídia, transcendendo velhos limites e derrubando antigos oligopólios” (2ª declaração). Doc Searls e David Weinberger teriam feito muito diferente? [Comente esta Nota]
>>> Internet-Manifest.de

domingo, 27 de dezembro de 2009

The Guardian contrata blogueiros para fazer jornalismo






Digestivo nº 439 >>> The Guardian contrata blogueiros para fazer jornalismo
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E mais um capítulo da guerra sem fim entre jornalistas e blogueiros teve lugar nas últimas semanas, com o anúncio do Guardian, um dos maiores jornais do Reino Unido (e um dos maiores na internet em língua inglesa), contratando blogueiros para produzir notícias locais a partir de algumas capitais do mundo, não exigindo mais formação, ou mesmo experiência, em jornalismo. Que a internet já vinha dando sucessivos golpes na prática do jornalismo tradicional, ninguém hoje duvida, mas que uma empresa de mídia, com sua fundação ligada a um grande jornal, reforçasse a supremacia dos blogueiros – no métier jornalístico –, ninguém imaginaria. Independente da discussão mesquinha, invariavelmente levada para o lado pessoal, o anúncio é, mesmo que simbolicamente, também um golpe sobre a afirmação de que apenas jornalistas, de papel, sabem fazer “cobertura local” – algo que, até há pouco, era, inclusive, uma justificativa para a manutenção do status quo de redações onde, como notoriamente se sabe, a maioria sequer pisa na rua, passando longas horas na frente do computador, quando não “reprocessando” press releases (para reimprimi-los no dia seguinte). E a iniciativa do Guardian vem a calhar, no Brasil, quando a poeira do fim da exigência de diploma, para a prática de jornalismo, ainda não assentou, com protestos de burocratas da profissão, que fingem não enxergar que podem estar sendo, neste momento, ultrapassados por alguém com um computador e uma conexão à internet... O Guardian vai pagar os blogueiros e uma suspeita de que estaria preparando um portal com notícias locais de grandes cidades, subitamente, está à beira da confirmação. Numa demonstração de sabedoria, a nova empresa de mídia (o “ex-jornal”) deixou de competir com os impressos e se preocupa, atualmente, em garantir uma supremacia na internet (que, há anos, é mais importante que as bancas de jornal). No Brasil, contudo, ainda se lançam novos jornais de papel, e se oferecem velhos jornais a preços à la carte (quando os internautas não os querem nem de graça). Quem sabe, o Guardian ensine aos nossos jornalistas que, no lugar de ficar implicando com a blogosfera (e as mídias sociais), deveriam se aliar aos blogueiros, enquanto é tempo...
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>>> Guardian Hiring Bloggers For Local News Network

Steve Jobs, o CEO da década, segundo a Forbes / Passado, presente e futuro das mídias sociais, por Erik Qualman






Digestivo nº 441 >>> Steve Jobs, o CEO da década, segundo a Forbes

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“Jovem fundador leva um ‘pé’ da própria empresa nos anos 80, retorna nos 90, e na próxima década – enquanto sente o bafo da morte duas vezes, passa por um forte escândalo financeiro e refaz sua linha de produtos –, torna-se a personalidade dominante em quatro indústrias diferentes, bilionário várias vezes, e o presidente da empresa mais valiosa do Vale do Silício”. Assim abre Adam Lashinsky, editor da Forbes, que, em sua última edição, acaba de eleger Steve Jobs, fundador e presidente da Apple, o “CEO da década”. Jobs, sugere Lashinsky, é o ser humano mais próximo, em nossa época, de ter o toque de Midas. Nos últimos dez anos, redefiniu, simples e apenasmente, três mercados: o de música, o de filmes e o de celulares (sem contar o impacto em seu mercado de origem, o de computadores). Além de homem de negócios, Jobs é hoje uma celebridade. Alguém que conseguiu levar seu sloganThink different – ao pé da letra, impondo um design de bom gosto, invadindo o “varejo” com lojas elegantes e redefinindo até o papel da propaganda. O que o move, segundo Larry Ellison, CEO da Oracle, um amigo próximo, não é o dinheiro – mas, desconfia a Forbes, sua paixão pela Apple (seu “primeiro amor”) e uma possibilidade de, através dela, efetivamente mudar o mundo. Se em 2000, quando Jobs lançou a estratégia do “digital lifestyle”, a Apple valia 5 bilhões na bolsa, hoje, menos de uma década depois, ela vale 170 bilhões de dólares (um pouquinho mais que o tão falado Google). Já Jobs, quando vendeu a Pixar à Disney em 2006 por 7,5 bilhões, tornou-se, magicamente, o maior acionista “pessoa física” da empresa que detém os direitos do Mickey. “Será que ele vai se sentir tão confortável no mainstream, nos próximos dez anos, quanto se sentiu no underground, nas décadas passadas?”, indaga a mesma Forbes. Larry Page e Sergey Brin, os dois fundadores do Google, recentemente declararam, à revista New Yorker, que Steve Jobs é seu herói. E o mundo se pergunta, neste momento, qual será o próximo passo do gênio... Se ele sempre evitou se expor, e guardou seus segredos até o último minuto, não temos como adivinhar, resigna-se a mesma reportagem da Forbes
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>>> The decade of Steve







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“As tais mídias sociais são apenas uma moda passageira?”, começa perguntando o vídeo de Erik Qualman, um escritor americano de ficção e livros de business, que circula pela internet através do YouTube e que foi recentemente traduzido, para o português brasileiro, pelo blog Sedentário & Hiperativo. Tirando o exagero de que as mídias sociais seriam “a maior novidade desde a revolução industrial”, a animação de Qualman compila algumas estatísticas interessantes sobre o uso da WWW. O vídeo parte do pressuposto de que, a partir de 2010, a geração Y, a da internet, terá superado a de baby boomers em número – e chama a atenção para o fato de 96% dessas pessoas já fazerem parte de alguma “rede social”. Qualman lembra que a pornografia reinou absoluta na Grande Rede, desde a década de 90, mas que foi, finalmente, sobrepujada... pelas redes sociais. As estocadas na velha mídia, naturalmente, não poderiam ficar de fora e Erik Qualman afirma que, para atingir 50 milhões de pessoas, o rádio demorou 38 anos, a televisão, 13 anos, a internet, 4, o iPod, 3... enquanto que o Facebook – o possível sucessor do Orkut no Brasil – agregou 100 milhões de pessoas em menos de um ano. Consagrou, ainda, aquela famosa frase: “Se o Facebook fosse um país, ele seria, hoje, o quarto maior do mundo, atrás de China, Índia e Estados Unidos”. E se a “adolescência” do Facebook não convenceu o espectador, Qualman chega com a informação de que 80% das empresas – brasileiras também? – estão usando o LinkedIn, uma rede social de trabalho, para contratar seus empregados. E o Twitter? No microblog, os usuários com mais seguidores têm mais gente atrás deles do que as populações de países como Irlanda, Noruega e Panamá. O próprio YouTube, de acordo com Qualman, se converteu no segundo maior mecanismo de busca do mundo, com um acervo de 100 milhões de vídeos. E a Wikipedia não fica muito atrás, com 13 milhões de verbetes, sendo que 78% deles não estão em inglês. Sem contar, evidentemente, os 200 milhões de blogs – que cresceram, justamente, porque 78% dos consumidores hoje confiam mais em opiniões de pessoas como eles (enquanto só 14% confia em propaganda tradicional). O Kindle? 35% dos livros vendidos na Amazon já estão indo direto para o mais conhecido leitor de e-books – enquanto 24 dos 25 maiores jornais do mundo estão sofrendo quedas históricas em sua circulação... Erik Qualman, finalmente, conclui que as mídias sociais não são um modismo, mas, sim, uma mudança fundamental no jeito como nos comunicamos. 
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

JANUS por Maria José Nogueira Pinto

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opiniao

JANUS

por
Maria José Nogueira Pinto
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Temos tanta informação mas não sabemos a verdade!" Esta exclamação de García Márquez, no seu último livro, fez-me lembrar a conversa que tive com Maluda sobre o deus Janus.
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Janus é um deus com duas cabeças. Uma representa o interior e outra o exterior. O interior é a segurança, a relação familiar com as pessoas e as coisas, o conhecimento certo dos espaços e das distâncias, o equilíbrio. Mas pode transformar-se num isolamento estéril e autista, por falta de referência, relação e alimento. O exterior é o desconhecido, o imprevisível, por vezes o hostil, mas é a vocação da vida e o caminho da percepção do real e, em muitos casos, de uma profícua vida interior.
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Ao fim e ao cabo, Janus, com a sua bicefalia, expressa a antiquíssima questão das partes e do relacionamento entre o mundo interior e o mundo exterior. Em termos arquitectónicos, a janela (palavra cuja raiz é janus) traduz esta ambivalência com que todos nós nascemos, vivemos e morremos. O vidro não permite apenas a entrada da luz mas a visão simultânea de ambas as realidades.
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A Humanidade teve sempre conflitos, vencedores e vencidos, fracos e fortes, bons e maus, governantes e governados, formas de organização das diferenças e modelos sociais e económicos. Quase nada é novo porque a matriz é sempre a mesma. Excepto o facto de o homem, ao evoluir para formas técnicas de comunicação simultaneamente mais acessíveis e mais complexas, poder ter aberto uma caixa de Pandora.
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Segundo um estudo recente, mais de metade dos portugueses consomem o seu tempo livre em frente da televisão. Significa que a televisão constitui o meio, por excelência, do entretenimento, da informação e da percepção do mundo. Em suma, a principal "janela" de mais de metade dos portugueses. Não é por acaso que hoje se fala no Homo videns como o novo Homem, aquele que vive da absorção das imagens, transformado numa conduta passiva por onde passa, constantemente, um imenso caudal de informação que ele é incapaz de assimilar.
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Um Homo pior? Não necessariamente. Ainda não estão avaliadas as consequências da substituição da leitura, da conversa, da observação directa do que nos rodeia pela imagem. Para mim a diferença é abissal e senti-o recentemente quando vi o filme Atonement,inspirado no romance homónimo de Ian McEwan, e a seguir li o livro. Foi só e mais nada a diferença entre um bom filme e um romance avassalador!
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Na esfera do Público, entendida como o espaço tradicional da Opinião Pública, são já inúmeros os estudos sobre as consequências de um domínio crescente dos meios de comunicação sobre esse espaço.
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Karl Popper, por exemplo, perante a força destes instrumentos mediáticos em sociedades que se assumem como manipuláveis, afirmava que a televisão tinha substituído a voz de Deus. Eu diria que, sobretudo, substituiu a vox populi, ao modelar o nosso espaço comum, moral e cultural, de forma entrópica. Mas, se às televisões é dado o poder de fazerem hoje a agenda ou ordem de trabalhos dos acontecimentos, dos sentimentos e dos valores, é justo procurar outras causas.
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Em Portugal, a classe política foi a primeira a iniciar uma relação assente numa videodependência assustadora. Grande parte dos políticos convenceu--se de que só existe se a sua imagem e a sua palavra forem difundidas pelos media. Depois veio a Justiça, e o seu sistema judicial, a reboque das exigências do tempo mediático. Os casos judiciais começaram a "vender" mediaticamente a partir de processos como o da Casa Pia e viram-se as nefastas consequências. Recentemente, um sector por vocação cauteloso e sigiloso optou por tratar a sua crise interna mediaticamente - falo do BCP - abrindo um precedente terrível.
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Tudo isto reforça a exclamação de García Márquez: temos hoje tanta informação, mais do que alguma vez pensámos ser possível e, contudo, quase nunca sabemos a verdade.
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Porque como diz Rushdie, quando a imagem e a ilusão se tornam as bases da política, percebemos que quase todos são idólatras e já não existem muitos iconoclastas.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Brasil - Programação especial de 40 anos da TV Cultura




Televisão >>> Programação especial de 40 anos da TV Cultura
Que a televisão brasileira de hoje não vale nada, todo mundo sabe. A onipresença de telenovelas, reality shows, programas de auditório e de “jornalismo constrangedor” (para todos os gostos), fora bispos eletrônicos, jogou o conteúdo da TV brasileira, que nunca foi muito brilhante, na quase irrelevância. “Quase” porque, por volta das 20 horas, diariamente, na TV Cultura, abre-se uma janela para o passado – e o que se assiste, de tão surpreendente, nem parece televisão. Num dia qualquer, é possível topar com uma História da Telenovela Brasileira (quando ainda era influenciada pelo teatro), de 1979. E eis que surgem Plínio Marcos, o dramaturgo, e Luis Gustavo, o ator, em Beto Rockfeller – produção a apresentar o primeiro anti-herói na telinha do Brasil. Num outro dia, topa-se com Chico Buarque, também em 1979 – um pouco ébrio, é verdade –, a falar sobre sua arte, e a ditadura militar (logicamente), que caminhava para uma “abertura”... E para fazer as perguntas: atrizes como Dina Sfat e diretores como Luís Antônio Martinez Corrêa (questionando incisivamente, e sem “homenagens” constrangedoras). Num terceiro dia, subitamente, Tadeu Jungle comanda a Fábrica do Som. E mostra o Língua de Trapo, quando ainda havia humor inteligente... na televisão. Músicos querendo tocar bem, mesmo sendo jovens – e não querendo só aparecer, sair em capas de revista ou “pegar” modelos de ocasião... Era uma outra sociedade, era uma outra televisão. Ou seria o contrário? O fato é que a TV Cultura presta esse serviço, ao telespectador, levando ao ar, justamente, o melhor de seu acervo, em 40 anos de atuação. Basta sintonizar o canal às oito da noite. (No site, é possível montar a própria grade de programação.) Que tudo isso caia no YouTube é a nossa esperança... para as gerações pós-televisão.
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>>> TV Cultura - 40 anos
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

l'Humanité: Os latifúndios da informação

Mídia

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in Vermelho - 17 de Agosto de 2009 - 18h04

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Na América Latina, alguns grupos e famílias poderosas controlam a mídia, fechando e bloqueando o espaço político e democrático. Uma hegemonia que os governos progressistas eleitos democraticamente querem atacar em profundidade.

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No continente latino-americano começou uma mudança política que tenta romper com um passado de submissão às regras impostas por Washington e pelo FMI. Os novos governos têm dado um giro progressista, com moderação, conforme falamos de um grupo mais radical que inclui a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ou inclusive Honduras.
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A oposição reage de maneira diferente segundo os casos, não duvidando às vezes em escolher formas violentas como as tentativas separatistas na Bolívia ou o golpe de estado em Honduras. A direita tem na imprensa um aliado que suaviza frequentemente as debilidades de um setor que perdeu sua credibilidade. A direita e grandes grupos de comunicação denunciam censura e ataques à liberdade de expressão quando Rafael Correa no Equador, ou Hugo Chávez na Venezuela nacionalizam uma cadeia de televisão ou quando, na Argentina, Cristina Fernández propõe uma lei audiovisual que substituiria a herdada da ditadura de 1976. O que ocorre realmente?
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A América Latina é a única zona do mundo onde a economia está concentrada nas mãos de um punhado de grupos de operam no agronegócio, na indústria e na informação. No que se refere a esta última, se constata que algumas famílias, Azcárraga e Slim no México, Noble na Argentina, controlam a imprensa escrita, audiovisual, internet, as editoras; em Honduras quatro grupos repartem o espaço informativo; o mesmo ocorre na Colômbia, onde opera a família Santos, da qual dois membros estão no governo de Álvaro Uribe (um é vice-presidente, o outro deixou a pasta da Defesa para por em marcha sua campanha presidencial para 2010).
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Este fenômeno deu nascimento à expressão “latifúndios da informação”. Na ausência de legislação clara, a imprensa utiliza meios pouco compatíveis com a ética, ameaçando deste modo inclusive o direito dos cidadãos à informação. No que se refere a Honduras, os telespectadores da América Latina só receberam nos primeiros dias do golpe as imagens da CNN que mostravam manifestações e opiniões favoráveis aos golpistas, antes de ver as reportagens da Telesur, criada pelo governo venezuelano como alternativa ao monopólio privado; no entanto, esta última não chega a todos os países.
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Na Venezuela, durante o último referendo que modificava a Constituição, um estudo mostra que 76% das informações se inclinavam para o “não” à reforma proposta pelo governo, contra 22% favorável ao “sim”. "Não" que finalmente ganhou. E recordamos o apoio da mesma imprensa ao golpe contra o presidente Chávez em 2002.
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Na Bolívia, a imprensa escrita em sua quase totalidade apóia a oposição representada pelos grandes proprietários de terras do leste, que tentam impor a divisão do país. No Peru, durante as eleições presidenciais, a maioria da imprensa apoiou no primeiro turno os candidatos da direita, antes de apoiar o social democrata Alan García no segundo turno contra o candidato indigenista que lembrava Evo Morales ou Rafael Correa.
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Na Argentina, a imprensa escrita e audiovisual, que pertence 85% aos grupos privados, foi a ponta de lança da oligarquia agrária desejosa de baixar os impostos de exportação, durante o conflito que opunha este setor ao governo. E se recordará o papel representado no passado pelo [jornal] Mercurio no Chile, em 1973, incitando e apoiando o golpe de estado do general Pinochet.
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Em resposta [à situação atual no Equador] Rafael Correa propõe a criação de um organismo de controle que permita proteger o direito à informação do cidadão. Convém precisar quais seriam suas atribuições e seu campo de ação. No Paraguai, o presidente Lugo criou a primeira agencia nacional de imprensa como contraponto aos meios privados.
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Estes fatos traduzem a inquietude dos governantes eleitos democraticamente, que recorrem seguidamente ao referendo popular, cuja política é, no entanto, posta em julgamento por um poder não eleito, que extrai sua legitimidade de seu domínio nas esferas da informação. Estes grandes grupos de imprensa denunciam ataques à liberdade de expressão, recebendo frequentemente o apoio de seus colegas europeus, quando se burla o direito a uma liberdade de expressão minimamente equilibrada que estes meios violam na ausência de qualquer organismo de regulamentação.
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Todo-poderosos até hoje, os latifúndios da informação se encontram em oposição à vontade de governos desejosos de romper com sua hegemonia. Este aspecto de enfrentamento faz parte de uma luta muito mais ampla pelo pluralismo da informação e por uma verdadeira democratização da sociedade.
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Original em l'Humanité. Traduzido por J.A. Pina/R.Maciel, com pequenos ajustes do Viomundo.

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domingo, 26 de julho de 2009

Jornais da grande mídia ameaçam cobrar por conteúdo online




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A crise mundial acelerou os impactos da internet sobre os meios tradicionais de comunicação. O conjunto da grande mídia internacional se movimenta para iniciar — ou mesmo encarecer — a cobrança por conteúdo jornalístico online.

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Nesta semana, Lionel Barber, editor do jornal inglês Financial Times, participou do evento Media Standards Trust, na Academia Britânica, e deu pistas do que os conglomerados de mídia farão para manter seus lucros. Segundo ele, a maior parte das empresas jornalísticas cobrará por seu conteúdo na internet em menos de um ano.

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“Ainda não dá para saber como esses modelos de pagamento online vão funcionar e quanto de receita eles podem gerar. Mas prevejo confiantemente que, nos próximos 12 meses, quase todas as organizações noticiosas estarão cobrando por conteúdo", discursou Barber.

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O FT.com, site do Financial Times, tem mais de 1,3 milhão de usuários registrados, que consultam notícias de graça. Só 110 mil usuários pagam. O site deixa os não-registrados lerem três notícias por mês de graça, enquanto os registrados têm direito a dez. Para ter acesso ilimitado, é preciso pagar.

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Segundo Barber, o Financial Times foi pioneiro no conceito de “modelo de frequência”, dando acesso a um número limitado de notícias na rede, antes de pedir aos usuários para se tornarem assinantes. “Os jornais especializados como o nosso correm com vantagem, já que nossas notícias muitas vezes não se encontram em outros meios. É preciso ser diferente dos demais", disse Barber. "Muita gente acredita que a internet está acabando com o jornalismo — mas eu a vejo como uma oportunidade de fazer as coisas melhor", agregou.

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A cobrança por conteúdo online já era defendida publicamente por Rupert Murdoch, um dos maiores magnatas da mídia de todos os tempos. Em maio, Murdoch afirmou que planeja estender o modelo de cobrança do Wall Street Journal para os outros jornais que controla. Os sites gratuitos de jornais, segundo ele, constituem um modelo de negócios "falho".

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Para Barber, a cobrança por conteúdo se tornou uma medida urgente. "Estamos conseguindo receitas sustentáveis e crescentes, como resultado de nossa estratégia de cobrar por conteúdo global de nicho e de qualidade — o que é essencial em um momento de publicidade mais fraca", disse o editor. O novo mundo digital, a seu ver, representa “uma ameaça — mas também uma oportunidade enorme para organizações noticiosas estabelecidas".

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O caso do NYT

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Também o americano The New York Times planeja começar a cobrar pelo seu conteúdo nas próximas semanas. Depois de fazer uma pesquisa com seus leitores, o jornal chegou à conclusão de que poderia cobrar até US$ 60 por ano. Já houve uma tentativa do New York Times de cobrar pelo acesso ao arquivo e às colunas de opinião, em 2007. O jornal conseguiu cerca de 200 mil assinantes, mas o modelo não compensou, e o acesso voltou a ser aberto.

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Curiosamente, o anúncio da provável cobrança ocorre num momento em que o faturamento do grupo proprietário do NYTimes sinaliza que o pior já pode ter passado para o setor nos Estados Unidos. Entre abril e junho, a The New York Times Company ganhou US$ 39,1 milhões — após perder US$ 74 milhões nos três meses anteriores. O resultado é atribuído especialmente ao corte de custos, já que as receitas com publicidade continuaram a cair (30%).

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A expectativa de analistas é que a recuperação dos grupos jornalísticos dos Estados Unidos não deve ocorrer antes do segundo semestre do ano que vem — quando a economia norte-americana pode apresentar crescimentos mais consistentes e alavancar novamente os gastos com publicidade. Especula-se, porém, que o fundo do poço ficou para trás.

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“O pior basicamente já passou. Provavelmente”, afirma Ed Atorino, analista do setor de jornais da Benchmark. De fato, além da empresa dona dos títulos New York Times e Boston Globe, grandes grupos como Gannett (do USA Today) e McClatchy (que publica o Miami Herald) também tiveram resultados positivos.

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Para a presidente-executiva do Times, Janet Robinson, o cenário para a publicidade continuará “desafiador” nos próximos meses. Em contrapartida, diz ela, o declínio nas receitas com esse segmento deve ser menor entre julho e setembro do que nos três meses anteriores.

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Da redação, com agências
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in Vermelho - 24 DE JULHO DE 2009 - 19h34
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