Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Marlene Dumas Against the Wall at DAVID ZWIRNER


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jameskalm | 6 de Abril de 2010
James Kalm recovers from St. Patrick's Day with a visit to the latest exhibition of works by controversial artist Marlene Dumas. Since 2005, when one of her paintings set a record for attaining the highest price ever paid at auction for a work by a living female artist, Dumas has become a lightning rod for criticism. Dumas's "Against the Wall" uses the image of the wall as a metaphor of the intractable and tragic situation present in the Middle East, and contrasts the political and spiritual implications of what these structures portend.
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ArtObserved.com - Marlene Dumas "Against the Wall" at David Zwirner

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artobserved | 5 de Abril de 2010
AO On Site - Marlene Dumas press preview of her first solo show with David Zwirner, "Against the Wall", through April 24.
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ver tembém no Galeria & Photomaton
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Marlene Dumas pinta contra todos os muros

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Marlene Dumas pinta contra todos os muros

Ípsilon

Serralves

Marlene Dumas pinta contra todos os muros

30.06.2010 - José Marmeleira

No Museu de Serralves, Marlene Dumas expõe pinturas de coisas que separam os homens, pinturas que a partir da fotografia ambicionam tornar-se imagens reais. E que, por isso, confrontam a indiferença e a imaginação do espectador. O motivo é o conflito entre Israel e a Palestina e a exposição chama-se "Contra o Muro"
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De cócoras, rodeada de sepulturas abertas, uma mulher vestida de negro olha para fotografia de filho. Uma criança caminha ao logo de uma parede que parece crescer sobre ela. Outra acena aparentemente de forma amistosa. Um homem parece ajoelhar-se receoso ou reza apenas. São figuras reduzidas a manchas, distorções cromáticas, à beira da tactilidade. Por vezes, insinuam narrativas ambíguas, mesmo quando o espectador crê distinguir o opressor da vítima. Uma coisa é certa: todas identificam claramente um contexto político - neste caso, o conflito no Médio Oriente entre israelitas e palestinianos - e esse é o primeiro novo dado que "Contra o Muro", no Museu de Serralves, com a curadoria de Ulrich Look, traz à pintura de Marlene Dumas (Cidade do Cabo, 1953). Em vez de se limitar a "transformar" em pinturas fotografias de corpos e de rostos - de crianças, jovens, actrizes, homens de raças diferentes -, como tem feito ao longo de trinta anos, a artista trabalha sobre imagens de um cenário familiar à opinião pública. 

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Numa terra de ninguém

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O processo permanece o mesmo - pintura feita a partir de imagens preexistentes, a grande maioria originárias da imprensa e do jornalista, mas, avisa o comissário, "o seu trabalho não se centra na realidade das imagens veiculadas pelos media, e sim na - embora suspeita - capacidade da pintura em tornar uma imagem real". 

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O lugar da fotografia na obra de Dumas ajuda a explicar tal motivação: "Apesar de nunca pintar senão a partir de uma fotografia e de respeitar o trabalho dos fotógrafos (as verdadeiras testemunhas), enquanto pintora adopta uma posição diferida. Cria uma segunda vida, uma vida imaginária para os acontecimentos. Na imaginação, encontramos as coisas como se fosse pela primeira vez". 

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É neste sentido que deve ser entendida a abordagem da artista à figuração. Ainda Ulrich Loock: "Nasce do desejo de tocar no corpo. Se o corpo está morto (seja através da simples descrição de um cadáver ou da sua representação fotográfica) a pintura figurativa implica o desejo de voltar a dar uma certa vida a esse corpo".

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A exposição em Serralves não representa a estreia em Portugal da pintora sul-africana, que vive em Amesterdão desde 1976. A sua obra já tinha sido apresentada antes ao público português na exposição "Os anos 80: Uma topologia", no museu do Porto, e numa individual de desenhos em 1998 no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Mas "Contra o Muro", que em Abril teve a sua primeira versão na Galeria David Zwirner, em Nova Iorque, assinala um momento singular na produção pictórica de Dumas. Escrevia a artista no respectivo catálogo: "Desta vez o palco principal não pertence a figuras nuas e a cabeças em posição vertical, todas ampliadas, mas a estruturas arquitectónicas colocadas num espaço narrativo...que nos transportam não a uma terra sagrada, mas uma árida terra de ninguém".

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Eis o segundo novo dado que "Contra o Muro" revela: a presença de construções humanas. Muros, como o da Cisjordânia construído por Israel para se separar fisicamente da Palestina ou blocos de cimentos usados nos posto de controlo militar. Os muros são uma presença evidente nas pinturas de grande formato. Porém, aquilo que descrevem é com frequência uma decepção dirigida ao olhar e ao conhecimento. Em "O Muro" (2009) os judeus ortodoxos não se prepararam para rezar no Muro das Lamentações, fazem um pausa diante da terrível parede cuja construção foi iniciada em 1990; em "Choro do Muro" e "Lamentações do Muro" (2009), vemos homens sem rosto, encostados ao que parece ser de facto o sítio de culto religioso; numa pintura têm os braços levantados como se a meio de uma qualquer oração; na outra, são revistados contra o muro. Não é difícil evocar "El Tres de Mayo" (1808), de Francisco José de Goya, ou "L'Exécution de Maximilien" (1868) de Édouard Manet.

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Outras pinturas dispensam figuras, para mostrarem apenas construções e estruturas. "Em Construção" (2009), uma longa parede que se estende impassível ao longo da tela tapa a paisagem. Em "Barreira mentais", blocos de pedra, de uma transparência azul, só deixam entrever ao fundo a linha de uma estrada. Pinturas que apagam a figuração, para deixarem entrar sinais da abstracção ou, como escreve o comissário no catálogo desta exposição, "obras que desafiam a solidez da parede que define o lugar onde a imagem é apresentada, a parede do espaço expositivo ou de uma habitação". É a própria artista que num dos seus escritos enuncia que "uma pintura necessita de uma parede com que se confrontar", mesmo que, como acontece nesta exposição, de outro lado possa estar um lugar dominado pelo abandono e a dor.

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A realidade depois da pintura

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Convém lembrar que Marlene Dumas viveu de perto o Apartheid na África do Sul, experiência que inspirou "Contra o Muro" e o protesto mudo que sob uma série de pinturas é dirigido às políticas de segregação de Israel. Será então oportuno evocar aqui a incómoda classificação de arte política e fazer a inevitável pergunta: não pode esta pintura tornar-se ilustração de uma realidade? 

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"Não, não existe esse risco. A realidade encontra-se já ilustrada nas fotografias preexistentes", responde o comissário. "E a pintura transforma a realidade ilustrada numa realidade da imaginação. Podemos chamar [estas pinturas] de arte política não apenas porque descrevem estruturas que condicionam a vida em comum de povos em conflito, mas também porque, e sobretudo, Marlene Dumas, enquanto pintora, se envolve nesse conflito: constrói na sua pintura um muro, contra o discurso politicamente correcto, e tornando-o inevitável torna inevitável a necessidade da sua destruição". 

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Disse Marlene Dumas durante a apresentação em Nova Iorque, na Galeria David Zwirner: "Sou contra o muro. Não sou contra o Estado de Israel ou o Estado da Palestina, mas sou contra o muro". A clareza e a afirmação da posição revêem-se em "O Sono da Razão", auto-retrato da artista, incapaz de mudar politicamente o mundo, por isso seu involuntário cúmplice, mas capaz de enriquecer a sua memória colectiva através da imaginação (cite-se o Goya de "Desastres de La Guerra", de 1810-20 ou, numa latitude distinta, o Matisse que viveu sob o Regime de Vichy).

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No Museu de Serralves, reúnem-se à volta de 40 pinturas datadas da década anterior (mais 20 das que as expostas em Nova Iorque) e a maior parte dá conta do modo como Dumas lidou na sua pintura com o conflito no Médio Oriente. Para além da arquitectura e do betão, a artista pintou rostos e corpos de pessoas que viveram de perto a guerra ("Criança a acenar") ou que nela perderam familiares (a mulher que olha a foto do filho em "A mãe", 2009) ou a vida (mártires e terroristas em "Homem morto", 1988, "Rapariga morta", 2002). Outras pinturas revelam incursões por temas aparentemente mais prosaicos, pacíficos ou clássicos. É o caso do retrato de uma oliveira ou das naturezas-mortas "Caridade" (2010), com as suas rosas escurecidas, e "As vinhas da Ira" (2009).
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Finalmente, restam imagens ambíguas de corpos. Em "Ressurreição" (2003/09), o torso de um homem caído para trás, a boca aberta. Um morto que ressuscita com o "milagre" da pintura? Um ferido? Uma estátua? Como as outras imagens resulta de uma tensão entre a documentação fotográfica e o espaço imaginário da pintura; tensão que se propõe atravessar toda a exposição contra os limites ontológicos da pintura e os muros e as divisões construídas pelos homens.
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sábado, 10 de abril de 2010

Shahd Wadi queria poder chamar feministas às palestinianas


  
Shahd Wadi veio para Portugal "por amor" PAulo ricca

Shahd Wadi queria poder chamar feministas às palestinianas

Por Maria João Lopes
Estudou as mulheres palestinianas para se conhecer melhor a si própria e escreveu a primeira tese em Estudos Feministas feita em Portugal. Shahd Wadi anda à procura das suas raízes

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Tinha 15 anos quando pisou o solo da Palestina pela primeira vez. Foi-lhe dada autorização para ir à Cisjordânia com os pais, exilados na Jordânia. Durante a visita, uma amiga apontou para uma montanha e disse-lhe que ali era a vila de onde os seus avós tinham sido obrigados a partir em 1948. Ainda levaram a chave de casa, acreditando que seria temporário. Estava tão próxima e não podia lá ir. Foi assim que Shahd Wadi, hoje com 27 anos e a viver em Portugal, percebeu o que queria dizer "ocupação" e foi "naquele momento" que a Palestina se tornou o seu "projecto de vida".

Feminismos dos corpos ocupados: As mulheres palestinianas entre duas resistências é o título da tese de mestrado que Shahd Wadi defendeu a 25 de Janeiro na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Teve 18 valores. É a primeira tese em Estudos Feministas do país - apesar de existirem áreas semelhantes noutras faculdades, nenhuma adopta a designação "feministas". Mas porquê este tema?

Shahd Wadi vem de uma família que, nas suas palavras, foi "forçada ao exílio duas vezes". "Antes da ocupação a minha família vivia numa vila nos territórios que foram ocupados em 1948, hoje Israel, e foram obrigados ao exílio para a Cisjordânia. O meu pai nasceu lá, numa tenda de refugiados, e, depois, foram obrigados ao exílio, uma vez mais, em 1967, para a Jordânia", conta.

Apesar de ter nascido no Egipto - a mãe é egípcia - e de ter vivido a maior parte do tempo na Jordânia, onde estudou Línguas, Shahd Wadi é também palestiniana. Hoje vive em Portugal, onde está a fazer um estágio no gabinete de tradução e imprensa na Delegação-Geral da Palestina. Veio "por amor", casou-se com um português e mora em Lisboa há quase quatro anos.

Emancipação

Diz que anda à procura das suas raízes. Fá-lo-ia em qualquer ponto do mundo. Ser-se palestiniana é isso, explica: "A Palestina está em todo o lado. Como perdemos a terra, recuperámo-la em qualquer sítio."

Na Cisjordânia esteve apenas duas vezes e por "pequenos períodos". Ao irmão nunca foi dado o bilhete de identidade necessário e o resto da família, apesar de autorizada, não quis voltar lá sem ele.

A certa altura, Shahd Wadi decidiu conhecer aquela terra através das mulheres que a habitam. "Conhecê-las é conhecer-me a mim."

Agnóstica e interessada em estudos feministas, poderia estar mais longe dos estereótipos que diz existirem no Ocidente sobre as mulheres árabes? "Cá poucas pessoas conhecem as políticas, as escritoras, as pintoras...", afirma. Conhecem sobretudo, acrescenta, a refugiada em frente à tenda, a mãe com o vestido tradicional que, às vezes, chora, outras celebra a morte dos filhos, a lutadora com pedras, a bombista suicida, a oprimida, a revolucionária, a pobre, a terrorista. Representações que fazem parte de uma realidade bem mais complexa que é a Palestina e o conflito israelo-palestiniano, continua.

Quem são elas afinal? Esta foi a pergunta de Shahd Wadi, que ouviu muitas "estórias das mulheres palestinianas" contadas pela mãe, Sana"a Moharram, que trabalha na área da cultura da Organização de Libertação da Palestina (OLP). O pai, Farouq Wadi, é escritor.

Na sua tese, Wadi - que teve como orientadora Adriana Bebiano, investigadora do Centro de Estudos Sociais de Coimbra e uma das coordenadoras do mestrado e doutoramento em Estudos Feministas - situa-as no conflito, percebe que efeitos tem na vida delas. A conclusão a que chega é a de que, "apesar de viverem sob ocupação e numa sociedade sexista, há muitos sinais de um certo grau de emancipação política e cultural".

Com a ocupação, "as mulheres emergiram no espaço público". De todas as classes e idades, com ou sem consciência feminista: de políticas que organizaram congressos a camponesas que tiraram o véue dividiram o trabalho com os homens.

Papel político

Muitas mulheres, conta, começaram a "participar activamente", de forma espontânea ou formal, no "movimento da resistência". Há vários testemunhos citados na tese - retirados de jornais, livros, filmes -, como o de uma mulher que "foi aprisionada por ter contrabandeado cartas da OLP para o filho". Quando foi presa, afirmou não pertencer a "nenhum movimento político palestiniano", mas desde que lhe levaram o filho, arranjou o "passatempo" de "trabalhar para a revolução".

Shahd Wadi diz que as casas de muitas mulheres se tornaram "espaços públicos" e conta a história de uma mãe que disse não poder "ficar parada, com as mãos cruzadas, à espera" que o filho lhe desse uma tarefa. Quando o via em casa com colegas "a discutir coisas com a porta fechada" assumia a "função de vigiar". Era ela quem ia ao advogado e ao médico tratar dos assuntos do filho quando ele estava preso. Estivesse ele "fora ou dentro da prisão", ela, mesmo sem ser membro, sentia-se "recrutada" pelo partido "a que ele pertence". "As mães têm um papel político, para além do tradicional", explica.

Há ainda o relato de uma mulher que "enfrentou os soldados", depois de ter escondido o marido na cozinha, dizendo-lhe que "as mulheres aguentam mais do que os homens". Porém, muitas destas mulheres ainda recusam os "feminismos" por os associarem a "valores ocidentais inadequados".

Serão, afinal, "movimentos nacionalistas ou feministas?", pergunta-se Wadi, para quem não há uma luta ou outra, as duas são formas de "libertação" que existem lado a lado. Mas "podemos ter a coragem de lhes chamar movimentos feministas?", pergunta na sua tese. "Não sei se tenho coragem, mas gostaria de dizer: "Acho que sim.""
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COMENTÁRIOS
    Anónimo, Coimbra. 09.04.2010 22:30  
    Responde ao comentário com o título "Ai, jesus"
    (Um bug na site não me está a permitir clicar no link "responder a este comentário.) Acredito que seja tão difícil a quem fez esse comentário saber o que são estudos feministas como perceber a diferença entre fissão e fusão nuclear. Recomendo-lhe a wikipedia. De qualquer modo, posso informar-lhe que usei à poucos meses a uma teoria da economia feminista para ajudar uma cooperativa de agricultores a escolher as culturas que deve apoiar prioritariamente e como. Informar-se antes de enviar postas de pescada faz falta. Abraços
    Anónimo, Lisboa. 09.04.2010 18:03  
    Ah! Feministas...
    Eu também apresentei uma tese em Janeiro. E também tive 18 valores. Onde é que está a minha notícia?
    Sérgio C., Porto. 09.04.2010 16:38  
    Parabéns!
    É de aplaudir a Shahd Wadi e a sua tese. O feminismo, a defesa dos direitos da mulher, de igualdades que não existem, de discriminações tantas vezes desumanas, é necessário e os Estudos Feministas pertinentes. Opiniões como "com o domínio do homem chegámos onde chegámos(...) Com um domínio feminino ainda estaríamos na idade da pedra a comer raízes e a dormir em cavernas." ou por oposto, de que as mulheres "são mais sensatas, mais guardadoras da família e de si, até mais preservadoras da espécie (!), mais perseverantes, etc" são extremistas, sexistas, escusadas.
    Eu, Alugueres na BEira. 09.04.2010 16:19  
    Ai Jasus\
    Estudos feministas é quase tão produtivo, e beneficia tanto a sociedade, como o estudo das lesmas que morrem a tentar passar a segunda circular de monsanto para Benfica...é tipo fazer uma ridicularidade e ganhar fama por isso...é humilhar a mulher ainda mais quando se permitem elaas própria a ser estudadas como especie autonoma que precisa de emancipação....
    Henrique o Navegador, Bélgica. 09.04.2010 08:58  
    A verdade escondida das palestinianas
    Nem de propósito. Ontem, 08/04/2010, num canal de televisão francês, uma reportagem sobre a vida das mulheres na faxa de Gaza mostrava o seguinte: Um jovem de cerca de vinte anos, com a cumplicidade do irmão, mata a irmã. Porquê? Porque esta teve relações com um homem com quem não se casaria. Pelo seu "crime de honra" foi julgado. A pena? Foi multado em 3.000 euros e posto em liberdade. A mãe, desesperada, discutia com o marido pelo facto de ele nada ter feito para impedir o crime, que sabia ia ser cometido. E o que fez o marido? Deitou pela janela do apartamento onde habitavam a própria mulher, matando-a também. Agora, aguarda pelo julgamento, mas acredita-se que terá apenas uma pena simbólica. Esta realidade das mulheres muçulmanas da Palestina é retratada pela Shahd Wadi? É que escrever coisas muito bonitas, receber dezoito valores, ter consideração e prestígio, mesmo alguma fama, tudo isso é compatível com a falta de verdade sobre o que se passa na Palestina?
    Maria da Saudade de Oliveira Simoes, Tramagal. 08.04.2010 22:55   
    Vozes dissonantes
    A universalidade do Homem sempre serviu os interesses dos homens e mesmo com a teoria do Universal neutro o que aconteceu é que desde sempre houve a supremacia do sexo masculino em deterimento das mulheres. Os poderes instituidos sempre usaram essa supermacia para governar o mundo, e vejam onde chegámos. No entanto , desde sempre aconteceu que homens e mulheres foram vozes dissonantes da propaganda dominante. Tu és uma delas, parabéns. E para terminar e citando a Professora Fernanda Henriques, outra voz dissonante, as mulheres tem que ser muito resistentes para terem chegado onde chegaram.
    Conceição Alves, Estremoz. 08.04.2010 15:38  
    Estudos Feministas
    O meu comentário vai para a designação da ÁREA dos Estudos. Temos que concordar que algo de estranho se passa para haver estudos feministas e não serem conhecidos estudos sobre o «masculinismo»?! Ou, na versão portuguesa o «Marialvismo»? Pois se há necessidade de uma certa defesa do feminismo e das mulheres, que em percentagem populacional ultrapassam os homens, isso corresponde ao outro lado de uma moeda - o marialvismo. Como se não bastassem as tradições arreigadas, na pré-crise que há muito estava esboçada, há um país, e toda uma sociedade, que nos últimos 5 anos regrediu, nos direitos que concede às mulheres. Já agora, e ainda numa outra face de uma outra moeda (que também está em circulação...) ao retirar direitos às mulheres que são mais sensatas, mais guardadoras da família e de si, até mais preservadoras da espécie (!), mais perseverantes, etc., etc., etc. é contribuir para a degradação da sociedade, que em teoria se imagina a si, com todos os membros com direitos iguais. É uma traição, ninguém avisou que iria proceder assim, e a sociedade, não avisada, vai decaíndo. Ou, até mesmo caíndo fundo, para o abismo. Não perco nada, mas lamento outros, muito empobrecidos por isso...
    Zé Paulo, Faro. 08.04.2010 13:19  
    As muçulmanas
    Estive na Palestina em 2008. A maioria dos lugares cristãos são habitados por palestinianos. Francamente, a ideia com que fiquei das mulheres palestinianas, não das velhas, mas das novas, foi bastante má: andam de cabeça baixa, mal olham para o lado; fingem que não vêem os turistas, são muito macambúzias. Aliás, noutros países muçulmanos é ainda pior, como na Arábia Saudita e Irão, embora não tenha estado nestes dois países. Parece-me que naquela área, são as muçulmanas do Líbano, pelo menos as de Beirute, que me surpreenderam mais pela positiva, embora as cristãs, também de Beirute se apresentem com um muito maior sentido de liberdade. Penso que a religião islâmica é que é o grande impeditivo da liberdade, especialmente para as mulheres.
    Bruno g. m. Neto, Lisboa. 08.04.2010 12:17  
      Parabéns!!
      Hoje em dia a comunidade palestiniana continua a sofrer do problema gravíssimo de não ter acesso às suas casas, à sua terra, ao seu espaço, mas continuam a ter acesso à memória, à história, às estórias, à paixão e ao sonho de um dia voltar. Ser palestiniano é hoje muito mais do que uma nacionalidade, é um conceito, uma utopia. Parabéns pelo teu trabalho, por continuares a acreditar que um dia poderão regressar, mesmo contra os tanques ou à falta de humanismo básico das pessoas que não o querem deixar. A pequenez humana será superada e nunca desistiremos de lutar!
      Artur, Lisboa. 08.04.2010 11:51  
      "Perdemos a terra"?
      "Perdemos a terra"? Qual? os 90% ocupados pela Jordânia? "Agnóstica"? que bom viveres por aqui, por lá já estavas condenada à morte..
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      quinta-feira, 5 de novembro de 2009

      1917: Apoio britânico ao movimento sionista

      Calendário Histórico

      . DW-World


      Na chamada Declaração de Balfour, de 2 de novembro de 1917, o governo britânico dá, aos representantes do judaísmo sionista, apoio para a constituição de uma "pátria nacional" judaica na Palestina.



      "Caro Lorde Rothschild, alegro-me em poder comunicar-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelo movimento judaico-sionista, apresentada e aprovada pelo gabinete oficial: 'A construção de uma pátria para os judeus na Palestina é vista pelo governo de Sua Majestade com bons olhos.
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      Sua Majestade fará tudo o que for de seu alcance para facilitar os caminhos rumo a esse objetivo. Deve-se ressaltar, no entanto, que nada deve ser feito no sentido de prejudicar os direitos civis e religiosos dos povos não-judeus que vivem na Palestina, ou de prejudicar os direitos e a situação política de judeus em algum outro país."
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      Esta carta, datada de 2 de novembro de 1917 e assinada pelo ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur James Balfour, prevê uma série de consequências para o Oriente Médio. Mas Lorde Rothschild e outros dirigentes da comunidade judaica, entre eles principalmente os sionistas no Reino Unido, esperavam ainda mais.
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      Há, no mínimo, 19 anos – desde o Congresso dos Sionistas em Basileia, em 1898 – eles ansiavam por uma promessa que assegurasse aos judeus o direito a seu próprio Estado, como havia planejado Theodor Herzl no seu livro O Estado Judeu.
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      Povo,  não apenas comunidade religiosa
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      O sionismo político idealizado por Herzl partia do princípio de que os judeus são um povo e não apenas uma comunidade religiosa e de que as repetidas perseguições, pressões e desvantagens sofridas por esse povo poderiam ser evitadas com a fundação de um Estado judeu.
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      A localização desse Estado era ainda considerada de segunda ordem: cogitava-se a hipótese de enviar os judeus à Argentina, ou o chamado Projeto Uganda, que previa a fundação de um Estado judeu no território da Uganda, então administrado pelo Reino Unido.
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      Entretanto, a Palestina sempre voltava ao centro da discussão: a terra originária dos judeus, onde os representantes da comunidade judaica começaram a comprar terras e a estabelecer-se, a partir do fim do século 19. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, os judeus formavam apenas 15 por cento da população da Palestina, na época de 690 mil habitantes. Destes, 535 mil eram muçulmanos, 70 mil cristãos e 85 mil de origem judaica.
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      A carta do chanceler Balfour refletia, porém, muito mais os interesses geopolíticos de Londres na região do que um apoio sem reservas do Reino Unido ao movimento sionista. A Primeira Guerra Mundial tinha eclodido, e a Inglaterra contava com o apoio dos judeus – tanto dos que viviam na Palestina, quanto dos que estavam espalhados por outros países do mundo – na luta contra o Império Otomano.
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       Por isso, Londres prometeu algo que não estava em condições de realizar: uma pátria para os judeus numa região que ainda não estava sob o seu controle.
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      Resistência palestina
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      A responsabilidade sobre o território palestino foi transferida para o Reino Unido somente no dia 24 de julho de 1922, sob a forma de um mandato da Liga das Nações. Parte da Declaração de Balfour pertencia ao preâmbulo do contrato que regia o mandato, o que se transformou logo num grande empecilho para a administração da região. A resistência dos palestinos árabes à imigração de judeus já tinha começado há algum tempo, crescia paulatinamente e levava, entre outros, a campanhas antijudaicas.
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      O Reino Unido, situado entre as duas frentes, tentava evitar a violência dos dois lados e limitar cada vez mais a imigração judaica para a região. Em 1939, ficou estabelecido que somente mais 75 mil judeus poderiam instalar-se na Palestina. Na época do holocausto nazista, tratava-se de uma decisão completamente fora da realidade. A partir de 1944, o estabelecimento de judeus na Palestina foi oficialmente vetado, a fim de assegurar aos Aliados o apoio dos palestinos árabes na guerra.
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      Antes da transferência do mandato da Liga das Nações, em junho de 1922, o Reino Unido deixara claro que a Declaração de Balfour nunca fora uma resposta positiva à criação de um Estado judeu. O então ministro das Colônias, Winston Churchill, observou que a declaração não se referia a toda a região histórica chamada Palestina, mas apenas à margem ocidental do Rio Jordão (a Cisjordânia).
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      Churchill acentuou ainda que os ingleses nunca tinham pensado em conceder aos judeus o poder sobre os outros habitantes da região. A comunidade judaica que ali vivia deveria apenas poder desenvolver-se livremente.
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      Tais posições não puderam ser sustentadas por Londres durante muito mais tempo, uma vez que os conflitos entre árabes e judeus tornavam-se cada mais frequentes. Em 1947, a ONU deliberou a divisão da Palestina em dois Estados: um para os judeus e outro para os árabes. O Reino Unido abdicou do seu mandato em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel.

      Peter Philipp (sv)
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      segunda-feira, 29 de junho de 2009

      A resistência cultural palestina


      Jerusalém vista do Monte das Oliveiras


      clicar nas imagens para aumentar
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      Uma ocupação colonial não é apenas uma ocupação militar. Ela precisa tentar impedir a sobrevivência da cultura, da memória do povo ocupado. Mais ainda se se trata da ocupação de um povo com uma das mais antigas histórias e mais ricas culturas.

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      Por Emir Sader


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      Como era impossível que a Capital da Cultura Árabe pudesse ser Bagdá, pela ocupação das tropas norte-americanas, foi decidido que Jerusalem (que eles chamam de Al-Quds) fosse a Capital da Cultura Árabe de 2009. As comemorações têm sido vítimas das mais violentas e odiosas repressões das tropas israelenses de ocupação. Organizar lindas atividades em torno da cultura árabe passaram a ser um imenso desafio para o Comitê Palestino de Organização, por dificuldades de recursos, de convidar pessoas – poetas, músicos, cantores, artistas do mundo árabe e de outras regiões do mundo - para vir a uma região cercada e ocupada, que deveriam realizar-se nas ruas e praças de Jerusalém.

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      O ato de apresentação do logotipo dos eventos, programada para ser dar no Teatro Nacional de Jerusalém, em abril do ano passado, foi proibida por Israel, declarado ilegal e reprimido brutalmente por forças militares para tentar impedir sua realização. Foram presos três dos membros do grupo organizador.

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      Apesar de todas as dificuldades, deu-se inicio às comemorações no dia 21 de março deste ano, com atividades populares nas ruas de Jerusalém, que terminaram com uma noite de fala em Bethlehem. Israel enviou tropas contra crianças que carregavam balões com as cores da bandeira palestina – vermelhas, brancas, verdes e pretas. As tropas de ocupação atacaram os jovens que iam realizar danças tradicionais palestinas, com suas roupas típicas, produzindo cenas de pânico e desespero.

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      Como reação, todas as escolas, universidades, centros culturais, prefeituras de dentro ou de fora da Palestina, decidiram assumir a celebração organizando atividades sobre a bandeira e o logotipo de Jerusalém Capital da Cultura Árabe de 2009. Centenas de eventos aconteceram em muitos países como mostra de solidariedade e de protesto contra a repressão israelense. Fica claro, cada vez mais, que não se trata da ocupação e da ação militar contra “forças terroristas”, como alegam os ocupantes, mas contra a resistência da cultura palestina.

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      Os palestinos adotaram o lema: “Jerusalém nos une e não deve dividir-nos”, reforçando a necessidade de união de todos os palestinos para derrotar a ocupação e pela conquista do direito de um Estado palestino, reconhecido pelas Nações Unidas, mas impedida pelos EUA e por Israel.

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      “Uma vez liberada, Jerusalém não será apenas a inquestionável capital da cultura árabe, mas será a cidade da diversidade cultural e religiosa, da tolerância e do respeito pelos outros. Uma cidade aberta para a paz cujos tesouros históricos e religiosos serão desfrutados por todos, do leste e do oeste. O único muro que a cercará será o muro histórico de sua Cidade Velha e suas 12 portas, incluindo a Porta de Ouro, que uma vez aberta, levará todos os povos do bem para o céu.”

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      As palavras são de Ragiq Husseini, presidente do Conselho Administrativo do Comitê Nacional pela Celebração de Jerusalém como Capital da Cultura Arabe em 2009. Estar aqui, chegar a Ramallah revela, com toda força, como este é um território ocupado, cruzado por muros que dividem aos próprios palestinos, povoado de tropas e de carros militares, submetendo a este heróico povo à ocupação, à opressão, à humilhação, na mais grave situação de violação dos direitos humanos – políticos, sociais, econômicos, culturais – no mundo de hoje.

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      Fonte: Blog do Emir
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      in Vermelho -24 DE JUNHO DE 2009 - 16h32
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      sexta-feira, 20 de março de 2009

      Morre o poeta palestino Mahmoud Darwish (2008)


      14 DE AGOSTO DE 2008 - 18h32

      Morre o poeta palestino Mahmoud Darwish


      por Lejeune Mirhan*


      O fato político da semana é uma proposta de paz que Olmert faz aos palestinos. Mas, não temos como não comentar a morte do grande poeta palestino da resistência, Mahmoud Darwish, ao qual publicamos algumas de suas melhores poesias. Faço a coluna de hoje uma compilação de artigos dos sites Arabesq (www.arabesq.com.br) e Sanaud (http://sanaud-voltaremos.blogspot.com).



      Mahmoud Darwish


      Faleceu neste sábado, 9 de agosto, o grande poeta palestino Mahmoud Darwish, após uma cirurgia no coração realizada no estado de Texas nos Estados Unidos. O Presidente Palestino Mahmoud Abbas declarou luto oficial na Palestina por três dias. Velas foram acessas em Ramallah, na Cisjordânia, homenageando o poeta que dedicava lindas poesias à sua terra natal, a Palestina, onde foi enterrado.


      Darwish é um dos poetas mais importantes que deram voz à causa palestina no mundo, e um dos poetas que contribuíram para construir a identidade da poesia árabe moderna. Nasceu em 1941 na aldeia palestina de Barue, que foi destruída por Israel em 1948 para construir em seu lugar uma aldeia agrícola judaica com o nome de Ahihud. Depois da Catástrofe “Al-Nakba” (15 de maio de 1948), sua família se refugiou no sul do Líbano por um ano. Um tempo depois, ele e sua família voltaram para a Palestina clandestinamente.


      Morou na pequena aldeia chamada Der Al-Assad na região de Al-Jalil, tendo se mudado em seguida com sua família para a aldeia Al Jadida, próxima à sua terra natal. Darwish se locomoveu por entre as aldeias de Al-Jalil para estudar o ensino médio, em seguida, viveu na cidade de Haifa onde aderiu ao Partido Comunista, então composto por judeus e árabes.


      Trabalhou no Jornal Al-Etihad e na revista Al-Jadid, vinculadas ao Partido na cidade de Haifa. Neste período começou a escrever poesias e ficou conhecido na Palestina como “um poeta da resistência”. Sua poesia irritava os Israelenses, por isso a policia passou a cercar qualquer aldeia que lhe organiza uma noite de poesias. Uma de suas poesias de nome Atravessando as palavras andantes? levantou um forte debate no Parlamento Israelense.


      Darwish foi muito perseguido e preso três vezes pelos israelenses nos anos 1961, 1965 e 1967 antes de ser submetido à prisão domiciliar devido as suas declarações e atividades políticas. Ele foi o primeiro entre um grupo de poetas palestinos que escreveram morando em Israel. Era a época em que a Primeira-Ministra Golda Meir dizia que: “Não há nenhum povo palestino”. Em 1972, deixou Haifa e foi para o Egito, onde ingressou na Organização de Libertação da Palestina, e de lá se mudou para Beirute. Após a invasão israelense ao Líbano em 1982, e a saída de militantes palestinos do Líbano, ele foi para o Cairo, depois para a Tunísia e em seguida a Paris.


      Em 1988 foi o autor da Declaração de Independência da Palestina, juntamente com Edward Said, o que lhe valeu o título de “Poeta da resistência”. Em toda sua obra Darwish expressa a defesa da liberdade e de sua terra, mas também soube cantar a vida e o amor.


      Em 1993 Darwish se demitiu do Comitê Executivo da OLP, em protesto contra o acordo de Oslo, dizendo que: "não é justo (o acordo), pois não prevê o mínimo de identidade aos palestinos”. Em meados da década de 1990, Mahmoud Darwish retornou à Faixa de Gaza, optando depois por permanecer em Ramallah na Cisjordânia e criticou os combates entre os palestinos no poema, Você agora é outro, que foi publicado em junho de 2007.


      Darwish obteve vários prêmios, incluindo o Prêmio Lótus em 1969, o Premio do Mar Mediterrâneo em 1980; o Troféu Revolução Palestina em 1981, o prêmio da Europa para a poesia em 1981; o premio Ibn Sina na União Soviética em 1982; o prêmio Lênin na União Soviética em 1983; o premio da Fundação Lann da liberdade cultural em 2001; o Prêmio Príncipe Claus (Holanda) em 2004; o prêmio Al Owais Cultural que foi dividido com o poeta Sírio Adônis, em 2004.


      Em 1997 foi produzido um documentário sobre ele na TV francesa, dirigido pela conhecida diretora franco-israelense Simone Bitton e recebeu a medalha de Cavalheiro das Artes e Letras da França e tornou-se membro comendador da Ordem de França das Letras e Artes. É membro honorário do Centro Sakakini.


      Darwish publicou diversos livros de poesia entre eles: Carteira de identidade, Pássaros sem asas, Folhas da Azeitona, Meus amigos não morram, Apaixonado da Palestina, As aves morrem na Galiléia, Elogio da sombra superior, Palco de Estado de Sitio e Você agora é outro.


      Publicou em 1998 a coletânea poética Sareer El Ghariba (Leito do Estrangeiro), sua primeira coleção de poemas de amor. Em 2000 publicou Jidariyya (Mural), livro que consiste de um poema sobre sua experiência pró¬xima da morte em 1997. Publicou seu livro de poesias Palco de Estado de Sítio em 2002.


      Mahmoud Darwish dedicou muitos poemas à causa palestina, à resistência e ao seu povo refugiado e injustiçado. Mesmo tendo uma vida difícil ao lado dos outros palestinos, conseguiu escrever sobre o amor, a esperança, o ser humano e a vida.


      Escreveu também sobre a palestina, suas cidades e aldeias, sobre a oliveira e sobre a Laranja de Jafah.


      Darwish derrotou a morte por duas vezes com as duas operações graves no coração, mas não resistiu a terceira, porém não permitiu que a morte o vencesse. Mahmoud Darwish permanecerá vivo nos corações e lembranças de todos os palestinos e os árabes.



      Publicamos a seguir uma pequena e singela matéria sobre Darwish de autoria da jornalista Elaine Tavares.


      Mahmoud: imortal!


      Por Elaine Tavares - jornalista

      “Venham companheiros de correntes e tristezas
      Caminhemos para a mais bela margem
      Nós não nos submeteremos
      Só podemos perder
      O ataúde”.



      Ele era assim. Essa voz poderosa chamando para a revolução. Queria ver seu povo livre, soberano, feliz. Queria de volta a sua Palestina, não como concessão de algum político bonzinho, mas porque esse é o direito do povo, usurpado em 1948 pela criação do Estado de Israel. Mahmoud Darwish, poeta, guerreiro, anjo, criança, renitente, insistente. Encantou no último sábado (dia 9) quando seu coração, pesado de tanta dor, deixou de bater. Mas, enganam-se aqueles que pensam que Mahmoud vivia por conta de seu coração. Não. Ele vivia pelas palavras que criava, pelas construções poéticas que erguia e, estas, nunca haverão de morrer.



      Ninguém disse nada, mas quando os olhos de Mahmoud apagaram para este mundo, abriram-se para a velha aldeia onde nasceu, Al Barwua, de onde sua família foi expulsa pelas armas de Israel. Um lugar que não existe mais, a não ser nos sonhos do menino que nunca a esqueceu. Encravado no coração da Galiléia, o povoado é hoje um acampamento judeu. Mas, para Mahmoud sempre foi seu torrão natal, seu ninho. E é possivelmente lá que agora ele passeia, entre as oliveiras.



      “Registra-me
      Sou árabe
      O número de minha identidade é cinqüenta mil
      Tenho oito filhos
      E o nono... virá logo depois do verão
      Vais te irritar por acaso?”




      Mahmoud foi o poeta palestino que de forma mais radical imortalizou a dor e a luta de seu povo. Até porque nunca se limitou a ser apenas um escrevinhador. Era um animal político, absolutamente conectado com as ações e com a vida real. Seu canto poético brotava das vísceras à mostra, do homem pé-no-chão, do palestino encarcerado, do humano grávido de esperanças. Suas palavras nunca foram criações estéticas. Eram o gume cortante de uma vida real, expressa em sangue e lágrimas. Seu poema nos arranca da apatia e nos convida a lutar, concretamente.



      “Ainda verte a fonte do crime.
      Obstruam-na!
      E permaneçam vigilantes
      Prontos para o combate”




      Pois agora a mão que rasgava em fogo o papel com o grito da Palestina ocupada já não escreverá mais. Mas precisa? Seu canto de liberdade está cravado na terra fértil dos corações que sonham com o ainda-não, e dali nunca fugirão. Mahmoud passeia em Al Barwa. Mahmoud passeia nas terras antigas, onde vivia uma gente livre. Mahmoud passeia nas cabeças das gentes e grita, com elas. Mahmoud imortal, imenso, menino, homem, pura vontade de ser aquilo que sempre foi: palestino, livre, soberano. Porque a liberdade, afinal, vive lá dentro, no profundo do humano. Mahmoud! Presente! Sua alma imortal dançará no dia da vitória!



      “selvagens... árabes”
      sim! Árabes
      e estamos orgulhosos
      e sabemos como empunhar a foice
      como resistir
      inclusive sem armas
      e sabemos como construir a fábrica moderna
      a casa
      o hospital
      a escola
      a bomba”



      Por fim, brindamos nossos leitores com a, talvez, mais bela de todas as poesias da resistência palestina, desse magnífico e grande poeta Mahmoud Darwish, que honra todos os povos, patriotas e comunistas de todo o mundo, onde ele fala com orgulho de sua identidade árabe e palestina.


      Carteira de identidade

      Mahmoud Darwish



      Registra-me!
      Sou árabe
      número de minha identidade é cinqüenta mil
      tenho oito filhos
      e o nono... virá logo depois do verão!
      Vais te irritar por acaso?
      Registra-me!
      Sou árabe
      trabalho com meus companheiros de luta
      em uma pedreira
      tenho oito filhos
      arranco pedras
      o pão, as roupas, os cadernos
      e não venho mendigar em tua porta
      e não me dobro
      diante das lajes de teu umbral
      vais te irritar por acaso?



      Registra-me!
      Sou árabe
      meu nome é muito comum
      e sou paciente
      em um país que ferve de cólera
      minhas raízes...
      fixadas antes do nascimento dos tempos
      antes da eclosão dos séculos
      antes dos ciprestes e oliveiras
      antes do crescimento vegetal
      meu pai... da família do arado
      e não dos senhores do Nujub
      e meu avô era camponês
      sem árvore genealógica
      minha casa
      uma cabana de guarda
      de canas e ramagens
      satisfeito com minha condição
      meu nome é muito comum



      Registra-me
      sou árabe
      sou árabe
      cabelos... negros
      olhos... castanhos
      sinais particulares
      um keffiah e uma faixa na cabeça
      as palmas ásperas como rochas
      arranharam as mãos que estreitam
      e amo acima de tudo
      o azeite de oliva e o tomilho
      meu endereço
      sou de um povoado perdido... esquecido
      de ruas sem nome
      e todos os seus homens... no campo e na pedreira
      amam o comunismo
      vais te irritar por acaso?



      Registra-me
      sou árabe
      tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
      e da terra que cultivava
      com meus filhos
      e não os deixastes
      nem a nossos descendentes
      mais que estes seixos
      que nosso governo tomará também
      como se diz
      vamos!
      Escreve
      bem no alto da primeira página
      que não odeio os homens
      que eu não agrido ninguém
      mas... se me esfomeiam
      como a carne de quem me despoja
      e cuidado...cuida-te
      de minha fome
      e minha cólera.



      Registro de pesar


      Em clima de morte, quero registrar com pesar o falecimento de um primo árabe de minha família. Trata-se de Ricardo Seror Mirhan, de 54 anos, a quem, na minha infância e adolescência, fomos muito amigos. Diferente de mim, Ricardo era descendente de árabes por parte de pai (sírios, meu tio Amil) e de mãe (tia Lili, libaneses). Ricardo orgulhava-se de sua origem e ancestralidade árabe e era muito ligado aos tios árabes de nossa família. Ricardo deixará muitas saudades. Deixa três filhas, todas orgulhosas do pai, de sua origem árabe, que são a Mayra, Fernanda e Paula, a quem, de público, deixo minhas condolências pessoais.




      *Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological



      * Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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      in Vermelho 2008.08.14
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      quinta-feira, 14 de agosto de 2008

      Morre o poeta palestino Mahmoud Darwish


      Vermelho

      14 DE AGOSTO DE 2008 - 18h32
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      por Lejeune Mirhan*

      O fato político da semana é uma proposta de paz que Olmert faz aos palestinos. Mas, não temos como não comentar a morte do grande poeta palestino da resistência, Mahmoud Darwish, ao qual publicamos algumas de suas melhores poesias. Faço a coluna de hoje uma compilação de artigos dos sites Arabesq (www.arabesq.com.br) e Sanaud (http://sanaud-voltaremos.blogspot.com).



      Mahmoud Darwish

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      Faleceu neste sábado, 9 de agosto, o grande poeta palestino Mahmoud Darwish, após uma cirurgia no coração realizada no estado de Texas nos Estados Unidos. O Presidente Palestino Mahmoud Abbas declarou luto oficial na Palestina por três dias. Velas foram acessas em Ramallah, na Cisjordânia, homenageando o poeta que dedicava lindas poesias à sua terra natal, a Palestina, onde foi enterrado.

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      Darwish é um dos poetas mais importantes que deram voz à causa palestina no mundo, e um dos poetas que contribuíram para construir a identidade da poesia árabe moderna. Nasceu em 1941 na aldeia palestina de Barue, que foi destruída por Israel em 1948 para construir em seu lugar uma aldeia agrícola judaica com o nome de Ahihud. Depois da Catástrofe “Al-Nakba” (15 de maio de 1948), sua família se refugiou no sul do Líbano por um ano. Um tempo depois, ele e sua família voltaram para a Palestina clandestinamente.

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      Morou na pequena aldeia chamada Der Al-Assad na região de Al-Jalil, tendo se mudado em seguida com sua família para a aldeia Al Jadida, próxima à sua terra natal. Darwish se locomoveu por entre as aldeias de Al-Jalil para estudar o ensino médio, em seguida, viveu na cidade de Haifa onde aderiu ao Partido Comunista, então composto por judeus e árabes.

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      Trabalhou no Jornal Al-Etihad e na revista Al-Jadid, vinculadas ao Partido na cidade de Haifa. Neste período começou a escrever poesias e ficou conhecido na Palestina como “um poeta da resistência”. Sua poesia irritava os Israelenses, por isso a policia passou a cercar qualquer aldeia que lhe organiza uma noite de poesias. Uma de suas poesias de nome Atravessando as palavras andantes? levantou um forte debate no Parlamento Israelense.

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      Darwish foi muito perseguido e preso três vezes pelos israelenses nos anos 1961, 1965 e 1967 antes de ser submetido à prisão domiciliar devido as suas declarações e atividades políticas. Ele foi o primeiro entre um grupo de poetas palestinos que escreveram morando em Israel. Era a época em que a Primeira-Ministra Golda Meir dizia que: “Não há nenhum povo palestino”. Em 1972, deixou Haifa e foi para o Egito, onde ingressou na Organização de Libertação da Palestina, e de lá se mudou para Beirute. Após a invasão israelense ao Líbano em 1982, e a saída de militantes palestinos do Líbano, ele foi para o Cairo, depois para a Tunísia e em seguida a Paris.

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      Em 1988 foi o autor da Declaração de Independência da Palestina, juntamente com Edward Said, o que lhe valeu o título de “Poeta da resistência”. Em toda sua obra Darwish expressa a defesa da liberdade e de sua terra, mas também soube cantar a vida e o amor.

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      .

      Em 1993 Darwish se demitiu do Comitê Executivo da OLP, em protesto contra o acordo de Oslo, dizendo que: "não é justo (o acordo), pois não prevê o mínimo de identidade aos palestinos”. Em meados da década de 1990, Mahmoud Darwish retornou à Faixa de Gaza, optando depois por permanecer em Ramallah na Cisjordânia e criticou os combates entre os palestinos no poema, Você agora é outro, que foi publicado em junho de 2007.

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      Darwish obteve vários prêmios, incluindo o Prêmio Lótus em 1969, o Premio do Mar Mediterrâneo em 1980; o Troféu Revolução Palestina em 1981, o prêmio da Europa para a poesia em 1981; o premio Ibn Sina na União Soviética em 1982; o prêmio Lênin na União Soviética em 1983; o premio da Fundação Lann da liberdade cultural em 2001; o Prêmio Príncipe Claus (Holanda) em 2004; o prêmio Al Owais Cultural que foi dividido com o poeta Sírio Adônis, em 2004.

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      Em 1997 foi produzido um documentário sobre ele na TV francesa, dirigido pela conhecida diretora franco-israelense Simone Bitton e recebeu a medalha de Cavalheiro das Artes e Letras da França e tornou-se membro comendador da Ordem de França das Letras e Artes. É membro honorário do Centro Sakakini.

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      .

      Darwish publicou diversos livros de poesia entre eles: Carteira de identidade, Pássaros sem asas, Folhas da Azeitona, Meus amigos não morram, Apaixonado da Palestina, As aves morrem na Galiléia, Elogio da sombra superior, Palco de Estado de Sitio e Você agora é outro.

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      .

      Publicou em 1998 a coletânea poética Sareer El Ghariba (Leito do Estrangeiro), sua primeira coleção de poemas de amor. Em 2000 publicou Jidariyya (Mural), livro que consiste de um poema sobre sua experiência pró¬xima da morte em 1997. Publicou seu livro de poesias Palco de Estado de Sítio em 2002.

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      Mahmoud Darwish dedicou muitos poemas à causa palestina, à resistência e ao seu povo refugiado e injustiçado. Mesmo tendo uma vida difícil ao lado dos outros palestinos, conseguiu escrever sobre o amor, a esperança, o ser humano e a vida.

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      Escreveu também sobre a palestina, suas cidades e aldeias, sobre a oliveira e sobre a Laranja de Jafah.

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      Darwish derrotou a morte por duas vezes com as duas operações graves no coração, mas não resistiu a terceira, porém não permitiu que a morte o vencesse. Mahmoud Darwish permanecerá vivo nos corações e lembranças de todos os palestinos e os árabes.

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      Publicamos a seguir uma pequena e singela matéria sobre Darwish de autoria da jornalista Elaine Tavares.

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      Mahmoud: imortal!
      Por Elaine Tavares - jornalista

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      “Venham companheiros de correntes e tristezas
      Caminhemos para a mais bela margem
      Nós não nos submeteremos
      Só podemos perder
      O ataúde”.
      .

      .

      Ele era assim. Essa voz poderosa chamando para a revolução. Queria ver seu povo livre, soberano, feliz. Queria de volta a sua Palestina, não como concessão de algum político bonzinho, mas porque esse é o direito do povo, usurpado em 1948 pela criação do Estado de Israel. Mahmoud Darwish, poeta, guerreiro, anjo, criança, renitente, insistente. Encantou no último sábado (dia 9) quando seu coração, pesado de tanta dor, deixou de bater. Mas, enganam-se aqueles que pensam que Mahmoud vivia por conta de seu coração. Não. Ele vivia pelas palavras que criava, pelas construções poéticas que erguia e, estas, nunca haverão de morrer.
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      Ninguém disse nada, mas quando os olhos de Mahmoud apagaram para este mundo, abriram-se para a velha aldeia onde nasceu, Al Barwua, de onde sua família foi expulsa pelas armas de Israel. Um lugar que não existe mais, a não ser nos sonhos do menino que nunca a esqueceu. Encravado no coração da Galiléia, o povoado é hoje um acampamento judeu. Mas, para Mahmoud sempre foi seu torrão natal, seu ninho. E é possivelmente lá que agora ele passeia, entre as oliveiras.
      .

      .

      “Registra-me
      Sou árabe
      O número de minha identidade é cinqüenta mil
      Tenho oito filhos
      E o nono... virá logo depois do verão
      Vais te irritar por acaso?”

      .

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      Mahmoud foi o poeta palestino que de forma mais radical imortalizou a dor e a luta de seu povo. Até porque nunca se limitou a ser apenas um escrevinhador. Era um animal político, absolutamente conectado com as ações e com a vida real. Seu canto poético brotava das vísceras à mostra, do homem pé-no-chão, do palestino encarcerado, do humano grávido de esperanças. Suas palavras nunca foram criações estéticas. Eram o gume cortante de uma vida real, expressa em sangue e lágrimas. Seu poema nos arranca da apatia e nos convida a lutar, concretamente.

      .

      .
      .
      “Ainda verte a fonte do crime.
      Obstruam-na!
      E permaneçam vigilantes
      Prontos para o combate”

      .

      .

      Pois agora a mão que rasgava em fogo o papel com o grito da Palestina ocupada já não escreverá mais. Mas precisa? Seu canto de liberdade está cravado na terra fértil dos corações que sonham com o ainda-não, e dali nunca fugirão. Mahmoud passeia em Al Barwa. Mahmoud passeia nas terras antigas, onde vivia uma gente livre. Mahmoud passeia nas cabeças das gentes e grita, com elas. Mahmoud imortal, imenso, menino, homem, pura vontade de ser aquilo que sempre foi: palestino, livre, soberano. Porque a liberdade, afinal, vive lá dentro, no profundo do humano. Mahmoud! Presente! Sua alma imortal dançará no dia da vitória!

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      “selvagens... árabes”
      sim! Árabes
      e estamos orgulhosos
      e sabemos como empunhar a foice
      como resistir
      inclusive sem armas
      e sabemos como construir a fábrica moderna
      a casa
      o hospital
      a escola
      a bomba”

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      Por fim, brindamos nossos leitores com a, talvez, mais bela de todas as poesias da resistência palestina, desse magnífico e grande poeta Mahmoud Darwish, que honra todos os povos, patriotas e comunistas de todo o mundo, onde ele fala com orgulho de sua identidade árabe e palestina.

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      Carteira de identidade
      Mahmoud Darwish

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      Registra-me!
      Sou árabe
      número de minha identidade é cinqüenta mil
      tenho oito filhos
      e o nono... virá logo depois do verão!
      Vais te irritar por acaso?
      Registra-me!
      Sou árabe
      trabalho com meus companheiros de luta
      em uma pedreira
      tenho oito filhos
      arranco pedras
      o pão, as roupas, os cadernos
      e não venho mendigar em tua porta
      e não me dobro
      diante das lajes de teu umbral
      vais te irritar por acaso?

      .

      Registra-me!
      Sou árabe
      meu nome é muito comum
      e sou paciente
      em um país que ferve de cólera
      minhas raízes...
      fixadas antes do nascimento dos tempos
      antes da eclosão dos séculos
      antes dos ciprestes e oliveiras
      antes do crescimento vegetal
      meu pai... da família do arado
      e não dos senhores do Nujub
      e meu avô era camponês
      sem árvore genealógica
      minha casa
      uma cabana de guarda
      de canas e ramagens
      satisfeito com minha condição
      meu nome é muito comum

      .

      Registra-me
      sou árabe
      sou árabe
      cabelos... negros
      olhos... castanhos
      sinais particulares
      um keffiah e uma faixa na cabeça
      as palmas ásperas como rochas
      arranharam as mãos que estreitam
      e amo acima de tudo
      o azeite de oliva e o tomilho
      meu endereço
      sou de um povoado perdido... esquecido
      de ruas sem nome
      e todos os seus homens... no campo e na pedreira
      amam o comunismo
      vais te irritar por acaso?

      .

      Registra-me
      sou árabe
      tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
      e da terra que cultivava
      com meus filhos
      e não os deixastes
      nem a nossos descendentes
      mais que estes seixos
      que nosso governo tomará também
      como se diz
      vamos!
      Escreve
      bem no alto da primeira página
      que não odeio os homens
      que eu não agrido ninguém
      mas... se me esfomeiam
      como a carne de quem me despoja
      e cuidado...cuida-te
      de minha fome
      e minha cólera.

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      Registro de pesar

      Em clima de morte, quero registrar com pesar o falecimento de um primo árabe de minha família. Trata-se de Ricardo Seror Mirhan, de 54 anos, a quem, na minha infância e adolescência, fomos muito amigos. Diferente de mim, Ricardo era descendente de árabes por parte de pai (sírios, meu tio Amil) e de mãe (tia Lili, libaneses). Ricardo orgulhava-se de sua origem e ancestralidade árabe e era muito ligado aos tios árabes de nossa família. Ricardo deixará muitas saudades. Deixa três filhas, todas orgulhosas do pai, de sua origem árabe, que são a Mayra, Fernanda e Paula, a quem, de público, deixo minhas condolências pessoais.




      *Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological



      * Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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      in Vermelho
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      Vermelho

      13 DE AGOSTO DE 2008 - 20h14

      Aos milhares, palestinos se despedem do grande poeta Darwich


      No maior funeral registrado desde o de Yasser Arafat, em 2004, milhares de palestinos deram o último adeus ao poeta nacional Mahmud Darwish, nesta quarta-feira (13), na cidade de Ramallah, Cisjordânia. Os restos mortais do escritor saíram dos Estados Unidos e foram levados de Amã por um helicóptero militar jordaniano que aterrissou no pátio da Muqata, a sede presidencial do líder palestino Mahmud Abbas.


      No local — onde também foi erguido o mausoléu de Arafat —, o caixão de Darwish foi alvo de uma recepção oficial geralmente reservada a chefes de Estado, na qual Mahmoud Abbas o qualificou de "mestre da palavra e da sabedoria". Parentes do autor, líderes religiosos e políticos e intelectuais assistiram ao ato. Posteriormente, milhares de pessoas formaram o cortejo fúnebre pelas ruas de Ramallah, decoradas com bandeiras palestinas e cartazes com versos e imagens do poeta palestino mais traduzido e premiado em vida.

      Após passar pela praça central da cidade, Al-Manara, o caixão chegou ao Palácio Cultural, junto ao qual foi sepultado com 21 tiros para o alto. O Palácio Cultural, o maior centro de espetáculos de Gaza e da Cisjordânia e onde ele recitou sua obra, em julho, chama-se a partir deste momento Palácio Cultural Darwish.

      As forças de segurança tiveram que conter a multidão que se amontoava para ver o ataúde, coberto com a bandeira palestina. O corpo de Darwish repousa em uma cova cercada de gramado, palmeiras e pequenas oliveiras que, durante enterro, ficou coberta por coroas de flores.

      O poeta faleceu no sábado passado, aos 67 anos de idade, após uma operação a coração aberto num hospital do Texas (EUA). "Darwich morreu às 13h35 local", disse, sem apresentar detalhes, Ann Brimberry, porta-voz do memorial Hermann-Texas Medical Center em Houston onde estava internado. Ele estava em estado crítico depois de uma intervenção cirúrgica, disse mais cedo um outro responsável do hospital.

      Com uma obra de grande lirismo marcada por dramas do exílio e da ocupação vividos pelo povo palestino, Darwich foi um dos maiores poetas contemporâneos de língua árabe. Adquiriu notoriedade internacional com cerca de 30 obras traduzidas em 40 línguas. Seu célebre poema de 1964, Identidade (Sajjel: Ana arabi), sobre um formulário israelense de preenchimento obrigatório, tornou-se um hino em todo o mundo árabe.

      A unanimidade entre os palestinos em torno da figura de Darwish se deve a que foi muito mais que um simples escritor político — mas "um poeta", o que melhor conseguiu transformar em palavras a saudade da terra e do orgulho perdidos perante a ocupação israelense. Sua obra e seu compromisso político estiveram marcados por seu exílio forçado dos territórios palestinos com apenas sete anos de idade.

      Outros de seus poemas, como Estado de Sítio, também são hoje um tipo de hinos literários palestinos conhecidos e apreciados no mundo árabe. "Foi o poeta do exílio e dos refugiados, cuja linguagem universal de deslocamento e alienação será ouvida no discurso — político e poético — durante muitos anos", ressaltou em comunicado a diretora da agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA), Karen Abuzayd.

      Perfil

      Mahmud Darwish nasceu em 1941 em Al-Birwa, um povoado da Galiléia, então na Palestina sob mandato britânico — e hoje norte de Israel. Em 1948, depois de arrasarem a cidade, as tropas israelenses obrigam Darwich a partir com a família para o exílio. "Venho de lá e tenho lembranças / Nascidos como mortais somos, tenho uma mãe / e uma casa com muitas janelas / tenho irmãos, amigos / e a cela de uma prisão com uma fria janela", começa um de seus textos mais famosos.

      Darwish acabou regressando clandestinamente, um ano depois. Cinco vezes preso, entre 1961 e 1967, refugiou-se, em 1970, no Cairo e, em 1972, em Beirute, no Líbano, o qual abandonou, entretanto, em 1982, durante a invasão do país pelas forças judaicas. Após a guerra israelense no Líbano de 1982, que forçou a direção da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), da qual fazia parte, a se refugiar na Tunísia, Darwich retomou a rota do exílio: Cairo, Tunísia e depois Paris.

      Em 1988, Darwish redigiu a chamada Declaração de Independência Palestina, o que lhe valeu, junto com sua obra em defesa da liberdade e de sua terra, o codinome de "poeta da resistência". Ele publicou mais de 20 livros de poesia e cinco de prosa, mas — como diria Gabriel Celaya — também tomou "partido até se manchar" e foi várias vezes preso em Israel por sua atividade política.

      Em 1993, afastou-se da OLP para protestar contra os acordos de Oslo, estimando que não representariam uma "paz justa" para os palestinos. Já em maio de 1996, foi autorizado a pisar no solo de Israel pela primeira vez desde o exílio, para assistir aos funerais do escritor árabe-israelense Emile Habibi.

      Sua vida dividia-se, até recentemente, entre Amã, na Jordânia, e Ramallah, na Cisjordânia. Considerado um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, Mahmud Darwich é autor de uma extensa e complexa obra, caracterizada ora por um tom revolucionário e patriótico, ora por um sopro épico e lírico.

      Foi também autor de diversas obras em prosa, onde estão reunidos os numerosos artigos publicados na imprensa, designadamente na revista literária al-Karmil, que fundou em Beirute e que dirigia a partir de Ramallah. Laureado com o prêmio Lênin da extinta-União Soviética, cavaleiro das Artes e das Letras (na França), recebeu em Haia o famoso prêmio Príncipe Claus pelo "conjunto de sua obra".

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