Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Nara Leão - Pedro Pedreiro


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Enviado por  em 27/08/2011
℗1966 (Brasil). Sung in Portuguese. Written by Chico Buarque.

Pedro pedreiro penseiro
esperando o trem
manha parece carece
de esperar também para o bem
de quem tem bem
de quem não têm vintém.

Pedro pedreiro fica assim pensando
assim pensando o tempo passa
e a gente vai ficando para traz
esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem
esperando o aumento
desde o ano passado
para o mês que vem

Pedro pedreiro espera o carnaval
e a sorte grande do bilhete
pela federal todo o mês
esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem
esperando o aumento
para o mês que vêm
esperando a festa
esperando a sorte
e a mulher de Pedro
tá esperando um filho
pra esperar também.
Pedro pedreiro ta esperando a morte
ou esperando o dia de voltar pró norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
espera alguma coisa mais linda que o mundo
maior que o mar.
Mas pra quê sonhar sei lá?
No desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
quer ser pedreiro
pobre e nada mais sem ficar
esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem
esperando o aumento
para o mês que vêm
esperando um filho pra esperar também
esperando a festa
esperando a sorte
esperando a morte
esperando o norte
esperando o dia de esperar ninguém
esperando enfim nada mais que além
que a esperança aflita, , bendita, infinita do apito do trem.


Nara Leão ~ Carcará


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Enviado por  em 07/08/2010
Nara Leão Track: Carcará Album: O Canto Livre de Nara

Gloria a Deus, Senhor nas alturas
e viva eu de amargura
nas terras do meu senhor...

Carcará pega, mata e come
carcará não vai morrer de fome.
Carcará, mais coragem do que homem.
Carcará pega, mata e come!

Carcará, lá no sertão
é um bicho que avoa
que nem avião.
É um pássaro malvado,
tem o bico volteado
que nem gavião

Carcará quando vê roça queimada
sai voando e cantando:
carcará vai fazer sua caçada,
carcará come inté cobra queimada!

Quando chega o tempo da invernada
No sertão não tem mais roça queimada.
Carcará mesmo assim não passa fome.
Os borregos que nasce na baixada...

Carcará pega, mata e come...

Carcará é malvado, é valentão,
é a águia de lá do meu sertão.
Os borrego novinho não pode andá:
Ele puxa no imbigo até matá.

Carcará pega, mata e come...

O Triste Caboclo, a Canção Popular e o Canto das Massas


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Enviado por  em 04/08/2010
Baseado na música "Sina de Caboclo", de João do Vale e J. B. Aquino, na voz de Nara Leão. Cultura popular vs cultura de massa

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Enviado por  em 30/01/2011
Blogbar do Fontana -- Nos balcões dos bares da vida

NARA LEÃO - OPINIÃO DE NARA

PHILIPS - 1964

Música - "Sina Do Caboclo" (Zélia Barbosa & João do Vale & J.B. de Aquino)

Letra:

Mas plantar prá dividir
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo,
Ganho a vida na enxada.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada.
Se assim continuar
vou deixar o meu sertão,
mesmos os olhos cheios d'água
e com dor no coração.
Vou pró Rio carregar massas
prós pedreiros em construção.
Deus até está ajudando :
está chovendo no sertão !
Mas plantar ...
Quer ver eu bater enxada no chão,
com força, coragem , com satisfação ?
e só me dar terra prá ver como é :
eu planto feijão, arroz e café ;
vai ser bom prá mim e bom pró doutor.
eu mando feijão, ele manda tractor .
vocês vai ver o que é produção !
modéstia á parte, eu bato no peito :
eu sou bom lavrador !
Mas plantar ...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Nara Leão canta Manhã de Carnaval (Orfeu Negro)


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Ícone de canal

poetavivo

Na TV Manchete, a psicóloga e musa da bossa nova toca violão e canta Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá.  . 
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Manhã de Carnaval

From Wikipedia, the free encyclopedia

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"Manhã de Carnaval" (trad. En: "Morning of Carnival"), is the title of the most popular song by Brazilian composers Luiz Bonfá and Antonio Maria. It appeared in the 1959 Portuguese-language film Orfeu Negro (English titled: Black Orpheus), by French director Marcel Camus and based on a play by Vinícius de Moraes. Particularly in the USA, the song is considered to be one of the most important Brazilian Jazz/Bossa songs that helped establish the Bossa Nova movement in the late 1950s. Manhã de Carnaval has become a jazz standard in the USA, while it is still performed regularly by a wide variety of musicians around the world in its vocalized version or just as an instrumental one.
The song is also known in the USA by the English text version titled: "A Day in the Life of a Fool," or simply as "Carnival" and in Spanish text by the name of "Mañana de Carnaval". All versions of foreign texts were written by different people using Bonfá's original music. In France the song is also known as "La Chanson D'Orphée" ("Orpheus' song").

Contents

[hide]

The Songs of Black Orpheus

Although most of the songs in the film, "Orfeu Negro" ("Black Orpheus" in English) [1] were composed by Antônio Carlos Jobim and Vinícius de Moraes, Manhã de Carnaval was one of two by composer Luiz Bonfá (the other being "Samba de Orfeu"), Manhã de Carnaval was by far the song that got branded popularly as the movie theme in "Black Orpheus." Luiz Bonfá's success with his 1959 hit song was very great, and made his name so well known in the music industry internationally that on several occasions US producers brought him from Brazil to the USA for TV presentations.[2] Manhã de Carnaval was originally sung by Joao Gilberto.

Recordings of Manhã de Carnaval

(All recordings listed below were released by the title of "Manhã de Carnaval" and sung in Portuguese, except where noted.)
  • Luiz Bonfá, "Solo in Rio 1959 [LIVE]," track #11 & track #25(reprise), audio CD, Label: Smithsonian Folkways, Feb 22, 2005. Originally released as "O Violão de Luiz Bonfá," label: Cook, 1959.
  • "Black Orpheus” (Original Intl. release title: Orfeu Negro): The Film. Dispat Films, December 1959.
  • Luiz Bonfá & Antonio Carlos Jobim, "Black Orpheus," Motion Picture Soundtrack, tracks #6, 8, 11 & 14, LP Vinyl, Fontana, 1959.
  • Maysa, Live, sings for TV production, Video, Japan, 1960
  • Miriam Mekeba, Miriam Makeba, LP vinyl RCA 1960/63
  • Vince Guaraldi, “Jazz Impressions of Black Orpheus,” CD, track #2, label: Orig. Jazz Classics, USA, April 18, 1962.
  • Luiz Bonfá performs on acoustic guitar with Perry Como (vocal), "Manhã de Carnaval", live on the NBC program "Kraft Music Hall", USA 1963.

    • (Note: Perry sings in English his 1963 recorded version of Bonfá's song)
  • Stan Getz, "Big Band Bossa Nova," arranged by Gary McFarland, LP & CD, track #1, Verve, USA, August 1962.
  • Cal Tjader, "Sona Libre," LP, track # 7, Verve, USA, January 1963.
  • Gerry Mulligan, "Night Lights,"' LP & CD, track #2, label: Polygram Records, (USA), (original) September 1963.
  • Perry Como, "The Songs I Love," LP, RCA, (USA), 1963

    • (Note: This is a version with English lyrics called "Carnival")
  • Dinah Shore, sings (in Portuguese) on ABC TV, USA 1964.

    • (Note: Dinah starts singing at the second strophe, and then repeats the same)
  • Mongo Santamaria, "La Bamba" track #4, CD, label: Columbia, 1965.
  • Luiz Bonfá on Guitar plays with Caterina Valente, vocal & guitar, for the TV Variety Show. Ms Valente hosted the show at The Hollywood Palace. Audio/Video, 1965.
  • Sandy Bull, "Inventions," LP, Vanguard, (USA), 1965. (instrumental)
  • Perry Como, "The Songs I Love," LP, RCA, (USA), 1966.

    • (Note: This is the same version sung in 1963 by Perry Como, now titled Manhã de Carnaval")
  • Stanley Turrentine - A Bluish Bag, Blue Note, USA, 1967 (instrumental)
  • Claudine Longet, "The Look of Love," LP, A&M, (USA), 1967.
  • Frank Sinatra, "My Way," LP (1969) and CD (1990) track #7, label: Warner Bros, (UK), 1969.

    • (Note: Frank sings the previously-unreleased lyrics version, in English, titled: "A Day in the Life of a Fool")
  • Mason Williams, "Hand Made", LP (1970), first track on side 2 (instrumental bluegrass version).
  • Chuck Mangione, "The Chuck Mangione Quartet," LP 1972 and "The Feeling's Back," CD 1998.
(Note: Both are instrumental / flugelhorn solos)
included: TheWynton Marsalis Septet, Antonio Carlos Jobim, Placido Domingo, plus orchestra directed & conducted by John DeMain. Rio de Janeiro, Brazil for TV Production, USA 1992.
(Note Luís Miguel sings a Spanish text version)

[edit] Lyrics other than Portuguese

Although not as popular as the vast number of interpretations with Portuguese lyrics[3], the song can also be found with a few English lyrics adaptations and in some other languages as well. None of the versions in other languages were written by Brazilian song writers.
  • Luis Miguel sang the song in a Spanish version, while Julio Iglesias sang a different Portuguese version in a more Spanish sounding Portuguese, without his distinguished accent. However, both versions were titled: "Mañana de Carnaval," although their rhythmic interpretations vary greatly.
  • George David Weiss, Hugo Peretti, and Luigi Creatore wrote an English lyric adaptation under the title "Carnival." This version was recorded by Perry Como in 1963, and again, using the original cover name, "Manhã de Carnaval," three years later. Singer-songwriter Tori Amos recorded this version of the song for the Mission: Impossible 2 soundtrack in 2000 [4].
  • Carl Sigman later wrote a different set of English lyrics titled "A Day in the Life of a Fool," again adapting it to Bonfá's original music. Sigman's version is not a translation of the Brazilian lyrics, but rather an all new text on a different topic altogether, but to the same unmodified music.
  • In 2002, the music of Manhã de Carnaval was used in an Arabic version called "Shou Bkhaf" (How I fear) with lyrics written by Ziad Rahbani (Lebanese musician and composer, one of the leaders of Oriental Jazz). His mother, the Lebanese diva singer Fairouz, very popular in the Arab world, released this song in her "Wala Kif" album.
  • Shiina Ringo, lead singer for the Japanese band, Tokyo Jihen, covered this song in both Portuguese and English under the title "Kuroi Orufe" (黒いオルフェ Black Orpheus?) in her cover album, "Utaite Myouri ~Sono Ichi~" (2002) while she was a solo artist.

See also

External links

References

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nara: o pássaro e o leão

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por Augusto Buonicore*
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>No último dia 7 de junho completaram-se vinte anos da morte da cantora Nara Leão. Ela foi uma das pessoas mais importantes na configuração do que conhecemos hoje como Música Popular Brasileira (MPB). Participou da criação da Bossa Nova, da “música de protesto”, do tropicalismo etc. Foi também uma artista engajada nas lutas do seu tempo pela liberdade e pelos direitos do povo. Era um bichinho estranho: meio pássaro e meio leão.

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Chico e Nara cantam Dueto

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Nara nasceu no Espírito Santo em 19 de janeiro de 1942, mas com apenas um ano de idade mudou-se para o Rio de Janeiro. Era filha de uma família relativamente avançada para época. “Não havia em nossa casa os valores tradicionais da classe média nem normas de conduta. Não comemorávamos natal, nem aniversários, nem réveillon”, afirmou ela. Menina extremamente tímida e insegura quanto a sua beleza e possíveis talentos.

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Aos 12 anos começou a aprender tocar violão com Patrício Teixeira. Cantor e instrumentista, companheiro de Pixinguinha, havia criado um novo método que, ironicamente, batizou “O Capadócio”. Esse era o nome ofensivo dado aos tocadores de violão no início do século 20. Patrício, como negro capadócio, havia sentido na carne o preconceito da sociedade carioca de sua época.

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Amiga e namorada de Roberto Menescal, e depois de Ronaldo Bôscoli, teve o seu apartamento em Copacabana transformado num dos pontos de encontro dos jovens músicos que criariam um novo estilo musical: a Bossa Nova. Lá se reuniam Carlos Lyra, João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Silvia Telles etc. Nara não era somente uma anfitriã amável – ou a musa daqueles rapazes talentosos – mas também uma das cabeças daquele movimento cultural que surgia.

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Em 1958 o grupo foi convidado para cantar no Clube Universitário Hebraico. Como a única figura de certa expressão era Silvia Telles, o funcionário colocou um cartaz “Silvia Telles e um grupo bossa nova”. Sem planejar, o movimento já tinha conseguido um nome. O poeta Manoel Bandeira se referiu a ele como “uma música intimista mais apropriada para apartamentos”. Era isso e um pouco mais.

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Nara subiu ao palco pela primeira vez em 13 de dezembro de 1959. Em pânico, cantou quase de costa para o público as músicas “Se é tarde, me perdoa” e “Fim de Noite”. Nascia, assim, uma estrela ainda que um pouco gauche.

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Nara se politiza

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A primeira experiência de Nara com uma grande gravadora – a Columbia - não foi das mais felizes. No teste cantou “Insensatez” de Vinícius e Tom. Acharam a música chata e longa demais. Sugeriram que cantasse boleros. Ela não gostou da proposta, pegou seu violão e foi embora.

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Estranhamente, a “musa da bossa nova” não estrearia em disco cantando o estilo que havia contribuído para criar. Naqueles anos o Brasil estava mudando e Nara também.

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Separada de Bôscoli, começou um namoro com o cineasta Cacá Diegues. Através dele se aproximou do pessoal do Cinema Novo e dos intelectuais que organizavam o Centro Popular de Cultura da UNE. Naquele ambiente efervescente ela foi se politizando e aderindo às idéias da esquerda e ao projeto cultural nacional-popular. Saíamos dos “anos JK” e entravamos na “era Jango”. A grande bandeira do momento eram as reformas de base.

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Além de Cacá, Carlos Lyra também influenciou Nara. Ele, ao lado de Sérgio Ricardo e Geraldo Vandré, propunham uma mudança de rumo na Bossa Nova.

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Uma das características desse grupo era a busca de uma aproximação maior com os compositores de extração popular, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, João do Valle etc. Buscava uma fusão entre a moderna música urbana – produzida pelas camadas médias – e a música de morro e do sertão.

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O movimento da Bossa Nova acabou rachando em duas partes: uma chamada de “alienada” e outra mais politizada. O conflito foi bastante acirrado. Nara entrou na briga ao lado da arte engajada contra a alienação bossanovista. Numa entrevista à revista “O Cruzeiro” afirmou: “A bossa nova, que se apresentava como um movimento renovador – e foi até determinado momento – tornou-se caduca e acadêmica”. Um pouco antes do golpe militar ela ainda afirmaria: “os letristas da bossa nova escreveram letras sem o menor sentido. Então fui procurar os compositores que dizem o que querem e encontrei o samba tradicional, que contém a verdadeira essência da música popular brasileira”.

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Foi dentro desse espírito que gravou o seu primeiro disco. Houve muita resistência quanto ao repertório sugerido pela garota. Dele constavam nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Ketti. Onde já se viu, mocinha de Copacabana cantando música de morro? Depois de muita luta convenceu os produtores que aquele era o caminho certo. Além dos compositores populares havia Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Gianfracesco Guarnieri, Baden Powell, Ruy Guerra. Muitos afirmam que esse disco iria cimentar o caminho daquilo que seria chamado de MPB.

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O disco se destacava pela forte presença da crítica social. Muitas das canções poderiam ser enquadradas na rubrica de “música de protesto”. Um estilo que vinha ganhando força em todo mundo, inclusive nos Estados Unidos. Destacava-se no LP as músicas “O morro (feio não é bonito)”, “Canção da terra”, “Berimbau”, “Maria Moita” e “Marcha da quarta-feira de cinzas”. Definitivamente, Nara era a nossa Joan Baez.

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Em 1963 ela aderiu ao Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI), uma versão artístico-intelectual do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Os seus membros pretendiam “participar da formação de uma frente única nacionalista e democrática com as demais forças populares arregimentadas na marcha por uma estruturação melhor da sociedade brasileira”.

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O golpe militar de março de 1964 iria obstaculizar as mudanças que já se anunciavam nas ruas. A música lançada alguns meses antes “Marcha de quarta-feira de cinzas” se tornou uma profecia realizada e uma conclamação à luta pela liberdade: “Acabou nosso carnaval/ Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais brincando feliz/ E nos corações/ Saudades e cinzas foi o que restou / .../ E, no entanto, é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade”. Foi o primeiro hino da resistência democrática no país.

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Provocada por um jornalista que perguntou se ela era “subversiva”, respondeu: “Se cantar músicas que falam dos dramas do povo, dos seus problemas e das suas tristezas, angústias e alegrias é ser subversiva, acho que não escapo dessa classificação primária. Prefiro, porém, ser chamada de apaixonada pela alma brasileira, de procurar as raízes da verdadeira música do Brasil”. Com esse objetivo, viajou por todo país. Pesquisou culturas populares regionais em busca de novos repertórios. Na Bahia conheceu Gil, Caetano, Maria Bethânia. Esse encontro teria conseqüências para a música brasileira alguns anos depois.

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Nara também esteve por trás da primeira resposta do mundo artístico ao golpe militar. Em novembro de 1964 lançou o LP “Opinião de Nara”. A música que dava título ao disco havia sido escrita por Zé Ketti e começava assim: “Pode me prender, pode me bater que eu não mudo de opinião”. Uma clara referência ao difícil momento no qual o Brasil estava vivendo. O disco seguia o mesmo esquema do disco anterior, articulando o moderno e estilos de raiz. Trazia músicas de Zé Ketti, João do Valle, Edu Lobo, Baden Powell, Sérgio Ricardo, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ruy Guerra. Sua marca era a crítica ao regime militar e às injustiças sociais.

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O LP chegou ao segundo lugar nas paradas de sucesso e empolgou alguns artistas que vinham do CPC, destruído pela ditadura, e procuravam outros caminhos. Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) propôs transformar o disco num show. O elenco escolhido procurava traduzir a necessária aliança entre os operários favelados, representado por Zé Ketti, os camponeses nordestinos, representado por João do Valle, e as classes média urbanas, espelhada em Nara Leão. A frente popular sonhada pela esquerda nacional. O texto foi escrito por Vianinha, Armando Costa e Paulo Pontes. A direção ficou por conta de Augusto Boal. O show Opinião estreou em dezembro e obteve um estrondoso sucesso de público e crítica.

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A reação não tardou. Grupos de direita picharam a fachada do Teatro de Arena com slogans anticomunistas. Durante o show, Nara era obrigada a bater boca com provocadores infiltrados na platéia. O ritmo extenuante acabou sendo demais para ela. Tendo que se afastar, indicou para substituí-la uma menina que conhecera na Bahia de nome Maria Bethânia. A garota estrearia fazendo um grande sucesso, especialmente pela sua performance em “Carcará” de João do Valle.

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Nara voltaria ao palco no espetáculo “Liberdade, liberdade”, escrito por Flávio Rangel e Millôr Fernandes. Mais uma resposta dos artistas ao arbítrio que se implantara no país. O texto era uma coletânea de citações de inúmeras personalidades defendendo a liberdade em todos os campos de atuação humana. Como a ditadura poderia censurar as palavras de Cristo, Lincoln, Kennedy ou mesmo trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos? Simbolicamente, estreou no dia 21 de abril de 1965. Um novo sucesso de público e uma nova derrota da ditadura. A direita realizou novas provocações, ameaçando a integridade física e moral dos atores.

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As coisas ficaram ainda mais quentes quando Nara, numa entrevista ao “Diário de Notícias”, defendeu a saída dos militares do poder, pois eles “podiam entender de canhão ou de metralhadoras, mas nada pescavam de política”. Advogou o retorno de um governo civil que “nacionaliza-se as empresas e possibilita-se (...) a melhora do nível de vida do operariado e o desenvolvimento econômico do país”. Empolgada, foi ainda mais longe afirmando que “numa guerrilha moderna, o nosso exército não serviria para nada” e, concluiu, “quem está mandando é que deveria ser cassado”. O título provocativo da matéria era “Nara é de opinião: Esse Exército não vale nada”.


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A direita militar enfurecida pediu a cassação e prisão da cantora. Os intelectuais e artistas se organizaram para defendê-la e elaboraram um abaixo-assinado endereçado ao marechal-presidente Castelo Branco. Em sua defesa o poeta Carlos Drummond de Andrade publicou um poema-manifesto: “Meu honrado marechal/ dirigente da nação,/ venho fazer-lhe um apelo: /não prenda Nara Leão (...)/ A menina disse coisas/ de causar estremeção?/ Pois a voz de uma garota/ abala a Revolução?/ / Será que ela tem na fala,/ mais do que charme, canhão?/ Ou pensam que, pelo nome,/ em vez de Nara, é leão? (...)/ Que disse a mocinha, enfim,/ De inspirado pelo Cão? (...)/ Deu seu palpite em política,/ favorável à eleição/ de um bom paisano – isso é crime,/ acaso, de alta traição?/ (...)/ Nara é pássaro, sabia?/ E nem adianta prisão/ para a voz que, pelos ares,/ espalha sua canção./ Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.”

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Nara e os festivais

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O auge do prestigio de Nara ainda estaria por vir. Em 1966 foi convidada para defender a música “A Banda” de Chico Buarque de Holanda no II Festival da Música Popular da TV Record. Curiosamente, sem planejar, ele concorreria com “Disparada” de Vandré e Téo de Barros. Um dos melhores exemplares da música engajada. A Banda venceu, mas por exigência de Chico, o prêmio foi dividido.

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A marchinha foi um fenômeno musical. Chico e Nara foram, subitamente, lançados ao estrelado. As solicitações de shows multiplicavam e eles não podiam mais sair nas ruas. Era um verdadeiro tormento para a introvertida Nara. A TV Record chegou a criar um programa especial: “Pra ver a banda passar”. A dupla de apresentadores foi chamada jocosamente de “desanimadores de auditório” por sua timidez e constrangimento diante das câmeras. Para alívio dos dois, o programa teve curta duração. Em 1967 interpretaria, ao lado de Sidney Miller, a bela canção “A estrada e o violeiro”.

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Defensora da música popular não assumiu posições nacionalistas estreitas. Ela e Chico, por exemplo, se recusaram a participar da passeata realizada em julho de 1967 contra a introdução das guitarras elétricas na música brasileira. Aquela era uma jogada de marketing muito perigosa. Nara teria dito “Isso mete medo. Parece uma passeata do Partido Integralista”. Não chegava a tanto. A maioria dos artistas se arrependeria daquela atitude.

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Dentro do seu espírito desbravador, Nara causaria mais uma polêmica. Rompendo com as barreiras existentes entre o pessoal da MPB tradicional e a nova onda tropicalista, chegou a participar do disco “Tropicália” cantando “Lindonéia” de Caetano e Gil. Isso causou indignação dos seus camaradas da música engajada e de raiz. Ela apoiou, mas não podia ser definida como uma tropicalista, pois jamais se rendeu aos seus arroubos mais radicais daquele movimento cultural.

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Quando do assassinato do estudante Edson Luís, em março de 1968, ela escreveu um longo texto de protesto intitulado “É preciso não cantar”: “Um estudante de 16 anos morreu porque queria instalações sanitárias e comida para melhor cumprir sua função de estudante. (...) Fizemos uma greve de teatro contra a censura. E voltamos a cantar. Mas é impossível cantar, sabendo que os estudantes estão sendo assassinados nas ruas (...) Por isso, é preciso não cantar. Participou, ao lado de outros artistas, da Passeata dos 100 mil.

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A decretação do AI-5, em dezembro de 1968, iria eliminar o pouco espaço que ainda havia para expressão político-cultural. Iniciava-se o período mais sombrio da ditadura. Prisões, torturas e exílio se multiplicavam. Em agosto de 1969, ela declarou ao Pasquim: “No Brasil, no momento, não há condições de trabalho, não há estímulo, não dá vontade de cantar. Acho que se não houver liberdade de criação, vai acabar tudo”. Chico Buarque, no exílio, disse a Cacá Diegues que “Nara era um dos nomes mais citados pelos militares durante vários interrogatórios a que era submetido”. As ameaças sobre o casal aumentaram e ele teve que seguir o triste caminho do exílio.

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Na Europa, saudosa do Brasil, ela fez as pazes com a Bossa Nova e, pela primeira vez, gravou um disco somente com músicas de seus ex-companheiros. Nascia assim o LP “Dez anos depois”. Esse seria um reencontro definitivo com suas origens musicais. Em 1971, voltou ao Brasil.

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No ano seguinte foi indicada para presidir o júri da etapa nacional do 7º Festival Internacional da Canção da rede Globo. Pressionada pelo regime, a direção da emissora destituiu todo o júri brasileiro e o substituiu pelo júri da fase internacional. Nara protestou e o psicanalista Roberto Freire tentou fazer um protesto em pleno festival, mas foi espancado e preso por agentes da repressão. Era o fim definitivo da “era dos festivais”.

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Como alternativa ao fechamento dos espaços para divulgação da cultura nacional e popular foi criado o Circuito Universitário. Os artistas passariam a se apresentar em universidades de todo o país. Nara, Chico, Toquinho, Vinícius, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, MPB-4, Sérgio Ricardo, Paulo César Pinheiro, Paulinho Tapajós entre outros entrariam nessa aventura cultural. As condições, muitas vezes, eram precárias, mas isso era amplamente compensado pelo calor das platéias estudantis. Se apresentar e assistir esses shows eram formas de participar da resistência democrática naqueles anos de chumbo.

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Uma tragédia se imporia na vida da artista. Em 1979 Nara desmaiou e foi levada ao hospital. Constatou-se que tinha um tumor no cérebro numa área de difícil acesso. A partir daí iniciou-se uma luta titânica da vida contra a morte. Uma luta desigual que ela conseguiu muitas vezes vencer.

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Apesar da doença, continuou sua atividade política a favor da democratização do país. Envolveu-se na campanha dos candidatos da oposição em 1982. Assinou manifesto contra as prisões e desaparecimentos de presos políticos na Argentina. Participou ativamente da Campanha das Diretas em 1984. Até o fim defendeu as causas mais sentidas do nosso povo.

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As perdas de memória eram mais constantes. Shows tiveram que ser interrompidos e cancelados. Ela lutava minuto a minuto contra a doença. Nos dez últimos anos de sua vida trabalhou incansavelmente e produziu quase uma dezena de discos. Nara morreu em 7 de junho de 1989. Mas, o seu canto de ave pequena e o seu rugido de leão continuam ecoando através das obras que nos legou.

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Nota

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As principais referências para esse artigo foram extraídas do livro Nara Leão: uma biografia de Sérgio Cabral, publicado pelas editoras Companhia Editora Nacional e Lazul.

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*Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.


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in Vermelho - 10 DE JUNHO DE 2009 - 20h51
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Vídeo
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Buarque Consta nos astros, nos signos, nos búzios Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás Serás o meu amor, serás a minha paz Consta no...
Dueto
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Composição: Chico Buarque
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Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca

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