Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Diversidade marinha é em grande parte inexplorada

Meio Ambiente | 03.08.2010 DW World

Os cientistas não sabem até que ponto a destruição ambiental está reduzindo a biodiversidade nos oceanos. Afinal, grande parte das espécies existentes nos mares do planeta são desconhecidas da ciência.


Calcula-se que cerca de 10 milhões de espécies vivam nos oceanos, entre as quais algas, bactérias, peixes, corais e mamíferos. Nem todas já foram descobertas, de modo que esse número é a apenas uma estimativa dos cientistas, afirma o professor Pedro Martínez, diretor do Instituto de Pesquisa Seckenberg am Meer, em Wilhelmshaven, na Alemanha.
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Sobretudo nas profundezas, milhares de metros abaixo do nível do mar, os pesquisadores ainda estão descobrindo o enorme alcance dessa diversidade. Há algumas décadas, essa região praticamente inexplorada do planeta ainda era considerada um "deserto subaquático".
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Cada vez mais, os cientistas passam a defender a proteção das espécies existentes nos mares. Não se sabe o quanto de vida já se destruiu até agora, mas com certeza o excesso da atividade pesqueira alterou completamente o espectro das espécies.
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Os peixes compõem o menor grupo entre os seres vivos que vivem nos oceanos, apenas cerca de 12%. Já os crustáceos representam 19% da população marinha, enquanto os invertebrados somam 17%.
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Calcula-se que haja 40 mil espécies de peixes em todo o planeta, informa Rainer Froese, do Instituto Leibnitz de Ciências Marinhas de Geomar, em Kiel, no norte da Alemanha. Hoje se conhecem aproximadamente 30 mil, entre as quais 15 mil marinhas. A cada ano se descobrem 200 a 400 novas, sobretudo no fundo do mar e nos trópicos.
Biodiversidade na década de 1990: só nas regiões em amarelo ainda se concentrava um grande número de espécies. 
Bildunterschrift: Biodiversidade na década de 1990: só nas regiões em amarelo ainda se concentrava um grande número de espécies.
Contagem de vidas em alto mar
Há dez anos se realiza a maior contagem de espécies de seres vivos existentes no mar, o chamado Censo de Vida Marinha (COML, Census of Marine Life), que envolve pesquisadores de 70 países. Eles investigam todos os ecossistemas, do litoral até o fundo do mar. No final de 2010, declarado pelas Nações Unidas ano internacional da biodiversidade, os resultados dessas investigações devem ser divulgados.
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Os cientistas penetram lentamente as grandes profundezas dos oceanos, descobrindo a cada dia novas espécies. Em decorrência da grande pressão submarina, as pesquisas requerem robôs e aparelhos de medição altamente especializados, a fim de explorar esse habitat, mortal para os seres humanos.
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Quase 90% dos animais que os cientistas trazem à tona são de espécies novas, muitas das quais de aparência especialmente bizarra. Até agora, 500 novas espécies já foram descritas cientificamente, mas – segundo informa Martinez – já foram capturados exemplares pertencentes a milhares de outras. Entretanto os pesquisadores precisam de bastante tempo para analisá-las.
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No fundo do mar, os cientistas já chegaram a se deparar com habitats bastante especiais, como fontes termais fumegantes, em cujas imediações bactérias altamente especializadas convivem com vermes de metros de comprimento.
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No fundo do mar também se encontram montanhas marinhas com vários quilômetros de altitude, além de recifes de corais da água fria que se estendem por até 35 quilômetros. "Encontramos coisas de causar espanto", descreve a professora Antje Boetius, da Universidade de Bremen. Nas regiões polares, por exemplo, a diversidade de bactérias aumenta continuamente, ao contrário da tendência decrescente que se observa entre os animais.
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Mediterrâneo em perigo
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Quase nenhum outro mar está tão ameaçado pelo desaparecimento das espécies como o Mediterrâneo. O efeito das atividades humanas nessas águas é maior do que em qualquer outro mar, segundo informou um relatório da Public Library of Science, que envolveu a participação de 360 cientistas de todo o mundo e foi divulgado nesta segunda-feira (02/08).
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Dada sua localização geográfica, o MarMediterrâneo é praticamente fechado. As espécies vegetais e animais estão ameaçadas sobretudo pelo desaparecimento dos habitats, pelo excesso de pesca e pela poluição.
Mergulhador investiga corais do Mediterrâneo, perto da Sardenha 
Bildunterschrift: Mergulhador investiga corais do Mediterrâneo, perto da Sardenha
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No relatório intitulado "Quem vive no mar", os pesquisadores constataram que o Mediterrâneo é o mar onde vive o maior número de espécies. Mais de 600 delas, o que representaria apenas 4% da população mediterrânea, provieram de outros mares.
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Algo que também ficou claro para os cientistas é que os mares do Japão e da Austrália contêm o maior número de espécies ainda não investigadas. De 70% a 80% das plantas e animais daqueles mares se mantiveram incógnitas até agora.
SL/dpa/afp
Revisão: Augusto Valente

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Censo da Vida Marinha faz inventário mundial de espécies e antecipa a ciência do futuro


03.08.2010 - 21:33 Por Nicolau Ferreira 
As regiões marítimas ao redor da Austrália e da Nova Zelândia são as que têm mais organismos endémicos, os que só existem ali e em mais lado algum do mundo. Já o Mediterrâneo conta com o maior número de espécies invasoras: são 637, quatro por cento de todas as que se identificaram neste mar.
<p>Foram descobertas 1200 espécies novas ao longo dos dez anos</p> Foram descobertas 1200 espécies novas ao longo dos dez anos
 (Reuters)

Estas são algumas das somas que vêm no estudo publicado esta semana na revista científica on-line e disponível a todos PLoS One. Nele se actualizou o estado da biodiversidade marinha e são já apresentados os resultados preliminares de uma década de trabalhos a nível global para aprofundar o conhecimento das espécies nos oceanos, o Censo da Vida Marinha.

O inventário permite marcar uma estaca zero do que se conhece nos mares do planeta, a partir da qual se pode avaliar o impacto das actividades humanas. “Para criar esta base, o Censo da Vida Marinha explorou nove áreas e ecossistemas, descobrindo novas espécies e registando outras espécies em novos locais”, disse em comunicado Patricia Miloslavich, última autora do artigo, uma das cientistas seniores do censo e líder dos estudos regionais.

Foram consideradas várias regiões como os Estados Unidos, o Atlântico Norte, a Austrália, o Índico, o Báltico, a Austrália, América do Sul, a Antárctida, e o Japão, entre outras. A contagem total de espécies foi de 230 mil. A Austrália e o Japão tiveram ambos um número próximo de 33 mil espécies (sem contar com bactérias), a costa da China veio em terceiro lugar com mais de 22 mil. A Austrália tem 9286 espécies endémicas, mas quem ganha em proporção é a Nova Zelândia: 51 por cento das 12780 espécies identificadas só vivem naquela região.

“É normal as zonas como a Austrália ou a Antárctida [outra vencedora em organismos únicos] terem muitos endemismos, porque são continentes longínquos há muito tempo e há espécies com um padrão de movimento muito restrito”, explicou por telefone ao PÚBLICO José Paula, professor associado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O especialista em peixes apontou que a identificação de espécies é uma das formas de olhar para a biodiversidade, que também passa pela riqueza dos ecossistemas, da diversidade populacional de cada espécie e da diversidade do próprio ADN.

Ciência global

O projecto do Censo da Vida Marinha teve início em 2000, juntou 2700 cientistas e já conta com 1200 novas espécies identificadas. Mas o que se conhece está muito aquém do que se pensa existir. Por cada espécie identificada há pelo menos quatro desconhecidas.

No artigo, os autores defendem que a identificação de espécies depende muito do conhecimento de especialistas nos diversos grupos de animais, vegetais e organismos celulares que povoam os oceanos. “É improvável que cada país necessite de um especialista em cada grupo taxonómico ou de grandes instalações de investigação. Por isso as colaborações entre países, que já ocorrem informalmente, são fulcrais para o desenvolvimento do conhecimento de novas espécies”, diz o artigo, que propõe que os organismos internacionais coordenem estes projectos.

José Paula concorda: “Se não houver coordenação não há capacidade para estudar o oceano de uma forma avançada, porque os custos são tão elevados que nacionalmente não é possível.” Até porque o “mar não tem fronteiras e os fenómenos só se compreendem sem barreiras políticas”.

Porque os problemas estão lá. O artigo determinou os principais riscos que afectam a vida marinha: a pesca, a perda de habitats, as espécies invasoras e a poluição. Apesar da ordem de risco não ser a mesma de região para região, todos os factores estão a pressionar os ecossistemas.

“Ainda não se percebe até que ponto os ecossistemas vão aguentar a mudança”, avisa o biólogo.
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