Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

1983: Grafiteiro suíço é preso na Alemanha

Calendário Histórico DW World

 

No dia 28 de agosto de 1983, a polícia alemã prendeu um suíço procurado internacionalmente. Seu crime: pichar paredes. Em princípio incompreendida pelos concidadãos, sua arte só foi valorizada anos mais tarde.

 

A polícia alemã achava ter capturado um "peixe grande" ao prender, no estado de Schleswig-Holstein, um homem que estava sendo procurado há dois anos com mandado de prisão internacional. O suposto "criminoso" foi levado imediatamente para a cadeia de Lübeck, onde permaneceu 20 dias em prisão preventiva, aguardando a extradição. Até o Tribunal Superior Estadual decidir soltá-lo, mediante pagamento de fiança de 40 mil marcos (moeda da época), na expectativa de que o Tribunal Federal Constitucional, em Karlsruhe, aprovasse sua extradição.
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Enquanto era esperada tal decisão judicial, desencadeou-se na Alemanha uma discussão sobre a criminalização do grafiteiro. Em sua terra natal, a Suíça, o tribunal do Cantão de Zurique não tinha dúvidas quanto a isso. Harald Naegeli, 43 anos, teria "uma compulsão delinquente" e devia pagar uma multa de 206 mil francos.
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A "delinquência" de Naegeli, porém, não se manifestava por meio de arrombamentos ou roubos e, sim, através da pichação em paredes, pontes, garagens, muros e logradouros públicos. O "grafiteiro de Zurique" – como era conhecido o artista anônimo – passou a ser retratado romanticamente pelos meios de comunicação. Os proprietários de imóveis, as autoridades municipais e a polícia, no entanto, logo passaram a tratá-lo como criminoso comum.
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Protesto contra a burguesia
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Naegeli pichou Zurique com latas de spray durante dois anos, perseguido pela polícia e por batalhões de servidores públicos, encarregados de limpar as áreas "ornamentadas" com grafites. Sofreu uma série de processos, sob acusação de "vandalismo" e "dilapidação de bens".
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Psicólogo diplomado, Naegeli pretendia apenas protestar com sua arte contra a violência e o status quo defendido pela burguesia, como fizera desde a infância. Seus desenhos infantis haviam servido de base para os grafites do tipo cartoon na idade adulta.
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O próprio Harald Naegeli declarou, em entrevista a um jornal, que nascera durante a Segunda Guerra e sempre abordara esse assunto em seus desenhos. "Dos quatro aos seis anos de idade, não fiz outra coisa a não ser pintar cenas de batalhas e guerras. Eram processos durante os quais eu sentia prazer em representar pessoas decapitadas, sem ter consciência do que isso representava", disse.
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Preso pela primeira vez em 1979, foi condenado a seis meses de prisão condicional por dilapidação de bens em 179 casos. A pena não entristeceu o grafiteiro, que logo retomou sua atividade.
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Incomodou os suíços ao ponto de ser condenado novamente – desta vez a nove meses de reclusão. Por ter deixado o país, expediu-se mandado internacional de prisão. A polícia de Zurique, no entanto, sabia que ele estava morando em Düsseldorf e que lecionava em Wiesbaden.
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Reconhecimento tardio
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Na Alemanha, sua arte era respeitada, se não pelos proprietários de imóveis, pelo menos no meio artístico. O "grafiteiro de Zurique" – que não gostava desse título – foi expulso pela Justiça alemã e teve que cumprir sua pena. Novamente em liberdade, abandonou a Suíça e passou a viver reservadamente na Alemanha, fazendo designs para tecidos e toalhas.
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Com o avanço da idade, Naegeli afastou-se de sua arte inicial. Ele detesta os "pichadores" de hoje, que sujam trens, estações ferroviárias e pontes, "sem qualquer originalidade ou conteúdo". A opinião sobre ele em Zurique também mudou.
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Enquanto nos anos 80 se desenvolviam detergentes especiais para apagar suas pinturas, hoje os limpadores de fachadas conservam com cuidado os traços que ainda restam de seus grafites. Os quadros do famoso grafiteiro, há muito tempo, têm o status de obras de arte.
 
Peter Philipp 
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

1917: Apoio britânico ao movimento sionista

Calendário Histórico

. DW-World


Na chamada Declaração de Balfour, de 2 de novembro de 1917, o governo britânico dá, aos representantes do judaísmo sionista, apoio para a constituição de uma "pátria nacional" judaica na Palestina.



"Caro Lorde Rothschild, alegro-me em poder comunicar-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelo movimento judaico-sionista, apresentada e aprovada pelo gabinete oficial: 'A construção de uma pátria para os judeus na Palestina é vista pelo governo de Sua Majestade com bons olhos.
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Sua Majestade fará tudo o que for de seu alcance para facilitar os caminhos rumo a esse objetivo. Deve-se ressaltar, no entanto, que nada deve ser feito no sentido de prejudicar os direitos civis e religiosos dos povos não-judeus que vivem na Palestina, ou de prejudicar os direitos e a situação política de judeus em algum outro país."
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Esta carta, datada de 2 de novembro de 1917 e assinada pelo ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur James Balfour, prevê uma série de consequências para o Oriente Médio. Mas Lorde Rothschild e outros dirigentes da comunidade judaica, entre eles principalmente os sionistas no Reino Unido, esperavam ainda mais.
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Há, no mínimo, 19 anos – desde o Congresso dos Sionistas em Basileia, em 1898 – eles ansiavam por uma promessa que assegurasse aos judeus o direito a seu próprio Estado, como havia planejado Theodor Herzl no seu livro O Estado Judeu.
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Povo,  não apenas comunidade religiosa
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O sionismo político idealizado por Herzl partia do princípio de que os judeus são um povo e não apenas uma comunidade religiosa e de que as repetidas perseguições, pressões e desvantagens sofridas por esse povo poderiam ser evitadas com a fundação de um Estado judeu.
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A localização desse Estado era ainda considerada de segunda ordem: cogitava-se a hipótese de enviar os judeus à Argentina, ou o chamado Projeto Uganda, que previa a fundação de um Estado judeu no território da Uganda, então administrado pelo Reino Unido.
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Entretanto, a Palestina sempre voltava ao centro da discussão: a terra originária dos judeus, onde os representantes da comunidade judaica começaram a comprar terras e a estabelecer-se, a partir do fim do século 19. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, os judeus formavam apenas 15 por cento da população da Palestina, na época de 690 mil habitantes. Destes, 535 mil eram muçulmanos, 70 mil cristãos e 85 mil de origem judaica.
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A carta do chanceler Balfour refletia, porém, muito mais os interesses geopolíticos de Londres na região do que um apoio sem reservas do Reino Unido ao movimento sionista. A Primeira Guerra Mundial tinha eclodido, e a Inglaterra contava com o apoio dos judeus – tanto dos que viviam na Palestina, quanto dos que estavam espalhados por outros países do mundo – na luta contra o Império Otomano.
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 Por isso, Londres prometeu algo que não estava em condições de realizar: uma pátria para os judeus numa região que ainda não estava sob o seu controle.
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Resistência palestina
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A responsabilidade sobre o território palestino foi transferida para o Reino Unido somente no dia 24 de julho de 1922, sob a forma de um mandato da Liga das Nações. Parte da Declaração de Balfour pertencia ao preâmbulo do contrato que regia o mandato, o que se transformou logo num grande empecilho para a administração da região. A resistência dos palestinos árabes à imigração de judeus já tinha começado há algum tempo, crescia paulatinamente e levava, entre outros, a campanhas antijudaicas.
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O Reino Unido, situado entre as duas frentes, tentava evitar a violência dos dois lados e limitar cada vez mais a imigração judaica para a região. Em 1939, ficou estabelecido que somente mais 75 mil judeus poderiam instalar-se na Palestina. Na época do holocausto nazista, tratava-se de uma decisão completamente fora da realidade. A partir de 1944, o estabelecimento de judeus na Palestina foi oficialmente vetado, a fim de assegurar aos Aliados o apoio dos palestinos árabes na guerra.
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Antes da transferência do mandato da Liga das Nações, em junho de 1922, o Reino Unido deixara claro que a Declaração de Balfour nunca fora uma resposta positiva à criação de um Estado judeu. O então ministro das Colônias, Winston Churchill, observou que a declaração não se referia a toda a região histórica chamada Palestina, mas apenas à margem ocidental do Rio Jordão (a Cisjordânia).
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Churchill acentuou ainda que os ingleses nunca tinham pensado em conceder aos judeus o poder sobre os outros habitantes da região. A comunidade judaica que ali vivia deveria apenas poder desenvolver-se livremente.
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Tais posições não puderam ser sustentadas por Londres durante muito mais tempo, uma vez que os conflitos entre árabes e judeus tornavam-se cada mais frequentes. Em 1947, a ONU deliberou a divisão da Palestina em dois Estados: um para os judeus e outro para os árabes. O Reino Unido abdicou do seu mandato em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel.

Peter Philipp (sv)
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