Discurso de Lula da Silva (excerto)

___diegophc
Mostrar mensagens com a etiqueta Alves Redol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alves Redol. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lima de Freitas e o Neo-Realismo

Blog da Rua Nove


QUINTA-FEIRA, 11 DE OUTUBRO DE 2007


Tal como Júlio Pomar (n. 1926), Lima de Freitas (1927-1998), teve uma fase do seu percurso artístico marcada pela pintura, pelo desenho e pela gravura neo-realista. A exemplo do que veio a acontecer com a sua produção de fases posteriores, Lima de Freitas legou-nos belíssimas gravuras desta época, exemplificadas aqui por duas das imagens que ilustram o livro Olhos de Água (1954), de Alves Redol (1911-1969).


© Blog da Rua Nove





publicado por blogdaruanove às 11:41

domingo, 22 de agosto de 2010

Avieiros - Alves Redol

Avieiros

Alves Redol

Avieiros

Portugália, 1942
1ª edição
"... Incerto o pão na sua praia, só certa a morte no mar que os leva, eles partem. Da Vieira de Leiria vêm ao Ribatejo. Aqui labutam. Alguns voltam ainda, roídos das saudades do seu Mar. Muitos ficam. Avieiros lhes chamam na Borda de Água..."
.
Um dos primeiros e mais marcantes romances do autor.
.
~
Alves Redol 
.
Nasceu em 1911 em Vila Franca de Xira. Romancista e Dramaturgo, foi um dos expoentes da literatura neo-realista em Portugal. Os dramas humanos do Ribatejo e do Douro são o tema central da sua obra, descritos em romances como Gaibéus, Barranco de Cegos ou no ciclo Port-Wine. Alves Redol  é, em si mesmo, uma personagem exemplar num movimento literário cuja ambição maior era fazer uma arte do povo e para o povo.
 .
_____
.

Edição de 19-08-2010
.
Edição de 14-02-2008

Nauticampo promove comunidade no Parque das Nações
.
Cultura dos pescadores avieiros quer ser património nacional


foto


A cultura dos pescadores avieiros - que povoaram as margens do Tejo e deixaram marcas culturais na zona de Azambuja, Salvaterra de Magos e Vila Franca de Xira – quer ser elevada a património nacional. É pelo menos esta a intenção de um projecto que está a ser divulgado na Nauticampo 2008, um evento que decorre no Parque das Nações, em Lisboa, até 17 de Fevereiro, num espaço que conta com mais de 54 metros quadrados. 
.
Os responsáveis pelo projecto, que envolve já 75 instituições, vão mostrar um barco avieiro, artes de pesca avieiras, fotos históricas, quadros a óleo sobre a temática e apresentarão um filme em formato DVD. Os responsáveis do projecto sublinham a “viragem histórica” na edição deste ano da Nauticampo, num “contributo muito importante para o desenvolvimento e dinamização da cultura ribeirinha do Tejo e em particular da cultura avieira”. “Em vez de uma ‘orientação ao produto’ (barcos, acessórios e equipamento), a Nauticampo vai evoluir no sentido de uma ‘orientação aos estilos de vida’ (paixão pelo mar, gosto pela aventura e forte ligação à família)”, sublinham.
.
Para dia 16, está agendada uma conferência sobre as “vidas ribeirinhas na construção da identidade nacional”, promovida pela Associação Náutica da Marina do Parque das Nações, uma das instituições que se associou ao projecto, e pelo Centro Náutico Moitense.
.
O projecto que visa elevar a cultura avieira a património nacional teve a sua origem numa investigação sobre os avieiros do Patacão (Alpiarça), realizada em Junho de 2006. Desde então, a Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça (AIDIA) e a Escola Superior de Educação de Santarém, que coordenam os trabalhos de candidatura, contactaram 135 instituições e pessoas, tendo sido realizadas cerca de 70 reuniões, incluindo o I Encontro Regional da Cultura Avieira, em Junho de 2007.
.
“O interesse suscitado pelo projecto levou a que tenham aderido até esta data 75 das instituições e pessoas que foram contactadas”, afirmam. O objectivo é entregar a candidatura da cultura avieira a património nacional até 2009, depois da realização de um encontro nacional previsto para Outubro deste ano. 
.
Os pescadores avieiros são provenientes da aldeia piscatória de Vieira de Leiria, concelho da Marinha Grande. No Inverno rumavam ao Tejo à procura de sustento. Deixavam o mar salgado e bravio e partiam no encalço da água doce onde pescavam o sável. Muitos viviam nos barcos avieiros, cobertos apenas, por uma lona. O quarto era à proa, a cozinha ao meio e a oficina da pesca à ré.
.
A comunidade avieira também ergueu nas margens do Tejo as típicas casas palafíticas assentes em estacas de madeiras. Uma tradição que levaram da Praia da Vieira e que impedia que as cheias atingissem as casas. Com o passar dos anos os donos das terras da Borda d’Água autorizaram-nos a estabelecer-se nas margens do Tejo, onde começaram a construir as primeiras barracas. 
.
Foram várias as aldeias construídas ao longo do Tejo, segundo a tradição dos pescadores da Praia da Vieira, mas hoje poucas resistem. 
.
Além da Palhota, no concelho do Cartaxo, a única que conserva maiores semelhanças com a tradição avieira, ainda existem as ruínas do Patacão, aldeia abandonada em 1988. Nas Caneiras as novas casas de tijolo e as de madeira, pré-fabricadas, tomaram o lugar das barracas avieiras. O Esteiro do Nogueira, em Vila Franca de Xira, deu lugar a uma moderna marina e na foz do Alviela, as duas aldeias chamadas Barreiras do Rio e Barreiras do Tejo estão desde meados do século passado à espera que a chuva e o vento as deite abaixo.
.
“Teimosos os avieiros sempre lutaram pela sobrevivência desde que viram que o Tejo tinha começado a morrer devagar. Os seus filhos, que emigraram ou foram trabalhar para as fábricas, ficaram à espera, sempre com os olhos postos no rio. E sabe-se lá porquê, o peixe que tinha desaparecido, voltou. Voltou o sável, voltou a lampreia. E voltaram à pesca os filhos dos últimos avieiros do Tejo, num regresso às raízes, enchendo o rio de belos barcos com a proa virada para o céu”, lê-se no site da Palhota Viva (www.palhotaviva.pt). A comunidade apaixonou escritores e foi motivo de inspiração de livros e filmes. O escrito neo-realista Alves Redol imortalizou também a comunidade com o romance dedicado aos “Ciganos do Rio”, como lhes chamou.
.
.


Imagem captada a 30 de Junho de 2007
.
http://www.leme.pt/imagens/portugal/rotas/rota-dos-avieiros/0034.html
.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Homenagem do PCP a Ary dos Santos, o Poeta da Revolução




Ary Sempre!



No ano em que se cumpre o 35.º aniversário da Revolução de Abril, não podia faltar, nas comemorações dessa data tão importante para o viver colectivo dos trabalhadores e dos democratas portugueses a viva recordação dessa voz de poeta revolucionário que animou os mais significativos passos das transformações políticas, económicas, sociais e culturais a que Abril deu forma e conteúdo. As palavras com que alentou a Revolução e denunciou as manobras reaccionárias que a quiseram desde logo abafar, o entusiasmo e o acerto com que sublinhou as vitórias e alertou para os perigos, o coração e a razão que presidiram à criação de uma poesia que não se ficava pelas páginas dos livros nem pela gravação dos sons e das imagens mas logo saltaram para as ruas do País e para as vozes amplificadoras dos revolucionários de Abril, perduram na memória dos mais velhos e estão destinadas a alcançar e permanecer nas consciências dos jovens que hoje constroem o futuro. Poeta comunista, Ary dos Santos perdura sobretudo nos corações dos seus camaradas, detentores de um projecto de sociedade que era também o seu. A voz poderosa que ouvimos nos dias gloriosos e nos momentos mais difíceis, encorajando as lutas, as palavras escritas que outros artistas transformaram em música e cantaram de novo se fazem ouvir. Arrebatado pela morte há 25 anos, Ary continua a nosso lado!

RETRATO DE ALVES REDOL

Porém se por alguém não foi ninguém
cantou e disse flor canção amigo
a si o deve. A si e mais a quem
floriu cresceu cantou lutou consigo.

Homem que vive só não vive bem
morto que morre só é negativo
morrer é separar-se de ninguém
e contudo com todos ficar vivo.

Nado-vivo da morte. É isso. É isso.
Uma espécie de forno de bigorna
de corpo imorredoiro que transforma
em fusão o metal do compromisso:
Forjar o conteúdo pela forma:
marrar até morrer. E dar por isso.

POETA CASTRADO, NÃO!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
– é tão vulgar que nos cansa –
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
– a morte é branda e letal –
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
– Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
– Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não

E CADA VEZ SOMOS MAIS

Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.
Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.
Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez

Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor.
Pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.
Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
Somos mais de cada vez.

Por nós trazemos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.
Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.

Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.
Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.
Quantos somos? Como somos?
novos e velhos: iguais.
Sendo o que nós sempre fomos
seremos cada vez mais!

A BANDEIRA COMUNISTA

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.

O FUTURO

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
Nº 1879
03.Dezembro.2009
.
.