Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 28 de abril de 2012

Galeria 21 / 25






















E se vale la pena rischiare, io mi gioco anche l’ultimo frammento di cuore.


Ernesto Che Guevara


Victor Nogueira partilhou a foto de Agora Fudeu.
sadada


Victor Nogueira partilhou a foto de Os Resistentes.
22/4
"A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido"

Steve Biko




Victor Nogueira partilhou a foto de Os Resistentes.






Victor Nogueira partilhou a foto de Os Resistentes.




Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.




Victor Nogueira partilhou a foto de A Luta Continua Jm II.



Victor Nogueira partilhou a foto de Os Resistentes.
22/4
Este movimiento es nacional y antiimperialista. Mantenemos la bandera de libertad para Nicaragua y para toda Hispanoamérica. Por lo demás en el terreno social, este movimiento es popular.

Augusto Césas Sandino


 foto de A Luta Continua Jm 




 foto de Luis Galego Infinito Pessoal.



Victor Nogueira partilhou a foto de Annie Lafleur.
Lemoyne marcherait avec les étudiants.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

1º de Maio de 1962 - A-ssa-ssinos! A-ssa-ssinos!


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Seguíamos num Volkswagen: eu acompanhava-os, até ver. O Alfredo Noales era jornalista do jornal República e tinha recebido do chefe de redacção a incumbência de fazer a reportagem. Para a censura cortar, inevitavelmente, de alto a baixo, claro. Ao seu lado, um amigo nosso, um camarada. No banco de trás seguia eu, impaciente, receosa.
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Nas vésperas, tinham sido lançados panfletos por toda a cidade, chamando o povo a comemorar o 1º de Maio, a manifestar-se. Se a ditadura proibia toda e qualquer manifestação, “o primeiro de Maio” era assunto subversivo, cuja referência em lugar público, só por si, podia valer prisão. Nos últimos meses, reuniões e mais reuniões, lá em casa, tudo muito discutido, muito preparado, à porta fechada, mas nada passara por mim. Eu apenas sabia que algumas dezenas de brigadas clandestinas, furtivamente e durante noites e noites, iriam cobrir de propaganda a cidade de Lisboa e os arredores. Papéis, aos milhares, por todos os sítios: apelos à manifestação contra o regime e informação acerca das greves que, nos últimos meses, despontavam, umas a seguir às outras, nas empresas dos arredores.
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Chegámos à Praça do Comércio uns dez minutos antes das 6 horas. Primeiro de Maio de 1962. Uma data histórica – que persiste em sobrar-me, em ficar-me para trás, sempre que quero escrever sobre a resistência ou sobre a repressão fascista. Talvez por ter sido a única vez que, em idênticas circunstâncias, passei mesmo ao lado da morte. “A-ssa-ssinos! A-ssa-ssinos! – Não se tratava de um grito demagógico, eles eram realmente assassinos.
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O nosso carro ia devagar. As ruas estavam praticamente desertas e, olhando para as lojas e para os cafés, a óbvia normalidade assustou-nos. Estaríamos à beira de um fracasso? Era aquele o resultado de tanto trabalho de organização, tantos meses a fio? “Tem calma, Lena, ainda não são 6 horas!” Tanta reunião, tanta agitação, e um ambiente explosivo, no crescendo das greves, iria dar, assim, em nada? Seria que o povo não tinha coragem de assumir nas ruas o descontentamento que vinha manifestando à boca calada, e que já revelara, de forma tão convicta, tão expressiva, nas eleições do Delgado? Afinal, onde estaria esse povo? “Tem calma, Lena, ele vai aparecer!”Amedrontara-se? Não se atreveria a enfrentar as forças policiais que os estudantes haviam já defrontado, por mais do que uma vez, durante esse ano?
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A tarde estava mais quieta do que o habitual à mesma hora. Dava-me a impressão que a acção prevista daquele modo havia sido prematura ou as expectativas demasiado grandes, que o medo trancara os lisboetas em casa e que os lojistas e os empregados da Baixa estariam a abandonar as lojas, aos poucos, para fugirem da confusão. Por onde parariam os bancários que tinham prometido uma boa adesão? Continuávamos ansiosos, a rodar devagarinho num espaço vazio. Emudecêramos. Somente meia dúzia de estudantes nossos conhecidos passaram por nós. Que era feito do pessoal da Siderurgia, então os da Lisnave? “Espera e verás…Hão-de vir, hão-de vir em peso…A malta operária da outra banda sabemos que vai estar em força”
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Qual quê! Algumas portas do comércio iam-se fechando ao nosso lado, e eu desanimada. Havia quem se metesse para dentro e quem saísse para os passeios. Caminhavam imperturbáveis, eles de chapéu na cabeça, elas de malinha no braço. “Donos das lojas e caixeiros, já pouco se contava com eles, Lena…” 
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Começámos por ver a guarda nacional republicana a cavalo, em grupos – 3 agora, 4 depois – a avançarem pela Rua Augusta, vindos do Terreiro do Paço. Postura sobranceira. Quando se cruzaram connosco, o A. Noales apressou-se a colocar no vidro do automóvel, em posição de boa visibilidade, uma pequena cartolina branca com os dizeres Jornal diário, gatafunhados na véspera – omitindo tratar-se do República para não chamar a atenção, a evitar assim a detenção ao primeiro pretexto, pois que falar do jornal República era falar de oposição ao regime.
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Percorríamos as ruas, de baixo até cima, dando a volta no Rossio, cortando à esquerda, regressando à Rua do Ouro, num movimento lento, cada vez mais desesperançado. O silêncio vindo de fora tinha-nos contagiado.
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Às seis em ponto, o espanto. Milagre! O milagre, nesse Maio de luta contra o fascismo. A Baixa ficara repleta de gente em poucos segundos. Pareciam nascidos do chão. Surgiam de todos os cantos e do interior das lojas – bem postos, sim, de chapéu, com malinha na mão. Vinham, em passo acelerado, das ruas transversais, corriam em bandos dos lados do Tejo, desciam o Chiado aos magotes, afluíam dos Restauradores. A rua da Madalena, a dos Fanqueiros e todas as ruas que desembocavam na Praça da Figueira encheram-se, num ápice, de gente que se dirigia para o Rossio. Seis da tarde. A multidão bradava uma qualquer palavra de ordem, não sei o quê, não me lembro.
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“Pára, Alfredo, vou sair!” – gritei na Rua da Prata, a saltar do carro ainda em andamento, sem carteira, nada, a não ser uma algibeira atulhada de pimenta.
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Que eu me lembre, ainda não havia carros de água, nem bombas lacrimogéneas. A polícia era treinada para obedecer às ordens superiores e as ordens superiores resumiam-se, por certo, em duas frases: “Dêem cabo deles! Acabem-lhes com a raça!”. Os polícias invadiram o Rossio: pareciam drogados, saindo como animais das camionetas bruscamente estacionadas, empunhavam cassetetes com olhares de ódio, espumando de fúria. Não me esqueço que vi um deles, fardado, com pistola. Pior que nunca, em concentrações anteriores. Aquela era uma face da repressão, a tal ponto violenta, que nos levou a reagir imediatamente com um só grito: “A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos!”(E eram). Caíram sobre todos os que agarraram, malhando a torto e a direito. Missão cumprida: uns caídos no chão, outros cheios de sangue, com feridas abertas. Prisões aqui e ali. A pancada brutal assustou. Via-se raiva na expressão de muitos populares, mas também medo: gente lívida a escapar-se para dentro do Nicola e do Gelo. Dizem que a Suíça fechou as portas de imediato, para não acolher ninguém. Houve quem apenas conseguisse juntar-se àqueles que, desde o princípio, se mantinham encostados às montras, junto ao Arco Bandeira. Ainda hoje falam disso.
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Eu, ali parada, junto ao teatro Dona Maria, horrorizada com tudo o que via, numa ira crescente e com as pernas a tremer, procurava ganhar terreno e coragem para atirar com a pimenta aos cavalos, esses cavalos que uns quantos guardas atiravam sobre as pessoas. Assustei-me com eles a relinchar, avançando sobre os meus companheiros, enquanto nós clamávamos: “A-ssa-ssinos! A-ssa-ssinos!” A dois metros de mim ficaram tombados, em segundos, uns quantos animais. Estavam de joelhos, os guardas procurando levantá-los, e nós: “A-ssa-ssinos! A-ssa-ssinos!”
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De repente, o tiroteio. A multidão resistia, sem conseguir perceber, tal como eu, de onde vinham os tiros.
Dois amigos puxaram-me e quase me arrastaram em direcção à Estação de comboios. Depois, as Escadinhas do Duque. Corríamos pela rua acima, numa subida cansada, violenta e dramática. Os tiros sucediam-se nas nossas costas, aquele som ainda nos perseguia e já nós íamos, ofegantes, junto ao Quartel do Carmo.
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A-ssa-ssinos! A-ssa-ssinos! A-ssa-ssinos! – era o eco da Resistência, pelo centro da cidade.
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“Há montes de feridos, prenderam muita gente…” – gritava-me uma amiga, ali a dois passos.
“Parece que mataram um gajo, um operário, um rapaz dos nossos…” – disse eu, quase a chorar.
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Ao princípio da noite, sentei-me na Cervejaria Trindade com o A., os amigos e a certeza de que, a partir dali, a efeméride que, de futuro, comemoraríamos com emoção autêntica não mais seria o 5 de Outubro. Aquele tinha sido o primeiro 1º de Maio de luta, para muitos milhares de pessoas, em todo o país, um passo importante no combate político contra a ditadura. (Meses depois, o A. Noales foi para o exílio, fugindo à prisão que o ameaçava, na vaga de brutal repressão que a PIDE iniciara sobre os principais organizadores).
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Em 1974, centenas de milhares de portugueses desfilaram no dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador. Poucos saberiam a história dos anteriores. Comemorava-se a Liberdade: era dia de festa.
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Recentemente, por alturas do 1º de Maio, fui à internet procurar saber o que constava da memória do jovem operário Estêvão Giro. Felizmente, muita coisa na obra da sua terra, Alcochete. Raridade quando se fala da memória dos anónimos da Resistência.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Primeiro de Maio, dia da luta de classes



Editorial
Vermelho
1 de Maio de 2010 - 0h00
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No dia 1 de Maio de 1886, por convocação da Federação dos Trabalhadores dos Estados Unidos e do Canadá, milhares de trabalhadores lançaram-se a uma greve geral e a manifestações de rua para lutar pela redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.

Vinte anos antes o Congresso da 1ª Internacional tinha inscrito essa bandeira em seu programa de lutas, compreendendo que a redução da jornada era condição indispensável ao êxito do esforço emancipador. As manifestações dos Estados Unidos foram ferozmente reprimidas pelas forças do capital. Espancamentos, prisões e assassinatos vitimaram centenas de pessoas, principalmente em Chicago. Oito dirigentes operários foram presos, cinco dos quais condenados à morte, dois a prisão perpétua e um a 15 anos de prisão.

Os mártires de Chicago, passaram à História como os primeiros heróis desta luta fundamental dos trabalhadores, que tem caráter libertador. Anos depois, o 1° de Maio foi internacionalizado, por decisão de um congresso socialista realizado em Paris. Pela primeira vez, em 1890, o 1° de Maio é comemorado simultaneamente em todo o mundo, transformando-se assim no Dia Internacional dos Trabalhadores.

Dia de luta, dia da luta de classes, do trabalho contra o capital. Naquela altura, já estava em plena ação o movimento operário consciente e organizado, provado em duros combates e batalhas do proletariado que crescia e se concentrava, na mesma medida em que se expandia o capitalismo. Nos principais países capitalistas surgiam e reforçavam-se os sindicatos, os partidos operários e expandia-se o movimento socialista internacional, que se orientava pelas ideias libertadoras e científicas do Manifesto Comunista de 1848, redigido por Marx e Engels.

A partir da Revolução Socialista na velha Rússia em 1917, as comemorações do 1° de Maio celebravam igualmente o exercício do poder político pelos trabalhadores e eram momentos de luta e também de reflexão sobre o alcance estratégico das lutas da classe dos explorados e oprimidos e dos seus partidos por uma nova sociedade, organizada a partir da emancipação dos trabalhadores e do exercício do poder político por estes.

A vigência do sistema econômico e político do imperialismo introduziu questões novas na luta dos trabalhadores – a luta econômica e social, além de entrelaçar-se com a luta política por um novo poder, socialista, ganhou novos contornos com os combates antiimperialistas, pela paz e pela libertação nacional e social dos povos e nações oprimidos pelo poder dos monopólios e potentados internacionais. Estes passaram a ser também os lemas das comemorações do 1° de Maio em todo o mundo.

A burguesia e seus aliados no movimento operário, ajudados por uma mídia mentirosa e uma indústria cultural degenerada e retrógrada, hoje tudo fazem para retirar do Primeiro de Maio sua conotação política, combativa e classista, transformando a data maior do movimento operário num feriado anódino ou num momento de conciliação com os exploradores e opressores.

Mas porque o tempo não para e a realidade é inexorável na sua tendência a contrariar as vontades daqueles que lutam contra o desenvolvimento histórico, o Primeiro de Maio, apesar de tudo, continua sendo comemorado pelas forças do trabalho como um dia de luta. O capitalismo, enredado em insanáveis contradições, vive crises de conseqüências terríveis para os trabalhadores. Como sempre, o instinto animal dos exploradores, leva-os a atirarem sobre os ombros de quem trabalha os efeitos mais deletérios dessa crise. Mais e mais o capitalismo se revela um “sistema superado”, como assinala o Programa do PCdoB aprovado no 12° Congresso no ano passado, incapaz de assegurar justiça, progresso, desenvolvimento, independência nacional, democracia, estabilidade e paz. Nessa medida, objetivamente o socialismo vai aparecer como a solução de fundo aos olhos dos trabalhadores.

No Brasil, também foi pontilhada de lutas e atos heróicos a história das celebrações do Primeiro de Maio. Nos últimos anos, a data tem sido um momento especial para reforçar a unidade dos trabalhadores no combate por históricas reivindicações, dentre as quais sobressai a luta, mais atual do que nunca, pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, cuja conquista é um dos pressupostos para alcançar uma vida digna para os trabalhadores e impulsionar o projeto nacional de desenvolvimento, elo da luta pelo socialismo no Brasil.
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1ºMaio Dia do Trabalhador


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asae0popular 30 de Abril de 2010Quando tentam trespassar os direitos do trabalhador, ele tem direito de se manifestar
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domingo, 2 de maio de 2010

Recortes & Leituras - Maio sempre actual

Recortes & Leituras
Maio sempre actual

Em diferentes momentos, o PCP destacou a importância da celebração do 1.º de Maio. Em condições muito distintas, o traço comum tem sido a intensa ligação das origens aos objectivos da luta dos trabalhadores na actualidade. Aqui deixamos apenas alguns exemplos, separados por décadas e unidos na intervenção presente.

Nem com a morte

(...) «As grandes manifestações do 1.º de Maio sempre mobilizaram a actividade do nosso Partido e as concentrações que se conseguiram na luta contra o regime fascista, tanto nas grandes cidades como noutras localidades do País, demonstraram a consciencialização das classes trabalhadoras, que nunca se vergaram perante a repressão.»
(...) «Todas as manifestações do 1.º de Maio no nosso país se deveram, única e exclusivamente, à mobilização feita pela vanguarda revolucionária das classes trabalhadoras. Eram as pinturas nas paredes, as distribuições de panfletos pelas ruas e transportes públicos, toda uma campanha de agitação a preparar a grande jornada de luta das massas trabalhadoras.
Mas também aqui o trabalho não se fazia sem sacrifícios. Muitos camaradas nossos foram presos durante as campanhas de agitação. Outros foram mortos quando participavam nas manifestações contra o regime fascista, o qual não hesitava perante todos os meios para tentar calar a voz dos trabalhadores. Foi o que sucedeu durante as grandiosas manifestações do 1.º de Maio de 1962» (...).
«Em Aljustrel, quando se realizava um grande comício para comemorar o 1.º de Maio, as forças repressivas intervieram e prenderam dois operários que falavam aos seus camaradas e, como se desencadeasse um movimento de protesto, por parte dos trabalhadores, que se recusaram a admitir as prisões, as forças repressivas dispararam sobre os trabalhadores, matando os mineiros António Adângio e Francisco Madeira e ferindo mais quatro trabalhadores, entre os quais uma mulher. Nesse mesmo dia, em Lisboa, que se encontrava coalhada de manifestantes, desde o princípio da tarde, os assassinos da PIDE não hesitaram em matar cobardemente o operário Estêvão Giro.» (...)

«Nem com a morte o fascismo impediu a luta do 1.º de Maio» era o título de uma peça publicada no Avante! de 1 de Maio de 1975, em duas páginas dedicadas a tratar «O 1.º de Maio na luta do povo e do PCP durante os anos da ditadura fascista»


República sem melhorias

(...) «Em 1910 é proclamada a República.
As acções grevistas multiplicaram-se e muitas delas terminam com significativas vitórias. O governo republicano fixa novas leis que consagram a redução do horário de trabalho. As comemorações do 1.º de Maio vão-se transformando fundamentalmente em jornadas de protesto e de luta.
Na verdade, com a instauração da República, o movimento operário no nosso país não passou a contar com menores dificuldades para as suas reivindicações. Em 1911, é desencadeada uma forte repressão contra os operários de Setúbal; em 1912, é declarado o estado de sítio em Lisboa, é encerrada a Casa Sindical e são presos centenas de trabalhadores; em 1913, é proibido o cortejo comemorativo do 1.º de Maio.
Nos anos seguintes, esta situação de confronto mantém-se e chega mesmo a agudizar-se no período da I Grande Guerra.» (...)

Excerto do artigo «O Centenário do 1.º de Maio», publicado n' O Militante, em Abril de 1986


Ofensiva desvirtuadora

«Desde o momento em que o congresso fundador da II Internacional proclamou o 1.º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador que se desencadeou a ofensiva do grande capital contra essa jornada de luta. Através da proibição na lei da organização e da acção dos trabalhadores, da repressão policial e militar, da provocação e do divisionismo. E, igualmente, através da ofensiva ideológica, procurando diluir e desvirtuar os objectivos de combate que são parte integrante do 1.º de Maio.
A celebração do 1º de Maio antes de esse dia ser conquistado como dia feriado em muitos países (em Portugal essa consagração tardou 85 anos) teve sempre o significado de uma paralisação geral do trabalho. É um dia de convergência das lutas dos trabalhadores, e é nessa luta que reside a sua força e o seu significado fundamental. Por isso o patronato, com a ajuda do sindicalismo conciliador, procurou diluir esse aspecto essencial desta jornada, tornando-a - onde não podia reprimi-la - em jornada “de descanso” e de “recreação” e, como foi tentado em diversas ocasiões, remetida para o domingo seguinte, para a separar da paralisação do trabalho.
Outro elemento de desvirtuação consiste na tentativa de “despolitizar” as lutas e as reivindicações dos trabalhadores e, portanto, o 1.º de Maio. No “Manifesto”, Marx e Engels sublinham o essencial: toda a luta de classes é uma luta política. Se os trabalhadores que se deixassem embalar pelas tentativas de “despolitização” da sua luta estariam a aceitar entrar desarmados num combate em que o adversário trava uma luta política de vida ou de morte: a da vida ou da morte de um sistema que tem no seu cerne a exploração implacável do trabalho. O Portugal de Abril que tem uma das suas mais sólidas raízes no 1.º de Maio revolucionário de 1974, tem aí o testemunho inesquecível de que o 1.º de Maio é sempre, necessariamente, luta e acção política.
Outro elemento de desvirtuação consiste na sobrevalorização dos aspectos comemorativos e festivos do 1º de Maio e na diluição das suas reivindicações fundamentais, que são as do trabalho, num conjunto de reivindicações “transversais” e desprovidas de sentido de classe.»

Excerto de «A ofensiva ideológica contra o 1.º de Maio», um dos capítulos que constituem o dossier publicado esta semana no sítio do PCP na Internet


Dia da consolidação

(...) «O 1.º de Maio de 1974 é um 1.º de Maio de características muito particulares na luta pela consolidação do regime democrático em Portugal.
É preciso não esquecer que o Spínola tentava abafar tudo aquilo que fosse movimento popular, que ele se esforçava por impedir que as massas populares viessem para a rua, que participassem com os militares, nesses primeiros dias, na consolidação do 25 de Abril, e havia muitas coisas que indicavam que o Spínola não estava nada interessado em abrir para uma grande manifestação no 1.º de Maio.»
(...) «Nesses dias foi feita uma grande discussão na Cooperativa Esteiros, aqui na Rua Braancamp, era o quartel-general do movimento operário nessa altura - do Partido, do MDP, da Intersindical, toda a gente reunia ali na Esteiros. E posso dizer que foi uma luta difícil, porque havia tendências, no próprio movimento sindical, de fazer do 1.º de Maio uma acção estritamente operária e sindical. E teve de travar-se uma batalha, que foi uma batalha até ao último minuto, para que vencesse a outra tendência, na qual nós, os comunistas, estávamos interessados, de fazer do 1.º de Maio uma grande jornada política, com a participação dos partidos políticos.» (...)

Afirmações de António Dias Lourenço, director do órgão central do PCP e membro da Comissão Política do Partido, na mesa-redonda «A experiência vivida na primeira linha do combate», publicada no Avante! de 30 de Abril de 1986, e em que também participaram Álvaro Rana, Carlos Fraião, Vítor Ranita e Vítor de Sá
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Nº 1900 - Avante
29.Abril.2010
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