Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Revoluções Inglesas do século XVII

Mundo | 31.05.2009

Revolução Gloriosa marcou início da democracia parlamentar europeia

Luta de décadas entre Coroa britânica e seus opositores chegava ao fim. Declaração de Direitos levou Guilherme 3° de Orange ao trono inglês, fortalecendo os direitos do Parlamento. Nº 11 da série "Os Europeus".

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Em 1628, o rei britânico Carlos 1° (1600-1649) teve que admitir o abuso constante que seus funcionários faziam do direito real de ordenar a prisão de pessoas. Sob ordem expressa da coroa, eles extorquiam dinheiro de cidadãos abastados, com a ameaça de prendê-los.

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A situação fora precedida por conflitos sangrentos, que, por vezes, ameaçavam afundar a Inglaterra numa guerra civil. Para conter essa situação inaceitável, estabeleceu-se, na Petição de Direitos (Petition of Rights) de 7 de junho de 1628, que ninguém poderia mais ser detido arbitrariamente e que todos os prisioneiros tinham direito a um julgamento justo, num espaço razoável de tempo. Esta petição tornou-se uma das leis fundamentais de todos os sistemas legais democráticos.

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Lei de Habeas Corpus

Papa Inocêncio 11

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Papa Inocêncio 11

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Mas a Petição de Direitos ainda teve de enfrentar duras provas. Quando boatos de que o papa Inocêncio 11 (1611-1689) estaria planejando a recatolização da Inglaterra se espalharam pela ilha mormente protestante, eclodiram distúrbios que levaram à dissolução do Parlamento, em sua maioria, fiel ao rei.

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O rei Carlos 2° (1630-1685) tentou responder com mão firme. Prisões arbitrárias e encarceramentos entraram na ordem do dia. Sobretudo a extradição de detentos indesejados para prisões nas colônias acirrou os ânimos na Inglaterra.

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Carlos 2° foi acusado de violar de forma constante a Petição de Direitos. Para acabar de vez com esse estado de coisas, o rei foi obrigado em 1679, durante uma fase fraca de sua regência, a assinar a Lei do Habeas Corpus. Através dessa prescrição – cuja denominação teve origem nas palavras iniciais da ordem medieval de prisão, feita em latim – uma detenção poderia, então, ser suspensa mediante o pagamento de fiança e, num prazo de três dias, um juiz examinaria em audiência os motivos da prisão.

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Guilherme 3° de Orange

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Mas a disputa pelo poder na Inglaterra não acabara após a assinatura real. Naqueles tempos de agitação política interna, nos quais os boatos dos planos de recatolização do papa não queriam calar, alguns deputados liberais do partido dos Whigs entraram em contato com Guilherme 3° de Orange (1650-1702), príncipe holandês educado rigorosamente na fé protestante.

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Rei Carlos 2°

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Ele era casado com uma filha de Carlos 2°, também educada como protestante. Os parlamentares lhe ofereceram o trono – sob a condição de que ele assinasse a Declaração de Direitos (Bill of Rights) e se comprometesse a defender os privilégios que o documento estabelecia para o Parlamento inglês.

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Guilherme 3° de Orange não titubeou em aceitar a oferta. Quando ele desembarcou na Inglaterra, em 5 de novembro de 1688, Jaime 2°, que sucedera ao irmão Carlos 2°, fugiu para a França-. O caminho estava livre para o príncipe holandês, e a Declaração de Direitos entrou em vigor.

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Nela, o rei se comprometia a convocar o Parlamento a intervalos regulares; ficava proibida a cobrança de impostos pela Coroa sem a aprovação parlamentar ou a manutenção de um Exército dentro do país em tempos de paz. Além disso, os deputados recebiam "imunidade", ou seja, eles poderiam exercer suas funções sem temer prisões ou acusações por parte do rei.

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Na Declaração de Direitos, a Lei de Habeas Corpus foi mais uma vez veementemente ratificada. Suas regras são até hoje um dos fundamentos do moderno sistema constitucional europeu. Baseiam-se na Lei de Habeas Corpus a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa de 1789, a Constituição norte-americana de 1791, a Constituição belga de 1831, a Constituição alemã dos anos de 1849 e 1919, como também a Lei Fundamental alemã de 1949.

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Influências mútuas

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'Declaração dos Direitos' de 1689

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: 'Declaração dos Direitos' de 1689

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Essa tradição constitucional comum mostra como os povos da Europa se influenciaram mutuamente, não somente através do intercâmbio cultural ou do intenso comércio, mas também através de ideias, de direitos políticos conquistados e dos princípios legais deles resultantes.

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Os direitos estabelecidos em 1689 na Revolução Gloriosa ainda estão em vigor nas democracias europeias: eleição livre do Parlamento, direito de livre debate e imunidade para os deputados, cobrança de impostos somente com a aprovação parlamentar e proibição de manter um Exército regular sem o consentimento do Parlamento.

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Assim, em janeiro de 1689, foi montado o arcabouço legal da democracia parlamentar, que prevê, como base única, comum e obrigatória para todos os membros da sociedade, a exigência de obedecer às leis estabelecidas.

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Autor: Matthias von Hellfeld
Revisão: Augusto Valente


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Enciclopédia do Iluminismo quis substituir fé pelo conhecimento

União Europeia | 03.06.2009

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Enciclopédia do Iluminismo quis substituir fé pelo conhecimento

Coordenada por D'Alembert e Diderot, "Encyclopédie" foi elaborada entre 1751 e 1780. Com base nos ideais iluministas, filósofos pretendiam, através do saber, criar o "cidadão esclarecido". Nº 12 da série "Os Europeus".

Gravura de Daniel Chodowiecki (1726-1801) simboliza alvorecer do Século das Luzes

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Gravura de Daniel Chodowiecki (1726-1801) simboliza alvorecer do Século das Luzes

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No decorrer dos séculos 17 e 18, os cientistas haviam acumulado conhecimentos que suplantavam tudo o que até então era considerado saber válido. Descobriram-se as relações do sistema planetário e o emprego da força hidráulica, novos continentes foram explorados, e ficara provado que a Terra não era plana. Cada vez mais se impunha o princípio de que o saber, e não a fé, deveria nortear a busca de respostas às questões da vida.

Isso, contudo, também invalidava em grande parte o modelo explicativo da Igreja Católica. Pois sua definição da vida repousava, basicamente, numa existência no temor de Deus, com perspectivas a abundante recompensa no Além. Durante séculos, as Sagradas Escrituras e a interpretação apostólica forneceram às pessoas um sentido sobrenatural para a vida. Isso facilitava, para uns, suportar as injustiças terrenas e, para outros, justificá-las.

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Todo o conhecimento em 35 volumes

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Denis Diderot


Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Denis Diderot

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Mas não foram só as injustiças gritantes que marcavam a vida a possibilitar uma penetração cada vez maior do pensamento iluminista. Processos por heresia, a Inquisição e o ódio abismal entre adeptos de diferentes confissões haviam arruinado a reputação da fé como um todo. Pouca credibilidade mereciam tanto uma religião que origina ódio, e não amor, quanto uma Igreja que atormenta e persegue.

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Se o conhecimento devia passar a ser a nova máxima, então era necessário compilar e tornar acessível todo o saber gerado pela ciência. A partir de 1751, os filósofos franceses Denis Diderot (1713-1784) e Jean-Baptiste Le Rond d'Alembert (1717-1783) se impuseram essa tarefa.

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Até 1780, portanto ao longo de quase 30 anos, eles elaboraram a Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, cujos 35 volumes continham praticamente todos os dados sobre as ciências naturais e humanas da época.

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Esclarecimento como chave para a liberdade

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O acúmulo de saber e uma educação norteada pela razão deveriam fomentar a capacidade de raciocinar de modo autônomo e a responsabilidade própria. Essa imagem de mundo excluía tanto a superstição e o êxtase religioso como a repressão por um governante absolutista. Assim, a Enciclopédia foi uma obra-chave do Iluminismo, cujo projeto era libertar o ser humano da "dependência autoimposta", como formularia o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804).

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Jean-Jacques Rousseau

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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Jean-Jacques Rousseau

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O cidadão tornado responsável através da educação e do saber teria direito a participar das decisões políticas de sua sociedade. Na visão de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), esse "cidadão esclarecido" é tão abrangentemente educado, que pode se submeter ao "contrato social" sem abrir mão de suas liberdades pessoais. Esse ideal de uma "vontade geral" (volonté générale) influenciou numerosos pensadores e filósofos do século 18.

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As ideias do Iluminismo se difundiram rapidamente. Na Alemanha, Immanuel Kant, Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e mais tarde também Karl Marx (1818-1883) devoraram as obras dos iluministas franceses. De início as influências foram limitadas, mas entre os esses intelectuais germinava um clima de ruptura, voltado para a libertação do indivíduo e da oprimida "nação alemã".

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Autor: Matthias von Hellfeld
Revisão: Simone Lopes

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in / DW-WORLD


sexta-feira, 29 de maio de 2009

Especial: Os Europeus

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O historiador Matthias von Hellfeld registra os momentos que levaram, desde a Antiguidade greco-romana até a Europa unida, ao que ele define como "o difícil caminho para a liberdade e a democracia".

A série possui 25 capítulos, lançados todas as quartas-feiras e domingos.