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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Restauração de casas históricas de madeira é prioridade em Istambul

DW WORLD - Mundo | 11.08.2009


Projeto de restauração de casas de madeira do centro histórico de Istambul é cartão de visita da cidade, escolhida pelo Conselho da União Europeia para ser Capital Europeia da Cultura em 2010.

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Além de Essen, na Alemanha, e Pécs, na Hungria, a cidade turca de Istambul será uma das capitais europeias da cultura em 2010. Desde 1985, o centro histórico da cidade às margens do Bósforo é Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
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Nos últimos anos, no entanto, a Unesco tem ameaçado, frequentemente, retirar o centro histórico da lista de Patrimônios Mundiais. A organização reclama que muitos dos cerca de 200 edifícios históricos no entorno da esplêndida Mesquita de Süleymaniye foram demolidos.
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Há décadas que o escritório do Instituto Arqueológico Alemão em Istambul vem fazendo o inventário das casas de madeira de Istambul. O seu trabalho serviu de base para a restauração do Palácio Ahmet Pasa, há 30 anos.
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Palácio Ahmet Pasa antes da restauração 
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Palácio Ahmet Pasa antes da restauração 
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Casas deterioradas de madeira
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O Palácio Ahmet Pasa, do século 19, é uma das mais pomposas construções de madeira em estilo otomano da parte histórica de Istambul. Há cerca de um ano o local abriga uma espécie de centro de excelência para a restauração das antigas casas de madeira – chamado de "kudeb".
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O órgão é financiado exclusivamente pela prefeitura de Istambul e trabalha juntamente com a Unesco, apoiando os bairros de Süleymaniye e Zeyrek.
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Até agora, o "kudeb" conseguiu salvar somente seis casas. Até 2010, esse número deverá girar em torno de 30. Trata-se do cartão de visita que Istambul deverá mostrar como Capital Europeia da Cultura, no próximo ano.
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A engenheira civil Demet Sürücü trabalha no "kudeb" formando jovens restauradores que têm que aprender o ofício quase esquecido da marcenaria otomana – como, por exemplo, como se talha um kafes, uma janela arqueada de madeira que se projeta para fora do edifício. Sürücü confirmou que o número de restaurações ainda é muito pequeno em vista do que sobrou dos antigos edifícios.
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Casas resistem a terremotos 
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Fotos para a posteridade
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O arquiteto Ali Kurultay comprou há seis anos uma casa deteriorada de madeira na rua Ayranci. A restauração do prédio durou dois anos, outros dois anos foram necessários para providenciar as licenças necessárias.
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"Nós construímos uma estrutura interna que assumia todas as cargas do edifício. Somente a parte dianteira da casa pôde ser preservada", explicou o arquiteto.
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A casa foi construída provavelmente entre o final do século 19 e o início do século 20. Ela está inclinada, mas resistiu aos terremotos que repetidamente abalaram a cidade. A estrutura maleável de madeira funciona como um seguro de vida, brincou Kurultay. Ele lamenta o fato de muitas casas do bairro terem sido derrubadas. "O significado da expressão patrimônio histórico ainda não chegou por aqui. Falta uma atitude", disse.
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Muitos lamentam a destruição da antiga Istambul – também o famoso fotógrafo Ara Güler. Seu museu particular abriga fotos dos anos de 1940 e 1950. Casas de madeira podem ser vistas em muitas dessas fotos. Ele afirmou não conseguir entender por que edifícios de 35 andares são construídos numa cidade ameaçada por abalos sísmicos como Istambul.
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"A antiga Istambul sumiu, a cidade perdeu seu charme", reclamou o fotógrafo, que vê como sua tarefa a documentação das mudanças da cidade para as próximas gerações.
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Autora: Claudia Hennen
Revisão: Alexandre Schossler
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Com arte antiga e nova, Istambul é uma das capitais europeias da cultura em 2010

DW WORLD - Mundo | 11.01.2010.


O patrimônio histórico e a produção artística contemporânea de Istambul justificam sua nomeação como capital europeia da cultura de 2010, embora a situação das minorias pudesse ser melhor.

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"Istambul, a cidade mais inspiradora do mundo", promete a propaganda turca sobre uma das três capitais europeias da cultura, ao lado da região do Ruhr, na Alemanha, e da cidade húngara de Pécs.
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Ponte do Bósforo 
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Ponte do Bósforo
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Atração é o que não falta na metrópole turca de 15 milhões de habitantes situada no Estreito de Bósforo. Em primeiro lugar vêm, naturalmente, as construções históricas: a antiga catedral bizantina Hagia Sophia; a chamada Mesquita Azul, cujo nome oficial é Mesquita Sultão Ahmed; o Palácio Topkapi e a Torre de Gálata, construída pelos genoveses.
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Mas também o grande terreiro de obras à margem sul da península no centro histórico é uma atração. Ali em Yenikapi se encontra o centro de um ambicioso projeto de transportes, cujo cerne será um túnel ferroviário de 1,4 km de extensão e à prova de terremotos, que atravessará o Bósforo a uma profundidade de 56 metros. A linha deverá garantir o transporte de 150 mil passageiros por hora, aliviando assim os graves problemas de tráfego da metrópole.
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Onde se cava se acha história
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Quando se iniciaram as obras, já vieram à tona restos do antigo porto de Bizâncio, obrigando os operários a dar lugar aos arqueólogos.
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Hagia Sophia 
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Hagia Sophia
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Segundo Ralf Beck, arqueólogo alemão da Universidade de Tübingen envolvido nas escavações em Yenikapi, o porto remonta ao final do segundo milênio, ou seja, ao início da Idade do Ferro. O achado indica que o território onde hoje se situa Istambul já era povoado desde o fim da Era Glacial, algo que naturalmente destaca a importância do lugar.
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Ao norte do centro histórico, encontra-se o distrito de Beyoglu, ao qual também pertence o bairro de Cukurcuma. É aqui que o Nobel da Literatura Orhan Pamuk encarregou um escritório alemão de arquitetura de construir seu "Museu da Inocência". O nome provém de um romance do autor com esse mesmo título.
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Bazar em IstambulBildunterschrift: Bazar em Istambul
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O mestre-de-obras Cem Yücel explica que o andar térreo do edifício em construção reunirá objetos de exposição sobre as personagens do romance. Na parede oposta a essa ala, haverá uma instalação com até 5 mil bitucas de cigarro colecionadas por uma personagem do romance. "Essa é uma das partes mais interessantes e importantes do museu", diz Cem Yücel.
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Minoria cristã ortodoxa perto da extinção
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Embora Istambul seja considerada uma cidade cosmopolita, as minorias mal têm espaço. Há 50 anos, ainda viviam 120 mil gregos no Bósforo; hoje são apenas 3 mil. Para o patriarcado grego às margens do Corno de Ouro, sede do cristianismo ortodoxo, isso tem consequências decisivas.
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Os cristãos ortodoxos se preocupam com seu futuro. Afinal, o patriarca e seus sucessores têm que ter nacionalidade turca. Segundo o porta-voz da Igreja Ortodoxa, atualmente só existem 14 ou 15 bispos turcos, incluindo os patriarcas, e muitos deles já têm idade avançada.
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"Será muito, muito difícil mesmo encontrar algum jovem de nacionalidade turca que seja bispo e viva na Turquia", lamenta.
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Natal ortodoxo em Istambul 
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Natal ortodoxo em Istambul
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É por isso que os gregos esperam que seja reaberto o seminário de padres fechado em 1971, localizado em Heybeli, uma das ilhas do Mar de Mármara pertencentes a Istambul. Isso permitiria que teólogos cristãos ortodoxos pudessem reconquistar a chance de fazer sua formação na Turquia.
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Isso também fortaleceria a minoria cristã no Bósforo e conferiria um tom mais internacional a essa capital europeia da cultura.
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Autor: Ulrich Pick (sl)
Revisão: Rodrigo Rimon


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