Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

A requalificação do Bairro da Bela Vista em Setúbal


Espaços públicos vão entrar em obras

As atenções voltam-se de novo para o bairro da Bela Vista e desta vez é por boas razões

25.05.2010 - 10:20 Por Natália Abreu, com Lusa
No Bairro da Bela Vista, em Setúbal, os nomes das zonas residenciais são coloridos, mas a realidade dos cerca de 4500 habitantes que ali moram, distribuídos pelos bairros azul, amarelo e cor-de-rosa é bem menos alegre. No último ano, este aglomerado populacional foi notícia pela insegurança, violência, agitação social. Desta vez, não. A Câmara de Setúbal aprovou um plano de recuperação dos espaços públicos nos bairros amarelo e cor-de-rosa, um sinal de esperança para moradores que, porém, recebem a boa nova com alguma desconfiança.
Em 2009, a Bela Vista foi notícia por causa de confrontos  
Em 2009, a Bela Vista foi notícia por causa de confrontos (Nuno Ferreira Santos)


"Promessas há muitas, mas obras não vejo nada. Só vendo. Só acredito vendo", diz Cristina Costa, uma moradora. "Os bairros todos aqui à volta já foram arranjados. Só a Bela Vista é que há 30 anos não leva uma tinta", acrescenta António Mendes.

A primeira empreitada custará 1,6 milhões de euros e vai arrancar daqui a dois meses. É a única com concurso. O restante, 1,9 milhões em obras, será entregue por ajuste directo, repartido em dezena e meia de empreitadas que, no entanto, deixa de fora o bairro azul, o mais problemático em termos de conflitos sociais. Por agora, a sorte cabe apenas aos habitantes das zonas amarela e cor-de-rosa. Para o outro, fala-se num destino bem diferente: a demolição. Antes disso, é preciso encontrar alojamento alternativo. Há responsáveis que admitem este cenário, mas ninguém fala em prazos.

Em Maio de 2009, a Bela Vista chamou a atenção do país por causa de tumultos ocorridos na sequência da morte de um filho do bairro. Muita gente mobilizou-se para, depois disso, tentarem sacudir a má imagem que ficou colada à Bela Vista. Um ano depois, parte dessa mesma população voltará a ser chamada a ajudar o bairro, porque a requalificação dos prédios será feita pelos próprios moradores, que depois terão de zelar pela manutenção, salienta a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira. A autarquia limitar-se-á a recuperar espaços comuns, passeios, iluminação pública, pavimentos, e a plantar árvores. Na imagem virtual que tenta dar uma ideia da Bela Vista pós-obras, vêem-se duas dezenas de logradouros e pátios recuperados e luminosos, no meio de prédios que aparecem a cinzento. Certamente ajuda a destacar o que vai mudar - ao mesmo tempo que lembra que outro tanto continuará na mesma.

O pólo da biblioteca também será reabilitado. O programa de intervenções é vasto, o prazo de conclusão aponta para 2011. No programa está também a recuperação de espaços desportivos e parques infantis. Apenas um edifício privado será recuperado. Esta é, aliás, uma das principais queixas da autarquia. "O Estado não tem qualquer programa que permita a recuperação de habitações", explica o vereador Carlos Rabaçal. Os anos de 2000, 2002, 2007 e 2009 foram profícuos em notícias sobre a Bela Vista. Geralmente com imagens de chuvadas de pedra, de caixotes do lixo a arder e cargas policiais. Da última vez, a autarquia prometeu cuidar da Bela Vista. A promessa começa a cumprir-se, mas há uma dúvida a moer ainda os moradores: quando é que a Bela Vista pode fazer jus ao nome?
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População jovem, pobre e pouco instruída

Um mercado social para ajudar os mais necessitados




Para que não se diga que a intervenção é apenas cosmética de fachada, o pacote de obras para o Bairro da Bela Vista vem acompanhado de iniciativas de cariz imaterial e social.

Um dos principais projectos é a construção do Mercado Social, uma plataforma que facilitar a recolha e entrega de bens não perecíveis aos mais carenciadas. Num espaço de mais de 400 metros quadrados, o Mercado Social vai ter ainda zonas de oficinas que podem, no futuro, vir a empregar habitantes.

O Bairro da Bela Vista é um dos 13 bairros sociais do concelho de Setúbal e um dos mais complicados do ponto de vista social. A média de idades da sua população é inferior a 35 anos, e o nível de escolaridade é, geralmente, também baixo. Mais de 25 por cento dos habitantes estão desempregados. Dados de um estudo do Observatório da Bela Vista, realizado em 2006, dão conta que mais de metade da população vivia em situação de pobreza. O bairro caracteriza-se também por ser habitado por pessoas de várias origens e etnias, o que, não raras vezes, se tem traduzido num foco de problemas e tensões sociais.

Talvez por isso a autarquia aposte também numa forma de prevenir comportamentos de risco junto da comunidade mais jovem. Um centro interactivo com informação sobre os comportamentos de risco, abordados de forma original e numa lógica de proximidade, será a ferramenta a utilizar.

Em 2005, a Câmara de Setúbal criou o Gabinete da Bela Vista, um espaço com instalações no próprio bairro e com atendimento em horário de expediente. Para os técnicos, esta "estratégia de maior proximidade, permite entender quais as acções que devem ser desenvolvidas". N.A.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vídeo: Autarquia promete requalificar Bela Vista (Setúbal)

Lusa
16:53 Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

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A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, garantiu hoje que a requalificação de pátios e outros espaços públicos do bairro da Bela Vista terá início dentro de dois meses, mas os moradores preferem "esperar para ver".
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"Dentro de um ou dois meses vai ter lugar esta intervenção de requalificação da Bela vista. Os concursos vão ser abertos para procedermos à concretização destas obras", disse à Lusa a autarca setubalense, salientando que se trata de uma intervenção que ascende a cerca de 2,5 milhões de euros, no âmbito do programa de Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente (RUBE).
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"Também estamos a trabalhar em pareceria com o ACM (Associação Cristã da Mocidade) e com um grupo de jovens, para criarmos aqui comissões de moradores, tendo em vista a reabilitação dos edifícios", acrescentou.

Moradores têm de zelar pelos prédios


Maria das Dores Meira salientou, no entanto, que a requalificação dos prédios será feita pelos próprios moradores do bairro, cabendo depois aos residentes de cada prédio zelar pela manutenção e pelo bom estado dos edifícios.
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Além da parceria para a formação de condomínios, o ACM vai avançar também com o projeto "Oficina Aberta", que prevê a construção de laboratórios, salas de formação, espaços para a elaboração de projetos e de um pavilhão gimnodesportivo, e que pretende colmatar necessidades dos jovens estudantes, do pré-escolar ao 12º ano, bem como a formação dos moradores da Bela Vista.
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"A oficina aberta tem um conjunto de objetivos que vão desde o desenvolvimento físico ao desenvolvimento emocional, à capacitação profissional e à própria inserção profissional", disse à Lusa Mário Pereira, diretor da Associação Cristã da Mocidade, convicto de que o projeto vai mesmo avançar, mas denotando alguma preocupação com a "sustentabilidade" futura do mesmo.
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Apesar dos projetos anunciados para a Bela Vista, alguns moradores mostram-se muito céticos e garantem que a Bela Vista sempre foi excluída de qualquer intervenção de fundo nas últimas décadas.

Intervenção profunda


"Promessas há muitas, mas obras nas vejo nada. Só vendo. Só acredito vendo", disse Cristina Costa, uma moradora no bairro que o gostava de ver embelezado, mas que não acredita muito nisso.
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Também desconfiando quanto à concretização das obras anunciadas, António Mendes defendeu a necessidade de uma intervenção profunda na Bela Vista e aproveitou para lembrar que outros bairros contíguos já foram objeto de melhorias significativas.
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"Os bairros todos aqui à volta já foram arranjados. Só a Bela Vista é que há 30 anos não leva uma tinta. Os outros bairros, como o 2 de Abril, aqui ao lado, já levaram uma carrada de tintas", disse, aludindo às obras de requalificação já efetuadas naquele bairro.
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"E a Bela Vista também precisava de ter umas portas (de acesso a cada condomínio)", acrescentou António Mendes, entre dois jogos de dominó com um grupo de amigos.
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"Aqui (nos prédios da Bela Vista) entram cães, entram gatos, entram chineses, entram pretos, entram ciganos, está tudo misturado. Se não fizerem os condomínios isto não vai a lado nenhum", concluiu, deixando claro que o bairro precisa de muito mais do que a melhoria dos espaços públicos.
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Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

FUGAS - Check-in: Pretextos

sexta-feira, 19 de Março de 2010

FUGAS - Check-in: Pretextos

Instalações industriais desactivadas, velhos armazéns militares, um matadouro, até uma lixeira a céu aberto. Era 1989, era a zona oriental de Lisboa. Qualquer semelhança com o que lá existe hoje é pura coincidência.
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Foram precisos mais de dez anos para que a Expo 98, a última Exposição Universal do século XX, abrisse portas aos mais de 12 milhões que a visitaram – e para que Lisboa, aquele pedaço de Lisboa, fizesse as pazes com o seu rio e ganhasse para si, de novo, uma faixa de cinco quilómetros situada à beira Tejo.
A Expo 98, toda a gente sabe, foi um rotundo sucesso. Pode até ter ficado abaixo das previsões quanto ao número de visitantes (estimavam-se 15 milhões em quatro meses e meio), mas, para lá do seu lado festivo e de celebração dos oceanos, teve também um lado utilitário. “Para a cidade, para o país e para a comunidade internacional”, lê-se no site da Parque Expo. Há quem defenda, inclusive, que foi a partir daí que se deu o boom turístico na capital.
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Mas esta foi a nossa história – sendo que a que mais interessa hoje é a de Montreal, no Canadá, para onde Luís Maio viajou recentemente. Sendo a maior cidade da província do Quebeque, e a segunda maior cidade francófona do mundo, mudou completamente a sua face na sequência da Exposição Universal de 1967. A braços com a “concorrência” de Toronto, Montreal sentiu necessidade de se reinventar. A Expo de 1967 foi, pois, o pretexto “para grandes projectos de requalificação urbana, de criação de novos pólos de atracção periféricos, mas também de renovação do centro urbano”, escreve hoje na Fugas Luís Maio, que nos guia pelo que “de mais parecido” a cidade tem com ícones monumentais – ou seja, “os equipamentos que ficaram por herança da Exposição Universal de 1967 e dos Jogos Olímpicos de 1976”.
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Venham sempre destes pretextos. As cidades agradecem.
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