Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Zillah Branco: O patrimônio nacional e o ataque imperialista na Europa

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5 de Março de 2013 - 13h37

Zillah: O patrimônio nacional e o ataque imperialista na Europa

 

A definição do território pátrio estabelece as fronteiras com outros territórios vizinhos, as milhas marítimas que cada um tem para seu abastecimento e defesa, os rios, o solo e o subsolo.

Por Zillah Branco*


A gente que aí habita, com a sua cultura, idioma e história, o povo, tem o poder e a responsabilidade de proteger o território, desenvolver as potencialidades existentes para assegurar a melhor condição de vida coletiva, zelar pelas riquezas naturais existentes para que o patrimônio nacional seja aplicado para o bem comum e conservado para as gerações futuras. As nações europeias que alcançaram durante a Idade Média maior poder em relação ao mundo ainda desconhecido, afirmaram-se como centro do conhecimento científico, filosófico e artístico e impuseram, através do domínio dos mares e da capacidade de organização de instituições que consolidaram Estados e relações políticas internacionais, o seu modelo de pensamento às nações mais pobres conquistando o estatuto de "poder cultural ocidental".

Subordinado ao modelo dos mais ricos (ou mais fortes), o mundo colonizado esmagou o orgulho nacional que defendia os seus patrimônios – naturais, culturais e históricos – que constituem a riqueza, material e imaterial, que alicerça o desenvolvimento da sua economia e do seu povo.

Hoje, em investigações arqueológicas, desvendam-se conhecimentos científicos, conceitos filosóficos e sociológicos, noções de arte, enfim, traços de uma inteligência criativa avançada que se interpenetrava de sentimentos humanísticos que ainda faltam no conhecimento atual divulgado pelo mundo ocidental.

Constata-se o tempo perdido no desenvolvimento da precária "civilização" que traduziu a sua capacidade e brilho intelectual em uma elite fortemente armada e de poder autoritário que manipula os seus dependentes.

Séculos de predação e rapina do patrimônio cultural e natural de povos que foram sendo exterminados bárbaramente no "Terceiro Mundo" – que o colonialismo e o neo-colonialismo criaram no planeta com o resíduo da sua exploração da riqueza resultante das suas "descobertas" nunca reconhecidas como "encontros entre povos" – que com o impulso propiciado pelo socialismo revolucionário deu, no século 20, decididos passos no sentido da libertação ainda que subjugados pelo sistema capitalista dominante que segue o seu curso com ideal imperialista.

Novas formas de espoliação foram criadas na Europa, agora por empresas multinacionais que acobertam as nações ponta-de-lança do imperialismo que atuam dentro das instituições administrativas das sociedades dependentes (como antes fizeram no Terceiro Mundo por meio de empresas concessionárias de serviços públicos) assenhoreando-se das riquezas do subsolo como os minérios raros e, agora, a água, e passam a vender como se fosse seu, o patrimônio que pertence ao povo.

Diferentes estratégias expansionistas deram origem à criação e povoamento europeu das nações no Terceiro Mundo onde velhas culturas indígenas foram esmagadas e povos primitivos foram escravizados com o objetivo de ser implantado um modelo "civilizado" com as características do europeu.

Paralelamente, a exploração das riquezas naturais do novo mundo enriqueceu o sistema comercial europeu que passou a constituir a base do poder econômico e político que mantinha a aristocracia reinante no continente europeu.

A Inglaterra capitaneou a Revolução Industrial esvaziando o seu território de um campesinato pobre que emigrou, com facções religiosas conflitantes com o poder instituído, para o norte da América onde sobreviveram e povoaram os Estados Unidos e o Canadá na companhia de franceses e holandeses que seguiram o mesmo caminho.

Naturalmente estas condições históricas de colonização, pelo empenho de nações europeias mais ricas que aplicavam a cultura no desenvolvimento de uma nova sociedade que se organizava no caminho da industrialização com as bases do capitalismo nascente, deram origem a colónias que permaneceram como instrumentos de poder aliadas às suas metrópoles.

No final do século 19, depois de processos de independência em que Inglaterra e França competiram hora como colonialistas, hora como libertadores do novo mundo, os Estados Unidos seguido pelo Canadá, deram início à sutil penetração nas nações latino-americanas levando tecnologia e ideias modernas de desenvolvimento econômico diferentes dos conceitos libertários herdados tanto da Revolução Francesa como da Revolução Americana que já tinham desaparecido no curso da Guerra de Secessão que dividiu o povo norte-americano entre os racistas escravocratas e os que idealizavam o socialismo utópico.

Abria-se para os países capitalistas, independentes e agora aliados, a fase do "imperialismo" que substituiu o mercantilismo e a dominação colonial por fórmulas modernas de neo-capitalismo acompanhadas de ação destruidora das culturas tradicionais e perseguição sem tréguas a qualquer expressão individual ou coletiva de doutrinas libertárias ou do socialismo científico.

Todo o Terceiro Mundo, inclusive no Oriente, foi invadido pelo vírus imperial que ficou colado às sementes da cultura e do desenvolvimento equilibrado com as origens tradicionais e as características de cada povo, com características de humildade submissa, o reverso da medalha dos preconceito de superioridade racial e civilizacional usado como instrumento de domínio.

A Revolução Socialista realizada na Rússia e que expandiu o seu exemplo por mais 15 nações da Ásia Central e da Europa do norte, tendo por base teórica o conhecimento gerado na Alemanha e França, com participação de intelectuais e instituições de muitas outras nações europeias e mesmo dos Estados Unidos, dividiu a humanidade como um todo entre explorados e exploradores, sem divisões raciais e com a consciência dos iguais direitos humanos.

A Segunda Guerra Mundial contra a expansão do domínio fascista na Europa foi vencida pela união da humanidade contra um perigo global, apesar das diferenças ideológicas históricas. A reconstrução das nações europeias também foi fruto da mesma solidariedade humanista e recebeu a ajuda (que abriu caminho para desenvolver os seus interesses de domínio) do núcleo imperial do sistema que deu grande impulso à imagem da Europa como "poder cultural" ao qual se manteve aliado até conseguir minar o sistema socialista no Continente.

Como assinala a exposição feita sobre a história da União Europeia, apresentada em final de 2012 em Bruxelas, a construção deste caminho teve início com a formação do Clube de Bilderberg formado na sequência da Segunda Guerra com políticos e militares europeus e norte-americanos que também definiram o Estado de Israel a ser implantado sobre o mundo árabe.

Este fato, que é publicitado amplamente na Europa, impede que se avalie a penetração subtil do imperialismo na sua habitual forma de dominação dos países fragilizados da própria Europa.

A aliança de uma elite política e econômica na Europa, a qual é integrada pela realeza que encabeça vários governos republicanos, com o núcleo imperial que comanda os Estados Unidos mantendo a nação como primeira potência militar e econômica no planeta, traçou em conjunto o caminho para o combate às ideias libertárias e socialistas que germinaram em toda Europa e formaram movimentos sindicais sólidos capazes de defender o direito dos trabalhadores e os direitos sociais de toda a população que são o objetivo de luta da esquerda que resistiu às invasões fascistas e às pressões ditatoriais permanentemente.

O imperialismo, fase superior do capitalismo, que sempre apareceu como uma "estratégia" da primeira potência - amplia a sua imagem mostrando que também é europeu no mundo global.

Permanece a humanidade, que se divide em exploradores e explorados, diante da ameaça de uma guerra que parece unir os dois lados adversários na paz, em defesa da dignidade humana e o direito elementar de viver.

Zillah Branco é socióloga, militante comunista e colaboradora do Vermelho

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um ano depois da morte de Cesária Évora, a morna é património de Cabo Verde


“Não há maneira mais sublime, mais justa, de expressar os sentimentos” do que através da morna, diz ao PÚBLICO o compositor favorito de Césaria Évora. Cabo Verde já pensa avançar para uma candidatura deste género musical a Património Imaterial da Humanidade.
Cesária Évora morreu há um ano DR

O governo de Cabo Verde aprovou quinta-feira uma resolução que classifica o género musical morna como Património Histórico e Cultural Nacional, naquele que pode ser um primeiro passo para a classificação pela UNESCO de Património Imaterial da Humanidade. Tudo isto quando passa um ano sobre a morte de Cesária Évora.
Essa mesma intenção foi anunciada pelo porta-voz do Conselho de Ministros cabo-verdiano, Jorge Tolentino, que salientou que o Ministério da Cultura está a ultimar uma Comissão Nacional para preparar um dossier e actuar junto da UNESCO. Segundo a mesma fonte, a ideia original foi da cantora cabo-verdiana Celina Pereira. O diploma entrará em vigor já na próxima segunda-feira.
A notícia foi recebida com satisfação por cantoras de Cabo Verde como Nancy Vieira. “Sinto-me muito orgulhosa como todos os cabo-verdianos e como intérprete da morna”, disse ao PÚBLICO. “A morna é a nossa expressão máxima e através dela conseguimos uma grande visibilidade no mundo, principalmente através da voz da Cesária Évora. Agora que seja também património mundial.”
Outra cantora de Cabo Verde, Ana Firmino, disse-nos que “a morna está para Cabo Verde, como o fado para Portugal, ou o chorinho para o Brasil, por isso faz sentido que seja distinguido”. Para Firmino este é “mais um passo decisivo” para elevar a morna à condição de património imaterial, como já acontece com o fado.
O nome de Cesária Évora surge a todo o momento quando se tenta explicar o sucedido. O seu compositor preferido e o autor que mais escreveu para ela, o músico Teófilo Chantre, diz-nos que “não há maneira mais sublime, mais justa, de expressar os sentimentos” do que através da morna. “Espero que este acontecimento vá no sentido de preservar todo o legado da morna. E nesse sentido espero que sejam libertados meios para manter tradição da morna, ao nível da música, dos instrumentos e da poesia.”
Depois da morte de Cesária Évora (que aconteceu, fará na segunda-feira, dia 17, um ano), fala-se muito em substitutas, ao nível de cantoras como Lura ou Nancy Vieira, mas esta prefere falar em continuadoras. “A Cesária abriu as portas a uma nova geração de cantores e cantoras, da qual faço parte, mesmo antes do seu desaparecimento físico. Todos nós beneficiamos das portas que abriu. Depois da morte dela fala-se em substitutas – mas não gosto da palavra. Prefiro falar em seguidoras. Isso sim. Foi ela que levou a alma deste país tão pequeno, que aparentemente não tem nada, ao mundo todo.”
A morna é um género musical tradicionalmente tocado com instrumentos acústicos, reflectindo a realidade insular da população de Cabo Verde, o romantismo dos seus trovadores e o amor à terra, o ter de partir e querer ficar, a saudade. Principalmente nas duas últimas décadas, a morna tornou-se conhecida mundialmente, em parte pelo sucesso internacional da cantora Cesária Évora.
Precisamente por isso, a Diva dos Pés Descalços, como era conhecida, vai ser homenageada sábado num espectáculo a decorrer na ilha de Santo Antão, em Ribeira da Torra. Bonga, Nancy Vieira, Sara Tavares, Lura e Tito Paris integram o cartaz.
Além da morna, o Ministério da Cultura cabo-verdiano, tutelado pelo músico, compositor e escritor Mário Lúcio, está a ponderar elevar os outros géneros musicais do arquipélago (tabanka, batuque e funaná) também a património nacional. O Ministério da Cultura está ainda a trabalhar para apresentar a candidatura da Crioulização e do Espaço Virtual como patrimónios imateriais da humanidade, tal como já afirmou Mário Lúcio.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Carlos Fontes - Judiasmo e Judiaris em Portugal





Cartografia do Judaísmo em Portugal

Em Portugal, por volta de 1143, existiam já importantes comunidades de judeus em Coimbra, Santerém, Lisboa e Évora. 
Durante o reinado de D. Dinis (1261-1321), para além das anteriores, destacam-se as comunidades de Bragança, Chaves, Mogadouro, Rio Livre (Concelho de Chaves), Castelo Rodrigo, Monforte e Guarda. 
Na segunda metade do século XIV foram identificadas comunidades em cerca de 30 locais espalhados por todo o reino. No Algarve sobressaíam as comunidades de Silves, Loulé e Tavira. 
No final do século XV existiam mais de 140 judiarias, distribuídas pelas principais povoações de Portugal (4), incluindo os Açores e Madeira. Calcula-se que por volta de 1497, os judeus representassem entre 15 a 20 % da população portuguesa, um número sem paralelo em qualquer outro país na época.  
Judiarias de Portugal no final do século XV

Aveiro. (1)
Braga. A sua judiaria está documentada desde o século XIV. As relações entre cristãos e judeus alternavam entre a paz e o conflito, obrigando a frequentes intervenções do rei. Entre os mais conhecidos descendentes de judeus da diocese de Braga destaca-se Francisco Sanches (1550-1622), médico, filósofo e matemático.
- Barcelos
- Guimarães,
- Vila Nova de Famalicão, 
Bragança. No século XIII já existia aqui uma importante comunidade de judeus. A Inquisição fez na região, durante quase três séculos, uma verdadeira matança. 
- Argozelo, 
- Carção,    
- Freixo de Espada à Cinta
- Miranda do Douro,
- Mogadouro, 
- Rio Frio
- Torre de Moncorvo. O cripto-judaísmo manteve aqui bem vivo até 1929. Uma sinagoga, funcionou até então numa casa particular junto à Igreja Matriz.
- Vilarinho dos Galegos,
- Vila Flor
Beja
- Alvito,
- Garvão, 
- Odemira,
- Ourique,
- Mourão
- Serpa,
- Viana do Alentejo
- Mértola
Castelo Branco.
- Alcains
- Castelo Mendo
- Belmonte (3)
- Bemposta 
- Idanha
- Medelim, 
- Monsanto
- Monforte
- Oleiros,
- Penamacor,
- Proença
- Sabugal
- Sarzedo
- São Vicente da Beira,
- Segura
Coimbra. Durante séculos teve uma das mais importantes comunidades de judeus de Portugal. A primeira na judiaria, que existia já em 1139, ficava na actual Rua do Corpo de Deus. A segunda, ficava Rua Direita, Largo da Freiria.  A Fonte Nova ou do Judeus (Rua Olímpio Nicolau Fernandes), relembra a sua presença no local. O Tribunal da Inquisição de Coimbra (1548-1821) foi o mais sanguinário de Portugal, cujos autos de fé eram realizados no Largo de Sansão (actual Praça 8 de Maio ).- Buarcos, 
- Condeixa, 
Évora. Aqui se situava uma das mais importantes e ricas judiarias de Portugal. Ficava situada entre as portas do Alconchel e do Reimondo (entre a Rua do Tinhoso e a Rua dos Mercadores, seguindo algumas travessas até à Rua do Reimondo), abrigando no seu interior duas sinagogas, a midrash, os banhos, o hospital e uma gafaria. Depois do Tribunal da Inquisição de Coimbra, o de Évora foi o mais sanguinário. 
- Aviz
- Evoramonte
- Benavila
- Borba, 
- Estremoz, 
- Monsaraz
- Montemor-o-Novo
- Olivença, 
- Vila Boim
Faro. No século XIII existia já aqui uma importante comunidade. A judiaria ficava situada no local onde hoje se encontra o Convento de Nª. Srª. da Assunção (Museu Infante D. Henrique). Possuia um oficina de copistas (1391). Foi em Faro que DomSamuel Gacon (ou Porteiro) editou o primeiro livro impresso em Portugal - Pentateuco (1487), uma obra fundamental nas sinagogas. Editou também o Talmud (1492), constituído pelo "Tratado do Divórcio" e o "Tratado dos Juramentos".
- Aljezur
- Alvor
- Alcoutim,
- Castro Marim,
- Lagos
- Porches,
- Portimão,
- Tavira,
Funchal.
Guarda. A judiaria começava junto à Porta d`El Rei e terminava perto do adro da Igreja de S. Vicente. Possuia uma oficina de copistas (1346). - Almeida. Oficina de copista (1484)
- Almendra
- Alverca
- Castanheira
- Castelo Rodrigo. No reinado de D. João I funcionava aqui o Serviço Real de Judeus, que se ocupava dos seus problemas civis.
- Castelo Mendo
- Celorico da Beira, 
- Covilhã,
- Escarigo
- Fundão,
- Freixedo
- Gouveia, 
- Linhares da Beira. A judiaria, de que ainda restam vestígios, estava situada em torno da Rua da Judiaria, uma travessa da Rua Direita (antiga Rua da Procissão), próximo do castelo.
- Marialva
- Melo,  
- Meda. Uma lâmpada do Shabat preserva-se na sacristia da igreja matriz da Meda
- Pinhel
- Salvaterra
- Seia
- Vilar Formoso, 
- Vila Franca das Naves
Leiria. Nesta cidade funcionou a conhecida oficina de imprensa de Samuel d'Ortas e seus filhos, que editou a primeira edição do Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto, em 1496.
- Óbidos, 
Lisboa. A comunidade judaica de Lisboa era muito numerosa, e estava intimamente ligada à corte. A primeira sinagoga abriu em 1260. Em meados do século XV tinha três judiarias, mas muitos judeus viviam fora das mesmas. Possuía, neste século, excelentes oficinas de copistas e iluminadores de hebraicos.  Em 1489, o Rabi Eliezer inicia a publicação de obras impressas. Possuía também uma magnifica Academia - Beth Hamidresh - situada entre o Largo do Carmo e da Trindade, no bairro da Pedreira, mais tarde bairro da Conceição. 
- Sacavém
- Tojal
- Alenquer
- Torres Vedras. Tinha uma oficina de copistas (1391).
- Sintra
Porto. A comunidade judaica, muito significativa, possuía várias judiarias. Em 1386, D. João I mandou juntar os judeus que habitavam as Aldas e S. João Novo, assim como as judiarias do Castelo, da Minhota e de Monchique, num espaço dentro das muralhas no Morro do Olival. A Judiaria do Olival tinha duas portas, uma voltada para o Largo da Porta do Olival, outra para as "Escadas da Esnoga" (hoje, Escadas da Vitória) e para o caminho de Belmonte. A sinagoga situava-se no local onde hoje fica o Convento de São Bento da Vitória.Na Rua de S. Miguel, nº. 9-11,  foi descoberta, em 2006, uma sinagoga clandestina dos séculos XVI/XVII.
- Gaia
- Matosinhos
- Vila do Conde
- Azurara
- Arrifana
Portalegre (2)
- Campo Maior
- Castelo Vide. A judiaria remonta ao século XIII e é uma das mais bem preservadas e promovidas de Portugal.
- Crato, 
- Elvas. Possuia duas judiarias.
- Marvão.
- Monforte

Ponta Delgada
Santarém. A judiaria muito próspera localizava-se junto da Rua Direita e das portas da cidade. A primeira Sinagoga foi aberta em 1140.
- Abrantes
- Alenquer, 
- Pernes
- Tomar,
- Torres Novas,  
Setúbal.
- Almada
- Alcácer do Sal
- Cacilhas
- Palmela
Viana do Castelo.- Barcelos, 
- Caminha,
Vila Real
- Chaves,
- Mirandela
- Rio Livre 
Viseu
- Lamego,
- Salzedas,
- São João da Pesqueira, 
- Trancoso,
- Vila Nova de Paiva
- Vila Nova de Foz Côa,


Bibliografia:
(1) Neves, Amaro - JUDEUS E CRISTAOS NOVOS DE AVEIRO
(2 ) Tavares, Maria José Pimenta Ferro, "Judeus e cristãos novos, no distrito de Portalegre", A Cidade: Revista Cultural de Portalegre (nova série). , nº 3, 1989, pp. 37 - 54
(3) Garcia, Antonieta Garcia - Os Judeus de Belmonte. Os caminhos da memória (Lisboa [1993?]).
(4) Tavares, Maria José Pimenta Ferro, Os Judeus em Portugal no séc. XIV, Lisboa. Guimarães & Cª.,1979; idem, Os Judeus em Portugal no século XV, 2 vols. Lisboa. Universidade Nova. 1982; Idem, Os Judeus em Portugal no séc. XVI, Lisboa, Instituto de Alta Cultura.1970.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Património fílmico da Tobis classificado como tesouro nacional


~


Sendo classificado como "tesouro nacional", o património da Tobis não pode sair do país
Sendo classificado como "tesouro nacional", o património da Tobis não pode sair do país (Nuno Oliveira)



07.03.2012 - 14:04 Por Cláudia Carvalho





A decisão do Governo surge depois de a Filmdrehtsich, empresa de capitais 100% angolanos, ter comprado as áreas de pós-produção digital e recuperação de arquivo da Tobis, que detém os históricos estúdios portugueses. O património fílmico e imobiliário continua nas mãos do Estado, ganhando agora maior protecção com este estatuto.


O registo de classificação admite três categorias de bens móveis que, hierarquicamente, reflectem o seu valor patrimonial, podendo os bens ser classificados como de interesse nacional (recebendo a designação de “tesouro nacional”), de interesse público e de interesse municipal.



Segundo a Lei de Bases do Património Cultural (107/2001), a classificação apenas se aplica a bens portadores de interesse relevante para a realidade cultural portuguesa e que, como tal, mereçam ser objecto de especial protecção e valorização, que pela sua originalidade, autenticidade e raridade representam testemunhos materiais da nossa memória colectiva. 



Agora que o património da Tobis foi classificado como “tesouro nacional”, não poderá ser alienado para o estrangeiro, sendo necessária uma autorização do Governo caso tenha de sair temporariamente.



Actualmente existem cerca de 400 bens classificados como de interesse nacional, que tanto podem ser peças unitárias como conjuntos, como é o caso da Sala do Tesouro do Museu Nacional de Arqueologia, por exemplo.




A decisão do Governo surge depois de a Filmdrehtsich, empresa de capitais 100% angolanos, ter comprado as áreas de pós-produção digital e recuperação de arquivo da Tobis, que detém os históricos estúdios portugueses. O património fílmico e imobiliário continua nas mãos do Estado, ganhando agora maior protecção com este estatuto.


O registo de classificação admite três categorias de bens móveis que, hierarquicamente, reflectem o seu valor patrimonial, podendo os bens ser classificados como de interesse nacional (recebendo a designação de “tesouro nacional”), de interesse público e de interesse municipal.



Segundo a Lei de Bases do Património Cultural (107/2001), a classificação apenas se aplica a bens portadores de interesse relevante para a realidade cultural portuguesa e que, como tal, mereçam ser objecto de especial protecção e valorização, que pela sua originalidade, autenticidade e raridade representam testemunhos materiais da nossa memória colectiva. 



Agora que o património da Tobis foi classificado como “tesouro nacional”, não poderá ser alienado para o estrangeiro, sendo necessária uma autorização do Governo caso tenha de sair temporariamente.



Actualmente existem cerca de 400 bens classificados como de interesse nacional, que tanto podem ser peças unitárias como conjuntos, como é o caso da Sala do Tesouro do Museu Nacional de Arqueologia, por exemplo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Douro - Sabedoria popular preserva património oral


 

 

 «Há um sítio na aldeia de Zedes, do concelho de Carrazeda de Ansiães, que é conhecido por `ermo` e onde nenhuma erva nasce apesar de a terra ser boa. Dizem os antigos que aquele é o sítio da reunião das bruxas e que, por isso, a erva ali não consegue nascer». Assim começa a lenda «Ermo das Bruxas», uma das inúmeras histórias, passadas de geração em geração, e que constam do livro «Património Imaterial do Douro - Narrações Orais». 

.Ana Clara; Fotos: Livro 'Património Imaterial do Douro - Narrações Orais' | sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Ao todo são 250 lendas e 166 contos populares que estavam em risco de extinção que Alexandre Parafita fez questão de resgatar às palavras guardadas na sabedoria dos mais velhos. Um trabalho só possível graças à transmissão de geração em geração daquilo que o tempo não apagou.

Desde «A mulher enterrada viva» ao «Carpinteiro e as feiticeiras» passando pela «Enxada que vertia sangue», são várias as lendas e contos recolhidos em Tabuaço, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor. O autor explica ao Café Portugal como nasceu a ideia de preservar este património de memória popular. Um trabalho de recolha que demorou três anos.

O projecto nasceu em 2007 para cumprir um dos objectivos que presidiu à Função do Museu do Douro (onde a obra foi apresentada oficialmente a 26 de Novembro de 2010) e que reside na inventariação, recolha, investigação, valorização e divulgação do património imaterial do Douro Vinhateiro.

«Na sua primeira fase, o projecto incidiu sobre o concelho de Tabuaço, para, ao mesmo tempo, implementar a entrada em funcionamento neste município de um dos pólos museológicos do Museu do Douro (o Museu do Imaginário Duriense), o que foi conseguido», afirma o mentor da obra.

Alexandre Parafita, também investigador do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa, resgatou à memória de cerca de cem idosos dos concelhos de Vila Flor e Carrazeda de Ansiães, dezenas de peças de romanceiro e cancioneiro, lengalengas, rezas e mezinhas.

O autor salienta que a inventariação e o estudo do património imaterial é hoje um «imperativo das sociedades civilizadas, não só no quadro de uma preocupação global com a diversidade e o entendimento entre as culturas, mas também como forma de potenciar novas ofertas culturais a partir do exotismo e raridades etno-tradicionais».

«O Museu do Douro, com base neste trabalho, está em condições de estimular e potenciar projectos de turismo cultural e turismo do imaginário e outros associados aos lugares de memória da Região», sustenta.

Sobre a forma como os intervenientes reagiram a este levantamento, Alexandre Parafita diz que os idosos são, geralmente, «verdadeiras bibliotecas de saberes acumulados».

«Se soubermos estabelecer com eles uma saudável relação convivial, prontamente desfiam as suas memórias e, desse modo, lá vêm as lendas, as variantes de contos tradicionais, os romanceiros, cancioneiros e tudo o mais que tiverem para transmitir. E reagem muito bem, sobretudo quando percebem que, quem está ali para os ouvir, é alguém disponível para dar alguma nobreza aos seus saberes, e não para os ridiculizar, como tantas vezes sucede», acrescenta.

Segundo Alexandre Parafita, as muitas dezenas de contos tradicionais inventariados, obedecem a um critério científico adoptado pelos últimos catalogadores internacionais, e inscrevem-se em «sub-grupos de contos de animais, contos religiosos, contos de fadas, contos do ogre estúpido, mas também contos jocosos e divertidos (de padres, mulheres levianas, avarentos, doidos) e contos enumerativos».

Por sua vez, as inúmeras lendas traduzem explicações populares de fenómenos sagrados, diabólicos, mitológicos, históricos, entre outros, onde entram os episódios milagrosos sobre a origem de capelas, santuários, ou cruzeiros. Há, ainda, os rituais de almas penadas em tornos de antigas necrópoles, ou as sagas dos lobisomens nas suas encruzilhadas.

Sobrenatural e pagão

Em muitos destes contos e lendas existe uma grande marca do sobrenatural cristão e pagão. O autor realça que as populações rurais são profundamente religiosas e, nessa medida, são muito influenciadas pelo sobrenatural atrás indicado, mantendo formas de comunicação com o Além, através de orações, rezas e ensalmos, que traduzem momentos de inquietação absolutamente singulares.

«E nestes cenários lá vêm também as lendas de milagres e de almas inquietas, mas também de metamorfoses diabólicas, de lobisomens, etc. Se pretende saber se hoje as pessoas ainda acreditam, respondo-lhe que em muitos casos não tenho dúvidas disso. Algumas das lendas de almas penadas, de bruxas ou lobisomens, têm ou tiveram protagonistas conhecidos nas comunidades», sublinha o autor.

«Quando em Vilas Boas a alma de uma menina da aldeia apareceu nua na procissão nocturna, as pessoas acreditaram, pois a situação era verosímil no contexto creencial local. Os pais haviam-se esquecido, após a sua morte, de distribuir as roupinhas da filha pelos pobres, contrariando um costume ancestral», exemplifica.

O autor considera importante que o inventário nacional do Património Cultural Imaterial, a que Portugal está obrigado por força da convenção da UNESCO que subscreveu, se faça com «celeridade e com critério».

«Com celeridade, para recuperar a tempo o riquíssimo potencial da memória de quem ainda estão entre nós; com critério, para garantir a genuinidade do espólio cultural resgatado, evitando que sofra os flagelos da manipulação ou aculturação», argumenta.

E está convicto de que a memória oral «jamais deixará de ser um recurso importante na reconstrução da história». De resto, muitos documentos históricos tiveram, em algum tempo, «a memória oral como fonte credível».

«Muitas lendas, que tiveram a oralidade como meio exclusivo de transmissão, têm sido fundamentais para a descoberta de vestígios arqueológicos no nosso território, e têm permitido também equacionar factos históricos ignorados, ou reequacionar outros que vêm persistindo em nebulosas mais ou menos controversas», explica Alexandre Parafita.

Por fim, realça que o inventário do Património Imaterial do Douro não vai ficar por aqui. «Há muito trabalho para fazer, pois o Douro Vinhateiro tem ainda dezenas de outros concelhos muito ricos culturalmente e não seria justo que ficassem de fora. Contudo, tão importante como a realização do inventário é a realização dos estudos necessários sobre o espólio inventariado», conclui.
.

Douro - Património oral resgatado para livro

No dia 26 de Novembro é lançado o segundo volume da obra Património Imaterial do Douro - Narrações Orais. O projecto empreendido pelo Museu do Douro, Peso da Régua, recolheu lendas e contos guardado na memória dos mais velhos.

Café Portugal | quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Lendas e contos de mouros, bruxas ou lobisomens, histórias populares guardadas na memória dos mais velhos e, por isso, em «risco de extinção» foram agora resgatados para livro. No total foram inventariadas 250 lendas e 166 contos populares.

O projecto faz parte do inventário do património imaterial da região duriense que está a ser promovido pelo Museu do Douro desde 2007 e que tem como coordenador científico Alexandre Parafita.

O investigador disse que o segundo volume da obra Património Imaterial do Douro - Narrações Orais é lançado a 26 de Novembro.

Alexandre Parafita resgatou ainda da memória de cerca de cem idosos dos concelhos de Vila Flor e Carrazeda de Ansiães «várias dezenas de peças de romanceiro e cancioneiro, lengalengas, rezas e mezinhas».

«Estes dois municípios possuem índices elevados de população idosa, profundamente influenciada pelo sobrenatural cristão e pagão, que continua a gerar cenários de inquietação no quotidiano rural», salientou.

Para o investigador, estas pessoas são os «porta-vozes da memória». Aqui, a «memória oral que se projecta através das lendas permite-nos identificar e conhecer um pouco desses mistérios que vêm do passado longínquos», frisou.

Parafita referiu que a memória oral de muitas aldeias referencia locais de aparições milagrosas, alguns associadas a procissões nocturnas de almas penadas, lugares onde se esconjuraram bruxas, demónios e lobisomens, mas também de refúgios de leprosos, de mouras encantadas e de valiosos tesouros protegidos pelo Livro de São Cipriano.

Estas lendas e contos revelam ainda vestígios de interesse arqueológico, explicam as origens de capelas, cruzeiros e santuários, ou a extinção de povoações por invasões de formigas, e ainda identificam lugares de transfiguração de almas penadas e suas revelações aos mortais (como acontece nas aldeias de Amedo, Arnal, Vilarinho das Azenhas e Vilas Boas).

Mas, por algumas destas aldeias, como Foz Tua, Tralhariz, Pombal de Ansiães, Vila Flor, Ribeirinha ou Vilas Boas, também se escondem histórias de rituais de lobisomens.

O investigador salientou que, com a narração da cura de uma criança leprosa, se explica a construção do santuário da Senhora da Assunção em Vilas Boas (Vila Flor), e que devido aos muitos ossos encontrados num vale após a mortandade que os cristãos infligiram nos mouros ao expulsá-los do castelo de Ansiães, nasce a justificação popular do nome de Vale da Osseira.

Alexandre Parafita frisou que o inventário vai prosseguir, dando resposta a um desafio da UNESCO para a salvaguarda do património imaterial.

Doutorado em Cultura Portuguesa, Alexandre Parafita é investigador do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa.
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Douro - Viagem ao Portugal do fantástico

O País tem muita História por registar no que respeita à memória oral, aquela que passa de geração em geração, nas margens da palavra escrita. Relatos que são um património vivo de muitas comunidades. Há um Portugal do fantástico, lugares onde se esconjuraram bruxas, demónios e lobisomens, sítios de aparições milagrosas, ermos com almas penadas, refúgios de leprosos e de mouras encantadas. Lendas e contos reunidas no segundo volume da obra «Património Imaterial do Douro - Narrações» e que o Café Portugal publica em exclusivo.

Café Portugal; Fotos: 'Património Imaterial do Douro - Narrações Orais' | sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Os idosos, os mais velhos, os que têm a sapiência na voz, são eles quem nos conduzem a mistérios e enredos que nos transportam a um passado que já vai longe. São lendas e contos reunidas por Alexandre Parafita, autor do livro que evoca as histórias guardadas nas memórias das populações de Tabuaço, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor. Porque, o Douro também guarda personagens carregadas de mistério…



A mulher enterrada viva

A história de um padre, de uma criança e de malfeitores. A morte e os mistérios que a noite encerra numa lenda que mostra o pagão cristão. LER. 






O  «ermo» das bruxas

O «ermo», expressão que retrata um local sombrio, é local de reunião de bruxas. Ali estes seres possuídos de maldade faziam as rezas contra todos aqueles a quem queriam mal. LER.




                              


A menina nua na procissão

Almas penadas. Crenças ligadas à morte. Esta é uma lenda que conta como a rotina popular pode mudar o desfecho da fé cristã das populações. LER. 






O carpinteiro e as feiticeiras

As más acções também se cobram. Para os lados do Tua, houve tempos em que feiticeiras atormentavam aqueles que se excediam. São estórias onde o medo e o sobrenatural se misturam sempre com lições de moral pelo meio. LER. 



                          

            


A enxada que vertia sangue

A fé dos cristãos é retratada neste conto de forma muito peculiar. Os descrentes, aqueles que não tentam sequer acreditar na existência de Deus, têm castigos divinos à sua espera. Os homens, nas lendas populares, são sempre os alvos. LER. 
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domingo, 22 de agosto de 2010

Avieiros - Alves Redol

Avieiros

Alves Redol

Avieiros

Portugália, 1942
1ª edição
"... Incerto o pão na sua praia, só certa a morte no mar que os leva, eles partem. Da Vieira de Leiria vêm ao Ribatejo. Aqui labutam. Alguns voltam ainda, roídos das saudades do seu Mar. Muitos ficam. Avieiros lhes chamam na Borda de Água..."
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Um dos primeiros e mais marcantes romances do autor.
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Alves Redol 
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Nasceu em 1911 em Vila Franca de Xira. Romancista e Dramaturgo, foi um dos expoentes da literatura neo-realista em Portugal. Os dramas humanos do Ribatejo e do Douro são o tema central da sua obra, descritos em romances como Gaibéus, Barranco de Cegos ou no ciclo Port-Wine. Alves Redol  é, em si mesmo, uma personagem exemplar num movimento literário cuja ambição maior era fazer uma arte do povo e para o povo.
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Edição de 19-08-2010
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Edição de 14-02-2008

Nauticampo promove comunidade no Parque das Nações
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Cultura dos pescadores avieiros quer ser património nacional


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A cultura dos pescadores avieiros - que povoaram as margens do Tejo e deixaram marcas culturais na zona de Azambuja, Salvaterra de Magos e Vila Franca de Xira – quer ser elevada a património nacional. É pelo menos esta a intenção de um projecto que está a ser divulgado na Nauticampo 2008, um evento que decorre no Parque das Nações, em Lisboa, até 17 de Fevereiro, num espaço que conta com mais de 54 metros quadrados. 
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Os responsáveis pelo projecto, que envolve já 75 instituições, vão mostrar um barco avieiro, artes de pesca avieiras, fotos históricas, quadros a óleo sobre a temática e apresentarão um filme em formato DVD. Os responsáveis do projecto sublinham a “viragem histórica” na edição deste ano da Nauticampo, num “contributo muito importante para o desenvolvimento e dinamização da cultura ribeirinha do Tejo e em particular da cultura avieira”. “Em vez de uma ‘orientação ao produto’ (barcos, acessórios e equipamento), a Nauticampo vai evoluir no sentido de uma ‘orientação aos estilos de vida’ (paixão pelo mar, gosto pela aventura e forte ligação à família)”, sublinham.
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Para dia 16, está agendada uma conferência sobre as “vidas ribeirinhas na construção da identidade nacional”, promovida pela Associação Náutica da Marina do Parque das Nações, uma das instituições que se associou ao projecto, e pelo Centro Náutico Moitense.
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O projecto que visa elevar a cultura avieira a património nacional teve a sua origem numa investigação sobre os avieiros do Patacão (Alpiarça), realizada em Junho de 2006. Desde então, a Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça (AIDIA) e a Escola Superior de Educação de Santarém, que coordenam os trabalhos de candidatura, contactaram 135 instituições e pessoas, tendo sido realizadas cerca de 70 reuniões, incluindo o I Encontro Regional da Cultura Avieira, em Junho de 2007.
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“O interesse suscitado pelo projecto levou a que tenham aderido até esta data 75 das instituições e pessoas que foram contactadas”, afirmam. O objectivo é entregar a candidatura da cultura avieira a património nacional até 2009, depois da realização de um encontro nacional previsto para Outubro deste ano. 
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Os pescadores avieiros são provenientes da aldeia piscatória de Vieira de Leiria, concelho da Marinha Grande. No Inverno rumavam ao Tejo à procura de sustento. Deixavam o mar salgado e bravio e partiam no encalço da água doce onde pescavam o sável. Muitos viviam nos barcos avieiros, cobertos apenas, por uma lona. O quarto era à proa, a cozinha ao meio e a oficina da pesca à ré.
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A comunidade avieira também ergueu nas margens do Tejo as típicas casas palafíticas assentes em estacas de madeiras. Uma tradição que levaram da Praia da Vieira e que impedia que as cheias atingissem as casas. Com o passar dos anos os donos das terras da Borda d’Água autorizaram-nos a estabelecer-se nas margens do Tejo, onde começaram a construir as primeiras barracas. 
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Foram várias as aldeias construídas ao longo do Tejo, segundo a tradição dos pescadores da Praia da Vieira, mas hoje poucas resistem. 
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Além da Palhota, no concelho do Cartaxo, a única que conserva maiores semelhanças com a tradição avieira, ainda existem as ruínas do Patacão, aldeia abandonada em 1988. Nas Caneiras as novas casas de tijolo e as de madeira, pré-fabricadas, tomaram o lugar das barracas avieiras. O Esteiro do Nogueira, em Vila Franca de Xira, deu lugar a uma moderna marina e na foz do Alviela, as duas aldeias chamadas Barreiras do Rio e Barreiras do Tejo estão desde meados do século passado à espera que a chuva e o vento as deite abaixo.
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“Teimosos os avieiros sempre lutaram pela sobrevivência desde que viram que o Tejo tinha começado a morrer devagar. Os seus filhos, que emigraram ou foram trabalhar para as fábricas, ficaram à espera, sempre com os olhos postos no rio. E sabe-se lá porquê, o peixe que tinha desaparecido, voltou. Voltou o sável, voltou a lampreia. E voltaram à pesca os filhos dos últimos avieiros do Tejo, num regresso às raízes, enchendo o rio de belos barcos com a proa virada para o céu”, lê-se no site da Palhota Viva (www.palhotaviva.pt). A comunidade apaixonou escritores e foi motivo de inspiração de livros e filmes. O escrito neo-realista Alves Redol imortalizou também a comunidade com o romance dedicado aos “Ciganos do Rio”, como lhes chamou.
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Imagem captada a 30 de Junho de 2007
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http://www.leme.pt/imagens/portugal/rotas/rota-dos-avieiros/0034.html
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terça-feira, 27 de julho de 2010

Brasil - Luta pela liberdade: nossa herança africana retratada em painéis

Cultura

Vermelho - 27 de Julho de 2010 - 12h33

Foi inaugurada nesta sgeunda-feira (26), na área externa do Hotel Royal Tulip de Brasília, a exposição Luta pela liberdade: nossa herança africana, que recompõe parte significativa da rota do tráfico de escravos para a América do Sul, chamando a atenção sobre a necessidade de preservação de bens culturais como cidades, localidades e referências patrimoniais que dão um testemunho contundente sobre um dos maiores crimes cometidos contra a humanidade.

A iniciativa é do Fundo para o Patrimônio Mundial Africano, e evidencia os fortes laços e influências culturais entre a África e o Brasil, onde aportaram cerca de 3,6 bilhões de escravos, entre os séculos XVI e XVII, oriundos de diversas regiões do continente africano, sendo que grande parte desse contingente negro desembarcou na cidade do Salvador, capital da Bahia (BR), um dos macro-pontos destacados na rota reconstituída pela mostra.

Roteiro do flagelo

Além da cidade do Salvador do Brasil, que integra a lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), recompõem o trajeto do tráfico humano as ilhas de Robben Island (África do Sul), Goreia (Senegal) e Moçambique (Moçambique); as localidades de Ouidah (Benin), Apraavasi Ghat (Ilha Mauricia) e Volta (Gana); as cidades de Mombasa (Quênia), Grande Acra (Gana) e Cidade Velha (Cabo Verde); e fortes e castelos de regiões centrais e orientais de Gana.

Para falar sobre a mostra e temáticas associadas, foram convidados Themba Wakashe, presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Patrimônio Mundial Africano e diretor-geral do Departamento de Arte e Cultura do Ministério da Cultura da África do Sul; Christina Cameron, patronesse do Fundo para o Patrimônio Mundial Africano; e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo.

Contexto

Luta pela liberdade: nossa herança africana está inserida na programação da 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, aberta no domingo, no Teatro Nacional de Brasília, com uma memorável exposição viva do patrimônio imaterial do Brasil. Depois do evento, que vai até 3 de agosto, os painéis serão expostos na Fundação Cultural Palmares, onde permanecerão durante todo o mês de setembro, como parte do acordo de cooperação entre o Fundo para o Patrimônio Mundial Africano e a FCP.

A mostra sobre a rota do tráfico de escravos africanos foi exposta pela primeira vez durante os jogos da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, onde as reproduções dos painéis permanecem, na cidade do Cabo, e de onde seguem para a Ilha Goréia (ou Gorée, no Senegal), a Etiópia e a Espanha. A expectativa é de que Luta pela liberdade: nossa herança africana chame a atenção dos membros do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco sobre a necessidade de preservação destes valiosos bens culturais.

Serviço

O quê: Mostra Luta pela liberdade: nossa herança africana.
Quando: Até 03/08/10.
Onde: Área externa do Hotel Royal Tulip de Brasília
Endereço: SHTN, Trecho 1, Conjunto 1B, Bloco C
Tels.: (61) 3424-7000 - Fax: (61) 3424-7001
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Parque Natural da Arrábida


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MultimediaSeniorSet — 23 de Fevereiro de 2010 — Esta é uma singela homenagem ao Maestro Rui Serôdio e à sua Música.
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Publicado em 15 de Janeiro de 2009 no http://unisetifotografiamultimedia.bl...
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Veja também " Convento d'Arrábida e seus Arrabaldes" em: http://unisetifotografiamultimedia.bl...
José Venâncio
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Castelo e Muralhas de Marialva (Beira Interior)


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tou1945

visite: www.aldeiashistoricasdeportugal.blospot.com.com
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SusanaFalhas





1999.10.31
Lamego 
(...).
Marialva
Era noite cerrada. Fotos ao cruzeiro, a capela e a porta manuelina da igreja, ao chão, pelourinho e casa da Câmara e Torre de menagem; fora da cerca estão a construir casas . Cá fora as casas têm muitas flores e algumas estão caiadas.
Trancoso
Foto ao castelo, numa estrema da vila amuralhada. Largo airoso e arborizado, com esboço de planta topográfica da povoação. Foto ao pelourinho. Algumas casas com arcadas, que parecem medievias. Junto ao Pelourinho fica a Igreja de S. Pedro, onde está o túmulo de Bandarra.
Ruas do Açougue, do Magriço, do Poço do Mestre, da Corredoura, do Pelourinho, da Alegria e do Castelo. As muralhas abraçam a povoação antiga e o castelo ainda existe.
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Victor Nogueira - Viagens - Rascunho do Livro 2
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