A herança romana está por todo o lado. Achados de Bracara Augusta vão ser integrados num novo centro comercial, uma opção cada vez mais comum na cidade. Arqueólogos querem maior articulação entre as instituições para valorizar a história.
Para captar visitantes, há sete anos, a autarquia criou a Braga Romana, uma feira de época que se realiza na Primavera e, no ano passado, lançou os guias móveis, um dispositivo informático que orienta os turistas pelas ruas da cidade, onde incluiu um roteiro romano por espaços emblemáticos como as Termas da Cividade ou a Fonte do Ídolo. O Barroco continua, porém, a ser o seu principal cartão-de-visita.
"Objectivamente, Braga não tem sabido aproveitar a presença romana", critica Luís Fontes, um dos responsáveis da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM), uma espécie de guardiã da herança do Império na cidade. "Não é admissível que as visitas em alguns locais aconteçam apenas por marcação prévia. Um turista quer chegar, entrar e ver", sustenta. "Falta uma maior articulação entre as instituições", reitera o investigador.
Em Julho do ano passado, Luís Fontes foi um dos promotores da proposta de criação de um Parque Arqueológico no concelho que integrasse os principais sítios bracarenses associados à era romana, criando para isso uma estrutura de gestão partilhada que envolvesse a autarquia, a Universidade do Minho, a Igreja Católica e os dois principais museus da cidade, o Pio XII e o D. Diogo de Sousa.
À espera de verbas
A ideia mereceu o apoio do presidente da câmara, Mesquita Machado, que a incluiu no seu programa eleitoral, mas, quase um ano e meio volvidos, ainda não avançou. "Não vamos deixar cair o projecto", assegura fonte do gabinete do autarca. No entanto, o cenário de crise, que implicou um corte de 30 por cento dos investimentos municipais para o próximo ano, obrigou a um congelamento dos investimentos na arqueologia, incluindo a verba destinada à preservação da ínsula das Carvalheiras.
Mesmo em época de vacas magras, a câmara investe no património, garante o vice-presidente, Vítor Sousa. "Temos valorizado o passado de Bracara Augusta nos vários suportes de promoção turística, especialmente na Galiza, que é o nosso principal mercado", assegura o vereador. A cidade aderiu no ano passado à rede das cidades romanas do Arco Atlântico - que integra, entre outras, Saragoça, Sevilha e Lisboa - e deverá acolher, em 2011, o primeiro congresso dessa associação. Sinal "do relevo e importância" dada à herança romana, comenta Vítor Sousa.
O papel da Câmara de Braga na preservação da presença do Império de Roma na cidade estende-se também à reabilitação urbana. O gabinete municipal de arqueologia avalia todos os pedidos de licenciamento de obras no centro da cidade antes da equipa técnica do Urbanismo. Essa primeira apreciação permite antecipar problemas suscitados por eventuais achados. Mas esta não é uma ciência exacta e as sondagens prévias - que nesta zona são obrigatórias para todas as intervenções - às vezes trazem surpresas, como no caso da recuperação da antiga escola primária da Sé, transformada em sede de junta de freguesia há um ano. As obras permitiram identificar um edifício privado do século I, que manteve ocupação até ao século V, bem como restos dos alicerces da muralha medieval da cidade. Os vestígios foram preservados e podem agora ser visitados, criando um novo local de interesse em Braga.
João Carvalho também teve uma surpresa. O director do grupo Regojo, que no final do mês inaugura o centro comercial Liberdade Street Fashion, na principal avenida da cidade, pensava que as escavações no quarteirão do antigo edifício dos CTT, agora transformado em espaço comercial, "iam ser apenas um trabalho de levantamento". "Afinal tivemos que atrasar o projecto durante um ano", conta.A responsabilidade foi dos arqueólogos da UAUM, que descobriram vestígios de um antiga necrópole (ver caixa) de tal forma raros que não havia outra solução que não a sua preservação in situ. "São dois sítios absolutamente únicos e fomos incapazes de desmontar aquele tipo de ruínas", explica o arqueólogo Luís Fontes.
Os dois núcleos detectados estão agora preservados, à espera de serem musealizados. O público vai, a partir de então, poder visitar um conjunto de sepulturas, onde se incluiu um caixão de chumbo, único em Portugal, com entrada pela fachada da Rua Gonçalo Sampaio, junto ao Theatro Circo. Na fachada oposta, na Rua do Raio, bem em frente ao santuário romano da Fonte do Ídolo, um outra entrada dá acesso ao outro núcleo, onde será mantido um edifício romano construído na época da fundação de Bracara Augusta.
Prejuízos inesperados
Apesar de perder dinheiro, a empresa responsável decidiu aceder à sugestão de musealização feita pela UAUM. "É um contributo que damos à cidade", afirma João Carvalho. "Depois daquilo que os arqueólogos nos explicaram que estava em causa, decidimos jogar o jogo", sublinha. No total, o "jogo" representou um prejuízo de três milhões de euros para o empreendimento, entre alterações ao projecto, trabalhos a mais e rendas perdidas, garante.
José Alberto Pereira não precisou de gastar tanto dinheiro para integrar parte de um muro romano e de um criptopórtico no espaço que será o bar do hotel de design Passeio do Burgo, na Rua D. Afonso Henriques. "Investimos cerca de 100 mil euros, mas pode ser um bom investimento", garante o gerente da Atrito, a empresa de engenharia que promove a construção daquela unidade hoteleira, com abertura prevista para o segundo semestre do próximo ano. "Estamos a desenvolver um hotel temático, que mistura o design e a cultura e presta homenagem às grandes figuras da história de Braga. Preservar os achados fazia todo o sentido", sublinha.
O investimento na integração de elementos históricos em espaços comerciais pode revelar-se uma mais-valia. Foi assim com as Frigideiras do Cantinho, o café que vende os famosos pastéis de carne e massa folhada "made in Braga", fundado no século XVIII. Quase tão famoso como o pastel é o seu piso transparente, em vidro reforçado, através do qual se pode observar parte de uma casa romana e do balneário privado que lhe pertencia. É assim desde 1997 e há clientes "que vêm de propósito para ver o sítio", garante o gerente Fernando Areia. "Não era esse o primeiro objectivo, mas foi bom para o negócio", sublinha.
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no fim de contas...
RE: no fim de contas...
A riqueza arqueológica do subsolo de Braga
RE: A riqueza arqueológica do subsolo de Braga
Dão-lhes olhos mas não vêem nada!
povos
RE: povos
11 a 16 de 16
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Braga Romana?
A regra absoluta é que o conquistador introduza a propria religião. Encotraram algum local de culto romano? As minorias que se implantaram longe dos paises de origem, mantêm viva a lingua materna, commo os Boers, de origem holandesa ou os portugueses de Malaca. Hà algum vestigio suevo ou germanico em Braga?A cidade teria sido criada em 17 antes A.C. O que encontramos mais são vestigios e idolos muito anteriores a esta data.O proprio nome de "bracaro" era utilisado para distinguir os mediterranicos que usavam togas "togati", dos calçudos ou "bragati". Os gauleses também eram "bragati". Aquilo que temos de mais seguro é o culto da divindade negra de Guadalupe, que é comum a toda a Europa. Foi para esquecê-la que foi criada a Sra a Branca.Os arabes que invadiram a Peninsula em 711 eram 200, o resto do exercito, 15 000 h era berbere. Nem nos adoptamos o berbere, nem os berberes de Ceuta ou Tanger o arabe ou o português.Braga também é a cidade das P... patranhas. -
Informações complemenrares
Gostava de esclarecer que os testemunhos da herança sueva e visigótica em Braga são muito relevantes. No Monte de Santa Marta das Cortiças (Falperra) conservam-se os vestígios de um conjunto palatino (palácio) e alicerces de uma basílica anexa, provavelmente defendidos por uma espessa muralha, de que ainda sobreviveram diversos sectores. Trata-se de um conjunto único em Portugal que merecia um outro cuidado por parte da Câmara Municipal de Braga e do Ministério da Cultura. Deviam ter sido valorizado no âmbito do POC. Porque motivo foram esquecidos? Não sei. Somente foi estudada e valorizada a basílica de Dume, o que já é importante. Quanto ao período visigótico será necessário estudar em profundidade o templo de S. Frutuoso e a zona envolvente, protegendo-a de modo corajoso. De resto não faltam em Portugal outros preciosos elementos da época, como as ruínas de S. Gião da Nazaré, sobre a qual foi inquirido o Secretário de Estado da Cultura na mais recente ida ao Parlamento. O Dr. Sumavielle nada acrescentou de concreto. No que diz respeito à presença islâmica em Braga os dados são muito escassos. Talvez a sua dominação a Norte do Douro tenha sido transitória.
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Bem pensado mas pouco visto!
Reparo que alguns comentários que aqui são postos revelam, o que acho bem, um bom conhecimento da Historia de Braga mas esquecem um ponto fulcral que explica a razão de ser do esquecimento da era Visigótica e Sueva. Braga foi a capital do Reino dos Ostrogodos aderindo pouco depois à fé cristã daí que logo no final do século III depois de Cristo ser nomeado o 1º Arcebispo de Braga S. Pedro de Rates (supostamente nomeado pelo próprio São Tiago). Passados anos os dois reinos que compunham a Península (Ostrogodos e Visigodos) uniram-se na mesma coroa só que aconteceu um facto que explica os poucos indícios encontrados da desta era em Braga que foi a invasão Muçulmana que destruiu a Braga desse tempo, segundo dizem cheia de edifícios de corte romano do qual é bem visível no único exemplar que resto que pode ser visto no edifício da Biblioteca Publica de Braga junto ao Jardim de Sta. Barbara. Daí a pouca visibilidade da época visigótica de Braga a qual tem como expoente máximo na Igreja de S. Frutuoso (na época haviam dois templos importantes (Sé e Igreja de S. Frutuoso). Mas há toda a razão da questão toponímica que devia valorizar mais estas épocas através da atribuição às ruas de ...
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opinando a propósito
Então os mouros e árabes que correram com os visigodos e que ocuparam o território durante quatro séculos,não são mencionados?Certamente que êles àlem de mais de uma centena de palavras que ficaram no idioma luso,apesar de ser latino,também deixaram semente genealógica
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Bracara Augusta e Braga Sueva
Ao contrário de Mérida Braga não aprendeu a orgulhar-se de ter sido uma capital Romana Enquanto Mérida expoe muto a sua captalidade da Lustania Braga não lembra aos nossos irmãos Galegos que foi esta a capital da GaléciaA despropósito n Renascença inventou-se para Portugal O nome de Lusitanea. quando o território de origem era o sul da Galécia e o seu centro e sede religiosa era Braga.Na toponíamia bracarense nenhuma prça ou avenida honra o seu refundador Augusto. Não existe nenhuma estátua do imperador . A maior parte dos habitantes da região sabem certamente o nome do treinador e dos jogadores do club de futebol da cidade e ficam-se por aí.Também a época Sueva devia ser lembrada e novamente a capitalidade de Braga e ao menos o Rei Recaredo.Até os Alemães tratarim os primos com mais consideração Secção Toponímica arrebitem as orelhas.