Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

JOÃO ABEL MANTA E A CIÊNCIA BY CARLOS FIOLHAIS

QUARTA-FEIRA, 16 DE SETEMBRO DE 2009


JOÃO ABEL MANTA E A CIÊNCIA

Aquele que é, na minha opinião, o maior dos cartunistas português da actualidade, o arquitecto e designer João Abel Manta (nascido em 1928), filho do pintor de Gouveia com o mesmo nome, tratou a espaços temas científicos. Uma das suas caricaturas do tempo de Salazar representa um dos cientistas opositores do Estado Novo, o matemático Bento de Jesus Caraça (1901-1948), num desenho publicado originalmente no Diário de Notícias, e que foi também capa num dos números da revistaVértice e de um livro recente de Instituto de Ciências Sociais.


Talvez uma das imagens mais marcantes do humor gráfico dos tempos logo a seguir à Revolução do 25 de Abril de 1974 tenha sido a de um cartune, saído originalmente no "Diário de Notícias" em Novembro de 1974, representando um cortejo de grandes personalidades que são apresentadas ao Zé Povinho (o personagem de Bordalo ficou como figura típica do português) por um militar do Movimento das Forças Armadas que integrava as Campanhas de Dinamização Cultural que surgiram logo a seguir à Revolução. Logo à frente do grupo de personagens ilustres está o físico suíço e norte-americano de origem alemã Albert Einstein. A legenda diz:

- “Muito prazer em conhecer vocelências!”. 

Um desenho do mesmo autor e da mesma época (publicado em "O Jornal"em 1975, mostra o Zé Povinho a mostrar a Einstein num quadro um problema muito complicado, certamente muito mais complicado que os da relatividade geral, que era o da formação do VII governo provisório. O título era "Equação VII a 14 incógnitas" e a legenda era:

- “O que é que isto vai dar ó Alberto?” 

Nesta altura eleitoral, em que o problema da formação de um governo se coloca, será difícil encontrar um desenho mais actual...

Por último, um desenho ainda da mesma época, saído também em "O Jornal" em 1975, de João Abel Manta volta a mostrar um grupo de personalidades. Mas desta vez não está Einstein, mas está por exemplo o matemático e filósofo Bertrand Russel (o leitor pode tentar identificar os outros), à frente de um quadro preto, que mostra o problema que os embaraça a todos: Portugal...


Este desenho correu mundo: O livro alemão "Portugal - ein schwierigesProblem" da editora VSA, publicado em Berlim em 1976 reproduziu-o na capa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tinta aquosa à prova de graffiti




sábado, 22 de Dezembro de 2007

Tinta aquosa à prova de graffiti

Este graffito do século II, que pode ser visto no monte Palatino, um museu ao ar livre situado numa das sete colinas de Roma, é um exemplo que explica porque o termo é usado desde o Império Romano para designar uma «marca ou inscrição feita num muro».
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Embora inscrições rupestres sejam as primeiras manifestações artísticas de que há registo histórico e o ressurgimento desta pecha em tempos mais modernos, no Maio de 68, esteja associado a um movimento artístico, hoje em dia muitos graffiti não passam de puro vandalismo que desfeiam as cidades e pesam nos orçamentos das câmaras que os removem.
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Quando estive este Verão em Colónia fiquei chocada com as dimensões do fenómeno nesta cidade, em que praticamente não há uma superfície livre de rabiscos e inscrições. Não me surpreende que na Alemanha se gastem 500 milhões de euros anualmente para os remover (ingloriamente no caso de Colónia, onde até a catedral estava graffitada quando a visitei).
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Esta praga levou ao desenvolvimento de tintas resistentes a produtos químicos que permitam a remoção dos graffiti sem ser necessário pintar de novo as superfícies vandalizadas, nomeadamente tintas aquosas à base de poliuretano que podem ser utilizadas em inúmeras aplicações domésticas. Em aplicações industriais, utilizam-se tintas dispersas em solventes orgânicos (cuja secagem implica a libertação de poluentes no ar).
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Há uns dias, a Bayer anunciou ter desenvolvido um produto aquoso com elevada resistência química (e anti-graffiti), uma dispersão de poliacrilato a que chamou Bayhydrol®, a ser usado em revestimentos de comboios, carros e aviões, entre outros. De acordo com Robert Reyer da Bayer MaterialScience:
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«Revestimentos com Bayhydrol® A XP 2695 são muito melhores no que respeita a resistência química que qualquer outro sistema aquoso. Apresentam até melhor desempenho em alguns testes que revestimentos formulados com solventes orgânicos».

O novo produto da Bayer, para além de uma «resistência química extraordinária» apresenta uma elevada resistência mecânica, nomeadamente a riscos, pelo que para além de aplicações sortidas industrais e em veículos comerciais, a Bayer considera o material adequado para revestir mobiliário de cozinha. Esperemos que este novo produto torne mais fácil (e menos oneroso) andar em transportes públicos sem o aspecto do eléctrico acima reproduzido.
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6 comments:

Carlos Medina Ribeiro disse...
Pior do que um graffito num edifício recente, só um feito numa obra de Raul Lino. . Mas, pior ainda, é juntar a isso erros de ortografia, como este «AMU-TE INES» que se pode ver [aqui], repetido num edifício recente e num outro do famoso arquitecto...
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António Parente disse...
Palmira . Dou-lhe os parabéns. Um excelente post. Simples e informativo. Brilhante. . Bom solstício de Inverno ( vê como ou bom aluno? ;-) )
A.Castelo disse...
Palmira F. da Silva já pensou na quantidade e qualidade da informação histórica perdida se os romanos tivessem moralistas do espaço público tão diligentes como aqueles que, nos nossos dias, vigorosamente se aplicam a esfregar tudo o que é grafitti? Enfim, o medo da livre criação no espaço público sempre foi característico das elites; o problema é que agora manipulam químicos sofisticados que apaguem tudo. Felizmente nos nossos dias temos duas coisas muito importantes, que resolvem metade dos iconoclastas dos nossos dias: máquinas fotográficas, que documentem estas manifestações gráficas, e textos, devidamente assinados e que justifiquem a alvura de tudo o que é superfície. Enfim, alguma coisa nos valha.
perspectiva disse...
Palmira diz... . "Embora inscrições rupestres sejam as primeiras manifestações artísticas de que há registo histórico..." . Que registo histórico? Alguém registou o momento da criação das pinturas há 20 000 ou 30 000 anos atrás? . .pinturas, em si mesmas, não são um registo historiográfico. Convém não confundir as pinturas com as reconstruções evolucionistas da história, em que essas pinturas são interpretadas e datadas com base na prévia aceitação de premissas evolucionistas. . . De resto, como a própria Palmira reconhece, pinturas rupestres sempre existiram e ainda existem nas nossas cidades. . Elas coexistem com a arte mais sofisticada e com as civilizações mais avançadas. . Não é de admirar que há 2000, 3000 ou 4000 mil anos atrás populações isoladas se refugiassem em cavernas e pintassem nas suas paredes. . Os índios americanos tinham muitas pinturas nas suas cavernas, curiosamente algumas delas representando formas de dinossauros! . Na verdade, ainda hoje, em pleno século XXI, existem tribos isoladas que vivem em árvores, cavernas ou cabanas dos mais variados materiais. E muitos continuam a pintar as suas paredes. . A pictografia é uma realidade comum em toda a história. . De resto, o mesmo acontece ainda hoje em Lisboa, Paris, Londres, São Paulo, Nova Iorque, Los Angeles, etc.
guida martins disse...
"Que registo histórico? Alguém registou o momento da criação das pinturas há 20 000 ou 30 000 anos atrás?" . E as assinaturas dos autores da bíblia foram reconhecidas por algum notário? . Afinal Cristo morreu para nos salvar do quê? Há dois mil anos os factos eram registados tal e qual aconteceram. Hoje, o mesmo facto pode ser-nos revelado de formas tão diferentes quanto o número de relactores do facto. Não percebo :)
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Anónimo disse...
No Brasil "grafiteiros" são aqueles que fazem trabalhos artísticos em muros, paredes.Aqueles que fazem rabiscos e sujeiras (vandalismos) são chamados de "pixadores" pelo uso do "pixe" ou latas de "spray" . Jamil

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

150 anos de A Origem das Espécies, de Charles Darwin



24 de Novembro de 1859 e de 2009

Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.
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"A Origem das Espécies": mesa redonda multidisciplinar sobre as teorias de Darwin

A grande obra de Darwin faz 150 anos na próxima terça-feira. Para a ocasião, o Museu da Ciência organiza uma mesa redonda com um leque alargado de especialistas de diversos domínios que irão debater as implicações do livro, que permanece polémico, na ciência que se pratica hoje. A sessão tem lugar no dia 24 de Novembro, às 15 horas, no Anfiteatro do Museu. A entrada é livre.
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"Se as evidências da evolução são actualmente imensas, sendo a evolução um facto inquestionável; se as evidências da evolução humana estão também hoje profusamente documentadas, quer nos fósseis que vêm sendo descobertos, quer na informação contida em cada uma das nossas células, no ADN, como é possível que continue a existir tanta resistência a uma das mais consistentes explicações científicas que temos?", questiona Paulo Gama Mota, director do Museu da Ciência, a respeito das ideias defendidas por Darwin.
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O responsável do Museu e biólogo insiste na importância de iniciativas como o colóquio A Origem das Espécies. 150 anos, para debater o impacto que tem ainda hoje a obra, para discutir estas questões e, também, procurar compreendê-las.
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"A 24 de Novembro de 1859, foi publicado um dos livros mais influentes da história da ciência: A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Para falar da sua importância e do seu impacto na actualidade, reunimos para uma conversa o antropólogo António Bracinha Vieira, a historiadora Ana Leonor Pereira (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - FLUC), o editor Guilherme Valente (Gradiva), o filósofo João Maria André (FLUC) e os biólogos Jorge Paiva (Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra) e José Feijó (Departamento de Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Instituto Gulbenkian de Ciência) participam na discussão. A moderação da sessão estará a cargo de Sandra Inês Cruz, jornalista e apresentadora do programa "4 x Ciência".

"As ideias desenvolvidas n' A Origem das Espécies alteraram por completo a nossa visão da natureza e a compreensão de como se formou e de como evoluiu, desde que surgiram os primeiros seres vivos há 3,5 mil milhões de anos", sublinha Paulo Gama Mota. "Mas o que fez da Origem das Espécies uma obra tão radical foi que ela também alterou por completo a nossa perspectiva sobre a origem do Homem. O que a ciência nos mostra hoje, e foi implicitamente enunciado naquela obra, é que a nossa espécie evoluiu como as restantes e descende de espécies que existiram no passado. Os primatas, outros mamíferos, as aves e todas as espécies que habitam o planeta, são nossos parentes evolutivos, ainda que em graus diferentes", adianta.

Paulo Gama Mota esclarece que mesmo 150 anos após a sua publicação, as teorias de Darwin continuam a agitar as águas. "A naturalização do homem, realizada pela ciência e radicalmente proposta por Darwin, mereceu e continua a merecer ataques e rejeições em comunidades ou países em que o fundamentalismo religioso se sobrepõe ao conhecimento", acrescentando que mesmo em países desenvolvidos como os EUA, uma percentagem elevadíssima da população (44% - Gallup) pensa que Deus criou a nossa espécie tal como existe hoje. "Também na União Europeia surgem pontualmente ataques à teoria de evolução, como um secretário de Estado da educação da Polónia, ou de condicionar o seu ensino, como chegou a ser proposto em Itália. Há poucos anos, uma campanha financiada por fundamentalistas turcos fez chegar a centenas de académicos europeus obras criacionistas e gastou milhões de euros em acções de lobbying", frisa por fim o director do Museu da Ciência.

Mais informações aqui.