Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 24 de dezembro de 2011

Homenagem Evocativa de José Dias Coelho no 50º aniversário do assassinato pela PIDE


Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral 

  • do PCP, Lisboa
  • Homenagem Evocativa de José Dias Coelho no 50º aniversário do assassinato pela PIDE
* Intervenção lida por José Capucho, do Secretariado do Comité Central do PCP
Faz hoje precisamente 50 anos que, aqui muito próximo do local em que nos encontramos, «a morte saiu à rua»: a PIDE assassinou, a tiro, o camarada José Dias Coelho: «O pintor morreu». Foi um crime brutal, um dos muitos praticados pelo fascismo ao longo do seu quase meio século de existência.
Crimes que, na sua imensa maioria, incidiram sobre militantes comunistas, já que eram estes que, organizados no seu Partido, ocupavam a primeira fila da luta contra o regime fascista. Crimes que nunca é demais denunciar neste tempo em que está em curso uma intensa operação de branqueamento e negação do fascismo. Crimes que devem ficar gravados na nossa memória colectiva para que fascismo nunca mais.
José Dias Coelho nasceu em Pinhel, em 19 de Junho de 1923 e, após uma passagem, com a família, por Coimbra, onde fez os primeiros anos da instrução primária, e por Castelo Branco, onde frequentou o liceu, veio morar para Lisboa. Tinha então 15 anos de idade. Aqui, no Colégio Académico, concluirá os estudos liceais e participará pela primeira vez numa exposição, com um conjunto de caricaturas, a que a crítica se refere com apreço – e que desde logo são reveladoras do seu talento invulgar.
No Académico faz amizade com uma professora, Berta Mendes, mulher do escritor Manuel Mendes, através da qual tem acesso ao contacto com grandes figuras da vida cultural e artística de então: entre outros, Abel Manta, Keil do Amaral, Abel Salazar, Bento de Jesus Caraça, Fernando Lopes-Graça, Manuela Porto, Carlos de Oliveira, Avelino Cunhal, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Fernando Namora, Alves Redol, José Gomes Ferreira.
Por essa altura, o fascismo avançava na Europa e no mundo: terminara a guerra de Espanha, com a vitória dos fascistas, e tinha início a II Guerra Mundial, com a qual Hitler pretendia assegurar a conquista e o domínio do mundo. E por cá, Salazar concluía o processo de fascização do Estado, criando um vasto conjunto de instrumentos repressivos, designadamente a polícia política (PVDE/PIDE/DGS), o Tribunal Militar Especial, a Legião Portuguesa, o Campo de Concentração do Tarrafal – tendo previamente assegurado a liquidação dos sindicatos livres e a aprovação fraudulenta da constituição fascista.
Ainda muito jovem, José Dias Coelho aderiu àquele que viria a ser o seu partido de sempre: o Partido Comunista Português. Estava então em curso a reorganização de 1940/41, primeiro e decisivo passo para a construção dos III e IV congressos, num processo que, superando as dificuldades e as fragilidades orgânicas causadas pela brutal ofensiva repressiva dos anos trinta, transformaria o PCP num partido marxista-leninista, um grande partido nacional, vanguarda de facto da classe operária e das massas trabalhadoras, o grande partido da resistência e da unidade antifascistas.
José Dias Coelho participa nas actividades do Movimento Nacional de Unidade Antifascista (MUNAF); mais tarde integra o Movimento de Unidade Democrática (MUD), o primeiro movimento antifascista legal, criado na sequência do fim da II Guerra Mundial; e logo a seguir inicia intensa actividade no MUD Juvenil. E é como membro desta organização juvenil que conhece e se torna amigo de outros jovens, africanos, que anos mais tarde iriam dirigir os movimentos de libertação das colónias: Agostinho Neto, Marcelino dos Santos, Amílcar Cabral, Vasco Cabral. Participa igualmente na Comissão de Escritores e Artistas Democráticos e na subcomissão dos Artistas Plásticos.
A influência do Partido crescia, nomeadamente entre a intelectualidade que levava por diante uma intensa actividade simultaneamente criativa e antifascista. Num impressionante movimento cultural, a literatura e as artes plásticas, com o movimento neo-realista, dão voz à realidade do país mistificada pela propaganda fascista. Os romancistas, poetas e artistas plásticos, com a sua arte e o seu talento, são verdadeiros porta-vozes dos anseios, das aspirações, das lutas dos trabalhadores e do povo. Iniciativas como a criação, por Bento de Jesus Caraça, da Universidade Popular e desse outro empreendimento maior da história da cultura portuguesa que foi a Biblioteca Cosmos, surgem como testemunhos imperecíveis de uma resistência empenhada à ditadura e da luta por uma cultura ao serviço do povo.
Muitos artistas plásticos, entre eles José Dias Coelho – que entretanto frequentava escultura na Escola de Belas Artes e se destacava como um dos principais dirigentes da luta dos estudantes de Belas Artes pela criação da Associação Académica – resistem à imposição da mediocridade e da propaganda reaccionária e dão, de formas diversas, imagens do seu povo e da sua luta, colaboram com o seu talento criador em acções abertamente políticas pela liberdade e pela paz.
José Dias Coelho desenvolve uma activa intervenção na dinamização das Exposições Gerais de Artes Plásticas, cuja primeira se realiza em 1946 e que mostraram o que de mais válido e de maior qualidade existia nas artes plásticas de então. Por outro lado, essas Exposições reúnem pela primeira vez criadores de todos os géneros artísticos, de todas as idades e sem júri de admissão, e apresentam-se como uma frente comum liberta das pressões de carácter político impostas pelo fascismo, de que eram exemplo as exposições organizadas por António Ferro no SNI.
A enorme capacidade de José Dias Coelho para criar e desenvolver amplos consensos, a sua aguda sensibilidade política, a sua sólida preparação ideológica, o seu prestígio e a confiança nele depositada por todos os que o conheciam, inclusivamente por artistas e intelectuais bastante mais velhos do que ele, foram decisivos quer para o êxito das Exposições Gerais, quer para a concretização de várias outras acções comuns, quer para o alargamento da frente intelectual antifascista, isolando os intelectuais serventuários do regime.
Nessas Exposições surgirão nomes que viriam a afirmar-se no futuro como figuras maiores das artes plásticas portuguesas, entre eles, Rolando Sá Nogueira, João Abel Manta, Júlio Pomar, João Hogan, Alice Jorge, Rogério Ribeiro, Cipriano Dourado, Querubim Lapa, Lima de Freitas, Manuel Ribeiro de Pavia, Maria Keil, Margarida Tengarrinha, e muitos outros – jovens que integravam o vasto círculo de amigos de José Dias Coelho e sobre os quais ele exercia forte influência política.
A actividade de José Dias Coelho divide-se pelo trabalho artístico e a intervenção política. Ele participa como expositor em todas as Exposições, à excepção da primeira, com um conjunto de obras de que se destacam «Cabeça de meu Pai», «Cabeça do Pintor Sá Nogueira», «Retrato de Margarida Tengarrinha», «Cabeça de Alves Redol», «Retrato de Maria Eugénia Cunhal», «Retrato de D. Maria Isabel Aboim Inglês».
A última Exposição Geral de Artes Plásticas ocorre em 1956, quando José Dias Coelho já está na clandestinidade – e é sintomático que nessa última Exposição ele esteja representado, como expositor, com um dos seus trabalhos – o retrato da irmã, Maria Emília: era um gesto de solidariedade dos seus amigos e companheiros de luta, um gesto com o qual reconheciam o papel decisivo que ele havia representado na construção daquelas relevantes iniciativas e expressavam a admiração pelo seu talento, pela sua coerência na luta pelos seus ideais. Era também, por parte dos organizadores, a consciência do sacrifício que representara para ele ter abandonado a vida artística.
Entretanto, José Dias Coelho começara a ser conhecido pelo seu trabalho artístico, trabalha para encomendas, expõe, ficam conhecidas obras de escultura como as cabeças de Alves Redol, Fernando Namora, Rolando Sá Nogueira e Orlando da Costa; e também os retratos a carvão, da mãe e da irmã Maria Emília, premiados respectivamente com uma menção honrosa e uma medalha nos Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes. Ao mesmo tempo ilustra contos de José Cardoso Pires e o livro de Alexandre Cabral, O Sol Nascerá um Dia.
Em 1949, Dias Coelho participa na campanha «eleitoral» de Norton de Matos e é detido pela PIDE e levado para o Aljube, onde permanece incomunicável durante 10 dias. Por essa altura, realiza-se, em Paris, o I Congresso Mundial da Paz, para o qual Picasso desenha a célebre «Pomba da Paz» - que desde logo se transforma num símbolo à escala planetária - e, no ano seguinte, surge, em Portugal, a Comissão para a Defesa da Paz, que lança a campanha das «100 mil assinaturas para o Apelo de Estocolmo», na qual José Dias Coelho, se empenhará activa e intensamente.
Entretanto o Governo fascista de Salazar fora admitido na NATO e em 1952, realiza-se no Instituto Superior Técnico a reunião do Pacto do Atlântico, que viria a ser alvo de forte contestação popular, organizada pela Comissão para a Defesa da Paz e na sequência da qual José Dias Coelho e Margarida Tengarrinha são expulsos de todas as escolas do País.
Todavia, na vida de José Dias Coelho, há, como sublinha incisivamente, Margarida Tengarrinha, «uma data decisiva, o ano de 1955, que tem um real significado para entender a sua opção de vida: é em 1955 que entra na clandestinidade como funcionário do Partido Comunista Português, sabendo que a tarefa que lhe está designada é montar uma oficina de falsificação de documentos, bilhetes de identidade, licenças de bicicleta, cartas de condução, passaportes, etc, para defesa dos militantes clandestinos no trabalho de organização e nas relações internacionais do Partido» - um trabalho que ele sabia ser «obscuro, monótono, fechado, tão oposto à sua vocação de escultor e aos seus hábitos de convívio e tertúlias com os intelectuais e artistas da agitada vida cultural da Lisboa de então.», mas um trabalho que ele sabia ser de extrema importância e que só poderia ser desempenhado por um revolucionário profissional. É um trabalho que desenvolve em conjunto com Margarida Tengarrinha.
Foi a opção pelo caminho da «obscura heroicidade», na caracterização por ele feita da vida clandestina de sucessivas gerações de comunistas.
Na clandestinidade, das suas mãos e do seu talento de artista plástico saíram também numerosas gravuras de linóleo e madeira que deram um contributo decisivo para o enriquecimento gráfico de várias publicações do Partido: o Avante!, O Militante, A Voz das Camaradas, A Terra, O Ferroviário.
Nesse tempo de vida clandestina escreve, com a colaboração de Margarida Tengarrinha, o livro A Resistência em Portugal, que constitui a primeira abordagem da luta dos comunistas, dos trabalhadores e do povo contra o regime fascista.
Em finais de 1960, José Dias Coelho e Margarida Tengarrinha mudam de tarefa, passando ele a integrar a direcção do Partido em Lisboa, com a responsabilidade do Sector Intelectual, onde virá a desenvolver relevante actividade, facilitada pelo prestígio que mantinha junto da intelectualidade e pela sua imensa capacidade de diálogo. Organiza várias acções da Oposição Democrática, nomeadamente na preparação das «eleições» para a Assembleia Nacional marcadas para 12 de Novembro de 1961 – um ano no decorrer do qual o regime fascista sofreu fortes abalos.

Nesse ano de 1961, o Partido avançava decididamente na correcção do desvio de direita, na sequência da fuga de Peniche ocorrida no ano anterior. O colectivo partidário desenvolvia intensa actividade, reforçando a sua ligação à classe operária e às massas e repondo a via do levantamento nacional como caminho para o derrubamento do fascismo – e estavam em preparação as grandes lutas do início do ano seguinte, designadamente o poderoso 1º de Maio de 1962 e a conquista das oito horas de trabalho pelos assalariados agrícolas da zona do latifúndio. 1961 foi, ainda, o ano do assalto ao Paquete Santa Maria; do início da luta de libertação do povo angolano; das grandes manifestações contra a farsa que foram as «eleições» para a Assembleia Nacional fascista; da fuga de Caxias, em 4 de Dezembro, de um conjunto de dirigentes e quadros do Partido; da libertação de Goa, início da derrocada do colonialismo português.
Mas 1961 foi, também, um ano de forte repressão. Dirigentes do Partido, como Octávio Pato, Carlos Costa, Pires Jorge e Américo de Sousa foram presos. E José Dias Coelho foi assassinado, no dia 19 de Dezembro, faz hoje precisamente 50 anos. Tinha 38 anos de idade e recordá-lo é recordar um exemplo de dignidade revolucionária, de coragem, de abnegação – um exemplo que nos dá mais força para prosseguirmos, hoje, a luta pelos ideais e pelos objectivos pelos quais ele deu a sua vida.
O camarada José Dias Coelho ficará para sempre na nossa memória colectiva e constitui uma referência permanente na luta que hoje travamos – luta que foi a dele enquanto «artista militante e militante revolucionário», nas palavras de Margarida Tengarrinha, sua companheira de luta e de vida, mãe das suas duas filhas – Teresa e Margarida - e também ela militante revolucionária e artista militante.
A última gravura que o «artista militante e militante revolucionário» criou, um mês antes de ser assassinado, representa, dir-se-ia que premonitoriamente, o assassinato do jovem operário Cândido Martins (Capilé) frente a uma manifestação popular, em Almada, e tem como legenda: «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas». A esses mártires nunca os esqueceremos.
Como diz a canção da resistência, «os mortos, não os deixamos / para trás / abandonados / fazemos deles bandeiras / guias e mestres / soldados / dos combates que travamos». Ou seja: a luta continua.

terça-feira, 6 de julho de 2010

PCP - Homenagem a Alex

 

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Loures, Comício

Homenagem a Alex

Tem um profundo significado a evocação do crime brutal que constituiu o assassinato de Alfredo Diniz perpetrado pela PIDE. 
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Em primeiro lugar, porque ao evocá-lo estamos a dizer que não deixaremos que a história seja branqueada e apagada, que houve fascismo e resistência antifascista em que os comunistas tiveram um papel corajoso, decisivo e ímpar durante décadas e até à revolução libertadora de Abril, na luta pela liberdade, pelos direitos dos trabalhadores e do povo português. 
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Em segundo lugar, esta evocação é também uma forma de demonstrar que as gerações actuais de comunistas prosseguem hoje essa luta, com a convicção profunda de que as gerações futuras também a hão-de prosseguir. 
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Porque é que a PIDE assassinou cobardemente Alfredo Diniz? Por ser comunista. Por ser um lutador e fundamentalmente por ser um dirigente operário que organizava a luta. 
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Entrando para as juventudes comunistas aos 19 anos, foi preso tinha 21 anos. Com um comportamento corajoso perante a polícia, foi condenado a 18 meses de prisão. Quando Alex (pseudónimo da clandestinidade) foi libertado regressou imediatamente à actividade revolucionária assumindo responsabilidades no Secretariado de Célula da Parry & Son, no Comité Local de Almada, no Comité Regional de Lisboa e posteriormente eleito para o Comité Central no III Congresso integrando o seu Bureau Político. 
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Organizador nato, teve um papel destacado nas lutas de 1942 e posteriormente nas grandes vagas de greves de 1943 e 1944 na Região de Lisboa, Margem Sul e Ribatejo. Assim como nas grandiosas manifestações de vitória sobre o nazi-fascismo de Maio de 1945. 
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Mais do que o valor histórico tem uma grande actualidade a avaliação feita por Álvaro Cunhal que, na sua obra “Rumo à Vitória”, ao sublinhar o papel da organização do Partido nas empresas e da organização das lutas reivindicativas económicas e políticas afirmou: “As greves não se decretam, mas decidem-se e declaram-se. Para o fazer com êxito é necessário conhecer de perto a disposição das massas conhecer a evolução da luta e escolher o momento justo. 
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A percepção revolucionária e a audácia dos militantes representam um importante papel. O êxito de algumas grandes greves dirigidas pelo Partido devem-se em grande parte à acção de um militante destacado: Alfredo Diniz, operário da Parry & Son assassinado pela PIDE em 1945. Alfredo Diniz conhecia profundamente os problemas da classe operária, conhecia a classe, acompanhava dia a dia as lutas dos sectores que lhe estavam confiados, era um óptimo organizador das lutas reivindicativas e mais de uma vez foi ele a dizer audaciosamente ao Partido: o momento para a greve é agora. E acertava!
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As organizações operárias do partido devem trabalhar como trabalhava Alfredo Diniz e acrescentava o camarada Álvaro Cunhal (no Rumo à Vitória): tal como ele, ao organizarem as pequenas lutas reivindicativas devem olhar audaciosamente em frente. Procurando incansavelmente alargar as lutas, unificá-las, fundi-las, conduzi-las a etapas superiores, encontrando em cada fase as formas eficientes de organização. 
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Alex tombou assassinado pelos esbirros do fascismo, mas outros pegaram no seu exemplo durante a clandestinidade. Outros combatentes tombaram mas outros levantaram de novo a bandeira comunista e lutaram e organizaram a luta que foi determinante para a vitória da Revolução de Abril, para a conquista de direitos, para alcançarem uma vida melhor para os trabalhadores e para o povo. 
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40 anos passados desde que Álvaro Cunhal escreve o “Rumo à Vitória”, num quadro de uma ofensiva económica e social encetada pelo capitalismo a nível internacional, a que se associaram as forças da política de direita no plano nacional, o valor do trabalho passou a ser o alvo a abater e a luta e o seu desenvolvimento o que mais os faz temer. 
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Como sempre e mais do que nunca os trabalhadores e as classes populares precisam deste Partido, único a estar nas fábricas, nas empresas, nos locais de trabalho, plenamente identificado com os interesses e aspirações dos trabalhadores, que não os substitui na luta mas que está na linha da frente do combate face à escalada que, a pretexto da crise e da redução do défice, penaliza a vida dos portugueses e agrava os problemas nacionais – o desemprego, a precariedade, promove a destruição da capacidade produtiva nacional, gera o endividamento e empobrecimento do povo e o aumento da dependência do país. 
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Esse PEC sempre a ser alterado para pior, por um Governo PS que é seu dedicado executante, por um PSD seu apoiante que, tal como o actual Presidente da República, na hora de salvar a política de direita e tudo aquilo que é estratégico para os grupos económicos e financeiros, assinam por baixo para depois fazer umas demarcações tácticas, algumas picardias a pensar mais em resultados eleitorais no futuro do que nos problemas do País no presente, porque se lá estivessem fariam o mesmo, para pior, do que faz o PS. 
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Esse PEC que rouba nos salários de duas maneiras, pela via do IRS e pelo esquema do aumento dos preços aumentando o IVA, o imposto mais cego que penaliza mais quem menos pode e menos tem, que projecta já para Agosto o mais injusto e desumano ataque a todas as prestações sociais que atinge as camadas mais fragilizadas da população, desde os desempregados aos doentes acamados, desde as crianças aos deficientes, dos pensionistas de mais fracos rendimentos aos excluídos e marginalizados. 
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Como exemplo da injustiça, é no tempo em que as estatísticas revelam que o desemprego aumentou o Governo corta nos apoios aos desempregados. 
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Esse PEC que não só amnistia os responsáveis da crise, a oligarquia financeira e os grandes grupos económicos como ainda lhes oferece um festim de privatizações, milhões de benefícios fiscais, faz vista grossa à evasão fiscal com milhares de milhões de euros a pousar nos offshores. Num assomo de defensor do interesse nacional Sócrates, pronunciando-se sobre a questão do negócio da PT em relação à VIVO, considerou que a UE tem uma posição ultra-neoliberal. Então acerte o discurso com a prática! Abandone o ultra-neoliberal processo de privatizações de empresas públicas ou com participações do Estado em defesa da nossa soberania.
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Esse PEC que vê nos serviços públicos, em particular no Serviço Nacional de Saúde, um empecilho, encerrando serviços, cortando às cegas na rede hospitalar, aumentando os custos da saúde. 
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Este PEC que despreza a agricultura e o mundo rural e os pequenos agricultores, que abandona os micro e pequenos industriais e comerciantes que dependem do mercado interno e são asfixiados pelos custos dos factores de produção, pela dificuldade de acesso ao crédito e rede de distribuição da produção. Este PEC que concebe a cultura e o ensino como uma despesa e não como uma factor de emancipação e desenvolvimento social e como vertente do regime democrático. 
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Este PEC e esta política de direita que alienam cada vez mais parcelas da nossa soberania económica e política e se rendem aos ditames do directório de grandes potências da União Europeia e do capitalismo. Este PEC e esta política de direita que, servindo a quem servem e penalizando quem não devem, revelam com crueza uma opção de fundo e de classe. Salvam e apoiam os interesses de uma minoria que concentra e centraliza a riqueza e atingem em primeiro lugar e duramente os trabalhadores e todas as classes e camadas anti-monopolistas. 
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Aqui, quando evocamos um lutador, evocamos e convocamos a luta como factor decisivo para alcançar a ruptura e a mudança, construir uma uma política patriótica e de esquerda e um governo capaz de a concretizar. E, estamos conscientes de que é uma luta e é um objectivo de grande fôlego, de que temos de lutar o tempo que for preciso, num tempo em que por vezes resistir é já vencer para a construção da política alternativa e de uma alternativa política. 
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Como fez Alex, como fizeram milhares de comunistas, como fizeram outras gerações de trabalhadores, na luta pequena ou grande, na reivindicação concreta, com a consciência que, neste quadro, com este poder, com esta classe dominante pela natureza do capitalismo, não há direitos e conquistas seguras e eternas, o que pressupõe ter as vistas mais largas e lutar por uma democracia avançada, pelo socialismo como a alternativa ao capitalismo. 
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Por vezes perguntam-nos como é possível ter confiança no futuro e na luta quando a situação é tão difícil, se vale a pena agir e lutar nesta relação de forças tão desfavorável. Mais difícil era no tempo de vida de Alex. Mas animado por esse ideal indestrutível, pelas fortes convicções de revolucionário comunista, ele sabia que valia a pena lutar. E valeu, como Abril valeu. E continua a valer a pena lutar. Demonstraremos isso no próximo dia 8 de Julho, esclarecendo, mobilizando e participando na Acção Nacional de Protesto e luta convocada e organizada pela central sindical dos trabalhadores portugueses, a CGTP-IN. 
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Demonstraremos isso em todos os dias que aí vêm, justificando a razão de ser, a causa, o ideal, o projecto deste partido, que está e estará, em todos os momentos, em todas as frentes, a dar ânimo e confiança. Lá onde existe o problema, lá onde pulsa a aspiração de uma vida melhor, lá onde estão os trabalhadores e o povo, afirmando-lhes que sim, podem contar com o PCP, mas lembrando que nem o PCP, nem ninguém, os pode substituir na luta que, sendo também nossa, é sua. Que é a sua força imensa que pode decidir um outro rumo para Portugal. 
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Viva o Partido Comunista Português.
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Há 60 anos a PIDE assassinou Alfredo Dinis (Alex) criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
30-Jun-2005
Há 60 anos a PIDE assassinou Alfredo Dinis (Alex)

Maria Piedade Morgadinho

«Escondidos atrás da furgoneta os homens esperavam silenciosamente, como numa caçada. Em breve o viram aparecer. Aproveitava a descida para dar velocidade à bicicleta, naquele seu jeito destemido e moço de saborear a rapidez da corrida, o vento nos cabelos, a alegria de viver.

Um dos homens saltou detrás da furgoneta e com um encontrão fê-lo cair na beira da estrada. Quando se levantou, dum salto, estava cercado. Um tiro deitou-o por terra.

De longe, um camponês presenciara a emboscada em que José Gonçalves acompanhado de Fernando Gouveia e mais um bando de agentes da P.I.D.E., assassinaram cobardemente o comunista Alfredo Dinis.

Por que é que nesse dia 4 de Julho de 1945, na solitária estrada de Bucelas, a P.I.D.E matou esse homem?» (1)

Ao fazer esta interrogação, descrevendo no seu livro «A Resistência em Portugal» esse crime do fascismo, o escultor comunista José Dias Coelho, então na clandestinidade e também ele mais tarde assassinado pela PIDE, apresenta traços da biografia política de Alfredo Dinis.

Alfredo Dinis, que na clandestinidade usou o pseudónimo de Alex, nasceu em Lisboa em 29 de Março de 1917 e tinha 28 anos quando a PIDE o assassinou. Operário metalúrgico da Parry & Son, trabalhava de dia e à noite estudava numa escola industrial.

Aos 19 anos entrou para as Juventudes Comunistas. Preso em Agosto de 1938 pela polícia fascista foi condenado a 18 meses de prisão. Quando saiu da prisão retomou a sua actividade revolucionária. Na qualidade de secretário da célula do PCP na Parry & Son passou a fazer parte do Comité Local de Almada. Em 1943 entrou para o Comité Local de Almada. Também em 1943 entrou para o Comité Regional de Lisboa e pouco depois foi eleito para o Comité Central no III Congresso (1º ilegal) do Partido, realizado nesse mesmo ano, passando a fazer parte do então existente Bureau Político.

Alfredo Dinis desenvolveu uma intensa actividade, participou na organização das lutas de 1942 na região de Lisboa e mais tarde na organização e direcção das grandes vagas de greves de 1943 e 1944 na região de Lisboa, Margem Sul e Ribatejo, assim como nas grandiosas manifestações da vitória sobre o nazi-fascismo de Maio de 1945.

Álvaro Cunhal, na sua conhecida obra «Rumo à Vitória», ao sublinhar o papel da organização, particularmente da organização partidária dentro das empresas e da organização das lutas reivindicativas económicas e políticas, chama a atenção para as características que deve ter um quadro comunista a trabalhar no seio dos trabalhadores e para a importância da sua ligação à classe operária e apresenta o exemplo de Alfredo Dinis:

- «As greves não se decretam, mas decidem-se e declaram-se» – escreve Álvaro Cunhal. «Para o fazer com êxito é necessário conhecer de perto a disposição das massas, conhecer a evolução da luta e escolher o momento justo. A percepção revolucionária e a audácia dos militantes representam um importante papel. Vinte anos atrás, o êxito de algumas importantes greves dirigidas pelo Partido deveu-se em grande parte à acção de um militante destacado: Alfredo Dinis, operário da Parry & Son, assassinado pela PIDE em 1945. Alfredo Dinis conhecia profundamente os problemas da classe operária, conhecia a classe, acompanhava dia a dia as lutas dos sectores que lhes estavam confiados, era um óptimo organizador das lutas reivindicativas e mais de uma vez foi ele a dizer audaciosamente à direcção do Partido: «O momento para a greve é agora!». E acertava. As organizações operárias do Partido devem trabalhar como trabalhava Alfredo Dinis – sublinha Álvaro Cunhal, acrescentando: «Tal como ele, ao organizarem as pequenas lutas reivindicativas, devem olhar sempre audaciosamente em frente, procurando incansavelmente alargar as lutas, unificá-las, fundi-las, conduzi-las a etapas superiores encontrando em cada fase as formas eficientes de organização.» (2)

Passaram mais de 40 anos sobre estas palavras de Álvaro Cunhal. Presentemente desenvolvemos a nossa luta em condições muito diferentes das de então, mas elas continuam a ser tão válidas hoje como o foram ontem. Como válida continua a ser ainda hoje a herança revolucionária que nos legou Alex com o seu exemplo de militante comunista estreitamente ligado à vida e à luta da classe operária e cujo 60.º aniversário do seu assassinato O Militante assinala neste número.


(1) A Resistência em Portugal, José Dias Coelho, Inova, págs. 59, 60.
(2) Rumo à Vitória, Álvaro Cunhal, Edições «Avante!», 2.ª edição, págs. 248, 249.


«O Militante» - N.º 277Julho/ Agosto 2005
   
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domingo, 9 de maio de 2010

65 Anos da vitória sobre o nazi-fascismo - Jerónimo de Sousa



Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, Centro de Trabalho do PCP Vitória, Lisboa, Sessão Evocativa do 65º aniversário da derrota do nazi-fascismo - "Comemorar a Vitória. Lutar pela Paz"

65 Anos da vitória sobre o nazi-fascismo


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Comemorar a vitória, lutar pela paz - Jerónimo de Sousa
Comemoramos os 65 anos da vitória sobre o nazi-fascismo, um acontecimento memorável, que determinou e continua a marcar profundamente a história recente da Humanidade. A 9 de Maio de 1945 milhões de homens e mulheres festejaram na Europa o fim da Segunda Guerra Mundial, convictos e esperançosos que, depois da mais brutal e destruidora guerra imperialista, se abriria um futuro de liberdade e de paz para os povos do planeta. O amplo significado desta Vitória e o que ela possibilitou deverá estar vivo e presente na memória de todos aqueles que aspiram e lutam pela emancipação social, pela liberdade, pela democracia, pela paz, pela soberania e independência nacional.
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Assinalar a derrota do nazi-fascismo é recordar os 50 milhões de mortos, o extermínio sistemático de milhões de seres humanos, o horror dos campos de concentração nazis, os cruéis sofrimentos e privações impostos aos povos pela barbárie nazi-fascista; como é prestar a mais reconhecida e sentida homenagem aos que corajosamente lutaram, dando as suas vidas se necessário, para libertar o mundo da bestialidade fascista.
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65 Anos depois da Vitória sobre a mais violenta e terrível forma de dominação de classe jamais gerada pelo capitalismo – o nazi-fascismo –, podemos afirmar que, provavelmente como nunca o foi antes, é necessário apontar as causas e factores que levaram à ascensão do fascismo, conduzindo a Humanidade para uma das maiores catástrofes da sua história.
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Tarefa tanto mais premente para os comunistas, como para todos os democratas e antifascistas, quando o mundo é hoje confrontado com perigosas e orquestradas manobras que, procurando iludir as origens e escamotear a responsabilidade passada daqueles que incentivaram e promoveram o fascismo, tentam hoje falsear a história com o objectivo de desarmar a luta dos povos contra o imperialismo que está a colocar o mundo perante grandes perigos e ameaças.
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As infames iniciativas de deturpação da verdade histórica sobre os acontecimentos em torno da Segunda Guerra Mundial – que, sublinhe-se, têm como eixo principal o anticomunismo –, são possibilitadas pela alteração da correlação de forças a nível mundial, decorrente das derrotas do socialismo na URSS e no Leste da Europa, e elemento central da ofensiva ideológica do capitalismo no quadro do aprofundamento da sua crise, das suas contradições, dos problemas que gera e é incapaz de resolver.
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Como o PCP tem firmemente denunciado ao procurar equiparar fascismo com comunismo e apagar o papel decisivo dos comunistas na libertação dos povos do jugo nazi-fascista, o que se pretende é criminalizar, ilegalizar, reprimir, não apenas os ideais e a acção dos comunistas mas de todos os democratas que se oponham à dominação e à exploração capitalistas; o que se pretende é branquear o nazi-fascismo e fazer esquecer que este foi uma forma de organização do estado a que o capitalismo recorreu (e recorrerá sempre que necessite e consiga) para garantir a dominação e assegurar a exploração dos trabalhadores e dos povos. É por isso um dever e uma necessidade denunciar a monumental falsificação da história e o anticomunismo que esta procura promover que, como a história mostra, é sempre antidemocrático. É por isso que a defesa da verdade histórica é parte integrante das lutas que é hoje necessário travar.
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É por ter plena consciência da importância do debate ideológico em torno do significado e da oportunidade histórica que a vitória sobre o nazi-fascismo representou para a emancipação dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo, que as forças mais reaccionárias e revanchistas se lançam freneticamente na deturpação deste marcante período histórico. Tentativas de deturpação que contam, como no passado, com a conivência de silêncios cúmplices. 
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Os seus propósitos não podiam ser mais claros, procurar omitir as raízes do nazi-fascismo, a sua natureza de classe, as causas da guerra e as ambições imperialistas e de liquidação do movimento operário e popular revolucionário que a determinaram; ocultar as vergonhosas conivências e complacências dos círculos dirigentes das potências capitalistas perante os terríveis propósitos e ambições do nazismo; mas igualmente apagar o papel dos comunistas e do movimento operário na resistência ao fascismo e na luta contra a guerra imperialista; e minimizar o contributo ou, se possível, mesmo condenar o papel da União Soviética na derrota do nazi-fascismo.
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Mas, por mais que se apliquem na sua azáfama falsificadora, nada poderá apagar o contributo decisivo da URSS e do seu heróico povo que suportou o fardo fundamental da guerra, sofrendo 27 milhões de mortos e colossais perdas materiais. Foi na Frente Leste que tiveram lugar as maiores e mais decisivas batalhas da Segunda Guerra Mundial, onde foi derrotado o grosso das hordas nazi-fascistas – o desfecho de memoráveis batalhas, como as de Moscovo, Leninegrado, Stalinegrado, Kursk ou Berlim, foi vivido e festejado por milhões de homens e mulheres por todo o mundo. Valorizando a importância e contributo da Coligação dos Países Aliados, nada poderá alterar o facto de que foi o povo soviético e o seu Exército Vermelho o principal obreiro da Vitória.
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Como nada poderá apagar a luta heróica da resistência antifascista e patriótica – como em França, em Itália, na Jugoslávia, na Grécia ou na China contra o militarismo japonês – e do valoroso e determinante contributo dos comunistas que, num dos mais exaltantes exemplos de dedicação à causa dos povos e da liberdade, desde o primeiro momento e na primeira linha, apelaram e mobilizaram as massas para a resistência armada contra o jugo nazi-fascista, na qual milhares e milhares de comunistas entregaram as suas vidas.
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Objectivamente, podemos afirmar que quanto maior é o anticomunismo daqueles que se devotam à deturpação dos acontecimentos em torno da Segunda Guerra Mundial maior é o seu desejo de fazer esquecer a vergonhosa conivência de classe e a capitulação da burguesia dominante e dos seus governos perante o nazi-fascismo. Burguesia que promoveu e apoiou a brutal repressão contra os comunistas e o movimento operário; que promoveu e apoio a ascensão ao poder e o militarismo fascista; burguesia que fechou os olhos às agressões à Etiópia, à Espanha republicana, à Áustria ou à Checoslováquia – com a sua política de capitulação em Munique –, assim como à Polónia, que abandonaram à sua sorte na esperança de que o rumo da guerra se dirigisse contra o único e ainda jovem, mas já temperado, Estado socialista no mundo, a União Soviética.
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União Soviética que dava passos de gigante para a construção de uma sociedade nova, nunca antes conhecida pela humanidade, portadora de um projecto de eliminação de todas as forças de exploração e opressão social e nacional, defensora da paz e da amizade entre os povos. O contraste com o capitalismo não podia ser maior, isto é, perante um sistema varrido pela maior crise económica até então conhecida, incapaz de oferecer aos povos outra realidade senão a exploração e a guerra, surgia pela primeira vez um sistema que garantia direitos sociais sem precedentes na história da Humanidade.
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Hoje, como ontem, é necessário realçar que a Segunda Guerra Mundial foi inseparável e consequência da crise do capitalismo e da ascensão do fascismo como resposta de classe a essa mesma crise. Promovido e financiado pelo capital monopolista, o fascismo foi a resposta dos círculos dirigentes do grande capital para conter e esmagar a luta dos comunistas e do movimento operário e as grandes movimentações de massas em prol de profundas transformações sociais e do socialismo. Por detrás do brutal regime nazi estava o grande capital financeiro e industrial alemão que ansiava pelo aniquilamento das liberdades democráticas e da luta dos comunistas e do movimento operário, pelo militarismo e pela expansão do seu domínio. Se é certo que na ascensão do nazismo ao poder pesaram sentimentos de desespero e o desejo de desforra da Primeira Guerra Mundial, também é verdade que sem o apoio activo e a cumplicidade do grande capital alemão, a barbárie nazi não teria chegado ao poder. Apoio que o grande capital das grandes potências capitalistas também protagonizou, nomeadamente através do financiamento e da ajuda à expansão económica e ao militarismo alemão, contribuindo para as condições materiais que levaram ao desencadear da guerra.
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O povo português atravessou todo o período da Segunda Guerra Mundial debaixo da exploração e da opressão da ditadura fascista. A ditadura terrorista dos monopólios (aliados ao imperialismo) e dos latifundiários em Portugal conduziu à supressão das liberdades e à criação de um Estado policial, à censura, à interdição de sindicatos livres, à polícia política, à repressão massiva, às prisões e à tortura contra os comunistas, o movimento operário e os antifascistas – que, por exemplo, o Campo de Concentração do Tarrafal testemunha de forma brutal.
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O Partido Comunista Português, que desde 1926 exercia a sua acção na clandestinidade, nunca deixou de incrementar a sua luta patriótica e internacionalista contra o regime fascista. Foi nos negros e duros anos do nazi-fascismo e da Segunda Guerra Mundial, na luta contra o fascismo salazarista e ao seu apoio a Hitler e a Franco, que os comunistas portugueses se lançaram num profundo processo de reorganização que permitiu o surgimento do PCP como um partido nacional com profundas raízes entre a classe operária, os trabalhadores e as massas populares. Foi neste corajoso e dedicado esforço de reforço organizativo, de implantação e de luta que o PCP se afirmou como uma força determinante e indispensável que contribuiu, de forma decisiva, para reforçar a unidade do movimento antifascista em Portugal. Foi na heróica luta de resistência antifascista, desmascarando a falsa «neutralidade» de Salazar, e na mobilização e organização dos trabalhadores e das massas para a luta, que os comunistas portugueses reforçaram o seu prestígio entre os trabalhadores, os intelectuais e o povo português.
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A vitória sobre o nazi-fascismo teve profundas consequências na situação internacional. Ela foi a oportunidade construída que possibilitou a afirmação das forças patrióticas e da democracia, do socialismo, de libertação nacional e da paz ao nível mundial.
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Durante a Segunda Guerra Mundial, por todo o planeta os povos e os trabalhadores tinham pegado em armas para resistir. Milhões de seres humanos, outrora excluídos e espoliados de qualquer intervenção política e social, despertaram para a luta, tornando-se protagonistas e obreiros do seu próprio futuro, ousando não só «tocar» mas «conquistar o céu». 
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Foi no período aberto pela nova correlação de forças surgida da Segunda Guerra Mundial, com a formação do campo socialista, que milhões de homens e mulheres encetaram a sua emancipação, libertando-se da exploração, da opressão e levaram à derrocada dos impérios coloniais. Período em que também o movimento operário alcançou enormes conquistas sociais e políticas, abrindo caminho a progressos nunca antes alcançados na história da Humanidade, que moldaram e perduram ainda hoje na vida de milhões de trabalhadores.
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Em Portugal, sob a ditadura fascista, o povo português comemorou a Vitória em grandiosas manifestações de afirmação democrática e patriótica que fizeram tremer o regime e que levaram a momentâneas concessões que não tardariam a ser postas em causa pelo incremento da repressão anticomunista. Beneficiando da cumplicidade e da benevolência das grandes potências imperialistas e das suas alianças de classe, o fascismo em Portugal sobreviveria ao fim da Segunda Guerra Mundial, explorando e oprimindo por mais 29 anos, acabando por ser derrubado, em resultado da luta do povo português e dos povos irmãos das ex-colónias e da corajosa acção dos capitães na inesquecível madrugada libertadora de 25 de Abril de 1974.
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Neste início do século XXI, 65 anos depois da Vitória, o mundo encontra-se perante uma encruzilhada que, com naturais diferenças resultantes de novas realidades e das transformações entretanto ocorridas, apresenta, no entanto, significativos paralelos com a situação mundial que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Cavalgando no momentâneo desaparecimento do socialismo como sistema mundial, o imperialismo procura utilizar a nova correlação de forças para passar à ofensiva e recuperar o terreno perdido com os amplos processos de emancipação social e nacional e as profundas transformações e avanços conquistados pelos trabalhadores e os povos após a Segunda Guerra Mundial.
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65 Anos depois, reforçam-se os blocos político-militares, a corrida aos armamentos e o militarismo e a guerra como instrumentos de imposição de domínio intrínsecos ao capitalismo e como fuga em frente face à profunda crise com que se debate.
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65 anos depois, as forças mais reaccionárias, o grande capital financeiro e as grandes potências imperialistas que lhe dão corpo, concertam-se e rivalizam-se pela exploração e apropriação dos recursos dos povos, pelo domínio da actividade económica e dos Estados, pelo controlo do planeta – de novo, com a mesma complacência e solidariedade de classe na ingerência e na agressão à soberania dos povos.
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Hoje, como há 65 anos, está nas nossas mãos, nas mãos das forças do progresso e da paz, travar a escalada militarista e da guerra. Apesar da exploração desenfreada, a par das relações de opressão e subjugação, que nos querem impor, comemoramos a Vitória confiantes na capacidade de resistência e de luta das forças organizadas dos trabalhadores e dos povos. Como também testemunha a experiência de luta do nosso colectivo partidário, quando em 1941 parecia inevitável que a barbárie nazi-fascista tudo varresse à sua frente, quanta coragem, determinação e confiança na luta foi necessária para que, poucos anos mais tarde, a Humanidade pudesse celebrar a derrota do nazi-fascismo e a partir desta desbravar o caminho da emancipação social e nacional.
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O imperialismo ostenta ser todo-poderoso, mas não o é. Como a realidade está a comprovar, os grandes perigos resultantes da resposta de força do imperialismo à crise do capitalismo confrontam-se com a luta progressista e revolucionária. Em vários pontos do mundo os povos tomam nas suas mãos a defesa dos seus direitos e soberania, resistem das mais variadas formas e impõem revezes e recuos à estratégia de dominação imperialista.
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Hoje, como há 65 anos, o PCP reafirma a sua profunda convicção na luta pela emancipação social e nacional, na justiça dos seus valores e ideais libertadores. É com profunda consciência de que a luta é o caminho, que os comunistas portugueses reafirmam perante o povo português a sua determinação no combate às causas e às forças que estiveram na raiz do horror fascista e a sua inabalável confiança de que o futuro pertence não aos que oprimem e exploram mas aos trabalhadores e aos povos que resistem e lutam em prol da emancipação da Humanidade das grilhetas da exploração do homem pelo homem. Não ao capitalismo, mas ao socialismo e ao comunismo.
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