Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Berlusconi chama de "subversivas" manifestações contra ele

Mundo

Vermelho - 14 de Fevereiro de 2011 - 15h27

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta segunda-feira (14) que os protestos realizados por mulheres contra ele foram uma manifestação intransigente e partidária.

"Me pareceu um pretexto para sustentar uma tese jurídica que não tem nenhuma base na realidade", disse o premier, acrescentando que as manifestações ocorreram "contra a minha pessoa, da parte de uma esquerda que extrapola qualquer meio para me abater".  "Foram mobilizações subversivas e partidárias contra mim", completou ele.

Leia também
No domingo (13), centenas de mulheres foram às ruas de diversas cidades italianas protestar contra Berlusconi, a quem elas acusam de denegrir a reputação feminina. O movimento foi intitulado de ‘Se não agora, quando?’.

Denúncias

O primeiro-ministro italiano é investigado pela Procuradoria de Milão pela suspeita de ter mantido relações sexuais com menores de idade, entre elas a marroquina Karima "Ruby" El Mahroug. Os promotores acreditam que a garota participou de festas realizadas no ano passado na casa do chefe de Governo em Arcore.

"Todas as mulheres que tiveram oportunidade de me conhecer sabem quanta consideração e respeito eu tenho por elas", disse Berlusconi, em entrevista a um programa televisivo local.

Na semana passada, a Procuradoria de Milão pediu o julgamento imediato do primeiro-ministro. Os promotores afirmam que o pedido se sustenta pela "evidência de prova" contra o chefe de governo.

Fonte: Opera Mundi
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domingo, 12 de setembro de 2010

Cineasta francês Claude Chabrol morreu hoje aos 80 anos

Em Paris
12.09.2010 - 14:06 Por Lusa
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O cineasta francês Claude Chabrol, faleceu hoje, em Paris, aos 80 anos. Em declarações à Lusa a actriz e realizadora Inês de Medeiros lembra um homem que “tinha um amor absoluto pela vida e pelo cinema”.
Chabrol exibindo o prémio carreira do festival de Berlim, ganho em 2009 
Chabrol exibindo o prémio carreira do festival de Berlim, ganho em 2009 (Fabrizio Bensch)


“Para mim ele representa sobretudo o amor absoluto pelo cinema. Tinha uma necessidade absoluta de filmar, de retratar uma certa sociedade”, apontou, a propósito do desaparecimento desta importante figura da Nouvelle Vague francesa, a par de realizadores como François Truffaut e Jean-Luc Godard.

Inês de Medeiros destacou a “vasta obra” deixada por Claude Chabrol e também o facto do cineasta se ter especializado em temáticas muito próprias, como a da crueldade no seio familiar, e nos meios sociais mais fechados”.

“Ele era também um bon vivant, gostava de comer bem e de beber bem. Amava tanto a vida como o cinema”, descreveu a autora do documentário “Cartas a uma ditadura” (2006).

Inês de Medeiros realçou igualmente o “trabalho extraordinário” de Claude Chabrol com algumas actrizes, dando o exemplo de Isabelle Huppert, com quem trabalhou muito no final da vida, em filmes como “La Céremonie”, onde contracena com a actriz francesa Sandrine Bonnaire.

Destacou ainda a importância do realizador nascido em Paris, a 24 de Julho de 1930, no quadro do movimento da Nouvelle Vague, “mas com um trabalho numa vertente mais romanesca”.

Sobre as influências de Chabrol no cinema português, Inês de Medeiros avaliou que “é perceptível” em realizadores como Fernando Lopes, “num certo olhar sobre a média e alta burguesia e até os segredos familiares”.

Claude Chabrol realizou, entre outros, no início da carreira, nos anos 1950, “Le Beau Serge”, “Les Cousins”, “À Double Tour”, e na última década “A Dama de Honra”, “A Comédia do Poder” e “A Rapariga cortada em dois”.

Satirista incansável

Apreciador da boa cozinha, de personagens “monstruosos” e de literatura, Chabrol simboliza “o cinema à francesa”, ao mesmo tempo psicológico e social, quase sempre com uma marca sarcástica.

“A sua vasta obra, cheia de ironia, disseca sem concessões, por vezes com crueza e ferocidade, as zonas mais obscuras e abjectas da alma humana, mas também o desespero dos seres humanos apanhados pela fatalidade e aprisionados nos jogos de poder”, disse sobre ele Véronique Cayla, presidente do Centro Nacional do Cinema, em Paris.

Em muitos dos seus filmes, fez incursões pela província, usando uma crueza irónica para descrever os escândalos e segredos de família, denunciando a hipocrisia destinada a preservar a respeitabilidade de fachada.

Para o ministro da cultura francês, Frédéric Mitterrand, Chabrol era “um analista subtil e feroz”, dotado de um “olhar ao mesmo tempo malicioso e fulminante”. “Era um inconformista por excelência, um mestre da ironia”, disse.

Um seu predecessor no governo francês, Jack Lang, descreveu-o assim: “Ninguém melhor do que ele soube encenar a hipocrisia de uma certa burguesia”.

Apesar de os filmes de Claude Chabrol terem conhecido um grande sucesso entre o público, não foi muito recompensado ao longo da carreira, excepto por um Urso de Ouro atribuído em Berlim em 1959 pelo filme “Les Cousins”, o prémio Jean Vigo, e o Grande Prémio do Festival de Locarno, por “Le Beau Serge” (1957).

Esta última película foi a primeira que assinou e a que teve alguma importância para o surgimento da Nouvelle Vague.

Notícia actualizada às 19h01
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MarianA , Lisboa. 12.09.2010 21:39

Após leitura da notícia, nomeadamente

do subtítulo e dos seis primeiros parágrafos, fico sem saber quem querem homenagear, mas parto do principio que seja Claude Chabrol, o grande Senhor da Nouvelle Vague. Pela sua obra passam retratos cáusticos e politicamente incorrectos da pequena burguesia, ainda que salpicados de ironia e humor, com todos os seus vícios, escândalos e ódios escondidos sob uma capa de aparências artificiais e enganadoras que é preciso manter a todo o custo, para vaidade e respeitabilidade dos protagonistas. Grande cineasta, grandes filmes, grandes interpretações. Recebeu, ainda, imperdoavelmente omitidos, em 2005, o prémio René-Clair da Acedemia Francesa pelo conjunto da sua obra cinematográfica, em 2009 a Cãmara de Ouro da 59ª Berlinale e em 2010 o Grand Prix da SACD (Societé des Auteurs et Compositeurs Dramatiques).
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Óbito

Manoel de Oliveira destaca originalidade de Chabrol

12.09.2010 - 16:51 Por Lusa
O cineasta Manoel de Oliveira lamentou hoje a morte do realizador francês Claude Chabrol, aos 80 anos, em Paris, sublinhando que “a verdadeira originalidade está na personalidade de cada artista”.
Em declarações à Agência Lusa, Manoel de Oliveira, que chegou a conhecer pessoalmente Chabrol, definiu-o como “um grande realizador”.

Figura destacada do movimento da Nouvelle Vague, na década de 1950, em França, Claude Chabrol realizou, entre outros, no início da carreira, “Le Beau Serge”, “Les Cousins”, “À Double Tour”, e, mais recentemente, “A Comédia do Poder” e “A Rapariga cortada em dois”.

Sobre o trabalho desenvolvido dentro deste movimento de realizadores franceses, Manoel de Oliveira comentou que “tudo no cinema é novo”, e deu o exemplo do que aconteceu também em Itália e noutros países europeus.

“São designações que não submetem os realizadores”, considerou o decano do cinema português, que passou recentemente pelo Festival de Cinema de Veneza para apresentar a curta-metragem “Painéis de São Vicente de Fora, visão poética” (2009), sobre pintura portuguesa antiga.

“Os realizadores acabam por se afirmar, como Chabrol, como independentes. Já não pertencem à Nouvelle Vague ou a outra coisa qualquer. Pertencem a eles próprios”, resumiu o cineasta de 101 anos.

Para Manoel de Oliveira, “a verdadeira originalidade está na personalidade de cada artista, realizador ou escritor”, reiterou
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Cultura

Vermelho - 12 de Setembro de 2010 - 15h32


Cinesta francês Claude Chabrol morre aos 80 anos

O cineasta francês Claude Chabrol morreu nesse domingo (12) aos 80 anos, segundo fontes da Prefeitura de Paris citadas pela emissora France Info.

Chabrol, considerado um dos principais nomes da cinematografia francesa, nasceu em 24 de junho de 1930, e foi, além de diretor, produtor e crítico da prestigiada publicação "Cahiers du cinéma", ao lado de François Truffaut e Jacques Rivette - que, a exemplo dele, também se tornariam importantes diretores.

Em 1958 começou a trabalhar como chefe de imprensa da 20th Century Fox na França e paralelamente escreveu roteiros, rodou curta-metragens, e de forma ocasional interveio como ator em alguns filmes.

Graças a uma herança recebida por sua mulher, Agnes Goute, pode realizar seu primeiro filme, Le beau Serge, que estreou em 1959 e com que obteve o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim. Assim começou o movimento conhecido como "Nouvelle Vague", que revolucionou a história da sétima arte a partir da França e cujos 50 anos foram comemorados ano passado.

Entre os filmes de Chabrol estão alguns dos mais destacados do cinema francês, como Violette Nozière, La Cérémonie e Merci pour le chocolat. Em 2009 dirigiu Bellamy e suas últimas obras foram dois capítulos de Au siècle de Maupassant: Contes et nouvelles du XIXème siècle.

Fonte: Opera Mundi
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  • Todos Choramos a Morte de Claude Chabrol!

    12/09/2010 16h22

    Todos que gostam do bom cinema, lamentam a morte de Claude Chabrol, o cineasa das mulheres (e de temas corajosos como o aborto, etc.) e da crítica sagaz ao habiual conformismo da burguesia francesa. Chabrol e foi mas fica para a História e sua longa, densa e impotante filmogrfia. Parabéns ao Vermelho pela lembrança deste grande artista do Século XX.
    Diorge Alceno Konrad
    Santa Maria - RS
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Filme peruano é premiado em Havana


Cultura

Vermelho - 14 de Dezembro de 2009 - 17h04

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O longa-metragem A Teta Assustada, da diretora peruana Claudia Llosa, ganhou neste fim de semana o prêmio de melhor filme no Festival de Cinema Jovem de Havana. O filme, que conta a história de uma menina que enfrenta os próprios medos para conseguir dinheiro para enterrar a mãe, repetiu o feito no Festival de Berlim, quando conquistou o Urso de Ouro.

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Outro destaque latino foi o ganhador da categoria documentário, La perdida, do argentino Enrique Gabriel e do espanhol Javier Angulo, que tendo como ponto de partida a ditadura militar argentina (1976-83), fez um traçado pelos exílios de grandes personagens do país, como a atriz Cristina Rota, os sociólogos Liliana de Riz e Enrique Oteiza, o genetista Víctor Penchaszadeh, entre outros.
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Brasil

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A produção cinematográfica brasileira esteve em alta em Havana, levando oito estatuetas do prêmio Coral para casa. Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gómes e Karim Aïnouz (premiado diretor de filmes como Madame Satã e O Céu de Suely), levou o terceiro lugar do prêmio Coral de melhor longa-metragem.
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Outros prêmios que os brasileiros trouxeram na mala foram o de melhor fotografia (conquistado por Ricardo Della Rosa, com o filme À Deriva), melhor trilha sonora (para Ricardo Cruz e Waldir Xavier, de Viajo porque preciso, volto porque te amo) e o primeiro prêmio de curta-metragem (de Iberê Carvalho), além de uma menção honrosa para a co-produção Brasil- Cuba de Os minutos, As horas, de Janaína Marques Ribeiro
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O festival acontece anualmente na capital cubana e é famoso por premiar filmes latinos ou com temática latina.
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Premiações:
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Ficção: "La teta asustada", Claudia Llosa (Peru)
Curtas : "Para pedir perdão", Iberê Carvalho (Brasil)
Menção do Juri: "Os minutos, as horas", Janaína Marques Ribeiro (Brasil, Cuba)
Melhor Direção: Juan José Campanella, "El secreto de sus ojos" (Argentina)
Melhor Atriz: Catalina Saavedra, "La Nana" (Chile, México)
Melhor Ator: Ricardo Darín, "El secreto de sus ojos" (Argentina)
Melhor Roteiro: Sabine Berman, "El traspatio", Carlos Carrera (México)
Melhor Fotografia: Ricardo Della Rosa, "À deriva", Heitor Dhalia (Brasil)
Melhor Música: Federico Jusid, "El secreto de sus ojos" (Argentina)
Melhor Trilha Sonora: Ricardo Cruz e Waldir Xavier, por "Viajo porque preciso, volto porque te amo" (Brasil)
Melhor Direção Artística: Susana Torres e Patricia Bueno, "La teta asustada" (Peru)
Prêmio do público: "El secreto de sus ojos", Juan José Campanella (Argentina)
Documentário: "La pérdida", Enrique Gabriel e Javier Angulo (Argentina)
Obra Prima: "Huacho", de Alejandro Fernández Almendras (Chile)
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Fonte: Opera Mundi
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La teta assustada

16/02/2009 · 3 Comentários


magaly-solier
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O nome aí em cima chama a atenção, e marca ainda mais depois de sabermos do que se trata. Em muitos momentos da história do mundo, as mulheres sentem mais dor ou sofrem mais. No cinema, isso se mostra, documenta e se manifesta muitas vezes, e essa dura realidade me vem à cabeça. Em Ensaio sobre a cegueira, acontece um certo chamado à velha sina sexual feminina, e não se esqueçam da polêmica de o Código da Vinci, será que Maria Magdalena era realmente pecadora, ou foi mais uma forma de preconceito invenada contra a inteligência e importância femininas?
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E o ganhador do Urso de Ouro em Berlin 2009, é outro exemplo disso, e da sensibilidade e sentimento da diretora peruana Claudia Llosa. O longa peruano La teta assustada, se baseou no mito de que as mulheres estupradas na violência política do Peru, traumatizariam seus filhos ao amamentá-los. Dá um certo arrepio de pensar nisso. Há anos atrás fui assistir Monólogos da Vagina, e ainda lembro do que senti numa das passagens tristes da comédia, quando mulheres estupradas na guerra narram algumas atrocidades sofridas por elas.
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Acho que será uma corrida por aqui para assistir La Teta, quando, e se, ele vier antes da Mostra Internacional de Cinema. Pouco provável.
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http://suandonaneve.wordpress.com/2009/02/16/la-teta-assustada/
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Quem tem direito à soberania nuclear? - Breno Altman



 

Mundo

Vermelho - 9 de Dezembro de 2009 - 15h47

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O presidente Lula, na semana passada, questionou a legitimidade dos países que detêm o monopólio da bomba para se apresentarem como críticos do governo de Teerã. Mais ainda: colocou como pressuposto para um acordo sólido e democrático o desmantelamento de todos os arsenais nucleares. Foi o que bastou para a indignação estridente de alguns comentaristas.

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O mandatário brasileiro colocou o dedo em uma ferida. Quem possui autoridade para determinar quais países podem ingressar no clube atômico e quais não? Por exemplo, por que o Irã deve ser pressionado a abrir mão de seus projetos e Israel merece tolerância? A qual lógica obedece essa discriminação?
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Retornemos um pouco no tempo. O documento que serve de base institucional para essa arbitragem é o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e foi assinado em 1968. Naquele momento, no auge da Guerra Fria, cumpriu papel de conjurar os riscos de um conflito atômico.
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Com o mundo dividido em dois campos, a restrição ao uso militar da energia nuclear nas mãos das duas superpotências, União Soviética e Estados Unidos, limitava as possibilidades de conflagração a partir de países que escapassem da hegemonia bipolar.
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Na prática, os Estados alinhados a uma ou outra das superpotências delegavam sua defesa estratégica à nação-líder do sistema político-econômico a que pertenciam. Não foi uma regra de fácil implantação: França e China, membros do Conselho de Segurança da ONU, assinaram o tratado apenas em 1992. Obviamente um acordo com esse perfil reforçava o papel hegemônico de soviéticos e norte-americanos.
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A fórmula continha, além do duopólio nuclear, regras de contenção que forçavam relativa paridade entre os dois campos, evitando que a supremacia de um ou outro lado, geradora de vantagem comparativa insuperável, servisse de incentivo a puxar o gatilho.
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O equilíbrio atômico impedia o choque entre União Soviética e Estados Unidos. Também estabelecia limites para intervenção militar em guerras regionais, como foi o caso do Vietnã, onde as forças americanas não puderam recorrer a seus arsenais nucleares. Por fim, ao bloquear a proliferação de armas dessa natureza, reduzia as chances de uma hecatombe que fluísse da periferia para o centro dos sistemas em disputa.
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Hegemonia imperialista
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Mas o cenário que deu origem a esse tratado caducou. Após o colapso soviético, o mundo mergulhou em uma situação de forte desigualdade militar, marcada pela preponderância dos Estados Unidos, que assumiram uma função pretoriana e unilateral sobre a questão atômica.
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As conseqüências geopolíticas dessa disparidade são visíveis. A Casa Branca pôde, nos últimos 20 anos, comandar guerras de dominação ou ocupação que possivelmente seriam inviáveis no passado. Apenas para lembrarmos os fatos mais notórios: os processos de pacificação da Iugoslávia, do Iraque e do Afeganistão, teriam ocorrido na era da bipolaridade?
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Os aliados regionais de Washington passaram a contar com uma margem de manobra muito ampla. A situação mais emblemática ocorre no Oriente Médio. O desequilíbrio bélico a favor de Israel, apesar desse país até hoje ter se recusado a assinar o tratado de não-proliferação, é pedra angular na política norte-americana.
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A fragilidade defensiva e ofensiva de palestinos e países árabes, além do Irã, garante ao sionismo não apenas a segurança das fronteiras israelenses como também a execução de uma política expansionista praticamente ilimitada. O desequilíbrio militar, afinal, é uma premissa para a hegemonia imperialista.
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A verdade é que os Estados Unidos, com a cumplicidade de outras potências atômicas, lograram fazer do velho tratado um instrumento de sua supremacia, exatamente um dos cenários que se desejava evitar há 40 anos. Os norte-americanos não são fortes o suficiente, por exemplo, para exigir a liquidação dos arsenais de Rússia e China, mas tratam de impedir que surjam novos protagonistas nucleares que desorganizem sua estratégia de poder.
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Afinal, até países com economia frágil, incapazes de manter exércitos regulares dotados com os equipamentos mais modernos, poderiam desenvolver o ciclo atômico completo e criar um arsenal tático, com poder dissuasório ou de médio alcance, ampliando sua capacidade defensiva. A Coreia do Norte, que rompeu com o tratado em 2003, é uma evidência dessa possibilidade.
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Validade vencida
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Não há qualquer sensatez, é evidente, em se apostar na disseminação do poderio nuclear como caminho para a paz. Mas a renúncia unilateral ou forçada à soberania atômica, nos termos atuais, significaria aceitar como imutável a geopolítica da supremacia.
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O presidente Lula, com seu modo cordato, deixou claro que o antigo tratado está com validade vencida. Suas palavras apontam para outro tipo de acordo, baseado na igualdade de todas as nações perante a lei internacional. Fora desse parâmetro, é o reino da hipocrisia.
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Breno Altman é jornalista e diretor de redação do Opera Mundi.

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A despedida pública de Victor Jara, 36 anos após sua morte



 

 

América Latina

Vermelho - 7 de Dezembro de 2009 - 14h28

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Nem a longa espera e o sol quente foram suficientes para afastar os milhares de chilenos que acompanharam, com um cravo vermelho na mão, a despedida ao cantor Victor Jara, 36 anos após seu assassinato. Jará foi torturado e morto no estádio Nacional, uma pequena instalação esportiva vizinha ao palácio presidencial de La Moneda, pouco depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973.

Enterro victor jara Multidão acompanhou o cortejo
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Em 12 de setembro daquele ano, mais de 600 estudantes, professores, e funcionários da Universidade Técnica do Estado foram concentrados à força no estádio. Eles tinham permanecido na universidade com a intenção de defender o governo da Unidade Popular do presidente socialista Salvador Allende contra o golpe desencadeado pelo general Augusto Pinochet. Destacado militante comunista, Jará foi golpeado e submetido a varias sessões de tortura durante cinco dias, antes de falecer.
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Semana passada, a viúva, Joan e suas filhas Amanda e Manuela, junto com a fundação Victor Jara, decidiram organizar a despedida pública a qual ele não teve direito em 1973, quando seu corpo foi encontrado. Naquela época, Joan sepultou clandestinamente os restos mortais de seu companheiro acompanhada de apenas duas pessoas.
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O funeral público acontece após a exumação do corpo, em 4 de junho passado. A família quis aproveitar as novas tecnologias do Instituto Genético de Innsbruck, na Áustria, para saber o que tinha realmente acontecido. Os médicos concluíram que Jara morreu de múltiplas feridas e que tinha recebido mais de 30 tiros.
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Jovens em massa
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Um velório de três dias foi organizado, desde quinta-feira (3), na Praça Brasil, bairro ainda marcado pela presença da esquerda. Milhares de pessoas suportaram filas de várias horas para poder tocar o caixão do músico e, sobretudo, escrever algumas linhas nos três livros de condolências dispostos na calçada, enquanto grupos folclóricos dançavam e outros declamavam poesia ou cantavam.
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“Você representa o melhor da juventude”, escreveu Nicolas Valencia, 19 anos. O estudante de direito nem tinha nascido quando a democracia foi restabelecida em 1999, com a saída do general Pinochet da presidência, 17 anos após o golpe. Mas para ele, era fundamental acompanhar o funeral. “Victor era um grande lutador, ele soube falar da pobreza do povo em suas canções, é por isso que a ditadura o matou”, afirma, ao lado de vários colegas da universidade.
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Nicolas interrompe a conversa para gritar, junto à multidão “Victor Jara vive! Victor Jara presente!”. Emocionado, ele espera sua vez para entrar no velório. “Olha, colocaram o poncho que ele usava sempre!”, diz, antes de acariciar a madeira do caixão com solenidade.
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A dois metros de distância, Fedora Demsky Verdugo observa a cena com um sorriso. Ela tem 59 anos e, comunista convencida, lembra de cada minuto do golpe e da repercussão da morte do cantor. “É bom ver tantos jovens”, diz a funcionária do Ministério da Educação. De fato, a metade do público tem menos de 25 anos. “Não sei se os adolescentes sabem toda a história, mas a presença deles aqui é o sinal de que eles rejeitam a injustiça e a desigualdade que estão cada vez maiores no Chile. A mensagem de Victor é mais forte que nunca”, analisa.
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Fedora guarda, porém, um motivo de tristeza: “ninguém pagou pela morte de Victor, justiça não foi feita”. Em maio passado, um juiz decidiu processar o ex-oficial Jose Adolfo Paredes Márquez, considerando-o um dos autores do assassinato do cantor. O acusado negou e foi libertado pelo tribunal, que considerou que faltavam provas sólidas.
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Candidatos
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A uma semana da eleição presidencial, no domingo (13), vários políticos fizeram questão de aparecer no velório, começando pela própria presidente Michelle Bachelet. “Acredito que finalmente, trinta e seis anos após sua morte, Victor pode descansar”, declarou Bachelet, que termina seu mandato com uma popularidade de cerca de 80% - no Chile, a reeleição é proibida pela Constituição.
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O esquerdista Jorge Arrate foi o único dos quatro candidatos presidênciais – além dele também Eduardo Frei, Sebastian Piñera e Marco Enríquez-Ominami – a acompanhar o enterro desde o velório até o Memorial dos presos desaparecidos, no cemitério geral de Santiago. “Victor simboliza o triunfo da memória”, declarou o candidato, atualmente na quarta posição das intenções de voto dos eleitores, segundo as pesquisas.
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O autor de canções como El cigarrito e Te recuerdo Amanda, que os intérpretes Silvio Rodriguez, Joan Manuel Serra e Joaquim Sabina incorporaram aos seus repertórios, chegou finalmente à porta do memorial, onde sua família e um grupo de amigos se recolheram em uma cerimônia intima. Fora, a festa em sua homenagem continuou, com vários grupos preparando o palanque para cantar até a noite.
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Fonte: Opera Mundi

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Nasa confirma: há quantidade significativa de água na Lua


 

Geral

Vermelho - 13 de Novembro de 2009 - 21h04

A Agência Espacial Nacional dos Estados Unidos (Nasa) anunciou nesta sexta-feira (13) a descoberta de uma quantidade significativa água na Lua, o que abre um novo capítulo na prospecção do satélite terrestre.

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No dia 9 de outubro, a Nasa fez a sonda LCROSS e seu foguete Centauro se chocarem contra o fundo da cratera Cabeus, no polo sul da Lua, em uma operação que buscava confirmar a presença de água no solo lunar.
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A colisão levantou uma coluna de material do fundo de uma cratera que não recebeu a luz do Sol por bilhões de anos, explicou a Nasa.
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Os dados preliminares obtidos da análise desses materiais "indicam que a missão descobriu, com sucesso, água (...) e esta descoberta abre um novo capítulo em nosso conhecimento sobre a Lua", afirmou a Nasa.
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"Estamos muito entusiasmados", declarou o cientista Anthony Colaprete, da equipe do projeto LCROSS no Centro Ames de Pesquisa da Nasa, em Moffett Field (Califórnia, EUA).
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"Muitas linhas de testes mostram que havia água presente tanto no vapor levantado quanto nos escombros projetados pelo impacto da Centauro", acrescentou.
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"A concentração e a distribuição de água e de outras substâncias requerem mais análise, mas podemos dizer com segurança que Cabeus contém água", afirmou Colaprete.

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Fonte: Opera Mundi

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A poesia de Manoel de Andrade e seus laços com a América Latina

Cultura

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Vermelho - 21 de Agosto de 2009 - 11h21

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Hoje gerente de uma empresa da área médica, o poeta brasileiro Manoel de Andrade se destacou nos anos 70 pelos versos nos quais expressava o sentimento do homem latino-americano no livro Poemas para a Liberdade, reeditado recentemente em edição bilíngue no Brasil (Escrituras Editora). Sua forte ligação com a América Latina começou no final dos anos 1960, quando saiu do Brasil devido à perseguição política pela luta estudantil contra a ditadura e, especificamente, por um poema que escreveu em homenagem a Che Guevara.

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Por Julio Daio Borges, no Opera Mundi

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Manuel de Andrade - poeta

Manoel de Andrade, um brasileiro que escreve para toda a América Latina

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Na viagem, percorreu 15 países latino-americanos, onde viveu, segundo ele, sua universidade poética, apesar de ter sido preso e expulso de alguns deles. Em cada cidade, aproveitava o tempo para estudar, aprender o idioma espanhol e ler grandes escritores.

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Os frutos da empreitada resultaram em reconhecimento internacional, com o livro Poemas para la Libertad publicado na Bolívia, Colômbia, Equador e Estados Unidos, além de edições panfletárias no Peru, Nicarágua, El Salvador e México.

De volta ao Brasil, em 1972, não exerceu mais sua vocação e só voltou à poesia mais de 30 anos depois, com a publicação do livro Cantares, em 2007. Leia abaixo a entrevista:

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Qual foi o impulso para reeditar Poemas para a Liberdade (1970) hoje?

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Primeiramente pela grata recepção que teve meu livro Cantares, lançado em 2007. E, depois, pela memória de 1968, relembrando as bandeiras da luta estudantil empunhadas por minha geração. Recordar toda nossa corajosa resistência, como porta-vozes da sociedade contra o regime militar, me fez relembrar também meus anos de luta pela América Latina, onde minha trincheira e meu fuzil foram os meus Poemas para la Libertad, finalmente editados no Brasil.

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Você é um dos únicos casos que conheço de poeta brasileiro que escreveu para a América Latina inteira (e obteve êxito) – como aconteceu essa sua ligação tão forte com o idioma de Cervantes?

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A ligação antiga foi a leitura dos clássicos espanhóis na juventude e a imediata foi a convivência diária com o idioma castelhano em meu imenso caminhar. Ao longo dos 15 países que percorri, tinha o hábito de reservar as primeiras semanas para ler, nas melhores bibliotecas, sua história política e literária e seus principais poetas e prosadores. Aprendi muito rápido: lendo muito, falando e escrevendo.

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Sua saída do Brasil está relacionada a um poema seu em homenagem a Che Guevara. Quando ele morreu, era tão perigoso assim homenageá-lo no Brasil?

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Quando ele morreu, em 8 em outubro de 1967, ainda não existia o AI-5 [Ato Institucional nº5]. Saudação A Che Guevara foi escrito para comemorar o primeiro ano de sua morte. O poema colocava, liricamente, a sua imagem de comandante no centro dos movimentos revolucionários do continente, convocava a luta armada e saudava a sua imortalidade como uma consigna triunfante na conquista de um mundo novo.

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Quatro mil cópias foram panfletadas até o início de dezembro, quando a nação já respirava uma atmosfera carregada pelo pressentimento de uma surda e sinistra ameaça por trás dos biombos do poder. No dia 13 de dezembro, a edição do AI-5 sufocou os últimos suspiros da democracia.

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Em março, o DOPS [Departamento de Ordem Política e Social] já tinha em mãos cópias do meu poema, e a caça às bruxas já havia começado no país inteiro. Eu já estava sendo procurado nos recintos universitários, e os suspeitos de subversão eram presos, mantidos incomunicáveis, e alguns começaram a sumir. Nesse perigoso contexto, eu saí do Brasil.

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Como foi percorrer 15 países por conta da sua obra, que foi, finalmente, editada em livro na Bolívia em 1970? Hoje seria possível algum poeta brasileiro experimentar uma acolhida remotamente parecida?

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A América Latina foi minha grande universidade. Com meus versos na garganta, muitos percalços e alegrias pelos caminhos, preso e expulso de alguns países, mas avançando sempre rumo ao norte, meus poemas atravessaram o continente, cruzaram o Rio Bravo e foram cantar a justiça e a liberdade nas próprias entranhas do “monstro” imperialista.

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Ecoaram na Califórnia de 40 anos atrás, para dizer da saga revolucionária latino-americana aos nossos irmãos chicanos, cuja latinidade, maculada pelo esbulho da própria pátria mexicana, buscava forças em suas raízes para lutar contra a discriminação, as humilhações e as injustiças após 150 anos de genocídio cultural, com a anexação, em 1848, do Novo México, Arizona, Califórnia, Utah, Nevada e Colorado ao território estadunidense.

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Por outro lado, não creio que hoje se possa experimentar uma acolhida tão solidária como aquela fraternidade ideológica que envolveu a América Latina nos anos 70. A Revolução Cubana acendeu uma fogueira que iluminou a tantos e nos sulcos das suas trincheiras muitos nos alinhamos, segurando o mesmo estandarte.

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O mundo mudou e hoje eu não cantaria mais a mudança do mundo com as armas na mão. O muro de Berlim se despedaçou sobre nossos sonhos. A Rússia centralizou sua “democracia” e a China negociou o socialismo com o “Capitalismo de Estado”. É triste dizer que, hoje, não temos mais uma utopia.

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Mas a consagração, aqui, só veio em 1980, graças a Moacyr Félix e Wilson Martins... Como foi esse reconhecimento tardio?

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Na verdade esse foi um reconhecimento solitário e prematuro. Meu primeiro livro publicado no Brasil foi Cantares, em 2007. Meu nome começou a surgir no cenário poético paranaense em 1965, quando minha poesia foi premiada num concurso literário, e por minha participação na Noite da Poesia Paranaense no Teatro Guaíra, onde lancei, solitariamente, minhas primeiras farpas contra a ditadura.

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O destaque para minha poesia chegou, em fins de 1968, pelas amplas portas que o jornalista Aroldo Murá abriu no “Diário do Paraná” e pela minha longa “Canção para os homens sem face”, publicada em dezembro daquele ano na Revista Civilização Brasileira, onde pontificava a elite intelectual de esquerda brasileira e mundial. Mas em março de 1969 deixei o país e me coloquei no olho do imenso furacão ideológico que agitou o continente.

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Minha poesia amadureceu nesse embate e frutificou nas edições de meu livro na Bolívia, Colômbia, Equador e Estados Unidos, além de edições panfletárias no Peru, Nicarágua, El Salvador e México. Quadros, cartazes, revistas, jornais, panfletos, recitais, palestras e debates foram os caminhos por onde transitaram os meus versos, partilhando também páginas de antologias com Mario Benedetti, Juan Guelmann e Jaime Sabines entre outros. Mas tudo isso fora do Brasil.

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Apesar de você já ser uma promessa, nos anos 60, ao lado de Paulo Leminski e Dalton Trevisan, se ressente de não ser considerado, pela crítica especializada, tão importante quanto eles?

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E nem poderia sê-lo. Voltei a ocupar esse espaço há dois anos, depois de 40 anos de ausência. Os que se lembram do poeta que fui têm hoje mais de 50 anos. Eu era uma promessa? Talvez literariamente realmente fosse. Mas esse tipo de importância nunca o foi para mim. Encaro o significado da vida numa dimensão muito maior que a literária. Quanto à crítica especializada de hoje, não crio expectativas em relação ao reconhecimento da minha poesia.

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Meu livro Poemas para a Liberdade não é apenas mais um livro no mercado editorial, mas um documento histórico e político. Sua verdadeira importância está na expressão literária de um sonho que transcendeu as fronteiras do espaço e do tempo, e a crítica atual, com raras exceções, despreza a ideologia.

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Meu respeito pelas palavras, a reverência do meu estilo e a clareza cartesiana com que escrevo meus versos não fazem concessões ao mero intelectualismo e aos paradigmas da pós-modernidade.

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A crítica que me gratifica são os comentários sinceros que fazem na Internet aos meus poemas. Como me gratifica ver este meu livro citado publicamente por um grande escritor como Domingos Pellegrini, com dois Jabutis nas costas, e que, em mensagem a mim enviada, relembra a mesma bandeira que desfraldamos no passado e confessa que meus Poemas para a Liberdade lavaram sua alma.

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E o que andou fazendo de 1980 pra cá?

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Voltei em meados de 1972, quando o país passava pela sua mais aguda fase de repressão. Era a época da Guerrilha do Araguaia e quando a Anistia Internacional revela ao mundo o nome de centenas de torturadores e de milhares de torturados no Brasil. Depois de alguns meses, os agentes do DOPS já estavam à minha procura. Transferi minha [carteira da] OAB para Santa Catarina, na esperança de advogar em meu estado. Também lá não foi possível assumir publicamente qualquer trabalho.

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Neste anonimato voltei para Curitiba e fui vender a Enciclopédia Delta Larousse. Era uma forma itinerante de trabalhar pelo interior sem que os agentes do DOPS me localizassem. Profissionalizei-me rapidamente, cheguei ao topo na hierarquia dos títulos nacionais e tive um grande sucesso financeiro.

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Em 1987, já na abertura democrática, ingressei na área gerencial de uma empresa de medicina de grupo onde estou até hoje. Durante todo este período, embora não tenha escrito poesia, fui sempre um leitor insaciável e sempre envolvido com o voluntariado.

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Foi difícil retomar o caminho da poesia em Cantares (2007)?

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O caminho pelo qual retornei à poesia deu-se de forma intrigante em termos de inspiração poética: em setembro de 2002, durante a campanha eleitoral para governador no Paraná, meu velho amigo Roberto Requião foi covardemente atacado, na mídia, com uma série de infâmias e inverdades pelos seus inimigos políticos.

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Indignado com tanta mentira, comecei a rabiscar um poema relembrando sua coragem, depois do golpe de 1964, quando partilhamos sua afiada oratória e minha poesia nos protestos estudantis contra a ditadura. Relembrei, sobretudo, seu gesto solidário quando, em março de 1969, me ajudou a sair do país, num dos momentos mais difíceis da minha vida. Este poema chama-se Tributo e consta do livro Cantares, e foi com este poema que voltei a escrever poesia depois de 30 anos.

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E aquele sonho, dos anos 60, acabou mesmo – como disse John Lennon?

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O sonho tem a dimensão que lhe queremos dar e sempre acreditei que o DNA dos poetas é feito de sonhos. Embora aquele sonho dos anos 60 tenha acabado, nos restou a indignação por termos que arriar tantas bandeiras. E essa indignação, que caracteriza toda a humanidade contemporânea, é a nova tese no misterioso processo dialético da própria vida que se renova, sobrepondo-se a todos os reveses. Em algum lugar sempre haverá alguém sonhando, ou nascendo para sonhar com um mundo novo, assim como Colombo um dia sonhou com o Novo Mundo.

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*Julio Daio Borges é editor do DigestivoCultural.com

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Fonte: Opera Mundi

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