Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

"A Guerra" - 3ª série do documentário de Joaquim Furtado

A 5 de Maio

Última temporada de "A Guerra" arranca na próxima semana na RTP

Público - 28.04.2010 - 21:08 Por Lusa
A terceira temporada de "A Guerra", a última parte desta série da RTP sobre a guerra colonial portuguesa, apresentada hoje pelo autor e realizador, Joaquim Furtado, tem início na próxima quarta-feira.
Esta é a terceira e última série do documentário de Joaquim 
Furtado 
Esta é a terceira e última série do documentário de Joaquim Furtado (DR)

"A primeira série foi um trabalho reconhecido como pioneiro e distinguido como momento alto da programação da RTP1. Estou optimista quanto ao sucesso destas séries", disse Joaquim Furtado.

Compõem a última parte de "A Guerra" seis episódios, numa primeira fase, e mais oito, na parte final do ano, relativos ao que acontecia na Guiné, em Moçambique e em Angola entre 1969 e 1973.

"Acompanha-se o declínio do período de Marcello Caetano e a degradação militar das Forças Armadas Portuguesas", adiantou Joaquim Furtado.

"Acontecimentos na guerra da Guiné e a importância da aviação, nomeadamente do helicóptero. O uso do napalm pelos portugueses, os ataques a quartéis, por parte do PAIGC [Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde]. O general Spínola, governador e comandante chefe, que desencadeia a Operação Mar Verde (em Novembro de 1970), para decapitar o PAIGC e retirar-lhe o apoio da Guiné-Conacri, são passados à imagem", frisou o realizador.

Em Moçambique, "A Guerra" acompanha o percurso de Baltazar Rebelo de Sousa, governador geral do território, que promoveu uma política de integração na área cultural e uma aproximação à comunidade muçulmana.

Durante anos, a Marinha do vizinho Malaui foi comandada por oficiais da Armada Portuguesa que controlavam as águas do lago Niassa. O general Kaúlza de Arriaga, comandante chefe, desencadeou a operação Nó Górdio (em Junho de 1970), a maior de toda a guerra. A guerra vai centrar-se então no distrito de Tete, onde grande parte das forças portuguesas ficam afectas ao dispositivo de defesa da obra de Cabora Bassa, de acordo com o autor.

"Em Angola, o MPLA em 1973 revolta-se para destituir Agostinho Neto, na chamada Revolta de Leste, liderada por Daniel Chipenda. No plano português, Marcello Caetano perde terreno internamente, comprometendo a sua posição no plano externo. Marcello sela esse desequilíbrio ao propor a renovação da reeleição de Américo Tomás, o que precipita a revolução do 25 de Abril", acrescentou o jornalista da RTP.

Este conjunto de programas tem como objectivo principal "contar acontecimentos que ainda hoje têm repercussões na vida dos portugueses e que não estavam suficientemente bem contados, episódios da história da guerra que não eram conhecidos de uma forma proporcional à importância que a guerra teve".

"Espero que seja um contributo para que se fale da guerra de uma forma mais desdramatizante", finalizou Joaquim Furtado.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Guerra Colonial - Preâmbulo na RTP


* Correia da Fonseca

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Durante anos, o jornalista Joaquim Furtado trabalhou numa longa série acerca da Guerra Colonial que a Radiotelevisão Portuguesa começou a transmitir na passada terça-feira e se prolongará por dezoito semanas. Quarenta e seis anos depois da sua eclosão, trinta e dois após o seu termo, bem se pode dizer que era tempo; mas é preciso acrescentar que o longo silêncio lançado ao longo de tanto tempo sobre os anos finais do colonialismo português em África não foi casual nem inocente: denuncia a presença hegemónica, pelo menos desde finais de 75, de sectores de algum modo ligados ao colonialismo e ao seu espírito nos efectivos comandos dos media portugueses, com óbvio destaque para a televisão. Ora, aconteceu que um pouco como preâmbulo à transmissão da série, o «Prós e Contras» que Fátima Campos Ferreira gere há não sei quantos anos dedicou a esse assunto a emissão da passada segunda-feira. O programa, coitado, começou mal logo pelo título: na esteira de uma discutível hesitação de Joaquim Furtado quanto ao título da própria série, coibiu-se de chamar à Guerra Colonial àquilo que ela foi, colonial. Assim se pouparam as sensibilidades colonialistas que, como depois se viu, estavam fartamente representadas no teatro/estúdio Armando Cortês, e se proporcionou uma controvérsia de surpreendente obsolescência sobre o carácter da guerra. E depois continuou mal, ou pior que isso, nas primeiras imagens transmitidas: as terríveis e conhecidos fotos dos massacres cometidos a 16 de Março de 61 pela UPA de Holden Roberto, o homem dos americanos, identificando-as com o início da rebelião, de facto começada a 4 de Fevereiro com o ataque às prisões de Luanda por gente do MPLA. Como se percebe, aquele «Prós e Contras» estava mesmo mal encaminhado, e não parece que só por acaso. Nos primeiros minutos pareceu que ele podia ser salvo pelas intervenções do coronel Matos Gomes, e nesse período chegou mesmo a surgir o dado mais interessante em toda a noite: a acusação, sustentada por mais de um testemunho, de que Salazar teria sido avisado com alguma antecedência do ataque que a UPA desencadearia e que só não tomou qualquer providência de defesa por motivos «estratégicos» de política interna. A ser assim, é mais um grave crime a acrescentar ao extenso e pesado cadastro do ditador. Registe-se que Jaime Nogueira Pinto, devoto de Salazar e ali presente em destacado lugar, nada objectou quanto ao que acerca deste ponto foi dito, o que será significativo.

Espoliados, quais?

Além de Nogueira Pinto estavam no teatro abundantes saudosos do colonialismo que tiveram oportunidade de exprimir o seu acendrado patriotismo. Homens dos movimentos de libertação africanos é que estavam poucos, dois por junto. De entre os nostálgicos do passado colonial destacou-se pelo verbo incandescente e pelo disparate um senhor tenente-coronel, Ferreira de seu apelido, que sustentou iradamente que a ocupação colonial portuguesa remontaria aos finais do século XV, o que é violentar a História mais do que a elementar probidade permite. Mas também por lá estiveram e debitaram as suas razões os porta-vozes da saudade civil, ditos «os espoliados» (em tempos designados por «retornados» ou «devolvidos», esta segunda qualificação parecendo em certa medida esclarecedora). É claro que têm eles todo o direito a ser compreendidos, tanto mais que, como disse Lucas Martins, que veio de Angola, por lá «vivia-se bem». Também se disse que «Portugal vivia do que vinha de Angola e de Moçambique», afirmação que, a ser verdade, constituiu um depoimento comprometedor acerca da generosidade da acção civilizadora de Portugal em África. Porém, o mais importante é, sem dúvida, que quando se fala de «espoliados» a propósito da presença portuguesa em África é elementar dever, por lucidez e por obrigação ética, falar das populações africanas, essas sim, espoliadas de tudo, a começar pelo direito à vida, durante séculos. Ora, isso nem de longe aconteceu ao longo deste «Prós e Contras», e não sei se essa omissão não deve ser considerada intelectualmente criminosa; sei, isso sim, que despojou o programa de credibilidade e de respeitabilidade. Fico a fazer votos para que, embora referida apenas ao tempo de guerra, a série de Joaquim Furtado não incorra em défice equiparável. E quero acrescentar que tenho quanto a essa equidade indispensável uma expectativa optimista.
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in Avante - Nº 1768 - 18.Outubro.2007
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Gravura - Goya - Desastres da Guerra
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Para ver a série completa das gravuras de Goya ver - > Goya -Los desastres de la guerra