Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

“O Pequeno Nicolau”: Descobertas infantis

Colunas

Vermelho - 20 de Agosto de 2010 - 9h24


Cloves Geraldo *

Universo infantil e relações da classe média com a burguesia são o centro deste filme do francês Laurent Tirard.

             Comédia aparentemente despretensiosa sobre a infância e as relações entre a classe média e a burguesia, “O Pequeno Nicolau”, do francês Laurent Tirard, diverte ao lembrar os temores do garoto Nicolau (Máxime Godart) de vir a ter um irmão e a luta de seu pai (Kad Merad) para agradar o patrão. Nada no filme é forçado, construído para dar a impressão de que o diretor conduz a ação para este ou aquele caminho. Os personagens interagem em seus espaços, sem que o espectador tenha que ligar um fato ao outro. Eles, como nas melhores comédias, encerram-se na sequência, que não precisa ser completada pela que vem a seguir.              
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                  Tirard e seu co-roteirista Grégoire Vigneron, a partir do livro de René Goscinny (autor de “Asterix”) e Jean-Jacques Sempé, estruturam núcleos de ação e deles retiram humor e drama. O filme gira em torno do grupo de garotos que, entre a escola e a família, tem que se acomodar às descobertas de sua idade e às brincadeiras não tão infantis assim. Em casa Nicolau começa a se interessar pelas conversas entre o pai e a mãe (Valérie Lemercier), atentando para nuances que antes lhe escapavam. E percebe que existe algo mais nas doces palavras que o pai dirige à mãe.
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                  Neste compasso, ele e seus amigos vão descortinando a vida como ela transcorre e vendo as diferenças entre eles. Cada um deles ajuda Nicolau a apreender a realidade até sua mudança de percepção. Em suas estripulias, nos anos 50, Nicolau e seu grupo mostram discernimento (a procura do bandido Frank Leborgre para uma tarefa); compartilham suas descobertas e mudam seus pontos de vista a partir de suas experiências. Nenhuma novidade, então.

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                Faz diferença o modo como Tirard retira do comportamento deles o timing, o equilíbrio, exato para gerar o riso e dispô-los no ambiente correto para ridicularizar a suposta seriedade das autoridades (professores, disciplinadores, ministro). Como o ministro da Educação francês que numa visita à escola descobre que as crianças sabem mais do que ele pensa.

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              Ocorre quando uma pergunta crucial é feita ao desligado Clotaire (Victor Carles). Colegas, professora (Sandrine Kiberlain), espectador temem pela pergunta do ministro, pois sabem do alheamento dele. De Clotaire se espera esquecimento, do ministro que não faça pergunta difícil. Mas todos são surpreendidos, inclusive o próprio Clotaire.

                 Sonhos burgueses

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                   Importante, além disso, é que as crianças têm comportamento de crianças. Nada de tiradas adultas ou engraçadinhas. Às vezes são ingênuas como Nicolau na visita à casa do patrão de seu pai, noutras vezes trapaceiam no jogo de azar que o grupo oferece à pobre velhota. Ou brincando com a vida, numa das melhores sequências do filme, quando Tirard volta às comédias pastelão na corrida de automóvel pelas ruas de Paris. Entre descobertas e trapalhadas sobra o riso ou o arrepio. A própria escola, longe de ser espaço para aprendizado, pode se transformar em verdadeiro horror para o garoto Clotaire, que ao menor sinal da mestra sente-se culpado e se dirige ao local do castigo, tal um cão enxotado para fora de casa.

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                 A escola, por outro lado, é o espaço das crianças – o dos adultos se dá principalmente na casa de Nicolau. Seu pai, quarentão, ressente-se com o mau tratamento que lhe dedica o patrão e descarrega na mulher. Esta, por sua vez, “tenta” ajudar o marido, achando um jeito de também entrar para o mundo burguês. O jantar oferecido ao patrão e à mulher deste termina numa daquelas confusões, trapalhadas e desencontros em que o riso corre solto. A anfitriã enrola-se nas palavras para espanto do casal convidado e seu marido nada pode fazer, senão observá-la embasbacado. A bajulação para ele ganhar a atenção do patrão, no entanto, não se encerra nesta sequência; ele tem sua chance de bajulador e as coisas mudam.

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                  O pai, então, é um personagem adequado para o pequeno Nicolau. Simpático, ele procura divertir o filho, amuado com a possibilidade da chegada de um irmão e, a um só tempo, não consegue aplacar a subreptícia ambição da mulher em ter uma vida melhor. São as desventuras da classe média, que sem poder, de fato, contenta-se com as sobras da riqueza ou, em termos de hoje, o consumismo desenfreado. Para Nicolau é um mundo ainda incompreensível. Até que sua visão muda e ele, influenciado por Joaquim, aceita o que lhe é apresentado. E tem uma surpresa. Nada mais dialético do que a vida.

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                   Com situações iguais a estas, Tirard atrai o espectador para seu filme. As armações longe de serem esdrúxulas, do riso pelo riso, tornam-se plausíveis e tornam leves os entrechos. Sob o olhar de Nicolau, que dita o ritmo das sequências, tudo parece absurdo; às vezes é, noutras ele se deslumbra com sua própria capacidade de achar engraçado o comportamento dos pais: eles até que não são maus! E a escola? Terrível. Fica melhor na hora do recreio. Coisa de criança. Por isto é divertido!

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O Pequeno Nicolau”.( “Le Petit Nicolas”). Comédia Infantil. França/Bélgica. 2009. 91 minutos. Roteiro: Laurent Tirard/Grégoire Vigneron, baseado no livro de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. Diretor: Laurent Tirard. Elenco: Valérie Lemercier, Kad Merad, Maxine Godart, Victor Carles.

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imovision | 4 de maio de 2010
Adaptação das histórias infantis de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. René Goscinny criou o famoso personagem ASTERIX

3 semanas no topo da bilheteria na França

Nicolas leva uma vida tranquila até deduzir que a sua mãe está grávida novamente.

Bem feito, bem escrito, os atores são bons: O Pequeno Nicolau é um filme muito agradável. Laurent faz uma excelente adaptação dos quadrinhos Libération

CÓPIAS DUBLADAS E LEGENDADAS
 
* Jornalista e cineasta, dirigiu os documentários "TerraMãe", "O Mestre do Cidadão" e "Paulão, lider popular". Escreveu novelas infantis,  "Os Grilos" e "Também os Galos não Cantam".
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Histórias em quadrinhos ainda vivem de referências europeias



Desde a origem das histórias em quadrinhos, na Alemanha e na Suíça, a Europa é referência no gênero. "Juca e Chico", "As Aventuras de Tintim" e "Asterix" são algumas das histórias criadas nesse continente.

Cultura | 21.03.2009 
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No mundo das histórias em quadrinhos, a Europa pode até parecer ter perdido sua importância ao lado dos Estados Unidos e do Japão, considerados os gigantes do gênero. Porém, a história das bandas desenhadas – como também são chamadas – teve início no Velho Mundo e muitos dos personagens mais famosos foram criados no continente.

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Um dos primeiros registros de histórias em quadrinho se deu na Suíça, em 1837, com o Histoire de Monsieur Vieux-Bois (Histórias do Sr. Pau Velho), de Rudolphe Töpffer, um dos precursores do gênero. Na Alemanha, o pintor, desenhista e poeta Wilhelm Busch também foi um dos pioneiros com os personagens Juca e Chico.

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Os quadrinhos na Alemanha
Juca e Chico: pioneiros dos quadrinhos

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Juca e Chico: pioneiros dos quadrinhos

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Conhecido na Alemanha como o “avô das histórias em quadrinho”, Busch se destacava por sua irreverência, seu humor negro e pelos seus personagens, os anti-heróis Juca e Chico. Nas histórias, traduzidas para o português por Olavo Bilac, os dois meninos sempre aprontam alguma travessura para depois serem tragicamente punidos pelos adultos.

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Mas embora a Alemanha tenha sido um dos lugares de origem da história em quadrinhos, a tradição dos comics não se perpetuou. “A aceitação cultural dos quadrinhos na Alemanha foi menor que na Espanha ou na França”, afirmou o professor Dietrich Grünewald, especialista no assunto.

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Segundo ele, o motivo não está na má qualidade das tiras, mas no reduzido interesse popular pelas bandas desenhadas. Ainda assim, ele ressalta que o interesse científico, educacional e histórico dos desenhos alemães prevalece, razão pela qual eles não caíram em esquecimento.

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Bélgica: tradição em bandas desenhadas
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A tradição gráfica em francês tem grande parte de sua origem na Bélgica. As tiras começaram as ser publicadas em jornais no início do século 20. Em 1929, o belga Georges Prosper Remi publicou pela primeira vez As Aventuras de Tintim, um dos clássicos das histórias em quadrinhos que mais tarde tornou-se desenho animado.
Tintim: um dos maiores sucessos dos quadrinhos belgas

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Tintim: um dos maiores sucessos dos quadrinhos belgas

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Os famosos Smurfs também têm origem belga. Criados em 1958 pelo desenhista Pierre Culliford, o Peyo, as pequenas criaturas azuis viviam em casas-cogumelo no meio de uma floresta e eram liderados pelo Papai Smurf, o mais sábio da aldeia.

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A fama dos Smurfs no país é tão grande que, em 2008, o governo belga lançou 25 mil exemplares de uma moeda de 5 euros com a figura de um Smurf. Fabricadas para comemorar o 50º aniversário dos bichinhos azuis, elas custavam 25 euros.

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Além do Tintim e dos Smurfs, a Bélgica ainda é o país de origem de dois quadrinhos mundialmente conhecidos: o Gaston Lagaffe e o Spirou e Fantasio. As duas histórias fizeram parte da edição de quadrinhos Journal de Spirou, lançada por Jean Depuis na Bélgica, em 1938.

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No ano do lançamento, Depuis pediu a Robert Velter que desenhasse o personagem que dava nome à revista. Spirou era um jovem aventureiro que trabalhava em um hotel e sempre estava na companhia de um esquilo, o Spip.
O francês Asterix ainda atrai milhares de leitores

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Em 1943, Velter passou o personagem para o desenhista Joseph Gillain, o Jijé, e no ano seguinte, Spirou ganhou o seu companheiro inseparável, Fantasio, um repórter fotógrafo que trabalhava no jornal Moustique.

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Com o tempo, a tira foi desenhada por vários cartunistas: Andre Franquin (1946-1968), Jean-Claude Fournier (1969-1979), Nic & Cauvin (1980-1983) e Phillipe Vandevelde e Jean-Richard Geurts (1981-1998). Desde 2004, Morvan e Munuera são os novos desenhistas de Spirou e Fantasio, ainda em publicação na Bélgica.
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Gaston Lagaffe, também de Andre Franquin, começou a ser publicado em 1957 na revista de Depuis. O personagem era um sujeito preguiçoso que fazia de tudo para não trabalhar e impedir o trabalho dos outros. Protetor da natureza e dos animais, Lagaffe vivia em um pequeno apartamento, cujo escritório servia de casa para um peixe vermelho, alguns ratos, um gato e uma gaivota.
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Os personagens franceses
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Na França, os desenhistas René Goschinny e Albert Uderzo se consagraram com as histórias de Asterix. Personagem principal dos quadrinhos, Asterix vive junto com seus amigos numa pequena aldeia na Armórica, no norte da antiga Gália, resistente ao domínio romano.
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As tiras de Asterix fazem várias alusões ao século 20. Os godos são militaristas que remetem aos alemães no século 19 e 20. Os ingleses são retratados como bretões, personagens educados que conduzem do lado esquerdo da estrada, tomam cerveja quente e água quente com leite. Ao conhecerem Asterix, os bretões finalmente adquirem o hábito do chá.
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A Hispânia é um lugar cheio de pessoas de sangue quente e turistas; os lusitanos são pequenos e educados, pois Uderzo dizia que todos portugueses que havia conhecido eram assim. Os próprios franceses também eram abordados com humor: os normandos comem tudo com creme e os corsos são preguiçosos e têm queijos ruins.
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Autoras: Lydia Aranda Barandiain / Júlia Neves
Revisão: Simone Lopes

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