Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Beto Almeida: Jornalismo e catástrofe


Vermelho - 30 de Janeiro de 2010 - 17h17

Será que o jornalismo não pode ir muito mais além do que reportar, muitas vezes com claro sensacionalismo, a estas tragédias? Será que não pode ajudar a elaborar uma consciência na sociedade sobre serem muitas destas tragédias perfeitamente previsíveis e evitáveis?    

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Por Beto Almeida*, em Carta Maior

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Começamos este ano cheio de catástrofes, lamentando perdas de vidas nas tragédias gigantescas como no Haiti, ou em outras de outro alcance em Angra dos Reis, no Estado de São Paulo relatadas pela tv e já somos obrigados a um questionamento aparentemente banal, mas nem tanto: será que o jornalismo não pode ir muito mais além do que reportar, muitas vezes com claro sensacionalismo, a estas tragédias? Não poderia ter outro papel? Será que não pode ajudar a elaborar uma consciência na sociedade sobre serem muitas destas tragédias perfeitamente previsíveis e evitáveis?


Se é verdade que terremotos não são evitáveis , também é verdade que a humanidade já possui a capacidade científica para prever e indicar com precisão quais as áreas onde ocorrerão. Exemplo disso, é que o geólogo Patrick Charles, do Instituto de Geologia de Havana e o sismólogo John Bellini, do Instituto de Sismologia dos EUA, na Conferência Internacional de Geoologia do Caribe, em 2008, previram a inevitável ocorrência de um terremoto de grandes proporções na cidade de Porto-Príncipe, embora não fosse possível definir a data.


O que foi feito com as previsões e os alertas destes cientistas? Foram levadas a sério? É verdade que o Haiti está vitimado por um verdadeiro terremoto social há décadas, causado pelo colonialismo que transformou a primeira República das Américas e o primeiro país a abolir a escravidão num poço de miséria . Poço construído por ações políticas e econômicas concretas, não pelas forças da natureza.


Por exemplo, a França, ex-colonizadora do Haiti, cobrou uma dívida dos haitianos, sob ameaça de intervenção armada, equivalente ao que hoje seria a quantia de 20 bilhões de dólares! Os EUA apoiaram todas as ditaduras mais sanguinárias que aquele país teve que suportar, como a da criminosa dinastia Duvalier que, ao ser derrotada pela luta do povo haitiano, fugiu com sua fortuna para os bancos da Suíça. E tem gente que quer apontar a Suíça como país exemplo de civilização, quando é um grande cúmplice dos maiores roubos e crimes praticados contra a humanidade.


Jogo da mentira e do disfarce


As tragédias nos morros se repetem ano a ano a cada chuva intensa evidenciando a falta de políticas públicas para coordenar as ocupações urbanas de acordo com o critério científico e educativo. Prevalecem os interesses do lucro sobre os da sociedade que se vê destituida de informações, de segurança e de valores seguros para promover a cidadania. Tudo que falta no jornalismo que se esmera na construção das catástrofes e não nas explicações das suas razões profundas. 


O jornalismo tem diante de si o desafio de ir mais além do que a simples constatação e exploração sensacionalista e mesquinha das tragédias humanas. Os administradores públicos são em muitos casos os grandes culpados por estas perdas de vidas. Acaso não sabemos que em 2007 já havia a determinação de autoridades competentes para a demolição daquela Pousada Sankai, em Angra dos Reis, por estar em área de risco? O governador do Rio de Janeiro chegou a baixar decreto flexibilizando e facilitando a ocupação de encostas na região, quando deveria agir no sentido contrário.


Da mesma forma, vale relacionar que os moradores do Morro da Carioca, também em Angra, ocuparam aquela área imprópria para a habitação quando houve a privatização e demolição da indústria naval no início dos anos 90. Desempregados dos estaleiros os trabalhadores subiram os morros porque não tinham outro lugar para morar e viver, e foi ali que viram muitos de seus entes queridos perder a vida.


Não é tudo isto perfeitamente evitável??? Claro que sim! Se as autoridades de São Paulo não investem na retirada dos entulhos da calha do Tietê – e política pública negligente deveria acarretar responsabilidade criminal - torna-se perfeitamente previsível que enchentes ocorrerão, provavelmente seguidas de morte e destruição. Que não se culpe a natureza se os responsáveis pelas políticas públicas não se organizam para a prevenção, para a adaptação das cidades, para políticas habitacionais capazes de dar dignidade, conforto e segurança á população.


Por último vale lembrar que cientistas russos detectaram que em 2036 o asteróide gigante Apophis irá chocar-se com a Terra, sendo previsível grande destruição dada a magnitude do astro. Pois já estão desenvolvendo tecnologias para alterar a trajetória do asteróide de modo a evitar o choque.


Em Cuba, furacões são previstos e com o uso intenso e inteligente dos meios de comunicação, a mobilização dos sindicatos e organizações sociais, chega-se a deslocar até 10 por cento da população cubana em poucas horas, reduzindo radicalmente as perdas de vidas ante as gigantescas tempestades naturais. É a força da consciência e da organização sociais ante a natureza.


A ocupação dos grandes centros urbancos, obedecendo sempre o interesse econômico, voltado para a agressividade contra a natureza , cria as bases das catástrofes, mas, quando estas chegam, os verdadeiros culpados não são apontados, mas dissimulados em forma de desvios estratégicos decorrentes das explicações falsas para descrever os acontecimentos. Fazer confusão e alienação é o resultado prático do jornalismo de catástrofe sob um sistema que elimina a qualidade de vida.


No entanto, este mesmo furacão que passou por Cuba, também passou pelo Haiti e pela Guatemala em 2008, causou centenas e centenas de mortes em cada um destes países. É a diferença das políticas públicas praticadas. Da mesma forma, quando o furacão Katrina chegou a Nova Orleans, mesmo tendo sido previsto com boa antecipação, nenhuma política pública preventiva foi adotada pelo governo do sinistro George Bush , mesmo com todos os recursos materiais e tecnológicos que o país mais rico do mundo possui .


Resultado: centenas e centenas de vidas se perderam injustificadamente por falta de prevenção do governo dos EUA que, no entanto, não reluta em gastar bilhões de dólares em operações militares em qualquer parte do mundo onde possa estar.


O que foi feito com a previsão dos geólogos Patrick Charles e John Bellini que haviam afirmado: os moradores de Porto Príncipe deverão se preparar para um inevitável terremoto de largas proporções? Os EUA que agora ocupam militarmente o Haiti, antes tinham cortado toda a ajuda humanitária ao país. A França também.


O que não poderia ter sido feito com apenas uma fatia de recursos esterilizados no inútil salvamento de bancos que estão seguindo a mesma política financista especulativa irresponsável se este dinheiro tivesse sido utilizado para o deslocamento preventivo da população da capital haitiana, para a construção de novos núcleos habitacionais com técnicas apropriadas para resistir terremotos? 


Em muitos países usam-se estruturas de bambu para a construção já que por sua flexibilidade adaptam-se aos tremores de terra e a eles resistem. Por que os avisos dos cientistas não foram ouvidos? Por que a mídia não deu o mesmo destaque a este aviso como deu à morte de um pop star?
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*Beto Almeida é ornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur e presidente da TV Cidade Livre de Brasília. 
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sismo em Portugal


 

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2:13 Quinta-feira, 17 de Dez de 2009



 


















infografia Jaime Figueiredo


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Sismo: Abalo de intensidade 5,7 sentido em Portugal

Lisboa, 17 Dez (Lusa) - Um sismo de média intensidade (5,7 na escala de Richter) foi sentido esta madrugada em Portugal, não havendo informações de danos pessoais ou materiais.

Lusa
2:19 Quinta-feira, 17 de Dez de 2009
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Continua no Kant_O XimPi -

Sismo em Portugal


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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Áquila espera que cúpula do G8 impulsione reconstrução da cidade

Mundo | 05.07.2009

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Para os habitantes da cidade italiana devastada por um terremoto, a presença dos líderes das nações mais poderosas do planeta chamará a atenção do mundo para os esforços de reconstrução.

De forma surpreendente, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou em abril que o encontro de cúpula do G8, previsto inicialmente para a ilha de Sardenha, seria transferido para a cidade de Áquila, fortemente afetada por um terremoto.

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O anúncio causou surpresa em todo o mundo, mas fez todo o sentido para os habitantes de Áquila, que ainda sofrem as consequências do tremor. A partir de 7 de julho, os líderes das nações mais poderosas do mundo poderão ver de perto os estragos.

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A mudança de local deixa, porém, uma questão em aberto: como é possível organizar um encontro dessa magnitude numa cidade destruída por um terremoto?

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Holofotes do mundo

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Até hoje Áquila, cidade rica em monumentos arquitetônicos, não voltou à normalidade. Ao todo, foram evacuadas 54 mil pessoas e outras 36 mil vivem em barracas.

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Também o escritório do prefeito Massimo Cialente foi destruído. O difícil trabalho que ele tem pela frente é realizado de casa, no carro ou visitando prédios atingidos. "É uma cidade que precisa se reorganizar. Ainda estamos procurando locais para instalar os escritórios de administração."

Destruição em ÁquilaBildunterschrift: Destruição em Áquila

Ele lembra que o terremoto destruiu não apenas uma cidade, mas a capital de uma região da Itália, Abruzzo. "Temos agora a esperança de que os holofotes de todo o mundo se voltem para nós, porque as pessoas ainda não entenderam a dimensão da tragédia que nos afetou", diz Cialente.

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Líderes na caserna

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Os líderes do G8 e de outros países, como China, Brasil, Egito e África do Sul, serão alojados nas instalações de uma escola de formação militar da Polícia Financeira, nos arredores de Áquila. Segundo Cialente, todos os chefes de Estado concordaram com a escolha do local.

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Além deles, muitos assessores também ficarão hospedados ali. Os demais serão alojados em hotéis às margens do Mar Adriático.

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Os habitantes de Áquila esperam obter a empatia e a compreensão dos líderes do G8. E, claro, propostas concretas de ajuda. "Os poderosos do mundo terão a chance de apadrinhar a reconstrução de um dos monumentos do centro histórico, a exemplo da Espanha, que patrocina a reconstrução de um castelo do século 15", argumenta o presidente do sindicato de jornalistas da região de Abruzzo, Stefano Pallota.

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Ele lembra que Áquila possui um dos mais importantes centros históricos da Itália. "Por isso a presença dos chefes de Estado é tão importante para a reconstrução", avalia.

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Os ricos foram embora

A restauração de 1.800 prédios históricos custará 13 bilhões de euros. O temor dos moradores é que a cidade não recupere sua atmosfera anterior e acabe virando um museu a céu aberto devido a uma reconstrução pouco cuidadosa.

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Muitos se perguntam se o encontro do G8 poderá reanimar a economia local. O engenheiro Vincenzo Gattulli, professor na Universidade de Áquila, se mostra cético. Ele argumenta que uma grande parte da população – principalmente a classe média alta – se mudou para a costa do Mar Adriático. Com ela foram médicos, farmacêuticos, professores, administradores, advogados e vários outros profissionais.

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Catedral da cidade em ruínasBildunterschrift: Catedral da cidade em ruínas

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Gattulli afirma que a universidade de Áquila foi duramente afetada com o êxodo de mão-de-obra qualificada. "A universidade desempenhava um papel muito importante na cidade. Com 27 mil estudantes, tinha uma grande importância cultural, social e econômica", afirma.

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Cidade vai recuperar sua atmosfera?

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Para piorar ainda mais a situação, cresce na região de Abruzzo o temor de que novos terremotos aconteçam. Em 22 de junho, um tremor de 4,6 graus na escala Richter afetou novamente a região. Ele não causou danos, mas muitos desabrigados abandonaram suas barracas, assustados.

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Muitas ruas ainda estão bloqueadas por entulhos e destroços de prédios históricos. A visão triste das ruínas da cidade torna a vida dos habitantes ainda mais difícil. A moradora Sonia Alessini vive há meses numa barraca com seus filhos e os pais. Ela não vê mais esperanças em Áquila.

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"A vida aqui se tornou insuportável, estamos vegetando. O governo prometeu 3 mil casas de madeira até novembro. Sem abrigo, não teremos como sobreviver ao inverno, que é muito rigoroso. E mesmo que ganhemos as casas, como será daqui para frente, quem irá nos devolver nossa cidade?"

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Para Sonia, a cidade e seu cotidiano jamais voltarão a existir. Mesmo que os líderes do G8 ajudem a salvar os famosos monumentos de Áquila, muitos outros moradores já terão deixado a cidade até que os trabalhos de reconstrução estejam concluídos.

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Autora: Andreina Bonanni
Revisão: Roselaine Wandscheer

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Mais artigos sobre o tema

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

1 de Novembro de 1755


O Terramoto de 1755 também conhecido por Terremoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembto de 1755 às 9:20 da manhã, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami - que se crê terá atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios tendo feito certamente mais 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais[1]). Foi um dos sismos mais mortíferos da História, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu 9 graus na escala Richter.
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Continua em Terramoto de 1755 - Wikipédia


Gravura -> Lisbon earthquake engraving
Lisbon, Portugal, during the great earthquake of 1 November 1755. This copper engraving, made that year, shows the city in ruins and in flames. Tsunamis rush upon the shore, destroying the wharfs. The engraving is also noteworthy in showing highly disturbed water in the harbor, which sank many ships. Passengers in the left foreground show signs of panic.

sábado, 29 de setembro de 2007

Vulcão dos Capelinhos foi há 50 anos - Um tempo de grande medo


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* Fernando Lima, Açoriano, ex-jornalista e actual assessor do Presidente da República

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Quando se assinalam os 50 anos do início da erupção vulcânica dos Capelinhos, na ilha do Faial, Açores, ainda guardo desse tempo a recordação de alguns momentos dramáticos vividos por uma população que se sentia ainda mais perdida na imensidão do Atlântico.

Na Horta, cidade onde nasci e cresci, a atmosfera parecia estranha nos primeiros dias da segunda metade de Setembro de 1957. Era o prenúncio de uma actividade sísmica fora do vulgar, que durou quase 15 dias. Mais de 200 abalos de terra, de intensidade geralmente fraca, foram sentidos na ilha do Faial. Lembro desse período a incerteza em que todos vivíamos, sempre na expectativa de que o pior estaria ainda para acontecer. As noites eram intermináveis. .

Ocupavam-se os espaços abertos, onde se dormia nos carros ou protegidos por abrigos de circunstância. A esta população assustada só restava confiar na força divina para o regresso à normalidade. O Rádio Clube de Angra, sediado na ilha Terceira, era a única fonte de informação na pesada escuridão da noite. Nesse período crítico, a estação prolongou as emissões pela madrugada e aqueles que tinham pequenos rádios portáteis podiam, apesar de tudo, encontrar alguma tranquilidade nas suas notícias. A 27 de Setembro, cerca das oito horas da manhã, começava uma erupção submarina, aproximadamente um quilómetro ao largo da ponte oeste do Faial, junto dos ilhéus dos Capelinhos. Desde então, praticamente, pararam os abalos de terra, mas o tremor contínuo prosseguiu com intensidade variável. Agora, a preocupação era outra.

Como ia crescer aquele ‘monstro marinho’ ameaçador e como as nossas vidas estariam ou não em risco. Lembro-me de ser levado pelo meu pai, podendo assistir às constantes explosões de cinzas negras, acompanhadas de uma nuvem branca de vapor de água. Excedia, por vezes, os quatro quilómetros de altura. O farol dos Capelinhos foi a principal ‘vitima’. Muitos dos grandes blocos de pedra que o vulcão expelia, mais ou menos incandescentes, caíram na área do farol, causando significativas destruições. Mesmo assim, a torre sobreviveu à erupção e transformou-se no seu ex-líbris. Cinquenta anos depois, a paisagem dos Capelinhos está diferente, a actividade vulcânica parece ter serenado, mas a ameaça sísmica mantêm-se, como se viu em crises posteriores, que voltaram a deixar, na ilha do Faial, um rasto de morte e destruição. .

TERRITÓRIO CRIADO POR VULCÃO SUBMERGE A 20 METROS POR ANO

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“Portugal já cresceu”, foi como em tempos no continente se reagiu aos efeitos do vulcão dos Capelinhos. A televisão ainda era incipiente e, apesar de o Estado se estender do Palácio de São Bento, em Lisboa, até Timor, o fervor patriótico não impedia que os portugueses se sentissem um país pequeno. Daí que mal se houve pé firme sobre a ilha edificada com pedras e cinzas lançadas pela erupção submarina, logo se lá tivesse ido colocar uma bandeira nacional. Menos de um mês depois, a erosão do mar submergiu a Ilha Nova e o país crítico e oposicionista riu. As notícias do vulcão continuaram durante muito mais tempo. O reactivar das erupções criou um novo território que voltou a cobrir os ilhéus dos Capelinhos e se estendeu num istmo até à ilha, e outra vez o mar submergiu tudo. Só a terceira língua de magma provocada pelo vulcão durou para além do fim da erupção em Outubro de 1958. É a que prolonga hoje a ilha do Faial na ponta dos Capelinhos, mas o mar não tem parado com a erosão. Em média, a nova zona perde 20 metros de extensão por ano, embora o ritmo esteja a abrandar. Os Capelinhos já estão à vista.

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NATUREZA VIOLENTA SEM VÍTIMAS

Uma das boas recordações das crises sísmicas e erupções vulcânicas registadas entre Setembro de 1957 e Outubro de 1958 é a de que, apesar da grande violência dos fenómenos naturais, acabou por não se registar qualquer vítima. Nem quando as cinzas cobriram completamente as casas de povoações da zona próxima do vulcão submarino nem quando os sismos abriram fendas em muitos locais houve que lamentar mortos ou feridos. A prevenção, com o abandono antecipado das casas, revelou-se absolutamente eficaz.

Personalidade importante em todas as operações foi um engenheiro residente na ilha, Frederico Machado, director distrital das Obras Públicas que tinha uma equipa de intervenção bem preparada e contou com o apoio activo do governador civil, Freitas Pimentel, médico de profissão e pessoa preocupada com a segurança dos habitantes.

De destacar é a operação de evacuação das populações de toda a zona, nomeadamente das aldeias da Praia Norte, Norte Pequeno e Capelo ao fim da tarde de 12 de Maio de 1958. Nessa noite o casario da primeira localidade colapsou por completo e ocorreram danos importantes nos outros dois povoados. Muitos faialenses tiveram de emigrar para continuar a ganhar a vida, mas todos salvaram a vida.

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CIÊNCIA ESQUECEU CAPELINIANO

Apesar de não ser um fenómeno geológico inédito, a erupção submarina dos Capelinhos despertou grande curiosidade na comunidade científica da altura. Ao Faial deslocaram-se entre outras personalidades o mediático investigador Haroun Tazieff (1914-1998), nascido na Polónia sob controlo dos czares russos e pelos caminhos da emigração naturalizado sucessivamente belga e francês. Considerado pai da vulcanologia moderna, participou em muitas reportagens da revista ‘Paris Match’, sobretudo em vulcões italianos, e foi também aos Açores. O seu interesse não chegou, contudo, para fixar nos meios científicos o nome Capeliniano como denominação daquele tipo de erupção submarina.

O nome de marca do fenómeno acabou por surgir de um outro vulcão proveniente do fundo dos mares, seis anos depois, em 1963, a sul da Islândia e muito mais distante da costa. Foi o Surtsey que tornou as erupções marítimas conhecidas na comunidade científica como ‘Surtseyano’. A realidade é que em Portugal não houve na altura quem defendesse um nome português para o fenómeno, com grande pena do geólogo Vítor Hugo Forjaz, que ainda estudante de Liceu seguiu de perto o fenómeno. Segundo apurámos, a presença científica portuguesa ficou na altura limitada ao geógrafo Orlando Ribeiro, acompanhado de Raquel Soeiro Brito e do filho, António Ribeiro, então estudante e hoje geólogo, e aos técnicos dos Serviços Geológicos.

TERRA TREMEU MAIS DE UM ANO

16 DE SETEMBRO 1957

Uma crise sísmica sentida desde Maio na ilha do Faial atinge o máximo com uma sucessão de mais de 200 sismos de intensidade à volta do grau 5 da Escala de Mercalli.

27 DE SETEMBRO

Após meia dúzia de dias com a água a fervilhar e uma enorme nuvem de vapor, às 06h45 de dia 27, iniciou-se uma erupção vulcânica submarina a 300 metros da ponta dos Capelinhos. A erupção leva à formação de uma ilha em 10 de Outubro.

30 DE OUTUBRO

A ilha formada ao largo da costa acaba por ser submergida pelo mar, com a erosão das correntes a ser maior do que a quantidade de materiais eruptivos.

12 DE NOVEMBRO

Com o recomeço da erupção forma-se uma nova cratera que cobre os ilhéus dos Capelinhos e se liga à ilha do Faial por um istmo.

12/13 DE MAIO 1978

A ilha é sacudida por nova crise sísmica e abrem-se fendas na antigo vulcão da Caldeira. A erupção dos Capelinhos gera um lago de lava com repuxos de basalto em fusão.

24 DE OUTUBRO

Ocorrem as derradeiras explosões e o vulcão pára a sua actividade até hoje.

COMEMORAÇÕES TELEJORNAIS DA RTP

O vulcão dos Capelinhos será o cenário da apresentação dos dois telejornais do dia de amanhã na RTP, ou seja, o ‘Jornal da Tarde’ às 13h00 e também o das 20h00. Além disso, a partir das 16h00 o programa ‘Portugal Directo’ será igualmente transmitido da ilha açoriana.

FILMES EM FARO

Por iniciativa da Casa dos Açores do Algarve serão exibidos amanhã à noite, a partir das 22h00, no anfiteatro da Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, de Faro, vários documentários sobre o vulcão dos Capelinhos. Também a Academia da Marinha vai promover uma sessão comemorativa marcada para 16 de Outubro, em Lisboa.

SITE OFICIAL NA NET

As comemorações têm um site oficial na internet, http://www.vulcaodoscapelinhos.org/ , onde além de vasta informação é possível ver um documentário assinado por Carlos Brandão Lucas.

MISSA E SESSÃO

O bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, preside amanhã a uma missa comemorativa dos 50 anos do vulcão dos Capelinhos marcada para as 15h00 locais. Para a noite, 21h00, está anunciada uma sessão solene na Sociedade Amor da Pátria, com presença do presidente do Governo Regional, Carlos César, e o lançamento de uma medalha, um livro e a colecção de selos ‘Vulcão dos Capelinhos’.

PRESIDENTE NO DIA 7

O presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, associa-se às comemorações com a presença numa sessão marcada para dia 7 de Outubro, no Teatro Faialense, da Horta. Estreará na oportunidade uma peça musical alusiva da autoria do compositor Eurico Carrapatoso a interpretar por músicos locais.

.in Correio da Manhã 2007.09.26

Ver também: o tempo das cerejas*: 50 anos depois

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» Comentários no CM on line
Quarta-feira, 26 Setembro

- ormonde grande texto. viver nos açores é assim, a nossa história confunde-se com os episódios da geografia. a catastrofe e a beleza estão tão perto! esta atroz geografia molda-nos o carácter e engrandece-nos a alma!