Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 21 de outubro de 2017

Cantigas de Amigo musicadas




São nalguns casos sonoridades diferentes, tentativas de reconstituir tempos em que a vida, embora também violenta, pareceria (es)correr mais lentamente



Natália Correia, Amália Rodrigues & Ary dos Santos - Cantigas d'amigos - Todos os poemas são extraídos da antologia "Cantares dos trovadores galego-portugueses", actualizada pela mão de Natália Correia (publicada em 1970) e ditos ou pela própria e por Ary dos Santos, ou cantados por Amália, com musica original de Fontes Rocha (excepto "Ermida de São Simeão", musica de Alain Oulman



Natália Correia - Cantigas de Amor e de Amigo dos Trovadores Galego-Portugueses
- versão recriada por Natália Correia - 1974

- Osoir'Eanes - Cantiga de Amor
- Rui Fernandes - Cantiga de Amor
- Bernardo de Bonaval - Cantiga de Amor
- Pero da Ponte - Cantiga de Amor de Refrão
- Gil Perez Conde - Cantiga de Amor
- João Garcia de Guilhade - Cantiga de Amigo
- Pero Gonçalves de Porto Carreiro - Cantiga de Amigo
- Pero Meogo - Cantiga de Amigo
- Paio Gomes Charinho - Cantiga de Amigo
- Aires Nunes - Cantiga
- Nuno Fernandes Torneol - Cantiga de Amor de Refrão
- João Airas de Santiago - Cantiga de Amigo (Pastorela)
- D. Dinis - Cantiga de Amor de Refrão
- D. Dinis - Cantiga de Amor de Mestria
- D. Dinis - Cantiga de Amigo
- D. Dinis - Cantiga de Amigo
- D. Afonso Sanches - Cantiga de Amor
- Mendinho - Cantiga de Amigo

Edição Guida da Música, Disco Falado e Sassetti.

















Pedro Barroso - Cantigas d'Antiguidade - 1984



1973 - Luís Cília - "Cantiga de amigo" . poema de Ary dos Santos


"Lelia doura" de Pedro Eanes Solaz


Bailad' hoje,ai filha" de Airas Nunes 


Ai flores do verde pinho" de D.Dinis 


 "Ma madre velida" de D.Dinis




Levantou-s'a velida" de D.Dinis

José Mário Branco do EP - «Seis Cantigas de Amigo»*1967 
*Este é o primeiro disco de José Mário Branco, que como vem descrito na capa, tem Sérgio Godinho como 2º viola e pandeireta (primeira gravação em disco também para ele) e Raymond Guyot na flauta.


 "Ay eu coitada"  - D. Sancho I


"Ondas do mar de Vigo" - Cantiga de Martin Codax (Sec. XIII)




 "Vayamos irmana" -  Fernando Esquio (Séc. XIII) 


 "Ai flores do verde pino"  - D. Dinis  (1280-1325) 


"En Lixboa sobre lo mar"  - João Zorro (Séc. XIII) 


 "Mandad'ei comigo" -  Martin Codax (Sec. XIII) 


"Cantiga 100"  - Alfonso X El Sabio (Sec. XIII)  


"Cantiga 322" - Alfonso X El Sabio (Sec. XIII) 

"La Batalla" & Pedro Caldeira Cabral -  do disco "Cantigas D'Amigo" (1984)
Arranjo e direcção musical de Pedro Caldeira Cabral.

[...o grupo La Batalla foi criado em 1984, inserindo-se então no projecto de animação cultural e reutilização funcional do Museu do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha. O grupo têm-se dedicado desde o seu início exclusivamente à interpretação de música medieval de carácter secular, com especial destaque para o repertório dos trovadores e jograis galaico-portugueses...] 



Zedotelhado2009
Publicado a 01/03/2010
Zeca Afonso - Traz outro amigo também - Arnaldo Trindade & Cª. Lda. (Orfeu STAT 005) - 1970


segunda-feira, 11 de julho de 2016

uma, duas, três ... quatro casinhas como se fossem os 4 "mosquiteiros"




[Gosto da] Minha Casinha  - 1943

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu tecto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor tecto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saúde e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres

tem mais alegria.

Autor da Letra:Linhares Barbosa
Autor da Música:Frederico de Brito


Uma Casa Portuguesa

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existéncia singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tijela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!


Autor da Letra:Reinaldo Ferreira
Autor da Música:Matos Sequeira / Artur Fonseca

**




A Casa da Mariquinhas

Foi no Domingo passado que passei 
À casa onde vivia a Mariquinhas 
Mas está tudo tão mudado 
Que não vi em nenhum lado 
As tais janelas que tinham tabuinhas

Do rés-do-chão ao telhado 
Não vi nada, nada, nada 
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas 
E há um vidro pegado e azulado 
Onde via as tabuinhas

Entrei e onde era a sala agora está 
À secretária um sujeito que é lingrinhas 
Mas não vi colchas com barra 
Nem viola nem guitarra 
Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

O tempo cravou a garra 
Na alma daquela casa 
Onda às vezes petiscávamos sardinhas 
Quando em noites de guitarra e de farra 
Estava alegre a Mariquinhas

As janelas tão garridas que ficavam 
Com cortinados de chita às pintinhas 
Perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça 
Com cercaduras de lata às voltinhas

E lá pra dentro quem passa 
Hoje é pra ir aos penhores 
Entregar o usurário, umas coisinhas 
Pois chega a esta desgraça toda a graça 
Da casa da Mariquinhas

Pra terem feito da casa o que fizeram 
Melhor fora que a mandassem prás alminhas 
Pois ser casa de penhor 
O que foi viver de amor 
É ideia que não cabe cá nas minhas

Recordações de calor 
E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer 
Numas ginjinhas

Pois dar de beber à dor é o melhor 
Já dizia a Mariquinhas 
Pois dar de beber à dor é o melhor 
Já dizia a Mariquinhas




Autor da Letra:Silva Tavares
Autor da Música:Popular
***

Ave Maria No Morro


Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura
Lá no morro
Barracão é bangalô

Lá não existe
Felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer

E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria
E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria

Ave Maria
Ave
E quando o morro escurece
Elevo a Deus uma prece
Ave Maria.


Letra  e Música - Herivelto Martins

segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Grito" de Amália por Gonçalo Salgueiro



Enviado por MadameBateflay em 05/02/2008
Gonçalo Salgueiro é uma belíssima voz no Fado, ele canta este poema de Amália como ainda não ouvi ninguém que se lhe compare. Comprovem!

GRITO

Silêncio!
Do silêncio faço um grito
O corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco.

De sombra a sombra
Há um Céu...tão recolhido...
De sombra a sombra
Já lhe perdi o sentido.

Ao céu!
Aqui me falta a luz
Aqui me falta uma estrela
Chora-se mais
Quando se vive atrás dela.

E eu,
A quem o céu esqueceu
Sou a que o mundo perdeu
Só choro agora
Que quem morre já não chora.

Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira...
Há sempre uma companheira
Uma profunda amargura.

Ai, solidão
Quem fora escorpião
Ai! solidão
E se mordera a cabeça!

Adeus
Já fui para além da vida
Do que já fui tenho sede
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.

Adeus,
Vida que tanto duras
Vem morte que tanto tardas
Ai, como dói
A solidão quase loucura.

terça-feira, 13 de março de 2012

Fado Perseguição ~ Avelino de Sousa e Carlos Maia




SEGUNDA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 2009

Perseguição

Em 1945 Amália grava o seu primeiro disco onde estava incluído este fado

Letra de Avelino de Sousa música de Carlos da Maia - fado perseguição
Se de mim nada consegues
Não sei porque me persegues
Constantemente na rua;
Saber bem que sou casada
Que fui sempre dedicada
E que não posso ser tua

Lá porque és rico e elegante
Queres que eu seja tua amante
Por capricho, ou presunção
Eu tenho um marido pobre
Que possui a alma nobre 
E é toda a minha paixão

Rasguei as cartas sem ler
E nunca quis receber
Jóias ou flores que trouxesses
Não me vendo nem me dou
Pois já dei tudo o que sou
Com o amor que não conheces

Nesta gravação não sabendo porque razão Amália não canta esta última quadra, que contudo faz parte do fado, conforme cantava a Maria Alice (a criadora deste fado),mas que trocava esta sextilha pela anterior.

Como sentinela alerta
Noite e dia sempre esperta
Na posição de sentido
Eu sou, a todo o instante
Sentinela vigilante
Da honra do meu marido

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sábado, 14 de janeiro de 2012

"Grito" de Amália por Gonçalo Salgueiro




Enviado por em 05/02/2008
Gonçalo Salgueiro é uma belíssima voz no Fado, ele canta este poema de Amália como ainda não ouvi ninguém que se lhe compare. Comprovem!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Duas visões de Alfama


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Enviado por em 10/09/2010
~.
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Agora,
que lembro,
As horas ao longo do tempo;
Desejo,
Voltar,
Voltar a ti,
desejo-te encontrar;
Esquecida,
em cada dia que passa,
nunca mais revi a graça
dos teus olhos
que eu amei.
Má sorte,
foi amor que não retive,
e se calhar distrai-me...
- Qualquer coisa que encontrei.
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Partilhado por Jorgete Teixeira
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Enviado por em 25/09/2008
.Amália Rodrigues - "Alfama"
Música - Alain Oulman - Letra J. C Ary dos Santos
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Quando Lisboa anoitece
como um veleiro sem velas
Alfama toda parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece
É numa água-furtada
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Quatro muros de ansiedade
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade
Fechada em seu desencanto
Alfama cheira a saudade
Alfama não cheira a fado
Cheira a povo, a solidão,
Cheira a silêncio magoado
Sabe a tristeza com pão
Alfama não cheira a fado
Mas não tem outra canção.
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