Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

1903: Primeiro faroeste no cinema

 

Calendário Histórico

 

No dia 1º de dezembro de 1903, foi apresentado em Washington, nos Estados Unidos, o primeiro faroeste da história do cinema. "O Grande Roubo do Trem", de Edwin S. Porter, tinha apenas nove minutos de duração.

 

"Se meu coração fosse saudável, eu pularia primeiro da janela, depois iria ao cinema e nunca mais sairia de lá." A frase foi dita pela escritora Else Lasker-Schüler e demonstra como o cinema já era apreciado na década de 1920.
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O inventor norte-americano Thomas Alva Edison foi o primeiro a fazer experimentos com imagens em movimento. Na Europa, os irmãos Auguste e Louis Lumière criaram a câmera de vídeo e, em dezembro de 1895, promoveram a primeira sessão pública, em Paris, com a exibição de dez filmes. A sucessão de imagens projetadas na tela contava histórias: era o nascimento do cinema.
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Por serem mudos, os primeiros filmes podiam ser vistos em qualquer parte do mundo. Em pouco tempo, a invenção européia conquistou o Novo Mundo.
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Enredo rudimentar
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As cópias eram feitas no laboratório de Thomas Edison, onde trabalhava um certo Edwin S. Porter. O assistente de laboratório sabia editar fitas e manejar câmeras. Além disso, e o mais importante, possuía talento. Sua ambição era produzir um filme próprio, um filme norte-americano. No começo de dezembro de 1903, estreou, então, The Great Train Robbery (O Grande Roubo do Trem).
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Sabine Gottgetreu, do Instituto de Ciências de Teatro, Cinema e Televisão de Colônia, conta que o filme tem entre nove e onze minutos, dependendo da versão. Apesar de rudimentar, narra uma história.
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Porter retratou um acontecimento que todo americano podia entender naquela época. A ferrovia, que estava se instalando de leste a oeste no país, era uma questão de honra dos Estados Unidos no final do século 19. Não só transportava tudo o que fosse importante, mas também era o alvo preferido dos gângsteres. Ladrões como Jesse James, Sam Bass e Bill Doolin foram os personagens da história criminal na década de 1870.
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Happy end
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Agora, o público pôde ver o que antes lia no jornal. Um bando de ladrões domina um chefe de estação, pára o trem, rouba os passageiros e some. Mas não podia faltar um final feliz! A gangue foi cercada num bosque e depois presa.
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Já nos seus primórdios, o faroeste incluiu personagens e elementos inconfundíveis: caubóis, cavalos, mulheres de saloon e muita natureza. Os nomes dos atores deste novo gênero que aí se iniciou, entretanto, não foram mais resgatados, pois o filme não tinha legenda nem caracteres. O cinema em si fascinava tanto que não precisava de estrelas, conclui Sabine Gottgetreu.
 
Catrin Möderler (rw) 
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5feethigh | 1 de Junho de 2007 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
The Great Train Robbery (1903)
http://www.imdb.com/title/tt0000439/

Directed by Edwin S. Porter (uncredited)
Written by Scott Marble and Edwin S. Porter (uncredited)
The clerk at the train station is assaulted and left tied by four men, then they rob the train threatening the operator. They take all the money and shoot a passenger when trying to run away. A little girl discovers the clerk tied and gives notice to the sheriff, who at once goes along with his men hunting the bandits
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

1959: Fabricado o primeiro Mini

Calendário Histórico

 

No dia 18 de agosto de 1959, a montadora britânica Austin & Morris apresentou à opinião pública um novo modelo de carro, que surpreendeu pelo pequeno tamanho: o Mini, projetado por Alec Issigonis. Hoje, trata-se de um clássico na Europa.

 

Na efervescência dos anos 60, toda uma geração oscilava entre pettycoat e a revolução sexual. Um carro virou símbolo da juventude nessa época: o Austin Seven, mais conhecido como Mini. Em 18 de agosto de 1959, a primeira unidade do veículo deixou a linha de montagem da fábrica inglesa em Longbridge.
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O jornalista especializado alemão Dieter Günther lembra que o Mini deve grande parte de sua popularidade a uma série de inovações que introduziu no mercado automobilístico em 1959. Os modelos anteriores de carros compactos eram fortemente influenciados pelo Fusca, com motor traseiro. O Mini, porém, tinha apenas três metros de comprimento, motor transversal na frente e tração dianteira.
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Essa tecnologia até então relativamente incomum dispensava um túnel de transmissão mais volumoso (hoje, praticamente todos os carros pequenos utilizam esse sistema). E o slogan "maior por dentro do que por fora" era muito esperto.
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Esboço num guardanapo 
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O Mini nasceu da necessidade do Reino Unido de economizar combustível durante a crise do Canal de Suez, no final da década de 50. Em função disso, havia uma demanda por carros econômicos.
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Os diretores da British Motor Company – mais tarde absorvida pelo grupo Austin – reuniram-se num jantar com o chefe dos seus projetistas. Alec Issigonis (1906–1988), nascido na Grécia, fez os primeiros esboços do minicarro num guardanapo. O modelo virou cult, transformando o "homem da rua" num "homem ao volante", como dizia a publicidade. E seu idealizador ganhou o título de Sir.
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Segundo Dieter Günther, os carros compactos, na época, não tinham classe. "Já o Mini era chique, tinha classe, agradava tanto à esposa de um banqueiro quanto ao operário; ele proporcionava um verdadeiro prazer de dirigir."
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Já no primeiro ano de produção, foram vendidas cerca de 20 mil unidades do novo modelo. Custando menos de 500 libras esterlinas, era um carro acessível a todas as classes sociais. Com um motor de 34,5 cv, desenvolvia velocidades de até 115 km/h. Mas o Mini foi bem mais do que uma versão inglesa do Fusca.
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Graças a um certo John Cooper, que lançou o Mini Cooper, o carro ficou famoso por vencer ralis nos anos 60. Venceu quase todos o prêmios de automobilismo da época. Os destaques, porém, foram as três vitórias no rali de Monte Carlo, em meados da década de 60.
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Cooper reequipou o veículo, lançando em 1961 uma versão esportiva de 55 cv e velocidade máxima de 145 km/h. O modelo clássico era vermelho, com teto branco e duas listras de rali no capô. O Mini Cooper tornou-se um sucesso de vendas.
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Cobiçado por todos

Segundo Dieter Günther, "de repente, passou a ser chique dirigir um Mini. Firmas especializadas passaram a criar acessórios especiais, como vidros elétricos, parabrisas fumê ou painéis de instrumentos em madeira. Esses modelos custavam tanto quanto um Bentley ou um Rolls-Royce.Mas existiam clientes ilustres dispostos a comprá-los", como a atriz Diana Rigg e o Beatle Ringo Starr. A costureira inglesa Mary Quandt até teria se inspirado no Mini para criar a famosa minissaia, igualmente curta, chique e predestinada a virar clássica.
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O Mini clássico foi fabricado, continuamente, durante 41 anos e influenciou profundamente os modelos de carros pequenos projetados depois. O último Mini "tradicional", fabricado pela MG Rover, saiu da linha de montagem em 4 de outubro de 2000 e levou o número 5.387.862. Ele está exposto no Heritage Motor Museum em Gaydon, Warwickshire, ao lado do primeiro Mini Minor, produzido em 1959.
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O minicarro criado por Alec Issigonis evoluiu a ponto de as versões modernas ultrapassarem os 160 km/h e perfazerem mais de 18 km por litro de combustível. A marca Mini sobreviveu a várias transferências de donos (BMC, Austin, Morris e British Leyland, Rover). Sua produção só foi suspensa depois que a BMW assumiu a fábrica inglesa da Rover, em 1994. Pouco tempo depois, a BMW desfez-se da deficitária Rover, mas manteve as duas marcas de sucesso da empresa britânica: Mini e Land Rover.
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No Salão do Automóvel de Paris, no ano 2000, a BMW apresentou então o novo Mini, que começou a ser produzido no outono europeu de 2001 e logo se tornou um enorme sucesso de vendas. 
 
Catrin Möderler (gh) 
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

1792: Soava "A Marselhesa"

Calendário Histórico

 

Em 30 de julho de 1792, revolucionários franceses marcham de Marselha para Paris entoando um canto de guerra que ficou desde então conhecido como "A Marselhesa" e até hoje expressa o orgulho nacional francês.

 

"Avante, filhos da pátria, o dia de glória chegou. O estandarte ensangüentado da tirania contra nós se levanta."
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A revolução explodiu na França. Os reis Luís 15 e 16 levaram o país à ruína. O povo passava fome e levantou-se contra os seus soberanos.
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"Ouvis nos campos rugirem esses ferozes soldados? Eles vêm até nós degolar nossos filhos, nossas mulheres!"
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Os Estados vizinhos não querem esperar até que a revolução adentre as suas fronteiras e declaram guerra à França. Agora os revolucionários lutam em dois fronts. Contra as potências estrangeiras e as forças que lutam no próprio país para defender o reino.
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"Formai vossos batalhões! Marchemos, marchemos, que a nossa terra do sangue impuro se saciará!"
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Em 30 de julho de 1792, as tropas revolucionárias marcharam de Marselha para Paris. Os revoltosos entoavam uma marcha marcial que, a partir desse dia, ficou conhecida como A Marselhesa.
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A canção da Revolução tornou-se o hino nacional da França em 1795. Ela sobreviveu aos imperadores Napoleão 1º e 3º, à Restauração, às quatro Repúblicas e a duas guerras mundiais. A Quinta República ancorou A Marselhesa no Artigo 2º da Constituição de 1958 como o Hino Nacional. Ela expressa o orgulho nacional francês, embora franceses modernos tenham uma visão muito crítica do seu texto.
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Palavras tenebrosas
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"A música é palpitante, mas suas palavras são tenebrosas, muito sangrentas. Eu tenho vergonha de usar estas palavras", diz Hélène Butler, que trabalha para empresas francesas na Alemanha. Ela gostaria de ver A Marselhesa adaptada aos tempos atuais. "A música foi composta quando havia muitos motivos para se combater e por isso tem a sua legitimação", concorda a francesa, acrescentando que mudaria apenas algumas palavras.
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Não está claro se as palavras que tanto desagradam Butler são um legado popular ou da lavra do próprio compositor. Em todo caso, a melodia de A Marselhesa é atribuída a Claude-Josepf Rouget de Lisle.
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Autor escapa da guilhotina
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O músico amador era na época capitão do Exército em Estrasburgo. O prefeito da cidade o incumbiu da tarefa de compor a música, porque gostaria de oferecer algo especial para os seus convidados. Chamada inicialmente de Canto de guerra para o Exército do Reno, a canção tornou-se um grande sucesso. Espalharam-se muitas cópias até ela chegar em Marselha. As tropas revolucionárias lá estacionadas gostaram da música e a entoaram na sua marcha para Paris e na invasão da cidade.
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Ironicamente, Rouget de Lisle não era partidário da Revolução Francesa. Pelo contrário, era fiel à coroa. Mais tarde, o autor do hino nacional escapou por pouco da guilhotina.
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Antepassados da consultora Hélène Butler perderam a vida na guilhotina. Mas, mesmo assim, ela se identifica com os ideais daquele tempo: "François Mitterrand disse 'il reste encore la bastille à prendre', o que significa que a Bastilha é um símbolo daquilo contra o que se tem que lutar. E ainda existem muitos problemas contra os quais as pessoas têm que se unir".
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Àqueles que encontram coragem para defender-se contra o mal, a História ofereceu um hino: A Marselhesa.
 
Catrin Möderler (ef)
 

quinta-feira, 30 de julho de 2009

1794: Robespierre é executado na guilhotina

Calendário Histórico- 2009.07.28

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No dia 28 de julho de 1794, o revolucionário francês Maximilien de Robespierre foi executado na guilhotina. O motivo de sua prisão foram boatos de endurecimento da Lei do Terror. Sua morte marcou o começo da última fase da Revolução Francesa.

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"Os reis, aristocratas e tiranos, independentemente da nação a que pertençam, são escravos que se revoltam contra o soberano da Terra, isto é, a humanidade, e contra o legislador do universo, a natureza", disse uma das figuras mais importantes da Revolução Francesa, Maximilien de Robespierre, a 24 de abril de 1793.

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O jovem advogado Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794) pretendia mudar o destino da França. Desde o início de sua carreira política, destacou-se pela firmeza e pela forma radical de defender suas idéias. Influenciado por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), defendia um Estado voltado para o bem comum e a vontade geral, estabelecido em bases democráticas. "O indivíduo é nada; a coletividade é tudo", afirmava, lembrando o famoso Contrato Social de Rousseau.

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Robespierre foi cofundador e líder do Partido Jacobino na Convenção Nacional (parlamento francês de 1792 a 1795). Seus discursos acertavam o nervo da França revolucionária. "É natural que o bom senso avance lentamente. O governo viciado encontra nos preconceitos, nos costumes e na educação dos povos um poderoso apoio. O despotismo corrompe o espírito humano a ponto de ser adorado e, à primeira vista, torna a liberdade suspeita e terrível", afirmara no discurso Contra a Guerra.

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Os ideais da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – compunham seu slogan predileto. Robespierre tornou-se famoso como político sério e "incorruptível". Seu objetivo era eliminar privilégios e instituições do Antigo Regime. Propagou idéias revolucionárias para a época, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória e imposto progressivo segundo a renda.

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"Os habitantes de todos os países são irmãos; os diferentes povos devem se apoiar mutuamente como cidadãos de um Estado. Quem oprime uma nação declara-se inimigo de todas as nações. Quem guerreia contra um povo para impedir o progresso da liberdade e apagar os direitos humanos deve ser perseguido por todos os povos. Não só como inimigo comum e, sim, como um assassino rebelde e bandido."

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Proclamada a república, em 1792, Robespierre mostrou sua nova face. Não hesitou muito para selar o destino do rei, aprisionado por revolucionários. Luís 16 foi julgado, condenado e, a 21 de janeiro de 1793, decapitado na guilhotina. "O terror nada mais é do que a justiça rápida, violenta e inexorável. É, portanto, uma expressão da virtude", justificou Robespierre.

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A pretexto de defender a revolução, os jacobinos instalaram um regime de terror na França em 1793-1794. Sob o comando de Robespierre, a Constituição foi suspensa e foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário. Esses órgãos descambaram depois para a conspiração e execução na guilhotina de membros do próprio partido jacobino, como Georges-Jacques Danton (1759-1794), confundindo inimigos e aliados.

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A guilhotina funcionava sem parar. Com a ameaça de morte pairando sobre todos, deputados moderados da Convenção Nacional tramaram a prisão de Robespierre e seus colaboradores mais próximos. No dia 28 de julho de 1794, deram aos ilustres prisioneiros o mesmo destino que estes haviam dado ao rei Luís 16: a guilhotina.

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Robespierre havia assumido poderes ditatoriais. Calcula-se que o terror jacobino causou dezenas de milhares de vítimas, entre elas o químico Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794). Em apenas 49 dias, Robespierre mandou executar 1.400 pessoas. No final, o terror engoliu os terroristas. Um ano após a morte de Robespierre, a França obteve um novo governo, comandado por cinco "diretores".

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O chamado Diretório representou o fim da supremacia e do terror dos jacobinos. Em 1795, a Convenção promulgou uma nova Constituição, que, segundo seu relator, Boissy d'Anglas, centrou-se em "garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do industrial e a segurança de todos".

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O poder foi organizado sob a forma de uma república colegiada de notáveis, tendo o Diretório como poder executivo. No período do Diretório (1795-1799), a França mergulhou numa nova crise econômica e social, agravada por ameaças externas. Para manter seus privilégios políticos, a burguesia entregou o poder a Napoleão Bonaparte, que o exerceu com o mesmo absolutismo que havia sido derrubado pela Revolução Francesa.

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Catrin Möderler/gh

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terça-feira, 30 de junho de 2009

1613: Estreia de "Henrique 8º", de Shakespeare

Calendário Histórico | 29.06.2009


No dia 29 de junho de 1613 estreou a peça "Henrique 8º", em que William Shakespeare encenou as tramas de poder dentro da corte e a história amorosa de Henrique 8º.

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As desventuras conjugais do rei inglês Henrique 8º foram transformadas numa peça de teatro por William Shakespeare. O drama baseia-se exclusivamente em acontecimentos históricos. O primeiro divórcio, o segundo casamento, o nascimento de Elizabeth 1ª. Daí o título original: All is true – tudo é verdade. As edições posteriores das obras completas de Shakespeare deram um novo título à peça: Henrique 8º.

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Catarina de Aragão foi a primeira esposa de Henrique 8º. Após 23 anos de casamento e cinco filhos, dos quais quatro morreram e apenas uma menina sobreviveu, o rei declarou-se farto da esposa. Um novo casamento, com Ana Bolena, uma dama de companhia da rainha, deveria trazer-lhe o almejado herdeiro do trono. Mas as autoridades eclesiásticas de Roma recusaram-se a anular seu casamento.

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Sem titubear, Henrique 8º rompeu com o Papa e a Igreja Católica romana. Para realizar seu divórcio, ele fundou a Igreja Anglicana, da qual se declarou chefe. Mas também alguns integrantes leigos da corte protestaram contra a arbitrariedade do rei.

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80 anos depois

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Tudo isso já havia ocorrido há exatamente 80 anos, quando William Shakespeare escreveu, em 1613, uma peça sobre o jogo de amor, poder e política do rei Henrique 8º. Por falta de conhecimento próprio, ele buscou apoio em outras fontes: a crônica inglesa do historiador Holinshed e as biografias de mártires cristãos de John Foxe lhe forneceram fatos comprovados. Além disso, é bastante provável que John Fletcher, um colega escritor de Shakespeare, tenha participado como coautor do texto.

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A peça é a reportagem de um escândalo em forma dialógica. Sem dúvida fascinante para os contemporâneos de Shakespeare. Faltaram, no entanto, os conflitos teatrais entre o dever e o desejo, entre o amor e a determinação, que a teriam transformado numa peça de validade universal. É por isso que Henrique 8º, de Shakespeare, desapareceu dos repertórios teatrais de hoje.

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A grande cena final da peça foi, ao mesmo tempo, uma reverência de Shakespeare à sua protetora: é o batismo da filha recém-nascida de Henrique 8º, a futura rainha Elizabeth 1ª.

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Shakespeare fez a encenação de estreia de forma bombástica. Na cena do batismo, mandou que fossem disparadas salvas de canhão. Uma delas provocou um incêndio no telhado colmado do teatro, que terminou inteiramente destruído pelo fogo. O lema de Shakespeare tornara-se realidade: o mundo inteiro é um teatro.

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Catrin Möderler (am)

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in DW World
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