Em barricas ou em hóstias, os ovos-moles de Aveiro querem-se docinhos e de cor bem amarela. Na Oficina do Doce revela-se a história e prova-se a iguaria conventual. A confecção chega ao visitante que pode participar no enchimento e no corte. Na descoberta deste atractivo da nossa doçaria exploramos, ainda, a importância da Indicação Geográfica Protegida e a indústria, crescente, das barricas de madeira.
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A despedida deste local didáctico sobre os ovos-moles faz-se com uma prova. O doce da cidade à beira ria terá nascido nos conventos existentes na região até ao século XIX. Por essa altura os conventos foram extintos, mas a receita das freiras continuou viva nas mãos das jovens educadas nas instituições religiosas. A proximidade com a ria e com o mar deu ao doce formas de amêijoas, búzios e conchas. Nas estações de comboios, as doceiras, vestidas a preceito, tinham bancas de venda. Adoçavam a boca dos viajantes. Os ovos-moles de Aveiro foram assim sobrevivendo ao avanço do tempo e ainda hoje se confeccionam de acordo com a receita original. «A certificação de Indicação Geográfica Protegida (IGP) é uma grande mais-valia para o produto e seus produtores, uma vez que garante que daqui em diante, só poderão estar à venda os ovos-moles de Aveiro que respeitem integralmente a receita original, que envolve a qualidade das matérias-primas e, evidentemente, o saber fazer das doceiras que o confeccionam», afirma o também vice-presidente Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro (APOMA).
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Na descoberta da Oficina do Doce, Rui Miguel Almeida levanta uma pontinha do véu que encobre o segredo desta iguaria aveirense. O segredo como nos diz, «está muito associado à qualidade das matérias-primas e à experiência das doceiras que o confeccionam».
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A riqueza dos ovos-moles
O doce que se serve em hóstias com formas do mar e dentro de barricas ilustradas também elas com imagens marítimas tornou-se um atractivo turístico. Os ovos-moles ganham adeptos nas margens da ria de Aveiro do mesmo modo que os moliceiros captam atenções para os mesmos canais que serpenteiam a cidade. Rui Miguel Almeida confessa que tem havido um incremento da procura de ovos-moles e associa este crescimento ao trabalho de «divulgação que temos feito, quer a APOMA, quer os diversos produtores, pela qualidade do produto apresentado, quer pela participação em feiras do sector». O mesmo responsável deixa claro que «a doçaria ocupa uma posição muito importante na indústria da cidade e no seu crescimento, são muitas e boas as ofertas dentro da doçaria que o visitante encontra por cá». A par da riqueza directa que os ovos-moles geram, nasce uma indústria paralela, as barricas. «Existe apenas uma empresa na cidade que se dedica à produção das barricas de madeira pintadas à mão. Neste momento sabemos que o negócio das barricas de madeira tem tido algum crescimento e portanto perspectiva-se que vá continuar de boa saúde», comenta Rui Miguel Almeida, deixando um alerta «as barricas de madeira e porcelana, juntamente com a hóstia são as três forma possíveis de apresentação dos ovos-moles de Aveiro. Quaisquer outras formas de apresentação não são permitidas».
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