Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A doce tentação de Aveiro já tem selo de qualidade Ovos-moles

Os ovos-moles de Aveiro há muito que são a imagem de marca da cidade da ria e, agora, passaram a ser também o primeiro produto de doçaria a ser certificado em Portugal.  
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Por Maria José Santana (texto) e Paulo Pimenta (foto)

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Aviso aos falsificadores de doçaria tradicional: escusam de continuar a tentar produzir ovos-moles de Aveiro. Este doce conventual está já certificado e passou a ser comercializado com uma espécie de "selo de qualidade". Desta forma, o consumidor passa a ter a garantia de que está a comprar ovos-moles de Aveiro genuínos, ou seja, que cumpriram todas as exigências estipuladas para a confecção deste doce. Portanto, aos falsificadores - leia-se, produtores de doçaria que tentavam vender creme de ovos como se fossem ovos-moles -, não resta alternativa senão desistir.

Ana Soeiro, secretária-geral da Qualifica (Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses), não tem a menor dúvida de que os únicos prejudicados com a certificação "são os falsificadores". De resto, "todos ficam a ganhar: o país, que vê uma peça do seu património cultural reconhecida; os produtores, que vêem o seu trabalho compensado; e os consumidores, que passam a ter a certeza do que estão a comer".

Essa certeza é atestada por um selo que começou, agora, a ser afixado nas caixas de ovos-moles. E também ele está imune a falsificações. "O selo tem um código de barras e está numerado, portanto, não dá para falsificar", alerta Isabel Rosas, da empresa Sagilab, que procede à certificação do doce conventual aveirense. E nem poderia ser de outra maneira, uma vez que isto de ser um produto certificado tem muito que se lhe diga.

O processo já tem dez anos, tempo que levou a tornar uma realidade a ideia de proteger os ovos-moles de Aveiro, com a obtenção da Indicação Geográfica Protegida. Na certeza de que, para conseguirem exibir os certificados nas embalagens de ovos-moles que lançam para o mercado, os produtores têm de se sujeitar a um exigente processo de auditorias.

Regras apertadas


"Os produtores, que só podem ser da região de Aveiro, de Ovar até Mira, são auditados de surpresa. Basicamente, verificamos se o produto está a ser confeccionado de acordo com as especificações. Os ovos têm de ser frescos e da zona geográfica de Aveiro, as formas das hóstias têm de ser aquelas que estão previstas", exemplifica Cátia Saraiva, técnica da empresa que procede às auditorias.

A verificação parece não trazer quaisquer problemas para quem produz. Pelo menos, é isso que afirma Rui Almeida, gerente da Fabridoce, unidade fabril que produz cerca de 70 toneladas de ovos-moles por ano, conta com 30 funcionários, e garante a distribuição deste doce em superfícies comerciais de todo o país. "Para nós que trabalhamos com hipermercados, essas auditorias já não constituem novidade. Empresas como o Continente e o Pingo Doce visitam-nos umas quatro vezes por ano, também de surpresa", conta o gerente da Fabridoce, que é um dos mais acérrimos defensores desta certificação. "Além de todas as garantias de qualidade, este selo poderá levar a combater esse receio que muitos consumidores tinham de comprar ovos-moles fora de Aveiro", argumenta Rui Almeida.

Este produtor também não tem dúvidas de que esta certificação acaba com "esses apetites para adulterar os ovos-moles de Aveiro". "Existiam casos de produtores que faziam creme de ovos, tipo o creme da bola-de-berlim, e vendiam como ovos-moles. Agora acabou", acredita.

Nesta fase inicial, o número de confeitarias ou unidades de produção que está já sujeito a este processo ascende já a um total de quinze. A adesão é voluntária, mas Francisco Silva, presidente da Associação de Produtores de Ovos Moles (APOMA), acredita que todos os associados (mais de 30) acabarão por avançar para a certificação. Aliás, esse será o único caminho possível. Só quem apresentar um produto devidamente certificado pode vender o seu doce como sendo ovos-moles de Aveiro. Caso contrário, terão que escolher uma qualquer outra designação.

Noivo do espumante


Para já, o doce que teve a sua origem no Convento de Jesus em Aveiro - e cujos ingredientes não vão além da água, açúcar e gemas - é o único produto de doçaria certificado em Portugal e o primeira doce conventual a alcançar o mesmo estatuto no espaço comunitário.

Assim certificados, os ovos-moles até já têm prometido um "casamento" - a palavra usada foi essa mesma. Basicamente, a ideia passa por "casar" o doce tradicional aveirense com outro ex-líbris da região: o espumante da Bairrada, de preferência "bruto". O que se pretende é que os dois produtos comecem a aparecer juntos e a serem degustados em simultâneo.

Para os que ousam pensar que a ideia não passa disso mesmo, aqui fica a prova contrária: o "noivado" já foi oficializado. Na altura em que procedeu à entrega dos primeiros "selos de qualidade" dos ovos-moles de Aveiro - cerimónia realizada na passada quarta-feira, na caves Aliança, em Anadia -, a APOMA assegurou o início da relação dos dois produtos. Ficando, desde já, essa certeza: a ideia reúne apoio, especialmente por parte de quem aprecia as duas iguarias. "Louvo esse casamento. É uma relação que resulta muito bem", assegura Ana Soeiro, com base nos seus vastos conhecimentos sobre os produtos tradicionais portugueses. O presidente da APOMA classifica-a como "uma santa aliança".

O "namoro", esse já leva algum tempo e foi apadrinhado pela Câmara de Aveiro. A autarquia optou, no seu protocolo, por substituir o habitual "porto de honra" por um "Aveiro de honra", que é, nada mais, nada menos, do que a junção desses dois produtos regionais: ovos-moles e espumante.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Oficina dos Ovos-Moles de Aveiro - Conhecer, fazer e provar


Em barricas ou em hóstias, os ovos-moles de Aveiro querem-se docinhos e de cor bem amarela. Na Oficina do Doce revela-se a história e prova-se a iguaria conventual. A confecção chega ao visitante que pode participar no enchimento e no corte. Na descoberta deste atractivo da nossa doçaria exploramos, ainda, a importância da Indicação Geográfica Protegida e a indústria, crescente, das barricas de madeira.

Sara Pelicano | segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
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Correm na Ria os moliceiros. Barcos de borda baixa, com proa e ré bem torneadas. Pintados de cores vivas, retratam quase sempre cenas caricatas do dia-a-dia. Desfilam pela ria de Aveiro, também nome de cidade, captando olhares curiosos. Nas margens, as atenções voltam-se para as barricas, pintadas com cenas do mar e pequenas formas marítimas, como búzios, amêijoas e conchas. Assim se apresentam os ovos-moles de Aveiro. Na cidade o doce conventual típico tornou-se atractivo turístico, existindo mesmo locais onde o visitante pode confeccionar ovos -moles. «Na visita à Oficina do Doce, o visitante terá oportunidade de conhecer todo o envolvimento histórico associado à origem desta especialidade da cidade de Aveiro, seguido de demonstração in loco da forma de fabrico dos ovos», explica Rui Miguel Almeida, da administração da Oficina do Doce, localizada no centro da cidade. É nesta área de confecção que os mais audazes podem meter mãos na massa. «Para os visitantes interessados, convidamo-los a participar no enchimento e corte, que representa a parte final da produção dos Ovos-Moles de Aveiro», conta Rui.
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A despedida deste local didáctico sobre os ovos-moles faz-se com uma prova. O doce da cidade à beira ria terá nascido nos conventos existentes na região até ao século XIX. Por essa altura os conventos foram extintos, mas a receita das freiras continuou viva nas mãos das jovens educadas nas instituições religiosas. A proximidade com a ria e com o mar deu ao doce formas de amêijoas, búzios e conchas. Nas estações de comboios, as doceiras, vestidas a preceito, tinham bancas de venda. Adoçavam a boca dos viajantes. Os ovos-moles de Aveiro foram assim sobrevivendo ao avanço do tempo e ainda hoje se confeccionam de acordo com a receita original. «A certificação de Indicação Geográfica Protegida (IGP) é uma grande mais-valia para o produto e seus produtores, uma vez que garante que daqui em diante, só poderão estar à venda os ovos-moles de Aveiro que respeitem integralmente a receita original, que envolve a qualidade das matérias-primas e, evidentemente, o saber fazer das doceiras que o confeccionam», afirma o também vice-presidente Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro (APOMA).
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Na descoberta da Oficina do Doce, Rui Miguel Almeida levanta uma pontinha do véu que encobre o segredo desta iguaria aveirense. O segredo como nos diz, «está muito associado à qualidade das matérias-primas e à experiência das doceiras que o confeccionam».
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A riqueza dos ovos-moles
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O doce que se serve em hóstias com formas do mar e dentro de barricas ilustradas também elas com imagens marítimas tornou-se um atractivo turístico. Os ovos-moles ganham adeptos nas margens da ria de Aveiro do mesmo modo que os moliceiros captam atenções para os mesmos canais que serpenteiam a cidade. Rui Miguel Almeida confessa que tem havido um incremento da procura de ovos-moles e associa este crescimento ao trabalho de «divulgação que temos feito, quer a APOMA, quer os diversos produtores, pela qualidade do produto apresentado, quer pela participação em feiras do sector». O mesmo responsável deixa claro que «a doçaria ocupa uma posição muito importante na indústria da cidade e no seu crescimento, são muitas e boas as ofertas dentro da doçaria que o visitante encontra por cá». A par da riqueza directa que os ovos-moles geram, nasce uma indústria paralela, as barricas. «Existe apenas uma empresa na cidade que se dedica à produção das barricas de madeira pintadas à mão. Neste momento sabemos que o negócio das barricas de madeira tem tido algum crescimento e portanto perspectiva-se que vá continuar de boa saúde», comenta Rui Miguel Almeida, deixando um alerta «as barricas de madeira e porcelana, juntamente com a hóstia são as três forma possíveis de apresentação dos ovos-moles de Aveiro. Quaisquer outras formas de apresentação não são permitidas».
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