Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

uma, duas, três ... quatro casinhas como se fossem os 4 "mosquiteiros"




[Gosto da] Minha Casinha  - 1943

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu tecto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor tecto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saúde e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres

tem mais alegria.

Autor da Letra:Linhares Barbosa
Autor da Música:Frederico de Brito


Uma Casa Portuguesa

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existéncia singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tijela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!


Autor da Letra:Reinaldo Ferreira
Autor da Música:Matos Sequeira / Artur Fonseca

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A Casa da Mariquinhas

Foi no Domingo passado que passei 
À casa onde vivia a Mariquinhas 
Mas está tudo tão mudado 
Que não vi em nenhum lado 
As tais janelas que tinham tabuinhas

Do rés-do-chão ao telhado 
Não vi nada, nada, nada 
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas 
E há um vidro pegado e azulado 
Onde via as tabuinhas

Entrei e onde era a sala agora está 
À secretária um sujeito que é lingrinhas 
Mas não vi colchas com barra 
Nem viola nem guitarra 
Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

O tempo cravou a garra 
Na alma daquela casa 
Onda às vezes petiscávamos sardinhas 
Quando em noites de guitarra e de farra 
Estava alegre a Mariquinhas

As janelas tão garridas que ficavam 
Com cortinados de chita às pintinhas 
Perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça 
Com cercaduras de lata às voltinhas

E lá pra dentro quem passa 
Hoje é pra ir aos penhores 
Entregar o usurário, umas coisinhas 
Pois chega a esta desgraça toda a graça 
Da casa da Mariquinhas

Pra terem feito da casa o que fizeram 
Melhor fora que a mandassem prás alminhas 
Pois ser casa de penhor 
O que foi viver de amor 
É ideia que não cabe cá nas minhas

Recordações de calor 
E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer 
Numas ginjinhas

Pois dar de beber à dor é o melhor 
Já dizia a Mariquinhas 
Pois dar de beber à dor é o melhor 
Já dizia a Mariquinhas




Autor da Letra:Silva Tavares
Autor da Música:Popular
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Ave Maria No Morro


Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura
Lá no morro
Barracão é bangalô

Lá não existe
Felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer

E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria
E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria

Ave Maria
Ave
E quando o morro escurece
Elevo a Deus uma prece
Ave Maria.


Letra  e Música - Herivelto Martins

terça-feira, 8 de junho de 2010

Estranha Forma de Vida - 9 versões


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"c1f1a", me tomé la licencia de editar su material y subir otra versión de esta hermosa canción de Amália.

Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro

Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vives de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vives perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais

Se não sabes onde vais:
para, deixa de bater,
eu não te acompanho mais.

Extraña forma de vida (En castellano)
- Mi traducción -

Fue por voluntad de Dios
que yo vivo en esta ansiedad
que todos los ayes son míos,
que es toda mía la aflicción.
Fue por voluntad de Dios.

Que extraña forma de vida
tiene este corazón mío:
vives de vida perdida.
¿Quién le daría el don?
Qué extraña forma de vida

Corazón independiente
corazón que no comando:
vives perdido entre la gente,
tercamente sangrando,
corazón independiente.

Yo no te acompaño más:
para, deja de latir.
Si no sabes adonde vas,
por qué porfías en correr,
yo no te acompaño más.

Si no sabes donde vas:
para, deja de latir,
yo no te acompaño más.
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SallyRose14 27 de Dezembro de 2008Mariza - Estranha Forma de Vida live at the Kennedy Art Centre 18-04-2002.
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Thanx U for saving these treasures from way back.
I hope you enjoy listening and watching at Mariza as I do.
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AlanBrown111 5 de Julho de 2008 — Fadista Mafalda Arnauth at the Castelo Sao Jorge in Lisbon, with Luis Guerreiro on Portuguese guitar.
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toubazzz 10 de Julho de 2007 — Ao vivo no Coliseu de Lisboa - Paulo Gonzo & Carlos do Carmo - Estranha Forma de Vida
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..SOBRADEX 14 de Agosto de 2007 — ESTRANHA FORMA DE VIDA (REMISTURAS VOL 1) - XEG

 

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travesti24 7 de Novembro de 2008Maria Bethânia canta Estranha Forma de Vida e Canção da Volta, no espetáculo Nossos Momentos em 1982.

Agradecimentos à comunidade Maria Bethânia Re(verso).
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telpites 17 de Novembro de 2008 — Recolha de fotografias e video de apresentações ao vivo da Fadista Luso-Americana, com música do seu primeiro álbum, "Corre-me o Fado nas Veias". Letra de Amália Rodrigues e música de Alfredo Duarte "Marceneiro". -Nathalie Pires
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 vengri 1 de Maio de 2009 — Concerto Belgrado, 10 de Fevereiro de 2008.
Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble:
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Jorge Gonçalves - violino; António Figueiredo - violino; Ventzislav Grigorov - viola de arco; Luís Claude - violioncelo; Duncan Fox - piano
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quinta-feira, 4 de março de 2010

ALFREDO MARCENEIRO - O BEBADO PINTOR


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manelmesquitella




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Encostado sem brio ao balcão da taberna
De nauseabunda cor e tábua carcomida
O bêbado pintor a lápis desenhou
O retrato fiel duma mulher perdida
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Era noite invernosa e o vento desabrido
Num louco galopar ferozmente rugia,
Vergastando os pinhais, pelos campos corria,
Como um triste grilheta ao degredo fugido.
Num antro pestilento, infame e corrompido,
Imagem de bordel, cenário de caverna,
Vendia-se veneno à luz duma lanterna
À turba que se mata, ingerindo aguardente,
Estava um jovem pintor, atrofiando a mente,
Encostado sem brio ao balcão da taberna.
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Rameiras das banais, num doido desafio,
Exploravam do artista a sua parca féria,
E ele na embriaguez do vinho e da miséria,
Cedia às tentações daquele mulherio.
Nem mesmo a própria luz nem mesmo o próprio frio,
Daquele vazadouro onde se queima a vida,
Faziam incutir à corja pervertida,
Um sentimento bom damor e compaixão,
Plo ébrio que encostava a fronte ao vil balcão,
De nauseabunda cor e tábua carcomida.
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Impudica mulher, perante o vil bulício
De copos tilintando e de boçais gracejos,
Agarrou-se ao rapaz, cobrindo-o de beijos,
Perguntando a sorrir, qual era o seu oficio,
Ele a cambalear, fazendo um sacrifício,
Lhe diz a profissão em que se iniciou,
Ela escutando tal, pedindo-lhe alcançou
Que então lhe desenhasse o rosto provocante,
E num sujo papel, o rosto da bacante
O bêbado pintor com um lápis desenhou.

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Retocou o perfil e por baixo escreveu,
Numa legível letra o seu modesto nome,
Que um ébrio esfarrapado, com o rosto cheio de fome,
Com voz rascante e rouca à desgraçada leu,
Esta, louca de dor, para o jovem correu,
E beijando-lhe o rosto, abraço-o de seguida...
Era a mãe do pintor, e a turba comovida,
Pasma ante aquele quadro, original, estranho,
Enquanto o pobre artista amarfanha o desenho:
O retrato fiel duma mulher perdida.
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Alfredo Marceneiro - A Casa da Mariquinhas


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O Melhor de Alfredo Marceneiro   
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ALFREDO MARCENEIRO A CASA DA MARIQUINHAS LYRICS

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Letra - Silva Tavares

É numa rua bizarra
A casa da Mariquinhas
Tem na sala uma guitarra
Janelas com tabuinhas
Tem na sala uma guitarra
Janelas com tabuinhas
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Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo
De vida de raparigas
E não há maior regalo
De vida de raparigas
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É doida pelas cantigas
Como no campo a cigarra
Se canta o fado à guitarra
De comovida até chora
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra
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Para se tornar notada
Usa coisas esquisitas
Muita renda, muitas fitas
Lenços de cor variada
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Pretendida e desejada
Altiva como as rainhas
Ri das muitas coitadinhas
Que a censuram rudemente
Por verem cheia de gente
A casa da Mariquinhas
Por verem cheia de gente
A casa da Mariquinhas
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É de aparência singela
Mas muito mal mobilada
E no fundo não vale nada
O tudo da casa dela
No fundo não vale nada
O tudo da casa dela
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No vão de cada janela
Sobre coluna uma jarra
Colchas de chita com barra
Quadros de gosto magano
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra
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Para guardar o parco espólio
Um cofre forte comprou
E como o gás acabou
Ilumina−se a petróleo
E como o gás acabou
Ilumina−se a petróleo
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Limpa as mobílias com óleo
De amêndoa doce, e mesquinhas
Pasmam defronte as vizinhas
Pra ver o que lá se passa
Mas ela tem por pirraça
Janelas com tabuinhas
Mas ela tem por pirraça
Janelas com tabuinhas 

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http://www.justsomelyrics.com/299138/Alfredo-Marceneiro-A-Casa-da-Mariquinhas-Lyrics

 Pode ouvir também de Alfredo Marceneiro:

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ALFREDO D. MARCENEIRO - "A Viela"

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Letra - Guilherme Pereira da Rosa

Fotografias de Lisboa

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            http://www.youtube.com/watch?v=ptC0Kq4L-gM

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Fui de viela em viela
Numa delas, dei com ela
E quedei-me enfeitiçado...
Sob a luz dum candeeiro,
S’tava ali o fado inteiro,
Pois toda ela era fado.
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Arvorei um ar gingão,
Um certo ar fadistão
Que qualquer homem assume.
Pois confesso que aguardei
Quando por ela passei
O convite do costume.
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Em vez disso no entanto,
No seu rosto só vi pranto,
Só vi desgosto e descrença.
Fui-me embora amargurado
Era fado, mas o fado,
Não é sempre o que se pensa.
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Ainda recordo agora
A visão, que ao ir-me embora
Guardei da mulher perdida.
Na pena que me desgarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida.

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