Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Crimes nas cidades: Setúbal

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Sérgio Lemos

Gangs juvenis atacam nas ruas

Pequenos grupos de rapazes, com idades entre 12 e 16 anos, armados na maior parte das vezes com facas – e que marcam as vítimas mais frágeis que lhes saem ao caminho para assaltar com violência. As pessoas, normalmente, acabam por ficar sem telemóveis, ouro e dinheiro que transportem na rua. Depois dos assaltos à mão armada a estabelecimentos comerciais, é esta a nova tendência do crime na cidade de Setúbal, desde o final de 2009 até agora, segundo a PSP.
  • 25 Maio 2010 - Correio da Manhã
Por:Helder Almeida
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O retrato actual mostra uma realidade diferente daquela a que a cidade habituou os habitantes. "Em 2008 e 2009, qualquer estabelecimento que tivesse uma caixa registadora era um alvo, principalmente farmácias e bombas de gasolina. E tivemos imensos estabelecimentos assaltados à mão armada para roubar apenas 20 ou 30 euros", diz ao CM o comandante da PSP local, intendente Bastos Leitão. Mas os dados disponíveis até Abril deste ano indicam que houve uma mudança de registo. "Hoje é mais um crime de rua" (ver entrevista).
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Sentada numa cadeira, na esplanada de um café, está Fátima Silva, de 43 anos, funcionária de caixa num supermercado e residente na avenida Bento de Jesus Caraça, nas imediações do bairro da Bela Vista, há 20 anos. "A partir das 20h00 é muito complicado andar na rua, há muitos grupinhos de rapazes. Todas estas lojas aqui da zona já foram assaltadas, é só perguntar. Quando chego a casa tarde vou sempre a correr, com medo". De facto, não é fácil encontrar nesta zona um estabelecimento que não tenha sido alvo de um assalto. Cristina Paradela, 38 anos, gere uma papelaria e um café. "O estabelecimento já foi assaltado três vezes, a última foi há um ano. As coisas só melhoraram quando coloquei o gradeamento na porta". 
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Logo à frente, a gerente da pastelaria Trigo de Mel, Isabel Santana, de 45 anos, conta que num espaço de dois meses foi assaltada duas vezes, com uma semana de intervalo. "Partiram as janelas para entrar. Nunca nos sentimos seguros aqui e também vemos poucas vezes a polícia", queixa-se. Jorge Gomes, 44 anos, reformado, mora mesmo ao lado do bairro. E queixa-se do tráfico. "Aqui há muita droga e é tudo feito à vista desarmada. Por isso é que a polícia tem vindo cá ultimamente fazer algumas rusgas aos cafés, sobretudo à noite".
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DISCURSO DIRECTO
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"MUDANÇA DE PADRÃO": Bastos Leitão, comandante da PSP de Setúbal 
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Correio da Manhã – Qual o tipo de crime mais usual na cidade?
Bastos Leitão –Existe em Setúbal uma criminalidade maioritariamente praticada por jovens, cuja idade pode variar entre os doze e os dezasseis anos. É bastante vulgar jovens com estas idades serem detectados por nós no cometimento de crimes.
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– E quais são os alvos destes grupos?
– Na cidade, em 2008 e 2009, os grandes alvos desta criminalidade foram os estabelecimentos comerciais, sem dúvida. Neste momento o padrão é um crime de rua, no espaço público, mais grupal do que era anteriormente, e com recurso a arma branca.
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– Qual o balanço do primeiro trimestre de 2010?
– Muito positivo. Neste momento há um abaixamento na criminalidade grave e violenta em dez por cento. E na criminalidade geral a descida é de dois por cento. 
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"DEPOIS DE ESCURECER JÁ NÃO SE VÊ NINGUÉM AQUI"
Toda a zona da Baixa de Setúbal até à zona dos bares, no final da avenida Luísa Todi, é considerada pelas autoridades uma área sensível. Essencialmente uma zona de comércio, por volta das 20h00, nas ruas estreitas, já é raro ver passar alguém, e quem o faz é sempre com o coração nas mãos. Quando está de serviço, de porta aberta (das 20h00 às 22h00), é à Farmácia Lisboa que muitos setubalenses se dirigem em busca de um remédio. Situada na rua Dra. Paula Borba, no centro da Baixa, também esta farmácia já foi assaltada no ano passado. 
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"Fomos obrigados a contratar um segurança, pago à hora, para que as pessoas que aqui vêm estejam descansadas e para que quem cá trabalha se sinta seguro", conta ao CM Teresa Chitas, 50 anos. A responsável pela farmácia diz mesmo que era normal ver chegar ali pessoas "completamente assustadas". A própria revela ter receio quando sai tarde, uma vez que "a zona é perigosa pois quando começa a escurecer não se vê absolutamente ninguém".
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Mesmo em frente da farmácia está a Ourivesaria Pedroso, propriedade de Aida Teixeira, 52 anos. E também ela não escapou aos assaltantes, em Janeiro deste ano. "Roubaram todo o ouro, jóias, muitas pratas e os relógios das melhores marcas", conta. Queixa-se da falta de polícias na zona e quando sai à noite da ourivesaria prefere não pensar no que lhe pode acontecer. Mas a PSP garante que os polícias estão lá, mas à civil. "Foi uma táctica que começámos a utilizar durante o ano passado e que continua. Foi eficaz pois os roubos [a estabelecimentos] baixaram, mas já não dá tantos resultados para o crime de rua" (ver texto principal), lamenta Bastos Leitão. 
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290 POLÍCIAS EM CINCO ESQUADRAS
A PSP é responsável pela segurança da cidade de Setúbal, que tem cerca de 110 mil habitantes. Conta com cerca de 290 polícias, que se dividem pela 1ª Esquadra, na avenida Luísa Todi; pela 2ª Esquadra, no Bairro da Bela Vista; pela Esquadra de Investigação Criminal, a Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial e a Esquadra de Trânsito. É também na cidade que está o comando desta força e o comando da GNR, além da Polícia Judiciária.
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SAIBA MAIS
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FARMÁCIAS A SAQUE
Setúbal foi o distrito do País que mais registou assaltos a farmácias em 2009.
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35 785
É o número de participações criminais em 2009, em Setúbal, referidas no Relatório Anual de Segurança Interna.
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3001
Ocorrências graves e violentas participadas. Setúbal é o terceiro distrito do País com a criminalidade mais grave. 
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ÁREAS MAIS SENSÍVEIS
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BAIRRO DA BELA VISTA
Com uma grande diversidade étnica e socioeconómica, é do bairro da Bela Vista que emerge uma maior fatia da criminalidade na cidade de Setúbal e no distrito. 
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AV. BENTO DE JESUS CARAÇA
Nas imediações do problemático bairro da Bela Vista, são poucos os espaços comerciais que ainda não tenham sido assaltados na avenida Bento de Jesus Caraça. 
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BAIXA DE SETÚBAL
A partir das 20h00, são poucos os que se aventuram no emaranhado das ruas da baixa setubalense. Em 2009 os assaltos a estabelecimentos foram frequentes.
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AVENIDA LUÍSA TODI
A principal artéria da cidade de Setúbal não foge à regra. A zona dos bares fica numa das pontas da avenida Luísa Todi – e é onde se registam vários desacatos e assaltos.
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BAIRRO DA CAMARINHA
Não é um caso tão problemático como a Bela Vista, mas ainda assim, por vezes, a polícia é chamada ao bairro para pôr termo a confrontos violentos.
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A requalificação do Bairro da Bela Vista em Setúbal


Espaços públicos vão entrar em obras

As atenções voltam-se de novo para o bairro da Bela Vista e desta vez é por boas razões

25.05.2010 - 10:20 Por Natália Abreu, com Lusa
No Bairro da Bela Vista, em Setúbal, os nomes das zonas residenciais são coloridos, mas a realidade dos cerca de 4500 habitantes que ali moram, distribuídos pelos bairros azul, amarelo e cor-de-rosa é bem menos alegre. No último ano, este aglomerado populacional foi notícia pela insegurança, violência, agitação social. Desta vez, não. A Câmara de Setúbal aprovou um plano de recuperação dos espaços públicos nos bairros amarelo e cor-de-rosa, um sinal de esperança para moradores que, porém, recebem a boa nova com alguma desconfiança.
Em 2009, a Bela Vista foi notícia por causa de confrontos  
Em 2009, a Bela Vista foi notícia por causa de confrontos (Nuno Ferreira Santos)


"Promessas há muitas, mas obras não vejo nada. Só vendo. Só acredito vendo", diz Cristina Costa, uma moradora. "Os bairros todos aqui à volta já foram arranjados. Só a Bela Vista é que há 30 anos não leva uma tinta", acrescenta António Mendes.

A primeira empreitada custará 1,6 milhões de euros e vai arrancar daqui a dois meses. É a única com concurso. O restante, 1,9 milhões em obras, será entregue por ajuste directo, repartido em dezena e meia de empreitadas que, no entanto, deixa de fora o bairro azul, o mais problemático em termos de conflitos sociais. Por agora, a sorte cabe apenas aos habitantes das zonas amarela e cor-de-rosa. Para o outro, fala-se num destino bem diferente: a demolição. Antes disso, é preciso encontrar alojamento alternativo. Há responsáveis que admitem este cenário, mas ninguém fala em prazos.

Em Maio de 2009, a Bela Vista chamou a atenção do país por causa de tumultos ocorridos na sequência da morte de um filho do bairro. Muita gente mobilizou-se para, depois disso, tentarem sacudir a má imagem que ficou colada à Bela Vista. Um ano depois, parte dessa mesma população voltará a ser chamada a ajudar o bairro, porque a requalificação dos prédios será feita pelos próprios moradores, que depois terão de zelar pela manutenção, salienta a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira. A autarquia limitar-se-á a recuperar espaços comuns, passeios, iluminação pública, pavimentos, e a plantar árvores. Na imagem virtual que tenta dar uma ideia da Bela Vista pós-obras, vêem-se duas dezenas de logradouros e pátios recuperados e luminosos, no meio de prédios que aparecem a cinzento. Certamente ajuda a destacar o que vai mudar - ao mesmo tempo que lembra que outro tanto continuará na mesma.

O pólo da biblioteca também será reabilitado. O programa de intervenções é vasto, o prazo de conclusão aponta para 2011. No programa está também a recuperação de espaços desportivos e parques infantis. Apenas um edifício privado será recuperado. Esta é, aliás, uma das principais queixas da autarquia. "O Estado não tem qualquer programa que permita a recuperação de habitações", explica o vereador Carlos Rabaçal. Os anos de 2000, 2002, 2007 e 2009 foram profícuos em notícias sobre a Bela Vista. Geralmente com imagens de chuvadas de pedra, de caixotes do lixo a arder e cargas policiais. Da última vez, a autarquia prometeu cuidar da Bela Vista. A promessa começa a cumprir-se, mas há uma dúvida a moer ainda os moradores: quando é que a Bela Vista pode fazer jus ao nome?
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População jovem, pobre e pouco instruída

Um mercado social para ajudar os mais necessitados




Para que não se diga que a intervenção é apenas cosmética de fachada, o pacote de obras para o Bairro da Bela Vista vem acompanhado de iniciativas de cariz imaterial e social.

Um dos principais projectos é a construção do Mercado Social, uma plataforma que facilitar a recolha e entrega de bens não perecíveis aos mais carenciadas. Num espaço de mais de 400 metros quadrados, o Mercado Social vai ter ainda zonas de oficinas que podem, no futuro, vir a empregar habitantes.

O Bairro da Bela Vista é um dos 13 bairros sociais do concelho de Setúbal e um dos mais complicados do ponto de vista social. A média de idades da sua população é inferior a 35 anos, e o nível de escolaridade é, geralmente, também baixo. Mais de 25 por cento dos habitantes estão desempregados. Dados de um estudo do Observatório da Bela Vista, realizado em 2006, dão conta que mais de metade da população vivia em situação de pobreza. O bairro caracteriza-se também por ser habitado por pessoas de várias origens e etnias, o que, não raras vezes, se tem traduzido num foco de problemas e tensões sociais.

Talvez por isso a autarquia aposte também numa forma de prevenir comportamentos de risco junto da comunidade mais jovem. Um centro interactivo com informação sobre os comportamentos de risco, abordados de forma original e numa lógica de proximidade, será a ferramenta a utilizar.

Em 2005, a Câmara de Setúbal criou o Gabinete da Bela Vista, um espaço com instalações no próprio bairro e com atendimento em horário de expediente. Para os técnicos, esta "estratégia de maior proximidade, permite entender quais as acções que devem ser desenvolvidas". N.A.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vídeo: Autarquia promete requalificar Bela Vista (Setúbal)

Lusa
16:53 Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

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A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, garantiu hoje que a requalificação de pátios e outros espaços públicos do bairro da Bela Vista terá início dentro de dois meses, mas os moradores preferem "esperar para ver".
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"Dentro de um ou dois meses vai ter lugar esta intervenção de requalificação da Bela vista. Os concursos vão ser abertos para procedermos à concretização destas obras", disse à Lusa a autarca setubalense, salientando que se trata de uma intervenção que ascende a cerca de 2,5 milhões de euros, no âmbito do programa de Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente (RUBE).
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"Também estamos a trabalhar em pareceria com o ACM (Associação Cristã da Mocidade) e com um grupo de jovens, para criarmos aqui comissões de moradores, tendo em vista a reabilitação dos edifícios", acrescentou.

Moradores têm de zelar pelos prédios


Maria das Dores Meira salientou, no entanto, que a requalificação dos prédios será feita pelos próprios moradores do bairro, cabendo depois aos residentes de cada prédio zelar pela manutenção e pelo bom estado dos edifícios.
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Além da parceria para a formação de condomínios, o ACM vai avançar também com o projeto "Oficina Aberta", que prevê a construção de laboratórios, salas de formação, espaços para a elaboração de projetos e de um pavilhão gimnodesportivo, e que pretende colmatar necessidades dos jovens estudantes, do pré-escolar ao 12º ano, bem como a formação dos moradores da Bela Vista.
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"A oficina aberta tem um conjunto de objetivos que vão desde o desenvolvimento físico ao desenvolvimento emocional, à capacitação profissional e à própria inserção profissional", disse à Lusa Mário Pereira, diretor da Associação Cristã da Mocidade, convicto de que o projeto vai mesmo avançar, mas denotando alguma preocupação com a "sustentabilidade" futura do mesmo.
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Apesar dos projetos anunciados para a Bela Vista, alguns moradores mostram-se muito céticos e garantem que a Bela Vista sempre foi excluída de qualquer intervenção de fundo nas últimas décadas.

Intervenção profunda


"Promessas há muitas, mas obras nas vejo nada. Só vendo. Só acredito vendo", disse Cristina Costa, uma moradora no bairro que o gostava de ver embelezado, mas que não acredita muito nisso.
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Também desconfiando quanto à concretização das obras anunciadas, António Mendes defendeu a necessidade de uma intervenção profunda na Bela Vista e aproveitou para lembrar que outros bairros contíguos já foram objeto de melhorias significativas.
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"Os bairros todos aqui à volta já foram arranjados. Só a Bela Vista é que há 30 anos não leva uma tinta. Os outros bairros, como o 2 de Abril, aqui ao lado, já levaram uma carrada de tintas", disse, aludindo às obras de requalificação já efetuadas naquele bairro.
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"E a Bela Vista também precisava de ter umas portas (de acesso a cada condomínio)", acrescentou António Mendes, entre dois jogos de dominó com um grupo de amigos.
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"Aqui (nos prédios da Bela Vista) entram cães, entram gatos, entram chineses, entram pretos, entram ciganos, está tudo misturado. Se não fizerem os condomínios isto não vai a lado nenhum", concluiu, deixando claro que o bairro precisa de muito mais do que a melhoria dos espaços públicos.
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Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 
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