Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 6 de abril de 2013

Morreu Luís Andrade, o comandante do Zip-Zip

(actualizado às )
Antigo director de programas da RTP e realizador de programas que marcaram a televisão em Portugal morreu em Lisboa aos 77 anos.
Luís Andrade em 2002, quando ainda estava na RTP David Clifford/Arquivo
Antes de cada nova emissão, dizia aos colegas: “Fala o comandante, vamos levantar voo”. Quando abandonou a RTP em 2007, disse: “Meus senhores, vamos aterrar”. Luís Andrade, uma das figuras-chave da televisão em Portugal, faleceu ao início da tarde deste sábado em Lisboa, onde se encontrava hospitalizado há alguns dias.
 
A RTP era a sua “família” e, mesmo depois de se ter “reformado” da estação continuava a ser “da família”. Não apenas por os seus três filhos terem feito carreira no canal público – Serenella, locutora e apresentadora, Hugo, responsável pelo canal de cabo RTP Memória, promovido a actual director de programas, e Ricardo, também profissional da estação.
 
É que, como com poucos outros, a história da televisão em Portugal é indissociável dos 44 anos que Luís Andrade passou na RTP, de 1963 a 2007. “A minha mulher costuma dizer que eu me casei com a RTP e não com ela”, disse quando abandonou a direcção de programas em 2005. Num comentário feito à Antena 1, Margarida Mercês de Mello, que conviveu com Andrade quando se iniciou na estação na década de 1970 como locutora de continuidade, lamentava que não existisse nenhum registo das recordações do antigo realizador e director de programas, que esteve ligado a algumas das emissões mais memoráveis do canal.
 
É o caso do lendário Zip-Zip de Carlos Cruz, José Fialho Gouveia e Raul Solnado, verdadeiro símbolo televisivo da Primavera Marcelista, que se tornou num fenómeno sem paralelo no Portugal de 1969 e cuja primeira emissão foi para o ar sem ensaio prévio. Ou ainda do concurso A Visita da Cornélia, apresentado por Solnado e criado pelo actor e por Fialho Gouveia, que fez parar o país em 1977.
 
Andrade dirigiu igualmente os Jogos sem Fronteiras, uma dúzia de edições do Festival RTP da Canção, programas como o Sabadabadu (com Ivone Silva e Camilo de Oliveira) e muitos especiais musicais, para os quais os seus estudos provaram ter especial importância. O realizador começou por ser cantor de ópera, profissão que exerceu um pouco por todo o mundo durante oito anos, antes de decidir abandonar o canto. Pouco depois do regresso definitivo a Lisboa, em 1963, foi convidado para se juntar à RTP, convite que aceitou com a exigência de ir “ver como se fazia lá fora”, visitando no processo várias televisões europeias.
 
Ao longo de quase meio século, Andrade exerceu igualmente uma série de cargos administrativos dos quais o mais importante terá sido a responsabilidade pela programação ao longo de vários períodos a partir de 1983, o último dos quais entre 2002 e 2005. Num texto colocado na rede social Facebook, Nuno Santos, que foi adjunto de Andrade durante esse período e lhe sucedeu como director de programas em 2005, lamenta o desaparecimento de um “príncipe da televisão”, um “(quase) pioneiro” a quem a RTP devia muito.
 
Com a morte de Luís Andrade perdeu-se "um romântico", afirmou à Lusa o apresentador de televisão Júlio Isidro, sublinhando que partiu "a pessoa que mais amava a RTP na história destes 56 anos de televisão em Portugal". Isto porque o realizador tinha "um profundo amor pela sua casa, a casa em que nunca deixou de participar mesmo nestes anos em que já estava teoricamente afastado", recordou.

A colaboração de Luís Andrade com a RTP terminou com a coordenação das comemorações do 50º aniversário da RTP em 2007, sendo agraciado em 2008 com a Ordem de Mérito atribuída pelo Presidente da República. Em entrevista há ano e meio à revista Nova Gente, manifestava-se contra a eventual privatização da estação, entendendo que o serviço público devia “servir as pessoas, educar e promover a cultura” e que devia passar ao lado da guerra das audiências.

Em comunicado, o Conselho de Administração da RTP lembra que Luís Andrade era "dos profissionais mais respeitados da televisão portuguesa" e que "a ele se devem muitos dos bons momentos de televisão a que gerações de portugueses assistiram e que ainda recordam". Recordando que o antigo director de programas era "dotado de um trato exemplar" e que era "muito querido de todos os colegas e de quantos com ele trabalharam", a administração da RTP sublinha: "Hoje Portugal e a RTP ficam mais pobres."
 
O corpo de Luís Andrade vai estar em câmara ardente na Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres, em Lisboa, a partir das 11h30. O funeral está marcado para segunda-feira: a missa é às 9h30 e o corpo segue depois para o cemitério do Alto de São João, às 10h30.

sábado, 4 de setembro de 2010

Não, minha filha, isto não é "Os Sapatos Vermelhos"

Festival de Veneza
 
03.09.2010 - 15:44 Por Jorge Mourinha, Veneza
Toda a gente faz a mesma pergunta: então e “Os Sapatos Vermelhos”, o clássico de Michael Powell e Emeric Pressburger sobre o mundo do bailado?
Natalie Portman em "The Black Swan"  
Natalie Portman em "The Black Swan" (DR)


Mas não, lamenta Darren Aronofsky na roda de imprensa veneziana para “Black Swan”, o filme de abertura da edição 2010 da Mostra. Não é por aí, ninguém pensou nisso. As referências devem ser procuradas mais noutros lados – Dostoievski (“O Duplo”), Polanski (“Repulsa”), Cronenberg.

E já agora também do anterior filme do realizador, “O Wrestler”. Porque o ballet e o wrestling são ambas actividades de uma extrema dureza física – e Vincent Cassel, que interpreta o papel de director artístico de uma companhia nova-iorquina e teve em adolescente aulas de acrobacia e bailado, diz que os bailarinos profissionais reconhecerão certamente a dureza e a dificuldade de uma arte que exige dedicação e entrega absoluta.

(Na projecção de imprensa, sempre que se ouvia um músculo, um torcicolo, uma queda, a audiência gemia.)

“Black Swan”, escusado será dizer, não é o filme do costume sobre o ballet. É um thriller psicológico sobre uma bailarina (soberba Natalie Portman) confrontada com o momento da verdade para o qual se treinou toda a vida (estrear-se como primeira bailarina no célebre “Lago dos Cisnes”). E o ballet, aqui, é uma metáfora da arte, da representação, da criatividade – e do modo como eles acordam o que de mais fundo (e não raras vezes perigoso) há em nós.

E foi (outra vez) um filme difícil de montar para Aronofsky - mesmo depois do triunfo do “Wrestler”, com o Leão de Ouro em Veneza 2008 e as múltiplas nomeações para os Óscares.

O projecto andava há cerca de dez anos a correr pelos estúdios sem que ninguém lhe pegasse, o financiamento independente caiu por terra a quinze dias da filmagem, foi a Fox que entrou no projecto à última hora na base do trabalho de pré-produção.

É, aliás, por isso que Aronofsky diz que quis ter o filme a concurso em Veneza, onde nem sempre os filmes de abertura concorrem – porque toda a atenção que se puder dar a um filme que sai fora das gavetas habituais só pode ajudar (como sabe por experiência própria). Subentendendo-se que é por causa disso que Aronofsky, Portman e Cassel se prestam a estas mesas-redondas de promoção onde acaba por não haver tempo que chegue para explorar gente com coisas interessantes para dizer sobre um bom filme. Mas a ele voltaremos quando chegar às salas nacionais. 
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FoxSearchlight | 17 de agosto de 2010
A psychological thriller set in the world of New York City ballet, BLACK SWAN stars Natalie Portman as Nina, a featured dancer who finds herself locked in a web of competitive intrigue with a new rival at the company (Mila Kunis). A Fox Searchlight Pictures release by visionary director Darren Aronofsky (THE WRESTLER), BLACK SWAN takes a thrilling and at times terrifying journey through the psyche of a young ballerina whose starring role as the duplicitous swan queen turns out to be a part for which she becomes frighteningly perfect.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A trailer for Chinese filmmaker Wang Quan'an's family drama, "Apart Together"

"Apart Together"
Berlinale

Cinema de autor na abertura

Públoico - 12.02.2010 - Jorge Mourinha, em Berlim

Em "Apart Together", Wang Quan'an quer traçar um conflito de gerações e falar do modo como tudo muda para que tudo fique igual 
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A abertura oficial de Berlim 2010 coube, na noite de ontem, a "Apart Together" ("Separados Juntos"), quinta longa do realizador chinês Wang Quan'an. É uma escolha sintomática: primeiro, o realizador é uma "descoberta" do festival, vencedor do Urso de Ouro em 2007 por "Tuya's Marriage"; segundo, é o primeiro filme "de autor" que abre a Berlinale nos últimos anos, por oposição a grandes produções como The International ou "La Vie en Rose". Terceiro (e mais importante), é um filme sobre uma reunificação que, por razões evidentes, ressoa de modo especial na capital alemã, encenando os reencontros de dois antigos amantes que a história separou em 1949.
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Foi nesse ano que a guerra civil chinesa terminou com a derrota do exército do Kuomintang, que se instalou em Taiwan, e a proclamação da República Popular da China. Sessenta anos depois, um desses soldados exilados à força regressa a Xangai, em busca da namorada que deixou grávida e com a qual nunca mais pôde falar. Cada um do seu lado constituiu família, e o regresso dele, agora viúvo, com o desejo expresso de poder finalmente viver o amor que a história lhe roubou, vem abrir um enorme saco de gatos na família dela, apesar do apoio entusiástico do marido...
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O que há de bom no filme de Wang Quan'an é a delicadeza e o humor com que desenha este peculiar triângulo amoroso em tom menor, a atenção com que dirige um trio de extraordinários veteranos dos estúdios de Xangai (todos com mais de 70 anos de idade). Só que Wang quer também falar do modo como a cidade mudou (não forçosamente para melhor) no último meio século, quer traçar um conflito de gerações, quer falar do modo como tudo muda para que tudo fique igual. E, ao fazê-lo, sobrecarrega um filme simpático, amável, modesto, com mais do que ele consegue aguentar. Se se louva a ideia de dar honras de abertura a um filme de autor, digamos que Apart Together, apesar de estimável, não é necessariamente um grande cartão de visita.

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A trailer for Chinese filmmaker Wang Quan'an's family drama, "Apart Together" was released Thursday, a week before it opens this year's Berlin International Film Festival.

Over fifty years after the proclamation of the Peoples Republic of China on the Chinese mainland and the founding of the island republic of Taiwan, permission is given for the first time for a group of ex-soldiers of the National Peoples Party or Kuomintang to travel from Taiwan to China and be reunited with family members in Shanghai.
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These soldiers fought bitterly against Communist troops during Chinas civil war from 1927 onwards, until they were forced to retreat to Taiwan in 1949. One of the comrades-in-arms travelling with the group to his former home in Shanghai is an ageing soldier named Lui Yansheng. His reason for embarking on this journey is not to see the family members he left behind on the mainland but to find the one and only love of his life, Qiao Yue, whom he was obliged to leave behind in Shanghai without a word of farewell, and their son, who was born after he took flight.
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After having made contact via letter, he manages to arrange a meeting during which he quickly realises that Qiao Yue, who has founded a family with an officer in the Peoples Liberation Army, still feels the same way about him as before. Its not hard for Liu Yangsheng to persuade his former partner to go back with him to Taiwan. He hopes that, by promising to leave his entire savings to her husband and their children, he will be able to secure the familys agreement. But his proposal gives rise to a huge outcry in the family. Qiao Yue situation would seem to be quite hopeless until her husband suffers a brain haemorrhage and almost dies (Berlinal)

Director : Wang Quan An
Writer :Wang Quan An
Cast : Lisa Lu Yan, Monica Mo Xiaoqi
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