Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Goldfinger - "Die Another Day"




Digestivo nº 112 >>> Goldfinger
Hóspede nos melhores hotéis do mundo. Irresistível até para as mais belas mulheres. Extraordinariamente hábil com armas e máquinas. Objeto do investimento (em tempo e em dinheiro) de organizações ultra-secretas. Ainda por cima, herói das telas. Um currículo desse é de causar inveja ao homem médio. Ou não é? Isso explica metade do sucesso do 007. As limitações no trabalho e na vida real convencem o indivíduo de que ele nunca vai ser um agente secreto, um dom juan, infalível, com diamantes para dar e vender. Então entra no cinema e sublima todas as suas fantasias numa sessão de James Bond. Ah, mas essas constatações são óbvias demais para quem já as teve na cabeça. A novidade é que - mesmo assim (ou seja: mesmo com todo esse apelo, primaríssimo) - o último 007 convence, e até merece que se diga: "Olha, é toda aquela baboseira de mocinho e bandido de sempre, com os exageros incluídos - mas não é que a droga do filme conseguiu me prender?". Talvez valha a pena tentar explicar por que. Primeiro, pelos milhões de dólares. Está na cara que há interesse em reerguer o decadente personagem de Ian Fleming. Tudo bem, ele ainda é protagonizado pelo canastrão Pierce Brosnan: seu charme se converteu em vulgaridade e seus truques não convencem nem o espectador de "Xuxa e os Duendes" (2). A diferença é que, nesse episódio, o estúdio soube capitalizar em cima de todas essas deficiências. Mandou o cara para a Coréia do Norte, para Cuba e para a Sibéria - e fez de "Die Another Day" (esse é o título) uma mistura de "Discovery Channel" com seção turismo da revista "Nova". Depois, enfiou a Madonna no meio (a rainha do pop cujo toque de midas só não levanta a bola do marido-cineasta, Guy Ritchie). Ela compôs a música tema e participou do longa como esgrimista. Mais para frente - já que todos estão carecas de saber que aqueles absurdos de salvar o mundo com um pé nas costas não podem ser mesmo -, o diretor decidiu fazer piada com a coisa toda. Os diálogos são dignos de uma paródia de 007, ou de uma auto-paródia (só que bem feita). O roteiro, a qualquer momento, ameaça descambar para o hilariante. Ainda mais quando John Cleese, do Monty Python, como Q, invade a cena. Por fim, o carro invisível, o helicóptero que levanta vôo caindo de um avião, o pára-quedas que emerge de um precipício, o piloto de provas que escapa de um laser espacial - tudo isso - vira elemento para a comédia. Complementada, sempre, com altíssima tecnologia. Talvez não seja mesmo o entretenimento dos nossos sonhos - mas que dá para tirar uma lasquinha, dá. 
>>> Die Another Day

Internet-Manifest.de





Digestivo nº 434 >>> Internet-Manifest.de
No rastro do reiterado Cluetrain Manifesto, e talvez respondendo ao anúncio de Rupert Murdoch  Internet-Manifest.de – de acabar com a “festa da internet” (e retomar a cobrança pelo acesso a seus jornais na Web) –, 15 autores alemães lançaram, recentemente, um Internet Manifesto (na versão para o inglês de Jenna L. Brinnning). São 17 declarações que visam reforçar a importância do jornalismo que se desenvolveu na internet e que, na visão dos manifestantes, não deve “regredir” agora. Começam, por exemplo, declarando que “na internet é diferente”: “A velha mídia precisa adaptar seus procedimentos à tecnologia mais recente, em vez de ignorá-la ou mesmo tentar superá-la”. “Se as velhas empresas de mídia pretendem continuar existindo, elas precisam entender as novas demandas de seus consumidores e suas novas formas de comunicação”, alerta a 3ª declaração. “Na internet a informação venceu”, proclama a 5ª, enquanto assegura: “Indivíduos, hoje, podem se informar melhor do que nunca”. Segundo a 7ª, “a internet exige [até pelo nome] trabalho em grupo”: “Aqueles que não lincam devidamente, estão se excluindo da conversa e do discurso”. Num hábil jogo de palavras, a 10ª constata que “a liberdade de imprensa de hoje se traduz em liberdade de expressão”, pois “a internet borra as fronteiras entre profissionais e amadores”. Também alerta a 12ª: “Tradição não é [mais] modelo de negócio”. E a 14ª sugere que, na Web, funciona ainda outro tipo de economia: “A internet tem muitas moedas” [e, consequentemente, formas de remuneração]. A 16ª, uma das últimas, conclui que: “Só aqueles que forem excepcionais, e conquistarem a confiança da audiência, vão sobreviver no longo prazo”. Lembrando, por fim, que: “a Web rearranjará todas as estruturas de mídia, transcendendo velhos limites e derrubando antigos oligopólios” (2ª declaração). Doc Searls e David Weinberger teriam feito muito diferente? [Comente esta Nota]
>>> Internet-Manifest.de

domingo, 27 de dezembro de 2009

Darwin, por Adrian Desmond e James Moore

DIGESTIVOS >>> Literatura

Quarta-feira, 23/12/2009
Literatura
Julio Daio Borges




Digestivo nº 339 >>> Darwin, por Adrian Desmond e James Moore
Com a passagem da exposição sobre Darwin pelo Masp, a Geração Editorial relançou sua biografia que causou, em 1995, furor e que foi, inclusive, best-seller nacional. Richard Dawkins, uma eminência no assunto hoje, nos conta que, diferentemente de gênios do humanismo como Freud e Marx, Darwin e Einstein extrapolaram, com suas “teorias”, o nosso planeta, a ponto de o evolucionismo de um e a física do outro serem aplicáveis para além da Terra (ao contrário dos pais, respectivamente, da psicanálise e do comunismo, cujas teorias se restringem “apenas” à humanidade). E o mérito do livro de Adrian Desmond e James Moore, publicado originalmente em 1991 em língua inglesa, está em justamente humanizar o gigante que foi Charles Darwin. Desde o jovem colecionador de besouros que abandonou a medicina até o autor da retumbante Teoria da Evolução – a qual guardou inicialmente para si, num sofrimento que durou vinte anos –, o volume supera as seiscentas páginas, mas num estilo tão saboroso, rico e encantador que Darwin: A vida de um evolucionista atormentado tende a mobilizar nossas leituras como poucos lançamentos hoje. Nietzsche, em Além do Bem e do Mal, caçoa do “mecanicismo” de pensadores anglófonos como Darwin, Locke e Hobbes, evocando, em sua defesa, Hegel e Kant (e Goethe), mas o século XX chegou (Nietzsche morreu em 1900), o século XX passou, e Darwin parece que continua. E se Darwin encontra atualmente um bravo soldado em Dawkins, Locke encontra em Steven Pinker, e Hobbes, a qualquer momento, vem novamente à tona... Freud tem sido sensivelmente abalado pela neurociência, Marx, ainda, pela queda do Muro de Berlim, mas nada indica que – entre as alardeadas “três bestas do apocalipse” – Darwin sofra algum abalo sísmico. Conhecer suas idéias, e sua vida – assim como ambas as de Einstein, também –, deveria ser obrigação de qualquer ser humano. E a biografia de Desmond e Moore estão aí, mais uma vez, para quem quiser atender ao chamado.
>>> Darwin: A vida de um evolucionista atormentado

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Darwin - A Vida De Um Evolucionista Atormentado

Autor: MOORE, JAMES
Autor: DESMOND, ADRIAN J.
Tradutor: AZEVEDO, CYNTHIA
Revisor: SABBATTINI, RENATO
Editora: GERAÇAO EDITORIAL
Assunto: BIOGRAFIAS, DIÁRIOS, MEMÓRIAS E CORRESPONDÊNCIAS
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Sinopse

Biografia de Charles Darwin. Escrita como um romance histórico, com emoção e seriedade, esta biografia tornou-se um grande sucesso mundial. Segundo Duarte Pereira, na revista Veja, 'um livro magnífico, que prende o leitor ao narrar as grandes aventuras vividas pelo cientista'.
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Sobre o autor:

DESMOND, ADRIAN J.
Adrian Desmond's bestselling Darwin (Penguin, 1992, written with James Moore), won the James Tait Black Memorial Prize in Britain, the Grand Comisso Prize in Italy and the Watson Davis Prize from the History of Science Society in America. In 1997 the British Society for the History of Science awarded it the first Dingle Prize for the best book of the decade in communicating the history of science to a wide audience. His study of the pre-Darwinian generation, The Politics of Evolution (1989), received the Pfizer Award from the History of Science Society. He has also published The Hot-Blooded Dinosaurs (1975), The Ape's Reflexion (1979) and Archetypes and Ancestors (1982). In 1993 the Society for the History of Natural History awarded him its Founders' Medal.
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