Discurso de Lula da Silva (excerto)

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Golfinhos estão de regresso ao Tejo

Diário de Notícias

RECUPERAÇÃO

Golfinhos estão de regresso ao Tejo

21 Fevereiro 2010
Golfinhos estão de regresso ao Tejo

A despoluição está a trazer de volta uma espécie de mamífero marinho há muito desaparecido do Tejo.

Um grupo de golfinhos foi avistado, na semana passada, a subir o rio Tejo. Um fenómeno que se tem repetidamente com mais frequência nos últimos meses e que poderá ter ligado à melhoria da qualidade da água. "Há uma dezenas de anos atrás, o Tejo tinha, tal como o Sado, uma colónia de golfinhos residente. Agora, com a despoluição das águas, em resultado da construção de ETAR e da deslocalização de algumas fábricas, os animais estão a regressar de novo, atrás dos peixes que procuram o rio para desovar", explicam os biólogos. "A poluição do tejo tem melhorado muito, o que se constata pela observação de espécies sensíveis, como caranguejos, bivalves e alguns peixes. O estuário do rio poderá voltar a ter colónias de golfinhos nos próximos 30 anos", prevê Maria José Costa, do Instituto de Oceanografia. Os golfinhos que aparecem no Tejo são da espécie roaz-corvineiro (Tursiops truncatu), um mamífero marinho que se alimenta de peixe, moluscos e crustáceos.

Expresso

Golfinhos voltam a ser avistados no Tejo
Grupo de golfinhos da espécie roaz-corvineiros - a mais conhecida do Mundo - continua a visitar o Tejo, sinal de que a poluição está a diminuir no rio.  
Diana Martins (www.expresso.pt)
18:00 Segunda feira, 27 de fevereiro de 2012
 O grupo é o mesmo que foi avistado no verão do ano passado

 
O grupo é o mesmo que foi avistado no verão do ano passado
Paulo Andrade (engenheiro da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações)

Há muitos anos que se tinha tornado um fenómeno invulgar avistar golfinhos no Tejo, o que não é de admirar, já que os esgotos de mais de 100 mil lisboetas corriam diretamente para o rio. Agora, é a segunda vez em menos de um ano que se regista a sua presença, consequência da despoluição do estuário.
Os exemplares da espécie roaz-corvineiro - também conhecida como o gol  finho Nariz de Garrafa - foram avistados no início do mês. As fotos que registaram o momento mostram o grupo junto a Cacilhas.
Já no no verão passado um grupo de vinte golfinhos foi visto no rio. Segundo Nuno Sequeira, presidente da Quercus, é provável que este pequeno conjunto de roaz-corvineiros faça parte desse mesmo grupo. "Esta espécie já viveu no Tejo no passado. Nos últimos dois anos têm sido registados vários avistamentos, como aconteceu em julho de 2011, e que se podem tornar cada vez mais comuns", afirmou o presidente da Associação Nacional de Conservação da Natureza.
"Apesar de não existirem dados concretos", a melhoria da qualidade da água parece ser a principal razão para o regresso dos golfinhos ao estuário do Tejo. "Com a construção de algumas ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais), como a de Alcântara, e deslocação de indústrias pesadas na Margem Sul, a qualidade da água tem vindo a melhorar", explica o mesmo ambientalista.
Menos poluído, o rio é assim um lugar com mais alimento para esta espécie de golfinhos comuns. Residentes nas águas costeiras do Oceano Atlântico, os golfinhos deslocam-se aos estuários apenas para se alimentarem. Os roaz-corvineiros comem peixe, crustáceos e bivalve, ingerindo cerca de 10 a 15 Kg de alimento diário.  


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Enviado por  em 22/07/2011
Finalmente voltaram.
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Enviado por  em 13/07/2011
Golfinhos a alimentarem-se no Farol do Bugio e em frente à Marina de Oeiras.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Neandertais poderiam já estar perto da extinção quando nos encontraram


    Evolução humana

    27.02.2012 - 20:30 Por PÚBLICO
  • s
Representação de uma família de NeandertaisRepresentação de uma família de Neandertais (DR)
 Os estudos de ADN têm uma tendência para revolver a história da evolução humana, desta vez uma nova investigação sugere que quando os nossos antepassados contactaram com os Neandertais, há menos de 50.000 anos, estes já eram sobreviventes de um fenómeno que tinha ceifado quase totalmente a espécie, conclui um artigo publicado na revista Molecular Biology and Evolution.
A equipa internacional, que inclui investigadores do Centro de Evolução e Comportamento Humano da Universidade Complutense de Madrid, analisou o ADN extraído do osso de 13 Neandertais. Os indivíduos viveram entre os 100.000 e os 35.000 anos, e foram encontrados em sítios arqueológicos que se estendem desde a Espanha até à Ásia.

Os cientistas analisaram a variabilidade do ADN mitocondrial, que existe dentro das mitocôndrias, as baterias das células que são sempre herdadas da mãe para os filhos. A partir desta análise, verificaram que havia muito mais variabilidade entre os Neandertais que viveram há mais de 50.000 anos, do que os indivíduos que viveram durante os 10.000 anos depois, pouco antes de se terem extinguido.

Os indivíduos com menos de 50.000 anos tinham uma variabilidade genética seis vezes menor do que os mais antigos. Isto evidencia um fenómeno que provocou a morte de um grande número de pessoas desta espécie. Depois disto, sucedeu-se uma re-colonização da Europa a partir de populações de Neandertais vindas de Ásia.

“O facto de os Neandertais terem estado quase extintos na Europa, e depois terem recuperado, e tudo isso ter acontecido antes de entrarem em contacto com os humanos modernos, é uma surpresa total”, disse Love Dalen, o primeiro autor do artigo, que pertence ao centro de investigação de Madrid e ao Museu de História Natural de Estocolmo, Suécia. “Isto indica que os Neandertais poderiam ser mais sensíveis a mudanças climáticas dramáticas que ocorreram durante a última Idade do Gelo, do que se pensava anteriormente”, disse, citado pela BBC News.

Segundo o artigo, a variabilidade do genoma dos Neandertais antes do tal fenómeno que ocorreu há 50.000 anos era equivalente à variabilidade da espécie humana. Depois do fenómeno, essa variabilidade passou a ser menor do que a que existe hoje entre a população da Islândia. 

Este fenómeno poderá estar ligado às alterações climáticas. Pensa-se que há cerca de 50.000 anos alterações nas correntes oceânicas do Atlântico causaram uma série de temporadas geladas que alteraram inclusive a cobertura vegetal da Europa. 

O que quer que tenha acontecido depois, quando os humanos modernos foram migrando pela Europa, continua a ser uma incógnita. Mas estes dados sugerem que as populações de Neandertais que os nossos antepassados encontraram seriam muito mais homogéneas a nível genético e por isso muito mais vulneráveis a alterações no ambiente.

domingo, 15 de agosto de 2010

Tartaruga devolvida à natureza já fez mais de dez mil quilómetros no Atlântico



14.08.2010 - 16:12 Por PÚBLICO
A viagem da tartaruga-comum Calantha, devolvida à natureza em Setembro depois de ter estado 25 anos aos cuidados humanos, atingiu hoje os 10.033 quilómetros, num percurso de travessia do oceano Atlântico.
<p>Os dados recolhidos são essenciais para avaliar o sucesso da operação e da adaptação, ou não, destes animais ao Oceano</p> Os dados recolhidos são essenciais para avaliar o sucesso da operação e da adaptação, ou não, destes animais ao Oceano
 (PÚBLICO (arquivo))


De acordo com os dados disponibilizados por um transmissor colocado na carapaça, a Calantha (Caretta caretta) está agora a aproximar-se da República Dominicana. Segundo o Zoomarine, entidade que reabilitou a tartaruga, o seu “destino parece já estar definido”, mas “para a equipa do Zoomarine continua a ser uma incógnita”. Ainda assim, os dados recolhidos com a ajuda de satélites, são essenciais para avaliar o “sucesso da operação e da adaptação, ou não, destes répteis marinhos ao Oceano, do qual estiveram afastados tantos anos”, explica o Zoomarine.

Calantha passou 25 anos no Aquário Vasco da Gama, em Lisboa. A 13 de Outubro de 2005 foi transferida para o Porto d’Abrigo, Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas do Zoomarine, a fim de ser preparada para ser devolvida à natureza. Quando chegou pesava 115 quilos; ao ser libertada pesava 128,5 quilos.

A 30 de Setembro do ano passado, o Zoomarine, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e a Marinha Portuguesa devolveram a Calantha ao mar, juntamente com outras duas tartarugas, a Cat e a Tartaruga, ambas tartarugas verdes (Chelonia mydas). Desde então, a sua viagem tem vindo a ser seguida, no âmbito de um projecto que deverá durar mais cerca de sete meses, num investimento superior a 15 mil euros, assegurado pelo Zoomarine. A Tartaruga está ao largo de África. Os últimos dados sobre a Cat datam de 27 de Março deste ano.

A espécie Caretta caretta, de migração ampla, tem uma vasta distribuição em todos os oceanos mas está classificada como Em Perigo, no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, especialmente por causa das ameaças às praias de nidificação, como a captura de ovos e a urbanização intensiva. Nas águas portuguesas ocorrem maioritariamente juvenis e a maior ameaça é a captura acidental por artes de pesca.
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Nova espécie de macaco foi descoberta na Amazónia Colombiana

Cabeçalho da Biodiversidade

14.08.2010 - 21:11 Por PÚBLICO
Uma expedição científica à Amazónia Colombiana descobriu uma nova espécie de macaco zogue-zogue (Callicebus caquetensis), anunciou a organização Conservation International. Mas a destruição da floresta onde vive ameaça de extinção os 250 animais que ainda restam.
<p>A espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo</p>
A espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo
 (Javier García)


A descoberta - a cargo dos professores Thomas Defler e Marta Bueno e do estudante Javier García, da Universidade Nacional da Colômbia - foi anunciada esta quinta-feira na revista científica “Primate Conservation”.

Segundo a organização, a expedição foi realizada em 2008 no estado colombiano de Caquetá, perto da fronteira com o Equador e o Peru, 30 anos depois do especialista em comportamento animal Martin Moynhian ter visitado a região e ter feito os primeiros relatos da espécie, do tamanho de um gato.

“Durante muitos anos foi impossível viajar a Caquetá devido à presença de guerrilhas armadas”, conta a organização em comunicado. Mas quando a violência diminuiu, Javier García, nativo da região, viajou até ao rio Caquetá e encontrou 13 grupos da nova espécie.

“Esta descoberta é extremamente empolgante porque tínhamos ouvido falar deste animal, mas por muito tempo não podíamos confirmar se era diferente dos outros zogue-zogue”, explicou Thomas Defler. “Agora sabemos que é uma espécie única, e isso mostra a rica variedade de vida que ainda está por ser descoberta na Amazónia”.

Sobrevivência ameaçada

Mas nem tudo são boas notícias. Estima-se que existam apenas menos de 250 zogue-zogue de Caquetá; uma população saudável deveria ter milhares de indivíduos, considera a Conservation International.

“A principal razão para esse número reduzido é a destruição das florestas da região que têm sido abertas para plantios agrícolas. Isso diminui drasticamente as áreas para esses animais se reproduzirem, encontrarem alimentos e sobreviverem”.

Por isso, a espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo (CR), segundo o critério da União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN). Isto quer dizer que o animal enfrenta um risco extremamente alto de extinção no futuro muito próximo.

“A descoberta é especialmente importante porque nos lembra que devemos comemorar a diversidade de vida na Terra, mas que também precisamos agir agora para salvá-la”, alertou José Vicente Rodríguez, director da unidade de ciência da Conservação Internacional na Colômbia e presidente da Associação Colombiana de Zoologia. “Quando os líderes mundiais se reunirem na Convenção de Diversidade Biológica no Japão no final do ano, eles precisam se comprometer com a criação de mais áreas protegidas se quisermos garantir a sobrevivência de criaturas ameaçadas como esta na Amazónia e no mundo”.

A pesquisa liderada por Defler foi financiada pela Conservation International, pelo Fondo para la Acción Ambiental y la Niñez e pela Fundación Omacha.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Diversidade marinha é em grande parte inexplorada

Meio Ambiente | 03.08.2010 DW World

Os cientistas não sabem até que ponto a destruição ambiental está reduzindo a biodiversidade nos oceanos. Afinal, grande parte das espécies existentes nos mares do planeta são desconhecidas da ciência.


Calcula-se que cerca de 10 milhões de espécies vivam nos oceanos, entre as quais algas, bactérias, peixes, corais e mamíferos. Nem todas já foram descobertas, de modo que esse número é a apenas uma estimativa dos cientistas, afirma o professor Pedro Martínez, diretor do Instituto de Pesquisa Seckenberg am Meer, em Wilhelmshaven, na Alemanha.
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Sobretudo nas profundezas, milhares de metros abaixo do nível do mar, os pesquisadores ainda estão descobrindo o enorme alcance dessa diversidade. Há algumas décadas, essa região praticamente inexplorada do planeta ainda era considerada um "deserto subaquático".
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Cada vez mais, os cientistas passam a defender a proteção das espécies existentes nos mares. Não se sabe o quanto de vida já se destruiu até agora, mas com certeza o excesso da atividade pesqueira alterou completamente o espectro das espécies.
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Os peixes compõem o menor grupo entre os seres vivos que vivem nos oceanos, apenas cerca de 12%. Já os crustáceos representam 19% da população marinha, enquanto os invertebrados somam 17%.
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Calcula-se que haja 40 mil espécies de peixes em todo o planeta, informa Rainer Froese, do Instituto Leibnitz de Ciências Marinhas de Geomar, em Kiel, no norte da Alemanha. Hoje se conhecem aproximadamente 30 mil, entre as quais 15 mil marinhas. A cada ano se descobrem 200 a 400 novas, sobretudo no fundo do mar e nos trópicos.
Biodiversidade na década de 1990: só nas regiões em amarelo ainda se concentrava um grande número de espécies. 
Bildunterschrift: Biodiversidade na década de 1990: só nas regiões em amarelo ainda se concentrava um grande número de espécies.
Contagem de vidas em alto mar
Há dez anos se realiza a maior contagem de espécies de seres vivos existentes no mar, o chamado Censo de Vida Marinha (COML, Census of Marine Life), que envolve pesquisadores de 70 países. Eles investigam todos os ecossistemas, do litoral até o fundo do mar. No final de 2010, declarado pelas Nações Unidas ano internacional da biodiversidade, os resultados dessas investigações devem ser divulgados.
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Os cientistas penetram lentamente as grandes profundezas dos oceanos, descobrindo a cada dia novas espécies. Em decorrência da grande pressão submarina, as pesquisas requerem robôs e aparelhos de medição altamente especializados, a fim de explorar esse habitat, mortal para os seres humanos.
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Quase 90% dos animais que os cientistas trazem à tona são de espécies novas, muitas das quais de aparência especialmente bizarra. Até agora, 500 novas espécies já foram descritas cientificamente, mas – segundo informa Martinez – já foram capturados exemplares pertencentes a milhares de outras. Entretanto os pesquisadores precisam de bastante tempo para analisá-las.
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No fundo do mar, os cientistas já chegaram a se deparar com habitats bastante especiais, como fontes termais fumegantes, em cujas imediações bactérias altamente especializadas convivem com vermes de metros de comprimento.
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No fundo do mar também se encontram montanhas marinhas com vários quilômetros de altitude, além de recifes de corais da água fria que se estendem por até 35 quilômetros. "Encontramos coisas de causar espanto", descreve a professora Antje Boetius, da Universidade de Bremen. Nas regiões polares, por exemplo, a diversidade de bactérias aumenta continuamente, ao contrário da tendência decrescente que se observa entre os animais.
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Mediterrâneo em perigo
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Quase nenhum outro mar está tão ameaçado pelo desaparecimento das espécies como o Mediterrâneo. O efeito das atividades humanas nessas águas é maior do que em qualquer outro mar, segundo informou um relatório da Public Library of Science, que envolveu a participação de 360 cientistas de todo o mundo e foi divulgado nesta segunda-feira (02/08).
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Dada sua localização geográfica, o MarMediterrâneo é praticamente fechado. As espécies vegetais e animais estão ameaçadas sobretudo pelo desaparecimento dos habitats, pelo excesso de pesca e pela poluição.
Mergulhador investiga corais do Mediterrâneo, perto da Sardenha 
Bildunterschrift: Mergulhador investiga corais do Mediterrâneo, perto da Sardenha
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No relatório intitulado "Quem vive no mar", os pesquisadores constataram que o Mediterrâneo é o mar onde vive o maior número de espécies. Mais de 600 delas, o que representaria apenas 4% da população mediterrânea, provieram de outros mares.
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Algo que também ficou claro para os cientistas é que os mares do Japão e da Austrália contêm o maior número de espécies ainda não investigadas. De 70% a 80% das plantas e animais daqueles mares se mantiveram incógnitas até agora.
SL/dpa/afp
Revisão: Augusto Valente

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Censo da Vida Marinha faz inventário mundial de espécies e antecipa a ciência do futuro


03.08.2010 - 21:33 Por Nicolau Ferreira 
As regiões marítimas ao redor da Austrália e da Nova Zelândia são as que têm mais organismos endémicos, os que só existem ali e em mais lado algum do mundo. Já o Mediterrâneo conta com o maior número de espécies invasoras: são 637, quatro por cento de todas as que se identificaram neste mar.
<p>Foram descobertas 1200 espécies novas ao longo dos dez anos</p> Foram descobertas 1200 espécies novas ao longo dos dez anos
 (Reuters)

Estas são algumas das somas que vêm no estudo publicado esta semana na revista científica on-line e disponível a todos PLoS One. Nele se actualizou o estado da biodiversidade marinha e são já apresentados os resultados preliminares de uma década de trabalhos a nível global para aprofundar o conhecimento das espécies nos oceanos, o Censo da Vida Marinha.

O inventário permite marcar uma estaca zero do que se conhece nos mares do planeta, a partir da qual se pode avaliar o impacto das actividades humanas. “Para criar esta base, o Censo da Vida Marinha explorou nove áreas e ecossistemas, descobrindo novas espécies e registando outras espécies em novos locais”, disse em comunicado Patricia Miloslavich, última autora do artigo, uma das cientistas seniores do censo e líder dos estudos regionais.

Foram consideradas várias regiões como os Estados Unidos, o Atlântico Norte, a Austrália, o Índico, o Báltico, a Austrália, América do Sul, a Antárctida, e o Japão, entre outras. A contagem total de espécies foi de 230 mil. A Austrália e o Japão tiveram ambos um número próximo de 33 mil espécies (sem contar com bactérias), a costa da China veio em terceiro lugar com mais de 22 mil. A Austrália tem 9286 espécies endémicas, mas quem ganha em proporção é a Nova Zelândia: 51 por cento das 12780 espécies identificadas só vivem naquela região.

“É normal as zonas como a Austrália ou a Antárctida [outra vencedora em organismos únicos] terem muitos endemismos, porque são continentes longínquos há muito tempo e há espécies com um padrão de movimento muito restrito”, explicou por telefone ao PÚBLICO José Paula, professor associado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O especialista em peixes apontou que a identificação de espécies é uma das formas de olhar para a biodiversidade, que também passa pela riqueza dos ecossistemas, da diversidade populacional de cada espécie e da diversidade do próprio ADN.

Ciência global

O projecto do Censo da Vida Marinha teve início em 2000, juntou 2700 cientistas e já conta com 1200 novas espécies identificadas. Mas o que se conhece está muito aquém do que se pensa existir. Por cada espécie identificada há pelo menos quatro desconhecidas.

No artigo, os autores defendem que a identificação de espécies depende muito do conhecimento de especialistas nos diversos grupos de animais, vegetais e organismos celulares que povoam os oceanos. “É improvável que cada país necessite de um especialista em cada grupo taxonómico ou de grandes instalações de investigação. Por isso as colaborações entre países, que já ocorrem informalmente, são fulcrais para o desenvolvimento do conhecimento de novas espécies”, diz o artigo, que propõe que os organismos internacionais coordenem estes projectos.

José Paula concorda: “Se não houver coordenação não há capacidade para estudar o oceano de uma forma avançada, porque os custos são tão elevados que nacionalmente não é possível.” Até porque o “mar não tem fronteiras e os fenómenos só se compreendem sem barreiras políticas”.

Porque os problemas estão lá. O artigo determinou os principais riscos que afectam a vida marinha: a pesca, a perda de habitats, as espécies invasoras e a poluição. Apesar da ordem de risco não ser a mesma de região para região, todos os factores estão a pressionar os ecossistemas.

“Ainda não se percebe até que ponto os ecossistemas vão aguentar a mudança”, avisa o biólogo.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um quinto das espécies de lagartos do mundo pode estar extinta em 2080 devido ao calor


13.05.2010 - 19:28 Por Nicolau Ferreira
Em Abril de 2009, a população de Sceloporus serrifer já tinha desaparecido da região de Iucatão, no México. Se alguém voltasse a repovoar o local com estes lagartos, observaria o mesmo fenómeno. As manhãs de Primavera seriam demasiado quentes e os répteis iam sair da toca, vasculhar por comida, e passado pouco tempo voltariam para a protecção da sombra. O tempo para a alimentação não chegaria para a reprodução dos indivíduos, que teriam o mesmo destino da população anterior: desapareceriam.
<p>A lagartixa-da-areia, que tem o nome específico 
"Liolaemus lutzae"</p> A lagartixa-da-areia, que tem o nome específico "Liolaemus lutzae"
 (Luis Claúdio Marigo)


Este é só um exemplo da avaliação de 200 locais no México, entre 2006 e 2008, que chegou à conclusão que 12 por cento das populações de 34 espécies deste grupo de répteis tinham desaparecido devido à subida das temperaturas, devido às alterações climáticas. O estudo publicado hoje na revista Science partiu desta informação para construir um modelo que prevê o impacto da subida da temperatura nas espécies, que serviu para avaliar os níveis de extinção global. Os investigadores estimam que 20 por cento das espécies de lagartos estejam extintas em 2080.

“Existem períodos do dia em que os lagartos não podem sair e têm que voltar para locais mais frescos”, explicou por comunicado Barry Sinervo, investigador da Universidade da Califórnia e primeiro autor do artigo. “Quando não estão fora, os lagartos não podem procurar comida. Por isso medimos em diferentes locais quantas horas por dia os lagartos eram obrigados a abrigarem-se do sol. Depois, fomos capazes de criar parâmetros para o nosso modelo global.”

Os investigadores aplicaram o modelo a espécies de lagartos nos cinco continentes e o resultado predisse o que já está a acontecer na realidade. Um dos casos foi na costa do estado do Rio de Janeiro, no Brasil, em que a lagartixa-da-areia desapareceu em sete dos 24 locais onde existia, de 1984 para cá. “Para muitas espécies já se ultrapassou o patamar de extinções, a nível local”, disse por telefone ao PÚBLICO Carlos Rocha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que fez parte do estudo.

Segundo Octávio Paulo, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o estudo é pioneiro. “Consegue-se localizar e prever o desaparecimento de populações de algumas espécies, o que parece mostrar que o modelo está muito bem construído”, disse por telefone ao PÚBLICO.

Tanto o português como o brasileiro consideram que o artigo obriga os especialistas em répteis de todo o mundo a voltarem ao campo para verificar o que está à acontecer.

O artigo estima que as regiões mundiais mais afectadas serão os trópicos. A forma como cada ecossistema vai reagir assim que uma espécie de lagarto desaparecer, permanece uma incógnita. “Estamos no processo de ir degradando os ecossistemas. Se a tendência de extinção se vai manter? Sim. Em que proporções? Não sei”, disse Octávio Paulo.
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Expedição à ilha Nova Guiné descobre sapo "Pinóquio" e outras novas espécies



18.05.2010 - 10:26 Por Helena Geraldes
Uma expedição científica às remotas montanhas Foja, na ilha Nova Guiné, descobriu dezenas de novas espécies de mamíferos, répteis, anfíbios, insectos e aves, incluindo um sapo “Pinóquio”, revelaram a National Geographic Society e a Conservation International.
<p>Este sapo das árvores está entre as novas espécies 
encontradas em Foja</p> Este sapo das árvores está entre as novas espécies encontradas em Foja
 (Tim Laman/National Geographic)
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As espécies foram descobertas por uma equipa internacional que participava, no final de 2008, no projecto Rapid Assessment Program (RAP) da Conservation International. Durante cerca de três semanas, enfrentando chuvas torrenciais e enxurradas, os biólogos avaliaram o valor daquelas regiões montanhosas remotas, desde a povoação Kwerba, no sopé da montanha, até uma altitude de 2200 metros.

Entre as novas espécies encontradas está um sapo das árvores com um “nariz” pontiagudo (Litoria sp. nov.). A protuberância deste anfíbio inclina-se para cima quando o macho está mais activo, uma particularidade que os cientistas dizem estar interessados em estudar. “Esta foi uma feliz descoberta acidental, quando o herpetólogo Paul Oliver encontrou um destes sapos em cima de um saco de arroz no acampamento”, explica a Conservation International em comunicado.

Outras descobertas incluem um novo morcego (Syconycteris sp. nov), que se alimenta de néctar das florestas tropicais, um pequeno rato das árvores (Pogonomy sp. nov.), uma borboleta branca e preta (Ideopsis fojana) e um arbusto (Ardisia hymenandroides).

Os cientistas encontraram também um pequeno canguru (Dorcopsulus sp. nov.) e captaram as primeiras imagens de um outro marsupial extremamente raro (Dendrolagus pulcherrimus), criticamente ameaçado pela caça em outras regiões da Nova Guiné.

“Talvez a maior surpresa da expedição tenha surgido quando o ornitólogo Neville Kemp avistou um casal de pombos imperiais (Ducula sp. nov.)”, acrescenta a organização. Os biólogos acreditam que as aves façam parte de uma população com muito poucos indivíduos.

“Numa altura em que animais e plantas desaparecem por todo o planeta a um ritmo nunca visto nos últimos milhões de anos, a descoberta destas formas de vida absolutamente incríveis é, claramente, uma notícia positiva”, comentou Bruce Beehler, investigador da Conservation International que participou na expedição às montanhas Foja. “Lugares como este representam um futuro saudável para todos nós e mostra que ainda não é demasiado tarde para travar a actual crise de extinção de espécies”, acrescentou.

A expedição – apoiada ainda pela Smithsonian Institution e pelo Instituto indonésio das Ciências -, marcou o regresso àquelas montanhas, região reconhecida pelos cientistas pela sua riqueza em biodiversidade, graças ao “seu relativo isolamento, elevação e ambiente tropical”. A primeira expedição às montanhas Foja aconteceu em 2005.

A Conservation International espera agora que estas informações encorajem o Governo da Indonésia a proteger a região, a longo prazo. Hoje está classificada como santuário para a vida selvagem.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mediterrâneo revela primeiros animais que vivem sem oxigénio

Organismos habitam a base do mar rica em sal

 

09.04.2010 - 14:19 Por PÚBLICO
Está provado. Há animais em locais da Terra que vivem sem oxigénio. Cientistas italianos olharam para o fundo do Mediterrâneo e descobriram três espécies que respiram sem a nossa molécula vital.
Nova espécie de Loricifera que vive sem oxigénio  
Nova espécie de Loricifera que vive sem oxigénio (DR)


A descoberta foi publicada na revista de acesso livre BMC Biology. As espécies pertencem a um dos filos do Reino animal menos conhecidos, os Loricifera. São seres que mal atingem um milímetro, têm um corpo mole protegido por uma concha especial e que foram descobertos há poucas décadas.

“É um mistério muito grande como é que estes seres vivem sem oxigénio porque até agora pensávamos que só as bactérias pudessem fazer isto”, disse à BBC News Roberto Donovaro, da Universidade de Ancona, em Itália.

O investigador fez parte de uma equipa que na última década realizou três expedições a L’Atalante, uma região na base do Mediterrâneo que fica a 3,5 quilómetros de profundidade e a 200 quilómetros da costa Oeste da ilha de Creta, na Grécia.

Aqui, a base do mar tem uma concentração de sal tão grande que não há espaço para o oxigénio. A molécula vital é necessária para as mitocôndrias - as baterias das nossas células que transformam os açúcares em moléculas energéticas essenciais para todas as funções.

A equipa retirou as três novas espécies de Loricifera da base salina. Apesar de estarem mortas os cientistas verificaram haver evidências de que os indivíduos tinham estado vivos há pouco tempo, para além disso, a outras profundidades com oxigénio estas espécies não existiam.

Um passado sem O2

Mas a prova definitiva apareceu quando os investigadores incubaram ovos de uma das espécies num ambiente anóxico (sem oxigénio) e a larva eclodiu normalmente. Segundo Donovaro, estas espécies representam “uma adaptação tremenda para animais que evoluírem em condições com oxigénio”.

No entanto há discórdia. Um comentário escrito sobre o artigo publicado na mesma revista, dos autores Marek Mentel, bioquímico da Eslováquia e William Martin, um botânico alemão, defende um passado sem oxigénio.

“A descoberta de vida animal em ambientes sem oxigénio dá o vislumbre do que foi boa parte do passado ecológico da Terra, antes do aumento dos níveis do oxigénio marinho em profundidade e do aparecimento dos primeiros grandes animais no registo fóssil, há cerca de 550-600 milhões de anos”, escrevem os autores.

O oxigénio só existe na atmosfera devido à fotossíntese das plantas e as grandes quantidades com que vivemos apareceram antes do início do Câmbrico, há 542 milhões de anos.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Biologia sintética é movida pelo sonho de ser Deus

Mundo | 08.08.2009

Biologia sintética é movida pelo sonho de ser Deus

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Os biólogos analisaram e decodificaram os seres vivos. Agora sua meta é recompor as partes e recombiná-las. Alguns já fantasiam sobre a possibilidade de criar vida artificial: um sonho controvertido.

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Três importantes instituições científicas alemãs – a Sociedade Alemã de Pesquisa (DFG), a Academia Nacional de Ciência Leopoldina, em Halle, e a Academia Alemã de Ciências Técnicas (Acatech) – tomaram recentemente posição conjunta em relação à biologia sintética.

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Trata-se de um ramo científico que "dilui as fronteiras entre o vivo e o tecnologicamente construído", unindo biologia, química, física, matemática, engenharia, biotecnologia e informática. A biologia sintética teria como fim a criação de novas vacinas, mas também novas fontes energéticas, explicam.

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O presidente da Acatech, Reinhard Hüttl, calcula que levará cerca de 20 anos até essa técnica chegar ao mercado. No entanto, com sua declaração conjunta, as instituições pretendem "estabelecer, desde cedo, o diálogo com a sociedade" sobre uma tecnologia do futuro que – assim como a engenharia genética – abre grandes chances, mas também implica riscos.

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Pois a pretensão de criar vida artificial tem seus antagonistas. E tudo começou em Massachusetts, nos Estados Unidos.

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Como um jogo de Lego

DNA: truque (imitável?) da natureza

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O Massachusetts Institute of Technology (MIT) é uma universidade de elite e um cadinho de cientistas. Nele nasceu, em 2004, o conceito da "biologia sintética". O informático Tom Knight e o engenheiro Drew Endy propuseram-se a construir seres vivos no computador, compondo organismos unicelulares a partir de peças básicas, como numa fábrica.

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Seu raciocínio central foi o seguinte: para quem pretende realmente compreender a vida, não basta apenas decompor seres vivos; também é preciso saber remontá-los. Como num jogo de Lego, o desafio dos bioengenheiros era criar estruturas complexas a partir de "tijolos" simples – no caso, moléculas biológicas (biobricks).

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O resultado final do processo são organismos feitos sob medida para desempenhar determinadas funções. Uma brincadeira que vai além da tecnologia genética tradicional, a qual opera exclusivamente com a transferência de genes de uma espécie a outra.

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Feira de bricolagem biológica

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Uma vez por ano, Knight e Endy convidam bioconstrutores de todo o mundo para um grande concurso de bricolagem molecular no MIT. E então bactérias brilham em padrões coloridos ou piscam em ritmo de polca, conectadas a uma aparelhagem de som.

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Alguns desses altos artesãos começaram até a construir com microorganismos uma espécie de computador, e ao menos já conseguiram conectar alguns comutadores biológicos entre si.

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Para alguns, tudo não passa de brincadeira para bioengenheiros. Outros veem o nascimento de uma nova biotecnologia. Pensando nos bioarquitetos do futuro, a firma BioArts, de Regensburg, já fornece peças sob medida de ácido desoxirribonucleico (DNA), responsável pela transmissão da informação genética.

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Primeiros passos

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Porém alguns cientistas querem mais. O pioneiro do genoma, Craig Venter, planeja produzir, dentro de alguns anos, vida artificial partindo de matéria morta. Seu futuro organismo sintético já tem até um nome: Mycobacterium laboratorium.

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Vírus da poliomielite sob o microscópio eletrônico

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Os primeiros passos para a criação de nova vida já foram dados. Em 2002, uma equipe liderada pelo virologista alemão Eckart Wimmer, da Universidade de Nova York, conseguiu reproduzir o material genético do vírus da poliomielite e construir um vírus completo em laboratório.

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Como explicou Wimmer, a meta era conhecer melhor o agente infeccioso. Contudo, o resultado não foi um ser vivo artificial. Pois, apesar de compostos por material biológico, os vírus nem são capazes de se reproduzir independentemente nem dispõem de metabolismo próprio, ambos pré-requisitos essenciais para caracterizar um ser vivo.

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Brincadeira a sério

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A bactéria Mycobacterium genitalium é, sem sombra de dúvida, um tal organismo. Craig Venter já construiu seu genoma, cerca de 100 vezes maior do que o de um vírus. Além do mais, já provou que, enxertado numa membrana celular, o genoma sintético assume o comando.

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Craig Venter: algo de 'enfant terrible'

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Agora, cabe repetir esses dois procedimentos com material genético criado por seres humanos. "Isso seria vida artificial", afirma Venter. Já o filósofo Andreas Brenner, da Universidade da Basileia, discorda. "Não pode haver vida artificial. Só existe vida. A forma como foi criada não tem qualquer relevância."

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E se inicia o debate sobre uma nova ciência. As questões em aberto ainda são numerosas. O que aconteceria se bioterroristas criassem agentes infecciosos de doenças totalmente desconhecidas? Organismos artificiais poderiam desencadear uma catástrofe ecológica? O ser humano tem sequer o direito de se tornar um criador?

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Pelo menos para uma pergunta Craig Venter tem uma resposta pronta. Acusado de estar brincando de Deus, o enfant terrible da ciência avançada replicou: "Como assim, 'brincando'?"

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AV/dw/dpa
Revisão: Simone Lopes

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Estudo indica que chimpanzés são capazes de apreciar música



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Uma pesquisa realizada por cientistas japoneses indica que os chimpanzés podem ter uma capacidade inata de apreciar música agradável - algo que se acreditava que fosse exclusivo dos humanos. A equipe dos pesquisadores Tasuku Sugimoto e Kazuhide Hashiya, da Universidade Kyushu, em Hakozaki, no Japão, observou as reações da chimpanzé Sakura a diferentes sons quando ela tinha entre 17 e 23 semanas de idade.


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A filhote nunca tinha sido exposta a qualquer forma de música. Durante os testes, Sakura ficou deitada em uma cama e um fio de lã foi amarrado à sua mão direita. Um sistema de som com alto-falantes foi colocado ao lado da cama, tocando melodias que duravam entre 38 segundos e 63 segundos. Toda vez que Sakura puxava o fio, o trecho de música era repetido.

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Foram feitos seis testes, um por semana, em seis semanas consecutivas, cada um durando cerca de 20 minutos. Entre os trechos de música tocados estavam composições alemãs dos séculos 17 e 18. As peças foram também alteradas com programas de computador para que ficassem dissonantes.

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Em três dos seis testes, os pesquisadores tocaram primeiro os trechos consonantes. Nos outros três, eles iniciaram o experimento com música dissonante. Nos seis testes, Sakura puxou o cordão muito mais vezes após ouvir música consonante do que quando ouviu música dissonante.


Surpresa

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O experimento foi descrito em um artigo na publicação científica Primates. "Ficamos muito surpresos com a coerência dos resultados", disse Ha.shiya.


"Ela rapidamente aprendeu a regra do mecanismo e consistentemente tocou música consonante, ao invés da dissonante, durante muito mais tempo." A descoberta pode ter implicações importantes sobre como a capacidade de apreciar música evoluiu.

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Os especialistas japoneses também acreditam que a preferência inata de chipanzés por melodias agradáveis possa ter alguma função biológica. Resta saber qual.

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Portal Terra
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in Vermelho - 30 DE JULHO DE 2009 - 18h17
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terça-feira, 26 de maio de 2009

Raças: Implausibilidade científica, plausibilidade sociológica


por Edson França*


Os mais diferentes ramos da ciência biológica produziram conhecimentos que provam de maneira inequívoca e irrefutável a inexistência de diferentes raças na espécie humana. Os estudos vão além, concluem que ao longo da epopéia humana, que datam aproximadamente 160 mil anos, estabeleceu-se contatos genéticos que permite afirmar, seguramente, que nunca houve populações humanas racialmente puras.


Todas as correntes ideológicas e interesses subjacentes no campo científico, a partir da queda do nazismo e respaldados pelas pesquisas mais recentes, concensualmente acreditam na implausibilidade do conceito de raças apregoado pelos pensadores do racismo científico. Ou seja, para ciência a humanidade é biologicamente una, aqueles que insistem em afirmação contrária estão em flagrante equívoco e, do ponto de vista das ciências biológicas, acientífico.


Ocorre que a gênese política que permitiu a construção científica do conceito de raças em finais do século 18 e praticamente todo século 19, tinha objetivo de classificar, hierarquizar e legitimar a dominação da classe dominante européia e da nascente burguesia estadunidense sobre povos e grupos sociais com diferenças culturais, psicológicas, históricas, geográficas e fenotípicas, por isso as teorias raciais foram elaboradas sob intencionalidades não cientificas, assim nascem tendenciosas e racistas. Trocando em miúdos a racialização da humanidade deu suporte para várias formas de dominação: escravidão de africanos e seus descendentes em todo continente americano; colonialismo em todos os países africanos e de parte importante da Ásia; marginalização e exotização dos povos e das culturas, cuja base civilizatória descompatibiliza com a cultura eurocêntrica nas suas variadas formas de manifestação. De modo que as formulações do racismo científico nunca beneficiou a parcela não branca que se constitui na massa majoritária da população mundial, ao contrário, sempre prejudicou, por isso sempre foi negada.


A plausibilidade sociológica do conceito de raças se sustenta no fato dos grupos humanos compartilharem semelhanças físicas, psicológicas, morais, culturais, religiosas, lingüísticas, experiências históricas e lugares geográficos comuns.

Historicamente a semelhança fenotípica impôs momentos históricos, estereótipos, condições sociais e destino comum a vários povos. Esses elementos dão conformidade identidária e idiossincrática que singulariza grupos humanos transformando-os em raças. Mesmo após a evolução científica dos estudos genéticos que concluiram que há grandes possibilidades de um africano ter maior semelhanças genéticas com um esquimó a um outro africano de sua comunidade; mesmo convictos da igualdade dos homens enquanto espécie humana, as determinações sociais historicamente produzidas pelo racismo, outrora com a legitimidade da ciência, hierarquizam e diferenciam os seres humanos. Os genes não determinam comportamento sociais.


A certeza da inexistência de raças na espécie humana não evitou que em diversos países exista contradições raciais que aparecem em assimetrias econômica, social, política e cultural que se revelam na hierarquia de raças estabelecidas segundo a ordem de superioridade racial classificada pelos teóricos do racismo científico. Na maior parte das sociedades capitalistas modernas as elites que historicamente vem concentrando poder econômico produzido em escala mundial, em detrimento de seus e de outros povos, são brancas. Essas elites herdaram o capital, bem como as benesses do racialismo da espécie humana, que outrora beneficiou os donos das empresas escravagistas e coloniais.


A desracialização sociológica da humanidade não se dará pelo conjunto de retóricas elaboradas por mentes ilustradas bem ou mal intencionadas, nem pela boa vontade daqueles que repudiam o racismo. As estruturas historicamente construídas pelas práticas racistas cotidianas sustentaram e continuam sustentando o capitalismo internacionalmente; produziram e produzem beneficiários coletivos e individuais; cunharam as culturas dominantes e dominadas, por isso impregnam o senso comum; estão enraizadas nas instituições e nas práticas políticas; transitam de modo subliminar ou acintosamente nos setores formadores de opinião.


Para reverter a lógica racialista será necessário tornar a predominância do pensamento dominante e seus efeitos intangíveis na vida cotidiana das populações vitimadas. Para isso precisamos de ações públicas nos campos político, educacional, cultural, legal, religioso, econômico, dentre outras esferas que organizam a vida em sociedade.

Enquanto a pobreza atingir desigualmente as pessoas, gerando várias ordens de desvantagens as populações e países de maioria não brancas; enquanto o continente africano e alguns países asiático não forem reparados pela devastação do colonialismo; enquanto os países americanos não resolverem as desigualdade internas entre negros, índios e brancos; enquanto os países europeus tratarem como cidadãos de terceira classe os imigrantes africanos, latinos e asiáticos a sociedade humana estará fadada a sofrer da praga do racialismo, do racismo e dos conflitos étnicos que eles produzem.




*Edson França, É Coordenador Geral da Unegro, membro do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e da coordenação da Conen-Coordenação Nacional de Entidades Negra



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho -
11 DE JULHO DE 2007 - 21h04
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