Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 14 de abril de 2009

Festejando Darwin

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Crónicas do Novo Mundo
Festejando Darwin
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* F. Falcão-Machado, Embaixador de Portugal no México

Tem sido vasta a repercussão mundial das celebrações do segundo centenário de Darwin. Sem dúvida que a sua teoria evolutiva abriu muitos caminhos ao progresso científico, como se pode ver na magnífica exposição que se encontra na Gulbenkian.


Há que reconhecer porém que essa popularidade pode originar equívocos: para alguns, as teses do cientista inglês só interessam na medida em que negam o teor dos textos bíblicos, como parece mostrar a curiosa campanha a favor do ateísmo exibida nos cartazes dos autocarros de Londres. Mas, sem querer entrar numa polémica que noutros países tem sido acesa, creio que é de lembrar que, aquando da publicação de ‘A Origem das Espécies’, muitos crentes não tiveram qualquer problema em aceitar essas teorias e a própria Igreja Católica, que há muito superara as leituras literais da Bíblia, nunca as condenou. De facto, a existência de Deus não é nem pode ser objecto da Ciência.

Em contrapartida, estão a passar despercebidas outras possíveis implicações das teorias de Darwin: a Humanidade irá ficar para sempre como está hoje? Ou irão sobreviver apenas aqueles que melhor se adaptarem à evolução do meio? O darwinismo aplica-se aos domínios da cultura e da ética? Não falta, aliás, quem defenda que a teoria da selecção natural poderia ter muito que ver com a crise económico-financeira que aflige o mundo actual.

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in Correio da Manhã - 13 Março 2009 - 00h30
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Crónicas do Novo Mundo - O culto do mescal


* F. Falcão Machado, Embaixador de Portugal no México


Extinguiram-se há pouco os últimos ecos das festividades do Natal e da Passagem de Ano durante as quais, segundo a tradição portuguesa, se dá as boas-vindas ao novo ano com Vinho do Porto, espumante e iguarias diversas.
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Este ritual lembra-nos outras celebrações que desde tempos imemoriais se fazem no continente americano utilizando-se bebidas tradicionais produzidas localmente – já que o cultivo da vinha só se tornou conhecido com a chegada dos europeus. Uma dessas bebidas era o mescal, fabricado há mais de dez mil anos pelas tribos que então ocupavam o território mexicano a partir do maguey, que é uma variedade de cacto semelhante às piteiras existentes nos nossos campos. De harmonia com as investigações sobre o cultivo e o culto dessa planta de tradições mágicas, presume-se que era usada como alucinógenio – por efeito da mescalina – em cerimónias de invocação das divindades indígenas que tinham o controlo das chuvas e das colheitas. Mas os derivados do maguey tinham ainda outros usos diferentes, designadamente na culinária e na produção artesanal de tecidos, pelo que a planta se tornou num produto mesoamericano emblemático.

A confecção da bebida a que actualmente se chama mescal começa pela fermentação do miolo do referido cacto, o maguey mezcalero – que é uma variedade do agave –, seguindo-se depois a destilação e um envelhecimento de duração variável em tonéis ou garrafas. A diferença entre o mescal e a tequila, a bebida típica mexicana, reside no facto de serem produzidos a partir de diferentes variedades de agave, além de o mescal possuir um grau alcoólico superior. A par disso existem naturalmente as diferenças de gosto. Poderá contribuir para tanto o facto de muitas vezes as garrafas de mescal serem comercializadas ostentando no seu interior um insecto que se cria na planta que dá origem à bebida e que, não podendo sobreviver ao seu teor alcoólico, desfruta da reputação de contribuir para o apuramento do sabor da mesma.

Não é claro o significado original da palavra mescal, mas provém, sem dúvida, do idioma indígena náhuatl. Porém, qualquer que seja a sua origem, a bebida é agradável e totalmente orgânica.
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in Correio da Manhã 2008.01.11

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imagem retirada de

http://www.faktoider.nu/img/mescal.jpg

Se quiser saber mais sobre esta bebida ver http://es.wikipedia.org/wiki/Mezcal
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» Comentários no CM on line

Sexta-feira, 11 Janeiro


- Henrique Alves
Não há pachorra ! Bla,Bla,Bla !

- Victor Nogueira Face ao comentário anterior manifestei há dias o meu apreço pelas crónicas do novo mundo ao seu autor, apesar de serem publicadas num jornal tablóide. Não foi publicado. Censura? Já não é a 1ª vez que o CM não publica comentários meus, enquanto leitor habitual. Motivo da censura - considerar o CM um jornal tablóide?,
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Releio na página para Comentários:
Comentário: Se deseja ver publicado no jornal o seu comentário, por favor identifique-se com nome e apelido e, no final do texto que escrever, coloque a sua localidade. Os comentários são sujeitos a validação, sendo excluídos todos os conteúdos racistas, xenófobos, difamatórios e atentatórios da boa imagem dos visados.
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Alguém no seu perfeito juízo entende que considerar o CM jornal tablóide, que leio diariamente, tem conteúdo racista, xenófabo, difamatório ou atentatório da boa imagem do CM? Não, mas para o CM correctíssima é a apreciação que publica escrita pelo sr. Henrique Alves.
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Em 24 de Janeiro insisto com novo comentário, que abaixo reproduzo

Leio as regras
Senhores do Correio da Manhã
Leitor diário do CM remeti um texto de apreço pelas crónicas do novo mundo. Não foi publicado. Não sendo ofensivo registo a censura do CM que considera publicável o blá blá do leitor anterior.
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Leio após o envio
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008


O seu comentário foi enviado com sucesso.
Após a validação por parte da nossa redacção, ficará disponivel online.
Obrigado pela sua participação.

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Será publicado desta vez? Mistério!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Crónicas do Novo Mundo - O santuário de Guadalupe


* F. Falcão Machado, Embaixador de Portugal no México

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Ocorreu no passado dia 12 uma das festas religiosas mais populares do México – a da Virgem de Guadalupe. A devoção com que se celebra esta data em toda a América Latina é enorme e poderia ser comparada à devoção que em Portugal se dedica a N. Sr.ª de Fátima. A Basílica de Guadalupe, situada nas imediações da capital mexicana, recebe cerca de 10 milhões de visitantes por ano, sendo por isso o santuário católico mais frequentado do Mundo depois do Vaticano.
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As origens históricas deste culto assentam, segundo a versão oficial, num caso sucedido em 1531 num monte próximo da Cidade do México, onde teria aparecido uma ‘Senhora do Céu’ a Juan Diego, um humilde índio convertido. Exprimindo-se no idioma indígena ‘nahuatl’, a visão teria pedido que se construísse naquele local um templo dedicado à Mãe do Verdadeiro Deus, tendo deixado impressa numa ‘tilma’, um tecido artesanal indígena que Juan Diego trajava, a sua própria imagem. Esse tecido com a imagem encontra-se hoje exposto no Santuário de Guadalupe e é profundamente venerado pelos crentes.

Quanto à razão de ser do termo ‘Guadalupe’ – nome pelo qual se terá identificado a ‘Senhora’ da aparição – não está ainda esclarecida. É certo que existe em Espanha, desde o séc. XIV, o Mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, onde se venera uma outra imagem, a ‘Virgem Morena’, Padroeira da Estremadura. Mas não é líquido – de acordo com investigações feitas sobre o assunto – que essa devoção ibérica esteja directamente relacionada com a aparição mexicana. Admite-se que o termo ‘Guadalupe’ tivesse surgido no México como uma deturpação da expressão indígena ‘coatlallope’, que significa ‘esmagar a serpente’. E não é possível ignorar os processos sincréticos que usualmente se associam a este tipo de crenças.

Independentemente, porém, de quaisquer considerações de ordem religiosa, é facto que o culto de Guadalupe atrai imensos peregrinos e que são atribuídos grandes milagres a esta invocação da Virgem. Por isso, o Papa Pio X proclamou, em 1910, a Virgem de Guadalupe Padroeira do México e Imperatriz da América Latina e João Paulo II visitou o respectivo santuário três vezes.

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in Correio da Manhã 2007.12.14
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Quadro - Jose de Ibarra 1743 - Painting of Juan Diego opening the tilma

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Crónicas do Novo Mundo - Santos Inocentes



* F. Falcão-Machado, Embaixador de Portugal no México
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Na saudável alegria que é própria das festas natalícias arriscamo-nos, por vezes, a esquecer algumas outras comemorações que a tradição religiosa costuma associar à evocação do nascimento de Jesus Cristo. É o caso, designadamente, do chamado dia dos Santos Inocentes, que o ritual cristão celebra hoje, 28 de Dezembro.
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Efectivamente, segundo o relato de Mateus – o único dos quatro evangelistas que menciona esse episódio – após o nascimento de Jesus, em Belém, teria ocorrido aí uma matança de crianças ordenada pelo rei Herodes, ‘o Grande’, com vista a eliminar o futuro ‘Rei dos Judeus’, também chamado o Messias, de cujo nascimento fora informado pelos reis Magos.

Como vem sendo regra nesta coluna, não nos iremos debruçar sobre as interpretações escolásticas que têm sido feitas daquele texto religioso.

Mas merece referência o facto de, com o andar dos tempos, se haver instalado em muitos países da América Latina e em certas regiões da Espanha o hábito de transformar o dia dos Santos Inocentes numa ocasião de brincadeiras.

Este tipo de divertimento é tecido à volta da ingenuidade alheia, num estilo semelhante ao das partidas que em muitos países europeus se prega no dia 1.º de Abril.

Obviamente que a utilização da data de 28 de Dezembro é apenas o pretexto para uma manifestação paralela de humor que não pretende ofender a seriedade da comemoração litúrgica nem as convicções de cada um.

Todavia, essas manifestações lúdicas não nos devem fazer olvidar outros ‘santos inocentes’ cujo drama é real e também é dos nossos dias. Penso sobretudo no caso dos meninos-soldados que ainda hoje são sacrificados em operações militares, no trabalho forçado a que estão obrigados jovens de tenra idade em muitos países, no cancro tão devastador quanto escondido que é a pedofilia.

Estas são de facto tristes realidades que, embora não sendo muito conhecidas no mundo ocidental, constituem uma verdadeira ameaça àquilo que de melhor as gerações do presente possuem para oferecer às gerações vindouras: a juventude.
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in Correio da Manhã 2007.12.28
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Quadro - Morte dos Santos Inocentes - Meister des Codex Egberti (Siglo X)
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Foto -

Santos inocentes. Miembros de la Cruz Roja sostienen el cadáver cubierto de polvo de un niño fallecido en los bombardeos israelíes que costaron la vida a 57 civiles (37 niños).
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Crónicas do Novo Mundo - Tamayo reinterpretado


* F. Falcão Machado, Embaixador de Portugal no México
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Numa avaliação das iniciativas culturais mexicanas ocorridas durante o ano findo, merece destaque o muito que foi conseguido no campo da divulgação de grandes nomes da pintura mexicana. Como então se assinalou, realizaram-se no México, em 2007, duas importantes exposições retrospectivas de Frida Kahlo e de Diego Rivera, que alcançaram indesmentível sucesso designadamente no que respeita ao número de visitantes que ambas receberam.
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Todavia, é justo evocar uma outra retrospectiva realizada na Cidade do México já perto do final do ano e que, embora menos divulgada, não deixou de ser também um êxito. Referimo-nos à exposição “Tamayo Reinterpretado”, reunindo mais de 90 obras desse notável pintor que foi Rufino Tamayo (1899-1991).

Oriundo de uma das regiões mais típicas do México, Oaxaca, onde cedo revelou o seu talento, Rufino Tamayo completou a sua formação artística em Paris no início do séc. XX. Aí conviveu com Picasso e outros nomes grados das artes plásticas e conheceu as escolas cubista e surrealista. Regressado ao seu país, ignorou aparentemente a dinâmica da chamada “Revolução mexicana”, o que lhe valeu a animosidade de alguns seus contemporâneos, que o acusaram de insensibilidade para as questões políticas e sociais que agitavam o México na primeira metade do século passado. Essas críticas, porém, não passavam de visões demasiado ligeiras de uma obra cujo sentido profundo recuperava elementos importantes das culturas pré-hispânicas e os projectava numa espécie de misticismo nacionalista, a que tão-pouco eram alheias inquietações sobre os desafios da modernidade e o destino da Humanidade. Para tanto, Tamayo foi servido por uma elevada sensibilidade aos efeitos de luz, sombra e forma e, sobretudo, por um domínio perfeito, agressivo mesmo, dos efeitos da cor.

A exposição em referência constitui, pois, uma demonstração do valor de um artista que criou um cânone da arte mexicana contemporânea.

E o episódio anedótico ocorrido há pouco tempo em Nova Iorque, onde uma sua pintura, avaliada em um milhão de dólares, foi encontrada num caixote do lixo, apenas nos recordará de que é preciso ter cuidado com o que se deita fora...
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in Correio da Manhã 2008.01.04
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Sobre Rufino Ramayo ver

Rufino_Tamayo - Wikipedia the free encyclopedia

Museo Rufino Tamayo

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Crónicas do novo mundo - O Nobel e outros prémios

* F. Falcão-Machado, Embaixador de Portugal no México
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Num ritual já usual, a Academia sueca atribuiu há poucos dias o Prémio Nobel 2007 da Literatura à escritora britânica Doris Lessing. O facto de se tratar de uma autora relativamente desconhecida e de ser a 11.ª mulher a receber o prémio desde a sua criação despertará certamente a curiosidade pela sua obra, mas não deixará de nos fazer reflectir sobre a natureza desta distinção.
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Atribuído pela primeira vez em 1904, a Sully Prudhomme, o Nobel da Literatura contemplou posteriormente inúmeras personalidades de notoriedade variável. Alguns nomes dizem-nos hoje muito pouco e outros ficarão na História por méritos que não propriamente os literários, como foi o caso de Winston Churchill, laureado em 1953. De notar que durante grande parte da II Guerra Mundial o prémio não foi atribuído.
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O Nobel da Literatura tende, aparentemente, a beneficiar autores de língua inglesa em contraste com um outro prestigiado galardão, o Prémio Príncipe das Astúrias, que hoje rivaliza com ele nas áreas ibero-americanas. Mas há uma pergunta para a qual ainda não se encontrou uma resposta cabal: o que é que premeia, na realidade, o Nobel da Literatura? Se em dados períodos o critério utilizado para a sua atribuição parecia ser o de exaltar escritores já muito conhecidos e consagrados (como, entre outros, Rabindranath Tagore, Bernard Shaw, Hemingway, Camus, Octávio Paz, o nosso Saramago e ainda Sartre, que o recusou em 1964), noutras alturas afigurou-se ser seu objectivo estimular autores pouco conhecidos, se bem que promissores. E, no entanto, quantas vezes os nomes e as obras desses autores não regressaram a um discreto limbo após a distinção recebida?
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O que hoje parece ser valorizado nos escritores contemplados não será tanto o estilo literário ou a arte de bem escrever e descrever, mas o testemunho por eles dado, a mensagem social e política implícita nos seus conteúdos e o respectivo impacto na sociedade contemporânea, o que constitui igualmente um objectivo meritório. Daí a expectativa que sempre rodeia o anúncio dos nomes premiados
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in Correio da Manhã 2007.10.20
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» Comentários no CM on line
Sabado, 20 Outubro
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- nuno magalhães Relativamente desconhecida a Doris Lessing? O senhor embaixador devia ler mais. Vinte e dois livros publicados em Portugal não fazem dela uma autora desconhecida, nem mesmo por cá, num país pouco dado às leituras. Outra questão é a da queda de alguns autores na indiferença geral. Gostava que me apontasse um prémio em que isso não aconteça.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Crónicas do Novo Mundo - Dos maias à Guatemala

* F. Falcão Machado, Embaixador de Portugal no México

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Não é possível falar da Guatemala moderna sem evocar a antiga civilização maia que, para além deste país, abrangia ainda o Sul do México, as Honduras e o Belize.
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Antes da chegada dos europeus à América, o povo maia possuía uma das civilizações mais avançadas do continente americano, dispondo de grandes conhecimentos científicos e tendo-nos deixado um legado de inestimável valor, sobretudo, no domínio das artes e da arquitectura. As suas concepções religiosas eram sofisticadas e não deixa de ser curiosa a facilidade com que essas mesmas concepções se associaram posteriormente ao cristianismo, num fenómeno sincrético que tem sobrevivido até aos nossos dias. Subsiste, porém, um mistério ainda hoje por decifrar: o que terá causado o declínio e quase desaparecimento desta civilização tão brilhante mas que, quando os espanhóis chegaram ao Novo Continente, já quase não existia?

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Herdeira em grande medida da tradição histórica maia, a Guatemala moderna soube conquistar nos últimos anos um elevado grau de progresso social e económico. Além disso, a democracia tem vindo a ganhar espaço e a oferecer boas perspectivas de segurança e bem-estar aos seus habitantes. Quanto ao país em si, é um pouco maior do que Portugal tanto no que respeita à área como à população e tem sabido abrir pouco a pouco a sua cultura, as suas reservas arqueológicas, as suas tradições gastronómicas e as suas belezas naturais – é um dos países do Mundo com mais vulcões activos – aos benefícios do turismo.
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Uma recente visita a este país despertou-me a curiosidade quanto à origem da palavra ‘Guatemala’. O tema tem sido amplamente debatido, mas o embaixador Manuel Arturo Soto, um notável jurista e homem de saber guatemalteco que me tem honrado com a sua amizade, facultou-me pistas para uma resposta a essa questão: para uns, ‘Guatemala’ viria da palavra náhuati ‘Cuauhtemallan’, que significa ‘país dos muitos bosques’; para outros, na sua origem estaria o termo maia ‘uhatezmala’, que corresponde a vulcão ou ‘monte que lança fogo’.
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in Correio da Manhã 2007.10.13
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Para saber mais ver:
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América Índia: Maias, Astecas e Incas - HISTORIANET, a nossa história

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Crónicas do novo mundo - Uma herança a preservar


* F. Falcão-Machado,
Embaixador de Portugal no México

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Foi aprovada há poucos dias pelo plenário da assembleia geral das Nações Unidas uma importante declaração sobre os direitos dos povos indígenas. De entre os vários aspectos contemplados nesse documento merece uma referência a questão das línguas autóctones desses povos.
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Segundo dados recentemente divulgados pela ‘National Geographic Society’, são hoje reconhecidas no Mundo cerca de sete mil línguas. Grande parte delas – sobretudo na América Latina e na Austrália mas também na África – arrisca-se a cair em desuso. Por exemplo, existem 500 idiomas no Mundo que apenas são falados hoje por menos de dez pessoas. Outros idiomas, muito raros, resistem à divulgação em virtude de os seus cultores os utilizarem defensivamente, como uma linguagem secreta reservada apenas a iniciados – é o caso de muitas orações e receitas ligadas à ervanária e utilizadas por feiticeiros, cuja origem se perde na noite dos tempos. Em contrapartida, impuseram-se no Mundo contemporâneo 83 línguas com influência global que são faladas por cerca de 80% dos habitantes da área geográfica respectiva. Mesmo nas sociedades bilingues tem-se verificado um fenómeno semelhante àquele que sucede com a moeda: acaba sempre por se impor o idioma dominante nas relações económicas e nos meios de Comunicação Social, entendidos estes num sentido amplo que cobre toda uma realidade internacional hoje de acesso tão fácil graças aos progressos tecnológicos. Além disso, se o facto de grande parte dessas línguas indígenas não possuir uma forma de escrita contribuiu para o seu progressivo desaparecimento, também a própria dinâmica interior do universo dessas línguas acelerou de alguma maneira esse mesmo processo. A História mostra-nos, com efeito, que certos idiomas dominantes foram aniquilando outros idiomas falados pelos povos dominados.
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Ora a questão que se nos põe é a de saber se deveremos ficar indiferentes ao desaparecimento desse segmento do património cultural da Humanidade. A declaração sobre os direitos dos povos indígenas mostra-nos o caminho a seguir.
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in Correio da Manhã 2007.10.06
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Crónicas do novo mundo - Línguas autóctones

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* F. Falcão Machado
Embaixador de Portugal no México
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Tem estado patente no Museu Nacional de História – instalado no Castelo de Chapultepec, na Cidade do México – uma interessante exposição intitulada ‘Paradigmas da Palavra’. Trata-se de uma mostra sobre o trabalho de investigação e recolha de elementos relativos às línguas indígenas levado a cabo pelos missionários espanhóis durante o período colonial, como esclarece o próprio subtítulo da exposição: ‘Gramáticas indígenas de los siglos XVI, VII y XVIII’.
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É sabido o empenho que os colonizadores, mormente através das instituições religiosas, tiveram em estudar os idiomas dos povos que encontravam a fim de se fazerem entender e, simultaneamente, propagar a Fé crista. A exposição em apreço – que infelizmente não mereceu a edição de um catálogo – demonstra esse esforço. Vale acrescentar que hoje em dia o conhecimento de uma língua não se reduz ao domínio da sua gramática e do seu léxico. A moderna ciência da semiótica, por exemplo, veio dar um contributo importante para a análise das línguas, permitindo penetrar profundamente na simbologia e no imaginário das culturas subjacentes.
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Muitos foram os falares que os colonizadores vieram encontrar na região que então baptizaram de ‘Nova Espanha’. Os mais importantes na época eram o Maya e o Náhuatl, que ainda hoje se utilizam no México profundo e que estão bem documentados na mostra em referência. A este propósito, é justo recordar igualmente o trabalho que os portugueses desenvolveram no Brasil tendo em vista o conhecimento e a conservação dos idiomas autóctones. Ao chegarem às costas brasileiras, a língua aí encontrada foi o Tupi, que logo começou a ser estudada sobretudo pelos jesuítas. E em 1595 o Padre José de Anchieta publicaria a sua famosa ‘Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil’. Foram descobertos depois outros idiomas importantes, designadamente o Tupinambá, da região amazónica, que viria a transformar-se na segunda ‘língua geral’ do Brasil, o Nheengatu.
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in Correio da Manhã 2007.09.01