Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 2 de abril de 2011

Museus alemães mostram "Arte do Iluminismo" em Pequim

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MUNDO | 02.04.2011

Museus alemães mostram "Arte do Iluminismo" em Pequim

A mostra "Arte do Iluminismo" poderá ser vista durante todo um ano no Museu Nacional da China, na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Será esse o local mais adequado para um diálogo sobre os valores do Iluminismo?

O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, inaugurou nesta sexta-feira (01/04), em Pequim, a maior exposição da arte alemã no exterior. Esse projeto colossal se chama "Arte do Iluminismo" e poderá ser visitado justamente no local onde há 20 anos foram esmagados de forma sangrenta os protestos estudantis: o recém reaberto Museu Nacional da China na Praça da Paz Celestial.
Em nenhum outro lugar em Pequim, o poder da China, Estado de um partido só, é tão evidente quanto na Praça da Paz Celestial. Entre os muitos visitantes, vê-se por toda parte polícia, policiais militares e forças de segurança à paisana. Na diagonal do imponente Museu Nacional está o retrato do pai fundador Mao Tsé-tung.
Foi na Avenida da Paz Eterna, que se inicia diretamente em frente ao retrato, onde tanques e tropas marcharam contra o povo, em 1989. Exatamente nesse local, as Coleções Estatais de Arte de Berlim, Munique e Dresden apresentarão durante todo um ano 450 objetos, escolhidos para apresentar de forma compreensível o Iluminismo, enquanto época histórico-cultural.
O período introduziu na Europa as bases para os valores liberais e os direitos humanos. Apesar disso, a exposição não persegue nenhuma mensagem política explícita, assegura Martin Roth, diretor geral das Coleções Estatais de Arte de Dresden.
"A arte aborda simplesmente o segundo, o terceiro e o quarto nível de um tópico, não é apelativa nem voltada para fora. Antes, é preciso se aprofundar no tema e queremos tentar isso nesta exposição, em toda sua diversidade", comenta.
Roth diz, ainda, não acreditar que a mostra seja compreendida por todos os visitantes: "Não seria diferente na Alemanha. É preciso se envolver com o tema, mas também simplesmente fruir as belas imagens", completou.
Certa ironia
No entanto, trata-se muito mais do que somente belos quadros. Em nove seções principais, a exposição mostra os vários aspectos do Iluminismo, como o novo interesse pela história, a criação das ciências modernas no século 18, ou o surgimento de uma opinião pública emancipada, que constitui a base para a compreensão europeia do que significa liberdade de expressão e pluralismo.
Desse modo, os organizadores esperam também desencadear debates. Mas Ai Weiwei, o mais prestigiado artista chinês da atualidade, vê no momento pouca chance para tal.
"Por um lado, os europeus criaram esses maravilhosos valores no século 17 e 18 – nos quais até hoje a China não ousa se aventurar. Na opinião do governo, uma exposição de pinturas é correta, mas os debates a ela associados não são permitidos. Isso não deixa de ser uma certa ironia."
Exposição poderá ser visitada durante todo o anoExposição poderá ser visitada durante todo o ano















Debates públicos
Na China, o espaço para debates públicos diminuiu nos últimos anos. Uma quantidade cada vez maior de temas se tornou tabu. Nos últimos 30 anos, o espaço para um discurso crítico nunca esteve tão limitado, reclama o filósofo e pesquisador do Iluminismo Xu Youyu.
"Justamente a China precisa hoje de um Iluminismo próprio. As ideias não estão ultrapassadas. Naturalmente, existem diferentes definições do que é realmente o Iluminismo. A de que mais gosto é de Kant, que falava da saída do ser humano do estado de menoridade, pelo qual ele é o próprio responsável. Tendo em vista a situação de nosso país, minha definição é: Iluminismo é a restauração e a defesa dos direitos humanos", disse.
Como cocurador, o Museu Nacional Chinês não deverá permitir debates sobre os valores fundamentais que surgiram com o Iluminismo. De qualquer forma, pelo lado oficial chinês, os aspectos libertadores do Iluminismo não estão em primeiro plano. Enfatiza-se muito mais os lados obscuros do desenvolvimento europeu, como o colonialismo, sob o qual a China também sofreu.
E a pergunta sobre que valores o Museu Nacional põe em primeiro plano já foi respondida involuntariamente. Há poucas semanas, foi colocada uma enorme estátua de Confúcio em frente à entrada norte. O mais chinês de todos os filósofos não representa apenas a redescoberta das próprias raízes culturais. Ele é instrumentalizado há séculos na China para a subjugação do indivíduo à vontade das lideranças.
Autora: Ruth Kirchner (ca) 
Revisão: Augusto Valente


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sábado, 5 de março de 2011

Colecionador alemão se dedica à arte proscrita



Cultura | 29.01.2011

 

Obras de arte que não se adequavam às ideias de líderes políticos foram destruídas ou desapareceram para sempre nos arquivos. Um comerciante de antiguidades decidiu ir à procura e encontrou diversas preciosidades.

 

Tudo começou em 1985, quando o comerciante de antiguidades Gerhard Schneider se deparou com o espólio do pintor Valentin Nagel. Ele ficou fascinado pela individualidade de seu vocabulário formal expressivo-cubista, mas não encontrou nenhuma informação sobre o artista na literatura especializada ou enciclopédica. Caso não tivessem sido encontrados documentos como uma carteira de estudante da Escola de Artes Hans Hoffmann, Munique, de 1928, a obra e o nome do artista teriam ficado esquecidos para sempre.
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A princípio, Schneider considerou a falta de notoriedade do artista como um acaso. Porém, após tomar conhecimento do livro A arte da geração perdida, que o historiador da arte de Marburg Rainer Zimmermann escreveu sobre artistas proscritos, o tema não saiu mais de sua cabeça. Sua casa se transformou cada vez mais numa galeria para a arte que ninguém devia ver, só porque era a vontade dos governantes.
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As obras de arte que Schneider encontrou e comprou ao longo dos anos valem agora milhares de euros, totalizando uma coleção de valor inestimável, com destaque para a arte alemã e europeia.
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Exemplo mais conhecido: nazismo
'O vencedor', 1937, de Georg Netzband, faz parte do acervo de Schneider 
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O tema da arte banida é relacionado principalmente ao nazismo. Foram justamente artistas do Expressionismo – como August Macke ou Max Ernst – que promoveram o reconhecimento mundial da arte alemã, no início do século 20. O princípio de criação do Expressionismo utilizava a linguagem formal reduzida ao essencial. Mas foi precisamente essa arte, considerada hoje como forma de expressão "tipicamente alemã", que os nazistas difamaram como "semitização" da arte alemã, acusando-a de "degenerada" e proibindo-a.
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Através de censores da arte contratados pelo regime, os nazistas ordenaram que museus e galerias públicas se libertassem dessa "imundície artística". Em assim chamadas "exposições da vergonha", foram difamados artista e obra. O ápice dessa barbárie cultural foi a exposição Arte degenerada de 1937, realizada em Munique.
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"Somente de museus alemães e galerias públicas, os nazistas confiscaram mais de 20 mil obras de arte 'degeneradas' de cerca de 1.400 artistas. Uma pequena parte dessas obras foi vendida a preços irrisórios no mercado internacional. E a maior parte tem de ser considerada hoje desaparecida ou destruída", informa Gerhard Schneider. Mas governantes que decidiam segundo o próprio gosto o que as pessoas poderiam ou não ver, já existiam antes, e existem até hoje.
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Intervenções não somente em ditadura
Gerhard Schneider 
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As últimas obras de arte pesquisadas por Schneider remontam à recente história da Alemanha. Também na Alemanha dividida, a arte continuou a ser influenciada politicamente. A arte não figurativa foi instrumentalizada no Ocidente contra o "Realismo socialista" do Leste. Este, por sua vez, obrigava os artistas a colocar seu trabalho a serviço da ideologia comunista e do fomento da sociedade socialista. Aqueles cuja obra não correspondia a essas normas, eram classificados como "representantes da arte em decomposição do capitalismo".
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"Tanto no Leste quanto no Oeste houve duras intervenções na cena artística, já que ali colidiam duas visões diferentes do mundo", disse Schneider. "Os artistas só acataram essas imposições até certo ponto, e conseguiram, em parte, impor de forma admirável o próprio estilo, até muito recentemente. Como, por exemplo, Irmgart Wessel-Zumloh ou Wilhelm von Hillern-Flinsch."
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Há muito que a procura de obras de arte proscritas se tornou uma tarefa de vida para Gerhard Schneider. Tal busca tem por objetivo guardar e apresentar essas obras às próximas gerações. No final de janeiro, Gerhard Schneider conseguiu realizar um sonho de vida: com apoio público, abriu o Centro de Arte Proscrita, em Solingen, no Oeste da Alemanha.
Autor: Peter Kolakowski (ca)
Revisão: Augusto Valente

quinta-feira, 3 de março de 2011

Retrospectiva Modigliani

 

Cultura | 24.04.2009

Alemanha tem primeira retrospectiva Modigliani em quase 20 anos

 

Vida e morte do pintor natural de Livorno são dignas de uma novela. Lado a lado com Picasso e outros gênios ele marcou a arte do século 20. Exposição em Bonn é a primeira na Alemanha em 17 anos.

 

As exposições da obra de Amedeo Modigliani (1884-1920) não são raras, desde que a elite parisiense acompanhou o artista de 35 anos até a sepultura. A morte prematura impulsionou sua fama, e museus e galerias de todo o mundo se lançaram imediatamente sobre sua produção.
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E eles seguem guardando-a com grande zelo, o que impôs um verdadeiro desafio aos organizadores da mostra inaugurada em abril de 2009 na Bundeskunsthalle de Bonn.
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"Os empréstimos são extremamente difíceis, pois os museus que brilham com os quadros de Modigliani em suas salas não se desligam deles de bom grado", observa o diretor do museu em Bonn, Robert Fleck.
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Gravado na memória coletiva

Amedeo Modigliani 
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Amedeo Modigliani
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O artista nascido em Livorno, Itália, que foi sem dúvida um dos grandes ícones das artes do século 20, retorna à Alemanha 17 anos após a primeira grande retrospectiva de sua obra realizada no país, em Düsseldorf.
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Há muito as imagens de Modigliani – segundo Fleck, marcadas por uma "genial simplificação da forma" – estão gravadas na memória visual coletiva. Seu principal motivo pictórico foram os retratos: cabeças ovaladas, de pescoço longo e olhos amendoados, por vezes brilhantes, por vezes vazios, como na estilização de esculturas antigas.
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Em seus quadros vê-se a linguagem visual do Renascimento e do Maneirismo, mas também influências do Expressionismo e do Cubismo, assim como da arte africana, que se tornara popular na Europa de seu tempo.
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Paris e os gênios
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Retrato de Diego Rivera

(1914) 
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Retrato de Diego Rivera (1914)
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A obra do toscano também dá conta do ambiente na Paris do início do século. Enquanto toda a Europa sofria as consequências da Primeira Guerra Mundial, reinava uma frenética vida noturna na Cidade Luz.
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O café La Rotonde atraía numerosos expoentes das artes plásticas, como Pablo Picasso, o russo Chaim Soutine, o muralista mexicano Diego Rivera e o próprio Modigliani.
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Consta que ele admirava Rivera, de quem fez vários retratos. Um deles, pintado em 1914 e propriedade da Coleção de Arte da Renânia do Norte-Vestfália, pode ser visto na mostra de Bonn.
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Segundo Susanne Kleine, uma das curadoras do projeto, "a mostra reflete, em pequena escala e através de umas 70 obras, o conjunto da produção do artista". A obra de Modigliani inclui um total de cerca de 420 quadros e mil desenhos. Nos últimos anos de vida, ele descobriu a escultura, produzindo em torno de 25 peças.
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Vida de novela
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Retrato de Jeanne Hébuterne

(1918) 
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Retrato de Jeanne Hébuterne (1918)
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A dramática vida e morte de Amedeo Clemente Modigliani parece uma novela. Proveniente de uma família judaica culta da Toscana, ele emigrou para Paris em 1906, onde se converteu no arquétipo do artista boêmio.
Adorava as mulheres e deixou-se consumir pelo excesso de álcool e drogas, falecendo em consequência de uma tuberculose. No dia seguinte, sua amante Jeanne Hébuterne, grávida de nove meses, suicidou-se, atirando-se por uma janela.
Pouco antes de Modigliani morrer, sua obra já era bastante valorizada. Em 1952, um de seus nus foi comprado por um colecionador de Paris por 1 milhão de francos. Porém o recorde foi batido em 2003, quando a casa de leilões Christie's, de Nova York, vendeu um outro nu por 24 milhões de dólares.
A exposição "Modigliani" estará aberta em Bonn até 30 de agosto de 2009.
Autor: Eva Usi
Revisão: Alexandre Schossler
 
 

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Roy Lichtenstein


Cultura | 13.07.2010

Mostra Lichtenstein em Colônia enfatiza absorção das vanguardas pela Pop Art

 

As imagens de histórias em quadrinhos pintadas em grande formato e em técnica de retícula o tornaram mundialmente famoso. Grande expoente da Pop Art norte-americana é objeto de retrospectiva em Colônia, na Alemanha.

 

Roy Lichtenstein não se importava com a distinção entre original e cópia. Ele se apropriava de motivos de catálogos, pôsteres ou calendários. Com sua singular técnica de retícula, ele pintava por meio de uma rede de pontos os motivos escolhidos, como – por exemplo – as Mulheres de Argel, de Picasso.
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Em 1963, Lichtenstein trabalhou um detalhe da famosa obra cubista, intitulando ironicamente sua versão de Mulher de Argel. Visto de longe, o quadro parece um Picasso autêntico; ao se aproximar da tela, o observador reconhece – no entanto – um verdadeiro Lichtenstein.
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O Museu Ludwig, em Colônia, detentor da maior coleção de Pop Art fora dos Estados Unidos, exibe até 3 de outubro 100 obras deste expoente da pintura pop, incluindo quadros em grande formato, desenhos e esculturas.
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Da série 'Brushstrokes', de 1966Bildunterschrift: Da série 'Brushstrokes', de 1966Cézanne, Picasso, Mondrian 
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Roy Lichtenstein denominava os seus pontos de retícula Benday dots, em referência ao pintor Benjamin Day, o primeiro a produzir superfícies com os pequenos pontos coloridos em um processo de impressão. 
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Com a técnica, Lichtenstein retrabalhou os "heróis" da história da arte, sobretudo Pablo Picasso, Henri Matisse, Piet Mondrian e Salvador Dalí. Sua abordagem oscilava entre valorização do original e desmontagem.
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Assim como em suas imagens extraídas de histórias em quadrinhos, nestas Lichtenstein também combina os pontos de retícula com cores vivas e contornos pretos. No início, ele desenhava os pontos ainda manualmente; mais tarde passou a usar estêncil.
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Até a década de 1970, Lichstenstein citava obras de arte isoladas. Quadros como As Banhistas, de Paul Cézanne, ou A Dança, de Henri Matisse, podem ser reconhecidos claramente como pontos de partida. Posteriormente, ele passou a se dedicar a correntes conhecidas da história da arte, como o cubismo, o futurismo ou o surrealismo.
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Apesar de a "reciclagem" de elementos da história da arte se estender por todo o seu período de produção, a maioria das pinturas expostas em Colônia é ignorada até por conhecedores da arte. "Até agora, nenhuma exposição enfocou esta vertente que – assim como os quadrinhos – representa um aspecto essencial de sua obra. Esse é um fio condutor que perpassa todo o seu trabalho", explica o curador Stephan Diederich.
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Estudo para a obra 'Preparedness', de 1968Bildunterschrift: Estudo para a obra 'Preparedness', de 1968Trabalho perfeito
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Muitas obras vêm de grandes museus, como o MoMA, de Nova York, ou da Fundação Lichtenstein. Girl with Tear (Garota com Lágrima) é uma mistura de tira de história em quadrinhos e surrealismo. O motivo faz referência ao fotógrafo Man Ray ou ao pintor surrealista René Magritte: um olho do qual escorre uma lágrima. Da imagem também surge uma mecha de cabelo loiro – como se fosse um jato de água.
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Lichtestein explorou obras-primas da história da arte e tornou-as consumíveis pelas massas, tentando se manter à parte como autor.
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O espantoso é que Roy Lichtenstein continuou trabalhando como um pintor clássico até a sua morte, há 13 anos. Suas pinturas não eram feitas de forma rápida e mecânica. Ele as preparava meticulosamente: procurava um motivo, fazia esboços, projetava-os com um projetor de slides sobre a tela, até finalmente produzir o estêncil.
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Seu amor pela pintura se manifesta, por exemplo, na famosa série Brushstroke (Pincelada). As pinceladas gigantescas são trasferidas para a tela com a técnica de retícula. Por um lado, uma homenagem ao gesto genial do artista; por outro, a expressão de uma profunda dúvida em relação ao mesmo.
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Faz sentido esta exposição ser realizada na cidade de Colônia. O Museu Ludwig, que recebe o nome do colecionador Peter Ludwig, não só possui uma importante coleção de Pop Art, mas também tem inúmeras obras-chave de Roy Lichtenstein – entre as quais, alguns ícones do pintor, como M-Maybe (T-Talvez), o retrato de uma loira à espera de seu namorado.
Na exposição de Colônia, o Lichtenstein conhecido pode ser revisto, e o desconhecido pode ser descoberto.
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Autor: Sabine Oelze (np)
Revisão: Simone Lopes
 
 

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Exposição mostra o tríptico na arte moderna



 

Cultura | 22.02.2009

Exposição mostra o tríptico na arte moderna

 

Três quadros, uma imagem: o tríptico ressurgiu no final do século 19 e influenciou artistas como Otto Dix, Francis Bacon e Damien Hirst. Até 14 de junho, 60 obras modernas estão expostas em Stuttgart.

 

No Museu de Arte de Stuttgart, está em cartaz a exposição Drei. Das Triptychon in der Moderne (Três. O tríptico na arte moderna), reunindo 60 obras modernas que se dividem em quadros, colagens e videoinstalações. Típico do fim da Idade Média, o tríptico ressurgiu no final do século 19 e influenciou artistas como Otto Dix, Francis Bacon e o contemporâneo Damien Hirst. 
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O meio é o ponto de referência. Os quadros da direita e da esquerda, a continuação. O tríptico é um conjunto de três pinturas que, juntas, sugerem uma única imagem. Considerado uma arte cristã ocidental, a história do tríptico se estendeu desde a Idade Média, tendo como tema principal a devoção religiosa. Porem, do estilo medieval, o formato é a única característica da qual a exposição mais se aproxima. As pinturas devocionais não preenchem mais as telas e a assimetria dos quadros ganhou outras proporções. Além disso, as imagens não mais se completam e, sim, se complementam, sugerindo cada parte, também, interpretação individual.
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Ao longo de dois anos, a diretora e curadora do museu, Marion Ackermann, selecionou os 48 artistas da exposição. As duas obras mais antigas são ainda do final do século 19, produzidas pelos pintores alemães Fritz von Uhdes, Die heillge Nach (1888/89), e Gotthard Kuehl, Im Lübecker Waisenhaus (1896). Ambos faziam uma nova interpretação da história da salvação cristã e uma critica social à passagem do século. 
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'Schwarz-Rot-Gold I-II-III', de Markus LüpertzBildunterschrift: 'Schwarz-Rot-Gold I-II-III', de Markus Lüpertz
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Temas complexos do século 20 predominam nas composições. Através do pintor Otto Dix, com as obras Grossstadt (1927/28) e Krieg (1929-1932), a guerra e a fugacidade surgem como pauta e permanecem como fundo para artistas como Markus Lüpertz, com o tríptico Schwarz-Rot-Gold I-II-III (1974), e Will Sitte, com Höllensturz in Vietnam (1966/67). Sobre a emblemática da existência humana, destaca-se Max Beckmann com as obras Beginning (1946) e The Argonauts (1949-1950), e Francis Bacon, com os trípticos Three studies of male back (1970) e Three studies of George Dyer (1969).
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'Grossstadt', de Otto DixBildunterschrift: 'Grossstadt', de Otto Dix
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Objeto, cor e forma se harmonizam e composições abstratas também utilizam o formato tríptico. Em Triptychon (1918), a suíça Sophie Taeuber-Arp traça em três telas uma superfície geométrica rítmica. Outros artistas seguem a mesma concepção, como Adolf Fleischmann, o francês Yves Klein e o nova-iorquino Ellsworth Kellz. 
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Em cartaz desde 07 de fevereiro último, a mostra Três. poderá ser visitada até o dia 14 de junho próximo. Para quem aprecia a arte moderna, uma visita à exposição é também uma oportunidade para conhecer o acervo do Museu de Arte de Stuttgart, inaugurado em março de 2005.
 
Christiane Ruvenal
 

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"O Ocidente esquece seus vizinhos árabes", diz escritor sírio


Mundo | 13.02.2011

O escritor sírio Rafik Schami vive na Alemanha desde 1971. Em entrevista à Deutsche Welle, ele comenta a onda de protestos no mundo árabe e critica as posturas hesistantes da UE e dos EUA em relação à região.

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Deutsche Welle: Em seu romance Die dunkle Seite der Liebe (O obscuro lado do amor), de teor parcialmente autobiográfico, o protagonista Farid luta contra represálias de um regime autocrático, mas sem sucesso. Por que essa consciência da necessidade de justiça, liberdade e democracia envolve as sociedades do Oriente Médio como um todo exatamente agora, de tal forma que surgem até movimentos de massa a partir daí?

Rafik Schami: Muita coisa aconteceu. Por um lado, os governantes ficaram, de fato, 30, 40 anos sem fazer nada. Isso foi se acumulando e as mentiras perderam, com o tempo, sua credibilidade perante a maioria da população. No início, apenas cidadãos críticos – intelectuais talvez, professores universitários e jornalistas – percebiam que tudo era mentira. Mas a maioria é sempre lenta. Até que entendam, é preciso de tempo.

Por outro lado, os meios de comunicação de massa sofreram uma revolução. O intercâmbio crescente de informação levou a uma concentração do ódio. A pobreza, a humilhação e a postura fraca dos soberanos frente à nação – que pensam, acima de tudo e de forma brutal, no enriquecimento próprio – contribuíram. Reunindo tudo isso, poderia-se explicar por que isso tudo está acontecendo agora e não aconteceu há 10 ou 20 anos. 

Em sua obra, você denuncia o profundo marasmo cultural e as incongruências tanto em sua terra natal, a Síria, quanto em outros países árabes. A mudança política, que observamos ali no momento, é uma mudança de toda a sociedade ou apenas fogo de palha, que vai se apagar daqui a pouco?

Para não ser ingênuo, é preciso cogitar as duas possibilidades. Há sempre a possibilidade de um retrocesso. Sempre houve revoluções que se autodevoraram e se transformaram em ditaduras sangrentas. Mas os egípcios criaram uma nova alternativa. Como povo antiquíssimo, eles conduziram, pela primeira vez na história da humanidade, uma revolução pacífica, com o apoio de oito a nove milhões de cidadãos, que agora reconhecem o quanto são capazes de agir.

Esses cidadãos carregam agora as flores que brotam, como na primavera, dessas novas conclusões. Mas para que daí surjam frutos, é necessário abelhas, como sabemos em analogia ao universo das plantas. E é preciso haver ajuda de fora e situações favoráveis. Esses jovens não só deixaram para trás os intelectuais, como também ignoraram todos os partidos.

Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudançasBildunterschrift: Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudanças
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Se os partidos fossem sinceros, eles precisariam admitir que estão ficando defasados. Quais serão os efeitos disso na consciência da população? Ainda não se pode dizer. Só é possível esperar que tudo não acabe em uma guerra civil. Para um povo que destituiu um ditador de forma pacífica, o conceito da "paz" é muito fértil.

Acabamos de ver que o impulso da revolução veio diretamente do povo, dos jovens. Os países ocidentais não intervieram. Como você vê o papel do Ocidente na região depois dos últimos acontecimentos?

Para ser sincero, acho o papel do Ocidente vergonhoso, principalmente essa hipocrisia dos EUA. De súbito, eles ficam preocupados com a liberdade e tal. E eles nos repreendem diante da possibilidade de que a Irmandade Muçulmana possa assumir o poder. É tudo mentira. A Irmandade Muçulmana representa uma força política de aproximadamente 10%. Ou seja, eu não iria agora questionar a democracia porque um partido mais à direita governa.

No Egito, há uma ampla gama de todas as forças políticas: religiosas, nacionalistas, liberais, socialistas, independentes, mentes absolutamente livres, talvez também anarquistas. Esses são os egípcios e o Ocidente fica olhando. Há três semanas, as pessoas lutam por meio do bem mais precioso da democracia, ou seja, através das manifestações pacíficas. E ninguém lhes ajuda. As pessoas percebem que se o Ocidente quisesse ajudar, reagiria de outra forma.

Na sua opinião, o Ocidente passou tempo demais observando e apoiando Estados árabes autocráticos?

Sim, mas acredito que nem tenha sido com más intenções. Acho que o Ocidente confia rápido demais nos governantes; confia demais no silêncio tumular, que impera nesses países; confia rápido demais que o consumo poderia mudar alguma coisa. Isso é um lado, mas o Ocidente – e me refiro aqui, em primeira linha, à Europa – esquece muito rapidamente que os países do Mediterrâneo são seus vizinhos.

Nicolas Sarkozy e Ben Ali, em 2008: 'apoio constrangedor', diz Schami 
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A Itália está localizada em frente à Tunísia e ao Norte da África. Aqui ainda não se tem de forma alguma a consciência, de que aquilo que acontece lá, também diz respeito ao Ocidente. Quando se vê como os governantes em todos os países europeus, não somente na Alemanha, reagem, e quando se vê como a França apoiou Ben Ali até o último minuto, percebe-se o quanto a situação é estimada de maneira errônea. A imbecilidade dessa oferta a Ben Ali foi tamanha que dava para quase ter pena de Sarkozy.

Por muito tempo acreditou-se que os povos árabes não estavam preparados para uma democracia. E que só podiam escolher entre ditadura e Estado religioso. Qual é sua opinião sobre isso?

Já ouvi esse argumento com frequência e tive também meus medos, porque faço parte de uma minoria cristã. Mas, depois de um tempo, passei a não acreditar mais nisso. É sempre possível haver retrocessos, mas eles também podem existir em uma democracia. A população foi mantida quieta, anos a fio, sob mão de ferro. Os islâmicos e a Irmandade Muçulmana eram o único grupo protegido pela Arábia Saudita: com recursos financeiros, propaganda, treinamentos.

E o Ocidente via isso com prazer. Enquanto eles podiam ser instrumentalizados como anticomunistas, eram até cortejados. Mais tarde, as forças conservadoras autocráticas pareciam ser a única alternativa. Mas tudo aquilo que estava fermentando entre a população, isso a mídia não entendeu, nem a árabe, nem a europeia.

Rafik Schami (65) é um conceituado escritor sírio, radicado na Alemanha desde 1971. Entre suas obras mais conhecidas estão O obscuro lado do amor, de 2004, e O segredo do calígrafo, lançado em 2008.

Entrevista: Nader Alsarras (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Exposição traça paralelos entre Oriente e Ocidente

Cultura | 06.01.2011

 

Há séculos que o Oriente fascina viajantes, pesquisadores e artistas ocidentais. Uma exposição em Karlsruhe, na Alemanha, mostra como os países orientais viam o Ocidente e como também admiravam a cultura ocidental.

 

Expostas no Museu Estadual de Baden, em Karlsruhe, estão várias figuras conhecidas na Alemanha e associadas ao Oriente: cigarros da marca "Sultan" (sultão), chocolates que remetem às Mil e Uma Noites e figuras que lembram o universo de países orientais. O cartaz de uma cervejaria bávara estampa beduínos em cima de um camelo, transportando garrafas de cerveja.
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Brincando com estereótipos
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O universo de tais clichês povoa há muito a imagem que os ocidentais têm do Oriente. No mesmo espaço, contudo, encontra-se um relógio cuco – um produto tipicamente alemão, pensa o visitante admirado, antes de perceber que há, no lugar do pássaro que anuncia as horas, uma pequena caixa de som, da qual ecoa, a cada meia-hora (da mesma forma que o cuco do relógio original), o chamado do muezim para a oração. 
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Viajante ocidental em trajes beduínosBildunterschrift: Viajante ocidental em trajes beduínos
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Essa obra de arte-relógio, de autoria da artista Via Lewandowsky, embora seja uma persiflage, remete a um fenômeno cultural, observa Schoole Mostafawy, a curadora da mostra. "Os relógios europeus chegaram ao Oriente já no século 17. Os relógios cuco são hoje populares nos países orientais, podem ser comprados nos bazares de Teerã, Istambul ou Damasco ou encontrados nas salas de visitas nesses países", diz Mostafawy. O que um belo tapete usado pelos nômades do deserto ou uma peça artesanal de cerâmica significa no Ocidente, um relógio cuco da Floresta Negra é no Oriente: um sinal de cosmopolitismo.
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Adoção da outra cultura
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A exposição em Karlsruhe brinca com estereótipos e mostra como existiu, durante séculos e mais séculos, um intercâmbio cultural rico, diversificado e hoje praticamente esquecido entre Oriente e Ocidente: tratava-se de um dar e receber, de uma troca, numa relação ainda não marcada pela ganância ocidental por matérias-primas ou pelo estabelecimento de rotas comerciais e pela falta de apreço pela população muçulmana. "Queremos mostrar aqui que o Oriente não é apenas um receptor passivo da cultura ocidental, mas também assimila essa cultura estranha a ele", observa o curador Jako Möller.
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Proibição de imagens e arte visual
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No século 19, quando a fotografia se tornou popular no Ocidente, pesquisadores e viajantes viajavam rumo ao Oriente e documentavam suas impressões em imagens. Quando o "Orientalismo" virou moda, o mundo islâmico assumiu ele próprio a nova mídia, passando por cima, de forma soberana, da proibição da reprodução em imagens ditada pelos líderes religiosos.
Mais ainda: os líderes religiosos acabaram encontrando até mesmo uma explicação para o motivo da súbita permissão da reprodução em imagens, explica Möller. "Eles argumentavam que a fotografia não era uma arte visual, mas meramente um procedimento científico, através do qual a luz é refletida sobre um papel fotográfico – o que, de fato, corresponde a uma descrição exata da fotografia."
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O ato de fotografar se transformou num símbolo da modernidade e nas imagens cotidianas foi sendo refletida uma nova autoconsciência. Líderes orientais passaram a encomendar fotografias com prazer, nas quais a própria cultura misturava-se com a alheia. Assim vemos mulheres de haréns, deitadas num divã, vestidas com um casaco e uma saia curta, como era comum na virada do século 20 nos países ocidentais.
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Imagem do profeta?
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Um suposto retrato do profeta é também um achado surpreendente. Ele mostra, de fato, Maomé? O retrato é até hoje objeto de veneração no Irã. 
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A suposta imagem de Maomé, à esquerda, e a fotografia original, à direitaBildunterschrift: A suposta imagem de Maomé, à esquerda, e a fotografia original, à direita
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No entanto, a imagem era originalmente uma fotografia. Ela mostra um jovem tunesiano, fotografado pelos alemães Rudolf Franz Lehnert e Ernst Heinrich Landrock no início do século 20. Mostafawy, a coordenadora do projeto da exposição em Karlsruhe, explica: "Esse era antigamente o contraponto às fotos das mulheres bérberes, com pouca roupa. Para os fotógrafos e seus clientes era sinônimo dos países orientais, ao lado de outros tópicos". 
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Transferência de bens culturais
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Objetos de arte e cotidianos mostram que a cultura islâmica também adaptou fenômenos do Ocidente. A recepção da arte europeia se deu a partir do século 18. Retratos de líderes, imagens de santos e papéis de parede combinam motivos religiosos do Islã com detalhes ocidentais, também cristãos, integrando, por exemplo, uma cadeira moderna ou um homem de terno com representações tradicionais do paraíso. 
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Imagens de deuses da Índia e do Irã lembram muito a carga simbólica da imagem de Maria conhecida no Ocidente. "Artistas dos países islâmicos deixaram-se influenciar pelos motivos do Ocidente, cujo estilo e temas são usados como de um catálogo."
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Cotidiano, nostalgia e traumas
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Aqueles que viajavam e tomavam contato com a cultura do outro carregavam consigo sonhos distintos. Enquanto os europeus admiravam profundamente o clima e as palmeiras da região mediterrânea, os artistas muçulmanos pintavam seus sonhos em forma de montanhas, florestas frias e pequenos riachos. 
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Uma capítulo surpreendente da exposição é dedicado à cultura cotidiana. Quem, de longe, vê os tapetes afegãos, já pode admirar belos ornamentos orientais. De perto, contudo, tudo muda de figura, pois ali se vê kalashnikovs, tanques de guerra, armas de fogo. "Esses tapetes foram feitos na época da guerra civil. Provavelmente sob encomenda para oficiais russos, mas mostram o cotidiano dos costureiros de tapetes e seus traumas", explica Jakob Möller.
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Tapete: 'Juízo Final'Bildunterschrift: Tapete: 'Juízo Final'
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O contraponto fica em frente: um tapete da Pomerânia, na costa alemã do Mar Báltico, com peixes e anzóis, tudo em estilo e ornamentos orientais. Naquela região, até os anos 1960, os tapetes eram uma ocupação alternativa para pescadores desempregados, uma arte popular. Os tapetes pomeranos são comumente conhecidos até hoje como "os persas do Báltico", embora a produção já tenha cessado.
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Autora: Cornelia Rabitz (sv)
Revisão: Alexandre Schossler

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