Discurso de Lula da Silva (excerto)

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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Uma igreja que é uma coroa em Famalicão

O novo templo católico de Santiago de Antas está carregado de referências simbólicas. Foi inaugurado no passado domingo.
***PÚBLICO - Uma igreja que é uma coroa em Famalicão

A partir da nova estrada aberta junto à igreja de Santiago de Antas, em Famalicão, o templo românico fica perfeitamente enquadrado entre a torre sineira e a nave do novo local sagrado da freguesia. Os dois edifícios não podiam, porém, divergir mais: o mais antigo é rectangular, pequeno, e granítico; o novo, que foi inaugurado no domingo, é elíptico, enorme, e construído em betão pintado de branco. “Queríamos fazer este contraste para mostrar às pessoas que é uma peça completamente diferente”, explica Hugo Correia, arquitecto que assina a obra.

A igreja antiga, com origem no século XII, está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1958. O projecto de arquitectura do novo edifício teve, por isso, que passar pelo crivo do  Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). Nas conversas com os técnicos do património “surgiu muitas vezes a pergunta: por que não reveste a granito ou de algum material próximo a nova igreja?”, conta Correia. “Nós éramos completamente contra. A igreja antiga é tão valiosa, que não queríamos correr o risco de confundir as pessoas”.

Acabou por convencer os técnicos do Igespar e desenhar uma igreja moderna, de linhas simples, mas carregada de simbolismo. No interior, os únicos ornamentos estão no retábulo do altar, desenhado por Tiago Costa, arquitecto que esteve a colaborar no gabinete de Hugo Correia nos últimos anos. Esses dois painéis foram construídos em cerâmica e decorados com folhas de ouro e prata, com imagens de S. Tiago e de Nossa Senhora da Conceição. A igreja tem formato oval e no exterior é circundada por vários anéis que se entrecruzam, criando um efeito de malha. De acordo com Correia, pretendem simbolizar a coroa de espinhos que terá assentado sobre a cabeça de Jesus Cristo no momento da sua crucificação.

Há outras referências a símbolos da doutrina da Igreja Católica na obra. O piso de madeira é percorrido por duas linhas paralelas em mármore, que ligam o exterior do edifício ao altar. A primeira, azul, representa o rio Jordão, local do baptismo de Cristo, e liga o exterior do templo à pia baptismal e depois ao retábulo mor. A segunda linha, vermelha, representa o sangue do profeta, e termina sob o púlpito onde são feitas as leituras dos textos sagrados.

A freguesia de Santiago de Antas foi uma das que foi absorvida pela cidade com o crescimento de Vila Nova e Famalicão nos últimos anos. O vizinho Parque da Devesa e novos empreendimentos imobiliários fizeram crescer uma localidade que até há 30 anos era marcadamente rural. Hoje, tem cerca de 8.000 pessoas e a velha igreja não tinha condições para acolher os que, dentro destes novos habitantes, são católicos.

“Não havia assentos para todos”, conta o padre Agostinho Alves, que está na paróquia há seis anos. Aeixou de ser um problema dentro da igreja, onde há também lugar para muitas mais pessoas – o novo edifício tem 500 lugares sentados e espaço para mais 200 pessoas nas naves laterais – e condições acrescidas para as actividades da paróquia no piso subterrâneo, onde foi criado um centro pastoral com quatro salas para as sessões de catequese e uma sala com capacidade com 200 pessoas e possibilidade de receber espetáculos e festas.

A construção da nova igreja era, por isso “uma festa que há muito tempo se esperava” na freguesia de S. Tiago de Antas, ilustra Agostinho Alves. Esse dia chegou no domingo, com a realização de uma missa inaugural a que presidiu o Arcebispo de Braga, Jorge Ortiga.

Ao todo, a obra da nova igreja de Santiago de Antas custou 3,2 milhões de euros, financiados quase exclusivamente por fundos próprios da paróquia e por intermédio de um peditório feito de porta a porta juntos da população local e do apoio de alguns beneméritos. A Câmara de Famalicão deu também um auxílio, cedendo o terreno em que o edifício foi implantado por um prazo de 100 anos e atribuindo dois subsídios, num total 230 mil euros, que serviram para pagar o projecto de arquitectura e os arranjos exteriores.

https://www.publico.pt/2016/11/28/local/noticia/uma-igreja-que-e-uma-coroa-em-famalicao-1752885

segunda-feira, 25 de março de 2013

Zillah Branco: O patrimônio nacional e o ataque imperialista na Europa

2Página Inicial
 
5 de Março de 2013 - 13h37

Zillah: O patrimônio nacional e o ataque imperialista na Europa

 

A definição do território pátrio estabelece as fronteiras com outros territórios vizinhos, as milhas marítimas que cada um tem para seu abastecimento e defesa, os rios, o solo e o subsolo.

Por Zillah Branco*


A gente que aí habita, com a sua cultura, idioma e história, o povo, tem o poder e a responsabilidade de proteger o território, desenvolver as potencialidades existentes para assegurar a melhor condição de vida coletiva, zelar pelas riquezas naturais existentes para que o patrimônio nacional seja aplicado para o bem comum e conservado para as gerações futuras. As nações europeias que alcançaram durante a Idade Média maior poder em relação ao mundo ainda desconhecido, afirmaram-se como centro do conhecimento científico, filosófico e artístico e impuseram, através do domínio dos mares e da capacidade de organização de instituições que consolidaram Estados e relações políticas internacionais, o seu modelo de pensamento às nações mais pobres conquistando o estatuto de "poder cultural ocidental".

Subordinado ao modelo dos mais ricos (ou mais fortes), o mundo colonizado esmagou o orgulho nacional que defendia os seus patrimônios – naturais, culturais e históricos – que constituem a riqueza, material e imaterial, que alicerça o desenvolvimento da sua economia e do seu povo.

Hoje, em investigações arqueológicas, desvendam-se conhecimentos científicos, conceitos filosóficos e sociológicos, noções de arte, enfim, traços de uma inteligência criativa avançada que se interpenetrava de sentimentos humanísticos que ainda faltam no conhecimento atual divulgado pelo mundo ocidental.

Constata-se o tempo perdido no desenvolvimento da precária "civilização" que traduziu a sua capacidade e brilho intelectual em uma elite fortemente armada e de poder autoritário que manipula os seus dependentes.

Séculos de predação e rapina do patrimônio cultural e natural de povos que foram sendo exterminados bárbaramente no "Terceiro Mundo" – que o colonialismo e o neo-colonialismo criaram no planeta com o resíduo da sua exploração da riqueza resultante das suas "descobertas" nunca reconhecidas como "encontros entre povos" – que com o impulso propiciado pelo socialismo revolucionário deu, no século 20, decididos passos no sentido da libertação ainda que subjugados pelo sistema capitalista dominante que segue o seu curso com ideal imperialista.

Novas formas de espoliação foram criadas na Europa, agora por empresas multinacionais que acobertam as nações ponta-de-lança do imperialismo que atuam dentro das instituições administrativas das sociedades dependentes (como antes fizeram no Terceiro Mundo por meio de empresas concessionárias de serviços públicos) assenhoreando-se das riquezas do subsolo como os minérios raros e, agora, a água, e passam a vender como se fosse seu, o patrimônio que pertence ao povo.

Diferentes estratégias expansionistas deram origem à criação e povoamento europeu das nações no Terceiro Mundo onde velhas culturas indígenas foram esmagadas e povos primitivos foram escravizados com o objetivo de ser implantado um modelo "civilizado" com as características do europeu.

Paralelamente, a exploração das riquezas naturais do novo mundo enriqueceu o sistema comercial europeu que passou a constituir a base do poder econômico e político que mantinha a aristocracia reinante no continente europeu.

A Inglaterra capitaneou a Revolução Industrial esvaziando o seu território de um campesinato pobre que emigrou, com facções religiosas conflitantes com o poder instituído, para o norte da América onde sobreviveram e povoaram os Estados Unidos e o Canadá na companhia de franceses e holandeses que seguiram o mesmo caminho.

Naturalmente estas condições históricas de colonização, pelo empenho de nações europeias mais ricas que aplicavam a cultura no desenvolvimento de uma nova sociedade que se organizava no caminho da industrialização com as bases do capitalismo nascente, deram origem a colónias que permaneceram como instrumentos de poder aliadas às suas metrópoles.

No final do século 19, depois de processos de independência em que Inglaterra e França competiram hora como colonialistas, hora como libertadores do novo mundo, os Estados Unidos seguido pelo Canadá, deram início à sutil penetração nas nações latino-americanas levando tecnologia e ideias modernas de desenvolvimento econômico diferentes dos conceitos libertários herdados tanto da Revolução Francesa como da Revolução Americana que já tinham desaparecido no curso da Guerra de Secessão que dividiu o povo norte-americano entre os racistas escravocratas e os que idealizavam o socialismo utópico.

Abria-se para os países capitalistas, independentes e agora aliados, a fase do "imperialismo" que substituiu o mercantilismo e a dominação colonial por fórmulas modernas de neo-capitalismo acompanhadas de ação destruidora das culturas tradicionais e perseguição sem tréguas a qualquer expressão individual ou coletiva de doutrinas libertárias ou do socialismo científico.

Todo o Terceiro Mundo, inclusive no Oriente, foi invadido pelo vírus imperial que ficou colado às sementes da cultura e do desenvolvimento equilibrado com as origens tradicionais e as características de cada povo, com características de humildade submissa, o reverso da medalha dos preconceito de superioridade racial e civilizacional usado como instrumento de domínio.

A Revolução Socialista realizada na Rússia e que expandiu o seu exemplo por mais 15 nações da Ásia Central e da Europa do norte, tendo por base teórica o conhecimento gerado na Alemanha e França, com participação de intelectuais e instituições de muitas outras nações europeias e mesmo dos Estados Unidos, dividiu a humanidade como um todo entre explorados e exploradores, sem divisões raciais e com a consciência dos iguais direitos humanos.

A Segunda Guerra Mundial contra a expansão do domínio fascista na Europa foi vencida pela união da humanidade contra um perigo global, apesar das diferenças ideológicas históricas. A reconstrução das nações europeias também foi fruto da mesma solidariedade humanista e recebeu a ajuda (que abriu caminho para desenvolver os seus interesses de domínio) do núcleo imperial do sistema que deu grande impulso à imagem da Europa como "poder cultural" ao qual se manteve aliado até conseguir minar o sistema socialista no Continente.

Como assinala a exposição feita sobre a história da União Europeia, apresentada em final de 2012 em Bruxelas, a construção deste caminho teve início com a formação do Clube de Bilderberg formado na sequência da Segunda Guerra com políticos e militares europeus e norte-americanos que também definiram o Estado de Israel a ser implantado sobre o mundo árabe.

Este fato, que é publicitado amplamente na Europa, impede que se avalie a penetração subtil do imperialismo na sua habitual forma de dominação dos países fragilizados da própria Europa.

A aliança de uma elite política e econômica na Europa, a qual é integrada pela realeza que encabeça vários governos republicanos, com o núcleo imperial que comanda os Estados Unidos mantendo a nação como primeira potência militar e econômica no planeta, traçou em conjunto o caminho para o combate às ideias libertárias e socialistas que germinaram em toda Europa e formaram movimentos sindicais sólidos capazes de defender o direito dos trabalhadores e os direitos sociais de toda a população que são o objetivo de luta da esquerda que resistiu às invasões fascistas e às pressões ditatoriais permanentemente.

O imperialismo, fase superior do capitalismo, que sempre apareceu como uma "estratégia" da primeira potência - amplia a sua imagem mostrando que também é europeu no mundo global.

Permanece a humanidade, que se divide em exploradores e explorados, diante da ameaça de uma guerra que parece unir os dois lados adversários na paz, em defesa da dignidade humana e o direito elementar de viver.

Zillah Branco é socióloga, militante comunista e colaboradora do Vermelho

sábado, 12 de março de 2011

Sistemas de defesa costeira na Arrábida - Gustavo Potocarrero



Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008


Sistemas de defesa costeira na Arrábida


Sistemas de defesa costeira na Arrábida durante a Idade Moderna: uma visão social
PORTOCARRERO, Gustavo

Lisboa, Edições Colibri, 2003
ISBN 972-772-363-2

A obra:
A obra foi elaborada com base numa tese de mestrado em Landscape Archeology (Arqueologia da Paisagem) apresentada pelo autor, em 2000, na University of Wales (Lampeter).

O autor:
Gustavo Eduardo Gonçalves Pizarro de Portocarrero (Porto, 1974), arqueólogo, é licenciado em História, variante de Arqueologia, pela Universidade do Porto e mestre em Landscape Archeology (Arqueologia da Paisagem) pela University of Wales (Lampeter)
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Entre os trabalhos que realizou como arqueólogo, contam-se as intervenções no âmbito da remodelação no interior do edifício da Óptica Pita em Setúbal (Rua do Bocage n.º 29), e da remodelação do café Muralha, igualmente em Setúbal.

Da conclusão:
«(...) procurei transmitir uma abordagem mais integrada e interpretativa como alternativa às análises funcionais, estilísticas e intradisciplinares que são comuns neste género de estudos. Esta abordagem alternativa foi feita dentro de uma perspectiva de paisagem, onde diferentes elementos dos sistemas de defesa costeira foram vistos em contexto e não isoladamente como geralmente se faz. Dentro da perspectiva utilizada, acabei por privilegiar a abordagem que Preucel e Hodder designam de «paisagem como poder», na qual as paisagens são vistas como ideologicamente manipuladas em relações de domínio e resistência (1996: 33). (...)
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O modelo desenvolvido neste estudo pode então ser sumariado como se segue:
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No início da Idade Moderna, por volta de finais do século XV/inícios do século XVI, o sistema de defesa costeira português baseava-se no sistema tradicional de torres e fachos (sinais de fumo ou fogo) espalhados ao longo da costa. Este sistema resultava sobretudo da iniciativa das populações locais. Contudo, por esta altura, a defesa da costa começou a ficar instrumentalizada à medida que a Coroa começou a interferir mais activamente nela. As principais razões para essa interferência foram as tentativas de centralização por parte da Coroa e a formação de uma economia-mundo (da qual a Coroa retirava grandes rendimentos), actuando os portos como principais interfaces dessa actividade comercial. Sendo assim não é surpreendente encontrar nestes últimos os primeiros sinais dessa instrumentalização da defesa costeira. Estes sinais foram materializados pelas chamadas Torres Marítimas (formadas por uma torre de menagem e uma plataforma baixa) construídas à entrada dos portos e onde o uso de artilharia era já evidente. A novidade e a impressão causada por estas estruturas permitiram à Coroa um melhor controlo dos portos onde elas foram construídas. Contudo, esta estratégia limitou-se sobretudo ao porto de Lisboa. Fora dele, somente mais um par de exemplares é conhecido, dos quais um em Setúbal, denotando assim o interesse que a Coroa tinha já então por essa vila.
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Em meados do século XVI, novas mudanças tornaram-se evidentes. A elite dirigente portuguesa, confrontada com crescentes pressões internas e externas que ameaçavam o seu poder, optou por soluções autoritárias e repressivas. Uma delas foi utilizar o sistema de defesa costeira para reforçar o seu poder sobre alguns dos mais importantes portos portugueses, cujo controlo era visto como vital para os interesses estratégicos da Coroa. Como tal, uma política coerente de fortificação de alguns portos portugueses tornou-se evidente por esta altura. Elementos de agressividade e desconfiança, reflectindo a ideologia que prevalecia entre a elite dirigente (a «mentalidade de cerco») são típicas deste novo sistema, O baluarte seria o elemento arquitectónico mais característico deste sistema com todo o seu simbolismo de afirmação de valores militaristas e rejeição de valores humanistas. Não obstante, este sistema viria a defrontar-se com alguma resistência local.
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O carácter político do novo sistema depressa se tornou óbvio durante a invasão espanhola de 1580, quando caiu facilmente ante os ataques espanhóis. Todavia, e numa clara demonstração desse carácter político, os espanhóis decidiram manter o sistema intacto e até mesmo reforça-lo. De facto, durante o período espanhol, o sistema iria atingir um extremo de agressividade e desconfiança, assumindo uma posição particularmente hostil face às populações locais.
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Por volta da década de 1630, a conjuntura política começaria a mudar. Motins populares eram constantes. Vários sectores das elites não estavam igualmente satisfeitos com a situação política, vendo na continuidade da união com a Espanha uma ameaça ao seu poder.
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Temiam igualmente uma revolta popular bem sucedida que pudesse resultar na instituição de uma república. Assim, em 1640 organizaram um golpe, expulsando as autoridades espanholas e assumindo o poder. Nas décadas que se seguiram, a situação política, tanto interna como externa, foi bastante delicada para a elite dirigente pelo que esta resolveu reorganizar o sistema de defesa costeira de uma forma que reforçasse efectivamente o seu poder. Como tal, as características agressivas do sistema anterior foram em grande medida abandonadas, optando-se em alternativa pela incorporação de características mais «civis», por forma a facilitar a aceitação pelas populações locais da presença destas fortificações. Outro aspecto destas fortificações é o de que a artilharia e, onde eles se mantiveram, os baluartes, estão agora virados para o mar, enquanto antes estavam igualmente virados para terra para zonas habitadas. Agora, oficialmente, o perigo vinha somente do mar. Este aspecto juntamente com as características mais «civis» das fortificações ajudariam a criar uma ideia comum entre as populações locais de que as fortificações estavam lá para as proteger. O que está então a acontecer aqui é uma insidiosa estratégia de «corações e mentes» com vista a mascarar outras intenções da Coroa, ou seja, um maior controlo a nível local. Outra vantagem de se usar esta estratégia era a de que podia ser utilizada não só para reforçar o poder da Coroa nos portos, mas também para além deles em outras áreas costeiras onde outros grupos sociais podiam resistir às tentativas de centralização da Coroa.(...)»

O índice:
Agradecimentos
Prefácio
1. Introdução
2. A paisagem da Arrábida durante a Idade Moderna
3. O sistema de defesa costeira tradicional
4. Primeiras mudanças
5. A Torre do Outão
6. Pirataria
7. Mudanças arquitectónicas
8. Mudanças ideológicas
9. A reorganização de meados do século XVI
10. A fortaleza do Outão
11. Sesimbra e o novo sistema de defesa costeira
12. A invasão espanhola de 1580
13. O período espanhol
14. Uma nova conjuntura política
15. A reorganização de meados do século XVII: visões tradicionais
16. Santiago, Conceição e a reorganização de meados do século XVII
17. Os portos de Setúbal e Sesimbra e a reorganização de meados do século XVII
18. Os fortes do Portinho da Arrábida e do Cabo Espichel
19. Conclusão
Bibliografia
Imagens
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Gazeta de Setúbal - A zona ribeirinha e o núcleo medieval de Santa Maria





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Ínicio da construção do Porto  de Setúbal
Setúbal uma cidade em evolução e acompanhando a evolução tecnológica da nossa Era, uma cidade que graças á união de todos aqueles habitantes que se orgulham dela e a querem ver próspera, lançaram-se na concretização dum ambicioso projecto que é erguer o Porto Naval da cidade! Como sabemos o futuro passa pelas transacções comerciais marítimas, uma porta que se abre que poderá estabilizar o nosso mercado e de outras cidades que nos rodeiam!

Embora eu confiasse no brio e no orgulho de nossos habitantes, o nível de doações excederam a minha melhor expectativa, provando que quando nos unimos nada é impossível! Mas mais surpreendente é ter o prazer de ver viajantes que nos ajudaram financeiramente, demonstrando a grandiosidade e importância estratégica deste projecto!
Como sabem uma obra desta envergadura, além de precisar de muita mão de obra necessita de muitos mecenas dispostos a contribuir para esta causa, assim eu como Capitão do Porto de Setúbal convoco todos a passarem pela nossa cidade, verem as obras do Porto Naval, ajudarem na construção e a nível monetário se possível, lembrando que esta obra embora seja feita na cidade de Setúbal é uma obra que irá ser para beneficio do Condado!
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Na nossa Capitania existe uma Lista de Honra onde o nome dos mecenas e das respectivas doações são inscritos, foi a maneira encontrada de louvar quem ajuda e ao mesmo tempo mostrar transparência das contas desta obra!
Aproveito este espaço para também deixar aqui o meu agradecimento aos muitos que me apoiaram, financeiramente e moralmente para avançar com este empreendimento!

Capitão do Porto de Setúbal,

Dom Sucateiro 

Novo Mapa cartográfico de Setúbal
Por iniciativa de Sire MightyMacky e do Prefeito BigBangue, foi criado o Mapa Cartográfico de Setúbal. Um presente há muito desejado pelos moradores, fruto de pesquisas com a população e incansáveis medições por parte dos idealizadores, o Mapa foi apresentado á população em 27 de janeiro de 1458. Cada habitante vem assinalando a localização de sua casa, e aproveitando a oportunidade para convidar os amigos, promovendo assim encontros memoráveis! a cidade anda movimentada  pelos encontros, festas, saraus, almoços festivos, A Gazeta de Setúbal entrevistou o criador do mapa, MightyMacky, ou simplesmente Mac, como prefere ser chamado. Perguntamos  sobre a importância dos sítios assinalados no mapa:"Para a realização deste mapa foram consultados diversos documentos cedidos pelos mais antigos habitantes de Setúbal, alguns destes documentos estavam já em avançado grau de degradação pelo que o significado de alguns edifícios ficou ligeiramente perdido, contudo, foi possível criar uma coleção de documentos referentes a alguns dos monumentos e ao significado que eles têm para a população de Setúbal. 
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A partir da altura em que estes documentos estavam preparados para ser lidos e interpretados foi necessário contratar uma equipa de cidadãos dispostos a realizar medições com o intuito de demonstrar neste mapa a localização exacta de cada um dos monumentos.”
A igreja de Santa Maria é a igreja matriz de Setúbal, situa-se no coração do primitivo burgo setubalense, tendo sido em torno desta que se desenvolveu o mais importante bairro da cidade, assim como o centro religioso e político-administrativo. A igreja de Santa Maria é a igreja matriz de Setúbal, situa-se no coração do primitivo burgo setubalense, tendo sido em torno desta que se desenvolveu o mais importante bairro da cidade, assim como o centro religioso e político-administrativo. A Muralha de Setúbal foi mandada construir pelo Rei D. Afonso IV com o objectivo de conter assaltos de piratas e corsários que entravam pelo rio Sado vindos do oceano. A Porta do Sol é uma das entradas mais importantes da muralha de Setúbal. É de fácil acesso mas devido às suas pequenas dimensões torna-se muito fácil de selar evitando ataques a cidade. A igreja da Anunciada é a igreja mais antiga de Setúbal. Conta-se que, por volta de 1250, a imagem de Nossa Senhora apareceu a uma pobre mulher que procurava fragmentos de madeira para a fogueira. A crença neste milagre e a devoção à santa levaram à construção da Igreja da Confraria, no local onde, supostamente, aconteceu o milagre, e que mais tarde serviu de igreja paroquial. Doca dos pescadores é o nome que foi atribuído ao porto principal de Setúbal. O nome deve-se ao facto de deste porto saírem diariamente vários barcos para a pesca voltando carregados com o peixe mais fresco da região. O Parque do Bonfim é um dos sítios de maior sossego de Setúbal, pelo parque podem encontrar-se sonhadores, poetas, casais de namorados… Todos aproveitam o local para viverem momentos de descanso e felicidade.

A Gazeta

terça-feira, 8 de março de 2011

Os baluartes, fortalezas de Setúbal



Setúbal - Forte Velho - Localização
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Barracas no primeiro piso do Forte Militar (Forte Velho)
(Arquivo da Associação de Moradores) 1975 (?)

In: Fartas de Viver na Lama,
de Jaime Pinho/ Fernanda Gonçalves/ Leonor Taurino,
Edições Colibri
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Setúbal - ruínas do Forte Velho
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Setúbal - Forte de S. Filipe
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Setúbal - Forte do Outão
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• 20-12-2010 •
Património
por Rogério Vieira de Almeida
(Arquitecto e Investigador Universitário)


Os baluartes, fortalezas de Setúbal


I. Setúbal foi uma cidade envolvida de muralhas. Como muitas cidades europeias em que a industrialização trouxe novas infraestruturas de transportes e circulação, o "progresso" ditou a sua lei e as muralhas foram absorvidas pelo crescimento da cidade, derrubadas quando a abertura de novas vias a isso obrigava ou quando simplesmente deixaram de ter utilidade como mecanismo de controle e defesa da cidade.

II. Setúbal possui duas cinturas de muralhas. A primeira que se sabe existir desde o século XIV envolve o núcleo medieval; ou seja a área rectangular limitada pelas avenidas 5 de Outubro e Luisa Todi e pelas Fontaínhas e pelo convento de Jesus. A segunda, construída a na segunda metade do século XVI e depois da restuaração de 1640, envolve a Avenida Luísa Todi - então praia de beira-rio -, o bairro do Tróino, passava acima da actual Avenida 5 de Outubro e envolvia pelo exterior o bairro das Fontaínhas. O curso normal das cidades europeias levou a que as muralhas fossem, ao longo da sua história, passando por um processo normal de decadência. Ou porque se tinham tornado obsoletas como meio de defesa, ou porque a cidade crescia e eram absorvidas pelas casas que as rodeavam; noutros casos porque ruíam ou as pedras eram aproveitadas para outras construção.

III. A permanência destas muralhas está, em muitos casos, ligada a questões particulares de cada caso. Cidades cujo crescimento parou no tempo e as muralhas se mantiveram como o seu limite e nunca foram invadidas por infraestruturas de circulação ou, então, cidades que cresceram com casas que foram envolvendo as muralhas como se fossem uma camada protectora. É, em parte, o caso da muralha medieval de Setúbal cujos limites persistem em vários troços, mesmo que não visível devido às casas que junto a elas se fizeram. Ou no caso dos baluartes virados ao rio foi o facto de estarem sobre a areia do rio, área não destinada a construção que fez com que chegassem até aos dias de hoje.

IV. Da mesma forma que muitas cidades europeias viram, como Setúbal, desaparecer grande parte das suas muralhas devido à expansão e infraestruturação da cidade nos séculos XIX e XX, também muitas nestas últimas décadas passaram a valorizar a existência das muralhas como factor de consolidação urbana. O que há cem anos foi visto como muros de pedra inútil e que, muitas vezes, só não terá sido destruído por falta de meios para isso, é agora preservado, convertido sob diversas formas. Museus, casas de cultura, hotéis, ...

V. Em Setúbal permanecem ainda visíveis vários dos baluartes construídos nos séculos XVI e XVII. O baluarte do Quartel de Infantaria 11 é o mais reconhecível e o que se conserva melhor estado. É acompanhado a poente pelo que resta do do Livramento e, a poente do Tróino, pelo baluarte da Boavista. Dos restantes apenas restam pequenos troços. Estas fortificações, o seu aparecimento, o seu traçado, são reflexo de momentos importantes da evolução da cidade. A sua integração na cidade actual seria uma mais-valia em termos ambientais, culturais e urbanos.

Rogério Vieira de Almeida - 20-12-2010 09:08

segunda-feira, 7 de março de 2011

Setúbal - Quartel do 11



Boas!
Como setubalense, aproveito o meu primeiro thread para dar a conhecer um edifício que ,muitos que conheçam a cidade de Setúbal, conhecem, mesmo que só por fora.
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Falo pois, do Quartel do 11, deixado ao abandono à largos anos, com as suas portas trancadas, sob domínio do Ministério do exército.
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Tive oportunidade de poder elaborar um trabalho, não tão aprofundado como desejado, mas minimamente elaborado. Contudo o material para elaboração do mesmo, a nível gráfico, apenas o consegui no arquivo militar em Lisboa (fica a dica para alguma eventual pesquisa menos fácil de procurar).
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Não é propriamente um marco arquitectónico, mas possui uma forte carga histórica, que contém o "pulo" de Setúbal enquanto expólio de desenvolvimento, e surge como forma de defesa da costa, incorporado na muralha seiscentista que delimitava a cidade

Implantação das Muralhas do séc. XIV e séc. XVI que protegeram a cidade em tempos, sobre base da cidade actual
Laranja: Muralha séc. XIV
Vermelho: Muralha séc. XVI
(azul: linhas de água)

»O “Baluarte da Conceição” foi inicialmente denominado por Forte da Nossa Senhora da Conceição, mais tarde, dada à sua situação geográfica, passou a denominar-se “Baluarte do Cais” e finalmente Baluarte da Conceição.
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Existe uma inscrição entre o Escudo de armas e a coroa, por cima da Porta de Armas (1), em que refere que no ano de 1696, no Reinado de D. Pedro II, foi mandado fazer por ordem de Sua Majestade, ao Duque de Cadaval mordomo da Rainha Dona Maria Sofia, o pórtico, contendo as armas das Praças de Setúbal; Cascais e Peniche.
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A primeira planta que se conhece, data do ano de 1855 (2), mas é em 1883, que aparecem plantas rigorosas, à escala 1:500(3), cotadas e legendadas, onde se verifica que o “Baluarte da Conceição” em Setúbal, está mesmo encostado ao Rio Sado. Aliás, a praia confina mesmo com o Baluarte, quer do lado Sul, quer do lado Poente. Do lado Nascente, é contornado por um muro que se prolonga até ao cais situado mesmo junto à ponta Sul. Da separação do referido muro, com a muralha da fortaleza, resultava exactamente a chamada Rua do Cais. A parte Norte, onde se situava a entrada da fortaleza, ficava exactamente a “Alameda da Praia”.
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Estas plantas são já resultado de profundas alterações e reconstruções, motivadas essencialmente pelo terramoto de 1755, que afectou grandemente a cidade de Setúbal.
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A fortaleza do Baluarte, está implantada em dois níveis. No primeiro nível, situava-se a Parada do Quartel. No segundo nível a Bateria de Defesa de Costa.
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No ano de 1738, as condições do Baluarte, estavam bastante danificadas, e em 11 de Março desse ano, foi proposto à consideração da governação e do povo, que se fizessem várias “arrematações” de produtos, nomeadamente carne, para custear a recuperação das instalações, mas tal não veio a acontecer. As obras começaram em 1750.
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Em 1755, por ocasião do terramoto, o quartel ficou bastante danificado, bem como parte das muralhas, de tal forma que o regimento teve de abandonar o local.
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O Quartel do Regimento de Setúbal, passou a denominar-se 7 de Infantaria até 1823, data em que saiu de Setúbal. O aquartelamento foi então ocupado pela “Infantaria 19” e outras se lhe seguiram.
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O batalhão de voluntários, criado em 1828, teve o seu primeiro quartel, no Convento da Trindade, no Largo da Fonte Nova, mudando-se depois para o Baluarte.
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O Quartel de Nossa Senhora da Conceição, foi na década de 30 do século XIX ocupado pelas milícias de Setúbal e Alcácer.
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Em 1847, tropas do Porto ocuparam o Baluarte, para fazer frente ao Governo de Lisboa.
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A partir de 1848 o Baluarte, passou a ser ocupado pelos Caçadores nº1.
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Em 1933, foi feito um levantamento do Quartel, então já ocupado pela Infantaria nº11, à escala 1:200, em que é visível a muralha Sul/Nascente, que faz parte do bico Sul, já não dispor dos maciços característicos de apoio aos canhões.
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Em 1987, é elaborado um projecto de alterações bastante significativo de algumas instalações, mas que nunca chegou a ser concretizado.«

1. Porta de Armas

2. Planta do Quartel de 1855 - Esc. 1/500


3. Planta do Quartel (pormenorizada) de 1883 - Esc. 1/200

4. Porta de Armas (interior)

5. Regimento de Infantaria 11

6. Placa com o nome dos que "ficaram" na 1ª grande guerra


7. Interior do Quartel


8.Interior do Quartel (caserna)

9. Plano Geral
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domingo, 6 de março de 2011

A frente ribeirinha da cidade entre comerciantes, militares e as pessoas. O lado azul de Setúbal.

Setúbal - Cais da Conceição
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• 19-11-2010 •
Património
por Rogério Vieira de Almeida
(Arquitecto e Investigador Universitário)


I. A frente de Setúbal ao longo do Sado resulta, hoje, de uma série de operações que se estendem ao longo de décadas e séculos.

II. No início era a cidade medieval rodeada pelas muralhas. Dentro as casas e as ruas, lá fora a areia, a terra e a água. No século XVI e, depois XVII, novas muralhas, modernas ao tempo, vêm criar uma nova barreira mais avançada junto à água. De então restam o baluarte do, até há poucos anos, Quartel de Infantaria nº11 e futura escola de turismo e, ainda, um outro baluarte junto ao mercado do Livramento. É nesse novo espaço conquistado ao rio que, mais tarde se iria estender a Avenida Luísa Todi. No século XX a água que vinha até aos baluartes começa a ser repelida para mais longe. Com o início de uma série de aterros deu-se forma à frente que hoje conhecemos. Onde, antes, era água e areia, hoje é chão firme e junto à água foram surgindo as docas, os passeios, novos edifícios administrativos e industriais e arruamentos. Mais a nascente, já fora da frente da cidade, novos aterros bem mais pesados iriam surgir numa segunda vaga destinada a receber barcos de grande calado.

III. Lentamente, o aterro inicial tem vindo a perder algumas das suas funções. A alfândega está parcialmente inactiva, alguns pequenos edifícios sem uso, como a antiga bilheteira junto ao rio. Pelo meio muitos edifícios semi-abandonados, oficinas, pequena indústria remanescente, estacionamento automóvel e ruas. Mais ruas e vias de circulação.

IV. Fala-se frequentemente de revitalizar estas antigas zonas portuárias ou de frentes ribeirinhas. É assunto frequente desde os anos 80 na Europa. Em Setúbal o mesmo se tem vindo a passar, mais recentemente. Arranjos exteriores, jardins, alguns novos edifícios e uma intervenção do programa Polis. Uma tentativa de estabelecer uma frente de rio mais vivida e mais acessível aos setubalenses. No entanto a Setúbal das pessoas e da vida urbana está demasiado longe. Operações de "simples" animação urbana - bares, restaurantes, comércio ocasional - mostraram já em várias cidades serem ineficazes.  E nos terrenos que eram antes do rio serão sempre escassas as hipóteses de construir novas habitações.

V. Um provérbio diz "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha". As intervenções humanas de alteração de elementos naturais são frequentes ao longo da história. Os aterros ribeirinhos das cidades são disso exemplo; neles a água e a terra são deslocadas e vêm as suas posições originais mudadas. Passado o tempo "natural" dessas mudanças, ou seja quando a dinâmica económica e social faz com que estes territórios percam a sua utilidade e função, fica a questão se devem ou não alguns destes aterros dar de novo lugar à água. Será que "Se a cidade não vem, já, ao rio... poderá ir o rio, de novo, à cidade?"

Rogério Vieira de Almeida - 19-11-2010 11:55
http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=13345
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domingo, 21 de março de 2010

Évora - Cidade Património Mundial da Humanidade



Évora Monumental... Convida
Évora merece uma visita apaixonada e oferece marcas do que foi nascendo ao longo dos séculos: igrejas monumentais, praças históricas, casario branco, ruas medievais…

Nos arredores da cidade a natureza abraça trigais e montes, albufeiras e riachos, paisagens solitárias de beleza sem igual…
As suas gentes hospitaleiras, o artesanato típico, a rica gastronomia, as tradições, os cheiros e sabores que caracterizam esta bela região esperam por si!



Évora, cidade histórica no coração do Alentejo, é herdeira de um rico e variado património cultural, construído e preservado ao longo do tempo. Fundada pelo povo romano e por este denominada Ebora Liberalitas Iulia, a cidade foi a praça-forte que alicerçou, no Além-Tejo, a formação do novo reino de Portugal durante a Reconquista cristã peninsular do séc. XII
Recortada no largo horizonte da planície do Alentejo, Évora guarda o esplendor de um brilho cultural que a tornam uma cidade única.
Lá dentro espera-o um mundo de imprevistos contrastes: ruas labirínticas, praças inundadas de luz, fontes da Renascença, pátios mouriscos, portais góticos, mirantes. E o eco de recordações históricas com mais de dois mil anos.
De Roma ficaram o gracioso templo, muralhas e termas e da "Yeborah" muçulmana, a malha urbana do bairro da Mouraria. Conquistada em tempo de D. Afonso Henriques, conquistou o coração dos reis de Portugal que nela quiseram morar. D. João II elegeu-a para os festejos do casamento do seu herdeiro com a filha dos Reis Católicos, os mais faustosos que o final da Idade Média conheceu. D. Manuel I teve a sua corte em Évora, bem como D. João III.A alta nobreza acompanhou os reis e construiu palácios de luxo como o dos condes de Basto e dos Senhores de Cadaval. Foi então que se ergueram o paço real onde o gótico se alia à influência decorativa do Islão, e grandes conventos como o de S. Francisco, com uma das mais arrojadas igrejas de Portugal. Foi a "idade de ouro" de uma cidade que atraiu artistas da Flandres, de Itália, de Espanha, que queriam contribuir para o seu brilho. Mestres do conhecimento humanista vindos de Salamanca e Paris acorreram à Universidade fundada em 1553, que ainda hoje funciona. São tantos os vestígios dos tempos de glória que a UNESCO declarou a cidade Património da Humanidade.
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Itinerários
O itinerário começa junto do Templo Romano. Atribuído a finais do séc. II é o ex-libris da cidade e mantém intactas muitas das elegantes colunas terminadas em capitéis coríntios de mármore de Estremoz, finamente decorados.
No lado norte do Templo prolonga-se um jardim que termina sobre a muralha romana, donde se desfruta um belo panorama que abarca a vasta planície do Alentejo. Do lado sul, instalada no edifício restaurado do antigo convento de São João Evangelista (séc. XV), encontrará o agradável ambiente da Pousada dos Lóios (instalada no convento do mesmo nome). É digna de visita a Igreja conventual, com entrada ao lado. Edificada no final do séc. XV, o pórtico gótico é um elemento relevante, assim como o revestimento azulejar.
O edifício que confina com esta igreja é o Palácio dos Duques de Cadaval (também conhecido por Palácio das Cinco Quinas) que foi residência desta notável família portuguesa. É rematado por ameias e flanqueado por duas imponentes torres e constitui um belo exemplar de moradia senhorial. Na torre quadrangular foi preso em 1483 D. Fernando, Duque de Bragança que, acusado de conspirar contra o rei D. João II, daqui sairia para ser decapitado na Praça do Geraldo. No palácio, poderá visitar o interessante Museu da Casa dos Duques de Cadaval.
Por trás da Pousada, o largo Marqueses de Marialva é dominado pela grandiosa da Sé de Évora, que encerra numa das torres o valioso Museu de Arte Sacra. Em frente, encontra-se o antigo palácio dos Inquisidores fundado em 1536. Sobre o frontão, vêem-se as armas da terrífica Inquisição que, só em Évora, ordenou mais de 22.000 condenações.
Um pouco acima da Sé, na Praça Conde Vila Flor, está instalado no Paço Episcopal o Museu de Évora. À direita da Praça encontrará a rua das Casas Pintadas. Numa residência actualmente habitada por padres jesuítas, morou entre 1519 e 1524, Vasco da Gama, descobridor da rota marítima para a Índia. Nela encontra-se um pequeno claustro manuelino decorado com frescos quinhentistas representando sereias e animais fantásticos, que porventura representam o imaginário dos Descobrimentos.
Do largo defronte da Sé parte a rua 5 de Outubro, que conduz directamente à Praça do Geraldo. Nesta rua encontrará um dos raros vestígios da muralha goda da cidade: a torre da Selaria.
Ladeada a norte por uma arcaria medieval, a Praça do Geraldo é assumida como o forum citadino, animado com simpáticas esplanadas e onde se impõe um belo chafariz quinhentista em mármore, rematado por uma coroa de bronze. Diz-se que as oito carrancas, também de bronze, correspondem às ruas que desembocam neste espaço. No extremo norte, mandou o Cardeal D. Henrique derrubar um pórtico romano com três arcos triunfais, e edificar em seu lugar a igreja de Santo Antão, consagrada em 1563.
Sob o céu límpido do Alentejo, parta desta praça central para descobrir uma história antiga que se revela no labirinto das ruas, onde os olhos atentos não deixarão de observar portais góticos, janelas manuelinas ou uma arcada que conduz à frescura de um pátio. Os próprios topónimos elucidam a crónica da cidade: das suas personalidades (rua de Vasco da Gama, de Mestre Resende, de Serpa Pinto), das profissões (rua dos Alfaiates, dos Mercadores), da ligação aos senhores locais (rua das Armas do Cardeal), de comunidades (Mouraria, Judiaria), ou ainda o espírito de humor do povo (Mal-Barbado, Cicioso, beco do Beiçudo).
Se preferir um itinerário mais preparado, saia da Praça do Geraldo pela rua da República até desembocar à esquerda num pequeno largo onde se ergue a Igreja de Nossa Senhora da Graça, um curioso monumento maneirista. Saindo deste largo para a direita, na direcção da Praça 1º de Maio, irá encontrar a Igreja de São Francisco, um dos exemplos mais marcantes do estilo gótico-mourisco que caracteriza tantos monumentos do Alentejo e no Jardim Municipal poderá ver o que resta dos Paços de São Francisco.
Na frontaria sobressai uma galilé com arcos de estilos diferentes, um exemplo típico do "casamento" entre os estilos gótico e mourisco que se encontra em tantos monumentos desta região de Portugal. Sobre o portal manuelino repare nas divisas dos reis que a mandaram construir, D. João II e D. Manuel I, respectivamente o pelicano e a esfera armilar.
A igreja tem a particularidade de ter uma nave única, que termina numa abóboda nervurada, a de maior vão no gótico português. Nos lados, encontram-se doze capelas, todas revestidas de talha barroca. A capela-mor, datada do início do séc.XVI, mantém ainda relevantes elementos renascentistas como as tribunas. Não deixe de observar na capela da Ordem Terceira, num dos braços do transepto, a harmoniosa decoração de pedra, talha e azulejo.
No interior, pode-se ainda visitar a curiosa Capela dos Ossos, construída durante o período filipino (séc. XVII), com os pilares e as paredes completamente revestidos por ossadas. De notar ainda o portal renascentista tardio com os capitéis das colunas decorados de forma diferente consoante a face que se vê (do exterior ou do interior).
Contornando a ábside da Sé de Évora, siga pela rua da Freiria de Cima reparando nos portais e janelas geminadas que ornamentam algumas das suas casas.
Seguindo pelas ruas de Cenáculo e Freiria de Baixo desembocará na rua de S. Manços onde se destaca a Casa de Garcia de Resende (que foi secretário régio, poeta e cronista), pelas três lindíssimas janelas manuelinas geminadas, decoradas com pequenas colunas e capitéis mouriscos.
Mais abaixo, no largo das Portas de Moura, para além da varanda mudéjar-manuelina da casa Cordovil, merece atenção um belo chafariz renascentista. É também de assinalar o interessante ângulo da Sé que se consegue avistar a partir deste local.
Não fica longe a antiga Universidade do Espírito Santo, fundada em 1559 pelo Cardeal D. Henrique para Colégio da Companhia de Jesus. É aqui que funciona, desde 1973, a casa-mãe da actual Universidade de Évora, frequentada por mais de 8.000 alunos. No edifício, destaca-se o claustro com dupla galeria para onde abrem salas ainda equipadas com cátedras e bancos da época escolástica e magníficos azulejos alegóricos às várias disciplinas que aqui se leccionavam. A Igreja do Colégio foi bem adaptada às funções pedagógicas, como o atestam o púlpito colocado a meio do salão e as excelentes condições acústicas. Numa das capelas encontra-se o grande Crucifixo de madeira que precedia as procissões dos autos-de-fé.
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Évora Monumental - Roteiro Histórico
Porta de D. Isabel: A Porta de D. Isabel fazia parte da muralha tardo romana, hoje conhecida por Cerca Velha. Esta porta, constituída por um arco perfeito de cantaria é a única sobrevivente em todo o recinto amuralhado da Cerca Velha. Marca a passagem da principal rua da cidade romana na direcção este-oeste - o Cardo Máximo -, da qual resta um troço de calçada bem conservado, sob o arco.
A muralha tardo romana, na qual esta Porta se insere, tinha cerca de 1.200m de extensão, e abrangia uma área de cerca 10ha. Estava protegida por fortes torres de cantaria, das quais ainda subsistem algumas, como as que defendiam as portas das Rua da Selaria (actual Rua 5 de Outubro) e da Porta de Moura.
O seu nome remonta ao séc. XVII, já que na Idade Média era conhecida pela Porta do Talho do Mouro. De facto, o arrabalde da Mouraria nova, era ali a dois passos. top 
Termas Romanas: Em 1987, na sequência de obras nos Paços do Concelho, descobriram-se as termas romanas da cidade. O complexo até agora estudado tem cerca de 300m2, orientando-se no sentido sul/norte e obedecendo aos cânones vitruvianos. Os espaços já conhecidos constam de:
Laconicum - Sala circular de 9m de diâmetro, destinada a banhos quentes e de vapor. No centro encontra-se um tanque circular de 5m de diâmetro, embutido no solo, com três degraus. O fundo do tanque é de opus signinum (argamassa feita de cal hidráulica, areia e tijolo míudo) e possui uma profundidade de 1.30 m. O laconicum está rodeado do seu sistema de aquecimento.
Praefurnium - Espaço visitável ao lado direito, que contém a fornalha, serviria de sistema central de aquecimento das salas adjacentes. Daqui o Laconicum era aquecido mediante combustão de madeira.
Natatio - Piscina rectangular de ar livre, rodeada de pórticos, com uma largura de 14.40 m e comprimento de 43.20 m. No lado leste da piscina eram lançadas as águas das termas, segundo se crê trazidas por aqueduto próprio que teria sido o antecessor do aqueduto de Água de Prata. Esta área não é visitável. top   
Templo Romano: O templo fazia parte integrante do fórum de que se conhece a praça lajeada a mármore e uma estrutura porticada envolvente, onde provavelmente estariam lojas (tabernae).
Foi este templo edificado em meados do século I, consagrando-se provavelmente ao culto imperial. Possuía uma planta rectangular do tipo hexastilo-períptero, medindo 24.60 m por 14.19 m, assentando num podium de 4 m de altura. Na sua construção foi usado granito local, bem como mármore de Estremoz nos capitéis coríntios e na base. Um espelho de água em forma de U circundava-o.
A história do Templo confunde-se com a história de Évora. Na Idade Média foi utilizado como "açougue das carnes" (talho), sendo aí o principal ponto a retalho de venda de carne da cidade. Em 1870, decidiu-se repor a traça original disponível. Assim, e sob a orientação do italiano G. Cinatti, foi restaurado como hoje se exibe, ainda que sem cela, arquitrave, friso e muitas das suas colunas. Nesse processo colaboraram muitos nomes ilustres do tempo, entre eles Alexandre Herculano.
Em ex-líbris da cidade se tornou, ainda que nunca tivesse sido consagrado à deusa Diana, como popularmente se afirma. top
 
Catedral de Évora: Consagrada a Santa Maria, foi edificada entre 1283 e 1308, num período já de afirmação do gótico, mas onde ainda se assiste à permanência da linguagem decorativa românica. A catedral foi construída em terreno difícil, de forte inclinação, onde o engenho de arquitectos e o saber dos canteiros foi duramente posto à prova.
A Catedral tem três naves. Na central, podemos ver a imagem medieval da Nossa Senhora do Ó; defronte, o Anjo da Anunciação, obra posterior do flamengo Olivier de Gand. Se aí pararmos poderemos ver, em cima à direita, entre os arcos do trifório, um busto. É o arquitecto da catedral, que assim posa para a posteridade; as iniciais que exibe (C. E.), definem-no: Constructor Edit.
Estilos vários e épocas diversas caracterizam a catedral, dando-lhe todavia uma unidade particular. O claustro gótico é da primeira metade do século XIV. Aí está sepultado o bispo fundador - D. Pedro -; aí funcionou o primeiro concilium (concelho) da cidade, de que resta memória na pedra de armas mais antiga da cidade. O arco da capela do Esporão é a primeira manifestação do Renascimento em Évora; a capela-mor é barroca (substituiu a abside gótica em 1717), obra de D. João V, com mármores alentejanos engalanando-a; já o cadeiral do coro é quinhentista, com desenhos flamengos. Saliente-se ainda o museu de Arte Sacra, com rico espólio. Aqui também funcionou a Escola Polifónica da Sé de Évora, que, sobretudo em Quinhentos, teve grande projecção, sob a protecção do Cardeal-Rei D. Henrique.
No portal, por entre marcas de canteiros medievais que na pedra deixaram a sua memória, salientam-se o apostolado, obra de grande sensibilidade artística, reflectindo no mármore a visão medieva da palavra divina, transmitida sob a forma de recado, de conselho, de aviso. top
   
Praça de Giraldo: A meio do percurso deste roteiro, eis que o visitante chega à Praça Grande, a actual Praça do Giraldo, herdeira do "chão" onde se fez a primeira feira franca eborense, ainda em tempo de D. Dinis. Era a confluência de percursos urbanos polarizados pelos mosteiros mendicantes de S. Francisco e S. Domingos.
Rompida a Cerca Velha, Évora crescia rumo à muralha fernandina do séc. XIV. Aqui estava o centro político e o centro religioso: de um lado os paços do concelho, do outro a igreja de Stº. Antão, que iniciou o estilo "chão" alentejano, e que foi erguida sobre a primitiva igreja gótica de Antoninho. Espaço também de quotidianos. Nas arcadas a toda a volta se fazia (e faz) o comércio. Aqui se fizeram autos-de-fé, torneios, justas e touradas. Aqui estava o pelourinho e a Casa de Ver o Peso; aqui ficavam os antigos Estáus da Coroa, que ocupavam o quarteirão entre a antiga Rua da Cadeia e a Rua do Raimundo. Aqui está a fonte henriquina, construída sobre um antigo chafariz incluso num pórtico, e onde terminava a água trazida ao longo de 18km, desde as fontes da Prata. top

   
Igreja Real de S. Francisco: Com o triunfo da dinastia de Avis, em 1385, com a chegada das riquezas do Oriente, Évora assume-se cada vez mais como centro político e vila cortesã. Muitos foram os reis que aqui passaram, tornando-se cidade preferida de monarcas. Aqui começaram a surgir edificações que a enobrecem. A igreja conventual e palatina de S. Francisco, edificada por D. João II e concluída no reinado de D. Manuel I, foi construída sobre uma primitiva igreja gótica do século XIII.
A fachada destaca-se pela volumetria dos coroamentos, constituídos por coruchés cónicos, por gárgulas de cariz zoomórfico, por ameias chanfradas e por um pórtico onde se exibem os emblemas régios dos dois monarcas seus mecenas.
Exemplar notável do tardo-gótico alentejano, a igreja tem uma só nave (uma das maiores de Portugal), ladeada por capelas comunicantes. Na abóbada ogival estão de novo patentes os símbolos que a ligam à expansão e aos seus fundadores: a Cruz de Cristo, o pelicano de D. João II, a esfera armilar de D. Manuel I. À direita do altar-mor, as janelas serviam para que os reis assistissem à missa, vendo assim o padre de frente, numa época em que o sacerdote oficiava sempre de costas para os fiéis. top
   
Igreja e Convento da Graça: Em plena expansão portuguesa, as ambições imperiais gravaram-se nas pedras da Igreja da Graça. Edificada em formas clássicas tão ao gosto do Renascimento, a Igreja foi feita talvez para servir de túmulo ao seu mentor: D. João III. O arquitecto foi Miguel de Arruda. Também aqui trabalhou Nicolau de Chanterene, o mais notável escultor francês que entre nós, no século XVI, desenvolveu a sua arte; são da sua autoria, além da fachada da igreja e janelas da capela-mor, os túmulos dos patronos - D. Francisco de Portugal e esposa - hoje expostos no Museu de Évora.
É uma das mais significativas obras do nosso Renascimento, para o que contribuiu a cultura humanista de D. João III. Ele mesmo mandou gravar na fachada um título de pendor romano: "Pai da Pátria". No pórtico, em cima, temos então as marcas do sonho do Império: os "quatro meninos da Graça", as estátuas dos gigantes (ou atlantes) que carregam as quatro partes do mundo onde os portugueses aportaram. top

   
Largo da Porta de Moura: Em pleno Renascimento, Évora cobre-se de monumentos. Grandiosos uns, mais utilitários outros, mas todos dignos de realce. Como a fonte renascentista de 1556, obra de Diogo de Torralva, mandada erigir pelo maior mecenas da cidade, o Cardeal-Rei D. Henrique. O seu chafariz era um dos principais pontos de abastecimento de água na cidade antiga. Esta fonte foi construída com donativos públicos dos vizinhos do largo; um dos que participou foi o mais afamado tipógrafo da cidade, André de Burgos.
Outros motivos de interesse tem este Largo da Porta da Moura. Defronte da fonte, a casa Cordovil, com o seu mirante em manuelino-mudejar, mescla do estilo próprio da expansão (o manuelino), com o estilo de inspiração mourisca (o mudéjar).
Entre as torres que guardam a antiga Porta de Moura, situa-se a janela manuelina chamada de Garcia de Resende, poeta e cronista eborense do Renascimento português, e autor do Cancioneiro Geral, (compilação de toda a tradição poética portuguesa do século XV e XVI). top
   
Universidade de Évora / Colégio do Espirito Santo: Em 1551, com o patrocínio do Cardeal-Rei D. Henrique, foi instituída a Universidade de Évora, sob orientação jesuíta. Sete anos mais tarde, o papa Paulo IV, deu-lhe concede-lhe a necessária bula. Aqui se leccionavam os cursos de Teologia, Filosofia, Matemática e Retórica.
Cedo a universidade eborense se assumiu como um bastião do saber, apesar do controle inquisitorial. As suas instalações, de raiz, eram consideradas modelares, melhores de resto que as da sua congénere coimbrã. No seu conjunto monumental salientam-se o Claustro dos Gerais com dupla galeria de ordem toscana; a Sala dos Actos, em estilo barroco; os azulejos historiados com alusões a autores clássicos (Platão, Virgílio, Aristóteles, Arquimedes); a igreja maneirista do Espírito Santo (séc. XVI); a capela seiscentista de Nossa Sª. da Conceição; a antiga livraria. Numa galeria do andar cimeiro, uma estátua do historiador eborense Túlio Espanca - autodidacta aqui sagrado Doutor Honoris Causa - vela por este templo do saber.
Extinta no século XVIII (1759), a Universidade retornou à cidade em 1979. top
   
Porta do Moinho de Vento: O fim deste percurso não é isento de simbolismo. Aqui, na Porta do Moinho de Vento, chegámos ao local onde as cercas se tocam: a velha e a nova, isto é, onde muralha nova medieval se encontra com a velha muralha romana. Na verdade, a poucos metros, à esquerda, temos a Porta de D. Isabel, onde começámos esta viagem pelo tempo e pela História de Évora. Para trás deixámos a soberba vista do Palácio dos Condes de Basto, obra quinhentista edificada sobre o antigo castelo da cidade (Alcáçova Velha); para trás deixámos o troço de muralha romana onde assentam a actual pousada e a Igreja dos Lóios.
O topónimo "Porta do "Moinho de Vento", remonta ao séc. XIII, mas o local certo levantou dúvidas durante muito tempo. Este topónimo referiu-se, até ao século XV, a uma outra porta já desaparecida, passando, depois, a designar a actual. Aqui nasce a cerca fernandina (a "cerca nova"), que se estende por 3 km, e onde originalmente se abriam 10 portas.
Neste local, reencontram-se as idades Évora. O ciclo fecha-se. Ou volta a abrir-se, na cidade Património da Humanidade.
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Évora: Capital do Megalitismo Ibérico
Os arredores de Évora, e sobretudo o território a Oeste da cidade, constituem, em termos peninsulares, a paisagem megalítica mais diversificada e monumental.
A quantidade e as dimensões dos monumentos megalíticos de Évora relacionam-se, antes de mais, com a posição privilegiada deste território, em termos de transitabilidade natural: de facto, nos arredores da cidade, encontramos o único ponto em que as bacias hidrográficas dos três maiores rios do Sul - o Tejo, o Sado e o Guadiana - se tocam.
O papel estruturante, nas redes viárias primitivas, desempenhado pelos cursos de água e pelos festos - as linhas divisórias das bacias hidrográficas - foi certamente determinante na excepcionalidade do megalitismo eborense.
Por outro lado, se considerarmos o megalitismo como um fenómeno enraizado nas práticas culturais das últimas comunidades de caçadores-recolectores, em face de profundas transformações, vindas do Mediterrâneo oriental, juntamente com o modo de vida agro-pastoril, o carácter específico da área de Évora parece ser uma consequência das dinâmicas dessas comunidades que tiveram, nos estuários do Tejo e do Sado, tal como na Bretanha, dois dos núcleos mais importantes da fachada atlântica europeia.

Os monumentos/sítios, propostos neste Roteiro, não estão isolados. Só no distrito de Évora, conhecem-se, actualmente, mais de uma dezena de recintos megalíticos, quase uma centena de menires isolados (ou associados em pequenos grupos), perto de oitocentas antas e cerca de quatrocentos e cinquenta povoados "megalíticos". Existem ainda alguns raros exemplares de monumentos aparentados, os tholoi, e, na área da Barragem do Alqueva, foi recentemente descoberto um extraordinário santuário de arte rupestre, actualmente submerso. Conhecem-se igualmente cerca de uma centena de pedras com covinhas, monumentos misteriosos certamente relacionados com o megalitismo; com efeito, as covinhas surgem, frequentemente, gravadas nos próprios monumentos megalíticos.
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2000 anos antes de Stonehenge: o recinto megalítico dos Almendres

O maior monumento megalítico da Península Ibérica e um dos mais antigos monumentos da Humanidade.
Foi construído há cerca de 7000 anos, nos alvores do Neolítico, a época em que surgiram, na Europa ocidental, as primeiras comunidades de pastores e agricultores, no contexto de profundas transformações culturais.
O recinto dos Almendres cuja planta original era, muito provavelmente, em forma de ferradura, aberta a nascente, parece ter sofrido acrescentos e remodelações: a forma actual do monumento, relativamente complexa, resulta, por um lado, dessas intervenções antigas e, por outro, de amputações e perturbações muito recentes. Actualmente, conta com cerca de uma centena de monólito, alguns deles decorados.
A escolha dos lugares em que estes monumentos foram erigidos, teve seguramente em conta a estrutura física da paisagem, nomeadamente a rede hidrográfica, mas também os fenómenos astronómicos mais notórios, relacionados com os movimentos anuais do Sol e da Lua, no horizonte.
Nos arredores de Évora, numa área restrita, a Oeste da cidade, localizam-se outros dois recintos do mesmo tipo - Portela de Mogos e Vale Maria do Meio. Este conjunto constitui a maior concentração de menires da Península, demonstrando o papel especial que esta região desempenhou na génese do megalitismo europeu. top

As pedras solitárias: o menir do Monte dos Almendres

Como na maioria das regiões megalíticas europeias, existe, na região, um número elevado de menires isolados, alguns deles em aparente articulação espacial com os recintos e genericamente contemporâneos.
O menir do Monte dos Almendres é um exemplar de forma ovóide alongada, característica dos menires da área de Évora e exibe um báculo, gravado em baixo-relevo, na parte superior.
O báculo é o tema mais frequente nos menires alentejanos (e igualmente muito bem representado, nos menires bretões); trata-se de um tema que evoca certamente a economia neolítica, em que a pastorícia desempenhou um papel central; reflecte igualmente os fundamentos da ideologia neolítica, em que o domínio da natureza, a domesticação de animais e plantas, constituiu um dos temas dominantes.
Alguns dos menires foram decorados com motivos que reforçam, de um modo geral, o respectivo carácter antropomórfico: estamos, na verdade, perante as primeiras estátuas representações tridimensionais e em grande escala, da figura humana. O nascimento da estatuária.
A localização do monumento relaciona-se claramente com a do recinto dos Almendres, uma vez que corresponde a uma direcção astronómica elementar: o menir, visto a partir do recinto, indica a posição do nascer do Sol, no dia maior do ano, o dia do Solstício de Verão. top

A catedral megalítica: Anta Grande do Zambujeiro
As antas são monumentos funerários colectivos que correspondem, de uma forma geral, a uma segunda fase do megalitismo regional; foram construídas, na sua maioria, nos finais do Neolítico, há menos de seis mil anos.
Os monumentos megalíticos funerários mais antigos eram formalmente semelhantes, embora de pequenas dimensões e sem corredor, correspondendo geralmente a enterramentos individuais.
A Anta Grande do Zambujeiro é, provavelmente, a mais alta do mundo, com grandes esteios de granito que atingem cerca de 6 m de altura. A estrutura pétrea do monumento é constituída por uma câmara definida por sete esteios (mais uma pedra de fecho, por cima da entrada da câmara) e um corredor longo. O conjunto era coberto com tampas monolíticas; a laje de cobertura da câmara jaz actualmente sobre a mamoa, no lado poente.
O monumento conserva ainda uma boa parte da mamoa, o montículo de terra e pedras que cobria e ocultava originalmente, pelo exterior, a estrutura pétrea. Na periferia da mamoa, foi construído um anel de contenção, com esteios fincados.
O estado actual do monumento, relativamente periclitante, resultou de uma intervenção antiga que, por ter retirado parte da mamoa, reduziu drasticamente a estabilidade do conjunto; foi, por isso, necessário, construir uma cobertura provisória e estabilizar alguns pontos mais sensíveis da estrutura, enquanto não é possível uma recuperação mais definitiva do monumento.
Para além da anta propriamente dita, existem, junto ao monumento, dois enigmáticos blocos graníticos, de grandes dimensões; um deles, de forma paralelepipédica, à entrada do corredor, e outro, nas imediações, com a face exposta crivada de covinhas. top

As origens pré-históricas da cidade de Évora: O povoado do Alto de S. Bento

O Alto de S. Bento é o grande miradouro natural sobre a cidade, a nascente, e sobre uma das paisagens melhor conservadas dos arredores de Évora, a poente.
Em todo o cimo do cabeço, têm sido recolhidas, desde o século XIX, evidências de um povoado pré-histórico, cuja fase mais antiga remonta aos inícios do Neolítico regional (há cerca de 7000 anos) e cuja ocupação se prolongou, pelo menos, até aos inícios do Calcolítico (há cerca de 5000 anos).
Trata-se de um verdadeiro povoado "megalítico", no sentido em que foi ocupado durante todo o período em que, na região, foram construídos os menires e as antas, e também porque, originalmente, no local, existiam, muito provavelmente, grandes afloramentos graníticos, entretanto muito reduzidos pela exploração de pedreiras.
Na verdade, conhecem-se hoje, no Alentejo Central, inúmeros locais de povoamento dessas épocas, em que a característica mais notória é, precisamente, a presença de grandes rochedos graníticos que evocam, naturalmente, os verdadeiros monumentos megalíticos.
No caso do Alto de S. Bento podemos, com propriedade, falar nas origens mais antigas da cidade de Évora. Na verdade, o povoado expandiu-se, sobretudo a partir dos finais do Neolítico, para áreas limítrofes, com destaque para o povoado de S. Caetano, a Sudoeste, e da Quinta do Chantre, a Nascente; se considerarmos, no seu conjunto, os vários núcleos conhecidos, estamos, sem dúvida, perante o maior povoado pré-histórico conhecido no concelho, e um dos maiores da região.
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Gastronomia
Migas, açorda, ensopado de borrego, carne de porco à alentejana, sopas (tomate, cação, da panela) e gaspacho
Doce de amêndoa, encharcada, sericá e bolo rançoso
Vinhos tintos e brancos: Évora, Arraiolos, Avis, Borba, Estremoz, Montemor-o-Novo, Moura, Mourão,Portalegre, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vidigueira.

Queijinhos de Evora
Estes "queijinhos" foram ganhando notoriedade pelo seu original sabor ligeiramente picante e algo acidulado, encontrando-se nas décadas mais recentes as suas características principais definidas e estabelecida a sua merecida fama.
De cor amarelada que vai escurecendo em contacto com o ar, o Queijo de Évora é curado e apresenta-se duro (de sabor mais acentuado) ou semiduro, de crosta lisa ou um pouco rugosa.
O corte revela uma pasta amarela macia, fechada e bem ligada.
Guardado nas "rouparias" em ambiente fresco e húmido, o queijo ali permanecerá entre um mês (pasta semidura) e três meses (pasta dura), até atingir o ponto certo de maturação.
Membro notável da família dos queijos tradicionais alentejanos, o Queijo de Évora - DOP, cuja produção está circunscrita a 17 concelhos do coração do Alentejo, faz já parte da tradição da região à volta de Évora, cidade de notabilíssimas tradições e feiras seculares.
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