Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 8 de abril de 2012

Escritor Günter Grass considerado ‘persona non grata’ por Israel


Polémica


08.04.2012 - 15:44 Por Lusa
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Günter Grass escreveu um poema em que adverte que o Estado judaico é uma ameaça para o mundo devido ao seu poderio nuclearGünter Grass escreveu um poema em que adverte que o Estado judaico é uma ameaça para o mundo devido ao seu poderio nuclear (Miguel Manso)
 Israel declarou neste domingo o escritor alemão e Nobel da literatura Günter Grass "persona non grata" devido a um poema que escreveu na semana passada, no qual advertia que o Estado judaico era uma ameaça para o mundo devido ao seu poderio nuclear.
“Os poemas de Grass alimentam as chamas do ódio contra Israel e o povo de Israel, e são uma tentativa de fomentar a ideia que este assumiu publicamente quando vestiu a farda das SS (polícia nazi)”, afirmou hoje o ministro do Interior, Eli Yishai, para justificar esta decisão. 

Um porta-voz do ministro afirmou ao diário Ha’aretz que, de acordo com as leis da imigração e de entrada em Israel, o escritor tinha sido declarado ‘persona non grata’ e, por conseguinte, não será lhe permitido o acesso ao país. 

“Se Grass quer continuar a divulgar a sua criação disforme e enganosa, sugiro-lhe que o faça no Irão, aí encontrará ouvintes”, disse o ministro, numa alusão a uma comparação feita pelo Nobel entre os dois países. 

Já na sexta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamín Netanyahu, reagiu ao poema de Grass e assegurou que “é o Irão, e não Israel, quem representa uma ameaça para a paz mundial”. 

“A vergonhosa comparação que [Günter Grass] fez entre Israel e o Irão, um regime que nega o holocausto e apela para a destruição de Israel, diz muito pouco sobre Israel e muito sobre o próprio Grass”, afirmou então o chefe do Governo israelita, em comunicado. 

O escritor, de 84 anos, denunciou o programa nuclear de Israel num texto intitulado “Was gesagt werden muss” (“O que há para dizer”), publicado simultaneamente pelo diário de referência alemão Süddeutsche Zeitung, pelo espanhol El País, pelo norte-americano The New York Times e pelo italiano La Repubblica

O poema foi conotado de antissemita pela comunidade judaica alemã e por Israel e foi criticado por um vasto leque de políticos alemães. 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Marlene Dumas Against the Wall at DAVID ZWIRNER


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jameskalm | 6 de Abril de 2010
James Kalm recovers from St. Patrick's Day with a visit to the latest exhibition of works by controversial artist Marlene Dumas. Since 2005, when one of her paintings set a record for attaining the highest price ever paid at auction for a work by a living female artist, Dumas has become a lightning rod for criticism. Dumas's "Against the Wall" uses the image of the wall as a metaphor of the intractable and tragic situation present in the Middle East, and contrasts the political and spiritual implications of what these structures portend.
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ArtObserved.com - Marlene Dumas "Against the Wall" at David Zwirner

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artobserved | 5 de Abril de 2010
AO On Site - Marlene Dumas press preview of her first solo show with David Zwirner, "Against the Wall", through April 24.
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ver tembém no Galeria & Photomaton
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Marlene Dumas pinta contra todos os muros

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Marlene Dumas pinta contra todos os muros

Ípsilon

Serralves

Marlene Dumas pinta contra todos os muros

30.06.2010 - José Marmeleira

No Museu de Serralves, Marlene Dumas expõe pinturas de coisas que separam os homens, pinturas que a partir da fotografia ambicionam tornar-se imagens reais. E que, por isso, confrontam a indiferença e a imaginação do espectador. O motivo é o conflito entre Israel e a Palestina e a exposição chama-se "Contra o Muro"
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De cócoras, rodeada de sepulturas abertas, uma mulher vestida de negro olha para fotografia de filho. Uma criança caminha ao logo de uma parede que parece crescer sobre ela. Outra acena aparentemente de forma amistosa. Um homem parece ajoelhar-se receoso ou reza apenas. São figuras reduzidas a manchas, distorções cromáticas, à beira da tactilidade. Por vezes, insinuam narrativas ambíguas, mesmo quando o espectador crê distinguir o opressor da vítima. Uma coisa é certa: todas identificam claramente um contexto político - neste caso, o conflito no Médio Oriente entre israelitas e palestinianos - e esse é o primeiro novo dado que "Contra o Muro", no Museu de Serralves, com a curadoria de Ulrich Look, traz à pintura de Marlene Dumas (Cidade do Cabo, 1953). Em vez de se limitar a "transformar" em pinturas fotografias de corpos e de rostos - de crianças, jovens, actrizes, homens de raças diferentes -, como tem feito ao longo de trinta anos, a artista trabalha sobre imagens de um cenário familiar à opinião pública. 

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Numa terra de ninguém

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O processo permanece o mesmo - pintura feita a partir de imagens preexistentes, a grande maioria originárias da imprensa e do jornalista, mas, avisa o comissário, "o seu trabalho não se centra na realidade das imagens veiculadas pelos media, e sim na - embora suspeita - capacidade da pintura em tornar uma imagem real". 

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O lugar da fotografia na obra de Dumas ajuda a explicar tal motivação: "Apesar de nunca pintar senão a partir de uma fotografia e de respeitar o trabalho dos fotógrafos (as verdadeiras testemunhas), enquanto pintora adopta uma posição diferida. Cria uma segunda vida, uma vida imaginária para os acontecimentos. Na imaginação, encontramos as coisas como se fosse pela primeira vez". 

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É neste sentido que deve ser entendida a abordagem da artista à figuração. Ainda Ulrich Loock: "Nasce do desejo de tocar no corpo. Se o corpo está morto (seja através da simples descrição de um cadáver ou da sua representação fotográfica) a pintura figurativa implica o desejo de voltar a dar uma certa vida a esse corpo".

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A exposição em Serralves não representa a estreia em Portugal da pintora sul-africana, que vive em Amesterdão desde 1976. A sua obra já tinha sido apresentada antes ao público português na exposição "Os anos 80: Uma topologia", no museu do Porto, e numa individual de desenhos em 1998 no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Mas "Contra o Muro", que em Abril teve a sua primeira versão na Galeria David Zwirner, em Nova Iorque, assinala um momento singular na produção pictórica de Dumas. Escrevia a artista no respectivo catálogo: "Desta vez o palco principal não pertence a figuras nuas e a cabeças em posição vertical, todas ampliadas, mas a estruturas arquitectónicas colocadas num espaço narrativo...que nos transportam não a uma terra sagrada, mas uma árida terra de ninguém".

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Eis o segundo novo dado que "Contra o Muro" revela: a presença de construções humanas. Muros, como o da Cisjordânia construído por Israel para se separar fisicamente da Palestina ou blocos de cimentos usados nos posto de controlo militar. Os muros são uma presença evidente nas pinturas de grande formato. Porém, aquilo que descrevem é com frequência uma decepção dirigida ao olhar e ao conhecimento. Em "O Muro" (2009) os judeus ortodoxos não se prepararam para rezar no Muro das Lamentações, fazem um pausa diante da terrível parede cuja construção foi iniciada em 1990; em "Choro do Muro" e "Lamentações do Muro" (2009), vemos homens sem rosto, encostados ao que parece ser de facto o sítio de culto religioso; numa pintura têm os braços levantados como se a meio de uma qualquer oração; na outra, são revistados contra o muro. Não é difícil evocar "El Tres de Mayo" (1808), de Francisco José de Goya, ou "L'Exécution de Maximilien" (1868) de Édouard Manet.

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Outras pinturas dispensam figuras, para mostrarem apenas construções e estruturas. "Em Construção" (2009), uma longa parede que se estende impassível ao longo da tela tapa a paisagem. Em "Barreira mentais", blocos de pedra, de uma transparência azul, só deixam entrever ao fundo a linha de uma estrada. Pinturas que apagam a figuração, para deixarem entrar sinais da abstracção ou, como escreve o comissário no catálogo desta exposição, "obras que desafiam a solidez da parede que define o lugar onde a imagem é apresentada, a parede do espaço expositivo ou de uma habitação". É a própria artista que num dos seus escritos enuncia que "uma pintura necessita de uma parede com que se confrontar", mesmo que, como acontece nesta exposição, de outro lado possa estar um lugar dominado pelo abandono e a dor.

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A realidade depois da pintura

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Convém lembrar que Marlene Dumas viveu de perto o Apartheid na África do Sul, experiência que inspirou "Contra o Muro" e o protesto mudo que sob uma série de pinturas é dirigido às políticas de segregação de Israel. Será então oportuno evocar aqui a incómoda classificação de arte política e fazer a inevitável pergunta: não pode esta pintura tornar-se ilustração de uma realidade? 

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"Não, não existe esse risco. A realidade encontra-se já ilustrada nas fotografias preexistentes", responde o comissário. "E a pintura transforma a realidade ilustrada numa realidade da imaginação. Podemos chamar [estas pinturas] de arte política não apenas porque descrevem estruturas que condicionam a vida em comum de povos em conflito, mas também porque, e sobretudo, Marlene Dumas, enquanto pintora, se envolve nesse conflito: constrói na sua pintura um muro, contra o discurso politicamente correcto, e tornando-o inevitável torna inevitável a necessidade da sua destruição". 

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Disse Marlene Dumas durante a apresentação em Nova Iorque, na Galeria David Zwirner: "Sou contra o muro. Não sou contra o Estado de Israel ou o Estado da Palestina, mas sou contra o muro". A clareza e a afirmação da posição revêem-se em "O Sono da Razão", auto-retrato da artista, incapaz de mudar politicamente o mundo, por isso seu involuntário cúmplice, mas capaz de enriquecer a sua memória colectiva através da imaginação (cite-se o Goya de "Desastres de La Guerra", de 1810-20 ou, numa latitude distinta, o Matisse que viveu sob o Regime de Vichy).

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No Museu de Serralves, reúnem-se à volta de 40 pinturas datadas da década anterior (mais 20 das que as expostas em Nova Iorque) e a maior parte dá conta do modo como Dumas lidou na sua pintura com o conflito no Médio Oriente. Para além da arquitectura e do betão, a artista pintou rostos e corpos de pessoas que viveram de perto a guerra ("Criança a acenar") ou que nela perderam familiares (a mulher que olha a foto do filho em "A mãe", 2009) ou a vida (mártires e terroristas em "Homem morto", 1988, "Rapariga morta", 2002). Outras pinturas revelam incursões por temas aparentemente mais prosaicos, pacíficos ou clássicos. É o caso do retrato de uma oliveira ou das naturezas-mortas "Caridade" (2010), com as suas rosas escurecidas, e "As vinhas da Ira" (2009).
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Finalmente, restam imagens ambíguas de corpos. Em "Ressurreição" (2003/09), o torso de um homem caído para trás, a boca aberta. Um morto que ressuscita com o "milagre" da pintura? Um ferido? Uma estátua? Como as outras imagens resulta de uma tensão entre a documentação fotográfica e o espaço imaginário da pintura; tensão que se propõe atravessar toda a exposição contra os limites ontológicos da pintura e os muros e as divisões construídas pelos homens.
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domingo, 11 de julho de 2010

Dustin Hoffman boicota festival de cinema de Jerusalém


Cultura

Vermelho - 9 de Julho de 2010 - 15h36


Dustin Hoffman, o anti-herói mais atraente da história do cinema americano, é uma das personalidades que boicota o festival internacional de cinema que abriu as suas portas nesta quinta-feira (8) em Jerusalém.

Em declaração ao Jerusalem Post, o chefe da mostra internacional, Molad Hayo, indica que a atriz americana Meg Ryan, outra estrela de Hollywood, também não se deslocará até Israel.

O príncipe Albert de Mónaco, convidado no âmbito de uma homenagem do festival à sua mãe, a falecida Grace Kelly – que, seja dito de passagem, teve gestos de solidariedade para com os combatentes da independência argelina, no final dos anos 1950 – também desistiu.

"Nenhuma dessas personalidades nos deu oficialmente motivos para esses cancelamentos. Mas fomos avisados logo no dia a seguir ao ataque contra a flotilha e é evidente que existe uma relação de causa a efeito entre esses acontecimentos", comentou Hayo.

Molad Hayo queixa-se. Argumenta a favor da sua actividade "que tem o mérito de ter posto em contato desde há vários anos cineastas palestinos e israelenses". Mas é no entanto obrigado a constatar que o mundo cultural israelense, a partir do momento em que se coloca sob a alçada do Estado de Israel – o que é evidentemente o caso do festival –, não se pode alhear dos crimes do seu governo.

A não ser demarcando-se abertamente, o que fazem vários intelectuais israelenses corajosos, mas não Hayo.

Com 73 anos de idade, Dustin Hoffman ganhou a partir de 1970 uma popularidade imensa por interpretar na telona personagens antípodas do herói de Hollywood tradicional, que são os cowboys musculosos a matar índios "peles-vermelhas" ou soldados valentes triunfando sobre astuciosos homenzinhos amarelos com cabeça de macaco que eram os japoneses.

De "Little Big Man" a "Tootsie", passando por "Macadam cow-boy" ou "Rain Man", Dustin Hoffman tornou-se assim, aos olhos de milhões de espectadores, o mais glorioso dos perdedores da sociedade: Índios sobreviventes do genocídio, sem-teto, doentes, desempregados, etc.

Dustin Hoffman é de origem judaica e em entrevistas recentes declarou que com a idade, a sua prática da religião se fazia mais assídua. Isso não impedirá muitos de o tratarem de antisemita, como o "são" todos os que criticam a política israelense.

Artigo traduzido pelo Comitê de Solidariedade com a Palestina, no Esquerda.n
et.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

1917: Apoio britânico ao movimento sionista

Calendário Histórico

. DW-World


Na chamada Declaração de Balfour, de 2 de novembro de 1917, o governo britânico dá, aos representantes do judaísmo sionista, apoio para a constituição de uma "pátria nacional" judaica na Palestina.



"Caro Lorde Rothschild, alegro-me em poder comunicar-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelo movimento judaico-sionista, apresentada e aprovada pelo gabinete oficial: 'A construção de uma pátria para os judeus na Palestina é vista pelo governo de Sua Majestade com bons olhos.
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Sua Majestade fará tudo o que for de seu alcance para facilitar os caminhos rumo a esse objetivo. Deve-se ressaltar, no entanto, que nada deve ser feito no sentido de prejudicar os direitos civis e religiosos dos povos não-judeus que vivem na Palestina, ou de prejudicar os direitos e a situação política de judeus em algum outro país."
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Esta carta, datada de 2 de novembro de 1917 e assinada pelo ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur James Balfour, prevê uma série de consequências para o Oriente Médio. Mas Lorde Rothschild e outros dirigentes da comunidade judaica, entre eles principalmente os sionistas no Reino Unido, esperavam ainda mais.
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Há, no mínimo, 19 anos – desde o Congresso dos Sionistas em Basileia, em 1898 – eles ansiavam por uma promessa que assegurasse aos judeus o direito a seu próprio Estado, como havia planejado Theodor Herzl no seu livro O Estado Judeu.
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Povo,  não apenas comunidade religiosa
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O sionismo político idealizado por Herzl partia do princípio de que os judeus são um povo e não apenas uma comunidade religiosa e de que as repetidas perseguições, pressões e desvantagens sofridas por esse povo poderiam ser evitadas com a fundação de um Estado judeu.
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A localização desse Estado era ainda considerada de segunda ordem: cogitava-se a hipótese de enviar os judeus à Argentina, ou o chamado Projeto Uganda, que previa a fundação de um Estado judeu no território da Uganda, então administrado pelo Reino Unido.
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Entretanto, a Palestina sempre voltava ao centro da discussão: a terra originária dos judeus, onde os representantes da comunidade judaica começaram a comprar terras e a estabelecer-se, a partir do fim do século 19. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, os judeus formavam apenas 15 por cento da população da Palestina, na época de 690 mil habitantes. Destes, 535 mil eram muçulmanos, 70 mil cristãos e 85 mil de origem judaica.
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A carta do chanceler Balfour refletia, porém, muito mais os interesses geopolíticos de Londres na região do que um apoio sem reservas do Reino Unido ao movimento sionista. A Primeira Guerra Mundial tinha eclodido, e a Inglaterra contava com o apoio dos judeus – tanto dos que viviam na Palestina, quanto dos que estavam espalhados por outros países do mundo – na luta contra o Império Otomano.
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 Por isso, Londres prometeu algo que não estava em condições de realizar: uma pátria para os judeus numa região que ainda não estava sob o seu controle.
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Resistência palestina
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A responsabilidade sobre o território palestino foi transferida para o Reino Unido somente no dia 24 de julho de 1922, sob a forma de um mandato da Liga das Nações. Parte da Declaração de Balfour pertencia ao preâmbulo do contrato que regia o mandato, o que se transformou logo num grande empecilho para a administração da região. A resistência dos palestinos árabes à imigração de judeus já tinha começado há algum tempo, crescia paulatinamente e levava, entre outros, a campanhas antijudaicas.
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O Reino Unido, situado entre as duas frentes, tentava evitar a violência dos dois lados e limitar cada vez mais a imigração judaica para a região. Em 1939, ficou estabelecido que somente mais 75 mil judeus poderiam instalar-se na Palestina. Na época do holocausto nazista, tratava-se de uma decisão completamente fora da realidade. A partir de 1944, o estabelecimento de judeus na Palestina foi oficialmente vetado, a fim de assegurar aos Aliados o apoio dos palestinos árabes na guerra.
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Antes da transferência do mandato da Liga das Nações, em junho de 1922, o Reino Unido deixara claro que a Declaração de Balfour nunca fora uma resposta positiva à criação de um Estado judeu. O então ministro das Colônias, Winston Churchill, observou que a declaração não se referia a toda a região histórica chamada Palestina, mas apenas à margem ocidental do Rio Jordão (a Cisjordânia).
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Churchill acentuou ainda que os ingleses nunca tinham pensado em conceder aos judeus o poder sobre os outros habitantes da região. A comunidade judaica que ali vivia deveria apenas poder desenvolver-se livremente.
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Tais posições não puderam ser sustentadas por Londres durante muito mais tempo, uma vez que os conflitos entre árabes e judeus tornavam-se cada mais frequentes. Em 1947, a ONU deliberou a divisão da Palestina em dois Estados: um para os judeus e outro para os árabes. O Reino Unido abdicou do seu mandato em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel.

Peter Philipp (sv)
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

A resistência cultural palestina


Jerusalém vista do Monte das Oliveiras


clicar nas imagens para aumentar
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Uma ocupação colonial não é apenas uma ocupação militar. Ela precisa tentar impedir a sobrevivência da cultura, da memória do povo ocupado. Mais ainda se se trata da ocupação de um povo com uma das mais antigas histórias e mais ricas culturas.

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Por Emir Sader


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Como era impossível que a Capital da Cultura Árabe pudesse ser Bagdá, pela ocupação das tropas norte-americanas, foi decidido que Jerusalem (que eles chamam de Al-Quds) fosse a Capital da Cultura Árabe de 2009. As comemorações têm sido vítimas das mais violentas e odiosas repressões das tropas israelenses de ocupação. Organizar lindas atividades em torno da cultura árabe passaram a ser um imenso desafio para o Comitê Palestino de Organização, por dificuldades de recursos, de convidar pessoas – poetas, músicos, cantores, artistas do mundo árabe e de outras regiões do mundo - para vir a uma região cercada e ocupada, que deveriam realizar-se nas ruas e praças de Jerusalém.

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O ato de apresentação do logotipo dos eventos, programada para ser dar no Teatro Nacional de Jerusalém, em abril do ano passado, foi proibida por Israel, declarado ilegal e reprimido brutalmente por forças militares para tentar impedir sua realização. Foram presos três dos membros do grupo organizador.

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Apesar de todas as dificuldades, deu-se inicio às comemorações no dia 21 de março deste ano, com atividades populares nas ruas de Jerusalém, que terminaram com uma noite de fala em Bethlehem. Israel enviou tropas contra crianças que carregavam balões com as cores da bandeira palestina – vermelhas, brancas, verdes e pretas. As tropas de ocupação atacaram os jovens que iam realizar danças tradicionais palestinas, com suas roupas típicas, produzindo cenas de pânico e desespero.

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Como reação, todas as escolas, universidades, centros culturais, prefeituras de dentro ou de fora da Palestina, decidiram assumir a celebração organizando atividades sobre a bandeira e o logotipo de Jerusalém Capital da Cultura Árabe de 2009. Centenas de eventos aconteceram em muitos países como mostra de solidariedade e de protesto contra a repressão israelense. Fica claro, cada vez mais, que não se trata da ocupação e da ação militar contra “forças terroristas”, como alegam os ocupantes, mas contra a resistência da cultura palestina.

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Os palestinos adotaram o lema: “Jerusalém nos une e não deve dividir-nos”, reforçando a necessidade de união de todos os palestinos para derrotar a ocupação e pela conquista do direito de um Estado palestino, reconhecido pelas Nações Unidas, mas impedida pelos EUA e por Israel.

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“Uma vez liberada, Jerusalém não será apenas a inquestionável capital da cultura árabe, mas será a cidade da diversidade cultural e religiosa, da tolerância e do respeito pelos outros. Uma cidade aberta para a paz cujos tesouros históricos e religiosos serão desfrutados por todos, do leste e do oeste. O único muro que a cercará será o muro histórico de sua Cidade Velha e suas 12 portas, incluindo a Porta de Ouro, que uma vez aberta, levará todos os povos do bem para o céu.”

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As palavras são de Ragiq Husseini, presidente do Conselho Administrativo do Comitê Nacional pela Celebração de Jerusalém como Capital da Cultura Arabe em 2009. Estar aqui, chegar a Ramallah revela, com toda força, como este é um território ocupado, cruzado por muros que dividem aos próprios palestinos, povoado de tropas e de carros militares, submetendo a este heróico povo à ocupação, à opressão, à humilhação, na mais grave situação de violação dos direitos humanos – políticos, sociais, econômicos, culturais – no mundo de hoje.

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Fonte: Blog do Emir
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in Vermelho -24 DE JUNHO DE 2009 - 16h32
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Marx e a questão judaica


26 DE JANEIRO DE 2009 - 21h55

Marx e a questão judaica


por Carlos Pompe*

Abençoado por Deus e financiado em especial pelos Estados Unidos, Israel continua a cometer patifarias. Seu primeiro-ministro, Ehud Olmert, disse que sabia que mataria civis palestinos na ofensiva em Gaza. ''Quando você vence, você automaticamente fere mais pessoas do que se fere. E nós não queríamos perder. O que você queria, que centenas de nossos soldados morressem? A alternativa era essa'', disse. Israel é um Estado racista, que se arvora embasado em desígnios divinos para com um povo eleito, o povo judeu. A questão judaica foi tratada num texto juvenil de Karl Marx, quando ele ainda começava a elaborar sua concepção de mundo materialista dialética. Publicado quando ele tinha 26 anos, é um trabalho que merece reflexão.


Sobre a questão judaica foi escrito em 1843 e apareceu nos Anais Franco-Alemães, revista cujo primeiro e único número foi publicado na França, em março de 1844. Bruno Bauer, com quem Marx tinha amizade, publicou no ano anterior dois artigos sobre a questão judaica. O artigo dos Anais os aborda criticamente e Marx vai expondo seu próprio ponto de vista. O assunto trazia também interesse pessoal ao autor, pois seu pai teve de se converter ao protestantismo em função da discriminação aos judeus. ''Bauer coloca, em termos novos, o problema da emancipação dos judeus, depois de nos brindar com a crítica das formulações e soluções anteriores do problema. ... E o resultado, resumido, é o seguinte: Antes de poder emancipar os outros, precisamos emancipar-nos'', registra o artigo.


Marx se queixa de que Bauer exige ''que o judeu abandone o judaísmo e que o homem em geral abandone a religião, para ser emancipado como cidadão. E, por outro lado, considera a abolição política da religião como abolição da religião em geral. O Estado que pressupõe a religião não é um verdadeiro Estado, um Estado real''. Para Marx, nesta visão ''manifesta-se claramente o caráter unilateral da formulação da questão judaica'', pois é necessário indagar-se ''de que espécie de emancipação se trata; quais as condições implícitas da emancipação que se postula''.


Referindo as discrepâncias entre cristãos e judeus, o jovem autor se pergunta ''como se torna impossível uma antítese religiosa?'', e responde: ''Abolindo a religião. Tão logo o judeu e o cristão reconheçam que suas respectivas religiões nada mais são do que fases diferentes do desenvolvimento do espírito humano, diferentes peles de serpente com que cambiou a história, sendo o homem a serpente que muda de pele em cada uma destas fases, já não se enfrentarão mais num plano religioso, mas somente no plano crítico, científico, num plano humano. A ciência será, então, sua unidade. E, no plano científico, a própria ciência se encarrega de resolver as antíteses''.


O jovem filósofo já argumenta, com razão: ''A emancipação política do judeu, do cristão e do homem religioso em geral é a emancipação do Estado do judaísmo, do cristianismo e, em geral, da religião''. Consequente com isto, conclui seu artigo, onde realiza também um exame crítico das Declarações do Direito do Homem de 1791 e de 1793, afirmando: ''A emancipação dos judeus é, em última análise, a emancipação da humanidade do judaísmo''.


Os artigos de Bruno Bauer sobre a questão judaica voltarão a ser abordado no livro A sagrada família, escrito por Marx e Engels de setembro a novembro de 1844. Marx se refere ao artigo publicado nos Anais: ''O erro fundamental do texto'' (de Bauer), ''a confusão entre a 'emancipação humana' e a 'política' foram descobertos''. Repreende: ''O senhor Bauer nem sequer suspeita, portanto, que o judaísmo real, secular e, portanto, também o judaísmo religioso é engendrado constantemente pela vida burguesa atual e encontra sua culminação no sistema monetário.''


Em contraposição, Marx demonstrou no seu artigo ''que o judaísmo se conservou e se desenvolveu através da História, em e com a História'' e esse desenvolvimento tem de ser descoberto ''pelo olhar do homem mundano, uma vez que não se encontra na teoria religiosa, mas apenas na prática comercial e industrial.'' E reafirma que ''a emancipação dos judeus para a condições de homens, ou a emancipação humana do judaísmo'' é uma ''tarefa prática geral do mundo de hoje, que é um mundo judaico até a raiz''.


Em A sagrada família, o autor faz questão de reafirmar que ''assim como o Estado se emancipa da religião ao emancipar-se da religião do Estado, mesmo a religião ficando confinada a si mesma no seio da sociedade burguesa, assim também o indivíduo se emancipa politicamente da religião ao comportar-se em relação a ela não mais como se ela fosse um assunto público, mas sim como se fosse um assunto privado''.


Tendo como referência próxima as Declarações dos Direitos Humanos do final do século XVII, Marx registra que ''os direitos humanos não liberam o homem da religião, mas apenas lhe outorgam a liberdade religiosa, não o liberam da propriedade, mas apenas lhe conferem a liberdade da propriedade, não o liberam da sujeira do lucro, mas, muito antes, lhe outorgam a liberdade para lucrar''.


Nota-se, nesses textos, que em Marx ainda prevalece uma crítica repleta de referências morais em relação aos assuntos econômicos e sociais e uma visão de Estado influenciada pela idéia de Friedrich Hegel de que o Estado deve ser a encarnação da razão e o Estado só será racional quando, confundindo-se com a sociedade civil, for o Estado para todos os homens. Sua ruptura com esta concepção será marcada pela elaboração de Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, no próprio ano de 1843, quando escreveu Sobre a questão judaica. Ainda não chegará, contudo, à visão do Estado de classe mas, em 1859, analisando este período, dirá que estava sendo levado ''à conclusão de que as relações jurídicas, assim como as formas de Estado, não podiam ser compreendidas por si mesmas, nem pela pretendida evolução geral do espírito humano, inserindo-se, pelo contrário, nas relações materiais da vida...''


Quanto à economia, só em 1859, quando, em 1º. de junho, publica Contribuição para a Crítica da Economia Política, Marx vai fazer uma exposição sistemática de sua teoria do valor e do dinheiro, já sem baseá-la em condenações morais da ''sujeira do lucro''. No prefácio desta obra, apresenta sua concepção materialista da história, quando considera: ''O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é pelo contrário o seu ser social que determina a sua consciência''.


Numa carta de 30 de novembro de 1842 a Arnold Ruge, que com ele editou os Anais , Marx critica os integrantes do grupo Die Freien ( Os Libertos), integrado por Bruno Bauer e outros: ''Convidei-os a não se contentarem com vagos raciocínios, frases pomposas, a não se mostrarem demasiado complacentes para consigo próprios, a interessarem-se por analisar exatamente as situações concretas e a demonstrarem conhecimentos preciosos''. Sobre a questão judaica busca esse caminho de análise, como fica claro ao chamar a atenção para o fato de o judaísmo ser fruto do desenvolvimento histórico (e não de uma revelação ou opção divina) e de que é através da história que a humanidade vai adquirindo sua consciência. Valiosa também sua indicação de que a religião deve ser enfrentada no campo científico e não no estatal.


O Estado de Israel, o Estado cristão ou o Estado islâmico resistiriam a essa abordagem? Não é por acaso que poucos buscam no marxismo a base para suas análises das crises e dos conflitos do mundo atual. Interesses de classe de analistas e analisados ficariam evidenciados? é assim a ciência.




*Carlos Pompe, Jornalista e Curioso do mundo.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.


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in Vermelho 2009.01.2t6
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