Discurso de Lula da Silva (excerto)

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Os rituais gastronômicos do Natal celebram o Menino Jesus? - Fatima Oliveira *

Colunas

Vermelho - 23 de Dezembro de 2009 - 1h54

Os rituais gastronômicos do Natal celebram o Menino Jesus?

Fatima Oliveira *

Onde nasci não se falava muito em dia de Natal, era Dia do Nascimento, conforme escrevi em "O espírito dos natais passados: Natal ou Dia do Nascimento?" (23.12.2008). O centro da comemoração era o Menino Jesus, daí a imperiosa presença dos presépios e da "tiração de reis" - apresentação de reisados, iniciados na véspera do Dia do Nascimento, indo até ao Dia de Reis, 6 de janeiro. Os reisados são autos natalinos de uma beleza indescritível.

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O adorável dos dias santos católicos, como Semana Santa e Natal, é o cardápio, já que o ponto alto de tais festas é a comilança, pois os rituais culinários são de dar água na boca. Um complicador contemporâneo é que as comidas tradicionais do Natal brasileiro foram relegadas ao esquecimento, tendo sido substituídas por costumes alimentares de países de clima frio.
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Em minha família de origem, o almoço do Dia do Nascimento era sagrado, com peru e leitoa. Não havia a cultura de Papai Noel e nem de presentes. Isso era lá no sertaozão bravo, porque na capital, São Luís do Maranhão, o Natal já era infestado de Papai Noel, ceia de Natal e quetais, embora até hoje os presépios sejam venerados.
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O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, em "Jingobel, Jingobel (Uma história de Natal)", diz que na ilha de Itaparica, "Referentemente ao Natal, podemos dizer que temos aqui muitos tipos, dependendo. Já tivemos mais, porém o Natal é uma festa que nem todos reúnem condições, aliás, verdade seja dita quase que nenhuns aqui... Então o Natal aqui é isso mesmo, é a televisão".
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Depois que tive a minha própria casa, a cultura gastronômica natalina europeia passou a existir, pois Natal para o meu marido era cultura europeia. Honestamente, continuo gostando muito mais do almoço de Natal do que da ceia natalina. Resolvemos o possível problema criando a nossa prole nas duas tradições gastronômicas.
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O escritor colombiano Gabriel García Marquez, em "Estas sinistras festas de Natal" (1980), inicia dizendo que "Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro, para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos, que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2.000 anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns 1.000 anos antes, o rei Davi".
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E finaliza de modo contundente: "Tudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormindo na sala. Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos(...) Não é raro, como acontece frequentemente, que a festa acabe a tiros".
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Corroborando Gabriel García Marquez com minha experiência de muitos e muitos plantões em pronto-socorros, tanto em 24 quanto em 31 de dezembro, posso dizer que o Natal é uma festa violenta - parentes quebrando garrafas de cerveja na cabeça de quem não gostam e muitos acidentes com crianças, principalmente em bicicletas e velocípedes novos. Bem mais violenta que as comemorações do Ano Novo, embora a primeira seja uma festa em família e a segunda "uma festa de rua".

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* Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005.
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* Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.

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  • SANTO NATAL

    23/12/2009 15h57
    Cara amiga,não sei qual o seu credo e isto não está em foco aqui. Mas concordo com vc em genero numero e grau,sou tambem interiorano,sou de Minas um estado em que areligiosidade tem uma profunda raiz na nossa alma. Vejo com saudade e tristeza o tempo que não volta mais,aquele tempo em que se reunia em torno de uma mesa às vezes não tão farta de comidas mas farta de amor familiar,com os olhos voltado pára o presépio onde o verdadeiro aniversariante recebia carinhos da criançada e veneração dos mais velhos,era um tempo em que a atmosfera éra de alegria sincera porque alí estava a razão de nos mantermos unidos e salvos do pecado,esta era a atmosfera que viviamos.Diferentemente dquela época hoje vivemos o natal do papai noél,sem na maior parte das vezes nos lembrarmos do verdadeiro simbolo da festa. hoje o mote é dar presentes,comer muito se enbebedar e claro até mesmo correr para os moteis para "COMERMORAR".É uma pena ver isto,traz muito sofrimento. SDS
    Carlos
    Itabira - MG
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Natal Cristão: Redenção ou Mito? - Jorge Messias



 

Geral

 
Vermelho - 14 de Dezembro de 2009 - 17h15

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"O tema escolhido para o presente debate poderá parecer, à partida, deslocado e sem grande interesse. O Natal é Redenção para uns, para outros é pura ficção. O Natal cristão consiste, deste modo, numa questão de leitura". 

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Por Jorge Messias*, em debate por ele coordenado realizado no dia 11 de dezembro na Câmara Municipal de Setúbal, em Portugal.

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No entanto, uma vez ultrapassado este limiar é possível, a partir da história tradicional do Natal, abrir uma janela por onde se possa olhar criticamente o passado, se entenda melhor o presente e se entrevejam algumas bases de uma posição ética comum face aos gigantescos problemas sociais que surgem a ritmo galopante. Tentemos a aventura.
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O "Natal Cristão" é revelação ou mito? Mito é, com certeza, ainda que esta evidência não envolva à partida qualquer carga negativa. Todas as formas do conhecimento passam por uma fase mítica. O mito é, simplesmente, um enigma que se transforma em símbolo. Torna-se depois necessário traçar-lhe o rumo, compreender os significados da sua substância e depurá-los.
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Numa síntese muito rápida lembremos que a Festa da Natividade assenta na tradição pagã das celebrações do solstício; que os festejos em 25 de dezembro foram marcados para essa data porque nela se perfaziam nove meses (o tempo de uma gestação) desde que a Maria de Nazaré surgira o anjo que a fecundara com o Espírito Santo; e que a narrativa inicial que dá corpo à história do Natal só é tentada pela primeira vez pelos evangelistas uns 60 anos após o nascimento de Cristo, sofrendo posteriormente o texto numerosas alterações.
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Tudo em grego e em latim, línguas só acessíveis às camadas mais cultas. A primeira tradução da Bíblia para uma língua moderna, o alemão, deveu-se a Lutero e foi impressa já no século 16. Por outro lado, as diferentes versões bíblicas tinham de receber a chancela do Concílio dos Bispos.
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De qualquer modo, o mito natalício contém em si mesmo, ainda que de uma forma simbólica e não-organizada, muitos dos ingredientes ou valores básicos que vieram a integrar a teologia e a liturgia católicas e a definir os dogmas e os contornos sociais da Igreja como instituição. Também convém recordar que só três séculos depois do nascimento de Cristo, o mito cristão se transformou em projeto utópico, com a instalação de formas rígidas de organização eclesiástica e a antevisão profética de uma cidade quimérica reservada por Deus para os seus escolhidos.
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O império romano desagregava-se e em todas as suas províncias reinava o caos, a violência e a fome. Desabavam, com a nova ordem instituída, os velhos cultos pagãos. Sentia-se estar-se em presença de uma ruptura civilizacional favorável ao estabelecimento de novos quadros de valores, nomeadamente à fundação de uma nova religião fortemente centralizada e monoteísta; da afirmação de uma hierarquia forte que atraísse e conduzisse as massas populares e ligasse as elites ao culto do sagrado, que impusesse os princípios da disciplina e da obediência e que estabelecesse um laço de relações íntimas e permanentes entre a "cidade de Deus" (a Igreja) e a "cidade dos homens" (a Coroa, o Estado feudal e as Ordens monásticas e militares).
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É retomando a substância do mito do Natal que iremos reencontrar muitas das referências dessa ideologia inovadora nas vertentes religiosas, políticas e eclesiásticas da “Nova Ordem” nascente estabelecida pela “ Igreja una, santa, católica e apostólica”. Tudo se passou há muitos séculos, o que não impede que se possa estabelecer um paralelo com os percursos do capitalismo globalizante dos nossos dias.
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Na história do Natal tudo depende do maravilhoso e do sobrenatural, nada precisa de ser fundamentado e sujeito ao pensamento crítico. O anjo apareceu a Maria, transformou-se num sonho e surgiu a José, ditando-lhe o que ele devia fazer; uma estrela guiou os reis magos; uma voz alertou a Sagrada Família do projeto de Herodes de matar os meninos.
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Em todas estas passagens, os anjos foram obedecidos disciplinadamente e terá sido essa a causa da salvação de Jesus, Maria e José. A obediência a Deus é a chave da salvação.
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Também a história dos "Reis Magos", vindos para adorarem o menino, merece reflexão. Os magos eram sábios pagãos com estatuto de realeza, senhores do ouro, do incenso e da mirra imprescindíveis ao culto e recobriam-se com mitras douradas e coroas reais. Reuniam em si mesmos a fortuna, a autoridade e o poder da profecia ou adivinhação. Eram profetas pagãos.
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Estes reis magos atravessaram pela fé o deserto hostil, guiados por uma estrela e prestaram vassalagem ao Menino-Deus que prefigurava a futura Igreja Universal. Assim, o poder pagão e laico convertia-se e reconvertia, através da obediência ao divino, toda a sociedade feudal.
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É sintomático o fato de a época do Natal começar o ciclo das celebrações a 25 de dezembro, data do nascimento de Cristo, encerrando esse breve período em 6 de Janeiro, com a Festa dos Reis Magos.
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A magia pagã, fulcro essencial do poder antigo, curvava-se perante a Criança Divina e o mundo ia nascer de novo, conduzido ao Paraíso pela mão segura da igreja profética prestes a revelar-se. Uma escassa dezena de dias resgatados pela Doutrina mas que, no entanto, contêm a simbologia básica que rege o mundo cristão.
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Estavam dados os primeiros passos para a construção da "cidade de Deus", aquela que abrigaria na Igreja o poder espiritual, o poder político e financeiro e a autoridade eclesiástica. Esta relação de intimidade atravessou a História e continua poderosa e presente nas estruturas de decisão políticas globais do século 21.
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Porém, o código oculto da história do Natal não acaba aqui. Jesus era filho de um carpinteiro e de uma camponesa. Os humildes pastores foram os primeiros a adorá-lo. Nasceu num estábulo. Toda a sagrada família, fugindo à guerra e à perseguição, a pé atravessou o deserto. Tudo sugeria ruralidade e pobreza. Porém, Mateus, com um toque de magia, introduziu na primeira versão do seu Evangelho, logo na abertura do livro, um capítulo onde se explica, com minúcia de historiador, que a estirpe de Jesus era antiquíssima e ilustre, entroncando no rei David e em Abraão. Estava feita a ligação do mito cristão ao sistema feudal (clero, nobreza, povo).
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Todavia, ao inverter assim o enquadramento social da história que iria contar em seguida (o Evangelho segundo S. Mateus), nobilitando a imagem do filho pobre de um carpinteiro, Mateus compreendeu ser incorreto e impopular desprezar o povo simples e trabalhador, os pobres. Então, retocou o seu próprio discurso. Foi o caso da curiosa "parábola do jovem rico" que a seguir se resume.
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Certo dia, um jovem ajoelhou-se aos pés de Jesus e interrogou-o acerca do que deveria fazer para salvar a sua alma. Jesus respondeu e disse: "Falta-te fazer uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro nos céus".
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A conclusão da história é curiosa e pode ser citada como um paradigma das regras táticas da Igreja, nessa altura ainda em processo de formação. Comenta o evangelista: “Mas o mancebo, pesaroso desta palavra, retirou-se triste. Porque possuía muitas propriedades”. E Mateus concluía: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus".
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Abriam-se de par em par para o futuro as portas do magistério ao uso e abuso do duplo sentido, do sofisma e da fusão ou da distanciação dos contrários, o largo corredor da contradição, tão frequente nas teses da igreja católica.
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Note-se que Mateus sabia do que estava a falar. Antes da sua conversão ao cristianismo fora publicano isto é, cobrador de impostos ao serviço do Império Romano. Cargo terrivelmente tentador e pouco transparente. E se insistimos nesta parábola, é porque ela inspirou nitidamente os dogmas e o tipo de ética que a Igreja viria depois a perfilhar. Uma leitura ambivalente assente na prática que consagra simultaneamente, duas doutrinas de classe: a Igreja dos Pobres e a Igreja dos Ricos. Duas linhas de desenvolvimento de sinais contrários para a mesma doutrina. Mas também duas linhas sempre disponíveis para serem usadas alternadamente pela hierarquia da Igreja.
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Valores opostos entre si que a hierarquia pode manipular permanentemente através da palavra redonda e do carácter abstrato dos seus valores-chave tais como Conversão, Perdão, Reconciliação, Compaixão, Misericórdia, etc., etc. Tal como as pitonisas gregas, o discurso da hierarquia da igreja nunca é claro e evita ser excessivamente categórico.
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Atualmente, nesta área as estratégias da igreja são servidas pela experiência acumulada ao longo dos séculos e por um aparelho eclesiástico extremamente rico e poderoso. A Igreja é presentemente "a maior e mais antiga multinacional em todo o mundo" tal como o reconheceu, há poucas semanas, uma autorizada fonte de investigação empresarial estadunidense. Não deixa de ser curioso verificar que toda esta gigantesca estrutura que domina o mundo surgiu e organizou-se no tempo, a partir do fato banal que foi o parto de Maria.
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Agora, o poder eclesiástico instalado "lá vai governando a sua barca de ouro" nos cenários edílicos do retábulo e das palhinhas. Mas os tempos são outros. Se o poder político e financeiro de que a Igreja dispõe é praticamente ilimitado, o Vaticano tem uma crescente dificuldade em ocultar as suas alianças secretas. De esconder que a força dominante que salva o lenho divino das tempestades e marés é, sem sombra de dúvida, a igreja dos ricos e não os Anjos ou a Virgem Maria. Os "ricos" com os seus escândalos, a sua cupidez, a sua completa falta de escrúpulos, amoralidades que a doutrina católica aparentemente condena.
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A questão, no entanto, é que a Igreja precisa deles, os ricos, e eles da Igreja. Mas como justificar perante o povo católico esta relação de unha com carne quando reinam no mundo a fome, a pobreza e o desemprego? Como manter intocável o "mito do Natal", fonte de muitos outros mitos? Sobretudo, como explicar às massas que a Igreja consegue "agradar a Deus e ao Diabo", sendo una e santa e planando acima de todas as contradições?
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Outrora, os povos mais humildes permaneciam pacíficos, ingênuos, crentes e submissos, perante as ofensa e as humilhações. Punham a sua esperança no sobrenatural. Uma palavra da Igreja bastava para emudecer a sua ira. E já então, tal como agora a Igreja, aliada dos poderosos, cumpria o seu papel de tampão nas lutas sociais. Mas com o rolar dos tempos muitas coisas se alteraram e estão a mudar.
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O grande problema que agora alarma o Clero é o de começar a sentir-se incapaz de inverter o curso de tendências cada vez mais presentes na própria igreja. Crescentemente, os homens põem em dúvida o sobrenatural e denunciam o papel que a Igreja desempenha no venenoso enredo capitalista. É cada vez mais evidente que são incompatíveis as perspectivas que o Papa, a Companhia de Jesus ou a "Opus Dei", alimentam acerca da religião ou do Estado e aquelas que resultam da observação, do sofrimento e da experiência dos povos.
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O homem explorado, alienado pela sociedade e duvidoso do que lhe contam e dizem, está a um passo de contestar a tutela da Igreja. Alarmada, a hierarquia observa receosa a progressão deste clima de contestação, antecessora potencial de uma eventual luta de classes no interior da própria confissão. Num futuro próximo, os jogos malabares da manipulação das realidades sociais parece terem os seus dias contados.
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O atual panorama mundial é grave e alarmante. Vivemos num mundo onde se agudizou até ao extremo a corrupção, a exploração do homem pelo homem e o fosso entre pobres e ricos. E é incontroverso que os meios de comunicação se desenvolveram explosivamente e que, no imediato, ainda que ferozmente manipulados pelos interesses dominantes, não deixam de dar a milhões de famintos a noção do poder criador do gênero humano, o saber que se choca frontalmente com a tradição dos mitos sobrenaturais. O homem tudo pode mudar. Assim o homem o queira. E se tentarmos transportar para dentro da esfera religiosa esta consciência crescente da capacidade criadora da humanidade, veremos que hoje, tal como nos tempos do Natal, as fronteiras da sociedade civil e religiosa se abeiram da ruptura, da mudança e da negação do mito.
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Agora, os povos entendem como nunca o que é a injustiça e já sabem distinguir aqueles que lutam pelos direitos das classes trabalhadoras, dos outros que muito falam mas pouco ou nada fazem para evitarem a corrosão e a destruição das sociedades a caminho da democracia.
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Quanto à Igreja, é nítido que não coloca o seu poder serviço da razão, da ética, da transformação positiva do mundo e da defesa dos pobres. O que lhe tolhe os movimentos – tal como nos tempos do mito do Natal aconteceu com o Império romano – é a ilimitada e persistente ambição do poder que a caracteriza, o arbítrio do sobrenatural convertido em dogma, o carácter impositivo da sua doutrina férrea e a duplicidade de intenções da acção das suas teias sociais em relação aos pobres e aos explorados. A Igreja caminha para o isolamento.
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Em jeito de conclusão, apenas uma alusão mais ao velho mito do Natal cristão. Com o rolar dos séculos, o Natal não cessou de evoluir negativamente. Sendo inicialmente fruto de uma proposta ingênua e utópica, com a passagem do tempo foi-se degradando. O capitalismo, tornou-o uma mercadoria e orientou-o para a busca da inovação e de novos mercados. Então, o Natal converteu-se ao paganismo da publicidade. Enredou-se nas técnicas de venda e para se valorizar aceitou intrusos a que era alheio, como os Pinheiros de Natal, o Papai Noel, a Carruagem das Renas, os Presentes Natalícios, os Retábulos, o Sapatinho na Chaminé, etc. Abastardou-se. O Natal não é já cristão, nem sequer é mito cristão.
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Existe como marca de referência. Vende-se no mercado. Distingue os ricos, com poder de compra, dos pobres que pouco têm. Mas a sua história merece ser estudada como um roteiro dos caminhos seculares da Igreja.
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* Jorge Messias é colaborador de Odiario.info

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Livro mostra efeitos negativos da publicidade em crianças


 

Cultura

Vermelho - 29 de Novembro de 2009 - 23h15

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Nos últimos tempos, há alguns "ensaios" na legislação brasileira para tentar limitar a ação da propaganda na vida das crianças e adolescentes no Brasil. Isso não é uma novidade no mundo, que pensa em estratégias para diminuir a ação e o apelo das propagandas no mundo infanto-juvenil, com o objetivo de reduzir o convite ao consumo.

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Para ajudar ou até promover uma discussão sobre o assunto, a Editora Gente traz o livro, "Nascidos para Comprar" de Juliet B. Schor, economista e socióloga que abordou um tema que há muito preocupa pais, educadores, religiosos e psicólogos: o efeito dos comerciais de televisão nas crianças. A tese defendida pela autora é a de que há uma espécie de "complô" da indústria de marketing a serviço das corporações americanas para ganhar, a qualquer custo, os corações e mentes dos pequenos consumidores do país, através da propaganda dirigida maciça, veiculada pelos canais de tv.
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"As empresas de propaganda, o mercado e os publicitários de produtos de consumo têm se voltado para as crianças. Embora elas tenham uma longa participação no mercado consumidor, até recentemente eram pequenos agentes, ou compradoras de produtos baratos", afirma o livro, explicando que, até então, as compras e o processo de escolha do que comprar era comandado, principalmente, pela mãe.
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"Isso se alterou", segundo a autora. "Hoje em dia, crianças e adolescentes são o epicentro da cultura de consumo americana. Exigem atenção, criatividade e dólares dos anunciantes. Suas preferências direcionam as tendências de mercado. Suas opiniões modelam decisões estratégicas corporativas", garante ela.
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O hábito de assistir televisão durante muitas horas resultou em uma exposição sem precedentes aos comerciais, diz Juliet Schor, contando que foi a experiência com a filha que chamou sua atenção para a "comercialização da infância" nas famílias americanas e que pode se enquadrado como exemplo de conduta no Brasil. "As crianças americanas são as que mostram mais afinidade com as marcas", diz ela, "a ponto de ficarem "presas" às marcas dos produtos".
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Ao mesmo tempo, continua a autora, aumentaram as evidências de angústia entre as crianças. Cresceram também as taxas de obesidade, os diagnósticos de distúrbios de déficit de atenção e daqueles relacionados à hiperatividade e "um número recorde de crianças está ingerindo medicamentos para ajudá-las a encontrar autocontrole e foco. Irritação, provocação e atos violentos intencionais e gratuitos são comuns em escolas", afirma.
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Antes de partir para explorar as especificidades de seu tema, a autora de "Nascidos para comprar" comenta que a sociedade americana embarcou numa onda consumista ao ser tomada por um impulso de "trabalhar e gastar". Segundo ela, na "maior sociedade consumidora do mundo", as pessoas trabalham mais horas que em outros países industrializados. As taxas de poupança são mais baixas. Existem mais de 46 mil shoppings centers no país. Anualmente, um americano adulto adquire em média 48 novas peças de vestuário. É a nação com mais aparelhos de televisão por habitante - aproximadamente um por pessoa.
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"Nascidos para Comprar", lançamento de novembro da Editora Gente, é um livro intrigante, cheio de revelações que conduzem, inevitavelmente, à reflexão, até porque muitas das situações que descreve podem ser transpostas para o Brasil. Sua a autora é uma professora respeitada de Harvard, a mais renomada universidade dos Estados Unidos.
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Sobre a autora: Juliet B. Schor, economista de formação, é professora de sociologia na Faculdade de Boston. É autora de The overworked american e The overspent american. É membro fundadora do Center for a New American Dream e também do South End Press. Casada e mãe de dois filhos, vive em Newton, Massachusetts.

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sábado, 2 de janeiro de 2010

Desperdício de comida nos países ricos também gera prejuízo ambiental

DW World - União Europeia | 01.01.2010


Um terço da comida comprada na Europa e nos Estados Unidos vai parar no lixo, uma situação que não só agrava o problema da falta de alimentos no mundo como também contribui para o aquecimento global.



Nos países ocidentais, os feriados de fim de ano se transformaram numa tradicional época de excessos: eles parecem fornecer a todos uma boa desculpa para comer e beber à vontade
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Os supermercados estão cheios de doces, chocolates e uma desconcertante oferta de comidas e bebidas. A maior parte vai realmente ser ingerida, mas mais de um terço – no caso da Europa e dos Estados Unidos – mofar no fundo da geladeira ou simplesmente perder a validade e acabar no lixo.
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Jogar fora sem abrir
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No Reino Unido, um dos campeões europeus de desperdício de alimentos, cerca de 6,7 milhões de toneladas de comida comprada em boas condições acabam no lixo todos os anos. O custo desse desperdício é de 10,2 bilhões de libras.
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"Daquilo que é produzido na Europa, apenas 30% ou 40% vai para a mesa do consumidor", afirma Henrik Harjula, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "A comida vai sendo perdida durante o transporte, quando apodrece ou é descartada por não corresponder aos critérios europeus. No final dessa cadeia, um terço da comida que os consumidores compram em vários países da Europa é jogada fora; a metade disso é jogada fora sem nem ter sido aberta."
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Metade do que vai para o lixo nem sequer é aberto 
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Acrescente-se o desperdício dos Estados Unidos ao da Europa, o problema se torna ainda maior. Cerca de 40% de toda a comida manufaturada e posta à venda nos Estados Unidos não é consumida, e estudos mostram que essa tendência é crescente.
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O desperdício de comida de um modo geral, incluindo os produtores rurais, as indústrias, os distribuidores e os consumidores, cresceu 50% desde 1974, chegando a cerca de 150 trilhões de calorias por ano em 2003.
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Compras no hipermercado
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Na opinião de Harjula, a disseminação dos hipermercados é parcialmente responsável pelo desperdício de comida no mundo ocidental.
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"As pessoas tendem a ir uma ou duas vezes por mês a esses hipermercados, mas quem consegue avaliar exatamente quanto vai consumir?", argumenta. "Elas não conseguem, então compram a mais. Claro, esse raciocínio sugere que os consumidores também são culpados, mas há essa tendência na Europa de 'compre um e leve dois', e assim as pessoas compram um monte de comida de que não necessitam."
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As estatísticas sobre desperdício de comida contrastam com os crescentes relatórios globais sobre a falta e a elevação nos preços de alimentos. Há outros fatores responsáveis pela carência mundial de alimentos, como os altos preços do petróleo, o crescimento da população, colheitas ruins e o uso de grãos para fazer biocombustíveis, mas o desperdício de comida contribui para agravar a situação.
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"Uma boa parte da comida e da agricultura na Europa e no Ocidente é subsidiada e isso é um grande problema para os produtores no mundo em desenvolvimento", afirma Harjula. "Os produtos deles não são competitivos nesse mercado e, portanto, eles não podem vendê-los, o que leva a uma queda na renda dos produtores, à perda da terra e à pobreza."
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Problemas ambientais
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Além disso, depósitos de lixo cheios de comida são também prejudiciais ao meio ambiente. A decomposição de alimentos libera metano, um gás 20 vezes mais prejudicial à atmosfera que o dióxido de carbono (CO2).
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"Há maneiras de coletar esse gás oriundo dos alimentos em decomposição e usá-lo para gerar energia, mas essa não é uma prática difundida no momento", diz Harjula. "O que precisa ser feito, enquanto isso, é encontrar uma maneira de retirar o material orgânico dos depósitos de lixo."
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Para Tom MacMillan, diretor executivo do Conselho de Ética Alimentar do Reino Unido, até que se encontre uma maneira de reter e aproveitar o metano, é importante também impedir que alimentos parem no depósito de lixo.

Menos metano
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Planejar antes de ir às compras reduz o desperdício
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Os países europeus estão tomando medidas para reduzir a produção de metano a partir de alimentos jogados em depósitos de lixo. A expectativa é que a implementação de uma diretriz da União Europeia venha a reduzir a quantidade de material orgânico em depósitos de lixo em 35% até 2016. No entanto, alguns países europeus, incluindo a Alemanha, a Holanda e a Suíça, já reduziram seus níveis para apenas 5% ou ainda menos.
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Especialistas afirmam que grande parte da responsabilidade por reduzir o desperdício de comida é da indústria, que deveria encontrar meios de diminuir esse dispêndio nas cadeias de produção e fornecimento, bem como achar formas de redistribuir alimentos já manufaturados e de aproveitar os subprodutos da cadeia industrial.
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Os consumidores também podem fazer a sua parte. Poderiam, por exemplo, fazer compras de forma planejada, decidindo o que vão comprar antes de ir ao supermercado, ou adotar métodos de armazenagem de comida mais eficientes.
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Autor: Nick Amies (as)
Revisão:


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terça-feira, 21 de julho de 2009

Dia de quem?

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por Regina Abrahão*
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Sabidamente, datas tradicionais têm forte apelo emocional. Natal, páscoa, dia das crianças, além de movimentar bilhões, movimentam sonhos não só infantis, mas mexem com carências e afetos dos seres envolvidos com a divulgação do consumo. Na sociedade do ter, dar é amar. Mas como fica quem não ganha? São natais e páscoas, dias da criança, das mães, dos namorados. Vezes em que mais importante em que ter o ser, é ter para receber. Quem não tem ou não ganha é olhado com diferença. E quem não compra para dar, pode não gozar de boa fama.
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Palavras rebeldes? Não, não se trata de rebeldia. Ou talvez trate-se da boa rebeldia. É que ao buscar a origem destas datas, encontraremos primeiro algumas festas pagãs, com sentido absolutamente diverso, depois cooptadas pelo cristianismo e por fim adaptadas pelo capitalismo, que via em cada comemoração personalizada a possibilidade de ganhos, lucros e vendas. Desta forma, o dia dos pais nos EUA teve sua data unificada por Nixon em 1972; antes disto, cada estado comemorava seu dia, de acordo com o comércio local.

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O próprio natal, ápice do consumo no mundo inteiro, deriva de uma festa pagã. A cultura celta comemorava o nascimento do sol em um festival, aproximadamente na data do natal, quando os romanos cristianizaram a Europa e os ''pagãos'', apropriando-se inclusive desta festa. Daí o primeiro natal com sentido de nascimento de Cristo data do ano de 336, em Roma. Ou seja, totalmente descolado do que seria a idéia original. Como a Bíblia diz que os reis magos trouxeram presentes, a idéia pegou. O resto, todo o povo conhece...

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Na Grécia e Roma antigas haviam festivais chamados Lupercália, dedicados à fertilidade. Aconteciam em fevereiro. Depois, o catolicismo proibiu a realização destas festas e se apropriou da data, que virou dia de San Valentin. Aqui no Brasil, o publicitário João Dória da Standart Propaganda fez uma campanha para as lojas Clippert, tentando movimentar as vendas que estavam fracas. A campanha dizia: ''Não é só com beijos que se prova o amor''. A moda pegou. Assim nasce o dia dos namorados. Foi um sucesso.

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O primeiro dia das mães no Brasil acontece em 1912 numa campanha conjunta entre a Associação Cristã de moços e os lojistas de Porto Alegre, num mês de fraquíssimo movimento. Marcaram para 12 de maio uma comemoração que tinha com o slogan ?Dê um presente para quem lhe deu o maior presente: a vida.? Em seguida, a idéia espalhou-se pelo país e unificou-se, uma vez que a data já era comemorada em maio em outros países.

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O problema todo fica sendo os sem. Sem, bem entendido, dinheiro para comprar os presentes, sem presentes para receber ou vontade para presentear. Os sem vontade de se enquadrar no que diz o capitalismo que devemos, obrigatoriamente fazer.

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Como agora, quando amigos e amigas surgem sorridentes a se abraçar, passam torpedos e e-mails, e até aí, tudo bem. Inofensivo dia do amigo. Em algumas floriculturas já vi pequenos vasos de flores para amigos. Cartões para amigos. Torpedos telefônicos O docinho, o bom-bom. A flor, a cerveja, café com chantili. Talvez esteja na hora de instituirmos o dia do só abraço no amigo. Mas penso que este não contará com apoio da mídia.

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*Regina Abrahão, é do Rio Grande do Sul, funcionária pública estadual, dirigente de políticas sociais do Semapi, da CTB e do PCdoB de Porto Alegre, coordenadora do núcleo Cebrapaz, estuda Ciências Sociais na UFRG.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 21 DE JULHO DE 2009 - 20h09
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