Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal





Digestivo nº 385 >>> Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

O novo Indiana Jones, agora em DVD, é uma grande homenagem aos anos 80 e, em última instância, a um dos apogeus da indústria do cinema. Steven Spielberg e Harrison Ford eram abordados desde a última aparição de "Indy", em 1989, quando deram por encerrada a trilogia e, segundo o criador do E.T., partiram para "dramas mais adultos". Claro que as platéias nunca quiseram saber e foi George Lucas, depois de um retorno não tão interessante com seus "primeiros episódios" de Guerra nas Estrelas (nos anos 2000), que reuniu o velho time, de volta, ao trabalho. Para quem viveu os anos 80 — ou para quem assistiu aos respectivos filmes —, as primeiras cenas, do "filho" de Indiana Jones, evocam desde clássicos daquele tempo, como De Volta para o Futuro, até clássicos de todos os tempos, em tela grande, como O Selvagem. E, desde a trilha sonora até as peripécias acrobáticas dos heróis, há um certo ar infantil, de desenho animado, de Peter Pan, que, para o espectador, nunca envelhece e que, nele, desperta a criança ou o adolescente daqueles anos. Nesse sentido, não importa muito que Harrison Ford esteja com 60, porque a impossibilidade de seus feitos sempre foi algo a ser tolerado pelo público. Cate Blanchett, como sempre, brilha e ofusca os demais coadjuvantes, embora, para manter a coerência na fita, assuma ares de bruxa malvada e inverossímil. A questão é se as jovens platéias, desta década, vão entender todos os subentendidos — ou se Indy vai apenas arrancar sorrisos e suspiros dos mesmos adolescentes, agora, acima de 30...
>>> Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Elizabeth — A Era de Ouro, de Shekhar Kapur





Digestivo nº 392 >>> Elizabeth — A Era de Ouro
Cate Blanchett vai começar a entrar para aquela lista de atores cujos filmes assistimos só por causa de sua presença na tela. A continuação do elogiado Elizabeth, de 1998, não foi unânime, mas também não merece o total esquecimento de nossa parte. Durante a estréia na Inglaterra, a grita aconteceu porque Elizabeth — A Era de Ouro aparentemente desrespeita a História em nome do melodrama. Além da guerra contra a Espanha do rei Felipe II, em pleno tempo da Inquisição, tem lugar um triângulo amoroso entre a rainha, um pirata (Clive Owen) e uma de suas damas de companhia (Abbie Cornish). A rainha, a essa altura do campeonato, se tornou uma mulher fria e distante, o pirata aparece para reacender suas paixões de mulher, mas só quem pode consumá-las, literalmente, é a dama de companhia. Em paralelo, o sempre corretíssimo Geoffrey Rush serve de conselheiro na batalha, quando o país parece se dividir, irreversivelmente, entre católicos e protestantes. Shekhar Kapur, o diretor, nega veementemente que tenha querido criticar, subliminarmente, o fundamentalismo cristão da era Bush, mas assume que o personagem encarnado por Blanchett prega a "tolerância". As implicações políticas contemporâneas e a má vontade por conta da distorção da História podem passar uma idéia errônea sobre esse Elizabeth — A Era de Ouro, afinal, no meio da profusão de filmes sobre losers, o longa de Kapur prega, para o nosso alívio, o heroísmo — que, Nietzsche acreditava, havíamos perdido desde os gregos... A Inglaterra, hoje, depende de um acerto ou outro de Gordon Brown, enquanto vê os empregos em Londres se dissiparem por conta da crise financeira, mas teve, até recentemente, seus momentos de grande potência. Elizabeth — A Era de Ouro refresca a nossa memória a esse respeito.
>>> Elizabeth — A Era de Ouro