Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Urariano Mota: O amestrado Geraldo Vandré

12 DE FEVEREIRO DE 2012 - 8H18 

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Por Urariano Mota*


O leitor Xico Júnior, na coluna passada, pediu um texto sobre Geraldo Vandré. Procurarei atendê-lo agora. Lembro que ao ver a entrevista de Vandré na Globo News, passei dias ruminando. Vinha uma canção íntima, que na década de 70 era senha:

“Eu vou levando a minha vida enfim
Cantando e canto sim
E não cantava se não fosse assim
Levando pra quem me ouvir
Certezas e esperanças pra trocar
Por dores e tristezas que bem sei
Um dia ainda vão findar...
Deixa que a tua certeza se faça do povo a canção
Pra que teu povo cantando teu canto ele não seja em vão”

Que revolução queríamos naqueles anos, quando ouvíamos a canção de Vandré? Que peitos puros guardávamos ainda não provados pela luta? Agora, aparecia na entrevista: um velho de boné, com a insígnia da FAB, cabisbaixo, com o pensamento cheio de interrupções. O diabo era que nesse pensamento falho, ainda assim, sobrevivia uma certa lógica, como naquele louco Hamlet. Havia uma certa memória, montada, como em toda memória,mas, no caso de Vandré, com os cortes cirúrgicos que expurgavam a violência do regime militar. 

E houve então a primeira ressalva, ao entrevistador. Ocorre com Geneton Moraes Neto (junto com Vandré na foto) o que é comum em 99% dos repórteres na imprensa do Brasil: eles não entendem nada vezes nada da ditadura. Não é que alguns, pela idade, não tenham passado por aqueles malditos tempos de Médici (por coincidência, o período da volta de Vandré ao Brasil). Alguns viveram, mas a sua experiência é exterior aos perseguidos. Devo dizer, eles não comeram e beberam com e daqueles jovens entusiastas que viviam no limite, clandestinos, entre ruas escuras, promessas de barbárie e bares infectos. Daí que os jornalistas cometam os maiores erros. Eles não têm o conhecimento sofrido da dinâmica.

Pela pesquisa, pelo aprendizado humilde, atento e curioso, poderiam driblar essa impossibilidade da experiência vivida. Mas não, na entrevista parecia que Vandré era autor de duas músicas, Disparada e Caminhando. Pela insistência do repórter nessas canções, parecia. No entanto, há um momento na entrevista em que Vandré refuga, como um cavalo refuga, a seu caráter de compositor engajado. Se o entrevistador houvesse ido além das duas canções, poderia ter lembrado uma canção do senhor de boné, direta como um soco:

“O terreiro lá de casa
Não se varre com vassoura,
Varre com ponta de sabre
E bala de metralhadora....”.

Mas isso ficou oculto das pessoas que viram o compositor pela primeira vez. É possível que houvesse uma pauta prévia, aquela que todo repórter hoje no Brasil tem antes da realidade. A saber, no caso do velhinho: na pauta, havia que mostrar Vandré como um sobrevivente da velha esquerda, recuperado com vivas aos militares. A pauta do escândalo. Nesse particular sentido, a entrevista foi um sucesso. Na verdade, ela nem precisava da presença física de Vandré, bastavam-lhe os elementos essenciais da caricatura: um velho, um boné e a logomarca da Força Aérea Brasileira. O que deveria ser uma revelação do que o regime de 64 fez com um compositor de gênio, transformou-se em uma exibição de paradoxos e ruínas.

Na verdade, Vandré já oferecera antes à imprensa as linhas mestras da sua derrocada. Antes até da sua canção de homenagem à FAB. No coletivo virtual “Os amigos de 68”, uma militante médica, a quem não pedi autorização para divulgar o nome, informou:

“...Foi em torno de 74, quando eu fazia residência no Pinel. Conheci Vandré quando ele foi internado na emergência psiquiátrica da Clínica de Botafogo. Motivo alegado: Vandré estaria ‘armado com uma faca’ e ameaçava matar a sua irmã. Só o vi dias mais tarde, quando tocava violão para os internos no pátio da Clínica. Aparentava ‘tranquilidade’, mas sua fisionomia era de dor. Ele era ouvido com atenção e certa admiração. Sabiam que se tratava de um compositor famoso. Não consigo me lembrar o que tocava. Fiquei muito emocionada e chocada com tudo aquilo. Era o resultado das muitas torturas que ele sofrera na repressão dos anos 60/70...”

Hemingway em “O Velho e o Mar” dizia que é possível destruir-se um homem, mas nunca derrotá-lo. Na entrevista, o que se viu foi um homem ainda em estado de terror, em plena democracia. Nela, Vandré nos lembra os elefantes amestrados, torturados, que levantam a pata para o público no circo. Por isso não sabemos ao fim se o gênio de Vandré foi destruído. Peguemos então um caminho de esperança: Vandré continua nas suas canções, ele não foi derrotado.









*Urariano Mota é jornalista. 

Fonte: Direto da Redação

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Voz de Chico Buarque


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tudompblatinas 7 de Abril de 2008 - FADO TROPICAL CHICO BUARQUE DE HOLANDA 

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Chico Buarque - Fado Tropical

20-12-2009

 

http://www.youtube.com/watch?v=LCi-3G-Y3oA

Oh, musa do meu fado
oh, minha mãe gentil
te deixo consternado
no primeiro abril
mas não sê tão ingrata
não esquece quem te amou
e em tua densa mata
se perdeu e se encontrou
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso portugal
"sabe, no fundo eu sou um sentimental
todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo...(além da
sífilis, é claro)*
mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga
alecrins no canavial
licores na moringa
um vinho tropical
e a linda mulata
com rendas do alentejo
de quem numa bravata
arrebato um beijo
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso portugal
"meu coração tem um sereno jeito
e as minhas mãos o golpe duro e presto
de tal maneira que, depois de feito
desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
é que há distância entre intenção e gesto
e se o meu coração nas mãos estreito
me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
ostento a aguda empunhadora à proa
mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
mais que depressa a mão cega executa
pois que senão o coração perdoa..."
Guitarras e sanfonas
jasmins, coqueiros, fontes
sardinhas, mandioca
num suave azulejo
e o rio amazonas
que corre trás-os-montes
e numa pororoca
deságua no tejo
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso portugal
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um império colonial

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* trecho original, vetado pela censura 

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http://www.fotolog.com/palagauchada/62553194

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8236427346 23 de Março de 2008Aqui está parte da versão original da canção 'Tanto Mar' de Chico Buarque, retirada de um documentário sobre o 25 Abril de Sérgio Tréfaut

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(Chico Buarque, 1975)

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Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim


André Velloso - Rio de Janeiro, Brazil
alv@domain.com.br 

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http://www.lyrics007.com/Chico%20Buarque%20Lyrics/Tanto%20Mar%20Lyrics.html

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newtonbenetti 2 de Outubro de 2006 — Foto Clip feito com a música Funeral de um Lavrador de Chico Buarque e fotos sobre a questão agrária no Brasil.

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 Funeral de um Lavrador
>> Chico Buarque
Esta cova em que estás
Com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho
Nem largo nem fundo
É a parte que te cabe
Deste latifúndio
Não é cova grande
É cova medida
É a terra que querias
Ver dividida
É uma cova grande
Para teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho

Que estava no mundo
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe
Deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estava no mundo
Mas a terra dada
Não se abre a boca
É uma cova grande
Pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo
Te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas terra dada não se abre a boca.

 

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aramuni1 4 de Novembro de 2007 — clip contendo imagens da época da ditadura militar!como fundo uma musica de chico buarque que retrata essa mesma época!

Video feito por: Aramuni
e-mail: lucas.aramuni@hotmail.com

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wiltonsobreira 3 de Agosto de 2008 — Sem palavras, uma obra-prima de Chico Buarque. Não é a toa que as suas músicas estão constantemente presentes nas análises de cursinhos e provas de vestibulares. - 

Chico Buarque - Construção ( Wilton Sobreira - InfoEvolux ) 

.Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último

Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina

Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado 

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http://www.justsomelyrics.com/2005293/M%C3%B4nica-Salmaso-%28Chico-Buarque%29-Constru%C3%A7%C3%A3o-Lyrics

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