Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 8 de abril de 2012

Cinco mulheres mais importantes do que se pensava na vida de Jesus



Religião


08.04.2012 - 17:59 Por António Marujo
     Foi uma mulher a primeira a receber o anúncio da ressurreição de Jesus, que os cristãos hoje assinalam. Mas há outras mulheres importantes na vida de Cristo, mais decisivas do que tradicionalmente se acreditava.
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Pormenor do "Tríptico da Descida da Cruz", no Museu de Arte AntigaPormenor do "Tríptico da Descida da Cruz", no Museu de Arte Antiga (Miguel Manso)


Maria de Nazaré, Maria Madalena, a samaritana ou a cananeia. Elas estavam lá desde o início. Apesar de desprezadas pela história, várias mulheres tiveram um papel fundamental na vida de Jesus. Muito mais decisivo do que se pensava tradicionalmente. A investigação bíblica recente começa a desvendar factos que contradizem a ideia feita. E a vincar que as mulheres fazem parte do grupo de discípulos de Jesus de forma igual à dos homens. 


Assim é: elas estavam lá desde o início e foram apóstolas, discípulas, evangelizadoras, financiadoras, interpeladoras de Jesus. “Jesus aceitou-as e não as discriminou pelo facto de serem mulheres”, diz à 2 Maria Julieta Dias, religiosa do Sagrado Coração de Maria e coautora de A Verdadeira História de Maria Madalena (ed. Casa das Letras). “Jesus não foi misógino, foi sempre ao encontro das mulheres”, acrescenta Cunha de Oliveira, que acaba de publicar Jesus de Nazaré e as Mulheres (ed. Instituto Açoriano de Cultura). 

Os evangelhos citam várias vezes as mulheres que seguiam Jesus “desde a Galileia”, onde ele começara o seu ministério de pregador itinerante. No momento da crucifixão, são elas que estão junto a Ele. Lê-se no evangelho de S. Mateus: “Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia e o serviram. Entre elas, estavam Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” E é a uma mulher que primeiro é anunciada a ressurreição de Jesus, que os cristãos assinalam hoje, Domingo de Páscoa. 

Maria Julieta Dias recorda que, em outra passagem do evangelho de Lucas, já se diz que acompanhavam Jesus “os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens”. 

As mulheres estavam lá, como discípulas. Em Um Judeu Marginal (ed. Imago/Dinalivro), John P. Meier, um dos mais conceituados exegetas bíblicos contemporâneos, não tem dúvidas: “O Jesus histórico de facto teve discípulas? Por esse nome, não; na realidade (...), sim. Por certo, a realidade, mais do que o rótulo, teria sido o que chamou a atenção das pessoas. (...) Quaisquer que sejam os problemas de vocabulário, a conclusão mais provável é que ele considerava e tratava essas mulheres como discípulas.” 

Julieta Dias explica que só se fala em discípulo, no masculino, porque, em aramaico, a palavra não existia. Discípulo era aquele ou aquela que servia o mestre. Mesmo assim, “deve ter sido tão forte o testemunho dessas mulheres que foi quase impossível ignorar o seu testemunho, 40 anos depois, quando os evangelhos foram escritos”. 

Em Jesus e as Mulheres dos Evangelhos (ed. Multinova), Maria Joaquina Nobre Júlio recorda que, na ressurreição, o desconhecido que se dirige às mulheres que iam perfumar o corpo de Jesus, lhes diz: “Porque buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia.” Este facto revela que as mulheres estavam incluídas entre o auditório de Jesus, comenta. Sobre o seu ministério, “Jesus não falou afinal só aos discípulos homens”. 

A teóloga espanhola Isabel Gómez Acebo (que é também empresária, casada e dirigente das associações de Teólogas Espanholas e Europeia de Mulheres para a Teologia) diz à 2 que “a todos os discriminados, incluindo às mulheres, Jesus veio devolver a dignidade e a liberdade”. 

“As mulheres mostram uma forma nova de Jesus se aproximar”, diz Maria Vaz Pinto, freira das Religiosas Escravas do Sagrado Coração de Jesus há 26 anos e provincial (responsável) portuguesa da congregação desde Setembro de 2009. “Com elas, Jesus mostra a sua ternura e o seu humor, chama à verdade da vida e à radicalidade da entrega.” 

Como se apagou então o protagonismo das mulheres? Com o tempo, as primeiras comunidades assumiram a cultura envolvente e voltaram a dar predominância aos homens. No momento da redacção dos evangelhos, entre os anos 70 e 100, já essa realidade é inexorável. Explica Joaquina Nobre Júlio: “A recordação do acolhimento de Jesus às mulheres foi-se esvaindo, a visibilidade e a autonomia que ganharam com Ele foram-se perdendo.” O protagonismo dado aos doze apóstolos como líderes da comunidade cristã tem outra razão, na opinião de Julieta Dias: “É um valor simbólico, para dizer que no grupo de Jesus havia capacidade de levar a boa nova às doze tribos de Israel, ou seja, a todo o povo.” 

Mas várias mulheres foram decisivas na vida de Jesus: a mãe, Maria de Nazaré; Maria Madalena, a primeira a quem é anunciada a ressurreição; ou as amigas de Betânia, as irmãs Maria e Marta. A samaritana ou a cananeia discutem com ele e acabam por ser fundamentais para que Cristo repense a sua própria missão. Há ainda a mulher pecadora que entra em casa de Simão e unge Jesus com perfume, e outras a quem ele liberta de pesos pesados: a mulher com fluxo de sangue, a que é curada ao sábado, a viúva que intercede pelo filho, a adúltera que querem apedrejar. Ou ainda as que são nomeadas junto da cruz. 

Elas estavam lá, também, na Última Ceia. “Seria anacrónico se não estivessem. A Última Ceia era uma ceia pascal e a ceia pascal dos judeus era familiar, onde estavam as mulheres e os filhos”, diz Julieta Dias, que no próximo sábado, com a teóloga Teresa Toldy, intervém num debate sobre Jesus, Mulheres e Igreja, promovida pelo movimento Nós Somos Igreja (Convento de São Domingos, Lisboa, 16h). Isabel Gómez Acebo ironiza: “Quem cozinhou na noite da Última Ceia? As mulheres.” 

Maria de Nazaré: de máe a discípula
Descontadas as narrativas da infância de Jesus, de carácter simbólico, não são muitas as referências dos evangelhos à figura da sua mãe. E quando as há nem sempre são simpáticas. Nos três textos sinópticos (os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, assim designados por terem narrativas paralelas), há mesmo discussões porque a família de Jesus queria que ele deixasse o ministério itinerante de pregação. “Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, responde um convicto Jesus quando a família o procura. 

Geza Vermes, nascido na Hungria, actualmente professor emérito da universidade inglesa de Oxford, e um dos estudiosos da Bíblia mais conceituados na actualidade, comenta (Quem é Quem no Tempo de Jesus, ed. Texto): “Depreende-se ser óbvio que a família não era bem-vinda. Eles representavam a atitude dos familiares que estavam determinados a [impedir Jesus] de prosseguir a sua carismática missão.” Outras frases semelhantes apontam “claramente para um desacordo sério entre ele e os seus mais próximos e mais amados.” 

Maria aparece junto da cruz apenas no evangelho de S. João. Depois, está com os discípulos no Pentecostes, 50 dias após a Páscoa. Jacques Ducquesne (Maria — A Verdadeira História da Mãe de Jesus, ed. Asa) refere outro mistério que é preciso esclarecer: Maria ocupa um lugar “considerável” nos evangelhos apócrifos, que não foram reconhecidos como autênticos pelas primitivas comunidades cristãs, “muitíssimo maior” do que nos quatro evangelhos canónicos. Aliás, as narrativas da infância de Jesus dos textos de Mateus e Lucas são, em alguns aspectos, próximas das narrativas dos evangelhos apócrifos. 

Em Dizer Deus — Imagens e Linguagens (ed. Gótica), escreve Julieta Dias: “Maria, a mãe de Jesus (…) é a discípula por excelência”, é o “paradigma do discipulado de Jesus”. Foi a personagem de Maria de Nazaré que levou Julieta Dias a estudar teologia, conta agora: “A forma como falavam dela irritava-me e levava-me a pensar que não podia ser o meu modelo: ela era virgem e mãe; eu, sendo virgem, não podia ser mãe; se fosse mãe, não seria virgem.” E quando rezava, na comunidade de religiosas, a oração do Magnificat ao final da tarde, achou que “qualquer coisa não batia certo”. Aquele hino, que Maria de Nazaré recita quando visita a prima Isabel, depois de ambas ficarem grávidas, diz: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. (…) Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias (…).” 

Este é o “texto mais revolucionário” que se poderia cantar, diz Isabel Gómez Acebo. “Há uma linha de pensamento no catolicismo que fala do silêncio de Maria, mas ela questiona muito: quando faz perguntas ao anjo na anunciação, no Magnificat ou quando diz ao filho, nas bodas de Caná, que não há vinho... É uma personalidade muito marcada.” 

Tema debatido é também se ela teve ou não mais filhos. A posição católica e ortodoxa diz que não, várias igrejas protestantes admitem que sim. Frédéric Manns (Maria, Uma Mulher Judia, ed. UCEditora) recorda argumentos linguísticos de ambos os lados para resumir: “A exegese não pode apoiar com certeza a posição tradicional católica e ortodoxa. Mas a posição contrária também não se impõe.” 

Maria Madalena: a apóstola dos apóstolos
“Quem foi, de facto, Maria Madalena: uma pecadora arrependida, uma discípula predilecta, a enviada (apóstola) a anunciar a ressurreição, a esposa de Jesus?”, perguntam Julieta Dias e Paulo Mendes Pinto no livro já citado. Foi o Papa Gregório Magno (590-604) que, num sermão de Páscoa, identificou Maria Madalena, Maria de Betânia e a pecadora que unge Jesus com o perfume como a mesma mulher. Nada mais errado, pois os evangelhos são claros em distinguir três pessoas diferentes. 

Natural de Magdala (Madalena será corruptela do nome), pequena cidade da Galileia (no Norte do actual Israel), Maria é referida nos evangelhos como alguém que, a par de outras mulheres, cuidava de Jesus e colocara os seus bens ao serviço do grupo. O facto “sugere que Maria Madalena era uma pessoa com recursos, que ofereceu a sua devoção a Jesus, que a curara” de “sete demónios”, nota Geza Vermes, que dirige o Centro de Estudos Hebraicos de Oxford. A expressão “sete demónios”, escreve Régis Burnet (Maria Madalena — De Pecadora Arrependida a Esposa de Jesus, ed. Gradiva) remete para “um poder nefasto que a ultrapassa”, um problema do foro psicológico. 

“Era uma mulher com posses, que se apaixonou por Jesus enquanto profeta itinerante”, comenta Cunha de Oliveira à 2. “É alguém que gostou de Jesus de modo incrível”, diz Maria Vaz Pinto. “Não me importa de que cor era o amor que ela tinha, o que interessa é que era tão grande que mudou a sua vida.” 

“Gosto de pensar que ela estava enamorada de Jesus”, acrescenta Isabel Gómez Acebo. “Os evangelhos apócrifos apresentam Maria Madalena como rival de Pedro. Ela tinha tido um protagonismo tão forte que algumas comunidades cristãs do início a seguiram a ela.” 

Madalena é, disso não há dúvida, a primeira pessoa a quem Jesus aparece após a ressurreição. “É a ela que ele diz: vai e anuncia; é patente que Jesus não aparece a Pedro nem à mãe”, nota a teóloga espanhola. E Maria Vaz Pinto recorda que, após a ressurreição, quando Maria pensa que é o jardineiro e reconhece Jesus ao ouvir chamar pelo seu nome, ela quer agarrá-lo. Mas Jesus diz-lhe “não me detenhas” — o célebre “Noli me tangere” fixado em dezenas de obras ao longo da história da arte. “Ele empurra-a para os outros e ela vai”, o que faz dela uma das principais seguidoras. Isabel Gómez Acebo observa que, durante séculos, as relações de Jesus com mulheres foram reduzidas “à sua mãe ou a mulheres pecadoras”. Não convinha, diz, que fossem “amigas nem discípulas”. Mas Maria “foi a primeira discípula”. Por isso a tradição irá apresentá-la “como prostituta a quem Jesus tinha tirado da miséria”. O que “nada tem a ver com a personagem real”. 

Maria de Betânia: a discípula que escuta o hóspede
Irmã de Marta e Lázaro (amigos de Jesus), Maria de Betânia, aldeia próxima de Jerusalém, aparece em duas cenas no evangelho: quando as irmãs choram a morte de Lázaro (texto do evangelho de João, lido nesta semana que antecede a Páscoa) e quando Jesus passa por sua casa e Maria se senta a escutá-lo enquanto Marta se atarefava “com muitos serviços”, como conta Lucas. Marta queixa-se da irmã a Jesus, mas este repreende-a: “Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.” 

“Estar aos pés do mestre é, na literatura rabínica, ser discípulo de alguém”, diz à 2 a religiosa espanhola Isabel Maria Fornari, autora de uma tese com o título La Escucha del Huésped (ed. Verbo Divino, Espanha), onde estuda este episódio. Mas a cena remete também para a hospitalidade bíblica, que inclui um elemento importante: o da comunicação. “É importante servir, comer, mas, quando alguém vem a nossa casa, mais importante é a comunicação que se estabelece.” 

Isabel Fornari relaciona este episódio com outro passado já depois de Jesus ter deixado o convívio com os seus: no livro dos Actos dos Apóstolos, conta-se que a comunidade cristã de Jerusalém tem de optar por colocar um grupo a servir à mesa para que os apóstolos possam dedicar-se ao anúncio da mensagem de Jesus. “O mandato de Jesus ‘ide, fazei discípulos e ensinai’ supõe aprender. E isso faz-se num novo horizonte de hospitalidade que dá prioridade à comunicação.” 

Este episódio foi lido durante muito séculos como afirmando a primazia da vida contemplativa sobre a vida activa. “Não tem nada que ver”, diz Isabel Gómez Acebo. “Jesus foi um homem de acção, que orava de noite mas de dia estava com as pessoas”, diz. “Jesus era um homem activo que tinha a presença de Deus a seu lado; não ficou a orar no deserto, foi de cidade em cidade falar às pessoas.” 

O facto de Maria de Betânia se colocar à escuta, diz ainda Maria Vaz Pinto, é “também uma manifestação de amor: estar quieta, aprender, ouvir, deixar-se tocar”. 

Samaritana: saltar todas as normas da moral
É, provavelmente, um dos textos mais notáveis dos evangelhos, este em que Jesus pede água a uma samaritana. Duplo pecado: dirigir a palavra a uma mulher, ainda por cima da Samaria — “os judeus não se dão bem com os samaritanos”, explica a narrativa de São João. A cena decorre por volta do meio-dia, junto ao poço de Jacob, em Sicar. Jesus está cansado e quer descansar e refrescar-se. 

“Jesus adopta logo, implicitamente, o lugar inferior. As suas palavras não são uma ordem, mas um pedido. Dirige-se [à samaritana] de mãos vazias, à procura de qualquer coisa que só ela é capaz de lhe dar”, escreve o Irmão John, de Taizé (À Beira da Fonte, ed. AO). 

“Jesus salta todas as normas da moral judia”, diz Isabel Acebo. “Os patriarcas de Israel encontravam-se naquele poço. Jesus aparece a esta mulher, que já tinha tido seis maridos, como um esposo novo”, de cariz diferente. A mulher espanta-se: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?” Jesus responde: “Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: ‘Dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!” Jesus acrescenta depois: “Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der há-de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna.” 

O diálogo prossegue com Jesus a dizer que chegará a hora em que Deus será adorado “em espírito e verdade” e não num qualquer templo. E quando a mulher diz que todos esperam o messias, Jesus diz-lhe: “Sou eu, que estou a falar contigo” — é a única vez em que se assume como tal perante alguém. 

Em Dizer Deus, escreve a teóloga italiana Nicoletta Crosti: “Esta mulher representa-nos a todos (...) representa o caminho do ‘acreditar’, (...) a nossa sede de uma vida mais rica (...), as infinitas perguntas sobre as coisas últimas e penúltimas.” 

A pecadora de Betânia: Jesus deixa-se acariciar
É uma mulher que “entra e sai em silêncio, mas o leitor sente que a sua passagem se revestiu de uma eloquência ímpar”, escreve o biblista José Tolentino Mendonça em A Construção de Jesus (ed. Assírio & Alvim). Nesta obra, o autor analisa o episódio em que uma pecadora irrompe pela casa de Simão, um fariseu, que convidara Jesus. 

“Estando por detrás, aos seus pés, chorando começou a banhar-lhe os pés com lágrimas e com os cabelos da sua cabeça os enxugava e beijava-lhe os pés e ungia-os com perfume”, conta o texto de São Lucas. Simão diz para consigo: “Se este fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que o toca, pois é uma pecadora!” Jesus pressente o que ele pensa e, depois de lhe contar uma parábola, diz que a mulher lhe banhou os pés com as suas lágrimas e o perfumou. E conclui: “São perdoados os pecados dela, os muitos, porque amou muito.” 

“É impressionante como Jesus se deixa acariciar e não faz nenhum gesto para a afastar”, diz Isabel Gómez Acebo. Para Maria Vaz Pinto, a mulher traduz “outra característica de quem ama, o lado feminino do que não é estritamente necessário, a extravagância que enche a vida de cor e de perfume”. Trata-se, acrescenta, de algo que “não serve para nada, mas que é um gesto muito bonito no seu excesso”. 

“A transformação do estatuto da mulher derrama um perfume novo” pelo próprio evangelho, comenta Tolentino Mendonça. E “nesse encontro, mais do que noutros”, essa mulher “assinala, reconhece, toca, molha e unge o mistério de Jesus”. 

sábado, 31 de março de 2012

Os segredos do arquivo do Vaticano estão a ser revelados a todos


Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI
Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI (Fotos: DR)
Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI
Julgamento dos Templários em França: 60 metros de pergaminho
Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI
Assinatura de Galileu Galilei, no documento em que este aceita a sentença que contra ele pronunciara o Santo Ofício, em 1633
Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI
Um “privilégio” concedido por Otão I, pergaminho púrpura em letras de ouro
Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI
Carta dos cardeais ao futuro Papa Celestino V
Registo de juramento de fidelidade do cardeal Gil de Albornoz ao Papa Incêncio VI
Um dos corredores do Arquivo do Vaticano

Cultura

31.03.2012 - 13:56 Por António Marujo, em Roma


 Exposição mostra uma centena de documentos que fizeram a história da Europa e do mundo e que pela primeira vez saem do arquivo dos papas, que acaba de fazer 400 anos. Galileu está lá.

O mais impressionante será, talvez, o rolo com o processo dos Templários. Sessenta metros de pergaminho que incluem 231 confissões de outros tantos cavaleiros do Templo, redigidos entre 17 e 20 de Agosto de 1308, perante os três cardeais enviados pelo Papa Clemente V ao castelo de Chinon, em França. Nos depoimentos pode ler-se o confronto entre o medo dos cavaleiros templários em se contradizerem e o frustrado desejo de defender a sua ordem. A contradição significava a morte.

O mais comovente será, talvez, a assinatura de Galileu Galilei. O volume de pergaminho mostra a página em que o cientista aceita a sentença que contra ele pronunciara o cardeal Roberto Bellarmino, presidente do Tribunal do Santo Ofício. Narra a história que Galileu tomou uma vela na sua mão esquerda enquanto colocava a direita sobre a Bíblia, ajoelhando-se e abjurando as suas afirmações científicas. Foi em 22 de Junho de 1633, no convento de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma.

Colocado numa espécie de passadeira rolante, o rolo com o processo dos Templários é um dos 100 documentos da História da Europa e do mundo que se podem ver na exposição Lux in arcana - L"Archivio Segreto Vaticano si rivela (Luz sobre os enigmas - o Arquivo Secreto Vaticano revela-se). Uma exposição inédita, aberta pela sentença de Galileu, patente nos Museus Capitolinos, de Roma (Itália), até 9 de Setembro. É um acontecimento histórico porque, pela primeira vez, estes documentos saíram do arquivo papal e podem ser agora contemplados por todos. 

Mostra-se aqui apenas uma milionésima parte do Arquivo Secreto, criado formalmente há 400 anos pelo Papa Paulo V e que reúne documentação dos séculos VIII ao XX. Secreto vem do latim secretum e quer dizer privado. Ao longo dos séculos, os papas foram guardando documentos e correspondência relativos ao exercício do seu ministério. 

Hoje há mais de 650 fundos de arquivos diferentes, arrumados em 85 quilómetros de estantes, a maior parte delas colocadas em instalações de acesso reservado, no subsolo do Cortile della Pigna, onde todos os dias passam milhares de visitantes dos Museus do Vaticano. São milhões de documentos, dos quais 30 mil pergaminhos, que desde 1881 estão disponíveis à consulta de investigadores, sem distinção de nacionalidade ou religião. 

O último núcleo da exposição, o do "período fechado", mostra mesmo documentos duplamente inéditos, já que se referem ao pontificado de Pio XII. Os arquivos do Papa Pacelli estão ainda a ser tratados e deverão ser abertos dentro de dois anos. Bento XVI tem vontade de apressar essa abertura, já que o comportamento de Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial tem sido objecto de debate e polémica. Os documentos expostos referem-se a episódios e memórias fotográficas de vítimas do conflito.

Na exposição, podem ver-se também 85 selos de deputados a favor dos amores de Henrique VIII (1530). Ou uma carta de Lucrécia Bórgia ao seu pai, o Papa Alexandre VI, avisando-o contra a chegada do exército francês a Roma, em 10 de Junho de 1494. Ou ainda a caligrafia delicada de um califa, também a 10 de Junho, mas de 1250 (648 no calendário muçulmano), e uma carta da última imperatriz da dinastia Ming, escrita num pedaço de seda em 1650, no "11.º dia da 10.ª lua do quarto ano do reino do imperador Yongli". E pode ver-se também o mais antigo documento em língua mongol (1279) ou uma bula do Papa Clemente VIII em língua quechua (1603).

Poetas e rainhas

A exposição organiza-se em dez núcleos: no primeiro, Os guardiães da memória, mostram-se documentos fundamentais ou curiosidades da história da Igreja Católica ou da humanidade. Cabem aqui o processo de Galileu, mas também o cancioneiro do poeta persa Muhtašam-i Kašani (1582), a aprovação da regra de São Francisco de Assis (1223) ou a entrega de uma condecoração honorífica a Mozart (1770). 

Nas secções Tiara e coroa e Sinais de poder, expõem-se documentação relativa aos conflitos ou aproximações entre o poder dos papas e dos reis ou imperadores, como a Concordata entre a Santa Sé e Napoleão (responsável por ter levado o Arquivo do Vaticano para Paris, entre 1810 e 1815, o que fez com que se perdessem documentos preciosos) ou o nascimento do Estado do Vaticano (1929). O ouro e a tinta e Nos segredos dos conclaves revelam episódios de eleições ou deposições de papas (como a de Urbano VI, em 1378, dando origem ao Cisma do Ocidente, ou do único Papa que renunciou ao cargo, Celestino V, em 1294). A reflexão e o diálogo inclui uma carta do Papa Clemente XII ao vice do Dalai Lama, em 1732, bem como a convocatória de João XXIII para o Concílio Vaticano II, em 1961, que se traduziu na actualização da Igreja Católica. E sobram ainda retratos de pessoas: heréticos, cruzados e cavaleiros, santas, rainhas e cortesãs, e cientistas, filósofos e inventores. Aqui se incluem apelos desesperados como o de Maria Antonieta de França ou de Nicolau Copérnico, as condenações de Giordano Bruno ou Martinho Lutero, o horror do Papa Inocêncio III com os relatos das cruzadas e uma carta do anticlerical Voltaire ao "pai do mundo", o Papa Bento XIV. 

A mostra Lux in Arcana inclui ainda, no final, alguns fragmentos de documentos, através dos quais se pode perceber o que acontece quando os insectos, a humidade ou a luz, entre outros factores, destroem preciosidades de arquivos. 

Uma vertente multimédia está disponível no site oficial da exposição (www.luxinarcana.org), onde se podem ver alguns dos documentos mais significativos. Também é possível descarregar gratuitamente uma aplicação para Android e iOS que permite fazer uma visita guiada. 

Na carta Humanae Salutis, com que convocou todos os bispos católicos para o Concílio Vaticano II, em 1961, o Papa João XXIII escrevia: "Se o mundo aparece profundamente mudado, também a comunidade cristã está em grande parte transformada e renovada: isto é, socialmente fortalecida na unidade, intelectualmente revigorada, interiormente purificada, pronta, desta forma, a enfrentar todos os combates da fé." Muitas transformações e muitos combates se contam nestes documentos.

Tordesilhas e a Passarola de Gusmão

Há dois documentos relacionados com Portugal expostos na Lux in Arcana: a bula Inter Cetera (1493), do Papa Alexandre VI, o valenciano Rodrigo de Borja, que estabelece a partilha do mundo entre Portugal e Espanha, inicialmente consagrada no tratado de Alcáçovas (1479) e em 1494 corrigida pelo tratado de Tordesilhas; e o desenho da Passarola do padre Bartolomeu de Gusmão. 

Na bula, Alexandre VI estabelecia que os territórios a oeste de um meridiano imaginário, a 100 léguas dos arquipélagos dos Açores e de Cabo Verde, passariam a estar submetidos aos reis de Castela. Um ano depois, em Tordesilhas, o novo acordo passaria a zona de influência portuguesa até às 370 milhas para oeste dos Açores - o que incluía já uma parte importante do que é hoje o Brasil. Este facto faz com que vários historiadores pensem que D. João II teria já informações sobre a existência do território do Brasil. 

O segundo documento é o desenho da "Passarola de Gusmão" (na foto), incluído num dos manuscritos do Fundo Bolognetti. Nascido em Santos (São Paulo, Brasil, então ainda colónia portuguesa), em 1685, o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão esteve em Portugal por diversas vezes, tendo sido perseguido pela Inquisição. Em 1709, conseguiu do rei D. João V a autorização de construir um aeróstato e, em Outubro desse ano, mostrou mesmo a sua invenção ao rei e à rainha, Mariana d"Áustria, bem como ao núncio apostólico, o cardeal Michelangelo Conti, futuro Papa Inocêncio XIII. 

Esta primeira experiência da "máquina para viajar de barco no ar", recorda o catálogo, pode ter sido apenas um balão de ar quente. O desenho de Gusmão deve ser apenas uma forma de chamar a atenção para as suas experiências.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos

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 Monumento a João Paulo II - Foto Gaspar de Jesus no Blog Arte Fotográfica

Análise

A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos

Público - 27.03.2010 - 21:03 Por António Marujo

A Igreja Católica atravessa a mais profunda crise do último século. Para encontrar algo de dimensão semelhante, devemos recuar até ao início do século XX, com o anti-modernismo do Papa Pio X. Ou antes, a 1870 e ao Concílio Vaticano I, com o dogma da infalibilidade papal, o cisma dos velho-católicos e o fim dos Estados Pontifícios. Há uma diferença: esta crise atinge um catolicismo universal, ao contrário do de há um século, quando ainda era uma realidade pouco mais que europeia.
Será um Papa ferido o que vem a Portugal 
Será um Papa ferido o que vem a Portugal (Tony Gentile/Reuters)
Há várias questões à volta deste tema que, de repente, coloca um Papa académico perante um dos mais graves problemas pastorais da Igreja. Será ele capaz de afrontar o problema com a coragem necessária?

Ratzinger é um teólogo notável no diálogo cultural, mesmo com filósofos não-crentes como Jürgen Habermas ou Paolo Flores d’Arcais (como se pode perceber em Existe Deus?, editado na Pedra Angular). Eleito para um pontificado de transição, cuja marca seria afirmar a importância do facto cristão no diálogo multicultural contemporâneo, Bento XVI tem o desafio de “limpar a Igreja” da sua sujidade, como ele próprio afirmou na Via-Sacra de Sexta-Feira Santa de 2005, poucos dias antes da morte de João Paulo II.

1. Esta crise, como diz o étimo da palavra, pode ser uma oportunidade de mudança. A começar pela relação entre catolicismo e sexualidade – que o teólogo Hans Küng definiu como uma “relação crispada”. Não para dizer que o celibato é a causa da pedofilia. O celibato como opção voluntária pode ser dedicação extraordinária a uma comunidade. Como disciplina obrigatória (com excepções nas Igrejas Católicas orientais ligadas a Roma e, agora, com os anglicanos que decidiram aderir ao catolicismo), poderá ser revisto.

É certo que a esmagadora maioria de casos de abusos acontece com pais e familiares próximos das crianças. Como escrevia o Papa na carta aos católicos irlandeses, a pedofilia não é um problema que se restringe aquele país nem à Igreja Católica. Bem pelo contrário. Mas encarar a questão da sexualidade significa afrontar, desde logo, a formação nos seminários, tantas vezes castradora de afectos. E que é uma das causas profundas da pedofilia entre membros do clero.

A Igreja tem, na sua base bíblica e evangélica, uma fonte harmónica e integral que séculos de moralismo esconderam. Ao contrário do que diz Saramago, a Bíblia não é um manual de maus costumes. Mas, ao contrário do que pensam e dizem muitos católicos, ela tão pouco é um manual de bons costumes. A Bíblia é sobretudo uma proposta de relação – do ser humano com Deus e entre os seres humanos como imagem de Deus.

Aqui reside uma primeira dificuldade no exercício que a Igreja terá de fazer: muitos responsáveis católicos insistem numa abordagem dualista, legalista e pecaminosa (numa perspectiva greco-romana) da sexualidade. E que tem sido geradora de hipocrisias.

2. A crispada relação com a sexualidade reflecte-se também no modo como a doutrina católica olha a contracepção – e o preservativo, nomeadamente. Há quatro décadas, a encíclica Humanae Vitae interditou os métodos “artificiais” de planeamento familiar, apenas porque alguns cardeais da Cúria Romana não aceitavam a mudança doutrinal proposta por uma vasta comissão de médicos, teólogos e casais.

Se o Papa Paulo VI (que encarava a possibilidade de mudar a posição oficial) não tivesse cedido à pressão da Cúria, o preservativo não seria hoje um tabu doutrinal (mesmo se distribuído aos milhares por freiras e padres comprometidos na luta contra a sida, por exemplo). E o catolicismo das últimas décadas teria sido bem diferente.

Esta relação difícil do catolicismo oficial com a sexualidade tem manifestações visíveis como os abusos sexuais cometidos por padres sobre religiosas, em África, conhecidos há uma década; ou o padre mexicano Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, de quem se sabe que teve filhos de várias mulheres às quais ocultava a sua identidade, foi pedófilo, incestuoso e toxicodependente.

A instituição por ele fundada é exemplo dos grupos católicos que hoje, na Igreja, insistem na perspectiva moralista e para os quais a vida só importa quando se fala de aborto, preservativo ou homossexualidade.

Não é de estranhar que mais se condene quem mais moralismo apregoa e acaba por ter tantos pecados (ou crimes) no seu interior. Com uma agravante: as pessoas que confiavam os seus filhos a responsáveis da Igreja eram, em grande parte, membros da própria comunidade cristã. Para elas, o sentimento de terem sido traídas por aqueles em quem confiavam é esmagador.

3. A acusação de encobrimento atinge agora o próprio Papa. Na carta que escreveu aos irlandeses, há oito dias, Bento XVI acusa vários bispos de terem falhado “por vezes gravemente”. Seria estranho que o Papa tivesse escrito o que escreveu, se tivesse telhados de vidro. De outra forma, estaria agora sob escrutínio e sem autoridade perante os seus “irmãos bispos”.

Pode haver aqui duas coisas diferentes. Como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), Joseph Ratzinger conhecia, obviamente, vários casos. Mas pode ser forçado dizer que os encobriu. O mais emblemático, noticiado pelo “New York Times” esta semana, revela que nem os poderes públicos agiram sobre o padre que abusou de 200 crianças – tal como aconteceu na Irlanda. E que Ratzinger só conheceu duas décadas depois dos factos.

O célebre documento de 1962 (que Ratzinger, então um padre com 35 anos, não escreveu, ao contrário do que muita ignorância afirma por aí), que defendia o secretismo, foi depois substituído em 2001, não para prosseguir a mesma orientação, mas para dar um passo em frente: o de obrigar os bispos a comunicar os casos de pedofilia ao Vaticano. Só nessa ocasião Ratzinger e a CDF passam a tomar conta destes casos, quando a questão já era um escândalo nos Estados Unidos (dois anos depois, João Paulo II chamaria vários bispos dos EUA para enfrentar a crise, pela primeira vez, de forma dramática). Só o total esclarecimento do papel do Papa em cada caso poderá aclarar de vez a sua quota-parte de responsabilidade – isso mesmo já foi pedido há dias pelo “National Catholic Repórter”.

4. O encobrimento e a tolerância social da pedofilia era a atitude normal até há três ou quatro décadas – o caso Polanski reapareceu a recordá-lo.

Durante séculos, a Igreja Católica entendeu-se como sociedade perfeita, sem necessidade de instâncias civis: tinha os seus tribunais, as suas penas, chegou a ter as suas prisões.

Também sabemos que a comunicação social é mais severa com a Igreja Católica do que com outros. E desproporcional: dá-se sempre mais dimensão aos escândalos do que aos caminhos de solução ou aos resultados, omite-se que o fenómeno atinge uma pequeníssima minoria do clero (embora bastasse um caso para que fosse grave). Sabe-se que os números aparecidos na Alemanha nas últimas semanas são resultado do trabalho iniciado pela Conferência Episcopal quando surgiram os casos nos Estados Unidos – mas isto também quase não é dito.

Mas desde 1990 há uma avalanche de casos. O que se passou na Irlanda, que durou até há poucos anos, mostra que não se atalhou o problema logo que ele começou. Em 1993, os bispos do Canadá publicaram um extenso documento com uma reflexão profunda sobre o tema e propostas de solução – que tiveram sucesso. O caminho deveria ter sido seguido em outros países.

Por isso não se entende a lamentável e infeliz declaração do cardeal Saraiva Martins: a Igreja é pela “tolerância zero”, mas não lava a “roupa suja” em público. Há mais de 60 anos, o Papa Pio XII dizia que a opinião pública é “vital” para a Igreja. Entenda-se, portanto, que a lavagem de “roupa suja” em público mais não é que uma desafortunada expressão para referir o debate interno, que está na matriz genética do cristianismo. E foi pela falta de tolerância zero que se chegou aqui.

5. A mês e meio da viagem de Bento XVI a Portugal, percebe-se que a crise continuará a revelar mais casos. Como em todas as histórias, percebe-se que também há interessados em atingir a credibilidade da Igreja. Mas esta tem que ser a primeira a reflectir o porquê dessa aversão e a procurar razões no seu interior – uma atitude própria desta Semana Santa que os cristãos hoje começam a viver. O cerco à volta de Ratzinger também continuará. Será, por isso, um Papa ferido aquele que virá a Portugal. Talvez rodeado por grupos interessados prioritariamente em defender a instituição dos “ataques” – já correm textos nesse sentido na Internet, em blogues, em mails…

Convém não esquecer que foi a preocupação pela defesa da honra da instituição que levou ao actual estado de coisas. Só uma atitude purificadora e aberta à mudança permitirá à Igreja recuperar a credibilidade perdida nesta crise. Os cristãos chamam a esse acontecimento ressurreição. E celebram-na no próximo domingo.
 

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A IDOLATRIA E PEDÓFILIA RELIGIOSA É BEIJO DE JUDAS

FÁTIMA FAZ PARTE DO IMAGINÁRIO HUMANO RELIGIOSO DOUTRINÁRIO CULTURAL, ...

Comentários 1 a 10 de 40

  1. Nome , CIDADE DU BOCAGE. 30.03.2010 21:51

    A IDOLATRIA E PEDÓFILIA RELIGIOSA É BEIJO DE JUDAS

    FÁTIMA FAZ PARTE DO IMAGINÁRIO HUMANO RELIGIOSO DOUTRINÁRIO CULTURAL, DOGMÁTICO, IDÓLATRA, INQUISIDOR PAPAL TRADICIONAL, DA CONSCIÊNCIA E INTELIGÊNCIA INTELECTUAL E ESPÍRITUAL, QUE NÃO DÁ CERTO EM PORTUGAL, DAÍ TODA A TRAGÉDIA HISTÓRICA NACIONAL DE ATRAZO E ILECTERACIA INTELECTUAL E ESPÍRITUAL EM PORTUGAL, A IGNORÂNCIA BÍBLICA E RFELIGIOSA SOCIAL, DO CATACISMO ROMANO IDÓLATRA PAPAL, DE ALIENAÇÃO E MANIPULAÇÃO RELIGIOSA SOCIAL ACTUAL, COMO EMBUSTE, EMBRUTECIDO E IMPOSTOR PAPAL QUEREMOS A VERDADE BÍBLICA SEM O DOGMA IDÓLATRA PAPAL, O CRISTIANISMO BÍBLICO APOSTÓLICO, COMO DOUTRINA CRISTÂ ESPÍRITUAL. QUEREMOS A CRUZ VAZIA NA IGREJA, COMO A NOSSA PÁSCOA ESPÍRITUAL ACTUAL, PELA RESSURREIÇÃO DE JESUS, PAZ PARA O MUNDO, TOLERÂNCIA, E AMÔR FRATERNAL, SEM O DOGMA PAPAL...É NECESSÁRIO CONHECER A HISTÓRIA BÍBLICA E O INICIO DA DINASTIA DOGMÁTICA E IDÓLATRA DO CATOLOCISMO E CATECISMO ROMANO PAPAL, NA HISTÓRIA DEPORTUGAL;ACTUAL
  2. RAVIREI , SOL. 30.03.2010 16:07

    Salvar as reservas morais!

    A Igreja tem uma História de resistência imensa aos ataques que lhe são dirigidos. Sempre vimos a Igreja resistindo! Porém, não será por ataques que a Igreja cairá! A Igreja cairá pelo abandono,... e isso já está a acontecer. E o abandono da Igreja irá aumentando á medida que as reservas morais da humanidade forem despertando!
  3. ANTONIO , RIO TINTO. 30.03.2010 14:15

    A Pedofilia na IGREJA

    A Pedófilia vai continuar na Igreja. ..Acabará, quando forem autorizados a casar. Quando se vai para padre, por princípio não se gosta de mulheres...Está tudo dito nesta frase. Acabará quando só aceitarem para padres, quem realmente gosta de ""mulheres". Versus casamento. Só com o casamento é que se poderá banir em parte, a podridão Milenar...Sem medos.O Padre é um ser carna,l como qualquer um de nós. Por isso precisa de casamento, e constituir família. Só assim se banirá, em parte a nossa desconfiança.
  4. Emídio Cardoso , Vile. 30.03.2010 13:55

    A realidade da Igreja...

    Uma vez máis a Igreja Católica esta em crise.Ora para todos aqueles que mais ou menos conhecem um pouco da história da Igreja católica,isto nao é surpresa para ninguêm.A Igreja Católica sempre esteve rodeada de escandalos,provocados,pelos defeitos humanos dos seus, dirigentes,ditos ministros.Como é que se pode pregar uma moral e esconder realidades mundanas...totalmente ofensivas a essa moral?As eleiçoes dos papas sempre estiveram marcadas pelos desmedidos interesses pessoais dos candidatos.Pois esses cardeais,pessoas curtidas deveriam mostrar,outros sentimentos,a Deus e aos seus semelhantes.Nao pretendo salientar os escandalos sexuais,nos quais estiveram envolvidos;papas,bispos e padres...pois que o sexo faz parte dos seres vivos e negar-lo é um atentado á criaçao divina.O grande Cisma do ocidente...A Inquisiçao...Alexandre VI...Martinho Lutero...etc.A Igreja Católica sempre tentou tapar o Sol com a peneira,em favor dos seus interesses mundanos,de uma sociedade corrúpta.Nos nossos dias,a sociedade tornou-se materialista,em parte devido a este regabofe histórico desta organizaçao.Porquê esta organizaçao se afastou completamente dos ensinamentos de JESUS?O que é JESUS para a Igreja ...
  5. Albino , Portugal. 30.03.2010 13:01

    Coitadinhos

    Quer dizer, o Papa não presta, e os que dizem tal coisa querem provar que eles próprios é que são bons ?
  6. Nome , Localidade, País. 30.03.2010 12:57

    Título

    Texto
  7. Eduardo Bulhões , Localidade, País. 30.03.2010 12:43

    Até que enfim um texto equlibrado

    Finalmente li um texto que demonstra percepção. Sem dúvida é uma crise, mas a Igreja é essencialmente uma sobrevivente de crises. Desde a quinta feira Santa, quando os apostolos fugiram no Horto, a Igreja já vive em crises.
  8. Mário Santos Lopes , Bombarral. 30.03.2010 11:55

    Os cardeais não gostam do Ratzinger! Porquê será?

    Antigamente - eu lembro-me bem - quando terminava um concílio para eleger um Papa, saiam todos com caras de grande alegria, e fazia-se festa gritando "habemus papa"! No entanto, há pouco, quando foi eleito este último, este Ratzinger, todos saíram de caras muito sérias, sem manifestar nenhuma alegria. Deu-nos a impressão de que os cardeais elegeram este Ratzinger mas não gostaram nada de o eleger! Porquê será?
  9. Antonio , Rio Tinto. 30.03.2010 11:34

    Este Papa não presta.

    Este Papa não presta. Não se recomenda a ninguém. Pelo menos para representar a Igreja. Não tem nada de parecido com S. Pedro. É bom para os fanáticos católicos. E, sou católico Apostólico e Romano.
  10. ATILA , Lisboa, Portugal. 30.03.2010 11:25

    Título

    A Igreja católica ainda não saiu da impunidade do período dos Bórgias. Ouvi a entrevista no programa de Miguel S.Tavares a um dos bispos portugueses mais lúcidos, D. Januário Torgal, e fiquei estarrecido, este senhor afirmou ser contra o casamento dos padres porque assim estes poderíam abusar dos seus filhos !!! e o MST tão crítico e tão opinativo que é, ficou calado! seria do choque...O Pastor Alemão, actual Papa, encobriu o violador de 200 crianças só porque, coitado, estava a morrer... A igreja sempre teve um comportamento mafioso em relação aos seus, são intocáveis para a justiça humana. Quem se lembra do caso de Monsenhor Mancirus aquando do problema com o Banco Ambrosiano o qual meteu assassinatos a boa maneira de Chicago, e o que aconteceu ? S.S. João Paulo II devolveu-a à América longe da justiça europeia....Que aconteceu no Funchal com o célebre padre Frederico, o seu patrono Bispo do Funchal protegeu-o...,etc,.etc.etc. Deu se existe deve estar corado de vergonha com os seus representantes terrenos!!!
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