Discurso de Lula da Silva (excerto)

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domingo, 15 de agosto de 2010

Nova espécie de macaco foi descoberta na Amazónia Colombiana

Cabeçalho da Biodiversidade

14.08.2010 - 21:11 Por PÚBLICO
Uma expedição científica à Amazónia Colombiana descobriu uma nova espécie de macaco zogue-zogue (Callicebus caquetensis), anunciou a organização Conservation International. Mas a destruição da floresta onde vive ameaça de extinção os 250 animais que ainda restam.
<p>A espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo</p>
A espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo
 (Javier García)


A descoberta - a cargo dos professores Thomas Defler e Marta Bueno e do estudante Javier García, da Universidade Nacional da Colômbia - foi anunciada esta quinta-feira na revista científica “Primate Conservation”.

Segundo a organização, a expedição foi realizada em 2008 no estado colombiano de Caquetá, perto da fronteira com o Equador e o Peru, 30 anos depois do especialista em comportamento animal Martin Moynhian ter visitado a região e ter feito os primeiros relatos da espécie, do tamanho de um gato.

“Durante muitos anos foi impossível viajar a Caquetá devido à presença de guerrilhas armadas”, conta a organização em comunicado. Mas quando a violência diminuiu, Javier García, nativo da região, viajou até ao rio Caquetá e encontrou 13 grupos da nova espécie.

“Esta descoberta é extremamente empolgante porque tínhamos ouvido falar deste animal, mas por muito tempo não podíamos confirmar se era diferente dos outros zogue-zogue”, explicou Thomas Defler. “Agora sabemos que é uma espécie única, e isso mostra a rica variedade de vida que ainda está por ser descoberta na Amazónia”.

Sobrevivência ameaçada

Mas nem tudo são boas notícias. Estima-se que existam apenas menos de 250 zogue-zogue de Caquetá; uma população saudável deveria ter milhares de indivíduos, considera a Conservation International.

“A principal razão para esse número reduzido é a destruição das florestas da região que têm sido abertas para plantios agrícolas. Isso diminui drasticamente as áreas para esses animais se reproduzirem, encontrarem alimentos e sobreviverem”.

Por isso, a espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo (CR), segundo o critério da União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN). Isto quer dizer que o animal enfrenta um risco extremamente alto de extinção no futuro muito próximo.

“A descoberta é especialmente importante porque nos lembra que devemos comemorar a diversidade de vida na Terra, mas que também precisamos agir agora para salvá-la”, alertou José Vicente Rodríguez, director da unidade de ciência da Conservação Internacional na Colômbia e presidente da Associação Colombiana de Zoologia. “Quando os líderes mundiais se reunirem na Convenção de Diversidade Biológica no Japão no final do ano, eles precisam se comprometer com a criação de mais áreas protegidas se quisermos garantir a sobrevivência de criaturas ameaçadas como esta na Amazónia e no mundo”.

A pesquisa liderada por Defler foi financiada pela Conservation International, pelo Fondo para la Acción Ambiental y la Niñez e pela Fundación Omacha.
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terça-feira, 21 de julho de 2009

Amazônia, Poesia & Socialismo




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por Eron Bezerra*
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A 61ª edição da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) recém realizada em Manaus (AM) contou, dentre a sua eclética programação, com uma mesa sobre “Amazônia, Ciência e Cultura”. A mesa foi organizada em parceria com a Fundação Mauricio Grabois e Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) e teve como expositores o poeta Thiago de Melo, o professor Enio Candotti, Hugo Valadares (ANPG) e Eron Bezerra, que vos incomoda com este artigo.

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Num auditório bastante concorrido, com uma platéia igualmente diversificada, cada expositor se empenhou em tratar a complexidade amazônica sob a ótica proposta.

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Hugo Valadares enfatizou a importância de se conhecer a Amazônia e, ao mesmo tempo, registrou o profundo desconhecimento da região pela maioria da sociedade brasileira, até mesmo no ambiente acadêmico em que freqüenta.

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Enio Candoti destacou a necessidade de se considerar e respeitar a cultura milenar de que são detentores os povos da Amazônia. Destacou, como reforço de seu argumento, a recente descoberta arqueológica que identificou restos humanos de mais de 9 mil anos na região. O que significa, segundo sua sustentação, de que a Amazônia é possuidora de uma civilização milenar, o que até hoje não era ou é reconhecido.

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De minha parte, voltei a insistir naquilo que considero a essência de qualquer debate sobre a Amazônia: reafirmação da soberania nacional sobre a mesma e a correta compreensão das correntes que a polemizam e as suas motivações ideológicas. Ressaltei o papel da ciência e do conhecimento tradicional como forma de ocupá-la adequadamente, partindo da premissa de que não é possível imaginar a região como santuário e nem tampouco adotando um processo produtivo nos moldes tradicionais das demais regiões do país e de boa parte da própria Amazônia.

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Cada um, a seu modo, fez um grande esforço e deu sua contribuição.

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Thiago de Melo foi além. Ouviu com extraordinária atenção a todos os demais expositores, reforçando aqui e ali alguma observação que considerava pertinente. Na sua intervenção propriamente dita começou chamando a atenção da necessidade da academia e dos intelectuais falarem de forma mais compreensiva para o povo, denunciando – mesmo que não fosse essa a sua intenção – o enorme elitismo que tem caracterizado a produção acadêmica em nosso país e, certamente, no mundo.

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Em seguida, como que para demonstrar de forma didática como se faz isso, recitou um poema de sua autoria – não sem antes solicitar que se retirasse da sala os que eventualmente não podiam se concentrar, pois a poesia exige silêncio e atenção.

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Após o belo poema, discorreu sobre a sua vivência na Amazônia, seus encantos e as dificuldades por que passam os povos da Amazônia. Denunciou a ausência do estado, enquanto poder público, especialmente nos anos de política neoliberal.

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Mas, disse em tom de desabafo, é preciso continuar lutando, buscando um novo rumo. E por isso “continuo socialista e, apesar de eventuais reparos, tenho em Cuba uma referência daquilo que considero mais justo para a humanidade”.

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Não precisava dizer mais nada. O auditório quase veio abaixo. Sinal dos tempos.

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*Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 21 DE JULHO DE 2009 - 19h12
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Cientistas debatem o futuro da Amazónia

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Cientistas, pesquisadores, professores e estudantes estão em Manaus, desde domingo (12) até a próxima sexta-feira, (17) para debater o papel da ciência para o desenvolvimento da Amazônia durante a 61º reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Mais de 175 atividades estão previstas durante o encontro, no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).


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Com o tema Amazônia: Ciência e Cultura, as palestras, simpósios, minicursos, encontros de sociedades científicas e assembléias devem atrair cerca de 18 mil pessoas, segundo estimativas da organização. Entre os núcleos temáticos estão culturas amazônicas, saberes tradicionais, ocupação e questões fundiárias da região, história natural e humana, clima, saúde e o Ano Internacional da Astronomia.

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Sediada em 2007 em Belém, a reunião da SBPC volta à Amazônia, depois de passar por Campinas, para colocar a região no centro da discussão sobre o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, com foco na biodiversidade e nas populações da maior floresta tropical do planeta.

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As consequências das mudanças climáticas sobre a floresta, o pagamento por serviços ambientais e pelo uso de recursos naturais pela indústria química, o conhecimento indígena vão ser debatidos por especialistas de todo o país. A expansão do agronegócio na Amazônia Legal também deve vai ser discutida.

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Além da agenda principal, também fazem parte da programação a SBPC Jovem (voltada para estudantes do ensino básico), a SBPC Cultural (com manifestações de artistas da região), a ExpoT&C (com estandes de empresas e instituições ligadas à tecnologia e ciência), feiras de livro e artesanato e uma exposição sobre o cientista Charles Darwin.

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O encontro foi aberto no domingo, às 19h, pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, pelo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães e pelos anfitriões da reunião, Marco Antônio Raupp, presidente da SBPC, Eduardo Braga, governador do Amazonas e pela nova reitora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Márcia Perales, entre outras autoridades.

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Rezende, apresentou um balanço do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, o chamado PAC da Inovação e detalhar programas específicos para o desenvolvimento científico na Amazônia.

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Correio do Brasil
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in Vermelho -
13 DE JULHO DE 2009 - 08h50
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Progresso em áreas desmatadas na Amazónia não é sustentável, diz estudo


13-Jun-2009

amazonia.jpgUm estudo publicado na última edição da revista científica Science afirma que o derrube de florestas para criação de pastagens ou plantações na Amazónia tende a provocar uma elevação inicial rápida nos índices de desenvolvimento humano local, mas a vantagem desaparece na medida em que o desmatamento avança. Para chegar a essa conclusão, os cientistas compararam os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de 286 municípios amazónicos em diferentes estágios de desmatamento, tendo como base o ano 2000.

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O IDH é uma metodologia desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a qualidade de vida e inclui indicadores como renda, expectativa de vida e nível de educação.

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Nos municípios que estão nos estágios iniciais do desmatamento ou nos quais o ritmo de desmatamento é alto, os pesquisadores encontraram índices de desenvolvimento humano próximos aos da média nacional e acima da média regional.

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Nos municípios com pouco ou nenhum desmatamento e nos municípios com taxas de desmatamentos superior a 60% da área, os índices de desenvolvimento são similares e baixos quando comparados à média nacional.

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Duas velocidades

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Segundo os pesquisadores, isso sugere que "a expectativa de vida, nível de educação e padrão de vida melhoram mais rápido do que a média nacional nos municípios nos estágios iniciais do desmatamento".

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Mas, em um segundo estágio, as condições de vida passam a melhorar num ritmo inferior à média nacional.

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O resultado, argumenta o estudo, é que "em termos líquidos, pessoas em municípios que derrubaram suas florestas não estão melhores do que aqueles em muncipíos que não o fizeram."

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De acordo com o artigo, a explicação mais provável para o progresso inicial é que "as pessoas se beneficiam dos recursos naturais disponíveis e da melhora no acesso aos mercados oferecida por novas estradas", assim como de investimentos públicos em infra-estrutura, educação e saúde.

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A decadência nos padrões de vida "provavelmente reflete a exaustão dos recursos naturais que sustentaram o boom inicial, aliada ao aumento da população local".

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O argumento é sustentado por estatísticas que mostram não só a redução da produtividade da exploração da madeira, como também da agricultura e da pecuária - o que "provavelmente reflete a degradação em larga escala dos pastos pela perda de produtividade do solo ou alterações no uso das terras por conta de mudanças nas condições do comércio de terras".

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Medidas

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Para os pesquisadores, o problema "provavelmente não tem uma solução única".

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Entre as medidas propostas, estão apoio a um uso melhor das áreas já desmatadas, restrições a novos desmatamentos e reflorestação de áreas degradadas", além de incentivos a atividades sustentáveis, como manejo florestal e pagamento por serviços ecológicos.

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O estudo é assinado por pesquisadores do Instituto Superior Técnico de Portugal, do Imazon, do Centre d'Ecologie Fonctionnelle et Evolutive, da França, e das universidade britânicas de Cambridge, Imperial College London e de East Anglia e coordenado pela pesquisadora Ana Rodrigues, do Instituto Superior Técnico de Portugal.

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Um dos autores, o pesquisador Adalberto Veríssimo, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), afirmou à BBC Brasil que o estudo "mostra claramente que desmatamento não compensa, que este modelo baseado na apropriação do patrimônio público não é o caminho nem para o Brasil nem para o mundo".

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O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse à BBC Brasil que o governo está fazendo a sua parte para quebrar o ciclo de expansão-colapso apontado pelo estudo.

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"O que faz sair do ciclo de degradação é injetar tecnologia, recursos e pagar (a população local) para fazer a coisa certa", disse Minc.

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O ministro deu como exemplo a nova fase da Operação Arco Verde, iniciada nesta semana pelo governo federal, que deve passar pelos 43 municípios que mais registraram desmatamento, levando informações sobre desenvolvimento sustentável, títulos fundiários e linhas de crédito "verdes".

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Para Veríssimo, o ciclo é consequência do "grande dilema do modelo de desenvolvimento baseado na combinação da extração predatória de madeira, seguida pela pecuária". E, para ele, a única forma de sufocar essa dinâmica seria o fim da apropriação ilegal de terras públicas.

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"No momento em que a MP 458 está dizendo que vai regularizar as terras de quem faz este jogo (de ocupação ilegal, exploração e novas ocupações), está dando um sinal claro de que as pessoas podem continuar ocupando que o governo em algum momento vai anistiá-la. Do jeito que ela está, ela vai criar condições concretas para que o processo continue na Amazônia", disse Veríssimo.

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Fonte: BBC Brasil

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in Esquerda.net

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Índios x “Cultura”



por Eron Bezerra*

Conheci um seringalista que negava a existência de índios na sua região argumentando que eles usavam relógio, calça jeans e falavam português melhor do que ele. A sua noção de índios estava claramente associada à falta de conhecimentos e de “cultura”, pelo menos no que ele entendia como cultura. Desconhecia ele que uma etnia não existe ou deixa de existir pelo grau de desenvolvimento econômico ou de conhecimento científico que eventual possui, mas sim pelo fato objetivo de ser um grupo social com peculiaridades próprias.


Lamentavelmente a opinião desse seringalista (os conquistadores da Amazônia) não é um fato isolado. Aqui e ali encontro pessoas, de diferentes camadas sociais, que ainda hoje verbalizam opiniões semelhantes.


Afora essas aberrações o Brasil seguiu em frente. No momento, portanto, em que a jovem nação brasileira inicia o 6º século de sua existência é oportuno que se passe em revista a sua peculiar trajetória, especialmente no que diz respeito à sua formação cultural e a sua composição antropológica básica: índios, africanos e europeus.


Juntamos num único território três culturas completamente distintas e a resultante foi um país dinâmico, de um povo trabalhador, criativo e inventivo como poucos no mundo. Até hoje, cinco séculos depois, os traços fundamentais de nossa cultura ancestral continua presente. Embora a maioria de nossos ancestrais indígenas tenha sido eliminada (e com eles a sua língua), ainda se fala mais de 200 línguas na Amazônia e seus hábitos e costumes se incorporaram à nossa vida.


Talvez alguns achem estranho se falar de cultura e associar tal palavra aos índios, na medida em que para esses os índios são bárbaros incultos. Mas a cultura indígena, assim como a africana e européia continuam presentes em todas as nossas manifestações. Da música à culinária, passando por hábitos comezinhos como tomar banho diariamente ou fazer a sesta após o almoço a cultura de nossos ancestrais está presente.


A mistura desses grupos formou um povo mestiço, geneticamente melhor adaptado ao meio ambiente, conhecido como povo brasileiro. A nação brasileira, portanto, deve muito a cada uma dessas matrizes antropológicas que lhe deu vida. O mínimo que pode fazer é tratá-las com respeito e assegurar meios adequados para que tenham uma existência plena.


A eventual miscigenação entre esses grupos, o que é desejável do ponto de vista genético e cultural, é uma opção não uma imposição. A integração, portanto, só ocorrerá se forem respeitadas as tradições, a cultura, o legitimo direito às terras e o seu modo de vida.


Ainda falta muito, mas não podemos deixar de registrar os avanços, dentre eles o que acaba de ser anunciado pelo governo do Amazonas em criar, provavelmente, a primeira secretaria de Assuntos Indígenas do país.




*Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.



* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.



in Vermelho .- 4 DE ABRIL DE 2009 - 17h42
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domingo, 6 de julho de 2008

Um jornalista entre os índios (Amazónia)


clicar nas imagens para ler
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in Correio da Manhã - Domingo - 2008.07.06
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Amazónia é de todos?



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O ritmo de desflorestação da Amazónia voltou a aumentar este ano, depois de três anos de redução. As estatísticas parciais indicam o aumento da ameaça ao pulmão do Planeta.
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in Correio da Manhã 2007.10.20
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Para saber mais:
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Amazonia.org.br
Amazonia.org.br a maior base de dados sobre a Amaznia na web, atualizada diariamente com notcias, artigos, documentos, fotografias, vídeos, agenda de eventos ...