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Discurso de Lula da Silva (excerto)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
Desperdício de comida nos países ricos também gera prejuízo ambiental
DW World - União Europeia | 01.01.2010
Nos países ocidentais, os feriados de fim de ano se transformaram numa tradicional época de excessos: eles parecem fornecer a todos uma boa desculpa para comer e beber à vontade
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Os supermercados estão cheios de doces, chocolates e uma desconcertante oferta de comidas e bebidas. A maior parte vai realmente ser ingerida, mas mais de um terço – no caso da Europa e dos Estados Unidos – mofar no fundo da geladeira ou simplesmente perder a validade e acabar no lixo.
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Jogar fora sem abrir
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No Reino Unido, um dos campeões europeus de desperdício de alimentos, cerca de 6,7 milhões de toneladas de comida comprada em boas condições acabam no lixo todos os anos. O custo desse desperdício é de 10,2 bilhões de libras.
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"Daquilo que é produzido na Europa, apenas 30% ou 40% vai para a mesa do consumidor", afirma Henrik Harjula, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "A comida vai sendo perdida durante o transporte, quando apodrece ou é descartada por não corresponder aos critérios europeus. No final dessa cadeia, um terço da comida que os consumidores compram em vários países da Europa é jogada fora; a metade disso é jogada fora sem nem ter sido aberta."
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Metade do que vai para o lixo nem sequer é aberto
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Acrescente-se o desperdício dos Estados Unidos ao da Europa, o problema se torna ainda maior. Cerca de 40% de toda a comida manufaturada e posta à venda nos Estados Unidos não é consumida, e estudos mostram que essa tendência é crescente.
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O desperdício de comida de um modo geral, incluindo os produtores rurais, as indústrias, os distribuidores e os consumidores, cresceu 50% desde 1974, chegando a cerca de 150 trilhões de calorias por ano em 2003.
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Compras no hipermercado
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Na opinião de Harjula, a disseminação dos hipermercados é parcialmente responsável pelo desperdício de comida no mundo ocidental.
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"As pessoas tendem a ir uma ou duas vezes por mês a esses hipermercados, mas quem consegue avaliar exatamente quanto vai consumir?", argumenta. "Elas não conseguem, então compram a mais. Claro, esse raciocínio sugere que os consumidores também são culpados, mas há essa tendência na Europa de 'compre um e leve dois', e assim as pessoas compram um monte de comida de que não necessitam."
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As estatísticas sobre desperdício de comida contrastam com os crescentes relatórios globais sobre a falta e a elevação nos preços de alimentos. Há outros fatores responsáveis pela carência mundial de alimentos, como os altos preços do petróleo, o crescimento da população, colheitas ruins e o uso de grãos para fazer biocombustíveis, mas o desperdício de comida contribui para agravar a situação.
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"Uma boa parte da comida e da agricultura na Europa e no Ocidente é subsidiada e isso é um grande problema para os produtores no mundo em desenvolvimento", afirma Harjula. "Os produtos deles não são competitivos nesse mercado e, portanto, eles não podem vendê-los, o que leva a uma queda na renda dos produtores, à perda da terra e à pobreza."
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Problemas ambientais
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Além disso, depósitos de lixo cheios de comida são também prejudiciais ao meio ambiente. A decomposição de alimentos libera metano, um gás 20 vezes mais prejudicial à atmosfera que o dióxido de carbono (CO2).
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"Há maneiras de coletar esse gás oriundo dos alimentos em decomposição e usá-lo para gerar energia, mas essa não é uma prática difundida no momento", diz Harjula. "O que precisa ser feito, enquanto isso, é encontrar uma maneira de retirar o material orgânico dos depósitos de lixo."
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Para Tom MacMillan, diretor executivo do Conselho de Ética Alimentar do Reino Unido, até que se encontre uma maneira de reter e aproveitar o metano, é importante também impedir que alimentos parem no depósito de lixo.
Menos metano
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Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Planejar antes de ir às compras reduz o desperdício
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Os países europeus estão tomando medidas para reduzir a produção de metano a partir de alimentos jogados em depósitos de lixo. A expectativa é que a implementação de uma diretriz da União Europeia venha a reduzir a quantidade de material orgânico em depósitos de lixo em 35% até 2016. No entanto, alguns países europeus, incluindo a Alemanha, a Holanda e a Suíça, já reduziram seus níveis para apenas 5% ou ainda menos.
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Especialistas afirmam que grande parte da responsabilidade por reduzir o desperdício de comida é da indústria, que deveria encontrar meios de diminuir esse dispêndio nas cadeias de produção e fornecimento, bem como achar formas de redistribuir alimentos já manufaturados e de aproveitar os subprodutos da cadeia industrial.
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Os consumidores também podem fazer a sua parte. Poderiam, por exemplo, fazer compras de forma planejada, decidindo o que vão comprar antes de ir ao supermercado, ou adotar métodos de armazenagem de comida mais eficientes.
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Autor: Nick Amies (as)
Revisão:
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DW-WORLD.DE
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Ambientalismo e Socialismo: lutas indissociáveis
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por Regina Abrahão*A partir da revolução industrial o mundo conheceu a poluição industrial. As guerras sempre tiveram efeito devastador sobre a natureza, mesmo funcionando como elemento de controle populacional. As primeiras experiências atômicas, porém, tiveram não só o efeito de arrasar as regiões atingidas, mas também o de provocar mudanças genéticas nos seres vivos por várias gerações. O uso de napalm na guerra do Vietnam comprometeu grande parte da área agricultável do
país.
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A revolução verde, ocorrida a partir da década de 70 no mundo todo provocou outro tipo de poluição. O uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos transformou terras pouco produtivas em férteis e com produção abundante, mas por pouco tempo. Em contrapartida, trouxe a contaminação nos alimentos, o fortalecimento de pragas antes controladas de forma biológica e o empobrecimento do solo.
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A monocultura decorrente do latifúndio completou o quadro, com a desertificação de vastas áreas no planeta, uma vez que terras impróprias para a agricultura foram transformadas, com o uso de nsumos químicos, em campos de plantações. Por dez ou doze colheitas. Depois, a terra volta a tornar-se imprópria para a agricultura, trazendo a erosão, mudanças climáticas e alterações profundas na fauna e flora locais. Mas talvez o efeito mais perverso do agronegócio seja a substituição da agricultura voltada para a alimentação pela agricultura voltada para a exportação, notadamente de oleaginosas, cana-de-açúcar e matéria prima para celulose e carvão.
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A plantação de árvores exóticas no Brasil tem mais de cem anos. O eucalipto, inicialmente, foi plantado em áreas alagadiças a fim de permitir seu uso para outros fins, devido ao grande consumo de água que necessita (de 30 a 50 litros por dia). Aos poucos, foi sendo usado para moirões, como lenha, e a partir da década de 70 inicia-se o uso do eucalipto para a fabricação da pasta de celulose. O processo de
fabricação da pasta está entre os mais poluentes da indústria. Além de consumir grande quantidade de nutrientes, água, inviabiliza qualquer outra cultura durante ou após (cerca de 30 anos) seu plantio. Os únicos animais que conseguem coexistir com o eucalipto são cupins, aranhas e caturritas.
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Uma área de 50 ha, que sustenta economicamente uma família de quatro ou cinco pessoas anualmente produzindo alimentos para cerca de 50 pessoas ocupa, no primeiro ano, um trabalhador. Entre o segundo e o sétimo ano um único trabalhador dá conta de uma área de 1.000 ha, unicamente para aplicação de fertilizantes. No sétimo ano, um trabalhador, operando máquinas de corte, trabalha cerca de 500 ha. A pasta de celulose é processada em empresas nem sempre próximas da região de plantio; depois do processamento sofre o processo de lareamento, a base de cloro. E depois de pronta para ser transformada em produto final é exportada. Esta situação ocorre hoje na África e no Brasil. Atualmente, o Brasil possui 5,3 milhões de ha plantados com eucalipto. As empresas planejam ainda ampliar esta área em mais 2,6 milhões de ha.
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A sociedade capitalista bem poderia chamar-se sociedade do esperdício.
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Afinal, nos países ricos, entre 30 e 40% de todos alimentos comprados são postos no lixo. O que inclui o desperdício de toneladas de água potável gastas na produção destes alimentos. Isto enquanto existem no mundo cerca de um bilhão de famintos e desnutridos crônicos, e uma criança morre a cada cinco minutos vítima de doenças decorrentes de problemas relacionados ao mau uso da água e falta de saneamento.
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A promoção do consumo, carro-chefe do capitalismo, exige a produção de artigos em quantidades cada vez maiores, para usufruto de uma pequena parcela da população. Para garantir a circulação de bens e mercadorias, uma das táticas é a produção de produtos com pouca durabilidade, ou de uso único; outra tática é a artificalização de necessidades, visando produção e venda de supérfluos. O preço deste processo, é exaustão de recursos, a geração de resíduos além da capacidade de eliminação e a criação de mazelas sociais próprias do capitalismo. Afinal, na sociedade do ter, onde em uma única estação climática são produzidas duas coleções de moda, e mesmo o papel higiênico deve passar por cloramento e receber estampas, a efemeridade é o tom dominante.
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Esta situação toda não passou despercebida nem mesmo aos olhos do capital. Ciente que a luta pela preservação ambiental pode se transformar em ferramenta valiosíssima contra o sistema econômico vigente, o sistema encampou, com relativo sucesso, o discurso ambientalista. Apesar de cumprir, em certa medida, a função de denúncia e de promover medidas protetivas à natureza, este modo de luta se torna inócuo por estar descolado do enfrentamento ao modelo econômico e social que o mundo vive hoje. Seria cômico, não fosse trágico, ver as transnacionais poluidoras investindo em publicidade...
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Defendendo a natureza! Assim como o discurso dos ''verdes'' que nãotocam no centro do problema: Consumo, lucro e exploração.
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A simples luta pela preservação, se não lincada à luta pelo socialismo, por outro modo de produção, pela diminuição do consumo, pelo fim do latifúndio, terá o mesmo efeito do perfume antes do banho. Sem esquecer que a miséria que degrada o homem é também uma das responsáveis pela degradação ambiental.
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O problema, finalmente, não é ''cada um fazer a sua parte'' e a sensação de dever cumprido. Não basta reciclar o próprio lixo, embora seja impensável não fazê-lo. Não basta economizar água no banho, manter-se alheio aos debates nacionais e internacionais. A luta ambiental não acontece isolada, não é individual. Só funcionará se, ao lado da indispensável mudança de atitudes individuais, houver um comprometimento coletivo com a construção de uma nova sociedade.
*Regina Abrahão, é do Rio Grande do Sul, funcionária pública estadual, dirigente de políticas sociais do Semapi, da CTB e do PCdoB de Porto Alegre, coordenadora do núcleo Cebrapaz, estuda Ciências Sociais na UFRG.
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in Vermelho - 2 DE JUNHO DE 2009 - 20h02
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