Discurso de Lula da Silva (excerto)

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Memórias: Livro ‘Sete Fôlegos do Combatente’ tenta retrato humano

Memórias: Livro ‘Sete Fôlegos do Combatente’ tenta retrato humano
d.r.
Ao lado de Álvaro Cunhal, Carlos Brito acompanhou “os seus sobressaltos ideológicos e viragens tácticas”. As histórias são agora contadas num livro cheio de revelações

Cunhal anti-stripper

"És muito ingénuo, pois que mulher se sujeitaria àquelas poses indecorosas e ordinárias a não ser numa situação de exploração vexatória no contexto do baixo negócio do sexo?". A frase é atribuída a Álvaro Cunhal, por Carlos Brito, em ‘Sete Fôlegos do Combatente’ e inclui-se num dos episódios picarescos do livro de memórias. Aconteceu numa visita à Hungria, em 1970, em que se destaca a identidade de pontos de vista com Janos Kadar, mas marca distância em relação à ‘abertura’ que ficou na história como ‘comunismo goulash’.
  • 22 Maio 2010
Por:João Vaz
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As oito páginas dedicadas às viagens em que Carlos Brito acompanhou Cunhal à Hungria e à Roménia são preciosas. Depois de recebidos por Kadar, um funcionário levou-os a um cabaré. O striptease de "uma bela magiar" incomodou Cunhal que disse o que sentia ao anfitrião. Por resposta, ouviu: "Agora trazemos aqui todas as delegações mais importantes e não tem havido protestos". Para Brito reservou a mais forte invectiva: "Queres dizer que não vende o corpo, mas faz dele uma exibição reles com atitudes obscenas, como modo de ganhar a vida".
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Da Roménia, onde constataram "o pendor policial do regime", vale o comentário de Cunhal durante a noitada em que os dois prepararam uma conferência anticolonial em Roma, perante vigilância intrigada de polícias romenos: "Estão com medo de que estejamos a preparar um atentado contra Ceausescu".
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FRASES DE CUNHAL
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"No Partido não há amigos, somos todos camaradas"
"O que é lamentável é que os camarada espanhóis se aproveitem para pressionarem o PCUS, os checos e a RDA para que a solidariedade internacional seja concentrada no Partido Comunista de Espanha, em detrimento do nosso partido, com o argumento de que quando o franquismo cair, Salazar cai por arrastamento, o que está para se ver"
"Não se incomodem, pois o meu organismo tem uma virtude: Quando tomo uma decisão, ele geralmente acompanha-me"
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Álvaro Cunhal, Sete Fôlegos do Combatente – Memórias
Carlos Brito

 

Colecção: História Hoje, n.º 2
Formato: 13,5×20,9
N.º Págs. 376 (com 8 pags. de extratextos e 24 de anexos)
Preço com IVA: €25,00
ISBN: 978-989-8236-24-1
EAN: 9789898236241


À venda a partir de 19 de Maio


INDÍCE DO LIVRO
Introdução
Primeira Parte
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O LÍDER NA REVOLUÇÃO

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I. Primeiros encontros e impressões;
1. Uma longa conversa;
2. Como peixe na água;
3. Liderança sem brecha.
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II. O estilo pessoal de direcção e intervenção;
1. O exercício da liderança;
2. A Checoslováquia e o «socialismo real»;
3. Inflexibilidade e impulsos solidários;
4. Mário Soares e os socialistas.
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III. Estratégia da vitória e as suas vicissitudes;
1. Um longo processo de elaboração;
2. O lugar dos militares;
3. Finalmente a situação revolucionária;
4. Golpe ou levantamento militar.
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IV. Os dias inaugurais da Revolução;
1. O regresso a Portugal;
2. A liderança na legalidade;
3. Participação nos Governos Provisórios;
4. Enfrentamentos com Spínola..

V. Versatilidade táctica, constância estratégica;
1. A moderação do VII Congresso;
2. Quatro questões decisivas:
3. A franqueza de Samora Machel;
4. Desafios e recados para o PS
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VI. O pico revolucionário e a crise que se seguiu;
1. Os discursos da vitória:
2. O poder e o projecto revolucionários;
3. Riscos e incertezas das eleições:
4. Irreparáveis consequências da derrota eleitoral;
5. Resultado eleitoral e legitimidade revolucionária.
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VII. Salvar a Revolução, impedir a confrontação;
1.«Não nos deixarmos encostar ao muro»;
2. Paladino da negociação e da unidade;
3. A esquerda militar derrotada e perseguida;
4. O confronto violento tornou-se inevitável:
5. O PCP desmonta as acusações;
6. O mérito de Álvaro Cunhal.
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Segunda Parte
O REVOLUCIONÁRIO NA DEMOCRACIA

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I. Uma década a defender as conquistas da Revolução;
1. Democracia e socialismo;
2. Constituição em vez de Revolução;
3. Acomodação à disputa eleitoral;
4. As presidenciais com Soares ao fundo;
5. I Governo do PS – O ponto de viragem;
6. O campo social politicamente vazio;
7. O ano fatídico de 1987.
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II. Ensaio renovador sob duas tempestades;
1. O sétimo fôlego;
2. O XII Congresso;
3. A contestação e a suspeição;
4. Mais um ano para a lista negra;
5. Um adjunto para o Secretário-Geral.
6. Onde se juntaram as duas tempestades.
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III. Substituição, regresso, entronização;
1. Tudo sob controlo;
2. Os dias mais tristes;
3. A luta dentro da Direcção;
4. O regresso;
5. A última conversa;
6. A fatal vitória conservadora.
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Terceira Parte
CARISMA E SINGULARIDADES

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I. O rigor da representação do Partido
II. Para além da representação;
III. O ideólogo e a ideologia;
IV. A despedida
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Anexos (24 pags.)
Extratextos (fotografias, 8 pags.)
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Descarregue a folha de promoção Promo_AlvaroCunhal-SeteFolegosDoCombatente.pdf

domingo, 13 de abril de 2008

Batalha de La Lys (90 anos)



Clicar nas imagens para ler
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d.r. Após viagem de barco até Brest, os portugueses avançavam alimentados a pão e conserva de sardinhaApós viagem de barco até Brest, os portugueses avançavam alimentados a pão e conserva de sardinha


















* João Vaz
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La Lys: A realidade vista 90 anos depois

Exagero na tragédia

A evocação da batalha de La Lys, cujo 90.º aniversário se comemora amanhã e depois em França, surge quase sempre ligada a milhares de mortos. Lê-se isso em muitos artigos sobre a participação portuguesa na Primeira Grande Guerra, 1914-18, na imprensa e na internet, e até em reputadas Histórias de Portugal. A realidade é, contudo, diferente. O desastre militar, às vezes comparado à tragédia de Alcácer Quibir, acabou de facto com a capacidade operacional do Corpo Expedicionário Português (CEP), mas as baixas – 398 mortos, dos quais 29 oficiais – são muito inferiores ao habitual: morreram ‘327 oficiais e 7098 praças’.

O exagero tem uma das origens num livro escrito por um dos comandantes do CEP, Gomes da Costa, promovido a general nos campos da Flandres e mais tarde chefe do golpe militar do 28 de Maio de 1926, que impôs uma ditadura, mantida pelo Estado Novo até ao 25 de Abril de 1974. Para além dos seus interesses de carreira militar, a presença portuguesa nos campos de batalha na Europa suscitou os maiores exageros nas baixas. Por um lado devido à luta política interna, depois do levantamento militar que levou Sidónio Pais ao poder em Dezembro de 1917, quase ao mesmo tempo que partia para França o último contingente militar português, com por soldados do Infantaria n.º 17, de Elvas. Mas sobretudo porque depois de três batalhões nacionais acompanharem a ofensiva vitoriosa e participado com a bandeira portuguesa nos desfiles da consagração em Paris e Bruxelas, era importante apresentar muitas baixas, para obter maiores indemnizações a nível financeiro e de armamento na Conferência de Paz.

'Ao contrário de hoje, na altura considerava-se que um maior número de mortos significava uma campanha mais heróica', observa a mestre em História, Isabel Marques, que acaba de publicar um desenvolvimento da sua tese com o título ‘Das Trincheiras, com Saudade'.

HERÓI MILHAIS PASSOU A SER O 'MILHÕES'

Do 9 de Abril de 1918, em La Lys ficou a memória de muitas histórias. Nos anos 30, início do Estado Novo, teve grande popularidade um sobrevivente da trágica batalha, o soldado Aníbal Augusto Milhais, trasmontano de Murça, a quem se atribuiu o feito de sozinho, numa trincheira, com uma metralhadora Lotz, desbaratar uma coluna de alemães que se deslocava de mota, e outras forças de forma a retardar o seu avanço e permitir o estabelecimento das linhas aliadas 30 km. Foi condecorado com a Torre Espada e até mudou de nome depois do seu chefe militar lhe dizer: 'Tu és Milhais, mas vales Milhões'. Da ficção é o ‘capitão Afonso’ do romance ‘A Filha do Capitão’, de José Rodrigues dos Santos. 'Na hora do ataque às 04h00 estava numa trincheira de la Lys a bebericar uma chávena de chá. Com o susto da tempestade de metralha explosiva quase o ia entornando', escreve o autor.

DAS REVOLTAS AOS DESFILES DA VITÓRIA

As forças portuguesas ficaram destroçadas pelo ataque alemão na madrugada de 9 de Abril de 1918 em La Lys. Cansados e desmoralizados, perante a ofensiva de quatro divisões alemãs, os nacionais opuseram frágil resistência. Segundo Isabel Marques Pestana, convidada oficial para falar amanhã, na Universidade de Lille, sobre a participação portuguesa na Guerra 14-18, o desastre deve-se a uma situação calamitosa. A partir de Dezembro de 1917 não se enviaram mais tropas para França nem se renderam as que lá estavam. Isso ficou patente em 18 revoltas. Ainda assim, a partir de Setembro de 1918 foi possível reconstituir três batalhões que participaram na ofensiva vitoriosa final e desfilaram com a bandeira portuguesa nas paradas do triunfo em Bruxelas e Paris.

SARGENTO FERREIRO VIRA ARTISTA

Um encontro fortuito, na frente da Flandres, com um médico de Aveiro que já o conhecia como o ‘Almeida de Coimbra’, ferreiro com talento, facilitou ao sargento Lourenço Chaves de Almeida, da Coluna de Transportes de Feridos n.º 1, o cultivo da sua arte em França. Começou por arranjar uma lança para o estandarte de um regimento e aproveitava as cápsulas das granadas e de outros projécteis para artesanato muito elogiado. Também reparou uma bengala ao general Tamagnini, comandante-chefe das forças portuguesas, dando-lhe uma grande alegria pela estima em que ele tinha o utensílio oferecido por Mouzinho de Albuquerque.

Da batalha de La Lys recorda a confusão e que os ingleses lhe ficaram com um guarda-jóias feito na forja que improvisara em La Fosse. Estas e outras peripécias da presença portuguesa na guerra são contadas no livro ‘Memórias de um Ferreiro’ que Lourenço de Almeida escreveu antes de falecer em 1952, com 76 anos, e a vontade de um neto, Afonso Almeida, conseguiu que fosse publicado há menos de um mês com o apoio da Liga dos Combatentes.

MINISTRO NA COMEMORAÇÃO

Severiano Teixeira, ministro da Defesa Nacional, participa amanhã e depois em França nos actos dos 90 anos de La Lys.

HOMENAGEM NO CEMITÉRIO

O cemitério militar português de Riche-bourg é um dos locais da cerimónia que se alargam a La Couture e La Peylouse-St. Venant.

398 MORTOS

É o número mais exacto das perdas sofridas em La Lys.

29 OFICIAIS

Estão os mortos do 9 de Abril, alguns por suicídio.

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in Correio da Manhã - 10 Abril 2008 - 00.30h
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Comentários no CM on line
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10 Abril 2008 - 08.18h | Américo Silva
A não esquecer: Afonso Costa autocondecorou-se com a Torre e Espada, e Norton de Matos, um dos responsáveis pelo desastre,reaparceu depois, limpo e escarolado, contra Salazar.
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NOTA de VN
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Então e nos comentários não se fala do General de Caserna Gomes da Costa, herói da I Grande Guerra, chefe das tropas revoltosas que ajudaram a derrubar a I República e a implantar o fascismo e que logo no início foi afastado e desterrado? Bem, lá continua com a sua estátua em Braga. Essa não foi apeada como em Vila Franca de Xira não foi mudado o nome doutro «herói», Marechal Carmona, Presidente da «República» vitalício após o afastamento de Gomes da Costa. E depois ainda há quem diga que a II República, iniciada em 25 de Abril de 1974, não é «democrática» !
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Já desisti de comentar no CM on line porque normalmente os meus «escritos» não passam no «crivo»
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Açores - Cavaco visita vinha Património Mundial

* João Vaz

(...) No segundo dia da visita aos Açores, o Presidente da República tirou a gravata e usou um blazer ligeiro. Foi a altura, como afirmou diante do Moinho do Frade, na Ilha do Pico, de tomar contacto com a diversidade do território nacional.
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Diante de uma vinha de curral (classificada como Património Mundial), onde se cultiva a matéria-prima do vinho com o mesmo nome, o Presidente lembrou uma viagem que fez com a mulher ao vulcão Etna em Itália, conhecido pela sua incessante actividade.
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Destacou ainda o trabalho gigante que espelha a colonização das ilhas e em especial do Pico, onde os muros dos chamados currais, feitos para proteger as culturas dos ventos salgados do mar, somariam todos alinhados mais do que o comprimento da Muralha da China.
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O passo vulcânico que une as nove ilhas dos Açores reconhece-se em todo o lado. “Ali, um monte com uns milhões de anos e além outro só com 50 anos, ainda bebezinho”, observou Cavaco Silva, já aos pés do Farol dos capelinhos e diante da pequena península provocada pela erupção tremenda, mas sem vítimas mortais que acrescentou a ilha do Faial desde Setembro de 1957.
João Vaz
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in Correio da Manhã 2007.10.08
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07-10-2007 - 00:00:00 Visita de Cavaco atrasa a missa
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Para saber mais ver:
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